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Tecnologia da Edificação I ARQ 5661

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Águas Pluviais

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Universidade Federal de Santa Catarina Centro Tecnológico – CTC

Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo Orientação: Anderson Claro

Acadêmicos:

Anderson H. Rosa Guilherme Galdo Ruchaud Vinícius Schneider Scofano

Florianópolis, dezembro de 2010

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Tecnologia da Edificação I ARQ 5661

"O ouro tem muito valor e pouca utilidade comparado à água, que é a coisa mais útil do mundo e não lhes dão

valor". (Platão)

(3)

1. INTRODUÇÃO...4

2. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA...5

3. A RELAÇÃO DA ÁGUA COM A EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE...6

4. USOS DA ÁGUA...7

5. REUSO E RECICLAGEM DA ÁGUA...9

6. TIPOS DE REUSO...12

7. ÁGUAS PLUVIAIS...17

Benefícios e Utilização...18

Legislação e Norma Técnica...19

Pluviometria em Santa Catarina...20

Pluviometria em Florianópolis...21

O Sistema de Captação...22

Exemplo de Captação em Florianópolis...23

8. CONCLUSÃO...29

9. BIBLIOGRAFIA...30

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Vivemos numa época em que a água se torna um desafio cada vez maior. Sendo essencial para a vida humana e a de todos os seres vivos, além de desempenhar um importante papel na economia mundial, é previsto que em breve ela será a causa dos principais conflitos entre as nações.

Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo significar também falta de alimentos. Ainda que na atualidade a falta deste bem não se apresente como um grande problema para a América Latina e, em especial ao Brasil (que é privilegiado com 12% da água doce superficial do mundo), este é um tema de suma importância a todos nós.

Do total de água existente no mundo, 97,5% são de águas que se encontram nos Oceanos, ou seja, água salgada, restando apenas 2,5% de água doce. E nem mesmo esses 2,5% podem ser totalmente aproveitados, pois 1,75% se encontram em calotas e geleiras polares, restando então somente 0,75% desta água podendo ser considerada aproveitável.

Apesar de estar claro a pouca disponibilidade ao consumo, os homens ainda poluem e desperdiçam essa fonte preciosa de vida. Sendo assim, faz-se necessário o uso de alternativas para o seu reaproveitamento e controle de utilização, em todo o mundo.

Portanto, o presente trabalho apresenta explicações de como gerenciar de forma sustentável a reutilização das águas, focando nas águas pluviais, de forma a proporcionar a melhor qualidade ambiental e de vida de acordo com as premissas do desenvolvimento sustentável, preparando cada um de nós para dar mais valor aos recursos naturais.

"A água é o princípio de todas as coisas." (Tales de Mileto)

INTRODUÇÃO

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A ONU redigiu um documento em 22 de março de 1992 - intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". O texto merece profunda reflexão e divulgação por todos nós.

1 - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2 -A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3 -Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4 - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5 -A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6 - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7 -A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8 -A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10 -O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

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A água sempre esteve presente na evolução da humanidade, desde o momento em que o homem descobriu como controlar os rios para favorecer a agricultura até o início do processo de urbanização das cidades.

Desempenhando um papel relevante nas civilizações antigas, desde a escolha dos assentamentos próximos a mananciais até disputas entre povos pela margem de rios, várias civilizações no decorrer da história entraram em decadência em função da falta ou poluição das águas.

Supõe-se que a civilização acadiana se extinguiu devido à seca do Tigre e do Eufrates. Na América, Maias, Astecas e Incas provavelmente teriam abandonado suas cidades pela contaminação e poluição da água e do solo, provocados pela destruição da mata primitiva.

Na Idade Média, época de muitos inventos, as condições sociais e econômicas determinaram a tendência para substituir o trabalho manual por máquinas acionadas pela água.

Nos séculos XIX e XX, com o desenvolvimento científico e tecnológico, o Homem passou a dispor de materiais, equipamentos e técnicas que lhe permitiram construir sistemas mais eficazes para a utilização e o domínio de grandes caudais.

A construção metálica, primeiramente de ferro fundido e depois de aço, permitiu obter equipamentos hidráulicos eficientes e condutas de grandes diâmetros capazes de resistir a pressões elevadas.

Assim, as turbinas hidráulicas e as bombas rotativas foram amplamente produzidas na primeira metade do século XX, ao que esteve associado o desenvolvimento das tecnologias elétricas. A produção de energia hidroelétrica sofreu grande expansão, tendo contribuído para o desenvolvimento industrial de muitos países.

Desta forma, destaca-se a importância da água na história da civilização, e sem esse elemento fundamental da natureza, nada existiria e não haveria nenhum tipo de história para ser contada.

A RELAÇÃO DA ÁGUA COM A EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE

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USOS DA ÁGUA

A água é consumida de várias maneiras na sociedade: consumo doméstico ou humano, consumo agrícola, consumo industrial e o uso em atividades recreativas.

No ambiente doméstico, usa-se a água na alimentação, na limpeza da casa, dos utensílios e roupas, na lavagem de automóveis e na irrigação de jardins. O consumo médio de água por pessoa no Brasil, é de mais ou menos 200 litros, incluindo uso doméstico e higiene pessoal.

Esta quantidade depende das condições de cada casa, das instalações e das atividades realizada por cada um.

Por estimativa, este consumo médio diário é distribuído da seguinte forma: 36% na descarga do banheiro; 31% em higiene corporal;

14% na lavagem de roupa; 8% para regar jardins, lavagem de automóveis, limpeza de casa, atividades de diluição e outras; 7% na lavagem de utensílios de cozinha, e 4% para beber e alimentação.

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A atividade agrícola é uma grande consumidora de água. Considera-se que no mundo é utilizada quase 70% da água dos rios, lagos e aqüíferos nesta atividade, razão pela qual seu potencial desperdício é um dos mais graves.

Os sistemas de rega desperdiçam grandes quantidades. Calcula-se que só chegam à zona de cultivos entre 15% e 50% da água que é extraída para irrigação. Perde-se água por evaporação, por absorção e por fugas.

A atividade industrial também é uma grande consumidora, especialmente nos países desenvolvidos. O cálculo é de que as indústrias chegam a utilizar entre a metade e 3/4 de toda a água extraída. Há consumos muito elevados em determinados processos produtivos, por exemplo, no caso do aço, se gasta 300 toneladas de água para produzir somente uma tonelada deste metal. Também são grandes consumidoras as indústrias de produtos químicos, polpa e papel, entre outras.

O consumo em muitas ocasiões tem relação com ações de refrigeração ou transporte, pelo qual a indústria tem iniciado revisões de seus processos produtivos para utilizar menos água e reusá-la.

No Brasil a utilização é bem semelhante, 88% da água potável é utilizado pela agricultura, 7% pela indústria e 5% é destinado ao consumo humano direto.

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REUSO E RECICLAGEM DA ÁGUA

A água é usada de maneira inconseqüente todos os dias. Seja o exagero de minutos no banho, os vários enxágües da máquina de lavar roupas, a torneira corrente na hora de lavar a louça e escovar os dentes.

Da mesma forma, a indústria brasileira gera água altamente poluída nos processos de produção, sem demonstrar preocupação com os recursos hídricos. A questão é: por que não reaproveitar essa água?

O reaproveitamento da água ou o uso de águas residuais não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do seu reuso planejado um tema atual e de grande importância.

Assim, é necessária a utilização de sistemas para economizar e otimizar o consumo de água em todo o planeta, que podem ser a reutilização da água presente no esgoto, da água das residências e das águas pluviais, entre outros.

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No Reuso indireto a água já utilizada para fins domésticos ou industriais é descarregada nos corpos hídricos e utilizada novamente à jusante, através da diluição e/ou tratamento. Pode ser um reuso planejado ou não planejado, sendo planejado quando acontecer dos efluente depois de tratados serem descarregados nas águas superficiais ou subterrâneas de maneira controlada, e não planejado quando a água, utilizada em alguma atividade humana, ser descarregada no meio ambiente e novamente utilizada, de maneira não intencional e não controlada. Ou seja, a água é despejada num rio, que caminha até o ponto de captação para um novo usuário, ficando sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração).

As definições variam, mas as formas de reuso da água, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, WHO (1973), podem ser de forma direta ou indireta, por ações planejadas ou não. Assim tem-se:

REUSO INDIRETO

No reuso indireto planejado pressupõe-se que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisitos de qualidade do reuso objetivado.

Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que seu uso racional e eficiente, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do seu consumo.

Assim, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros.

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REUSO DIRETO

Ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

É o reuso da água internamente a instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água e o controle da poluição.

RECICLAGEM

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TIPOS DE REUSO

Agrícola Urbano Industrial

Meio Ambiente Aqüíferos

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Na agricultura, como já foi mencionado antes, é utilizada 70% da água potável do total. Essa demanda significativa, associada a escassez de recursos hídricos leva a ponderar que as atividades agrícolas devem ser consideradas como prioritária em termos de reuso de efluentes tratados.

Os efluentes tratados podem ter sua devida aplicação em:

Culturas de alimentos não processados comercialmente: irrigação superficial de qualquer cultura alimentícia, incluindo aquelas consumidas cruas;

Culturas de alimentos processados comercialmente: irrigação superficial de pomares e vinhas;

Culturas não alimentícias: irrigação de pastos, forragens, fibras e grãos;

Dessedentação de animais.

REUSO AGRÍCULA:

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São vários os benefícios agregados na prática de reuso na irrigação, incluindo a recarga do lençol freático e a fertirrigação de diversas culturas, respeitando os limites sanitários e ambientais de aplicação para garantia do nível de qualidade. Além disso, pode-se mencionar a possibilidade de substituição parcial de fertilizantes químicos, com a diminuição do impacto ambiental, em função da redução da contaminação dos cursos d´água; um significativo aumento na produção, tanto qualitativo quanto quantitativo; além da economia da quantidade de água direcionada para a irrigação, que pode ser utilizada para fins mais nobres, como o abastecimento público.

A utilização de água proveniente de reuso é diferenciada para irrigação de plantas não comestíveis (silvicultura, pastagens, fibras e sementes) e comestíveis (nas formas cruas e cozidas), necessitando essas de um nível maior de qualidade.

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REUSO URBANO

Na área urbana os usos potenciais são: irrigação de campos de golfe e quadras esportivas, faixas verdes decorativas ao longo de ruas e estradas, gramados residenciais, viveiros de plantas ornamentais, parques e cemitérios, descarga em toaletes, lavagem de veículos, reserva de incêndio, recreação, construção civil (compactação do solo, controle de poeira, lavagem de agregados, produção de concreto), limpeza de tubulações, sistemas decorativos tais como espelhos d’água, chafarizes, fontes luminosas, entre outros.

REUSO INDUSTRIAL

As atividades industriais no Brasil respondem por aproximadamente 20% do consumo de água, sendo que, pelo menos 10% é extraída diretamente de corpos d’água e mais da metade é tratada de forma inadequada ou não recebe nenhuma forma de tratamento. O reuso e reciclagem na indústria constituem ferramentas de gestão fundamentais para a sustentabilidade da produção industrial. A prática de reuso industrial pode ser extendida na produção de água para caldeiras, em sistemas de resfriamento, em lavadores de gases e como água de processos.

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REUSO NO MEIO AMBIENTE

Nesse caso, pode ser utilizado como em habitats naturais, estabelecimentos recreacionais, pesca e canoagem, formação de represas e lagos.

REUSO DE AQÜÍFEROS

A recarga artificial de aqüíferos com efluentes tratados pode ser empregada para finalidades diversas, incluindo o aumento de disponibilidade e armazenamento de água, controle de salinização em aqüíferos costeiros e controle de subsidência de solos.

Esta prática pode ser relevante em alguns municípios, abastecidos por água subterrânea, onde a recarga natural de aqüíferos vem sendo reduzida pelo aumento de áreas impermeabilizada

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ÁGUAS PLUVIAIS

Em muitas regiões, a demanda de água excede a quantidade disponível, necessitando então de serem buscadas alternativas capazes de reverter o atual estado de uso irracional da água.

Nos últimos anos, tem-se observado o desenvolvimento de novas tecnologias referentes ao manejo de recursos hídricos. Com isso, observa-se novas expansões no uso de técnicas de aproveitamento de água da chuva, tanto em regiões onde já eram utilizadas, como em locais onde eram desconhecidas.

Atualmente a utilização de água da chuva ocorre em vários países de diversos continentes, onde em muitos deles são oferecidos benefícios para a construção de sistemas de captação e armazenamento, como nos Estados Unidos, Alemanha e Japão.

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A utilização de sistemas de coleta de água da chuva possui muitos benefícios, principalmente nas áreas urbanas, entre eles:

A prevenção de enchentes, pelo fato do solo estar altamente impermeabilizado com telhados e pavimentação asfáltica;

A conservação da água e a redução de seu consumo em sistemas que não a necessitam potáveis;

A restauração do ciclo hidrológico em áreas urbanas;

A educação ambiental;

O custo mínimo comparado aos resultados do sistema;

Melhor distribuição da carga da água da chuva imposta ao sistema de drenagem urbana, entre outros.

A água da chuva devidamente tratada, pode ser aplicada na lavagem de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, sistema de controle de incêndio, lavagem de veículos, lavagem de pisos e ainda na irrigação de jardins.

Nas indústrias e estabelecimentos comerciais, a água de chuva pode ser utilizada para resfriamento de telhados e máquinas, climatização interna, lavanderias industrial, lava jatos de caminhões, carros e ônibus e limpeza industrial, entre outros.

UTILIZAÇÃO BENEFÍCIOS

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A legislação brasileira em vigor atualmente, em relação à água, é o Código de Águas de 1934, a Lei Brasileira de Recursos Hídricos de 1997 e a lei de criação da Agência Nacional de Águas. Não temos nenhuma legislação em âmbito nacional sobre água de chuva, essencial para a população do semi-árido e de outra regiões brasileiras.

Algumas cidades brasileiras tem discutido a implantação de critérios ambientais na elaboração de sua legislação. A retenção da água da chuva, ainda pouco difundida, aparece em alguma leis municipais como Curitiba e São Paulo.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 2007, foi declarado constitucional uma Lei Estadual de 2004 que obriga a captação da água da chuva por grandes empresas e condomínios habitacionais.

Está em vigor desde 2007, no Brasil, a Norma Água de Chuva - Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis. Esta norma tem 8 páginas, e foi feita pela A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atendendo pelo código ABNT NBR 15527:2007.

LEGISLAÇÃO

NORMA TÉCNICA

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PLUVIOMETRIA EM SANTA CATARINA

A escassez de água é uma realidade em várias regiões do Estado de Santa Catarina. A elevada dependência de abastecimento de águas superficiais, a concentração da produção em áreas com baixa capacidade de retenção, principalmente relevo acidentado e a competição com outro segmentos econômicos torna preocupante o cenário atual.

A contaminação crescente das fontes de abastecimento vem exigindo a busca de alternativas muitas vezes inviáveis economicamente.

A estiagem é um fenômeno normal, considerada com a época do ano em que o solo perde mais água do que recebe. Quando este período se prolonga não há a recarga dos aqüíferos e as fontes superficiais são as primeiras a secar. A estiagem ocorrida no estado no ano de 2003 mostrou a fragilidade dos sistemas de abastecimento de água existentes e causou prejuízos significativos para a sociedade.

No oeste catarinense, estuda-se o aproveitamento da água da chuva na avicultura. A extensa superfície de telhados dos aviários e demais edificações das propriedades rurais constituem excelentes fontes de captação de água a baixo custo.

O abastecimento de água da chuva em abastecimentos públicos tem sua disponibilidade considerada da seguinte forma de acordo com a precipitação anual:

Baixa- menor que 1000mm

Razoável – entre 1000 e 1500mm Excelente – acima de 2000mm

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PLUVIOMETRIA EM FLORIANÓPOLIS

No município de Florianópolis as estações do ano são bem características, com outono e primavera semelhantes e verão e inverno bem definidos.

A precipitação é bem distribuída ao longo do ano. De janeiro a março ocorrem as precipitações mais elevadas e nos meses de inverno as menores precipitações. Para o período de 1967 a 1998, a média anual foi de 1659mm, indicando que o município possui uma boa pluviometria para o aproveitamento de água da chuva.

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O SISTEMA DE CAPTAÇÃO:

A utilização das águas pluviais trata separadamente águas pluviais e esgotos sanitários. Uma parte das águas pluviais é lançada na rede de galerias, outra é infiltrada no solo, e uma outra parte é reciclada. O excesso de águas pluviais é diretamente infiltrado no solo. Só o esgoto sanitário é drenado para fora da rede de galerias.

A tecnologia necessária para operar um sistema de utilização das águas da chuva, baseado neste princípio, deve integrar as seguintes técnicas:

Coleta das águas pluviais dos telhados, coberturas, marquises, etc;

Armazenamento em reservatórios;

Verificação da qualidade;

Abastecimento local;

Drenagem do excesso das águas provocado pelas chuvas intensas;

Águas pluviais complementares ás do abastecimento público das cidades, em épocas de estiagem (emergências);

Eliminação da água coletada no início das chuvas.

Ou seja, o sistema de reutilização da água da chuva consiste basicamente em coleta da água, condução, armazenamento, tratamento (filtração) e distribuição para consumo.

Para um sistema seguro, aconselha-se primeiramente o seu dimensionamento. Cada situação é diferente, de acordo com necessidades e objetivos.

Para entender basicamente como funciona um sistema de coleta de águas da chuva em residências, vamos mostrar a seguir o exemplo de uma residência em Florianópolis.

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EXEMPLO DE CAPTAÇÃO EM FLORIANÓPOLIS

Este sistema de captação de águas pluviais para uso doméstico localiza-se em uma residência no bairro Pantanal, Florianópolis.

O sistema analisado é mais sofisticado do que se observa na maioria dos edifícios residenciais na cidade, por ter mais etapas de purificação da água, permitindo uso mais amplo. Contudo é parcialmente manual, o que exige dedicação do morador.

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A água desce da calha para a tubulação por meio de dois canos.

O cano subterrâneo possui uma espia no ponto onde faz uma curva, para facilitar a limpeza em caso de obstrução nesse ponto.

A primeira etapa de purificação se dá por meio de três registros acionados manualmente pelo morador da casa.

O registro número 1 é o que liga as calhas direto à rua, sem passar pela cisterna. É o que fica aberto no início da chuva, desprezando a primeira água, que traz as impurezas da atmosfera e também das calhas.

Dado um determinado período de chuva, entre 10 e 15 minutos, fecha-se o registro 1 e abre-se 2 e 3.

O registro número 2 liga as calhas à cisterna, e o registro número 3 é o “ladrão”, que despreza o excesso de água da cisterna. A imagem à direita mostra o cano que despreza tanto a primeira água como o excesso.

1 2

3

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O revestimento interno da cisterna é de azulejos cerâmicos, o que facilita a higienização da mesma. É possível considerar a decantação como uma das etapas de filtração da água, já que o “grosso” das impurezas vai direto para o fundo da cisterna.

Dentro da cisterna há uma bóia que abre ou fecha o registro da CASAN, , conforme o volume de água dentro dela. Deste modo, a água da CASAN só abastece a casa quando o nível de água na cisterna fica muito baixo.

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A superfície externa da cisterna possui uma espia que tem duas funções: uma delas é a de cloração (processo manual que ajuda a purificar tanto a água pluvial como a própria água da CASAN) e a outra é a medição do nível da água no interior.

Para tanto, usa-se uma vara graduada.

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A água que sai da cisterna, já tendo passado por alguns processos de filtração, é dirigida a uma bomba que leva a água até as caixas d’água, no sótão. No encanamento que leva a água até as caixas há ainda um filtro de areia, que é mais uma etapa de purificação da água.

A água chega enfim às caixas d’água. Seu uso vai desde a lavação de calçadas e descargas até a pia da cozinha, sendo utilizada inclusive para a cocção de alimentos.

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Apesar de possuir etapas manuais, trata-se de um sistema mais eficiente do que o padrão visto em residências e estabelecimentos comerciais, por possuir uma filtração mais eficiente. Note-se que alguns desses componentes manuais poderiam ser automatizados: os registros manuais poderiam ser substituídos por um sistema de bóias, por exemplo.

Em resumo, a água pluvial no sistema apresentado passa pelas seguintes etapas:

1 – Desprezo da primeira água da chuva que possui impurezas da calha e da atmosfera;

2 – Decantação de impurezas mais pesadas no fundo da cisterna;

3 – Cloração da água dentro da cisterna;

4 – Filtro de areia após o bombeamento.

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Com esse trabalho, ficou claro que a falta de água é uma realidade mundial, e que nossas atitudes em relação ao modo de usá-la e preservá-la tem que ser alteradas.

O reaproveitamento das águas pluviais é uma das saídas mais viáveis e seguras que temos para a economia de água em nossa região e no mundo inteiro.

Possui um sistema simples e de relativo baixo custo, de fácil adaptação e empreendimento.

Aproxima-se o dia que, com o aumento da conscientização da população, esse sistema será utilizado em larga escala. Edificações sustentáveis devem ser vistas como uma obrigação, e não como uma experiência nova em fase de testes. A sustentabilidade, tanto na busca de energia, nas técnicas materiais ou reaproveitamento da água devem ser conseguidas urgentemente, para que no futuro nossos problemas não se agravem ainda mais.

CONCLUSÃO

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

http://www.cetesb.sp.gov.br/agua/rios/gesta_escassez.asp http://www.socioambiental.org/esp/agua/pgn/

http://www.economiabr.net/colunas/wandscheer/agua.html http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=1447

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-agua/agua-na-historia.php www.agua.bio.br

http://www.usp.br/cirra/br_banco%20de%20dados.html

http://mineiro13666.com.br/arquivosnot/arq49c25ab16efdd.pdf http://www.abntcatalogo.com.br/

GROUP RAINDROPS. Aproveitamento da Água da Chuva. Editora Organic Trading. Tradução.

Brasil, 2002.

FENDRICH, Roberto, ONLIYNIC, Rogério. Manual de utilização das Águas Pluviais. Editora Chain.

Curitiba, 2002.

JAQUES, Reginaldo Campolino. Qualidade da água de chuva no município de Florianópolis e sua Potencialidade para aproveitamento em Edificações. Dissertação. Florianópolis, 2005.

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Referências

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