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Educ. rev. número50

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Academic year: 2018

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prisiones: la educación social en contextos de

riesgo y conlicto. Barcelona: Gedisa, 2010.

Ires Aparecida Falcade-Pereira

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A organizadora deste livro é doutora em Pedagogia e professora titular da Universidade de Granada. Suas pesquisas estão direcionadas para a Pedagogia e Educação Social nos mais diversos campos: drogadependência, cultura de jovens menores em situação de risco, educação para a igualdade, educação para a paz, interculturalidade, meio penitenciário. Atualmente dirige um projeto sobre mulheres no meio penitenciário e sua reinserção social na Espanha com repercução internacional.

O livro trata da emergente necessidade e discussão do contexto de mulheres privadas de liberdade. Ao perceber a ação da pedagogia social e da educação social, busca respostas e ações que possam estar promovendo a integração, a promoção e a melhora da qualidade de vida destas mulheres.

Apresenta discussões acerca das normas e leis espanholas e europeias sobre igualdade, relações sociais e relações de gênero, apresentando também novos enfoques e perspectivas pedagógicas trabalhando com aporte teórico enfocando a educação e reeducação, inserção e reinserção social para mulheres privadas de liberdade, relegando a um segundo plano as concepções tradicionais do tratamento com objetivo exclusivamente assistencial, terapêutico e/ou médico.

A obra é um apanhado de estudos de diversos autores/as sobre as técnicas e políticas de diferentes olhares e enfoques disciplinares e âmbitos de atuação com visão holística, integral e crítica em torno das mulheres nas prisões. A forma transversal e transdisciplinar com que o tema é abordado traz contribui-ções enriquecedoras propondo diferente forma de atuação para a sociedade, as instituições e as pessoas vinculadas a esta clientela.

Este livro constitui um valioso aporte por apresentar as dimensões da população feminina que se encontra nas prisões da Espanha. Refere-se sobre a importância e inclusão da Educação Social nos programas educativos para as mulheres em prisões, traz à tona e debate problemas antigos que giram em torno

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dos atos delitivos das mulheres como violência e abusos sexuais, negligência e abandono de toda a ordem, falta de oportunidade e consumo de substâncias tóxicas.

As discussões apresentadas também atingem os países latino-americanos, pois a população feminina presa atinge 25% do total. Ao levantar as causas e as necessidades destas mulheres, chega-se a apresentar propostas de políticas públicas que resolvam e atendam à raiz dos fatores que interferem nas condutas delitivas das mulheres.

De maneira geral o reconhecimento e a necessidade de discutir e buscar

entender a situação especíica das mulheres encarceradas, da perspectiva de

gênero na ordem jurídica e política, não foge às formas convencionais da so-ciedade de conceber a presença feminina nas relações humanas.

A humanidade encontra-se atrasada décadas e talvez séculos em despertar a sensibilidade necessária para superar esta indiferença e invisibilidade que tem sido relegada às mulheres. Não sendo diferente na privação de liberdade, as penalidades e castigos obedecem ao modelo e regimes penais construídos pelos patrões mais ásperos da masculinidade vigilante, física e moralmente.

A população feminina encarcerada retrata a exclusão social no contexto

de risco e conlito. Esta realidade do cárcere, vigiada, não deve esconder os

direitos e deveres desta população reclusa, os propósitos reeducativos e de reinserção social.

A primeira parte, Nuevas perspectivas en Educación Social con mujeres en contextos penitenciarios, apresenta dez capítulos acerca desta perspectiva e a segunda parte, Realidades y actuaciones nacionales e internacionales de las mujeres en las prisiones, traz a realidade espanhola e de outros países sobre o atendimento a mulheres em prisões.

O capítulo I apresenta La criminalización de las mujeres. Estigmatización de las estrategias femeninas para no delinquir, escrito por Dolores Juliano, da Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha.

Detrás dos atuais marcos jurídicos igualitários sobrevivem concepções sociais diferentes de que se pode considerar transgressão para os homens e para as mulheres. Não se vê de uma mesma maneira uma infração das normas realizada por um homem da realizada por uma mulher (FANNY, 2010, p. 25).

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mulher autônoma sexualmente, teve objetivo puriicador, se evitando os riscos

e perigos para a sociedade. A autora constata que há a feminização da pobreza onde as mulheres respondem com a subserviência, sendo o trabalho informal, a imigração e a prostituição as opções para as mulheres pobres.

O capítulo II, La Educación Social como práctica de y hacia La liber-tad en contextos penitenciarios,por José Antônio Caride, da Universidade de Compostela, Espanha, aborda a educação como um direito inerente a condição humana: “logro que a primeira missão da educação é libertar o ser humano, onde quer que seja possível, da coação e da ignorância” (ZARAGOZA, 2000, p. 443).

De acordo com seus estudos cientíicos, os cárceres são lugares habitados por

pessoas com profundas necessidades e carências educativas que sofrem um duplo processo de exclusão social (espacial e temporal). A educação na prisão é uma forma de intervenção para permitir o retorno à sociedade de modo mais digno e inclusivo, favorecendo o desenvolvimento integral das capacidades pessoais e sociais, melhorando as possibilidades e direitos, reduzindo a vulnerabilidade e melhorando a autoestima das mulheres encarceradas.

No capítulo III, Violeta Nuñez Pérez da Universidade de Barcelona, Espanha, escreve sobre Espacio carcelario/espacios educativos,assinalando o paradoxo da ação educativa no meio penitenciário. O espaço carcerário é um meio onde se pretende vigiar e regular todas as ações de vida dos sujeitos aí reclusos. As normas excessivas do espaço prisional se contextualizam num corpo normativo único, o qual pauta as observações, estabelece as sanções e as transgressões e contabiliza como avanço o cumprimento normativo. A educação social pretende quebrar com este modelo, oferecendo outras possibilidades para o espaço carcerário como o teatro, acesso aos livros, escutar música, trabalhar coletivamente, desenvolver atividades criativas onde é permitida a palavra. Diferentes formas de se expressar podem propiciar outros sonhos, para além das grades, os quais busquem alcançar novos caminhos, novas formas de viver.

O capítulo IV, Mujeres presas y su relación con las drogas. Implicaciones desde la Educación Social, foi escrito por Fanny T. Añaños, da Universidade

de Granada, Espanha. A autora airma que a Educação Social se converte ou

representa a esperança educativa, a forma de se conquistar um futuro melhor e mais digno, não só dos excluídos, mas como forma de desenvolvimento, promoção e animação no mundo globalizado e pós-moderno com excessivos problemas com drogas. Os sérios problemas, desigualdades, situações alarmantes

de marginalização são tabulados pela autora apresentando uma relexão con -cisa da necessidade de uma educação para a igualdade, para a cidadania, para a saúde da Educação Social penitenciária, familiar, intercultural, sociocultural e socioeconômica. Para ela, as mulheres privadas de liberdade são um grupo

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-rabilidade, porém com potencialidades para se trabalhar. Apresenta um estudo sobre os motivos sociais da drogadependência e os programas de intervenção nas penitenciárias femininas espanholas

O capítulo V, Existe una educación especíica para las mujeres en las pri

-siones? Algunas relexiones desde La lógica profesional, por Juan Sáez Carreras, da Universidade de Múrcia, Espanha. Ele apresenta os inúmeros estudos que relatam a evidente discriminação que as mulheres estão submetidas em relação à população carcerária masculina. Talvez haja uma contradição quando diz ou

reivindica uma educação especíica para as mulheres, porém o mínimo de acesso

às condições de igualdade é legítimo e necessário. Assegurar e reivindicar o direito das mulheres nas prisões é criar condições de vida mais humanas, supõe defender a igualdade de acesso a lugares, a processos, a respeito, a nenhum tipo de discriminação. Oferecer os serviços penitenciários de tal forma que promo-vam a integração social, fazer o princípio da igualdade se efetivar pela oferta de igual oportunidade com o objetivo de reduzir as vulnerabilidades, recriando os espaços de construção de subjetividades, metas e objetivos, porque não dizer, oferecer o “direito possibilitador”.

No capítulo VI, Actuación socioeducativa con mujeres presas: el papel de los educadores sociales, por Luis Pantoja Vargas, Universidade de Deusto, Espanha. A Educação Social ao voltar sua atenção aos grupos marginalizados independente de sua idade, gênero. A educação social de mulheres presas com

ilhos é muito pobre e quase nula, de forma geral não há formação superior universitária que trate e forme proissionais para atuarem com função especí

-ica de Educador Social. Para o autor, todos os estudos jurídicos, sociológicos

e psicológicos ao longo do século nos diferentes países europeus retratam a discriminação sofrida pelas mulheres presas não só em relação ao trato rece-bido em comparação aos homens, mas também na oferta de oportunidades e possibilidades de reinserção social. Estes estudos apontam a necessidade de

intervenção educativa especíica para estas mulheres.

Capítulo VII, Cuando los cambios son también nuestros: movimientos feministas y propuestas educativas transformadoras, por Victoria Robles

San-juán da Universidade de Granada, Espanha. A autora aborda uma relexão das

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Na parte II, Realidades y actuaciones nacionales e internacionales de las mujeres en las prisiones, Capítulo VIII, Perspectivas penitenciarias europeas. Informe sobre las mujeres y los niños en las prisiones,Marie Panayotopoulos

Cassiotou aborda a situação legal das mulheres e seus ilhos nas prisões euro -peias, analisa a aplicação da lei de igualdade entre homens e mulheres encar-cerados. Destaque para a Lei de 2006, do Conselho da Europa, que reconhece a obrigação de integrar o princípio da igualdade entre os homens e as mulheres em condições de detenção. A Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em 2000, declarou que as mulheres grávidas privadas de liberdade devem ser tratadas com humanidade e dignidade na hora do parto e também ter cuidados necessários a seu/sua recém-nascido/a.

O capítulo IX, Desigualdad y educación en las cárceles de mujeres latinoamericanas: El caso argentino, por Patrícia R. Redondo, Universidade Nacional de La Plata, Argentina. Retrata as desigualdades, marginalizações e exclusões que o capitalismo latino-americano vem ocasionando durante sécu-los de subdesenvolvimento e exploração. A política neoliberal da Argentina e dos outros países latino-americanos é a consolidação de um modelo social de exclusão, pela tortura da ditadura, aboliu e castigou em prisões milhares de pessoas que ousaram se opor ao modelo estabelecido: mulheres, estudantes, professoras, militantes sociais. Apresenta as tentativas dos movimentos sociais em propiciar educação às mulheres presas, possibilitando o desenvolvimento de direitos negados mesmo antes de estarem presas.

O capítulo X, Panorama actual de La situación de las mujeres y madres en los centros penitenciarios españoles. El programa de igualdad, por Con-cepción Yagüe Olmos, Subdireção Geral de Tratamento e Gestão Penitenciária, Ministério do Interior, Espanha. Relata os fatores formais de discriminação e desvantagens desempenhados pelas normas sociais entre homens e mulheres em prisões. É importante perceber as discriminações de gênero para compreen-der e aplicar os direitos humanos para a implantação de reformas legislativas, promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres e abolição de qualquer discriminação ou trato degradante que sejam de ordem de gênero.

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A prisão repete o papel histórico de discriminação dos mais vulneráveis, as mulheres estrangeiras com poucos recursos econômicos.

O capítulo XII, Experiencias y programas socioeducativos en los recursos de cumplimiento de pena en El medio cerrado y abierto con mujeres e infan-cia – por Francisco José Del Pozo Serrano e Iosiina Mavrou (Universidade

de Granada, Espanha) relata a dimensão das mulheres privadas de liberdade

que em sua maioria provém de uma vida social de risco e conlito, violência

doméstica, violência de gênero, abuso de drogas, analfabetismo. Constata que, diante desta situação e realidade, a Educação Social penitenciária com mulheres, mães e infância supõe ações socioeducativas mediante programas individuais e grupais, favorecendo o desenvolvimento, a recuperação, reeducação e reinserção sociolaboral das mães e a socialização dos menores para a reincorporação na comunidade.

Recomendo este livro a todos/as os/as pesquisadores/as que estudam as questões de gênero, educação social, meio penitenciário, políticas públicas para mulheres e outros assuntos relacionados por apresentar um estudo sério,

aprofundado, bem como relexão sócio-histórica-cultural crítica na construção

e desenvolvimento social para a promoção da igualdade e diminuição da dis-criminação e exclusão feminina.

REFERÊNCIA

ZARAGOZA, F. Mayor. Un mundo nuevo. Barcelona: Galaxia Gutenberg, 2000.

Referências

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