Resumo— Este artigo apresenta estudos sobre a tecnologia IPTV, começando pela motivação que levou ao seu aparecimento, passando pelos vários aspectos técnicos, e o seu dimensionamento no mercado Brasileiro. Na parte técnica do artigo iremos apresentar o funcionamento dos principais protocolos envolvidos na transmissão de áudio e vídeo sobre a rede IP, além de estuda o efeito deles sobre QoS do serviço IPTV. Procuramos também dimensionar o mercado Brasileiro, demonstrando futuros investimentos na tecnologia.
Palavras chave— IPTV, Multicast, Protocolo, QoS.
I. INTRODUÇÃO
A. Principais Motivadores
Com aparecimento da TV digital, abriu-se um leque opcional de serviços, esta digitalização do sinal também proporcionou maior mobilidade e portabilidade do sinal de TV, a multiprogramação é significativa no sistema de TV digital, mas o fator importante é a interatividade que nunca existiu no padrão analógico. O que incentiva os estudos sobre Televisão por IP (IPTV), que é uma plataforma totalmente baseada em software, e tem como meio de transporte de seu conteúdo o protocolo de internet, conhecido também como IP (internet protocol). Outra vantagem oferecida pela IPTV é a constante evolução tecnológica, que acompanham os avanços tecnológicos dos hardwares e softwares dos microcomputadores, garantindo a IPTV novos recursos.
B. Requisitos para Implantação
O IPTV é fornecido para qualquer usuário de banda larga e a infraestrutura para transmissão é composta de codificadores, decodificadores, vídeo e equipamentos de middleware. Para obter uma boa qualidade de transmissão para o usuário é necessário uma banda mínima. Hoje o padrão mais utilizado é o MPEG-2, que demanda entre 3 a 9 Mbps de banda [1].
O serviço de TV sobre IP é provido de maneira fechada por empresas de telecomunicações, da mesma forma que os serviços de TV a cabo. Em geral, o provedor de serviço adota a solução de um determinado fabricante para construir uma infraestrutura de serviço fim-a-fim, compota por codificadores de vídeo, servidores de vídeo ao vivo e sob demanda, plataformas de gerenciamento do usuário e dispositivos de visualização do cliente.
II.PROTOCOLOSDE TRANSPORTE
A. Introdução a Transmissão de Dados
Há três tipos de tráfego em uma rede, Unicast, Broadcast e Multicast. Onde a transmissão Unicast, transmite cópias dos dados para cada usuário que os requer, possuindo um único destino, entrega simples ponto-a-ponto para cada elemento de rede. A transmissão Broadcast é o processo pelo qual se transmite uma informação Para todos os elementos de rede presentes no mesmo domínio de broadcast (subrede). O multicast é um recurso para transmitir pacotes a mais de um endereço ao mesmo tempo, que se diferencia do broadcast comum por transmitir somente para hosts determinados ao invés de para todos os hosts do segmento, recebendo também o nome de 'broadcast seletivo'. Outra vantagem do multicast é que ele pode ser usado em toda uma WAN, empregando o mínimo de banda.O modelo TCP/IP, padrão atualmente usado em todas as redes de computadores, é baseado em 4 níveis: Host/rede; Inter-rede; Transporte; e Aplicação. Este modelo possui cinco camadas, Física, de Enlace, de Rede, de Transporte, de Aplicação. Tendo importância as de enlace, rede, transporte e Aplicação no assunto abordado neste artigo.
B. Protocolos da Camada de Enlace
A camada de enlace é a segunda camada do modelo TCP/IP, é de sua responsabilidade a transmissão e recepção de quadros e também de prover o controle de fluxo através de protocolos definidos a seguir:
PPP – Protocolo de ponto-a-ponto, padronizado através da RFC 1661(1993) com o objetivo de transportar todo o tráfego entre dois dispositivos de rede através de uma única conexão física[2].
HDLC - High-level Data Link Control (ISO 13239), e um protocolo orientado a conexão, ele estabelece, reinicia ou encerra uma conexão, além de permitir a transmissão de dados[3].
ARP - Address Resolution Protocol é um protocolo utilizado para a resolução do endereço da camada de rede em endereços da camada de enlace, uma função crítica no acesso a várias redes. ARP foi definido pela RFC 826 em 1982[4].
Ethernet é uma tecnologia de interconexão para redes muito importante desta camada, padronizada pela IEEE 802.3, ela tem substituído amplamente tecnologias concorrentes. Ethernet divide o fluxo de dados em pacotes individuais chamados quadros, sendo que cada quadro contém o
IPTV: Protocolos Utilizados
Bruno Reis Corrêa
Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel [email protected]
Marcelo Sodré dos Reis
Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel [email protected]
endereços de origem, o de destino e o de verificação de erros de dados, para que os dados danificados possam ser detectados e retransmitidos[5-6].
A camada de enlace tem como função detectar e corrigir erros que acontecem no nível físico. Esta camada é dividida em outras duas subcamadas, o de controle de ligação lógica (LLC), na qual garante uma interface para camada superior (rede); e o de controle de acesso ao meio físico (MAC), que acessa diretamente o meio físico e controla a transmissão de dados. Este é o método usado para passar quadros da camada de rede de um dispositivo para a camada de rede de outro, até que o quadro chegue ao dispositivo destino (placa de rede do cliente).
C. Protocolos da Camada de Redes
A camada de Rede é responsável pelo endereçamento dos pacotes de rede, o datagrama, onde se associa endereços físicos (MAC) a endereços lógicos. A rota que será percorrida pelos pacotes até o destino, também é função dessa camada, de acordo com as prioridades e o estado do tráfego.
O protocolo desta camada mais utilizado atualmente é o IP (Internet Protocol) em sua versão 4, padronizado através da RFC 791 do IETF[7].Este protocolo, assim como os demais desta camada, tem como uma de suas funções encapsular os segmentos provenientes da camada de transporte em um datagrama, e enviá-los para camada de interface de rede para transmissão no meio físico.
Na recepção, o IP recebe um quadro físico de rede (Frame), retira o datagrama e o entrega para a camada de transporte. O serviço de entrega prestado pelo protocolo IP, é definido, tecnicamente, como um serviço de transmissão sem conexão, com melhor esforço e não confiável. O serviço é conhecido como não confiável porque a entrega dos datagramas não é garantida. O IP não se responsabilizará por estas situações, e tratar destes cenários fica a cargo dos protocolos de camada mais alta[8].
D. Protocolos da Camada de Transporte
É da responsabilidade da camada de transporte receber e segmentar os dados enviados pela camada de Aplicação no modelo TCP/IP, assim eles são enviados para a camada de Rede, na qual transforma esses segmentos em datagrama. No receptor, a camada de Transporte realiza o processo inverso, ou seja, recebe os pacotes da camada de Rede e divide em segmentos para enviar à camada de Aplicação. Na tabela seguinte, são apresentadas as principais diferenças entre dois protocolos.
TCP UDP
Confiável Não Confiável
Orientado a Conexão Não orientado a conexão
Retransmissão de segmentos e Sem janelamento ou
controle de fluxo através de janelamento
retransmissão
Sequenciamento de segmentos Sem sequenciamento
Reconhecimento de segmentos recebidos
Sem reconhecimento da chegada de segmentos
Tabela 1. Diferenças mais significativa entre os protocolos TCP e UDP [9].
O protocolo UDP (User Datagram Protocol), é definido pela RFC 768, é um protocolo simples da camada de transporte[10]. A principal função do UDP é a capacidade de multiplexação, por isso a sua importância nos demais protocolos utilizados da tecnologia IPTV, pois permite que múltiplos processos e programas tenham acesso a um sistema de comunicação e o tráfego de dados respectivo a cada um deles seja identificado, separando e utilizando buffers individuais. É também indispensável para fluxos de dados em tempo real, principalmente para vídeos ou voz.
O UDP suporta broadcasting e multicasting e unicasting. Algum tratamento de erro pode ser adicionado por protocolos em outras camadas, mas geralmente aplicações multicast também admitem perda de parte dos pacotes ou fazem retransmissões constantes.
Cada segmento UDP é enviado dentro de um único datagrama IP, e consiste em duas partes: um cabeçalho e uma área de dados. Apesar de o datagrama IP poder ser fragmentado durante a transmissão, a implementação IP do receptor irá reagrupá-lo antes de apresentá-lo à camada UDP no destino.
Por esse protocolo não ser confiável e caso seja preciso de garantias, é preciso um acompanhamento de uma série de estruturas de controle (timeouts, retransmissões, acknowlegments e controle de fluxo)[11].
O Internet Group Management Protocol (IGMP), definido pela RFC 4604, é um protocolo de comunicação usado por hosts e roteadores adjacentes em redes IP para estabelecer as adesões ao grupo multicast. IGMP é uma parte integrante da especificação de IP multicast, ele pode ser usado para streaming de vídeo online e jogos, e permite o uso mais eficiente dos recursos no apoio a estes tipos de aplicações[12].
O protocolo RSVP(Resource Reservation Protocol), é definido pela RFC 2205, projetado para reservar recursos através de uma rede para um IntServ(serviços integrados de Internet), funcionando no topo do protocolo IP. É um protocolo de controle e sinalização, compatível com o ICMP ou IGMP. O RSVP foi projetado para funcionar com os protocolos de roteamento, considerando um único receptor ou um grupo de receptores[13].
Algumas aplicações são direcionadas para apenas um receptor (unicast) enquanto que outras podem enviar dados a mais de um receptor (multicast), sem ter que especificar cada destinatário para a rede. Com o RSVP, a aplicação é capaz de notificar antecipadamente quais os recursos da rede que serão necessários para atender às exigências de QoS da aplicação (sinalização).
E. Protocolos da Camada de Aplicação
A camada de aplicação é responsável por identificar e estabelecer a disponibilidade da aplicação na máquina destinatária e disponibilizar os recursos para que tal
comunicação aconteça. É nesta camada que ocorre a interação micro-usuário.
Os protocolos RTP e RTCP são definidos pela RFC 3550 do IETF (Internet Engineering Task Force)[14].
O protocolo RTP (Real-Time Transport Protocol) foi desenvolvido para o transporte de informações em tempo real. É adequado para o transporte de informações de áudio e vídeo.
O RTP oferece mecanismos que permitem ao receptor fazer o controle das informações enviadas, podendo determinar a sequencia correta dos pacotes enviados e também determinar a variação de atraso inserida pela rede (Jitter). Para realizar estas operações, o RTP faz uso de 3 informações: tipo de dado transportado, timestamps e números de seqüência.
Além disso, o RTP pode ser veiculado por pacotes multicast para encaminhar conversas para destinatários múltiplos[15].
As informações trocadas pelo protocolo RTP são constantemente monitoradas pelo protocolo RTCP (Real-Time Transport Control Protocol). Este protocolo é usado para acrescentar funções de controle na comunicação. Estes pacotes, enviados periodicamente, transportam informações sobre os participantes da comunicação (identificação e localização na rede), além de algumas informações de controle. Estas informações permitem um monitoramento da qualidade da rede (o próprio protocolo RTP possui alguns campos que permitem este controle) além de, em conferências, permitir a monitoração dos participantes (verificação se as fontes ainda estão ativas ou se saíram da conferência)[16].
O protocolo RTSP(Real Time Streaming Protocol) tem como principal característica permitir com que fluxos contínuos de mídia entre duas ou mais partes possam ser controlados de maneira razoável, ou seja ele inicializa, controla e finaliza as sessões de streams de mídia, é definido pela RFC 2326 do IETF[17].
Este protocolo permite o cliente acessar o conteúdo multimídia em stream proveniente de um servidor de mídia. Desta forma, o mesmo terá o controle sobre a reprodução desta mídia podendo efetuar operações como pause, play, interrupção, etc. Uma das grandes vantagens da utilização do RTSP, como protocolo de estabelecimento de sessão de envio de streaming, é a utilização da técnica de Multicast, que permite a diminuição da utilização da banda, evitando a necessidade do envio de múltiplos streams o que é extremamente interessante no cenário de Vídeo sob Demanda[18].
III. QUALIDADEDE SERVIÇO
A. Definição de Qualidade de Serviço
Define-se Qualidade de Serviço (QoS) como a capacidade de transporte de informação pelos elementos da rede com um nível pré-estabelecido, previsível e consistente do desempenho de um serviço, determinando o grau de satisfação do usuário. Esta definição é dada, por exemplo, pela recomendação I.350 do ITU-T[19].
As definições de QoS para uma rede são estabelecidos por exigência de parâmetros de desempenho por parte dos usuários ou do serviço. Para que os elementos da rede possa
assegurar um nível de QoS aceitável, estes devem mapear e negociar estes parâmetros. Alocando e monitorando os recursos necessários, podendo renegociar caso haja alterações do sistema[20].
B. Parâmetros de Desempenho
A indicação dos parâmetros de Qualidade de Serviço necessários ao serviço de IPTV serão indicados através de uma SLA (Service Level Agreement – Solicitação de Nível de Serviços). Onde há um contrato celebrado entre o cliente e a empresa que presta serviço, nele deve haver além dos parâmetros de Qualidade de Serviço, a indicação de como será feita a verificação se os níveis de QoS contratados estão sendo atendidos e também as penalidades a serem aplicadas caso estes níveis não sejam atendidos.
Para que a prestadora de serviço possa garantir a QoS a todos os clientes (conforme especificado em contrato) ela deverá definir uma série de medidas de gerência de rede (Service Level Management). Estas medidas levam em consideração algumas métricas, definidas pela recomendação E.800 da ITU-T tais como[21]:
• Atraso - Tempo gasto pela rede para transportar um pacote do transmissor ao receptor, em milissegundos.
• Jitter - Variação máxima do retardo entre pacotes de um fluxo. Se o atraso mínimo é 1ms e o máximo é 6ms, então o jitter é 5ms.
• Throughput - Taxa de informação que chega e que é entregue por um nodo da rede por unidade de tempo.
• Taxa de Perdas - Pacotes perdidos em relação ao total de pacotes enviados.
• Taxa de Erros - Número de transmissões com erro em relação ao número total de transmissões realizadas.
• Disponibilidade - Indica a capacidade da rede de transportar informações em um determinado instante.
Um projeto baseado em métricas de QoS auxilia as prestadoras de serviço de IPTV a manterem os níveis de serviço solicitados pelos usuários, além de representar uma economia quanto aos aspectos de operação e manutenção da própria rede[22].
C. Técnicas e Implementações
A solução de Serviços Diferenciados(DiffServ), definido pelo IETF através da RFC 2475 , provê QoS em uma rede IP a partir de mecanismos de priorização[23]. Esta solução não faz uso de nenhum tipo de reserva de capacidade da rede, apenas prioriza determinados tráfegos. Ela faz o uso do campo DSCP – Differentiaded Services Codepoint, que foi definido pelo IETF através da RFC 2474[24]. Havendo três tipos de encaminhamento:
• O encaminhamento expresso procura minimizar a perda de pacotes e o atraso, além de garantir a taxa de transmissão. O usuário verifica na rede um comportamento semelhante ao de uma linha dedicada, mesmo nas situações em que a rede estiver sujeita a um congestionamento.
• O encaminhamento assegurado, emula um comportamento semelhante a uma rede com pouca carga mesmo durante a ocorrência de congestionamento. A latência
negociada é garantida com alto grau de probabilidade. Esse mecanismo classifica as informações dentro de um conjunto de 4 classes. Em cada uma dessas classes existem 3 níveis de prioridade. Podendo ter vários parâmetros como referência para a classificação, como endereços de origem e destino, tipo de serviço, protocolo de transporte, etc.
• O encaminhamento por melhor esforço, onde não há nenhum mecanismo de garantia QoS, o mais comum na Internet.
O fato de não serem implementados mecanismos de reserva, além do aproveitamento (com possíveis alterações) de campos do cabeçalho IP, torna esta solução do uso do campo DSCP a mais simples de ser implementada.
A solução de Serviços Integrados (IntServ), é garantida através de mecanismos de reserva de recursos na rede, pelo protocolo RSVP. Através do RSVP o host informa e solicita à rede suas necessidades de QoS, pelo controle de admissão e controle de policiamento. O controle de admissão verifica se o equipamento da rede tem condições de suportar um novo fluxo que demanda serviço, de acordo com as exigências de QoS especificadas no pedido de serviço. O controle de policiamento verifica se o usuário tem permissão administrativa para fazer um pedido de reserva de recursos da rede. Uma importante característica do RSVP em comunicação de grandes grupos multicast é que a reserva de recursos parte do destinatário, ou seja, em uma aplicação IPTV o Set Top Box efetuaria a solicitação de acordo com as suas necessidades.
Vale ressaltar que, diferentemente do Diffserv, a implementação do Intserv depende do suporte do protocolo RSVP por todos os nós da rede, pois nem todos os roteadores oferecem suporte ou não possuem recursos suficientes para esse tipo de conexão. Como o controle é feito basicamente nos roteadores isso exige grande capacidade de processamento, armazenamento e bons algoritmos para tratamento de filas, exigindo um aumento do grau de complexidade nos roteadores. Desta forma, o IntServ não é indicado para redes grandes e tem pouca popularidade.
Os protocolos IntServ e DiffServ podem ser adotados como soluções complementares. Uma alternativa de uso conjunto das duas soluções seria a utilização do DiffServ no backbone na medida em que é uma solução mais leve e o IntServ / RSVP nas redes de acesso, na medida em que provê um bom controle dos requisitos de QoS das aplicações[25].
Multiprotocol Label Switching (MPLS) é uma tecnologia de rede que direciona os dados de um nó para o próximo, baseado em curtas etiquetas de caminho, em vez de longos endereços de rede , evitando pesquisas complexas em uma tabela de roteamento. MPLS pode encapsular pacotes de diversos protocolos de rede, e suporta uma gama de tecnologias de acesso. Esse multiprotocolo não e controlável pela aplicação e independente dos protocolos de rede, sendo residente apenas nos roteadores. O MPLS é padronizado pelo IETF através da RFC 3031[26].
O MPLS é um mecanismo para orientar a engenharia de trafego na rede, ele simplifica a função de roteamento, reduzindo o overhead e a latência dos mesmos.
Com essa redução há a melhoria de condições de operação da rede e isso leva uma melhoria na qualidade de serviço. A operação de uma rede MPLS procura combinar os ganhos do roteamento com os ganhos da comutação. O roteamento traz a facilidade de comunicação com qualquer ponto da rede, bastando indicar o endereço de destino. A comutação traz vantagens relacionadas a garantia de QoS e a facilidade de dimensionamento da rede.
Para que um elemento de rede possa garantir Qualidade de Serviço ele deverá possuir capacidade de priorizar informações a partir do tipo de serviço (na solução de Serviços Diferenciados – DiffServ) ou a partir de uma reserva pré-estabelecida (solução de Serviços Integrados – IntServ). A priorização deverá ser feita nos buffers dos elementos de rede. Os mecanismos para garantir Qualidade de Serviço deverão atuar nestes buffers, procurando controlar o atraso e a perda de pacotes.
A classificação da prioridade das informações pode ser feita tomando como referência o Tipo de Serviço (campo do cabeçalho IP), o endereço de origem do datagrama, o endereço de destino, a aplicação, o protocolo da camada de transporte (TCP ou UDP), o tamanho do pacote (tamanho mínimo ou máximo). Cabe ao administrador da rede escolher o parâmetro mais adequado para a configuração da priorização na rede que está sendo administrada.
IV. REDES CONVERGENTES
A. Definição
Conceito de redes convergentes é realizar a consolidação de diferentes tipos de tráfegos de aplicações em uma mesma rede IP, reduzindo os custos com operação e infraestrutura. O transporte de diferentes tipos de informações na mesma unidade de dados utiliza um único protocolo roteável (geralmente o IP), tendo uma arquitetura de dispositivos de rede que suportam diferentes tecnologias em um mesmo sistema. Nesta arquitetura há três tipos camadas, camada de serviço que é constituída por servidores de aplicação e base de dados que controlam a lógica de execução dos serviços (plataforma de Hardware), camada de controle de chamadas que é responsável pelo estabelecimento, tarifação e supervisão das chamadas, e a camada de acesso e transporte que contém os elementos que compõem o backbone IP das redes convergentes (switches, roteadores e media gateways)[27].
B. Desafios na Implementação de Redes Convergentes
A convergência necessita suportar uma grande variedade de funções de rede, incluindo os tradicionais serviços de transmissão de dados e os mais recentes serviços convergentes. Até a arquitetura básica da pilha TCP/IP deve ser desenvolvida para atender os rígidos requerimentos de crescimento, gerenciamento, segurança e qualidade das NGNs (Next Generation Network). Essas melhorias são a chave para consolidar a convergência das redes.
Outro desafio da NGN é a complexidade de testes para a determinação de problemas e garantia de disponibilidade e performance. Isso é importante para reduzir os custos de
operação, reduzir o número de reparos e melhorar o tempo de re-estabelecimento dos serviços. Possibilitando, o máximo possível, antecipar e evitar a interrupção do serviço, através de um eficiente processo de coleta de eventos e uma constante monitoração da rede.
E por ultimo a falta de regulamentação de parâmetros de qualidade de serviço para esta tecnologia o que afeta. Além deste fato, há duvida de como serão tratadas as questões de interconexão entre as empresas prestadoras dos serviços, e como serão taxados os diferentes serviços que trafegarão nesta estrutura de dados[28].
V. CONCLUSÕES
A. Dimensionamento de Redes para Tráfego de Mídia.
O dimensionamento é um fator importante para tecnologia IPTV, onde tipos de serviços específicos são oferecidos pelo responsável pela geração da mídia, como a transmissão de vídeo e áudio ao vivo, IPTV(ao vivo). Para este serviço, a largura de banda necessária depende do número de canais IP Multicast, processo em que o transmissor oferece somente uma cópia de determinado canal requerido para todos os assinantes. Desta forma é possível racionalizar o uso de banda, evitando com que existam diversas conexões simultâneas para o mesmo fluxo de mídia no servidor. O protocolo usado para esse tipo de serviço e o IGMP, sua função é se conectar a um fluxo multicast (um canal de TV) e mudar de um fluxo multicast para outro (mudança de canal de TV).
No serviço de Video on Demand (VoD), o processo é consideravelmente mais complexo do que o IPTV (live), onde a transmissão era é realizada em multicast. No VoD, dar-se lugar a transmissão unicast, no qual cada cliente tem sua própria cópia oferecida pela rede da geradora de conteúdo. Devido ao fato de cada assinante poder efetuar operações de controlo de reprodução, há a necessidade da existência de um protocolo de controle. VOD usa protocolos UDP ou RTP para o fluxo de dados e o controle é feito usando o protocolo RTSP.
B. Rumos da IPTV no Brasil
No Brasil esta tecnologia ainda tem muito a crescer, hoje apenas uma operadora de TV controla esse tipo de comunicação no país, a TVA, controlada pela empresa Telefônica, que deve assumir o controle de tal ainda este ano de 2012.
A TVA faz parte do novo projeto desenvolvido pela Telefônica Digital, para o segundo semestre de 2012, que tende a expandir o serviço, já que poderá ser distribuída para um milhão de casas que já são cobertas por fibra ótica.
A escolha da IPTV foi um novo modo de seduzir e impressionar os clientes, combinado com um serviço de ultra-banda larga, aproveitando todo entretenimento que este tipo de tecnologia tende a oferecer. Podendo ser utilizada também em várias plataformas, não apenas a um aparelho dedicado [29].
O Brasil está muito competitivo em comparação a países da América Latina, pois importantes operadoras do país já têm presença no setor: Oi, Vivo, Claro e TIM. De 2011 a 2014, as companhias de telefonia móvel do País registrarão US$ 700
milhões em receita de serviços de transmissão IPTV, através de redes como a 3G[30].
VI. AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Mestre Professor Marcelo Carneiro de Paiva pela oportunidade de nos orientar neste estudo, ao Mário Ferreira que nos coorientou, disponibilizando o esclarecimento de dúvidas e pelo empenho do mesmo na exposição dos temas abordados neste estudo. Agradecemos também a FAPEMIG pelo financiamento deste estudo.
REFERÊNCIAS
[1] Yarali, A. and Cherry, A. (2005). Internet Protocol Television (IPTV). Proceedings of the TENCON 2005 - IEEE International Region 10 Conference., pages pp.1–6.
[2] SIMPSON, W.. RFC 1661: The Point-to-Point Protocol. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc1661>. Acesso em: 02 out. 2011.
[3] SIMPSON, W.. ISO/IEC 13239: High-level data link control (HDLC)
procedures. Disponível em:
<http://webstore.iec.ch/preview/info_isoiec13239%7Bed3.0%7Den.pdf> . Acesso em: 02 out. 2011.
[4] PLUMMER, David C.. RFC 826: An Ethernet Address Resolution Protocol. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc826>. Acesso em: 02 out. 2011.
[5] IEEE 802.3: Standard for Ethernet. Disponível em:
<http://www.ieee802.org/3/bh/P802.3.pdf>. Acesso em: 02 out. 2011. [6] INATEL. Arquiteturas e Padrões de Redes: Padrão IEEE 802.3 -
Ethernet. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[7] INFORMATION SCIENCES INSTITUTE UNIVERSITY OF SOUTHERN CALIFORNIA (Marina Del Rey). RFC 791: INTERNET PROTOCOL. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc791>. Acesso em: 02 out. 2011.
[8] INATEL. Protocolo IP: A Camada Inter-Redes - Protocolo IP. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[9] PORTAS TCP e UDP Disponível em:
<http://desmontacia.wordpress.com/2009/04/17/35/>. Acesso em: 02 out. 2011.
[10] POSTEL, J.. RFC 768: User Datagram Protocol. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc768>. Acesso em: 02 out. 2011.
[11] INATEL. Protocolo UDP: Formato do Datagrama UDP. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[12] H. HOLBROOK. RFC 4604: Using Internet Group Management Protocol Version 3 (IGMPv3) and Multicast Listener Discovery Protocol Version 2 (MLDv2) for Source-Specific Multicast. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/IPTV>. Acesso em: 29 jan. 2012. [13] BRADEN, R. et al. RFC 2205: Resource ReSerVation Protocol (RSVP).
Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc2205>. Acesso em: 25 nov. 2011.
[14] SCHULZRINNE, H. et al. RFC 3550: RTP: A Transport Protocol for
Real-Time Applications. Disponível em:
<http://tools.ietf.org/html/rfc791>. Acesso em: 02 out. 2011.
[15] INATEL. Protocolos para o Transporte de Mídia: Protocolo RTP. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[16] INATEL. Protocolos para o Transporte de Mídia: Protocolo RTCP. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[17] SCHULZRINNE, H. et al. RFC 2326: Real Time Streaming Protocol (RTSP). Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc2326>. Acesso em: 02 out. 2011.
[18] INATEL. Protocolo RTSP: Introdução. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[19] CCITT. Itu. Recommendation I.350: GENERAL ASPECTS OF QUALITY OF SERVICE. Disponível em: <http://www.itu.int/itu-t/recommendations/index.aspx?ser=I>. Acesso em: 21 nov. 2011. [20] PINHEIRO, José Mauricio Santos et al. Métricas de Qualidade de
Serviço em Redes de Computadores: Definindo QoS. Disponível em: <http://www.projetoderedes.com.br/artigos/artigo_metricas_qos_em_red es.php>. Acesso em: 21 nov. 2011.
[21] ITU-T. Itu. Recommendation E.800: Definitions of terms related to
quality of service. Disponível em:
[22] INATEL. Qualidade de Serviço em Redes IP: Conceitos de Qualidade de Serviço. Santa Rita do Sapucaí: Inatel, 2011.
[23] BLAKE, S. et al. RFC 2475: An Architecture for Differentiated Services. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc2475>. Acesso em: 25 nov. 2011.
[24] NICHOLS, K. et al. RFC 2474: Definition of the Differentiated Services Field (DS Field) in the IPv4 and IPv6 Headers. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc2474>. Acesso em: 25 nov. 2011..
[25] MARQUES, Mauricio Ronei. QUALIDADE DE SERVIÇO EM IPTV: GARANTIA DE ENTREGA E PRIORIZAÇÃO DE PACOTES. Disponível em: <http://pt.scribd.com/leti_sales_1/d/60356598/56-DIFFSERV-e-INTSERV>. Acesso em: 25 nov. 2011.
[26] ROSEN, E. et al. RFC 3031: Multiprotocol Label Switching Architecture. Disponível em: <http://tools.ietf.org/html/rfc3031>. Acesso em: 25 nov. 2011.
[27] ARTIGAS, Fernando Cavalheiro de Oliveira; NUNES, Gustavo Henrique Campos. Redes NGN: Desafios e Serviços para Convergência:
Redes NGN: Conceitos. Disponível em:
<http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialngnconverg/default.asp>. Acesso em: 23 jan. 2012.
[28] NASSIF, Antônio Teófilo; SOARES, Antonio José Martins. Convergência das Redes de Comunicação: Aspectos Técnicos e
Econômicos. Disponível em:
<http://www.scielo.cl/pdf/rfacing/v13n2/ART02.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2012.
[29] INTERHOME; SOARES, Antonio José Martins. TVA DETALHA INVESTIMENTO DE R$ 123 MILHÕES EM IPTV. Disponível em: <http://interhome.com.br/tva-detalha-investimento-de-r-123-milhoes-em-iptv>. Acesso em: 11 fev. 2012.
[30] BRASIL será líder em transmissão IPTV Disponível em: <http://olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/brasil-sera-lider-em-transmissao-iptv>. Acesso em: 11 fev. 2012.