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Teoria Económica II Efeitos do Aumento da Concorrência na Oferta e no Consumidor

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Teoria Económica II

Efeitos do Aumento da

Concorrência na Oferta

e no Consumidor

Rui Silva Freire 46422 Hugo Silva 52309

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José Sócrates e Correia de Campos visitam posto de venda

Lista de medicamentos de venda livre vai ser alargada

05.03.2006 - 14h52 Lusa

O número de medicamentos não sujeitos a receita médica à venda fora das farmácias vai ser alargado para responder à procura dos consumidores, revelou hoje o ministro da Saúde, marcando a passagem de um ano sobre o início do processo de liberalização do comércio destes medicamentos.

Correia de Campos e José Sócrates visitaram hoje um posto de venda de medicamentos de venda livre no hipermercado Continente da Amadora.

A lista de medicamentos disponível nestes postos de venda é considerada "muito restritiva" pelos consumidores, disse o ministro que admitiu haver "vários factores e várias áreas que podem ser melhoradas, nomeadamente a lista [de medicamentos] que é possível dispensar neste momento nestas lojas".

O Governo está a analisar "caso a caso, medicamento a medicamento, aqueles que podem vir a engrossar as prateleiras destas lojas".

"Cada medida pode ser aperfeiçoada com base na experiência e esta é uma delas", afirmou o ministro, admitindo ainda a "fragmentação" em duas classes da lista de produtos vendidos sem receita médica. Uma das classes deverá integrar os medicamentos que não colocam quaisquer problemas de segurança e que possam até ser vendidos em lojas mais pequenas.

José Sócrates anuncia aumento dos postos de venda

O primeiro-ministro disse estar convicto de que o número de postos de vendas deste tipo de medicamentos, actualmente 62, se irá alargar.

"Temos a certeza que mais postos de venda irão abrir em benefício do consumidor, garantindo--lhe um acesso mais fácil ao medicamento e condições de concorrência mais acentuadas", salientou.

O primeiro-ministro adiantou que "os primeiros dados da diferença de custos nestes postos de venda e as farmácias tradicionais são bem claros, já que quanto mais concorrência houver os custos têm sempre tendência a descer".

Esta medida – que retirou às farmácias o monopólio do comércio de medicamentos e colocou em confronto o seu Governo e a Associação Nacional de Farmácias – constituiu um compromisso eleitoral do PS e foi anunciada no discurso de posse de Sócrates como primeiro- -ministro, a 12 de Março do ano passado.

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Aumento da Concorrência

Esta notícia fala-nos da liberalização da venda de medicamentos em estabelecimentos não farmacêuticos. Esta medida, como o próprio primeiro-ministro refere, tem como principal objectivo aumentar a concorrência, levando a uma diminuição dos preços e favorecendo os consumidores. Na perspectiva política, é este último objectivo o mais relevante – embora, dentro do possível, o Governo tenha vantagem em agradar tanto à oferta como à procura, acaba por ser mais importante cair na graça dos consumidores.

Os medicamentos vendidos nas grandes superfícies, embora sejam os mesmos, comportam-se como substitutos perfeitos dos presentes nas farmácias, na medida em que as pessoas podem comprar uns em detrimento dos outros. Assim, as farmácias são obrigadas a acompanhar uma baixa de preços que os hipermercados escolham implementar.

Na verdade, esta situação passa por dois vectores fundamentais: o aumento da oferta e a quebra de um monopólio. Destes, o segundo custou ao Governo a ira da Associação Nacional de Farmácias mas enquadra-se dentro daquela que é uma das principais obrigações da governação – travar a existência e criação de monopólios. É, no entanto, sobre o primeiro que vamos debruçar-nos em maior pormenor por estar directamente relacionado com a matéria em estudo na aula.

Embora o primeiro-ministro refira enormes vantagens para os consumidores, parece-nos apropriado fazer uma análise económica da situação e averiguar se realmente se beneficiam os compradores. A variável que nos indica essa vantagem é o Excedente do Consumidor (EC).

Numa primeira análise, mantendo os restantes elementos fixos, constatamos graficamente os efeitos do aumento da oferta. Na figura seguinte indicamos os valores iniciais do Excedente do Consumidor e do Excedente do Produtor (EP). Na medida do possível, o

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ideal é que ambos cresçam. Embora as farmácias pouco possam ganhar com a perda do seu poderio, um aumento do EP indicaria uma vantagem global no mercado da oferta.

S D Q P Q0 P0 S’ Q1 P1

Excedente inicial do Consumidor

Excedente inicial do Produtor

Neste gráfico podemos ainda observar a oscilação nos preços de P0 para P1 e na quantidade transaccionada de Q0 para Q1.

No gráfico seguinte podemos ver as áreas representativas do EC e do EP respeitantes aos novos preços e quantidades.

S D Q P Q0 P0 S’ Q1 P1 Excedente do Consumidor Excedente do Produtor

O aumento do EC é notório, isto não constitui surpresa já que o aumento da oferta e consequente descida de preços tende a beneficiar os consumidores. No caso do Excedente do Produtor, este gráfico sugere também um acréscimo, embora não o possamos garantir, já que estas curvas de procura e oferta foram arbitradas por nós.

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A nossa análise dá razão ao primeiro-ministro. Efectivamente, os consumidores têm a ganhar com esta medida.

Adicionalmente, parece-nos provável um aumento na procura. Os preços mais baixos, a maior acessibilidade aos medicamentos e a sua presença em grandes superfícies de vendas podem levar a população a comprar medicamentos mesmo quando não os necessitam, seguindo a lógica de “não custa ter uns analgésicos em casa”. Este efeito é esquematizável da seguinte forma: S D Q P Q0 P0 S’ Q1 P1

Excedente final do Consumidor

Excedente final do Produtor

D’

Q2

P2

Este aumento na procura gerará um novo equilíbrio com aumento na quantidade, de Q1 para Q2, e aumento no preço de P1 para P2. Estes factores fazem o EP crescer e, embora a subida de preço possa diminuir o EC, o aumento em Q compensa este efeito.

Analisando os principais resultados económicos desta medida prometida por José Sócrates durante a campanha eleitoral, constatamos as suas vantagens para os consumidores e, numa perspectiva mais abrangente, para o mercado. Se tivermos em conta que o Estado está, com esta decisão, a fomentar o aumento da concorrência, estas conclusões não nos surpreendem. Em nossa opinião faz sentido expandir esta medida a outros medicamentos cuja venda possa ser liberalizada.

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