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ADVOGADAS: SIMONE A. DE ALMEIDA OTONI - OAB/PA Nº 6809-B E ANDREA BASSALO VILHENA GOMES - OAB/PA Nº 7.761

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ACÓRDÃO Nº

TJE/PA- TERCEIRA CÂMARA CRIMINAL ISOLADA PROCESSO Nº 0006109-91.2014.8.14.0028

COMARCA DE ORIGEM: MARABÁ APELAÇÃO PENAL

APELANTE:ELEN SANTOS DOS SANTOS

ADVOGADAS: SIMONE A. DE ALMEIDA OTONI - OAB/PA Nº 6809-B E ANDREA BASSALO VILHENA GOMES - OAB/PA Nº 7.761

APELADO:WISNER CIRQUEIRA SILVA

ADVOGADO: CARLOS ANTONIO DE ALBUQUERQUE NUNES - OAB/PA Nº

7528-A

PROCURADORA DE JUSTIÇA: CÂNDIDA DE JESUS RIBEIRO DO NASCIMENTO

RELATOR: DES. LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR

EMENTA - APELAÇÃO CRIMINAL - QUEIXA-CRIME -

DIFAMAÇÃO E INJÚRIA - PROCURAÇÃO DA QUERELANTE EM DESACORDO COM A EXIGÊNCIA DO ART. 44 DO CPP -

MENÇÃO DO FATO CRIMINOSO - AUSÊNCIA - REQUISITO DE PROCEDIBILIDADE DA AÇÃO PENAL PRIVADA - A

PROCURAÇÃO OUTORGADA PELA QUERELANTE ÀS SUAS

ADVOGADAS, PARA FINS DE AJUIZAMENTO DE QUEIXA-CRIME, NÃO REQUER A DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DO FATO CRIMINOSO, BASTANDO, NO DIZER DO ART. 44 DO CPP, A MENÇÃO A ELE, A QUAL SE PERFAZ TANTO COM A

INDICAÇÃO DO ARTIGO DE LEI COMO DO NOMEN JURIS DO CRIME NO QUAL INCIDIRA, EM TESE, O QUERELADO.

PRECEDENTES DO STJ. REGULARMENTE INTIMADA PARA A DEVIDA RETIFICAÇÃO DO INSTRUMENTO, NÃO O FEZ NA FORMA DA LEI PENAL - ULTRAPASSADO O PRAZO

DECADENCIAL PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO PENAL PRIVADA, EXTINGUIU-SE A PUNIBILIDADE DO QUERELADO, PELA DECADÊNCIA - EX VI DO ART. 107, IV DO CP -

SENTENÇA MANTIDA - APELO DESPROVIDO - UNÂNIME.

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Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores componentes da Terceira Câmara Criminal Isolada, em conformidade com as notas taquigráficas, à unanimidade, em conhecer o recurso e negar-lhe

provimento, nos termos do voto do Desembargador Relator.

Sala das Sessões do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, aos quinze dias do mês de dezembro do ano de dois mil e dezesseis.

Julgamento presidido pelo Exmo. Sr. Des.Raimundo Holanda Reis. Belém/PA, 15 de dezembro de 2016.

Des. LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR Relator

RELATÓRIO

O EXMO. SR. DES. LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR - RELATOR - ELEN SANTOS DOS SANTOS, qualificada nos autos, interpôs recurso de Apelação Penal em face da sentença do D. Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal da Comarca de Marabá que declarou extinta a punibilidade, pela decadência, absolvendo sumariamente WISNER CIRQUEIRA SILVA, vez que, devidamente intimada a patrona da apelante para apresentar procuração com poderes especiais, na forma do art. 44 do CPP, não o fez e isso implicou no reconhecimento da decadência do direito, conforme se extrai da fl. 32.

Consta que a querelante/apelante tomou conhecimento, em 18.11.2013, durante o expediente de trabalho, de um vídeo que estava circulando nas redes sociais,

reproduzindo momentos íntimos entre ela e o ex-namorado WISNER CIRQUEIRA SILVA mantendo relações sexuais. A ofendida não sabe em que momento o vídeo foi gravado e, muito menos, autorizado a referida gravação, porque já havia terminado o relacionamento desde setembro/2013.

Extremamente abalada e envergonhada, a vítima afastou-se da vida social diante da proliferação do vídeo, gerando inúmeras situações depreciativas à honra da

querelante, mormente porque seu ex-namorado confessou ter filmado e feito a divulgação.

Em razão do ato abusivo do querelado/apelado, a ofendida propôs Queixa-Crime imputando ao querelado, em tese, a prática dos crimes previsto nos artigos 139

(difamação) e 140 (injúria) c/c os artigos 2, 4 e 7 da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria Penha).

O D. Juízo a quo, antes de receber a queixa, determinou a intimação da patrona da querelante para, no prazo de cinco (5) dias, apresentar procuração com poderes

especiais, nos termos do art. 44 do CPP. (fls. 18/v). Às fls. 20-22, a causídica juntou

procuração com poderes especiais para representação da querelante junto à Vara contra

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À fl. 23, o D. Juízo a quo recebeu a Queixa-Crime e determinou a citação do querelado que, às fls. 26-31, respondeu à acusação alegando, preliminarmente, a

decadência do direito de queixa, tendo em vista o lapso temporal entre a data do suposto ilícito reclamado e a apresentação da queixa e, no mérito, nega autoria dos crimes, pedindo absolvição.

À fl. 32, o D. Juízo da causa observou que a última procuração apresentada pela advogada da querelante não supriu os termos do art. 44, do CPP e, considerando que desde o dia 18.11.2013, data em que a querelante teve conhecimento do fato, até o dia da prolação da sentença, em 30.03.2015, a procuração não se apresenta na forma legal, embora regularmente intimada, extinguiu a punibilidade, pela decadência do direito de queixa, absolvendo o querelado. (fl. 32).

A querelante recorreu às fls. 33-43, alegando que a queixa-crime não é inepta por falta de juta causa, citando alguns precedentes jurisprudenciais a respeito.

Argumenta sobre o mérito da causa, mencionando algumas ocorrências do inquérito sem o ter, ao menos, juntado aos autos.

Discorre sobre a indevida absolvição do apelado e que não há decadência porque a concessão de poderes às representantes da querelante foi juntada, conforme a

determinação judicial e no prazo da lei acrescentando que os crimes restaram configurados.

Diz que o eventual improvimento do apelo negará vigência aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana; da lei punir qualquer discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais e do dever do Estado de coibir a violência no âmbito das relações familiares.

Ao final, pede o provimento do recurso e, caso contrário, o prequestionamento da matéria, para posteriores recursos às instâncias superiores.

Contrarrazões às fls. 46-52 pedem a manutenção da sentença a quo.

A fl. 54, a querelante pediu o desentranhamento de documentos anexos e a mídia (CD); porém, o D. Juízo da causa, ao manter a decisão apelada, julgou o pedido da querelante prejudicado, tendo em vista a inexistência de documentos ou CD nos autos. (fl. 55).

A D. Procuradoria de Justiça opinou pelo não provimento do recurso. É o Relatório. Sem revisão - artigo 610 do CPP.

VOTO

O EXMO. SR. DES. LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR - RELATOR - Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de Apelação Criminal de ELEN SANTOS DOS SANTOS.

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Em princípio, observo que a Queixa-Crime foi proposta sem qualquer demonstração material do alegado porque, embora a querelante tenha pedido

posteriormente o desentranhamento de documentos e CD (mídia), o julgador disse que nunca existiram nos autos, isso porque a inicial não estava instruída.

Em que pese a relevância da causa, que envolve uma eventual disseminação de atos íntimos em redes sociais que, certamente, em tese, atinge a honra e os possíveis prejuízos morais são incalculáveis para a vítima, em seu momento tão reservado, o fato é que quando se trata de Queixa-Crime a apresentação e o procedimento devem estar vinculados à lei penal.

Com efeito, há que se respeitar o disposto no art. 44 do CPP - “procuração com poderes especiais e menção do fato criminoso” -, isso para que a vítima responsabilize-se, sempre e claramente, pelos termos em que é oferecida a queixa. A finalidade do referido dispositivo legal é apontar a responsabilidade penal em caso de eventual denunciação caluniosa. Por analogia, cita-se o precedente:

1. A falta de menção do fato criminoso no instrumento de mandato, com vistas à propositura de queixa-crime, que também não vai assinada pelo querelante juntamente com o advogado constituído, é omissão que, se não sanada dentro do prazo decadencial, constituiu óbice ao regular desenvolvimento da ação penal, tendo em vista que o disposto no art. 44 do Código de Processo Penal

tem por finalidade apontar a responsabilidade penal em caso de

denunciação caluniosa, razão pela qual, mesmo que não se exija exaustiva descrição do fato delituoso na procuração outorgada, não pode ser dispensada pelo menos uma referência ao nomen iures ou ao artigo do estatuto penal, além da expressa menção ao nome do querelado. 2. Portanto, conjugando o disposto nos arts. 43, inc. III, 44 e 568, todos do Código de Processo Penal, a falha na representação processual do querelante pode ser sanada a qualquer tempo, desde que dentro do prazo decadencial, sob pena de transformar a exigência legal em letra morta, sem qualquer sentido prático. 3. Ordem concedida para restabelecer os

efeitos da sentença que declarou a extinção da punibilidade. (STJ - HC 39.047/PE, Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, Pub. no DJ de 01/08/2005). Negritado.

Desta forma, não basta que conste na procuração poderes genéricos inerentes à cláusula ad judicia, sendo imprescindível a referência ao crime que se pretende seja apurado, embora não seja necessária uma descrição minuciosa do fato, mostrando-se, assim, tal documento verdadeira condição de procedibilidade da queixa-crime

apresentada; porém, não serve para tal finalidade a procuração que se limita conceder poderes para “especialmente representá-la em ação penal junto à Vara contra a

Violência Familiar e Doméstica de Marabá...”. Por analogia:

1. O registro de boletim de ocorrência e o ajuizamento de ação cível contra os querelados, somados à outorga de procuração para o oferecimento de queixa-crime, tornam evidente a autorização do querelante para o início da ação penal privada contra os querelados. 2. A procuração outorgada pelo querelante ao seu advogado, para fins de ajuizamento de queixa-crime, não requer a descrição pormenorizada do fato criminoso, bastando, no dizer do art. 44 do

CPP, a menção a ele, a qual se perfaz tanto com a indicação do artigo de lei como do nomen juris do crime no qual incidiram, em tese, os

querelados. Precedentes. 3. A apresentação de rol de testemunhas na

queixa-crime é faculdade do autor da ação. Sua ausência não inquina a petição inicial de inepta. 4. Recurso ao qual se nega provimento. (STJ - RHC 69.301/MG,

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Ministra Maria Thereza de Assis Moura, sexta turma, Pub no DJe de 09/08/2016). Negritado.

A regularização de eventual omissão nessa área pode ser feita, segundo pacífica jurisprudência, tanto pela assinatura do querelante na inicial, como pela juntada de novo instrumento de mandato retificado, que não foi o caso dos autos. Quanto a esta última possibilidade, todavia, o termo final para suprir eventual omissão leva em conta o prazo decadencial de seis (6) meses, conferido pelo artigo 38 da lei processual penal, à

ofendida, para o manejo da competente ação penal privada.

No caso em tela, a vítima tomou conhecimento do fato em 18.11.2013 e a

procuração apresentada junto com a petição não estava de acordo com o art. 44 do CPP

e, mesmo tendo havido intimação, não foi regularizada em nenhum momento, vez que as patronas da querelante juntaram outra procuração, também sem qualquer menção ao fato criminoso em 20.06.2014 e depois disso, nada mais foi retificado até a prolação da sentença em 30.03.2015, quando o julgador, observando que o prazo de seis (6) meses havia ultrapassado e por se tratar de ordem pública, proferiu a decisão extinguindo a punibilidade pela decadência. A respeito da matéria transcreve-se abaixo:

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - Queixa-crime com alegação de injúria - Ação penal privada - Representação processual irregular - Não observância das disposições contidas no art. 44 do CPP - Ausência de menção, em procuração, ao fato criminoso, ou ao seu nomen iuris, ou ao artigo de lei em que capitulado - Prazo decadencial de seis meses ultrapassado - Irregularidade não corrigida até seu escoamento e a prolação da sentença - Extinção da punibilidade que se impõe - Precedentes do C. STJ - Negado provimento ao recurso da querelante.

(TJ-SP - APL: 30058553820138260038 SP, Relator: De Paula Santos, 13ª Câmara de Direito Criminal, Publicação: 12/04/2016). Negritado. Por fim, sem dúvida, incidiu na espécie o instituto da decadência, obstando, desse modo, o direito de queixa da querelante, conforme preconiza o artigo 103 do CP, o que autoriza a extinção da punibilidade do querelado, com base no artigo 107, IV, do Código Penal. Dou por prequestionada a matéria.

Pelo exposto, conheço do apelo e nego-lhe provimento para manter a sentença extintiva da punibilidade, na forma do art. 107, inciso IV do CP.

É o Voto.

Sessão Ordinária de 15 de dezembro de 2016. Des. LEONAM GONDIM DA CRUZ JÚNIOR Relator

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