Universidade de São Paulo -Escola Politécnica Departamento de Engenharia Mecânica
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PME – 2237 Mecânica dos Fluidos XI
Terceiro Relatório Experimental
ANÁLISE DIMENSIONAL E SEMELHANÇA APLICADA ÀS MÁQUINAS DE FLUXO
Data 13/06/2007
Professor: Saburo Ikeda Turma 31
Integrantes do Grupo e número USP:
Eduardo Mahiyama 5695307
Luísa Brandão Cavalcanti 5692520
Victor Tapia R. Migliorin 5691324
1. RESUMO 3
2. OBJETIVOS 3
3. FUNDAMENTOS TEÓRICOS 3 4. APRESENTAÇÃO DO APARATO EXPERIMENTAL 5 5. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL 6 6. DADOS EXPERIMENTAIS 6 7. RESULTADOS E RESPOSTAS ÀS QUESTÕES PROPOSTAS 7 8. CONCLUSÕES E COMENTÁRIOS FINAIS 13
ANEXO: Folha de dados assinada pelo professor
3
1. RESUMO
O experimento visa analisar uma bomba centrífuga e a família de bombas
semelhantes a ela nas condições do laboratório, assim como seu comportamento quando o fluido é trocado e como seriam as curvas características de um protótipo dessa bomba.
Inicialmente, coletamos dados no laboratório que nos possibilitaram determinar, para cinco situações diferentes, a vazão de água passando pela bomba, a velocidade e pressão nas seções de entrada e de saída da bomba, e a potência no eixo da bomba.
Pudemos também determinar o rendimento da mesma e os adimensionais calculados pelo teorema de Buckingham, caracterizando a família de bombas semelhantes à ensaiada.
Finalmente, pudemos caracterizar o comportamento da bomba se o fluido utilizado tivesse sido o óleo com o qual ela foi planejada para trabalhar, traçando a curva
característica que se alteraria com a troca do fluido. Também traçamos as curvas características de um protótipo da mesma bomba, que operasse com o tal óleo.
2. OBJETIVOS
Esta experiência tem como objetivo estudar uma bomba centrífuga com o auxílio da análise dimensional. Traçaremos as curvas características da bomba ensaiada e da família de bombas dinamicamente semelhantes a ela, com base na análise dimensional e no teorema de Buckingham. Analisaremos a mudança de comportamento da bomba ao trocarmos o fluido utilizado no ensaio (água, no caso) por um determinado óleo, assim como traçaremos as curvas características de um protótipo dessa bomba que tenha determinadas dimensões, baseados na teoria da semelhança. Assim, observaremos a importância da teoria aprendida em sala de aula e o quanto isso facilita o trabalho no laboratório.
3. FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Uma bomba transforma energia mecânica em hidráulica. Para fazer isso, a bomba provoca uma pressão negativa na sua seção de entrada (de sucção), e positiva na de saída (recalque). A partir dessa diferença de pressão e de velocidades, podemos determinar a carga manométrica, que necessitamos para determinar o rendimento da bomba e o coeficiente manométrico. Primeiramente devemos entender como é feito o estudo das bombas, e para isso utilizaremos as seguintes siglas:
W= potência útil no eixo da bomba;
Pe= pressão medida na entrada da bomba (vacuômetro) Ps= pressão medida na saída da bomba (manômetro) µ= viscosidade dinâmica do fluido
ρ =massa específica do fluido (constante) g= aceleração da gravidade (constante) γ= peso específico do fluido (constante)
α= coeficiente de energia cinética (igual a 1 para escoamento turbulento) Q=vazão em volume de fluido;
Ve= velocidade média na seção de entrada
Vs= velocidade média na seção de saída N=Rotação do rotor (constante)
D=Diâmetro do rotor (constante) U=Diferença de Potencial no motor i=Corrente elétrica do motor
∆h =Diferença de altura entre os dois manômetros
Para o estudo pretendido, era necessário determinar a função f:
f( ρ ,µ,D,N,E,W,Q,c)=0
Aplicando a análise dimensional, pelo teorema dos “ Π ” de Buckingham, obtemos os seguintes adimensionais:
2 2D N
H C
Hg
m∗
= ∗ ,coeficiente manométrico;
3D N C
QQ
= ∗ , coeficiente de vazão;
3 5D N C
WW
∗
= ∗
ρ , coeficiente de potência;
ν D
2R = N ∗ , número de
Reynolds;
c D
M = N ∗ , número de Mach (onde c é a velocidade do som nas condições do experimento).
Contudo, utilizaremos aqui o rendimento, que é a combinação dos adimensionais relevantes para o estudo da máquina de fluxo. (para fluido incompressível c é irrelevante e além disso, como o número de Reynolds é elevado, as forças de inércia são mais
importantes do que as viscosas, ou seja, µ é desprezível). O rendimento é dados por:
W H Q
C C C ∗ η =
E para uma bomba, temos:
Assim, precisamos determinar Hm e W. Partimos do seguinte raciocínio:
Hm= Hs – He , ou seja, carga manométrica é a diferença de carga total média entre a saída e a entrada. E temos:
E por fim:
Considerando conhecidos o valor da potência ativa que medimos com o watímetro, e os valores de U e i medidos também durante o experimento. Sabemos que o fator de potência de uma bomba é cosφ=Pativa/Paparente , sendo essa última igual a U.i.√3, e que o rendimento elétrico é numericamente igual ao fator de potência. Por outro lado, a potência útil da bomba, é igual ao produto do rendimento elétrico pela potência ativa. Então temos W = cos φ .Pativa. Finalmente, tendo Hm e W e conhecendo Q e γ determinamos o
rendimento da nossa bomba.
5
Primeiramente, passamos todos os dados coletados durante o experimento para seus respectivos valores no SI. Dessa forma:
3.1)Cálculo da vazão (Q)
Q = m/( ρ *delT) , sendo m a variação da massa na balança no intervalo de tempo delT e ρ a massa específica da água (1000kg/m³).
3.1)Conversão da pressão na saída da bomba (Ps)
A pressão de saída foi medida por um manômetro, que dava ela em kg/cm².
Fizemos então:
Ps= ps*10^(4)*g , onde os é o valor lido no manômetro e g o valor do campo gravitacional (9,78622 m/s²).
3.2)Conversão da pressão na entrada da bomba (Pe)
A pressão de entrada foi medida em um vacuômetro, que a fornecia em metro de coluna d’água. Sendo pe o valor de pressão lido, temos:
Pe= pe* γ , onde γ é o peso específico da água (γ=9786,22 kg/m²s²).
4. APRESENTAÇÃO DO APARATO EXPERIMENTAL
O equipamento esquematizado na figura 1 possuía uma bomba centrífuga, um manômetro na seção de saída da bomba e um vacuômetro na seção de entrada, uma balança, um tanque de água em cima da balança, uma válvula de três vias, um registro regulador de vazão, em amperímetro e um voltímetro.
Figura 1 – Esquema do equipamento utilizado no laboratório
A água era puxada do tanque central pela bomba, passava pelos canos e, conforme o posicionamento da válvula, enchia o tanque de água ou voltava para o tanque central.
5. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Ligamos a bomba e abrimos o registro ao máximo. Como nessa situação não era possível ler os dados no vacuômetro e no piezômetro, fechamos um pouco o registro até que os ponteiros ficassem em uma posição satisfatória para a coleta de dados. Anotamos os dados (i, U, ps, pe e W) enquanto o tanque de água sobre a balança era cheio de água.
Cronometramos o tempo gasto para enchê-lo até determinado o ponto e voltamos a válvula para a posição de jogar a água no tanque central. Lemos o valor marcado pela balança e determinamos a variação da massa (já que a balança não estava zerada no início, até pelo peso do tanque, tínhamos sempre que subtrair o valor da massa inicial). Esvaziamos o tanque e repetimos esse processo mais quatro vezes, sendo a última com o registro totalmente fechado.
Anotamos alguns dados necessários para os cálculos que realizaremos:
• Massa específica da água (ρ) = 1000 Kg/m
3;
• Aceleração da gravidade local (g) = 9,78622 m/s
2;
• Peso específico da água (γ) = 9786,22 Kg/m
2*s
2;
• Diâmetro do rotor (D) = 0,2000±0,0005 m;
• Diâmetro do flange de entrada da bomba (D
entrada)= 0,0388±0,0005 m;
• Diâmetro do flange de saída da bomba (D
saída) = 0,0296±0,0005 m;
• Altura da coluna dágua do manômetro=0,8800±0,0005 m;
• Diferença de cotas ∆h=0,2200±0,0005 m;
• Rotação do rotor (N) = 1710 rpm =
179,07rad/s.
Obs.: a diferença de cotas foi determinada segundo as orientações recebidas no roteiro de experiência; a altura da coluna dágua do manômetro foi determinada para que depois pudéssemos corrigir a pressão lida no manômetro, acrescentado a essa 0,88*γ segundo a lei de Stevin; a bancada em que trabalhamos foi a de número 4.
6. DADOS EXPERIMENTAIS
As tabelas a seguir apresentam os dados por nós anotados durante a experiência.
Consideramos os seguintes desvios dos aparelhos:
σ
manômetro= 0,05 kgf/cm
2σ
vacuômetro= 0,01 mH2O σ
voltímetro= 2,5 V;
σ
amperímetro= 0,05 A;
σ
wattímetro= 0,006 kW;
σ
trena= 0,05 cm;
σ
balança= 0,050 kg
7 Tabela 1 – Apresentaçãos dos dados, nas unidades fornecidas
7. RESULTADOS CALCULADOS E RESPOSTAS ÀS QUESTÕES PROPOSTAS
A partir dos valores da Tabela 1, fizemos o tratamento dos dados como explicado nos fundamentos teóricos, para que as unidades ficassem todas de acordo com o SI. Depois disso construímos a Tabela 2 e 3da seguinte maneira:
Ve=Q/Se, sendo Se= π de²/4;
Vs= Q/Ss, sendo Ss= π ds²/4;
Hm=(Ps-Pe)/ γ +(Vs²-Ve²)/(2g)+ ∆ h;
Cosφ=W/(Ui √3)= η*;
ηb=γQHm/(η*Pa);
C
H=GHm/(N²D²);
C
Q=Q/(ND³);
med Q (*10³m³/s) Ps(*10^5 Pa) Pe(10³Pa)
Pativa
(W) Ve (m/s) Vs (m/s) Hm(m) cos(fi) 1 2,56±0,02 1,540,05± -9,3±0,1 1350±6 2,17±0,06 3,7±0,1 17,4±0,5 0,83±0,01 2 2,31±0,03 1,55±0,05 -7,6±0,1 1300±6 1,96±0,06 3,4±0,1 17,3±0,5 0,84±0,01 3 2,03±0,03 1,60±0,05 -6,0±0,1 1213±6 1,72±0,05 3,0±0,1 17,5±0,5 0,82±0,01 4 1,70±0,02 1,70±0,05 -3,9±0,1 1088±6 1,44±0,04 2,5±0,1 18,2±0,5 0,75±0,01 5 0 1,90±0,05 0 825±6 0 0 19,6±0,5 0,69±0,01
Tabela 2 – Alguns dos cáculos realizados W (kW) ηb (%) Ch Cq
1,12±0,02 39,0±0,3 0,133±0,004 0,00179±0,00002 1,09±0,02 36,0±0,4 0,132±0,004 0,00161±0,00002 0,99±0,02 35,2±0,5 0,134±0,004 0,00142±0,00002 0,81±0,02 37,3±0,4 0,139±0,004 0,00119±0,00005 0,57±0,01 0 0,150±0,004 0
Tabela 3 – Resto dos Cálculos Realizados
Quanto à determinação dos desvios, fizemos:
σ
Q= Q*√((σm/m)²+( σdelT/delT)²);
σ
S= S*2σd/d , onde S é a área transversal e d o diâmetro dos flanges – como o diâmetro da de entrada era diferente do da saída, obtivemos dois σs diferentes;
σ
V= V* √ (( σ Q/Q)²+( σ S/S)²);
σ
cosφ= cos φ * √ (( σ Pa/Pa)²+( σ U/U)²+( σ i/i)²)= σ
η*(numericamente) σ
W=W* √ (( σ U/U)²+( σ i/i)²+( σ
cosφ/cos φ )²)
σ
ηb*= η b* √ (( σ Q/Q)²*
(σ Hm/Hm)²+( σ
η*/ η *)²+( σ Pa/Pa)²)
medida massa(kg) delT(s) Ps (kg/cm²) Pe (mH2O) i(A) U(V)
Pativa (kW) 1 116,75 45,60 1,49 -0,95 4,70 200,0 1,350 2 74,80 32,34 1,5 -0,78 4,55 197,5 1,300 3 54,00 26,55 1,55 -0,61 4,35 197,5 1,213 4 56,20 33,00 1,65 -0,4 4,25 197,5 0,988
5 1,85 0 3,45 200,0 0,825
σ
CH=C
H*√((σHm/Hm)²+(2σD/D)²) σ
CQ=C
Q* √ (( σ Q/Q)²+(3 σ D/D)²)
A seguir apresentamos os resultados gráficos das curvas características da bomba ensaiada e da família de bombas semelhantes à ensaiada.
Carga manométrica por vazão da bomba ensaiada
y = 27847x2 - 999,62x + 19,614
16,5 17,0 17,5 18,0 18,5 19,0 19,5 20,0 20,5
0,0E+00 5,0E-04 1,0E-03 1,5E-03 2,0E-03 2,5E-03 3,0E-03
Q (m³/s)
Hm (m de coluna dágua)
Hm Polinômio (Hm)
Gráfico 1 – Curva característica da bomba ensaiada.
9
Potência útil por vazão da bomba ensaiada
y = 7E+07x2 + 46660x + 567,03
0,00E+00 2,00E+02 4,00E+02 6,00E+02 8,00E+02 1,00E+03 1,20E+03 1,40E+03
0,0E+00 5,0E-04 1,0E-03 1,5E-03 2,0E-03 2,5E-03 3,0E-03
Q (m³/s)
P útil (W)
Pútil Polinômio (Pútil)
Gráfico 2 – Curva característica da bomba ensaiada.
Rendimento da bomba pelo Cq para a família de bombas semelhantes à ensaiada
y = -1E+07x2 + 46684x + 0,1384
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0
0,0E+00 2,0E-04 4,0E-04 6,0E-04 8,0E-04 1,0E-03 1,2E-03 1,4E-03 1,6E-03 1,8E-03 2,0E-03 Cq
ηb (%)
Rendimento da Bomba Polinômio (Rendimento da Bomba)
Gráfico 3 – Curva característica da família de bombas semelhantes.
Ch por Cq para a família de bombas semelhantes à ensaiada
y = 436,02x2 - 10,926x + 0,1496
0,120 0,125 0,130 0,135 0,140 0,145 0,150 0,155 0,160
0,00000 0,00020 0,00040 0,00060 0,00080 0,00100 0,00120 0,00140 0,00160 0,00180 0,00200 Cq
Ch
Ch Polinômio (Ch)
Gráfico 4 – Curva característica da família de bombas semelhantes
7.1)Se quisermos obter o comportamento da bomba se o fluido for um óleo, com densidade e peso específico diferentes dos da água, fixamos os adimensionais Ch, Cq e η b, e vimos os parâmetros que se alteram:
Hm=C
H.N².D²/g (então Hm não se altera) Q=C
Q.N.D³ (então Q não se altera) W=γ.Q.Hm/ηb (então W se altera)
Como a densidade do óleo é 800 kgf/m³, seu peso específico é 7828,976. Como ηb para o nossa última medida era zero, ficamos somente com quatro pontos para montar o gráfico 5.
W (kW) Q (m³/s)
0,90±0,03 0,00256±0,00002 0,87±0,03 0,00231±0,00003 0,79±0,03 0,00203±0,00003 0,65±0,02 0,00170±0,00002
Tabela 4 – pontos da curva característica WvsQ para a bomba com óleo