OS LIMITES DA PRODUÇÃO DE PROVAS: A INFILTRAÇÃO POLICIAL EM ORGANIZAÇÕES CRIMINAIS.

Texto

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CURSO DE DIREITO

ARILSON JESUS LIMA

OS LIMITES DA PRODUÇÃO DE PROVAS: A INFILTRAÇÃO POLICIAL EM ORGANIZAÇÕES CRIMINAIS.

Guanambi-Ba 2021.1

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ARILSON JESUS LIMA

OS LIMITES DA PRODUÇÃO DE PROVAS: A INFILTRAÇÃO POLICIAL EM ORGANIZAÇÕES CRIMINAIS.

Artigo Científico apresentado ao curso de Direito do Centro Universitário UNIFG de Guanambi-BA, como requisito de avaliação da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II.

Orientador: Prof. Me. Anderson Milhomem Vasconcelos.

Guanambi-Ba 2021.1

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 4

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 5

2.1 Provas nos Procedimentos Penais Brasileiro ... 5

2.2 Provas no Inquérito Policial ... 6

2.3 Prova específica nas infiltraçoes policiais e todos os seus trâmites ... 8

3. METODOLOGIA ... 12

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS... 12

5. REFERÊNCIAS ... 14

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OS LIMITES DA PRODUÇÃO DE PROVAS: A INFILTRAÇÃO POLICIAL EM ORGANIZAÇÕES CRIMINAIS.

Arilson Jesus Lima1, Anderson Milhomem Vasconcelos2

RESUMO: O presente artigo científico destinou-se amparar todos os aspectos que detém a infiltração policial em organizações criminais em buscas de provas. Em sua estrutura, prevalecem alguns posicionamentos doutrinários que contemplam ideias relevantes sobre o tema. Ainda são dispostos, de forma qualificativa, teores positivos e negativos perante o serviço elaborado pelos policiais e a importância dessa prática para a produção de ricas provas em combate ao crime. Outrossim, são advertidos a dificuldade e periculosidade refletida nas infiltrações e os riscos dos agentes em conduzir essas operações. Em fatores construtivos, foram manuseados nesse projeto, quanto à metodologia, a utilização de pesquisas bibliográficas, quantitativas, explicativas, de natureza básica e não aplicada. Haja vista desses esclarecimentos, por fim, consideráveis reconhecimentos perduraram sobre a maior efetivação da prática de infiltrações policiais, sendo essa, muito válida e que deparam maiores produções de provas.

Palavras-chave: Infiltração; Provas; Polícia.

ABSTRACT: This scientific article was intended to support all aspects of police infiltration in criminal organizations in search of evidence. In its structure, some doctrinal positions prevail that include relevant ideas on the subject. Positive and negative contents are still available, in a qualifying manner, regarding the service prepared by the police officers and the importance of this practice for the production of rich evidence in combating crime.

Furthermore, the difficulty and danger reflected in infiltrations and the risks of agents in conducting these operations are warned. In constructive factors, in this project, as to the methodology, the use of bibliographic, quantitative, explanatory researches of a basic and non-applied nature were handled. In view of these clarifications, finally, considerable recognition remained about the greater effectiveness of the practice of police infiltrations, which is very valid and which face greater production of evidence.

Keywords: Infiltration; Evidences; Cops.

1 Graduando do curso de Direito no Centro Universitário FG - UNIFG

2 Advogado e Mestre em Direiro pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu do Centro Universitário FG - UNIFG

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1. INTRODUÇÃO.

Constituir a escolha temática é matéria meramente intuitiva, pois denotar ideias e, até então, dissertar sobre, são preceitos que elevam à uma determinada escolha. Rente a essa colocação, é de suma importância percorrer esse campo científico discutindo sob o tema do presente trabalho. Atendendo aos ensinamentos institucionais até aqui aprendidos, e ao despertar preferencias, o tema mencionado foi escolhido pelo viés satisfatório do aluno na aérea que melhor se adequa às suas pesquisas.

Haja vista a centralidade temática, é importante transcrever os limites de produção de prova, que por diversas vezes, se faz necessário ir além. A fundamental tarefa policial, em se infiltrar no meio de organizações criminais, serviços de extremas periculosidades que atravessa o ilícito em busca de provas concretas. Obetiva-se com este estudo abordar em detalhes as figuras diretamente ligadas a essa operação: o agente infiltrado, o agente provocador, o agente disfarçado e os demais elementos utilizados.

Serão verificadas as legislações que oferecem amparo aos agentes desenvolvedores do trabalho de infiltração, que por inúmeras vezes, atravessam o ilícito para a obtenção de provas. Sendo essa tarefa meramente detalhada, pois, envolve condutas ilegais más vistas pela sociedade e tampouco na jurisdição brasileira. Por um viés mais positivo e de índole cabível, esse trabalho soa como uma desenvoltura efetiva para as estratégias policias no combate aos crimes organizados e burca tornar dificultoso o caminhar criminal, ou melhor dizendo, procurar evitar que alguém lícito acabe por desmoronar no meio ilícito.

Este estudo não pretende manifestar novos conceitos, e nem o poderia, tendo em vista a recorrência temática em junção da imprensa, posicionamento doutrinário, e em quaisquer afazeres que relata em prol. Destarte a preocupação deste assunto, se justifica como uma contribuição ao estudo do Direito, expressando o instituto ora em comento, a eficácia utilizada de forma correta como meio de prova e, consequentemente, como fundamento para uma sentença penal, desde que acompanhada de outros elementos que a corroborem.

Diante todo exposto, são essas as principais ideias esboçadas sobre o que trará o estudo científico. Dentre esse, será agregado por diversas leis e doutrinas os aspectos positivos, negativos e toda importância das ações que o tema condiz. Em destaque, a visão positiva será maior defendida pelo autor desse estudo, em conjunto com entendimentos doutrinários e fontes seguras (PACHECO, 2011).

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2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

2.1 PROVAS NOS PROCEDIMENTOS PENAIS BRASILEIROS.

Elevando o teor principal deste projeto, serão denotados os aspectos de suma importância em consonância aos trâmites contempladores do tema. Em decorrência, é de vasta relevância apresentar os meios legais probatórios e aqueles que atravessam o ilícito para suas produções.

Haja vista da colocação ora mencionada, visa esclarecer, de forma precisa e bastante inteligente, o conceito que contempla as provas no Processo Penal Brasileiro, respeitando as palavras do Fernando Capez:

“Do latim probatio, é o conjunto de atos praticados pelas partes, pelo juiz e por terceiros, destinados a levar ao magistrado a convicção acerca da existência ou inexistência de um fato, da falsidade ou veracidade de uma afirmação. Trata-se, portanto, de todo e qualquer meio de percepção empregado pelo homem com a finalidade de comprovar a verdade de uma alegação.” (2011, p. 344).

Rente ao ofertado, é necessário enxergar a prova como fonte de informações com enfoque probatório devidamente conexo aos procedimentos, onde se detém de forma clara, eficaz e importante para uma certeza processual. As provas já elencadas obtém reconhecimento relativista, pois, agrega relevante historicidade, proporcionando maiores nortes para o juiz durante o processo.

Sendo assim, é pertinente destacar as circunstâncias objetivas e subjetivas, das obrigatoriedades geridas em questões fáticas, manchada de dúvida e possuída por relevâncias ao julgamento que percorre forte influência nas decisões dos processos. Assegura-se que o objeto de forma direta torna-se referência imediata ao fato principal, e por sua vez, indireto quando preceitua outro fato, mas que por dedução lógica, encontra-se o que procurava ser provado.

Todo esse esclarecimento faz-se mostrar os fatos que não dependem das provas: os intuitivos, os que possuem claras evidências; notórios, que engloba conhecimento geral; por sua vez, as presunções legais, as que são denotadas perante a própria lei; e por fim, as inúteis:

as que não oferecem nenhuma relevância para descoberta da verdade real.

Os fatos diversos dos citados deverão ser provados, inclusive o fato incontroverso.

Portanto, obstando maior validade em descrever os meios de provas, são todos os instrumentos perdurados na elucidação dos fatos alegados e perseguidos no processo, de forma direta ou indireta. Mediante maneira, se expressa o princípio da verdade real,

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responsável por conduzir o magistrado a investigar, precisamente, as procedências dos fatos na realidade. Cabe impor mera ressalva deste princípio não sofrer limitações, visto que o rol expresso pelo Código de Processo Penal, mais precisamente em seus artigos 158 a 250, é puramente exemplificativo. Por fator contrário, postula exceções a presente pretensão absoluta, sendo essas, vedações das leituras de documentos não conjuntos aos autos, com a observância do prazo mínimo estabelecido na lei (artigo 479, caput, CPP); a atenção das exigências e formalidades da lei civil para a prova inerente ao estado das pessoas (artigo 155, parágrafo único, CPP); e a exigência do exame de corpo de delito para as infrações que deixarem vestígio (artigo 158, CPP).

Contemplando o esboço por último invocado, sobrechega o princípio do livre convencimento do juiz como um combo de apreciação da prova, consequente ao magistrado nas decisões livres, resignado para as provas nos autos, acatando a critérios racionais e lógicos, como se é percebido no artigo 155, caput, do CPP, in verbis:

“O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.”

Permitindo concluir as ideias, o estudo do instituto da prova no direito processual penal acedeu vastas constatações, partindo de uma indispensabilidade em coincidência ao correto funcionamento jurisdicional, a apegada relação convencionada ao magistrado com o intuito em resolver a lide, a qualidade que denota ao experimento de trazer a tona uma realidade fática, limitada a produção probatória visto que as garantias constitucionais trabalham como amparo processual, para que sempre e de forma incansável busquem a verdade real.

2.2 PROVAS NO INQUÉRITO POLICIAL

Elevando os preceitos introdutórios, se visa relevante dispor a contestação da prova no processo penal como tema de grandes discussões na doutrina. Rente a essa colocação, é de suma importância elencar o que entende Gomes Filho:

“É dos mais importantes da ciência do processo, na medida em que a correta verificação dos fatos em que se assentam as pretensões das partes é pressuposto fundamental para a prolação da decisão justa.” (GOMES, FILHO. 2005, p. 303).

Atentando relevantes considerações em prol do inquérito policial, perdura-se esse, como instrumento no direito processual penal, legalmente materializado para a investigação criminal, superintendido pela autoridade policial, assim como expressa o artigo 4° do Código de Processo Penal. Obstando grandes palavras sobre, Pitombo menciona:

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“Não guarda cabimento asserir-se que surge como simples peça informativa; para, em seguida, afirmar que os meios de prova constantes do inquérito, servem para receber, ou rejeitar a acusação; prestam para decretar a prisão preventiva; ou para conceder a liberdade provisória; bastam, ainda, para determinar o arresto e o sequestro de bens”. (PITOMBO, Sérgio. Revista dos tribunais p, 313).

Insta constatar a recorrente divergência na doutrina rente a expressão de que não se produz prova no inquérito policial, expressões essas que denotam como inadequadas, no que se concerne os elementos probatórios vistos nas ações penais, reconhecidos ou elaborados na feição da investigação criminal em sua fase pré- processual, melhor esclarecendo, produções de provas diretamente do inquérito. Ainda por tornar evidente, as meras “operações policiais”, em sua amplitude, são reconhecidas como fase de um inquérito policial, com o intuito de arrecadação de provas e indícios de autoria e materialidade de infrações penais.

Haja vista de todo esboço expresso, perdura de forma válida, dizer que as provas conquistadas no curso da instrução criminal são expressivas ao fornecimento de subsídios em futuras articulações de sentenças. São constantemente perduradas as provas do inquérito policial, restauradas e examinadas em juízo, propondo oportunidades em que a lei oferece às partes consoantes repelir perguntas e requerimentos discordantes. É válido salientar que, perdura preocupação em não se limitar sentença condenatória tão somente por bases elementares do inquérito policial, exatamente porque os elementos ganharam existência em fase inquisitiva, afastando assim o princípio do contraditório e suas garantias para o acusado.

Com base nessa imposição, posiciona as palavras de Mirabete:

O inquérito policial tem valor informativo para a instauração da competente ação penal, como instrução provisória, de caráter inquisitivo, que é. Não se pode, por isso, fundamentar uma decisão condenatória apoiada exclusivamente no inquérito policial, o que é contrario ao princípio constitucional do contraditório. Entretanto, como no inquérito se realizam certas provas periciais que, embora praticadas sem a participação do indiciado, contêm em si maior dose de veracidade, visto que nelas preponderam fatores de ordem técnica que permitem uma apreciação objetiva e segura de suas conclusões, têm valor idêntico às provas colhidas em juízo. Além disso, os elementos do inquérito podem influir na formação do livre convencimento do juiz para a decisão da causa quando completam outros indícios e provas que passam pelo crivo do contraditório em juízo. (MIRABETE, Julio Fabbrini. 2007, p.

91).

E por seus valiosos entendimentos, Greco Filho expressa:

(...)Tendo em vista o princípio do livre convencimento do juiz (art. 155, do CPP) e da verdade real, é de se ver que o inquérito policial, como qualquer outra prova criminal, tem sempre valor relativo. É admissível o valor probatório as provas técnicas periciais, deixando claro que as demais não devem ser levadas em consideração, servindo apenas para tomar a opinio delicti, não fazendo menção ao princípio da livre apreciação da prova pelo julgador. (GRECO FILHO. 1995, p.

81/82).

Destarte a uma conclusão sobre a temática deste tópico, evidencia que o inquérito policial agrega considerável valor probatório, em respeito a presença das provas periciais

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(pré-constituídas). Posto isso, outros meios mais condizentes, como as declarações das testemunhas e/ou a confissão extrajudicial, serão reconhecidas como elementos de convicção do juiz, sendo essas conjuntas com elementos retirados ao longo da instrução processual.

Observa-se assim, entretanto, a não possibilidade de condenação de outrem, especificadamente, tendo o inquérito policial como base sólida.

2.3 PROVA ESPECÍFICA NAS INFILTRAÇOES POLICIAIS E TODOS OS SEUS TRÂMITES.

A consolidação do Estado Democrático de Direito garantidor dos direitos individuais e coletivos passa pela superação de entraves de toda ordem: econômicos, políticos, sociais e jurídicos. Tendo como base essa colocação, a infiltração policial em organizações criminais acarretam diversos aspectos para a obtenção do êxito nas colheitas de provas. A junção dos poderes policiais, a força jurídica e a transparência estatal são de suma importância para a realização de um trabalho bem sucedido. Em consonância a essa imposição, a exigência de um mecanismo de alta eficácia é altamente necessária para combater o crime organizado.

Consiste nessa tarefa um celeste planejamento, capaz e sucinto de guiar os profissionais atuantes no sistema. Vem por meio de suas palavras, dissertar Frederico de Andrade Gabrich:

“Planejar é, em síntese, construir cenários possíveis, com objetivo de antever ou antecipar o futuro, para a concretização dos objetivos estabelecidos antes. Nesse sentido, o planejamento implica a elaboração de um conjunto de ações voltadas para implementação dos objetivos pré-determinados” (GABRICH, 2015, p.34).

Adentrar áreas de extrema periculosidade é questão de grande dificuldade, sendo assim, são usadas técnicas de investigação baseadas em indícios, delações, falhas e deslizes em uma ou várias das fases da cadeia das operações criminosas. A infiltração do agente de polícia obtém inovações técnicas de aquisições de provas, ofertando ao Estado uma postura eficiente, abrindo margens para a possibilidade de conhecimento estrutural da organização criminosa em sua integridade, e não de forma setorizada, assim como esclarece Marcelo Batlouni Mendroni:

“Consiste basicamente em permitir a um agente da polícia ou de serviço de inteligência infiltrar-se no seio da organização criminosa, passando a integrá-la como se criminoso fosse-, na verdade como se um novo integrante fosse. Agindo assim, penetrando no organismo e participando das atividades diárias, das conversas, problemas e decisões, como também por vezes de situações concretas, ele passa a ter condições de melhor compreendê-la para combatê-la através do repasse das informações as autoridades”. (MENDRONI, 2012, p.118-119).

Rente ao esboço supracitado, a técnica de infiltração policial vem sendo extremamente aceita, pois, não enxergam outro meio mais útil em desvelar articulações

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criminosas. Ainda que obtida uma considerável crítica sob o viés arriscado dessa técnica, a infiltração é modalidade vantajosa nos proveitos probatórios, considerando que outra forma não oferece vantagem tão proativa quanto. Embora não tivesse total amparo do ordenamento jurídico brasileiro, e tampouco sendo a sua utilização, não era possível denotar a amplitude dos feitos das infiltrações já citadas. Entretanto, após a regulamentação da Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/13), aumentou-se as margens para a efetividade e a utilização de institutos como este, o que o fez com que se tornasse uma das grandes inovações legislativas do Direito Penal e Processual Penal.

Posto toda avaliação expressa, é de muita pertinência relatar as figuras dos agentes ligados diretamente nas ações infiltradas. Assim destacam as diferenças posturais dos agentes infiltrados e do agente provocador. Num primeiro sentido, o agente infiltrado submergido na organização criminal, deverá submeter-se em observância das atividades ilícitas, tendo sua participação assim se for necessário, das delituosas atividades que já se encontram em movimento quando sua chegada. Ainda por esclarecer sua função, o agente não pode iniciar ideias conjuntas com os investigados, as atividades delituosas partiram dos membros das organizações criminais e jamais do investigador. Motivo esse que perdura a interferência do agente como não essencial e nem determinante para a prática dos crimes. Respeita-se assim, as palavras de Alberto Silva Franco, “agente infiltrado é o funcionário da polícia que, falseando sua identidade, penetra no âmago da organização criminosa para obter informações e, dessa forma, desmantelá-la” (FRANCO, 1994, p. 217).

Por sua vez, o agente provocador é reconhecido por induzir ou instigar o evento e compete decisivamente para o crime, resultando ao mesmo tempo em que encoraja o autor a sua prática, providencia a sua prisão em flagrante. No trabalho desse profissional, a ação é mais direta com os membros das organizações criminais, soando assim uma maior responsabilidade moral e agregado de densos riscos. Nessa atuação há insatisfações éticas, pois, observam-se vícios manifestados na vontade do agente em induzimentos a práticas criminais. Nessa concepção, elenca Rogério Lauria Tucci:

“resta, então, desvirtuada a atuação delitiva desenvolvida pelo infrator, nos seus aspectos fundamentais, consubstanciados na espontaneidade do querer, na exclusividade da ação criminosa e na autenticidade do fato tido como típico pela legislação penal material”. (TUCCI apud JAMILE, online, 2010).

Ao se deparar com as técnicas desenvolvidas pelos agentes nas infiltrações policiais, nota-se que a prática do ilícito está diretamente envolvida. Em concordância, ainda que efetuados atos puníveis pela legislação brasileira, a indução realizada não é punida, caracterizando essa como crime impossível, por força do entendimento jurisprudencial e

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doutrinário. Ou seja, a interferência do agente provocador não se consagra crime tendo como auxílio a intervenção estatal. Assim, as prisões aderentes das circunstancias praticadas pelos agentes provocadores, recebe o nome de flagrante provocado, tão bem demonstrado por Rogério Lauria Tucci:

“o estado de flagrância delitiva forjada, provocado, forçado, em que se cogita de antepor, propositadamente, um fato orientador da conduta do criminoso. Daí por que esta, ao invés de desenrolar-se espontaneamente, é dirigida à efetuação de determinada infração penal”. (TUCCI apud JAMILE, online, 2010).

O entendimento desse ensejo foi adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, como expressado na seguinte leitura da Súmula 145: “Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”.

Destarte ao esboço expresso, condiz a manifestação que, nas hipóteses delitivas devindas de incitações policiais, não há possibilidade clara e concisa de prisão do imputado, não tendo crime configurado, considerando a impossibilidade da consumação do delito.

Obstante a uma maior segurança legislativa, algumas leis foram vigoradas em prol do tema elaborado. Atenta-se assim, a lei 12.850/13, onde translada definições conceituais de organizações criminosas e regulamentam as infiltrações dos agentes policiais. Translada em seu primeiro artigo:

“Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado.

§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional”.

Assegura ainda em seus traços:

Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites”.

...

“Art. 14. São direitos do agente:

I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada;

II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o disposto no art.

9º da Lei nº 9.807, de 13 de julho de 1999, bem como usufruir das medidas de proteção a testemunhas;

III - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais informações pessoais preservadas durante a investigação e o processo criminal, salvo se houver decisão judicial em contrário;

IV - não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado pelos meios de comunicação, sem sua prévia autorização por escrito”.

Consubstanciando o último esquema alinhado, a infiltração dos agentes policiais é

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definida e adequada vigorosamente pelo ordenamento jurídico brasileiro, sendo disposta aos serviços estatais brasileiros em afrontar e redundar as células criminosas ameaçadoras da soberania e instituições do país.

Mantendo atenciosamente a atenção legível da lei, captam-se as circunstâncias em que poderá ser requisitada a infiltração policial pelo delegado de polícia, a participação do Ministério Público no feito assim como a atuação do magistrado, devendo respeitosamente autorizar e motivar sua decisão com base no sigilo à operação, rente a garantias dos resultados. Tangível ao tratamento imposto para a ação do agente infiltrado, enumera um rol não taxativo de direitos inerentes para a prestação dos serviços, bem como questões importantes aos riscos à segurança pessoal e jurídica, sendo certificado que não sofrerá condenação ou punição por alguma eventualidade praticada no exercício do trabalho, se lhe obtiver inexigibilidade de conduta adversa.

A mencionada lei é fator de suma importância no avanço normativo de retratação procedimental, sendo em obtenção de provas, quanto na fase investigativa, tanto em juízo.

3. METODOLOGIA

O presente projeto de pesquisa será realizado por meio da obtenção dos dados sob a análise do método qualitativo, no qual aquele pode ser conceituado como categorias frequentemente estabelecidas apriori, o que simplifica o trabalho analítico.

Podemos perceber o seu conceito nas palavras de Serapioni:

Os métodos qualitativos devem ser utilizados quando o objeto de estudo não é bem conhecido. Por sua capacidade de fazer emergir aspectos novos, de ir ao fundo do significado e de estar na perspectiva do sujeito, são aptos para descobrir novos nexos e explicar significados. De fato, durante a pesquisa, frequentemente emergem relações entre variáveis, motivações e comportamentos completamente inesperados, que não surgiriam utilizando um questionário estruturado, cuja característica técnica é a uniformidade do estímulo. Por isso, os métodos qualitativos são muito importantes na fase preliminar da pesquisa. (SERAPIONI, 2000).

Além do mais, serão realizadas consultas baseadas em dissertações e teses, artigos com publicações atuais referentes à temática do trabalho. Serão utilizadas consultas a Constituição Federal brasileira, artigos científicos de revistas cujo qualis pertencem as categorias A1, A2, B1, B2, selecionados através de busca no banco de dados da CAPES e Plataforma Sucupira, utilizando das palavras chaves: Policial, Infriltração, Provas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Elevando o comprometimento e discernimento necessário para a conclusão deste rico projeto, relevantes ideias foram denotadas, contemplando a admiração pela aérea penal e os

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enfoques rente à temática principal.

Haja vista dessa colocação, perdura importante esclarecer a repulsão detalhada sobre os aspectos que envolvem uma infiltração policial dentre organizações criminais, seus riscos, sua importância, os profissionais responsáveis e toda produção benéfica para a detenção do crime. Essas menções, conjunto vocações próprias, são responsáveis por gerar a escolha que nomeia o tema dessa obra.

Ofertando um teor mais centrista, observa-se e respeita a visão ampla englobada no teor do tema. Sendo assim, foi postulada a postura dos policiais como principal maneira em abduzir resultados. O respeito aos limites lhes impostos, sabendo esses a extrema periculosidade das ações de infiltrações. E toda presença das questões ilícitas existentes nas operações. Sendo assim, torna-se a infiltração um dos meios mais complexos e de vasta eficácia nos acolhimentos de provas.

Posto todo esboço até aqui transcrito, todos os estudos realizados para a aptidão dessa ação, agregaram de forma abundante a formação do aprendizado. Por esse motivo, sempre existiu motivação e disposição para a construção dessa obra e satisfação com os resultados operantes. Essa escolha não teria mais adequa, pois, elucida-se futuramente percorrer ainda mais profundo as aéreas policiais e toda sua transcendência refletida na sociedade.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Rio de Janeiro. Freitas Bastos. 2014

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FRANCO, Alberto Silva. Crimes Hediondos, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1994.

GABRICH, FREDERICO DE ANDRADE. Inovação no Direito / Frederico de Andrade Gabrich (coord.). BeloHorizonte: Universidade Fumec. Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde, 2012. 464 p.

GRECO FILHO, Vicente, Comentários à Lei de Organização Criminosa – Lei 12.850/13, São Paulo: Editora Saraiva, 2014

Lei nº 9.034, de 3 de Maio de 1995. Dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Revogado pela Lei nº 12.850, de 2013.

LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 17ª Ed. São Paulo.

Saraiva. 2013

MEIREIS, Manuel Augusto Alves. O Regime das Provas Obtidas pelo Agente Provocador em Processo Penal. Coimbra. Almedina. 1999

MENDRONI, Marcelo B. Crime organizado: Aspectos gerais e mecanismos legais. 4ª edição. São Paulo. Ed. Atlas, 2012.

ONETO, Isabel. O agente infiltrado: contributo para a compreensão do regime

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PACHECO, Rafael. Crime organizado: medidas de controle e infiltração policial.

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SERAPIONI, Mauro. Métodos qualitativos e quantitativos na pesquisa social em saúde:

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Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232000000100016

TUCCI, Rogério Lauria apud JAMILE, Maria José. A infiltração policial como meio de investigação de prova nos delitos relacionados à criminalidade organizada. SãoPaulo.

Janeiro 2010. Disponível em:

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-01122010-144008/publico/

Infiltracao_policial_Maria_Jamile_Jose.pdf.

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