• Nenhum resultado encontrado

Cad. Saúde Pública vol.33 número8

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Cad. Saúde Pública vol.33 número8"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

Cad. Saúde Pública 2017; 33(8):e00133517

Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodu-ção em qualquer meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado.

EDITORIAL EDITORIAL

Para que serve uma revista científica? Pode parecer óbvio, mas a resposta do “para que” de-pende do “para quem”. Uma revista poderá ter sentidos diversos para diferentes atores. Em geral, os leitores esperam que a revista publique artigos de qualidade, que contribuam para o avanço do conhecimento e que tenham relevância social. Já os autores, buscam na revista um veículo para a divulgação dos resultados de suas pesquisas e ideias de forma ampla, per-mitindo tanto o debate acadêmico entre pares como a tomada de decisão qualificada pelos formuladores de políticas.

Outro ator importante é a instituição mantenedora. Dependendo da sua natureza, os objetivos variam. Editoras comerciais incorporam necessariamente o lucro entre os seus objetivos. A principal forma utilizada para expandir o lucro, uma vez que autores e revi-sores trabalham gratuitamente, é aumentar as vendas de assinaturas e/ou a cobrança para a publicação de artigos, por meio da ampliação de seu prestígio entre leitores e pesquisa-dores. Ainda que o fator de impacto sofra muitas críticas 1, este tem sido usado como um indicador para medir a relevância da revista, independentemente de qualquer real impacto na sociedade. Além disso, publicar artigos de pesquisadores líderes do campo é importante, bem como ter a primazia na publicação de grandes descobertas. Não foi por acaso que as grandes revistas comerciais deram acesso aberto aos artigos sobre Zika: se não o fizessem, perderiam espaço acadêmico e, consequentemente, prestígio. Todos os pesquisadores que-riam ter seus artigos sobre o tema publicados rapidamente, de forma aberta, para que ou-tros pudessem usar os resultados iniciais.

Espera-se que revistas não comerciais, entretanto, tenham uma lógica diferente. Mesmo mantendo a busca de prestígio acadêmico, seu papel deve incluir a publicação de temas re-levantes para o seu campo de atuação, considerando a produção de conhecimento e seu im-pacto na sociedade. Um exemplo é o British Medical Journal (BMJ) que, mantendo a tradição da publicação acadêmica de excelência, tem também liderado campanhas (https://www. statnews.com/2016/01/04/bmj-editor-fiona-godlee/) voltadas para questões importantes como dados abertos, mudança climática, sobrediagnóstico e o desperdício de recursos em cuidados de saúde desnecessários (http://www.bmj.com/campaigns).

CSP, contando com o apoio da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Funda-ção Oswaldo Cruz, sua instituiArouca/Funda-ção mantenedora, busca responder às demandas de autores

CSP: bem comum da Saúde Coletiva

Marilia Sá Carvalho Cláudia Medina Coeli Luciana Dias de Lima Editoras

(2)

Cad. Saúde Pública 2017; 33(8):e00133517 2 EDITORIAL

EDITORIAL

e leitores, cumprindo o seu papel no campo da Saúde Coletiva/Saúde Pública, em âmbi-to nacional e internacional. Como ediâmbi-toras, é nossa responsabilidade apresentar de forma transparente a política editorial a todos os atores envolvidos na construção e uso da revista como fonte de conhecimento. Nossos editoriais são o canal preferencial para esse diálogo, sendo o número de dezembro, em particular, dedicado à reflexão crítica das conquistas e desafios da política editorial desenvolvida. Mas o ano de 2016 foi diferente. Em um contex-to de perplexidade diante da crise econômica e ruptura política e institucional, o Editorial de dezembro 2 apresentou o Espaço Temático sobre “austeridade fiscal, direitos e saúde”, te-ma fundamental frente às restrições impostas ao financiamento das políticas sociais e suas repercussões para a saúde no Brasil.

Visando a preencher essa lacuna, elaboramos uma apresentação (material suplementar) na qual sintetizamos os princípios que norteiam nossa política editorial, assim como vá-rios indicadores atuais de CSP. Entre eles, destacamos as informações da Avaliação Qua-drienal 2017 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que aponta CSP como a revista com o maior número de artigos publicados, 6,7% do total, por docentes do quadro permanente dos programas brasileiros de pós-graduação da área de Saúde Coletiva, no período de 2013 a 2016 (Werneck GL, 2017, comunicação pessoal). Pelo volume publicado, por não limitar referências e por ser indexada nas principais bases bibliográficas, somos responsáveis também por parte relevante das citações recebidas pelas demais publicações da área, contribuindo para o fortalecimento deste ecossistema de re-vistas e, desta forma, da Ciência e da Saúde Coletiva/Saúde Pública, no Brasil e no mundo.

Por tudo isso, CSP é bem comum da Saúde Coletiva, compartilhado por todos aqueles en-volvidos na produção e divulgação de conhecimento e interessados no debate sobre temas relevantes para a melhoria das condições de vida e saúde das populações.

1. Stephan P, Veugelers R, Wang J. Reviewers are blinkered by bibliometrics. Nature 2017; 544:411-2.

Referências

Documentos relacionados

Visando contribuir para o avanço do conhecimento sobre o tema no Brasil, este estudo estima a prevalência de violência física entre parceiros íntimos nos primeiros seis meses após

De acordo com os oito domínios criados, as variáveis observadas em cada segmento assim se agruparam: D1: Condições das ruas e itens de trânsito (11 variáveis); D2: Mobilidade

Propôs-se levantar a prevalência de infecção latente por tuberculose (ILTB) entre pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), fatores associados e se entre os casos identificados

O objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre exposição crônica a agrotóxicos e presença de tremor essencial entre guardas de endemias do Estado do Rio de Janeiro,

Entre las propuestas de mejora que los propios usuarios del sistema visualizan para un ajuste más satisfactorio a la nueva situación de jubilación, concluimos con tres

No que diz respeito à relação entre síndrome de fragilidade e condições nutricionais em idosos não frágeis, pré-frágeis e frágeis, evidenciou-se uma situação adversa nos

O cenário 18, por fim, é o que mais amplia a chance de escolha de áreas de maior necessidade, sendo 40,5% para áreas remotas do interior e 11,1% para áreas inseguras, contudo

Identificou-se que houve maior chance de autoper- cepção da presença da cárie dentária entre os indivíduos que utilizaram os serviços odontológicos há mais de um ano, entre os