• Nenhum resultado encontrado

I. VESÍCULA E VIAS BILIARES

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "I. VESÍCULA E VIAS BILIARES"

Copied!
34
0
0

Texto

(1)

I.

VESÍCULA E VIAS BILIARES

Pedro Bastos*

A patologia do sistema biliar é muito frequente na prática clínica. A avaliação de doentes com dor no hipocôndrio direito ou outros sintomas em que a patologia biliar deve ser procurada/excluída faz parte do nosso dia-a-dia.

A ultra-sonografia deve ser o primeiro exame na suspeita de doença vesicular e dá indicações valiosas ou fornece o diagnóstico na maior parte dos casos. No estudo da colestase e das doenças das vias biliares deve também ser o primeiro exame pela sua inocuidade e por indicar o segmento de obstrução. Necessita, neste último caso, frequentemente de ser complementada por ultra-sonografia endoscópica e/ou CPRM e/ou CPRE, dependendo do caso clínico, experiência local e necessidade de abordagem terapêutica.

A ecografia trata-se de um exame simples, seguro, barato e facilmente acessível, com elevada sensibilidade e especificidade na detecção de litiase e obstrução biliar. A visualização do sistema biliar é excelente ao nível da vesícula, das vias biliares intra-hepáticas e dos 2/3 proximais da via biliar principal (VBP). No entanto é difícil ao nível do ducto cístico e na porção distal do colédoco. Este aspecto diminui a capacidade diagnóstica do exame quando o problema (cálculo, tumor, etc…) reside nestes segmentos.

(2)

As principais limitações desta técnica de imagem residem sobretudo no facto de ser um exame operador-dependente, e na avaliação de doentes obesos ou com interposição de gás intestinal.

ANATOMIA

A vesicula biliar é uma estrutura sacular, com a forma de “pêra” ou “lágrima”, situada na fossa vesicular, na parte posterior do lobo hepático direito. Divide-se em fundo, corpo, infundíbulo (“bolsa de Hartmann”, a porção do corpo que se une ao colo) e colo. Localiza-se lateralmente à 2ª porção duodenal e anteriormente ao rim direito e cólon transverso. Quando totalmente distendida, mede cerca de 10 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro, contendo aproximadamente 50 ml de bile (valores médios).

AVALIAÇÃO ULTRA-SONOGRÁFICA DA VESÍCULA BILIAR Para o estudo ecográfico é utilizada geralmente uma sonda convexa, com frequências permutáveis entre os 2 e os 5 MHz.

Idealmente, a avaliação da vesicula deve ser realizada com o doente em jejum (6 a 8 horas), uma vez que a vesicula é assim melhor visualizada, apresentando-se totalmente distendida. Além do mais, o jejum reduz o ar intestinal melhorando as condições do

(3)

exame. Em situações de urgência, o exame deve ser realizado, obviamente, mesmo com a vesícula parcialmente contraída.

Recomenda-se a realização de uma breve anamnese e exame físico do abdómen antes do início do exame.

O exame inicia-se com o doente em decúbito dorsal, alterando depois a posição para decúbito lateral esquerdo (um conteúdo “livre” no interior da vesícula irá mobilizar-se com a mudança de posição). Por vezes, para demonstrar a mobilidade do conteúdo pode também ser pedido ao doente que se sente ou mesmo que assuma a posição vertical.

Para visualizar melhor a vesícula é conveniente pedir ao doente que inspire profundamente e sustenha a respiração de forma a fazer descer o fígado e vesícula abaixo da grelha costal (melhor janela ecográfica). Deverão ser usados vários cortes para o estudo da vesícula e vias biliares (sagitais, transversais e oblíquos) (Figura 3.1).

(4)

Figura  3.1  –  Corte  sagital  (a)  e  transversal  (b)  da  Vesicula  Biliar  

Como referências úteis para a localização da vesícula são uteis o bordo do lobo hepático direito e o hilo hepático. No corte subcostal oblíquo direito, a estrutura a usar como referencia é a fissura interlobar e a vesícula poderá ser encontrada alinhando a sonda com a fissura e depois inclinando-a ligeiramente (Figura 3.2).

Figura  3.2  –  Vesicula  Biliar  no  corte  subcostal  obliquo  direito  

A vesícula encontra-se inferior ou lateralmente à fissura (entre os segmentos IV e V). A vesícula normal possui paredes finas (1-3 mm) e conteúdo anecóico. Se o doente não tiver o jejum adequado a vesícula estará parcialmente contraída e as paredes parecerão mais espessas. Caso ocorram dificuldades na exploração da vesícula por abordagem sub-costal, como por exemplo no caso de interposição gasosa, a mesma pode ser realizada de forma eficaz por abordagem intercostal. O canal cístico pode ser ocasionalmente visualizado partindo do infundíbulo da vesícula, e é mais fácil com o doente em inspiração profunda e em decúbito dorsal ou lateral esquerdo.

(5)

Existem alguns parâmetros que podem ser optimizados de forma a obterem-se imagens de maior qualidade da vesícula e da sua patologia:

• usar a frequência máxima: 5 MHz ou superior pode ser útil em vesículas de localização muito anterior.

• colocar o foco na parede posterior da vesícula.

• alterar o ganho parcial de forma a diminuir ou eliminar artefactos anteriores ou ecos de reverberação.

• utilizar a 2ª harmónica para reduzir artefactos e aumentar a nitidez da parede vesicular.

Há ainda algumas variantes anatómicas e morfológicas que convém enumerar:

• Barrete frígio – É a mais frequente variação anatómica, consistindo numa vesícula alongada e com múltiplas angulações, por vezes mesmo com um divertículo no fundo.

• Duplicação da vesícula – entidade rara, em que a vesícula é dividida por um septo. Pode ser confundida com liquido peri-colecístico.

• Ausência congénita da vesícula biliar (frequência=0,03) • Vesícula “ectópica” com ligamento mesentérico longo, podendo estar localizada inclusivamente na cavidade pélvica. Pode ocorrer o oposto, em que a vesícula se encontra como que embutida no parênquima hepático.

(6)

• Espessamento da parede vesicular - A espessura da parede vesicular normal é de 2 mm. Quando acima de 3 mm considera-se alterada, frequentemente devido a alterações inflamatórias. Convém não esquecer que o espessamento pode não ser devido a doença primária da vesícula, como são os casos observados na ausência de jejum e em doentes com ascite, hipoproteinémia ou hepatite aguda.

AVALIAÇÃO ULTRA-SONOGRÁFICA DAS VIAS BILIARES

O próximo passo na avaliação do sistema biliar é a visualização da VBP. Esta pode ser explorada com o doente em decúbito dorsal ou lateral esquerdo usando um corte perpendicular ao rebordo costal direito. A via biliar principal surge como uma estrutura canalicular em posição anterior à veia porta. Neste mesmo corte, a artéria hepática surgirá como uma estrutura arredondada entre a VBP e a veia porta (Figura 3.3). Por vezes, quando há uma boa janela ecográfica, a VBP pode ser seguida até à sua porção retro-pancreática.

(7)

Figura  3.3a  e  b  –  Hilo  hepático  em  corte  longitudinal  

Em cortes transversais à veia porta no hilo hepático pode ver-se o aspecto chamado de “rato Mickey” (cabeça e orelhas). A veia porta encontra-se em baixo, com maior calibre, e as orelhas são, à esquerda a VBP, e à direita a artéria hepática (Figura 3.4).

Figura  3.4  –  Hilo  hepático  em  corte  transversal  –  imagem  “rato  Mickey”  

O segmento extra-hepático da VBP é de mais dificil exploração, uma vez que é frequentemente obscurecido pelo ar duodenal. A sua avaliação exige alguma perseverância por parte do operador, mas deve ser sempre tentado, particularmente em doentes ictéricos. Algumas manobras úteis para a visualização do segmento exra-hepático da VBP são a rotação obliqua do doente para esquerda, exercer alguma pressão com a sonda contra a parede abdominal e o enchimento da cavidade gástrica com água.

(8)

A VBP deve ser avaliada quanto ao seu diâmetro (normal até 6 mm), espessura da parede e conteúdo. Em doentes colescistectomizados a VBP pode ter calibre aumentado, aumentando também o calibre com a idade. Habitualmente os canais biliares intra-hepáticos não são observados (tornam-se visíveis quando se encontram dilatados). Ocasionalmente, em situações fisiológicas, podem ser visualizados no lobo hepático esquerdo, acompanhando os ramos porta, podendo ser diferenciados destes pela avaliação de fluxo através do modo doppler a cores.

(9)

II. PÂNCREAS

Miguel Bispo e Pedro Barreiro*

A avaliação ecográfica do pâncreas constitui um desafio, contudo o recurso a determinadas manobras que facilitam a observação deste órgão retroperitoneal e a experiência do operador possibilitam uma avaliação criteriosa do pâncreas numa proporção significativa dos doentes. É fundamental que o exame seja realizado em jejum, uma vez que a presença de alimentos no estômago pode impedir a visualização do órgão e aumentar os artefactos de reverberação.

ANATOMIA

O pâncreas tem localização retroperitoneal, posterior ao estômago e lobo hepático esquerdo e anterior à coluna vertebral e grandes vasos abdominais.

Tem limites ecográficos mal definidos, confundindo-se com a gordura peri-pancreática. As referências anatómicas que mais ajudam na abordagem ecográfica do pâncreas são os vasos, particularmente a veia esplénica e o confluente espleno-portal.

RELAÇÕES ANATÓMICAS VASCULARES

(10)

Veia esplénica

O segmento retro-pancreático da veia esplénica constitui a referência principal na abordagem do pâncreas, limitando posteriormente o corpo e cauda (Figura 4.1).

A origem da veia no hilo esplénico pode ser observada em corte intercostal esquerdo, caminhando inicialmente no bordo superior da cauda do pâncreas.

O confluente espleno-portal é o ponto de referência do istmo pancreático (anterior ao confluente).

Vasos mesentéricos superiores

A veia e a artéria mesentéricas superiores localizam-se posteriormente ao istmo e corpo do pâncreas, respectivamente (Figuras 4.1 e 4.2). Em corte transversal, a artéria localiza-se à esquerda da veia, tem menor diâmetro e parede mais perceptível (mais espessa).

Tronco celíaco

Referencia o bordo superior do pâncreas (Figura 4.3). Após identificado o tronco celíaco em corte transversal (imagem em “gaivota”), a deflexão inferior da sonda intersecta o parênquima pancreático.

(11)

O pâncreas é dividido em 4 segmentos:

- Cabeça, envolvida pelo arco duodenal, com um prolongamento posterior em relação ao pedículo mesentérico superior (processo unciforme);

- Istmo, que une a cabeça ao corpo, anterior ao confluente espleno-portal;

- Corpo, estendendo-se da direita para a esquerda e de baixo para cima, anterior à veia esplénica;

- Cauda, que se dirige para o baço, anterior à veia esplénica.

ECOESTRUTURA PANCREÁTICA

A ecogenicidade do parênquima pancreático normal é habitualmente superior à do fígado (podendo tornar-se significativamente mais hiperecogénico no idoso e mais hipoecogénico na criança). Apesar destas variações na ecogenicidade, o parênquima normal é sempre fino e homogéneo, de limites mal definidos em relação à gordura mesentérica.

As dimensões dos segmentos pancreáticos são variáveis, desvalorizando-se a sua medição por rotina. Salienta-se que o objectivo primordial da avaliação pancreática deve ser o despiste de alterações estruturais. A medição mais fácil de realizar é a do corpo (em corte transversal), com um diâmetro antero-posterior habitual de 15-20 mm. O diâmetro antero-posterior máximo da glândula

(12)

(habitualmente atingido na cabeça pancreática) deve ser inferior a 40 mm.

O canal de Wirsung pode ser visualizado, particularmente no jovem, devendo ser fino e regular, com um diâmetro inferior a 3 mm na cabeça, 2 mm no corpo e 1 mm na cauda (mnemónica – 3 : 2 : 1). No istmo inflecte-se para baixo e para trás (genu), atravessando a cabeça pancreática em direcção ao confluente bilio-pancreático.

A avaliação da cabeça pancreática deve incluir a identificação da via biliar principal (VBP). São usados cortes recorrentes subcostais direitos para visualizar a VBP no hilo hepático e na extremidade distal (intra-pancreática). O posicionamento do doente em decúbito lateral esquerdo poderá facilitar a sua visualização.

AVALIAÇÃO ULTRA-SONOGRÁFICA DO PÂNCREAS

Recomenda-se a utilização de uma sonda convexa, com uma frequência 3,5 MHz, podendo ser útil o ajuste da frequência para 5 MHz em doentes magros.

A dificuldade da observação, determinada essencialmente pela interposição gasosa gástrica e intestinal, pode ser ultrapassada com certas manobras:

- A ingestão de água imediatamente antes do exame optimiza a janela acústica através da distensão líquida do estômago e duodeno;

(13)

- A realização de manobra de Valsalva com protrusão abdominal;

- A compressão extrínseca e angulação da sonda;

- A posição sentada ou em ortostatismo, que condiciona a descida do cólon transverso;

O sucesso da avaliação ecográfica dos diferentes segmentos pancreáticos (cabeça, istmo, corpo e cauda) depende da realização de cortes transversais e longitudinais no epigastro superior, bem como de cortes recorrentes (oblíquos) subcostais direitos (utilizando o fígado como janela acústica) e intercostais esquerdos (utilizando o baço como janela acústica) (Figuras 4.1 a 4.6). Os cortes recorrentes subcostais direitos e intercostais esquerdos são particularmente relevantes para visualização da cabeça e cauda, respectivamente.

Os cortes transversais e recorrentes são muito informativos, permitindo acompanhar o grande eixo do órgão, tendo em conta que a cauda tem orientação superior e posterior relativamente à cabeça e corpo do pâncreas (Figuras 4.1 a 4.3). Os cortes transversais permitem estabelecer a relação do pâncreas com as principais estruturas vasculares, em particular com a veia esplénica, que constitui a referência principal do corpo e cauda do pâncreas (Figura 4.1).

(14)

Figura  4.1a  e  b  -­‐  Corte  transversal,  ao  nível  da  veia  esplénica  (referencia  o  limite   posterior  do  corpo  do  pâncreas).  

   

Figura  4.2a  e  b  -­‐  Corte  transversal,  intersectando  o  istmo  e  corpo  do  pâncreas.   Salientam-­‐se   os   grandes   vasos   abdominais,   posteriores   à   veia   esplénica:   à   direita,   aorta   e   artéria   mesentérica   superior;   à   esquerda,   veia   cava   inferior   a   receber  a  veia  renal  esquerda.  

           

(15)

Figura   4.3a   e-­‐b   Corte   transversal,   intersectando   o   tronco   celíaco   (referencia   o   bordo  superior  do  pâncreas).  

Os cortes longitudinais são particularmente importantes a nível do eixo mesentérico, permitindo, em conjunto com os cortes oblíquos subcostais direitos, visualizar a cabeça pancreática e o processo uncinado, que se projectam posteriormente em relação aos vasos mesentéricos (Figuras 4.4 e 4.5). Os cortes intercostais esquerdos, utilizando o baço como janela acústica, permitem visualizar a extremidade distal da cauda do pâncreas e a origem da veia esplénica (muitas vezes de difícil visualização nos cortes transversais) (Figura 4.6).

(16)

Figura  4.4a  e  b  -­‐  Corte  longitudinal,  intersectando  a  veia  cava  inferior  e  a  cabeça   do  pâncreas.  

   

Figura  4.5a  e  b  -­‐  Corte  longitudinal,  intersectando  a  veia  mesentérica  superior.  O   processo   uncinado   é   um   prolongamento   da   cabeça   pancreática,   posterior   ao   eixo  mesentérico.  

Figura  4.6a  e  b  -­‐  Corte  intercostal  esquerdo,  intersectando  a  cauda  do  pâncreas   e  a  origem  da  veia  esplénica.  O  baço  é  utilizado  como  janela  acústica.  

(17)

 

III. BAÇO

Bruno Rosa, Ana Rebelo e Silvia Leite*

ANATOMIA

O baço é um órgão intraperitoneal localizado no hipocôndrio esquerdo, totalmente recoberto pela grelha costal, entre as linhas axilares média e posterior. O seu eixo principal é oblíquo para baixo, para a frente e lateralmente (Figura 5.1). Morfologicamente, o baço assemelha-se a um tetraedro irregular, em que se identificam:

Figura  5.1    –  Anatomia  do  baço  

(18)

1) Face póstero-lateral (diafragmática), convexa, em relação com o hemidiafragma esquerdo ao nível do 8º, 9º e 10º espaços intercostais.

2) Face póstero-medial (renal), côncava, em relação com o rim esquerdo e glândula supra-renal.

3) Face ântero-medial (gástrica), côncava, contém o hilo esplénico e relaciona-se com o estômago e a cauda do pâncreas.

4) Face ântero-inferior (cólica), côncava, em relação com o ângulo esplénico.

Sob o ponto de vista prático da exploração ultra-sonográfica, a eco-anatomia do baço compreende duas faces (face diafragmática, convexa, dirigida superior, posterior e lateralmente e face medial , côncava, que contém o hilo esplénico e se dirige inferior, anterior e medialmente), dois bordos (superior e inferior) e duas extremidades (anterior e posterior).

AVALIAÇÃO ULTRA-SONOGRÁFICA DO BAÇO

A exploração ecográfica do baço faz-se habitualmente com sondas convexas de 3,5 a 5MHz, com o doente em jejum, em decúbito dorsal, elevando o membro superior esquerdo acima da cabeça. Em alguns casos poderá ser útil posicionar o doente em decúbito lateral direito (Figura 5.2).

(19)

Figura  5.2  –  Abordagem  do  baço  em  decúbito  lateral  direito  

A respiração suave é geralmente preferível à inspiração forçada, uma vez que esta faz descer as bases pulmonares prejudicando a observação.

A abordagem preferencial é a obtenção de cortes intercostais, entre as linhas axilares média e posterior (habitualmente entre o 9º e o 11º espaços intercostais).

Obtêm-se cortes longitudinais com diferentes graus de obliquidade (Figuras 5.3 e 5.4). A angulação da sonda entre as costelas permite evitar as sombras costais e definir:

- Cortes longitudinais posteriores (interessam o rim esquerdo) - Cortes longitudinais médios (interessam a região hilar) - Cortes longitudinais anteriores (interessam o estômago)

(20)

Figura  5.3  –  Corte  longitudinal  posterior  do  baço    

Figura  5.4  –  Corte  longitudinal  anterior  do  baço                                                                                                                            

Durante o exame muda-se a posição da sonda e rodando-a 90º, de modo a ficar perpendicular às costelas, obtêm-se cortes transversais do baço.

(21)

ECO-ESTRUTURA

O parênquima esplénico normal apresenta uma ecoestrutura homogénea, com ecogenicidade idêntica ou ligeiramente inferior à do fígado saudável.

DIMENSÕES

Deve efectuar-se sistematicamente a medição de 2 dimensões do baço.

Em corte longitudinal, mede-se, ao nível da região hilar (Figura 5.5):

Figura  5.5  

- Diâmetro longitudinal (também designado diâmetro crâneo-caudal ou comprimento) <12cm

Em indivíduos longilíneos, um diâmetro longitudinal do baço de 13cm pode ser considerado normal.

(22)

- Diâmetro transversal (também designado diâmetro perpendicular ou espessura) <5cm

Em algumas situações poderá ser útil a determinação do diâmetro ântero-posterior (<10cm) e da área de superfície do baço, que no baço normal é <50 cm2.

ASPECTOS PARTICULARES

- Baço acessório: Encontrado em aproximadamente 10% da população, habitualmente em localização peri-hilar, com configuração nodular, contorno regular e parênquima homogéneo, raramente ultrapassando os 2cm de diâmetro (Figura 5.6).

Figura  5.6  

- Baço ectópico: Acessível ao exame ecográfico. Deve pensar se na sua possibilidade perante a ausência ecográfica do baço no local habitual.

(23)

-

IV. PAREDE DIGESTIVA

Rosa Ferreira* e Margarida Ferreira**

ASPECTOS GERAIS

A exploração ultra-sonográfica (US) abdominal permite a observação do tracto gastrointestinal em quase toda a sua extensão, tendo correntemente grande valor diagnóstico na investigação de patologia neoplásica e inflamatória, entre outras.

Para a sua observação recomenda-se o início do exame utilizando uma sonda convexa de 3,5 MHz, que pode ser seguidamente substituída por sondas lineares de maior frequência (5-7,5-10MHz) para uma melhor visualização das várias estruturas, nomeadamente a parede. Podemos, ainda, socorrermo-nos de técnicas que permitem melhorar a qualidade das imagens, nomeadamente a utilização de líquido no interior das cavidades (ingestão de água ou sumos para observação do tubo digestivo superior ou realização de limpeza cólica e enema para melhor observação do cólon), assim como a utilização de Doppler.

O exame US do tubo digestivo possui uma imagem mais ou menos arredondada em cortes transversais, na qual podemos distinguir o lúmen e a parede digestiva. O primeiro assume a parte

(24)

central na imagem e apresenta ecogenicidade variável de acordo com o material que contém (quando contém ar atinge a sua maior intensidade e quando contém água assume o aspecto mais anecogénico). A parede digestiva surge hipoecogénica e para a sua correta observação devem ser avaliados os seguintes parâmetros:

1 - Espessura geral: dependente do órgão e do grau de distensibilidade, é considerada normal quando <5mm e claramente patológica se >10mm (para obter correctamente esta medição o feixe de US deve incidir perpendicularmente ao centro do lúmen já que desvios em relação ao eixo originam falsas imagens de espessamento parietal);

2 – Camadas: podemos distinguir 5 diferentes camadas que, de acordo com correlação histológica, se traduzem da forma esquematizada na Figura 6.1:

1ª camada: Interna, hiperecogénica que corresponde ao limite entre a mucosa e o lúmen digestivo;

2ª camada: Hipoecogénica, que representa mucosa, lâmina própria e muscularis mucosa;

3ª camada: Hiperecogénica correspondendo à submucosa; 4ª camada: Hipoecogénica formada pela muscular própria; 5ª camada: Hiperecogécnia devida à interface entre a muscular e serosa com o meio extra-digestivo;

(25)

3 – Distensibilidade/rigidez; 4 – Mobilidade/peristaltismo; 5 – Vascularização.

Figura  6.1  –  Camadas  da  parede  digestiva  normal  e  sua  correlação  histológica.  A:   (esquema  das  5  camadas  observadas  em  US  abdominal  em  que  as  áreas  claras   são   hiperecogénicas   e   as   escuras   hipoecogénicas),   B:   Imagem   US   da   parede   digestiva  com  respectiva  correlação  histológica.    

AVALIAÇÃO ULTRA-SONOGRÁFICA DO TUBO DIGESTIVO

ESÓFAGO

Pode ser reconhecido por US a nível cervical, através da janela acústica da tiroide, e nos últimos 3 cm do seu segmento distal (última porção torácica, passagem diafragmática e porção intra-abdominal a nível do cardia continuando pelo fornix) em cortes epigástricos médio-esquerdo, por detrás do lobo esquerdo do fígado e à frente da aorta (Figura 6.2). A sua imagem pode variar entre tubular, redonda ou oval dependendo dos diferentes cortes ecográficos realizados (Figura 6.2 e 6.3). Pedindo ao doente que ingira água enquanto está

(26)

sentado podemos observar a passagem desta através da sua porção distal.

Figura  6.2a  e  b  –  Esquema  US  do  esófago  num  corte  longitudinal  (a)  e  respectiva   imagem  ecográfica  (b);  (  *  -­‐  esófago;  1  -­‐  Aorta  ,  6  –  Artéria  gástrica  esquerda  ;  22   –  Lobo  quadrado  (Segmento  IV)  ;  96  –  Diafragma)      

 

     

Figura  6.3a  e  b  –  Esquema  US  do  esófago  num  corte  transversal  (a)  e  respectiva   imagem   ecográfica   (b);   (1   -­‐   Aorta   ;   10   –   Veia   cava   inferior   ;   12-­‐   Veia   hepática   média  ;  21  –  Lobo  hepático  esquerdo  ;  71  –  Fundo  gástrico  ;  94  -­‐  Artefacto  ;  96  -­‐   Diafragma  )  

(27)

ESTÔMAGO

Examina-se geralmente a região epigástrica em decúbito dorsal efectuando cortes longitudinais, transversais e subcostais sistemáticos. Para uma melhor observação da parede (espessura, distensibilidade e camadas) e de todas as regiões anatómicas da cavidade gástrica pode-se recorrer à técnica da repleção líquida, denominada US hidrogástrica, que consiste na ingestão de cerca de 500 a 800 cc de água ou sumo diluído sem gás, 10 a 15 minutos antes do exame.

O fundo e corpo gástricos podem ser observados (habitualmente de forma parcial) em cortes epigástricos com o doente em decúbito lateral esquerdo ou em supinação localizando-se à esquerda do fígado e da aorta, à direita do baço e por cima do rim esquerdo (Figura 6.4).

O antro é reconhecido no epigastro como uma estrutura arredondada ou oval a nível da linha média. Nos cortes longitudinais localiza-se imediatamente abaixo ou posterior à margem inferior do fígado e nos cortes transversais anterior ao corpo pancreático (Figura 6.5 e 6.6). Se existir conteúdo no lúmen a sua morfologia muda adquirindo uma forma mais alongada. A espessura da parede varia entre os 4 e 6 mm. O antro distal e região pilórica podem ter até 8 mm. A espessura da parede pode variar se houver fraca distensibilidade ou durante a peristalse de forma transitória. É

(28)

possível efectuar estudos funcionais mediante ecografia, objectivando a motilidade gastrointestinal nomeadamente o esvaziamento gástrico (Figura 6.7).

Figura   6.4a   e   b   –   Aspecto   US   do   corpo   gástrico   em   corte   longitudinal   com   respectiva  imagem  ecográfica  (21-­‐  Lobo  hepático  esquerdo;  72  –  Corpo  gástrico  ,   96  -­‐  Diafragma)  

 

Figura  6.5a  e  b–  Aspecto  US  do  antro  gástrico  em  corte  longitudinal    

(5  –  Artéria  esplénica  ;  21  –  Lobo  hepático  esquerdo  ;  42  –  Corpo  pancreático  ;   45  –  Ducto  pancreático  ;  73  –  Antro  gástrico  ;  77  –  Ansa  do  intestino  delgado  )  

(29)

    Figura  6.6a  e  b  –  Aspecto  US  do  antro  gástrico  em  corte  transversal  (b)  

(1  -­‐  Aorta;  10  –  Veia  cava  inferior;  19  –  Veia  mesentérica  superior  ;  20  –  Lobo   hepático  direito  ,  21  –  Lobo  hepático  esquerdo  ;  24  –  Ligamento  redondo  ;  30  –   Vesícula  biliar  ;  41  –  Cabeça  pancreática  ;  42  –  Corpo  pancreático  ;  45  –  Ducto   pancreático  ;  73  –  Antro  gástrico;  75  –  Bulbo  duodenal  )    

 

     

   

(30)

DUODENO

Em condições normais o duodeno é de difícil visualização, salvo quando contem líquido no seu interior. O bulbo duodenal que continua o antro gástrico pode ser identificado em cortes transversais no epigastro, localizando-se medialmente à vesícula biliar e à frente da cabeça pancreática, aparecendo como uma área hiperecogénica mínima com sombra acústica posterior devido ao seu conteúdo aéreo, podendo, por vezes, ser confundido com litíase biliar (Figura 6.7). A segunda e terceira porção (DII e DIII) localizam-se à direita e inferiormente à cabeça pancreática rodeando-a. A espessura da parede duodenal geralmente não excede os 3 mm de espessura.

Figura  6.7  –  Aspecto  US  do  bulbo  duodenal  em  corte  transversal  

INTESTINO DELGADO

O intestino delgado não é facilmente acessível à exploração US devido ao seu conteúdo gasoso e reduzido em líquido. A identificação ecográfica das ansas intestinais só é possível quando a

(31)

quantidade de líquido intraluminal é suficiente para causar dilatação, ou quando existe liquido livre intraperitoneal. Habitualmente é necessário a utilização de sondas lineares de 5-7 MHz. O seu aspecto ecográfico é de estruturas tubulares anecogénicas ou ecogénicas com diâmetro transversal <3 cm, com uma espessura da parede <3-4 mm, da qual partem para o seu interior as válvulas coniventes (excepto no íleon), notando-se os movimentos peristálticos com a passagem da sonda (a falta de deformação sugere patologia tumoral ou inflamatória) (Figura 6.8). A exploração do íleon terminal (Figura 6.9) é de particular interesse podendo o doente ser instalado em decúbito dorsal ou lateral direito e a repleção vesical pode ser útil. Inicia-se a sua observação com cortes transversais baixos explorando desde a região vesical até ao cego.

Figura   6.8   –   Aspecto   US   normal   de   uma   ansa   jejunal   notando-­‐se   as   válvulas   coniventes  

(32)

  Figura  6.9  –  Aspecto  US  do  íleon  terminal  

APÊNDICE CECAL

O apêndice normal é mais difícil de localizar (observado em 30-80% dos casos de acordo com a experiência do observador) do que o apêndice patológico podendo ser útil a utilização de sondas lineares de alta frequência. Poderá ser identificado através de cortes transversais, longitudinais e oblíquos na região lateral direita após localização do ascendente e cego seguindo para a válvula ileocecal (ecogénica) e procurando-o caudalmente a esta (Figura 6.10). Identifica-se uma estrutura digestiva tubular (ovóide em cortes transversais) com diâmetro inferior a 6 mm e parede estratificada com < 2-3 mm de espessura, depressível e sem persistaltismo.

(33)

Figura   6.10   –   Aspecto   US   do   apêndice   normal   em   corte   transversal   (a)   e   longitudinal  (b)  

  CÓLON

O estudo ecográfico do cólon não é fácil sob circunstâncias normais, pois o seu elevado conteúdo em gás prejudica a exploração do mesmo (Figura 6.11). Num corte sagital, o cólon descendente aparece como um tubo contendo ar e, em secção transversal, assume o aspecto de olho de búfalo (Figura 6.12). A técnica de US hidrocólica melhora a sua exploração, através da introdução de enema de 1500 cc de água. Para obtenção de bons resultados é imprescindível uma adequada limpeza prévia do cólon. Com esta técnica o cólon é visualizado como estrutura tubular livre de ecos com 4 a 5 cm de diâmetro e com bandas ecogénicas finas curtas que partem da parede para o lúmen correspondendo às haustras (Figura 6.13). A espessura da parede é geralmente considerada normal até 2-3 mm.

(34)

Figura  6.11a  e  b  –  Aspecto  US  normal  do  cólon  em  corte  longitudinal    

Figura  6.12  –  Aspecto  US  normal  do  cólon  em  corte  transversal,  visualizando-­‐se   um  diverticulo  (seta  branca)  

 

  Figura  6.13  –  Aspecto  US  do  cólon  utilizando  a  técnica  hidrocólica  

Referências

Documentos relacionados

No caso do sistema implantado na Vila São Luiz, Restinga Seca, RS, não há quantificação exata, em termos de comparação entre custos de implantação, no entanto,

São eles, Alexandrino Garcia (futuro empreendedor do Grupo Algar – nome dado em sua homenagem) com sete anos, Palmira com cinco anos, Georgina com três e José Maria com três meses.

carcinoma invasivo (Figura 2), auxiliando principalmente na avaliação do componente não calcificado da doença, na avaliação da extensão tumoral, de doença residual, no tu-

A estabilidade térmica nas baixas temperaturas (Figura 4a), foi de aproximadamente 50% da sua atividade inicial aos 14 dias para a polimetilgalacturonato liase (PMGL)

Ao fazer pesquisas referentes a história da Química, é comum encontrar como nomes de destaque quase exclusivamente nomes masculinos, ou de casais neste caso o nome de destaque

EXPERIMENTANDO E DESCOBRINDO: A CONTRIBUIÇÃO DE UMA OFICINA PARA DESPERTAR ALUNOS DE NÍVEL MÉDIO PARA AS DIMENSÕES DA ÓPTICA COMO DISCIPLINA E CAMPO DE PESQUISA..

Para entender o supermercado como possível espaço de exercício cidadão, ainda, é importante retomar alguns pontos tratados anteriormente: (a) as compras entendidas como

É possível afirmar que os fatores motivadores ganhos pessoais, aprendizado e interação social foram relevantes para esse tipo específico de CV, onde pessoas cadastram um projeto