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Proposta de aplicação de uma assistência integral à mulheres da terceira idade internadas em um asilo de Florianópolis

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(1)

CENTRO DE CIENCIAS DA SAUDE

CCSM

N-Ch="fl~ TCC UFSC ENF 0060

TCC

Autor: Silva, Yolanda Flø

UFSC Título: Proposta de aplicação de uma ass

E025 IIIIII III III I IINIII il III III II

Em 972513134 Ac. 240123

E×.1 uffsc Bsccsm ccsM

TÍTULO: PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE UMA ASSISTENCIA

INTEGRAL

A

MULHERES DA TERCEIRA IDADE II1 TERNADAS EM UM ASILO DE FLORIANÓPOLIS

YOLANDA FLORES E SILVA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM - ENSINO INTEGRADO

VIIIa. UNIDADE CURRICULAR - ENFERMAGEM ASSISTENCIAL APLICADA

FLORIANÓPOLIS MARÇO - 1986

(2)

INTEGRAL A MULHERES DA TERCEIRA IDADE Ig TERNADAS EM UM ASILO DE FLORIANOPOLIS.

(3)

I-

II - III - IV _ V _ PÁG INTRODUÇÃO . . . . .. 01 1.1 - A Instituição . . . . . . . . . .. O2 1.2 - População . . . . . . . .. 03 1.3 - Funcionários . . . . .. 04 1.4 - Justificativa Teõrica . . . . . . .. O5 OBJETIVOS . . . . .. 15 2.1 - Objetivo Geral . . . . .. 15 2.2 - Objetivos Específicos . . . . _. 15 CRONOGRAMA . . . . . . . . . . . .. 24 3.1 - Cronograma Geral . . . . .. 24

3.2 - Específico para as Atividades de Estagio 25

coNcLUsAo . . . 27

(4)

Este projeto foi elaborado com o intuito de apresen

tar uma proposta de assistência de enfermagem, sendo exigên

cia curricular da disciplina ÍNT 1108 - VIIIa. Unidade Curri

cular, intitulada Enfermagem Assistencial Aplicada. Esta uni dade possui a peculiaridade de náo possuir conteúdo especi

fico, sendo que o aluno terá livre escolha de campo e área de estágio, assim como do orientador, para juntos desenvoi

verem um projeto de assistência.

Na área escolhida o aluno deverá ser capaz de plane

jar, executar e avaliar uma assistência individual e/ou de

grupos, aplicando os conhecimentos teõrico-práticos adquiri

dos durante o curso.

A carga horária compreenderá 300 horas, sendo que 80

horas sáo para planejamento (O3/03 - 14/03), " apresentação

dos projetos (17/03 - 21/03) e dos relatórios (23/06 -

27/O6); 220 horas sao para o estágio prático de 4 horas diá rias por aluno (24/O3 - 12/06).

As atividades poderão ser desenvolvidas em institui

çoes hospitalares ou nao, desde que possa ser prestada assis tência de enfermagem individual e/ou coletiva.

(5)

-

O estágio aqui proposto está vinculado a área "Saude Individual e Coletiva na Comunidade", sendo executado em uma instituição que alberga mulheres na terceira idade. Será exe cutado por apenas um estagiário e contará com a supervisão e

orientação da enfermeira e professora Leony Lourdes Claudino

dos Santos. Terá como objetivo principal a promoção e o res

tabelecimento da saúde, a prevençao de doenças e o alívio do sofrimento.

1.1 - A Instituição

A "Casa da Vovô" pertencente a Sociedade Espírita

Obreiros da Vida Eterna (SEOVE), abriga mulheres da terceira idade a partir dos 60 anos, podendo ser aceita com menos ida de desde que constatada a real necessidade de abrigo, sendo estas mulheres desprovidas de recursos financeiros e sem al

guêm que queira ou possa assisti-las.

A instituição se localiza no Campeche e atende prin

cipalmente as mulheres daquela comunidade e de outras que se localizam nas proximidades (Rio Tavares, Ribeirão da Ilha, Armação, Costeira do Pirajubaë, etc.).

Para poder ingressar no asilo faz-se necessário a va

ga de leitos, atestado de saúde e de falta de recursos para

o cuidado a domicílio (embora existam 2 ou 3 casos em que a

família tem condições de sustento). A sua prestação de servi ços independe de raça, cor, crença política e religiosa (a

maioria das mulheres são católicas). Seu sustento ocorre através de contribuições de associados, doações particulares

(6)

e do poder público e das "magras" aposentadorias de algumas das abrigadas.

A planta física compreende uma ârea com bancos na frente da casa, um salão de estar e jantar sem separação de ambientes, 3 quartos pequenos onde dois têm 3 camas e l com

uma cama apenas, l salão com 21 camas sem divisõrias, 4 ba

nheiros, cozinha, dispensa, lavanderia com uma área onde se

estendem roupas em períodos de chuva. No momento foram cons truídas novas dependências para cozinha, dispensa e refeitê

rio, sendo que na atual cozinha ficará uma cama para receber

doentes em estado grave.

O terreno ao redor possui também uma casa que serve para guardar frutas, verduras e carnes, tendo um quarto onde abriga o único homem que reside no asilo. Há também uma ter ceira casa que serve de instalaçao para um clube de maes e

uma pequena farmácia, com medicamentos alopâticos e homeopã

ticos. Na entrada encontra-se um prédio maior que serve de creche a 70 crianças. De uma forma geral existe bastante es paço que poderia ser aproveitado para hortas e jardins mas

infelizmente estao sem aproveitamento.

1.2 - População

Atualmente é constituída de 28 mulheres, todas consi deradas sem abrigo ou recursos financeiros para viverem sozi nhas. A maioria ainda tem parentes vivos que não as querem

mais e nenhuma relatou opção de escolha na hora de serem le vadas a instituição (um número expressivo alega que foram

(7)

enganadas pelos parentes, achavam que iam para um hospital). A faixa de idade está entre 45 e 95 anos, sendo que

a maioria fica entre os 60 e 80 anos. Embora a instituição não aceite senhoras com problemas graves de saúde, todas elas apresentam algumas complicações que vão desde hiperten

são, diabetes, prolapsos uterinos e de reto, paraplegia, per

da de visão, pruridos pelo corpo, alergias e assaduras nos

seios e virilhas.

A falta de assistência médica e de enfermagem asso ciada a depressão e a falta de atividades, agrava ainda mais

o quadro em que se encontram as idosas. A maior parte do tem po permanecem apáticas, sem conversar muito entre si, de uma forma geral esperam com temor a morte.

Quando uma interna adoece todas as outras ficam teme rosas por si mesmas, cada visita ao médico ou internação hos pitalar as deixa amendrontadas e apreeensivas quanto ao futu

ro.

A monotonia ë uma constante entre elas, seu dia-a- dia fica dividido entre alimentação, higiene, cochilos nas cadeiras e camas; á situação sô se modifica com as visitas que sao esperadas com grande expectativa, principalmente os parentes.

l.3 - Funcionários

Estes sao em número de 7, trabalham oito horas por

dia nos horários das 7:00 - l7:00, 12:00 - 20:00 e de 20:00

(8)

plantão noturno l vez/mês (os que trabalham durante o dia). Todos os funcionários sao mulheres que moram próximo ao local de trabalho, com idade que varia de 15 a 40 anos. Quanto a rotatividade a que tem mais tempo de serviço comple tou 12 anos de casa e a mais nova jë está trabalhando há l

ano.

Apesar de serem pessoas sem preparo técnico ou espe cializado, aparentemente parecem satisfeitas com seus servi ços, embora não saibam como proceder e agir em determinadas situações.

Suas funçoes consistem em fazer a alimentaçao, cui dar da limpeza e prestar cuidados diretos com as internas (limpeza, troca de roupa, administração de medicamentos ,

etc). A mais antiga na instituiçao cuida também da parte ad ministrativa, principalmente do controle de alimentos (com pras), medicamentos, etc.

Estas pessoas estão subordinadas diretamente a Presi dente da instituiçao e demais membros que formam o Conselho

da Sociedade (SEOVE).

l.4 - Justificativa Teórica

A assistência será baseada na teoria do auto-cuida

do de Dorothea Orem e na de Wanda de Aguiar Horta que preco niza o atendimento das necessidades humanas básicas.

O próprio conceito de enfermagem dado por HORTA, en globa a necessidade do auto-cuidado proposta por OREM, como

(9)

assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades bã sicas, de tornã-lo independente desta assistência quando pos sível, pelo ensino do auto-cuidado; de recuparar, manter e

promover a saúde em colaboraçao com outros profissionais"

(10). OREM por sua vez, considera que o auto-cuidado poderá

ser possível a partir de conhecimentos, experiências e com

preensao das atividades que os indivíduos desempenharao em benefício prõprio, no sentido de manter a saúde e o bem es

tar (15).

A intensao de basear a assistência de enfermagem nes tas duas Teorias, em um asilo, deve-se ao fato que essa ins tituição apresenta mulheres da terceira idade; sendo que al gumas poderao praticar o auto-cuidado e orientar outras is

ternas. Ao passo que as totalmente dependentes e sem perspes

tiva de promover em si o auto-cuidado, serão neste caso ints

gralmente assistidas a fim de serem suas necessidades bãsi cas atendidas.

.-_. A

Entendemos que a aplicaçao da assistencia de enferms

gem planejada no atendimento de mulheres idosas internadas em um asilo, venha minimizar vários problemas a que estão sujeitos e que estao relacionados com vários fatores, entre os quais:

l) Marginalização do idoso dentro da sociedade, ses

do a condiçao da mulher idosa mais marginalizada ainda, vis to que durante toda a vida teve que lutar contra preconcei

tos e autoridades que sempre lhes foram impostos, nao cessas

do os mesmos com a velhice, muito pelo contrário, ocorrendo um agravamento da situação;

(10)

2) A falta de interesse dos profissionais da saúde

em trabalhar com idosos;

3) As condições precárias de atendimento a saúde in

dividual e coletiva das mulheres, faltando pessoal treinado e/ou especializado em geriatria e gerontologia para presta

ção de cuidados relativos a:

- exercícios, estimulação e recreação; - nutrição;

- odontologia;

- psicologia e psiquiatria; - assistencia social, etc.

Não se pretende substituir estes profissionais e nem

tão pouco realizar suas atividades, porém através do diagnõã

tico destas necessidades, entrar em contato com os mesmos e

levá-los a instituição ou receber orientações sobre alguns procedimentos elementares que poderão amenizar neste instan te mais imediato, os problemas levantados nas distintas áreas.

A idéia ë promover uma assistência voltada não sõ pa ra os aspectos físicos, mas interrelacioná-los com fatores psíquicos, sõcio-culturais e ambientais.

Para entender todos estes aspectos citados, faz-se necessário conhecer os conceitos de geriatria e gerontologia

que muitas vezes são confundidos e colocados como semelhan

tes. Isto ë totalmente imprõprio, uma vez que, estudam a ve

lhice em aspectos distintos, embora possam ser relacionados. GOMES (9 ), classifica a gerontologia em básica e so

(11)

focando a biofisiologia, a genética, a imunologia e o enve

lhecimento a níveis celular e sub-celulaffi a social "cuida das leis que protegem os velhos, de suas internaçoes, de seu relacionamento na sociedade, na família e mesmo entre si, es tabelecendo programas de recreação, ocupação do tempo livre

e até mesmo de aprendizado". Na gerontologia social ë onde estao integrados a maior parte de profissionais tanto da saÊ de como de outras áreas, que trabalham em instituiçoes espe cíficas da terceira idade.

No que se refere a geriatria, GOMES ( 9) classifica

em 4 grupos: a preventiva, a clínica e a paliativa. A defini

ção de geriatria geral envolve os cuidados das enfermidades em idosos; a preventiva ensina e orienta a prevenção de pro blemas comuns na velhice; a clínica corresponderia ao trata mento hospitalar e a paliativa ao atendimento de doentes crê nicos. SCHNEIDER (19) define a geriatria clínica, como "obje

to de estudo de geriatria (clínica) - são as doenças dos

pacientes idosos e, muitas vezes não facilmente isolãvel des

tas, o envelhecimento de diferentes sistemas orgânicos". Poderíamos ainda citara geronto-psiquiatria que prg cura atender aos idosos com problemas psíquicos, estando in timamente ligados a estes problemas sociais.

O importante seria que não houvesse uma separação entre os problemas de saúde e tudo mais que acompanha o ido

so. Para que realmente se possa prestar uma assistência ge riãtrica, deve-se dar uma atenção integral ao ancião, estan do ele doente ou apenas com problemas de ordem social e/ou familiar. Para FERREIRA & MUSSE (7 ) "imperiosa se torna a

(12)

necessidade de estruturar a assistência geriátrica“, sendo que, "não pode existir uma geriatria teórica, filosófica ,

A ~

academica, inoperante, desligada da situaçao real médico-so

cial dos idosos".

Pensando justamente em assistir o ancião no seu to

do, respeitando suas individualidades e mantendo uma rela ção pessoa-a-pessoa honesta, é que a enfermagem poderá atuar

nesta área atendendo as necessidades médicas e sociais. Ou

seja, o enfermeiro pode entrar e sair tanto na geriatria

quanto na gerontologia. Infelizmente a educação deste enfer

meiro ainda deixa muito a desejar com relação a estes cam pos, visto que durante o curso de enfermagem muito pouco é

dado sobre o processo de envelhecimento, e há ainda uma vi sáo muito deturpada a respeito das questões que envolvem os velhos a até mesmo sobre os profissionais que se dedicam as áreas citadas.

BURNSIDE (5 ), coloca que "enfermeiros geriátricas..

muitas vezes sentem-se como enfermeiros de segunda classe e

pensam que nao sao hábeis para trabalhar em um ambiente de hospital geral. Seu salário é muitas vezes inferior ao de outros enfermeiros. O mito de que não se precisa ter habili

dade ou perícia para cuidar de pessoas idosas, ainda prevale

ce". Refletindo em cima das colocações da autora é que perce

bemos que o preconceito aos idosos se estende aos profissio

nais que trabalham na área, sendo que estes preconceitos en volvem principalmente a questão da competência profissional.

No entanto, através de relatos de enfermeiros que atuam em asilos e também do que consta em diversas bibliogra

(13)

além da área médica, envolvendo-se com a psiquiatria, a saú de pública, a nutriçao e outras áreas que direta ou indireta

mente podem influenciar na melhoria da qualidade da assistên

cia a ser prestada.

E porque preocupar-se com o velho? Nõs não somos um país de jovens?

A respostas poderão ser encontradas nas próprias per guntas se analisarmos profundamente o que esta acontecendo nos últimos anos. "As estatísticas mostram que o número de

pessoas com mais de 60 anos vem aumentando significativamen te, principalmente nos países desenvolvidos. A projeção ë de que entre 1970 e 2000<>número de idosos passará de 300 para mais de 580 milhões". Ou seja, o número de idosos aumenta a

cada dia e com o controle da natalidade rigoroso que ë fei to em alguns países, ê provável que breve o número de jp vens seja inferior ao número de idosos, como já ocorre em alguns países europeus e aqui vizinho ao Brasil no Uruguai.

Outro ponto a ser considerado ê que enquanto, estes

números não se elevam, faz-se necessário uma repensada .nas

atitudes das pessoas e das sociedades no tratamento e na assistência dada aos que entraram nesta terceira fase da vi

da.

FERREIRA & SANTOS (8 ) intitulam a nossa sociedade

de pré-figurativa, onde o problema do velho ë mais acentuado porque "na nossa sociedade o ancião perdeu a importáncia,não

tem mais autoridade, nem reconhecimento dos mais jovens". Os autores ainda colocam que por estes motivos é que a problemá

(14)

vívio normal do trabalho com a aposentadoria e ao mesmo tem po a sociedade lhe impõe como deve viver, pensar e até mes mo morrer. O homem se torna improdutivo para o meio onde es tá inserido e portanto deve ser excluído.

Simone De Beauvoir citada por CANOAS (6 ) descreve a velhice e diz como o homem ê afastado da produtividade, havendo consequências psicológicas e mudanças na relação do homem com o tempo e o espaço e portanto mudanças em sua pr§ pria história. Analisando a histõria da vida do homem, veri fica-se que na verdade ele náo se retira de suas atividades por livre e espontânea vontade, ele ë colocado de lado e

obrigado a se afastar, sob a alegação de que já fez o que tinha de fazer e que o seu tempo já expirou.

Outro ponto imposto ao velho ë que ele deve ter uma imagem e deve assumi-la integralmente; novamente Simone de Beauvior citada por MARRASCH (ll) coloca que a sociedade for

ja uma imagem do velho e esta imagem náo o considera como hu

mano, "mas como uma coisa que nada pode reivindicar, nem me lhores condições de vida, nem amor, nem ciúme, nem sexuali dade". Com relação ao amor e a sexualidade na velhice, OL; VEIRA (13) faz as seguintes indagações: "Porque ê que um ca

sal de velhos se namorando, se amando, choca como se estives se praticando uma ofensa aos bons costumes? Porque sexo na velhice, quando náo ë motivo de piada, desperta um sentimen to que beira o horror?". A autora mesmo responde, explicando que o problema esta no fato de ligarem o sexo a vida e a ve

lhice a morte.

(15)

rie de contratempos, infortünios e toda sorte de coisas ruins, imaginem o que ocorre com a mulher que sempre foi con siderada o sexo sem cérebro, o seu lado materno parecendo

ser a única cousa plausível para determinadas sociedades.

Para BEAUVOIR ( 3), as crises da idade sao sentidas

de forma mais brutal pelas mulheres, porque a cada fenômeno fisiológico ela é lembrada que está ficando mais velha e os seus atributos físicos muitas vezes são determinantes para a

sociedade de que serve ou não, para esta mesma sociedade. Es tas fases decisivas são a puberdade, a iniciação sexual e a

menopausa. Sendo que a menopausa, é considerada o marco para

a chegada da velhice. Aos olhos da sociedade e aos seus pré prios olhos, as mulheres acham que perderam todo o encanto erõtico, além da fecundidade. Isto é sentido principalmente

pelas mulheres que se dedicaram sõ ao lar, marido e filhos ;

aquelas que trabalham fora do lar muitas vezes acolhem com alívio o fim da menstruação, sentem-se mais livres para tra balhar e também no relacionamento sexual com seus companhei

ros. Infelizmente este 29 grupo ainda é pequeno, nas socie dades ainda prevalecem as mulheres "do lar", seja por opção ou pela ordem de seus pais e maridos. Para algumas mulheres

permanece a menopausa como símbolo de mutilação.

Outro fator que faz a mulher sentir o envelhecer é

quando descobre que os filhos já são independentes e que não mais precisam dela para saber o que fazer, o que vestir ou

o que comer. Para as mulheres que fazem dos filhos a sua me ta de vida, este é um momento de morte, dor e mutilaçao. A

(16)

dos pais, ele se sente definhar, seus objetivos estao chegan do ao fim, nada mais importa, a velhice precoce e improduti

va esta implantada (se ela nao fizer nada para mudar este

quadro) em toda extensão pejorativa que o termo reflete. A perda dos familiares, principalmente do companhei ro e de amigos, pode ser um fator predisponente muito «dorte

Q.

para a mulher perder seu ponto de referencia na sociedade. BENGTSON & HABER M) pmgmmtmm”o que acontece quando um indivi duo atinge 70 ou 80 anos e a maioria de seus amigos já fale ceram?". E um caso para reflexão e que merece a máxima consi

deração, se pensarmos que a mulher encontra mil barreiras pa

ra efetuar uma relação de amizade, uma vez que a sociedade

estara observando se o seu comportamneto é o de uma anciã recatada ou de uma velha obscena e imprópria.

O quadro apresentado até o momento mostra a realida

de do idoso que vive fora de instituições custodiais tipo os asilos. Se considerarmos estas instituições veremos que tudo

é bem mais desolador, lã o idoso sente a perda do seu papel na sociedade, do seu habitat, do seu grupo de referência ,

da sua liberdade de ação e também religiosa, da sua intimida de e até mesmo de escolha sobre o comer, ler ou das pessoas que deseja ver ou falar. E claro que nem todos os asilos apresentam o quadro descrito, porém é o que ocorre na maio ria deles. A falta de recursos financeiros leva a contrata ção de pessoas que não são preparadas para este tipo de tra balho, propiciando o agravamento gradativo da assistência que ali é prestada.

(17)

tituiçoes custodiais, acreditam que se fosse implantada uma política de assistência ao idoso, provavelmente não haveriam

mais asilos. Ressaltam ainda que "as pessoas idosas, "desde

que auto-suficientes e possuidoras de perfeitas condições de sanidade física e mental, merecem, de todos insdistintamen te ... o direto de viverem livremente, integrados e nunca en

tre muros, num mundo ã parte, fonte permanente de solidão, depressao e muitas vezes imbuídas de um sõ pensamento: a

(18)

2.1 - Geral

- Prestar assistência de enfermagem de caráter geriâtrico e

gerontolõgico ã mulheres da terceira idade, procurando atende-las nos seguintes aspectos: promoção da saúde, pre vençao de doenças, restabelecimento da saúde e alívio do sofrimento.

2.2 - Específicos

, _ A

Relacionados a assistencia direta:

a) Determinar as necessidades e a natureza da assistência

a ser dada a cada interna;

b) Planejar a assistência a ser oferecida procurando res peitar individualidades, preconceitos e condição psi quica das internas;

c) Assistir diretamente as internas que são total e/ou par

cialmente dependentes, orientando funcionários e inter nas independentes na realizaçao de tarefas e condutasde

(19)

Estratégia

- Avaliaçao diária com levantamento de problemas em nível

de prioridades e o estabelecimento de planos de cuidados individualizados;

- Executar os procedimentos necessários, orientando inter

nas e funcionários sobre o que se está fazendo e o por

que, a fim de que auxiliem em tarefas de rotina.

Avaliação

- Será considerado satisfatório se conseguirmos atingir

50% das 10 internas dependentes; e se o funcionário e 30% das 18 internas independentes puderem executar e

auxiliar procedimentos de rotina (exercícios, massagens, alimentação, higiene, deambulação, etc);

d) Manter uma relaçao pessoa-a-pessoa com as internas pro

curando avaliar a uelas que a resentam distúrbios si _

quicos (fuga da realidade, gravidez imaginária, idéia de perseguição, etc) e assistí-las respeitando-as, con

versando sobre a realidade que as rodeia, a solidão, o

desejo de amar e ser amada e as mudanças ambientais a

que foram forçadas a suportar;

Estratégia

- Este tipo de relação deverá ser mantido em todos os con

tatos, seja durante procedimentos técnicos, exercíciosde

relaxamento, almoço, deambulaçáo pelos arredores, etc.

Avaliaçag

(20)

.... -

çao pessoa a pessoa com elas mesmas e com a estagiaria. e) Orientar e promover o auto-cuidado entre as internas in

dependentes e parcialmente dependentes;

Estratégia

- Serao feitas consideraçoes sobre o que ë o auto-cuidado,

como poderá favorecer na independência do idoso e que be

nefícios mediatos e imediatos poderao advir desta práti ca;

- Determinar individualmente os cuidados que poderão ser

realizados e quais os considerados prioritários;

- Orientar teoricamente com instruçoes verbais e práticas

os procedimentos a serem realizados. Avaliagão

- Será considerado satisfatório se atingir a 50% das 18

internas independentes e 30% das 5 parcialmente dependen tes;

- As internas deverão estar realizando o auto-cuidado e

orientando as que nao estiverem conseguindo.

f) Orientar e assistir as internas total e/ou parcialmente

cegas sobre: alimentação sem auxílio, higiene pessoal ,

troca de roupas, deambulaçao, uso das maos para fazer trabalhos manuais e fazer reconhecimento de objetos ,

frutas, localizaçao da área onde se encontra. Estratégia

- Dedicar no mínimo 6 horas semanais para orientação, trei

(21)

executados;

- Cada procedimento será explicado verbalmente e A

depois executado, quantas vezes forem necessários, usando-se to dos os orgãos do sentido que estão normais, até a inter na poder executar pelo menos l dos procedimentos ensina

dos.

Avaliação

- Se pelo menos 40% dos procedimentos ensinados puderem ser

assimilados e executados pelas 3 internas deficientes vi

suais.

g) Fazer, orientar e supervisionar massagens e exercícios

de reabilitação em internas que sofreram acidentes vas

cular cerebral e apresentam sequelas em membros superio res e inferiores;

Estratégia

- Os exercícios serao simples podendo ser executados passi

va ou ativamente, com objetos ou somente com os membros;

- As massagens serão de conforto e/ou de estimulação, e/ou

de relaxamento;

- Os exercícios e as massagens serão orientados por mate

rial fornecido pelo Hospital de Reabilitação de Brasília

e por profissionais fisioterapeutas e do Departamento de Prática Desportiva.

Avaliação

- Se os exercícios e massagens foram executados em todas as

(22)

semana para esta prática;

- Se houver melhora satisfatório de movimentos e uso dos

membros de pelo menos l interna;

h) Promover exercícios, relaxamento, conversas de 9ru P o e

recreaçao, seguindo roteiro de orientaçao fornecido pe

lo Departamento de Psicologia. Estratégia

- Inicialmente promover este objetivo entre as que costu

mam sair do quaruae ir para a sala de estar, aos poucos procurar levar este grupo para os quartos com o propósi-

to de incluir as acamadas na Dinâmica de Grupo;

- Estimular as lideres a incentivarem as demais internas a

participarem;

- Reunir as internas com este propósito l vez por semana.

Avaliagão

-

- Será considerado satisfatorio se 30% das interna;partici

parem da Dinâmica de Grupo.

i) Orientar as internas com relaçao a hidrataçao e sua im

portãncia nos processos biofisiológicos do envelhecimen to;

Estratégia

A ~

- Explicar a importancia da hidrataçao para que ocorram

normalmente os processos biofisiológicos, principamente

os relacionados ao trato gastrointestinal;

(23)

ra de cada interna;

- Estimular a injestao de líquidos (água, chás, sucos e sp

pas);

- Oferecer líquidos as pacientes acamadas.

- Objetivos relacionados a assistência indireta:

l. Dotar a instituiçao com o auxílio de Departamento triçao de dietas para hipertensos e diabéticos;

2. Promover através de contatos verbais e instrução ta, uma campanha com familiares e visitantes com

ção a alimentação distribuída entre as internas,

e respeito a individualidade, uso da área, etc.;

3. Promover leituras e discussão de temas diversos as internas, com a colaboração do Departamento de teconomia e projeto PORTEPRA;

4. de Nu escri rela trato entre Biblio A

Orientar funcionários quanto a procedimentos de emergen

cia em: crises convulsivas, paradas cardíacas, “crises asmáticas, quedas com fraturas, epistaxe, desmaios, ton turas, vômitos, hipo e hiperglicemia;

5. Organizar fichário com informações sobre as internas (re

sumo do histõrico sõcio-familiar e de saúde);

6. Participar do seminário sobre Idoso da IVa. Unidade Cur ricular, fazendo um apanhado do trabalho desenvolvidoxua SEOVE, mostrando a instituiçao e proporcionando um en

contro das internas com os alunos, para que estes sam dialogar e escutar suas experiências;

7.

POÊ

Participar da Jornada de Geriatria e Gerontologia

quese

(24)

interesse ãs internas, funcionários e a instituiçao co mo um todo.

Estratégias Objetivo n9 l:

Entrar em contato com o Departamento de Nutriçao levando um relato sobre o estado geral das internas diabéticas e

hipertensas;

Levar ao Departamento de Nutriçao uma lista dos mantimen

tos que a SEOVE possui em dispensa, para que a dieta se ja adaptada as condiçoes da instituiçao;

Orientar os funcionários sobre a importância de se fazer uma alimentação com controle para sasos específicos como diabetes e a hipertensão.

Avaliação

Se até o final do estágio se conseguir adotar uma dieta especifica para diabéticos e hipertensos, com aceitação

da instituição e das internas;

Objetivo n9 2:

Foram escolhidos sábados e domingos quando as visitas fa

fg 4 »~‹

miliares sao em maior numero, para fornecer orientaçao -

sobre a distribuição de determinados alimentos, sentar nas camas, entrar nos banheiros bater, chamar as inter nas de vovõs ou titias sem autorização ou intimidade ,

etc.;

Colocar cartazes na entrada principal da SEOVE com peque

(25)

Avaliação

- Será considerado satisfatõrio se conseguirmos ser ouvi

dos por pelo menos 30% dos 10 familiares que visitam sem pre a SEOVE nos dias escolhidas.

Objetivo n9 3:

- Entrou-se em contato com o Departamento de Bibliotecono

mia e o mesmo colocará estagiários e l professora orien

tadora para levar os livros, fazer leituras para grupos e/ou individuais e promover discussões. Também serão

deixados livros para aquelas que ainda conseguem, sabem

e gostam de ler. As visitas ocorrerao l vez por semana

nas quintas feiras (no turno da tarde).

Avaliação

- O objetivo será alcançado se houver aceitação de no mi

nimo 30% das internas. Objetivo n9 4:

- Serao dados no decorrer de todo o estágio, no período de

intervalo que existe a noite e/ou nos finais de semana, usaremos 30' para a parte teõrica, usar-se-á cartazes com figuras e se fará demonstrações práticas quando ne cessário; mais 30' para perguntas e demonstrações feitas

pelos funcionários. Avaliaçao

- Se houver compreensão de pelo menos 50% das orientações

(26)

as idosas.

Objetivo n9 5:

- Usar dados conseguidos com entrevistas feitas as inte;

nas, familiares e funcionários;

- Montar o fichário em ordem alfabética e deixar em branco,

deixando apenas o nome, daquelas que não lembram sua his

tõria, não possuem documentos e não recebem visitas da família. Suas fichas serão preenchidas no decorrer do es tágio com histõrico do momento, ou seja, o que ocorrer com a interna de 24/3 até 12/6/86.

Avaliagão

- Deverao ser feitas fichas de 40% das 28 internas (fichas

completas).

Objetivo n9s. 7 e 8:

- Na primeira participação dos alunos e das idosas deverá

acontecer de forma espontânea, de preferência no mesmo lugar onde elas fazem dinâmica de grupo;

- O segundo deverá ser alcançado com a participação da es

tagiária na jornada levando seu trabalho na SEOVE para ser apresentado.

Avaliagão

Não serão feitas avaliações destes dois últimos objetivos

o primeiro porque a espontaniedade do seminário nao ds penderã da estagiária, e no segundo objetivo, a apreses

taçao do trabalho, ficará apenas como experiência fora da universidade.

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Para que fosse viável a preparação deste projeto, o

cronograma teve que extrapolar o número de horas estipulado na VIIIa. Unidade Curricular. Desta forma embora estas horas

a mais, venham a ser colocadas como extracurricular, coloca

mos como parte do trabalho, a fim de que se tenha uma idéia do tempo dispendido para o levantamento de dados e leituras, até se chegar a elaboração do projeto propriamente dito.

3.1 - Cronoqrama Geral

04 - 14/O2 - Entrevistas, Avaliação e Exame Físico das in

ternas; levantamento da instituição, número de funcionários e funções exercidas.

17 - 28/02 - Revisao da bibliografia, análise dos dados le

vantados.

O3 16/03 - Encontros com a orientadora, elaboraçao e dati

lografia do projeto.

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24/O3 - 12/06 - Implantação do projeto.

13 - 20/O6 - Elaboração e Datilografia do relatório.

23 - 27/O6 - Apresentaçao do relatõrio

3.2 - Cronograma Específico para as Atividades

de Estágio

MARÇO

D S T Q Q

M 24 N 25 26

N 30 31 Folga

Total horas = 24 horas ABRIL D s M õ N" 7 M MeT 13 14 M Í 2o M 21 M 27 M 28 M Total horas = 92 MAIO D S 4 M 5 11 M 12 M 13 18 N 19 25 M 26 M 2 M 16 N 23 M 30 M 14 20 M 21 M 27 S S 28 29 Q S S 3 M 10 M 18 24 T Q Q 1 M 6 7 M 8 15 M 22 27 N 28 29 MeT 5 M 11 12 18 M 19 N 25 26 S Q M 2 3 9 10 16 17 M 23 24 30 31 Total horas = 80 h

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D S T Q Q S S

l M 2 3 M 4 5

8 M 9 10 M ll M

Total de horas = 24 hs.

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O propõsito deste projeto ë antes de tudo uma tenta tiva de iniciar um trabalho humanizado e planejado para pes

soas da terceira idade, onde o atendimento de suas necessida

des humanas básicas, assim como o ensino do auto-cuidado, vi

sa melhorar a condiçao de saúde destas internas marginaliza

das e a parte da sociedade.

Acreditamos que somente uma mudança cultural radical

ê que poria fim a marginalização do ancião, não sõ pela so ciedade mas também pela própria família e os profissionais que estao no mercado de trabalho. Infelizmente "na nossa so

ciedade, quando o homem perde o seu status profissional de trabalhador (e consequentemente de produtor-consumidor), per

de também o seu valor mercantil: não vale mais, porque não produz mais" (l). O valor humano, suas realizações, suas orientaçoes, nao sao consideradas um valor produtivo, por es ta razão a discriminação ë considerada correta, visto que para muitos velhice e morte são sinônimos.

Pretendemos com este estágio dar uma assistência mais global onde o idoso pudesse ser visto em seu todo e não

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só pelo lado saúde, já que cremos no homem e nao nas suas partes. Quando o defendemos queremos faze-lo pelo lado so cial, psicológico e biofisiolõgico. Temos também convicção que os males físicos são muitas vezes consequência da soli dão e do abandono, fazendo com que haja um agravamento dos problemas considerados normais no envelhecimento.

Apesar de termos pela frente uma série de dificulda des, inclusive pela falta de informações sobre a história de cada interna na SEOVE pensamos em modificar um pouco a manei

ra de atuação desta instituição, mostrando que existem for mar de trabalhar com idosos e que muitas vezäapodem ser tão importantes quanto casa e comida.

Uma boa saúde não deve incluir só a parte biológica

ou aquilo que pode ser visto ou sentido, ela deve alterar comportamentos e pensamentos, deve tornar pessoas vivas e

não passivas, dormindo pelos cantos ou chorando a perda de um lar e filhes. Quando a saúde consegue ser satisfatória ,

existe um retardamento do que SALGADO chama de Envelhecimen- to social e psicológico, ou este envelhecimento ocorre de forma considerada normal não patológica (16).

Compreendemos também que para o êxito do programa aqui mostrado, são necessárias sugestões e orientações de

outros profissionais ligados a outras áreas além da saúde. Este é um serviço de assistência multiprofissional onde to dos são responsáveis pelo bem estar das internas e onde o

bom senso, a coesão e o esforço de todos é que determinará

(32)

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Referências

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