QUINTA CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA APELAÇÃO CIVEL Nº ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DA CAPITAL

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QUINTA CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA APELAÇÃO CIVEL Nº 0297927.91.2011.8.19.0001

15ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DA CAPITAL AGRAVO INTERNO

AGRAVANTE : ESTADO DO RIO DE JANEIRO AGRAVADO: NAIR RENATA NOBRE DOS SANTOS RELATOR: DES. ANTONIO SALDANHA PALHEIRO

ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. SERVIDORA PÚBLICA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. REAJUSTE DE 24%. APELAÇÃO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO NA FORMA DO ARTIGO 557 DO CPC PARA REDUZIR OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AGRAVO INTERNO DO ESTADO. REITERAÇÃO DAS RAZÕES DO APELO. O ÓRGÃO ESPECIAL DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA Nº 0064836-60.2012.8.19.0000, SUSCITADO NESTES AUTOS, PACIFICOU O ENTENDIMENTO DE QUE OS SERVENTUÁRIOS QUE NÃO INTEGRARAM O POLO ATIVO DA AÇÃO Nº 0024210-36.1988.8.19.0000, EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA, FAZEM JUS AO REAJUSTE DE 24% EM SEUS VENCIMENTOS, BEM COMO A PERCEPÇÃO DAS DIFERENÇAS, A SEREM PAGAS DE UMA ÚNICA VEZ, DEVIDAMENTE CORRIGIDAS DESDE A DATA DO PAGAMENTO EFETUADO ÀQUELES, COMPENSANDO-SE OS VALORES JÁ QUITADOS, POR FORÇA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 2010.259214, OBSERVADA A PRESCRIÇÃO QUINQUENAL A CONTAR DA PROPOSITURA DE CADA DEMANDA E AS CONDIÇÕES PESSOAIS E FUNCIONAIS DE CADA SERVENTUÁRIO.

DIREITO À EFETIVAÇÃO IMEDIATA DO REAJUSTE E RECEBIMENTO DAS DIFERENÇAS VENCIDAS, REFERENTES AOS CINCO ANOS ANTERIORES À PROPOSITURA DA AÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA 339 DO STF, PORQUANTO NÃO SE TRATA DE AUMENTO DE VENCIMENTOS, MAS SIM DE REAJUSTE.

JUROS DE MORA. O STF VEM SE MANIFESTANDO NO SENTIDO DE QUE, ENQUANTO NÃO SOBREVIER DEFINITIVA DECISÃO PLENÁRIA SOBRE A MODULAÇÃO TEMPORAL DE EFICÁCIA DO JULGAMENTO DECLARATÓRIO DE INCONSTITUCIONALIDADE PROFERIDO NOS PROCESSOS DE AÇÃO DIRETA, DEVEM SER APLICADOS OS ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO.

ANTONIO SALDANHA PALHEIRO:000009647

Assinado em 22/07/2014 18:48:52

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VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Interno interposto na Apelação Cível nº 0297927.91.2011.8.19.0001, em que é agravante ESTADO DO RIO DE JANEIRO e é agravado NAIR RENATA NOBRE DOS SANTOS.

ACORDAM os Desembargadores que compõem a Quinta Câmara Cível do Tribunal de Justiça, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.

VOTO

Trata-se de ação de obrigação de fazer proposta por NAIR RENATA NOBRE DOS SANTOS outras em face do ESTADO DO RIO DE JANEIRO, objetivando o reconhecimento do direito ao percentual de aumento salarial de 24%, decorrente do reajuste concedido pelo artigo 1º da Lei nº 1.206 de 15/10/1987, com o pagamento das diferenças vencidas, observada a prescrição quinquenal.

A autora é servidora do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, ocupante de cargo público, admitida nos quadros efetivos de Analista Judiciário em 25/02/1987, e diante desta condição, sustenta que faz jus ao reajuste remuneratório estabelecido na referida Lei 1.206/87 e concedido a um grupo de servidores por força de decisão judicial, diante do princípio constitucional da isonomia.

Conforme sentença acostada a fls. 532/536, o pedido foi julgado parcialmente procedente para condenar o réu a implantar de uma só vez o reajuste de 24% a incidir sobre a remuneração da autora, pagando-lhe as diferenças vencidas nos últimos cinco anos contados da propositura da ação a serem apurados em liquidação com observância ao artigo 1º-F da Lei 9494/97, com a redação dada pela Lei 11960/2009, condenando ainda o réu ao pagamento dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação.

O Estado recorreu (fls. 558/574), requerendo a reforma total da sentença, pleiteando, preliminarmente, o reconhecimento da prescrição do fundo de direito, porquanto, como a apelada não integrava o Poder Judiciário, à época, não há se falar em reajuste, mas revisão de seus vencimentos iniciais. No mérito, afirmou que a exclusão dos servidores da justiça deu-se justamente para afastar a diferença entre os órgãos públicos estaduais, bem como o ato que resultou o aumento de despesas com pessoal ofende a Lei de Responsabilidade Fiscal, artigo 21, parágrafo único, da Lei Complementar 101/2000, na medida em que fora expedido dentro dos cento oitenta dias finais ao mandado do chefe do Poder. Por fim, sustentou a violação do enunciado da súmula 339 do STF.

Diante da divergência entre as Câmaras competentes para apreciação da questão discutida nos presentes autos, foi suscitado incidente de uniformização de jurisprudência, determinando a suspensão, conforme voto acostado a fls. 621/622, tendo sido os autos encaminhados ao Órgão Especial (fls.632).

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Acórdão da lavra do Desembargador Cláudio Mello Tavares (fls. 736/758), conhecendo do Incidente de Uniformização e acolhendo a proposta da uniformização no sentido de reconhecer o direito da apelada, com fundamento no princípio da isonomia.

Decisão na forma do artigo 557 do CPC, na qual deu parcial provimento ao recurso para reduzir o valor fixado a título de honorários advocatícios para R$ 1.000,00, mantendo os demais termos da sentença (fls.786/794).

O Estado interpor agravo interno reiterando os argumentos lançados nas razões do apelo, bem como sustentou que os juros e correção devem ter com base a redação do artigo 1-F da Lei 9494/97, com a redação dada pela Lei 11960/09, na medida em que o voto proferido na ADI 4357/DF não produziu seus efeitos diante da ausência de publicação. Inovou quanto à alegação de defasagem diante da restruturação dos quadros do Poder Judiciário dado pela Lei 4620/05 e violação ao artigo 98 da Constituição Federal de 1969 e da Constituição Federal de 1988.

É, em síntese, o relatório.

O pedido formulado na presente ação não se refere à extensão dos efeitos da sentença proferida na ação ordinária nº 0024210-36.1988.8.19.0000, o que acarretaria ofensa à coisa julgada, mas sim, a condenação do réu a realizar o pagamento dos vencimentos atrasados decorrentes do reajuste de 24% a que faz jus à parte autora, servidora da ativa, tendo como causa de pedir a inconstitucionalidade, já reconhecida do artigo 5º da Lei 1.206/87 e o respeito ao Princípio Constitucional da Isonomia, consubstanciando tal providência, outrossim, mera consequência direta do reconhecimento administrativo do direito da autora pela Presidência deste E. Tribunal de Justiça no bojo do processo administrativo nº 2010.259214.

Ab initio, deve ser rechaçada a alegação do Estado quanto à prescrição de fundo de direito, pois não se pode olvidar que, embora a violação do direito tenha ocorrido originariamente há mais de 20 anos, cuida-se de relação de trato sucessivo, restando alcançadas pela prescrição, tão somente, as parcelas vencidas no quinquênio anterior à propositura da ação, na forma do verbete da súmula nº 85 do Superior Tribunal de Justiça, in verbis:

“Nas relações jurídicas de trato sucessivo, em que a fazenda pública figure como Devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior à propositura da ação”.

Também sem razão o apelante no tocante à alegação que não se trata de reajuste, mas revisão, pois a apelada ingressou no serviço público após a data da publicação da Lei. Como anteriormente mencionado, a agravada foi nomeada em 25/02/1987 e a lei publicada em 15/10/1987.

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A Lei Estadual nº 1206/87 tratou do reajuste de 70,5%, a ser aplicado aos vencimentos e proventos do funcionalismo estatal, tendo o art. 5º excluído do reajuste os servidores da Justiça Estadual do Rio de Janeiro, o qual foi declarado inconstitucional pelo Órgão Especial, em sede de Mandado de Segurança originário nº 583/1987, com efeito erga omnes, de acordo com o artigo 103 do Regimento Interno deste Tribunal.

Em virtude de tal declaração, um grupo de servidores ajuizou demanda, objetivando a implementação do reajuste e cobrança dos atrasados (nº 0024210.36.1988.19.0001), a qual o Estado do Rio de Janeiro foi condenado a implementar os 24% nos vencimentos dos autores.

Tal decisão transitou em julgado e o então Presidente deste Tribunal, Des. Luiz Zveiter, estendeu, administrativamente (processo administrativo nº 2010-259214), o reajuste aos servidores em atividade não amparados pela referida decisão judicial, em decisão acordada entre o Poder Executivo e a Administração Judiciária, em obediência a Lei de Responsabilidade Fiscal, determinando a extensão, para todos os servidores do Poder Judiciário, de forma parcelada, do reajuste de 24% dos vencimentos então vigentes, sendo a 1ª parcela de 5,53%, em janeiro/2011; 2ª parcela de 5,53%, em janeiro/2012; 3ª parcela de 5,53%, em janeiro de 2013 e 4ª parcela de 5,51%, em janeiro de 2014.

A Lei n. 1.206/87 dispõe sobre o reajuste de vencimentos e proventos, não sendo o caso de aumento de ganhos do servidor. Trata-se, portanto, conforme restou consignado no Mandado de Segurança 583/87, de implantação de reajustamento linear e genérico de tabelas de vencimentos, objetivando a reposição da perda do poder aquisitivo dos vencimentos ou dos proventos, devendo-se distinguir reajuste de aumento.

Conforme ressaltado pelo Órgão Especial, no julgamento do Incidente de Uniformização de Jurisprudência, em que pese tal decisão administrativa ter amenizado a discrepância salarial entre os autores da mencionada ação originária e os demais servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, ao ser parcelada a implementação do reajuste, não foi garantida, de imediato a isonomia de vencimentos, tampouco garantido o direito ao recebimento dos atrasados.

Essa a tese firmada da Uniformização de Jurisprudência, firmando a orientação no sentido de que os servidores públicos do judiciário possuem direito à incorporação do reajuste de 24% e ao pagamento das diferenças pretéritas em prestação única, compensando-se os valores já quitados e observada a prescrição quinquenal, a contar da propositura de cada demanda.

De acordo com o julgamento do Órgão Especial, o reajuste deveria ter sido estendido e implementado há muito tempo para todos os servidores do Poder Judiciário do Estado, pois integrantes do quadro único, com vínculo estatutário com a Administração, não, podendo, assim, perceber remuneração diferenciada, sendo cabível, via de consequência, a percepção dos atrasados respectivos, observada a prescrição quinquenal. In verbis:

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“ Em respeito ao princípio constitucional da isonomia, os serventuários que não integraram o polo ativo da Ação Ordinária nº. 002420-36.1988.8.19.0000, fazem jus, a exemplo dos autores da referida ação, ao reajuste de 24% em seus vencimentos, bem como à percepção das diferenças, a serem pagas de uma única vez, devidamente corrigidas desde a data do pagamento efetuado àqueles, compensando-se os valores já quitados, por força do Processo Administrativo nº. 2010.259214, observada a prescrição quinquenal, a contar da propositura de cada demanda, bem como as condições pessoais e funcionais de cada serventuário, incidente Imposto de Renda e verbas previdenciárias por se tratarem de diferenças vencimentais”. Ressalta-se que, como pacificou o Órgão Especial, não há que se falar em aplicação da Súmula 339 do STF, tendo em vista que não se trata de aumento de vencimentos, mas sim reajuste.

Ademais, ao contrário do que alega o apelante, a decisão administrativa do então Presidente deste Tribunal, Des. Luiz Zveiter, não importou em aumento de vencimento, mas, sim, de reajuste, tendo como fundamento a inconstitucionalidade, já reconhecida, do artigo 5º da Lei 1.206/1987, não havendo que se falar em nulidade do referido ato por suposta afronta ao art. 21, parágrafo único da Lei Complementar nº 101/2000 e artigo 169, §1º, I e II da CRFB.

Desta forma, em observância ao princípio constitucional da isonomia, os serventuários que não integraram o polo ativo da Ação Ordinária nº. 002420-36.1988.8.19.0000 fazem jus ao reajuste de 24% em seus vencimentos, bem como à percepção das diferenças, a serem pagas de uma única vez.

Nesse sentido:

Apelação cível. Servidor público. Pretensão de incorporação do reajuste de 24% aos proventos, com pagamento retroativo das diferenças. Afastadas as preliminares de perda do interesse de agir e de violação à coisa julgada. Pleito autoral que não foi objeto de total concessão administrativa.

Ação anterior, proposta pelo sindicato como substituto processual, não faz coisa julgada aos substituídos quando improcedente. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça. No mérito, questão sub judice submetida a Incidente de Uniformização de Jurisprudência (nº 0064836-60.2012.8.19.0000), apreciado pelo Órgão Especial. Tese firmada no sentido da incorporação do reajuste e do pagamento das diferenças retroativas em parcela única, compensados valores já quitados e observada a prescrição quinquenal, a contar da propositura de cada demanda. Sentença que se coaduna à tese estabelecida. Negado seguimento ao apelo, na forma do art. 557, caput, do Código de Processo Civil. (0293037-75.2012.8.19.0001 - APELACAO / REEXAME NECESSARIO; DES. CLAUDIA TELLES DE MENEZES - Julgamento: 11/12/2013 - SEGUNDA CAMARA CIVEL).

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DECISÃO MONOCRÁTICA. REAJUSTE DOS SERVIDORES DO PODER JUDICIÁRIO. PEDIDOS DE IMEDIATO PAGAMENTO DA TOTALIDADE DO PERCENTUAL DE 24% E DE ATRASADOS DESDE MARÇO DE 1987. Julgamento da Uniformização de Jurisprudência 0064836-60.2012.8.19.0000 pelo Órgão Especial deste Tribunal em 02/12/2013, no sentido de que em respeito ao princípio constitucional da isonomia, os serventuários que não integraram o polo ativo da Ação Ordinária nº 002420-36.1988.8.19.0000, fazem jus, a exemplo dos autores da referida ação, do pagamento efetuado ao reajuste de 24% em seus vencimentos, bem como à percepção das diferenças, devidamente corrigidas desde a data do pagamento efetuado àqueles, compensando-se os valores já quitados, por força do Processo Administrativo nº 2010.259214, observada a prescrição quinquenal, a contar da propositura de cada demanda, bem como, as condições pessoais e funcionais de cada serventuário, incidente imposto de renda e verbas previdenciárias por se tratar de diferenças vencimentais. Revisão de posicionamento em atendimento aos artigos 479 do CPC e 103 do Regimento Interno do TJRJ, adequando-se à uniformização de jurisprudência. Sentença que se confirma, com base no artigo 557 do CPC. (0386863-58.2012.8.19.0001 - APELACAO / REEXAME NECESSARIO; DES. MARIA AUGUSTA VAZ - Julgamento: 06/12/2013 - PRIMEIRA CAMARA CIVEL).

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. DIREITO CONSTITUCIONAL. REAJUSTE DE 24% AOS SERVIDORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. CABIMENTO. ÓRGÃO ESPECIAL QUE CONCLUIU O JULGAMENTO DO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO, TENDO A EMENTA JÁ SIDO PUBLICADA COM O SEGUINTE TEOR (04/12/13): “Em respeito ao princípio constitucional da isonomia, os serventuários que não integraram o polo ativo da Ação Ordinária nº. 002420-36.1988.8.19.0000 fazem jus, a exemplo dos autores da referida ação, ao reajuste de 24% em seus vencimentos, bem como à percepção das diferenças, a serem pagas de uma única vez, devidamente corrigidas desde a data do pagamento efetuado àqueles, compensando-se os valores já quitados, por força do Processo Administrativo nº. 2010.259214, observada a prescrição quinquenal, a contar da propositura de cada demanda, bem como as condições pessoais e funcionais de cada serventuário, incidente Imposto de Renda e verbas previdenciárias por se tratarem de diferenças vencimentais”. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO, COM FULCRO NO ART. 557, §1º-A, DO CPC. (Apelação nº 0249501-14.2012.8.19.0001; DES. MARCIA ALVARENGA - Julgamento: 18/12/2013 - DECIMA SETIMA CAMARA CIVEL).

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Em suma, não se trata, assim, de o Poder Judiciário conceder aumento de vencimentos de Servidores Estaduais, sem lei que o justifique, mas sim de determinar mero cumprimento da Lei Federal, o que está dentro de sua competência, não havendo o que se falar em violação ao princípio constitucional da separação dos poderes.

Quanto à alegação de violação da Constituição Federal no tocante à vedação de equiparação salarial, prevista desde a Constituição de 1969, sem razão o agravante, na medida em que a demanda não se funda no deferimento do direito à equiparação, mas de violação da norma constitucional diretamente ao patrimônio jurídico da agravada. Ademais, se o reajuste concedido pela Lei 1.206/87 foi geral e incondicionado, não se justifica o seu pagamento apenas a pequena parcela de servidores, especialmente considerando que a isonomia é um dos princípios basilares do Estado Democrático de Direito.

Também não sustenta a tese do agravante de violação ao limite subjetivo da coisa julgada, porquanto, como já ressaltado, a Lei Estadual nº 1206/87 foi declarado inconstitucional pelo Órgão Especial, com efeito erga omnes, frente ao disposto no artigo 103 do Regimento Interno deste Tribunal.

No tocante ao percentual de 24%, este foi apurado em liquidação de sentença, já compensados os reajustes no período.

Quanto aos juros e correção, a decisão merece reparo.

Este relator, seguindo a orientação desta Câmara e o decidido pela Corte Especial do STJ, no Recurso Especial 1.205.946/SP, vinha entendendo pela aplicação imediata da decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nas ADIs n.º 4.357-DF e 4.425-DF, que declarou a inconstitucionalidade por arrastamento do artigo 5º da Lei n.º 11.960/2009, que dava nova redação ao artigo 1º-F da Lei n.º 9.494/1997.

Nesse sentido:

“APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. EXCESSO. JUROS DE MORA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97. NOVA REDAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO DO ART. 5º DA LEI Nº 11.960/09. O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento das ADIs 4357/DF e 4425/DF, que a Fazenda deve pagar, em seus débitos, percentual de juros igual ao que cobra quando está na condição de credora, ao mesmo tempo em que a correção monetária do principal não se atrela ao índice de remuneração básica da caderneta de poupança”. (Apelação nº 0370409-37.2011.8.19.0001; DES. MILTON FERNANDES DE SOUZA - Julgamento: 09/12/2013 - QUINTA CAMARA CIVEL).

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“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. FIRME JURISPRUDÊNCIA DESSE TRIBUNAL NESSE SENTIDO. DESCABIMENTO DA INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE A REFERIDA GRATIFICAÇÃO. DEVER DO ESTADO DE REPETIR O QUE A AUTORA PAGOU INDEVIDAMENTE, OBSERVADA A PRECRIÇÃO QUINQUENAL. JUROS DE MORA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO DO ART. 5º DA LEI Nº 11.960/09, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97, REALIZADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO BOJO DAS ADIs 4357/DF E 4425/DF, OPORTUNIDADE EM QUE SE ASSENTOU QUE A FAZENDA DEVE PAGAR NOS SEUS DÉBITOS O MESMO PERCENTUAL DE JUROS QUE COBRA QUANDO ESTÁ NA CONDIÇÃO DE CREDORA, TENDO SIDO, AINDA, AFASTADA A CORREÇÃO MONETÁRIA PELO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO BÁSICA DA CADERNTEA DE POUPANÇA. JUROS DE MORA QUE NO CASO EM TELA DEVEM INCIDIR NA FORMA DO ART. 161 DO CTN. PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO, NOS TERMOS DO DISPOSTO NO ART. 557, §1º-A DO CPC. DE OFÍCIO, DETERMINO QUE OS JUROS DE MORA INCIDAM A CONTAR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO DE MÉRITO, NA FORMA DO VERBETE 188 DA SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.” (APELACAO / REEXAME NECESSARIO nº 0001394- 83.2010.8.19.0035 - SEGUNDA CAMARA CIVEL – 1ª Ementa - Rel. DES. PAULO SERGIO PRESTES - Julgamento: 11/06/2013). (grifei).

“(...) 8) Modificação em parte da sentença, em sede de reexame necessário, no tocante à incidência de correção monetária e de juros de mora nas diferenças de remuneração devidas à parte autora. Inconstitucionalidade por arrastamento de parte do artigo 1º-F da lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, declarada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade nº 4.357/DF e 4.425/DF. Diferenças remuneratórias que deverão ser corrigidas monetariamente e acrescidas de juros de mora na forma da redação originária do artigo 1º-F da Lei n.º 9.494/1997. 9) Provimento parcial do recurso, na forma do art. 557, §1º-A, do CPC. Sentença que se modifica em parte em sede de reexame necessário”. (0147748-29.2003.8.19.0001 - APELACAO / REEXAME NECESSARIO; DES. HELENO RIBEIRO P NUNES - Julgamento: 03/12/2013 - QUINTA CAMARA CIVEL). (grifei).

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Ocorre que o STJ, na ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 1.270.439/PR, em agosto de 2013, interpretando os votos proferidos pelos insignes Ministros da Suprema Corte quanto à declaração de inconstitucionalidade parcial por arrastamento do art. 5º da Lei 11.960/09, assentou que, nas condenações impostas à Fazenda Pública de natureza não tributária, os juros moratórios devem ser calculados com base no índice oficial de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, nos termos da regra do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com redação da Lei nº 11.960/09, e que a correção monetária, por força da declaração de inconstitucionalidade parcial do art. 5º da Lei nº 11.960/09, deverá ser calculada com base no IPCA, índice que melhor reflete a inflação acumulada do período.

A partir dessas decisões, a jurisprudência deste Sodalício vem se mostrando dividida, na medida em que se observa em alguns julgados o pronunciamento no sentido de que, com a declaração de inconstitucionalidade por arrastamento do art. 5º da Lei nº 11.960/09, impõe-se à observância da redação original do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, enquanto que, em outros, verifica-se a compreensão de que a correção monetária deve ser calculada com base no IPCA, enquanto que os juros devem incidir, a partir da entrada em vigor da Lei 11.960/2009, com base no índice oficial de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, na linha do entendimento assentado no julgamento do REsp 1.270.439/PR pelo E. STJ, sob o rito dos recursos repetitivos.

Face às inúmeras decisões proferidas pelos diversos Tribunais de todo o país na esteira do entendimento firmado pelo E. STF quanto à inconstitucionalidade parcial por arrastamento do art. 5º da Lei nº 11.960/09 foram distribuídas Reclamações perante a Corte Suprema fundadas na alegação de que tais decisões contrariam a decisão cautelar proferida nos autos da ADI 4.357 em julgamento plenário conjunto com a ADI 4.425, a qual teria sido expressa em determinar a aplicação da sistemática anterior de pagamento dos precatórios até que o STF se pronuncie conclusivamente acerca dos efeitos da decisão que proferira na referida ação de controle concentrado de constitucionalidade.

Cabe destacar, por oportuno e relevante, que esse mesmo entendimento tem sido observado em sucessivas decisões proferidas pelos eminentes Ministros da Suprema Corte (Rcl 17.250-MC/SP, Rel. Min. LUIZ FUX – Rcl 17.301-MC/MG, Rel. Min. LUIZ FUX – Rcl 17.487-MC/RJ, Rel. Min. TEORI ZAVASCKI – Rcl 17.286-MC/DF, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Rcl 17.011-MC/RS, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Rcl 17.458-MC/RS, Rel. Min. LUIZ FUX – Rcl 17.343- -MC/DF, Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA – Rcl 17.287-MC/DF).

“Rcl 17503 MC / DF - DISTRITO FEDERAL MEDIDA CAUTELAR NA RECLAMAÇÃO Relator(a): Min. LUIZ FUX Julgamento: 08/04/2014 Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-072 DIVULG 10/04/2014 PUBLIC 11/04/2014.

(...)Ao julgar, em conjunto, as ADIs 4.357 e 4.425, esta Corte declarou que a atualização monetária dos débitos fazendários inscritos em precatórios segundo o índice oficial de remuneração da caderneta de poupança viola o direito fundamental de propriedade (CF, art. 5º, XXII) na medida em que é

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manifestamente incapaz de preservar o valor real do crédito de que é titular o cidadão. Outrossim, decidiu que a quantificação dos juros moratórios relativos a débitos fazendários inscritos em precatórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança vulnera o princípio constitucional da isonomia (CF, art. 5º, caput ) ao incidir sobre débitos estatais de natureza tributária, pela discriminação em detrimento da parte processual privada que, salvo expressa determinação em contrário, responde pelos juros da mora tributária à taxa de 1% ao mês em favor do Estado (ex vi do art. 161, §1º, CTN), pelo que foi declarada inconstitucional parcialmente sem redução da expressão independentemente de sua natureza, contida no art. 100, § 12, da CF, incluído pela EC nº 62/09, para determinar que, quanto aos precatórios de natureza tributária, sejam aplicados os mesmos juros de mora incidentes sobre todo e qualquer crédito tributário.

O Plenário do STF assentou ainda que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com redação dada pela Lei nº 11.960/09, ao reproduzir as regras da EC nº 62/09 quanto à atualização monetária e à fixação de juros moratórios de créditos inscritos em precatórios incorre nos mesmos vícios de juridicidade que inquinam o art. 100, § 12, da CF, razão pela qual se revela inconstitucional por arrastamento.

Na sessão de 24/10/2013, formulei proposta de que tais declarações de inconstitucionalidade fossem dotadas de efeitos retroativos. A deliberação colegiada foi interrompida com o pedido de vista do Ministro Luís Roberto Barroso. Na sessão de 19/3/2014, após o voto-vista do Ministro Roberto Barroso, acompanhando o voto ora reajustado do Relator e propondo medidas de transição, e após o voto do Ministro Teori Zavascki, acompanhando inteiramente o voto do Relator, inclusive com os referidos reajustes, pediu vista dos autos o Ministro Dias Toffoli. Ex positis, tendo em vista que ainda pende de decisão a questão alusiva à modulação dos efeitos da decisão, o que influenciará diretamente o desfecho da presente reclamação, defiro a liminar para suspender efeitos da decisão do Primeiro Juizado Especial da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios nos autos do Processo n° 2013.01.1.049052-5, determinando que os pagamentos devidos pela Fazenda Pública sejam efetuados observada a sistemática anterior à declaração de inconstitucionalidade parcial da EC Nº 62/2009, até julgamento final desta Corte relativamente aos efeitos das decisões nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade. Comunique-se.”

Nessa senda, impõe-se acatar a determinação do E. STF para estabelecer que o débito em questão deva ser corrigido e acrescido de juros de mora em conformidade com o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09.

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Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ARTIGO 1º-F, DA LEI 9.494/97. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL POR ARRASTAMENTO DO ART. 5º DA LEI Nº 11.960/09. DECISÃO PENDENTE DE JULGAMENTO DEFINITIVO QUANTO À MODULAÇÃO TEMPORAL DE SUA EFICÁCIA. MEDIDA CAUTELAR PROFERIDA NA ADI 4357/DF. 1) O STF, em prestígio ao que restou determinado na decisão cautelar deferida nos autos da ADI 4357/DF pelo Min. Luiz Fux, referendada pelo Plenário da Suprema Corte em 24/10/2013, vem se manifestando no sentido de que, enquanto não sobrevier definitiva decisão plenária sobre a modulação temporal de eficácia do julgamento declaratório de inconstitucionalidade proferido nos processos de ação direta previamente referidos, devem ser aplicados os índices de correção monetária e juros de mora em conformidade com o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, em detrimento, inclusive, do que restou assentado no Recurso Especial julgado pelo E. STJ sob o rito dos recursos repetitivos. 2) Tal decisão da E. Colenda Corte tem como fundamento o entendimento de que a fixação de índices diversos daqueles vigentes em momento que precedeu ao julgamento das ADIs 4.357/DF, 4.372/DF e 4.425/DF em condenações impostas à Fazenda Pública por sentenças irrecorríveis, tal como na hipótese, constitui transgressão à autoridade do respectivo julgado. 3) Assim, a correção monetária e os juros de mora sobre o débito exequendo devem incidir na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09. 4)Provimento parcial do recurso. Reforma parcial da sentença, em reexame necessário. 0057854-98.2012.8.19.0042 – APELACAO. DES. HELENO RIBEIRO P NUNES – Julgamento: 03/06/2014 - QUINTA CAMARA CIVEL.

Por tais motivos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para estabelecer a aplicação da correção e dos juros de mora sobre o débito exequendo na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, mantendo-se os demais termos da decisão atacada.

Rio de Janeiro, de de 2014. DES. ANTONIO SALDANHA PALHEIRO

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