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índice
Introdução ao guia Inter... 1 Módulo 1. Educação Obrigatória ... 8 para começar a pensar informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais
questões para reflectir e avaliar referências bibliográficas
Módulo 2. Homogeneidade vs Diversidade nas Escolas ... 31
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais questões para reflectir e avaliar referências bibliográficas
Módulo 3. Escola, família, comunidade ... ... 66
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum
índ
índ
ice
recursos específicos e links adicionais
Módulo 4. pressupostos teóricos ... 88
para começar a pensar
Informação
propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais referências bibliográficas
Módulo 5. políticas educativas ... 110
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais referências bibliográficas
Módulo 6. avaliação e qualidade ... 134
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais referências bibliográficas
Módulo 7. escola, estrutura e organização ... 161
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais questões para reflectir e avaliar
Módulo 8. estratégias de ensino e aprendizagem ... 182
para começar a pensar
Informação
actividades e sugestões propostas de colaboração
planeando e adaptando o curriculum recursos específicos e links adicionais questões para reflectir e avaliar
Glossário ... 209
ín
introdução
Introdução
ao guia inter
Conteúdos da Introdução• Objectivos do Guia INTER • Declaração de Princípios
• O que pensamos que a Educação Intercultural (EI) é, e não é • Estrutura do Guia INTER
• Como usar o Guia INTER
Objectivos do Guia INTER
O Guia INTER foi concebido como um instrumento prático para fornecer apoio ao leitor na análise, implementação e melhoria da Educação Intercultural nas práticas escolares. Ao escrevê-lo fizemos o enfoque nos professores em formação e ao serviço, mas esperamos que pudesse ser também útil para qualquer pessoa que tenha interesse directo ou indirecto em pensar criticamente acerca da Educação e também aqueles que não estão satisfeitos com o estado corrente da arte seja quais forem as razões e queira mudar e melhorar as formas segundo as quais estamos efectivamente a ensinar e aprender.
Aquilo que forneceremos ao leitor são principalmente desafios para repensar e reformular as suas ideias e práticas correntes acerca da educação. Tentaremos colocá-lo/a numa posição a partir da qual será capaz de:
• Tornar explícitas as suas ideias implícitas com que está efectivamente a ensinar e aprender
• Pensar criticamente acerca delas em relação com as práticas efectivas • Ter em consideração formas e ideias diferentes para ensinar/aprender • Decidir se vai mudar e o que gostaria de mudar
• Fornecer-lhe informação, exemplos, recursos e materiais para o ajudar a mudar as suas práticas se decidir fazê-lo.
introdução
Ao fazê-lo, os nossos objectivos principais são DESAFIAR: • Objectivos implícitos da educação corrente
• A perspectiva de homogeneidade
• As ideias de sucesso e insucesso académicos
• A ideia de que a Educação deveria ser transmissão de conhecimento
• A associação da diversidade cultural com algumas formas de etiquetagem ou categorias sociais (emigração, etnicidade, minorias, nacionalidade)
• A ideia de que a Educação Intercultural consiste apenas na comemoração da diversidade
• A Educação Compensatória como estratégia de integração/adaptação
• A ideia de que a Educação Intercultural é um instrumento para dar receitas correntes para resolver problemas específicos
• O mito de que a EI avalia apenas o desempenho académico dos estudantes E EM VEZ DISSO PROPOMOS:
• Um repensar crítico das ideias e objectivos principais da Educação
• A perspectiva da Educação Intercultural como uma estratégia para treinar os cidadãos de uma sociedade multicultural que fornece estratégias para ver a diversidade como uma riqueza comum
• Compreender a Educação como uma forma de desenvolver capacidades e estratégias individuais para viver numa sociedade multicultural
• Desenvolver uma atitude crítica face aos valores, aprender a resolver conflitos, e para conviver com normas divergentes
• Usar o relativismo cultural como estratégia para a Educação Intercultural
• Mostrar a necessidade de incluir nas salas de aula uma educação anti-racista para toda a gente, incluindo nós próprios
• Fazer adaptações curriculares nas salas de aula tendo em conta os pontos de vista dos estudantes, e promover a cooperação e a empatia
• Desenvolver competências de comunicação, trabalho de grupo, cooperação e mediação social
• Ter consciência da necessidade de combater a discriminação e o racismo estrutural e individual: os seus processos, factores e consequências
• Promover relações melhores e mais próximas Família/Escola/Comunidade
• Avaliar o processo de ensino/aprendizagem, em vez de avaliar apenas os estudantes
Declaração dos nossos Princípios
A equipa que produziu o Guia INTER tem uma filosofia conectada proximamente com a
educação inclusiva para todos nas escolas. O facto de que as escolas deveriam ser para
todos os alunos significa que o professor tem que olhar às necessidades dos indivíduos e usar esse conhecimento para dar uma educação individual no seio de um ambiente inclusivo, e que todos os alunos deveriam ter o direito à pertença, numa escola inclusiva.
introdução
Todos/as concordámos partilhar os princípios seguintes numa reunião que teve lugar em Madrid, Espanha, em Dezembro de 2003:
• Acreditamos na Justiça Social, na Democracia, e na partilha de Poder • Os seres humanos têm mais em comum uns com os outros do que aquilo
que nos separa
• Compreendemos e aceitamos a diversidade e o conflito
• Também pensamos que tomar conhecimento da diversidade melhora a
criatividade para encontrar soluções divergentes para os mesmos problemas
• Temos consciência de que todos/as temos e usamos preconceitos e
estereótipos quando nos relacionamos com outras pessoas
• Deveríamos saber e aprender acerca de sociedades e grupos humanos que
são diferentes dos nossos
• Deveríamos também adoptar uma perspectiva global que nos permitirá ter
uma compreensão mais abrangente dos grupos humanos para além da etnicidade e para além de qualquer tipo de rótulos
• Deveríamos tornar a participação disponível para todas as pessoas
O que pensamos que a Educação Intercultural é, e não é
“[Uma] abordagem Educativa baseada no respeito e apreço pela diversidade cultural. É dirigida a cada um/a e a todos/as os membros da sociedade como um todo, propondo um modelo integrado de envolvimento na educação das e dos estudantes que combine todos os aspectos do processo educativo de tal forma que possamos atingir oportunidades iguais / resultados para todos/as, ultrapassar o racismo nas suas várias manifestações e estabelecer a comunicação e competência intercultural”
(Aguado, 1995)
A ideia é estabelecer uma abordagem a partir da qual possamos lidar com as questões relacionadas com a gestão da diversidade na Educação, compreendendo que esta diversidade se manifesta em formas que vão para além dos limites estabelecidos por grupos culturais, étnicos ou nacionalistas. A partir desta abordagem podemos lidar com todas as outras variáveis significativas tanto no contexto de uma educação formal como em contextos menos formais e menos estruturados.
A igualdade de oportunidades e de recursos implica que as capacidades, talentos e experiências dos/das estudantes deveriam ser um ponto de partida válido para a escolarização subsequente , e exige a existência de justiça e da possibilidade genuína de igualdade nos resultados académicos para todos/as os estudantes. Envolve um equilíbrio entre o formal e o informal, o individual e o colectivo, o processo e o produto, diversidade e unidade; exige coordenação entre as forças de mudança, a estima positiva, a auto-confiança e a auto-asserção. Também requer uma certa clareza de visão que nos permitirá lidar com muitos dilemas e paradoxos. A implementação de medidas que promovem a igualdade de oportunidades testa a nossa capacidade de tolerância e a nossa habilidade para apreciar a diversidade como uma força valorizável e não como uma fragilidade que tem que ser ultrapassada. É fundamental que as escolas implementem medidas que promovam oportunidades iguais, mas, não é menos importante, que estas sejam implementadas nos ambientes do trabalho, da família e sociais.
introdução
Esta proposta estabelece objectivos ambiciosos no sentido de que supõe a adopção de uma perspectiva que dá forma a todas as decisões educativas, promovendo ao mesmo tempo acções diferentes em termos das interacções culturais e de outras variáveis relevantes para a educação. O seu sucesso dependeria, largamente, dos requisitos do indivíduo e da comunidade do contexto específico no qual é implementada e também da combinação de outras medidas sociais e estruturais que vão para além do ambiente educativo. Se estas condições não forem atingidas, todas estas, chamadas, iniciativas interculturais, poderiam ser usadas como um subterfúgio para a desigualdade, como um álibi para evitar a implementação de iniciativas que são genuinamente respeitadoras da diversidade cultural ou como meras amostragens para a visão “turística” e superficial das manifestações culturais.
Pensamos, então, que a Educação Intercultural não é:
• Comemorações isoladas: os frequentemente chamados “Semana Intercultural”, “Dia Gastronómico”, “Dia da Paz”, entre outros
• Aprender apenas acerca das características de certos grupos como “outros”, para os “conhecermos melhor”
• Ter receitas para resolver conflitos, ou para nos dirigirmos aos, chamados, grupos rotulados de forma diferente
• Os programas Educativos dirigidos a grupos específicos tal como as aulas de apoio e outras similares
• Misturar alunos de ambientes diferentes sem promover relações positivas ou outras finalidades mais alargadas
• Evitar os conflitos! Os conflitos fazem parte da nossa vida de todos os dias, a chave é lidar com eles adequadamente, e termos consciência do nosso viés, aprendendo positiva e activamente a lutar contra a discriminação e os preconceitos
Estrutura do Guia INTER
Dividimos o Guia INTER em oito módulos, cada um deles abordando a Educação Intercultural e os modos de a implementar a partir de um ângulo diferente, seguidos de um Glossário de termos. Escolhemos as seguintes ideias como perspectivas para o/a ajudar a compreender e a implementar a Educação Intercultural, assim que decida fazê-lo:
Módulo 1: Educação Obrigatória – Desafia o leitor a repensar o significado da educação
obrigatória, nos nossos dias, analisando criticamente os objectivos e funções da escolarização obrigatória nas nossas sociedades, e introduzindo a abordagem Intercultural como proposta para a transformação das escolas.
Módulo 2: Diversidade versus Homogeneidade nas Escolas – Definimos neste ponto as
ideias de homogeneidade e de diversidade, ajudando o leitor a identificar ambas nos seus ambientes escolares. Pretendemos mostrar os benefícios e dificuldades que vemos em passar de uma perspectiva principalmente homogénea (que está correntemente a operar na maior parte das salas de aulas) para uma perspectiva de diversidade no processo de aprendizagem que tenha em conta e trabalhe com a variação individual.
introdução
Módulo 3: Escola, Casa, Comunidade – Faz a reflexão acerca da importância de existiremboas relações e colaboração entre as famílias, as escolas e outros agentes da comunidade, tendo em consideração diferentes alternativas de colaboração que podem ocorrer, para as entender como um continuum. Mostraremos também alguns exemplos de projectos e de práticas que promovem este tipo de participação.
Módulo 4: Pressupostos Teóricos – Faz o enfoque na identificação das teorias
implícitas/explícitas dos professores, mostrando as teorias que subjazem a abordagem Intercultural (acerca de ensinar/aprender/comunicação) reflectindo acerca das implicações práticas de análises anteriores.
Módulo 5: Políticas Educativas – Analisa as políticas educativas tentando ir para além do
plano da compreensão das leis, normas e regulamentos, para identificar e reconhecer os interesses ideológicos, os modelos e ideias subjacentes que justificam e orientam a legislação.
Módulo 6: Avaliação, Avaliação dos Estudantes e Assegurar da Qualidade – Encoraja a
reflexão acerca do que é a avaliação e do que pensamos que deveria ser. Vai para além da testagem do desempenho académico dos alunos e concentra a atenção no processo de ensino e de aprendizagem.
Módulo 7: Estrutura e Organização da Escola – Tentar explícitas as nossas imagens
mentais acerca das escolas, para reflectir acerca das dimensões principais da organização das escolas, e para elaborar acerca das implicações práticas para construir uma escola Intercultural.
Módulo 8: Estratégias de Ensino e de Aprendizagem – Tem os objectivos de: estudar a
fundo os papéis dos aprendentes e dos professores; contribuir para melhorar as competências que os professores têm que obter; ajudar os professores a ter consciência de e praticar diferentes estratégias; trazer ao conhecimento diferentes experiências que os professores poderiam aplicar.
Glossário – Incluímos no final do Guia INTER um Glossário que engloba o que pensamos
serem os termos mais importantes relacionados com a Educação Intercultural. Às vezes fornecemos apenas uma definição quando todos pensamos que é suficientemente clara e todos concordamos com ela. No entanto, incluímos diferentes definições quando o nosso acordo não era unânime. Esperamos que, ao incluir diferentes definições, relacionadas com as mesmas ideias, estejamos a apresentar uma perspectiva mais rica e também um exemplo de diversidade inclusiva!
Para além destes oito módulos e do Glossário, que constituem o texto do Guia, em si mesmo, a nossa visão do Guia Inter é completada por mais dois recursos:
• Um VÍDEO incluindo um conjunto de videoclips que mostram entrevistas e gravações em escolas reais é oferecido com o Guia para trazer a lume as mesmas questões de uma perspectiva diferente e fornecer exemplos reais de práticas escolares próximas da abordagem Intercultural. Cada videoclip inclui um índice que explica: 1) o que vai ser mostrado (ex: uma entrevista, um exemplo de uma prática escolar), 2) o contexto sócio-político, 3) porque é que o exemplo foi seleccionado e 4) sugestões para usos possíveis. Os videoclips estão compilados num DVD que foi concebido coma mesma estrutura do Guia para ilustrar o que pensamos que são boas práticas na educação
introdução
Intercultural, para serem usadas como materiais dados para diferentes actividades e propostas.
• Um DIRECTÓRIO DE RECURSOS que aglomera e estrutura os recurso que encontrámos e pensamos que são válidos para o ensino e a aprendizagem a partir de uma perspectiva intercultural (incluindo ensaios, artigos, trabalhos de ficção e de não ficção, filmes, canções, páginas da Web) tanto em formato papel como em formato electrónico, audiovisuais, etc., para serem usados nas salas de aula. Os recursos são analisados com brevidade e organizados segundo uma categorização identificada com os módulos do Guia, e compilados num CD Rom que inclui uma ferramenta de busca (também disponível na página Web do projecto).
Como usar o Guia INTER
Escrevemos o Guia INTER tentando combinar teoria e prática como uma plataforma para o aprendente reflectir acerca do processo de aprendizagem o qual está dividido pelos oito módulos e procurando endereçar diferentes aspectos do processo de ensino e de aprendizagem.
Cada módulo tem uma estrutura similar: • Para começar a pensar • Informação
• Actividades
• Propostas de colaboração
• Planeando e adaptando o currículo • Recursos específicos e links adicionais • Questões reflexivas
• Referências
Cada módulo do Guia INTER começa com uma secção intitulada PARA COMEÇAR A
PENSAR para provocar o pensamento de uma forma inspiradora acerca das ideias principais
do módulo. Esta secção contém um texto acerca de uma experiência pessoal, um acontecimento, uma nova ideia, uma citação, etc. Isto foi concebido para provocar a reflexão, para estimular a mente e fazer a revisão dos nossos pressupostos principais acerca dos diferentes tópicos revelados nos módulos. Encorajámo-lo, a si, leitor, a acrescentar e a melhorar o texto incluindo as suas próprias experiências e incidentes críticos significativos. O parágrafo de INFORMAÇÃO está concebido para apresentar informação relevante acerca das ideias principais exploradas no módulo. Desenvolve os conteúdos e os dados necessários para compreender e tornar úteis os conceitos e as actividades desenvolvidas no módulo. Também incluímos algumas referências (bibliográficas e sites da Web) e questões para reflexão acerca das ideias e conceitos chave tratados em cada módulo.
As ACTIVIDADES e PROPOSTAS DE COLABORAÇÃO, que contém actividades para encorajar a colaboração com os outros (alunos, professores, outras pessoas fora do seu próprio contexto de ensino). Estas actividades encorajam-no a procurar informação mais
introdução
alargada, a fazer entrevistas, a usar a plataforma virtual, a pesquisar novos dados, a discutir acerca das ideias e conceitos principais tratados no módulo. As actividades foram escolhidas de modo a irem ao encontro das necessidades de diferentes audiências (formação de professores ou professores iniciados a formar alunos) e ambientes de aprendizagem (face a face, plataforma virtual).
Uma das nossas maiores preocupações é lutar contra a ideia largamente disseminada de que a educação intercultural é qualquer extra ou complementar ao currículo. É por essa razão que propomos em PLANEANDO E ADAPTANDO O CURRÍCULO actividades concebidas para lhe criar a oportunidade de reflectir acerca das decisões que toma todos os dias na escola e oferecer-lhe ideias para introduzir uma abordagem intercultural no currículo regular. O objectivo principal é relacionar os conceitos e as propostas acerca da educação intercultural com as actividades efectivamente desenvolvidas na escola.
Os RECURSOS ESPECÍFICOS e os LINKS ADICIONAIS sugerem recursos para obter mais informação acerca do tópico explicado em cada módulo. Há recursos para ler (livros, artigos, sites da Web.); para ver e ouvir (vídeos, filmes, imagens, música, etc.); para pesquisar (bases de dados, sites da Web). Propomo-nos seleccionar os recursos que são mais apropriados às necessidades dos leitores e ao contexto específico em que está a usar o Guia (curso Universitário, curso de Verão, aprendizagem virtual, conferência, acção de formação, etc.). Cada módulo termina com QUESTÕES DE REFLEXÃO e AVALIAÇÃO que é uma epígrafe concebida para fazer o enfoque nas ideias principais desenvolvidas nas secções anteriores. Tornamos explícitas as questões chave que deveríamos ser capazes de responder quando o módulo tiver sido desenvolvido. Estas questões estão proximamente relacionadas com os objectivos propostos no início do módulo e também com os conteúdos dos vídeos. A avaliação do estudante exigirá de si que atinja algumas das actividades propostas em cada parte do módulo e que responda a algumas das questões para reflexão propostas em cada módulo do Guia. Exigências de avaliação mais concretas serão estabelecidas de acordo com as condições específicas de ensino/aprendizagem.
Finalmente, fornecemos ao leitor as REFERÊNCIAS dos trabalhos citados ou referidos em cada módulo.
Esperamos que este Guia o ajude a reflectir e a melhorar a forma como ensina e aprende com os seus alunos!
Educação Obrigatória
Neste módulo pretendemos pensar criticamente acerca dos objectivos da educação obrigatória e do seu papel na sociedade, especialmente em termos de diversidade. Para isso, procuraremos:
• Repensar o significado da educação obrigatória, nos nossos dias.
• Analisar criticamente os objectivos e funções da escolarização obrigatória nas
nossas sociedades.
• Introduzir a abordagem intercultural como proposta de transformação da
educação obrigatória
para começar a pensar
Escolarização em casa, não escolarização e des-escolarização... A crise do sistema escolar provocou algumas respostas radicais que promovem uma oposição activa contra a escolarização obrigatória e a educação institucional. Não apenas a sua natureza obrigatória, mas também os benefícios da instituição escolar em si, têm sido postos em questão por alguns autores, como John Holt e Ivan Illich, promotor do movimento da “escolarização em casa” nos EUA e criador da teoria da “des-escolarização”, respectivamente.
“Consequentemente, depois dos seus próprios anos como professor da escola, ele observou que professores bem intencionados mas esgotados, que programam as crianças para dizer de cor as respostas certas e desencorajam a aprendizagem auto-orientada, atrasam frequentemente a curiosidade natural das crianças. Holt chegou a considerar as escolas como lugares que produzem cidadãos obedientes mas amorfos. Ele viu a carga diária das crianças que vão à escola como preparação para a futura carga adulta de pagar taxas fiscais e subserviência a figuras de autoridade. Holt chegou mesmo a comparar a melancolia do dia escolar à experiência de ter um emprego doloroso a tempo inteiro.” Finalmente, Holt concluiu que a forma mais humana de educar uma criança era fazendo-lhe educação em casa. (...) Holt esposou uma filosofia que poderia ser considerada uma abordagem de laisser faire à educação em casa ou, como ele a designou, “aprender vivendo”. É uma filosofia que os seguidores de Holt têm vindo a descrever como não escolarização.
Lyman, Isabel. Homeschooling: Back to the Future?
http://www.cato.org/pubs/pas/pa-294.html
“Muitos estudantes, especialmente os que são pobres, sabem intuitivamente o que as escolas fazem por eles. Elas ensinam-nos a confundir processo e substância. Quando estes se confundem, uma lógica nova é assumida: quanto maior o tratamento maior os resultados; ou, a ascensão conduz ao sucesso. O aluno é, por isso, “escolarizado” para confundir ensino com aprendizagem, progresso nos níveis com educação, um diploma com a competência, e fluência com a habilidade de dizer algo de novo. A sua imaginação é “escolarizada” para aceitar serviço em vez de valor.”
Illich, Ivan. Deschooling Society. http://reactor-core.org/deschooling.html
Pensa que a escolarização em casa é uma escolha possível? E o que acha da des-escolarização?
Consegue imaginar qualquer outra alternativa à educação formal obrigatória?
Na sua opinião, quais os objectivos da educação escolar que não preenchem as expectativas das pessoas e as levam a procurar outras alternativas?
Veja os seguintes exemplos:
Alguns pais não estão contra a educação obrigatória mas determinadas circunstâncias não permitem que os seus filhos participem nela. Diferentes tipos de escolarização têm sido desenvolvidos para ir ao encontro das necessidades educativas de crianças em circunstâncias
particulares, como é o caso de crianças com doenças prolongadas que não podem assistir às aulas regulares, porque vivem em hospitais ou porque não podem sair de suas casas. Jogadores de diversos desportos aos níveis mais elevados vivem uns com os outros em centros especiais onde assistem a aulas especiais e seguem um currículo adaptado. Os profissionais itinerantes e as suas famílias, como os artistas de circo, têm as suas próprias escolas itinerantes. Todos estes exemplos são alternativas oficiais às escolas regulares.
educação obrigatória
Veja outro exemplo: as escolas separadas para minorias. Uma escola (ou sala) separada é baseada nas identidades étnicas, culturais e religiosas dos alunos e também escolas do mesmo sexo. Há um leque alargado de critérios para a separação baseada numa variedade de características dos estudantes que frequentam a escola. E há diversos argumentos tidos em conta pelos seus defensores: a protecção da etnicidade e da pertença cultural (identidade étnica/cultural), os direitos educativos dos pais, a desvantagem da contabilização...
“Porque certos grupos étnicos minoritários vêem que as escolas de tendência dominante estão a falhar com os seus filhos, uma resposta tem sido preparar escolas em separado para servir aquele grupo em particular. Por exemplo, em 1980, uma escola Cristã Adventista do Sétimo Dia para atender crianças Negras das Caraíbas foi estabelecida no Norte de Londres. Mais recentemente, um pequeno número de escolas Muçulmanos foi estabelecido. (Já há escolas Católicas, Protestantes e Judias no Reino Unido – a lei permite a qualquer denominação religiosa que estabeleça a sua própria escola.) Alguns grupos estão a tentar pressionar o governo para dar mais dinheiro para o estabelecimento de escolas separadas.”
Independent race and refuges new network http://www.irr.org.uk/2002/november/ak000003.html Em Látvia, a escola e a comunidade de Roma, na cidade de Tukums, envolvem os pais dos estudantes de Roma nas suas actividades. A ideia acerca da educação e a iniciativa de colaboração veio da comunidade e da municipalidade de Roma. Soa paradoxal mas a ideia era unir as crianças de Roma na escola separada de tal modo que eles pudessem começar a ir à escola, a aprender, e a receber educação permanente. De acordo com o director da escola, em três anos as crianças integraram-se na sociedade e participaram em todas as actividades escolares com o resto dos alunos. A ideia da sala separada foi baseada na experiência anterior, quer dizer, nas escolas onde as crianças de Roma se integraram, estavam presentes elevados graus de não assiduidade. Os pais estão tão satisfeitos com as salas separadas como as crianças. O edifício, é parte do complexo escolar, mas o lugar onde se encontram as classes integradas, é chamado escola de Roma, pelo menos entre os estudantes de Roma. A escola e a comunidade têm uma ideia acerca da educação avançada para os pais, que poderia ser levada a cabo na escola, já que pais bem-educados podem influenciar positivamente a motivação dos seus filhos para aprender.
Na sua opinião, quais são os objectivos e os desafios da educação obrigatória, nos nossos dias?
Pensa que a educação obrigatória e as opções mencionadas acima – escolarização em casa, escolas separadas para minorias... partilham os mesmos objectivos e os mesmos desafios? Porquê / porque não?
Quais são as diferenças entre escolarização e educação? Quais acha que são / têm que ser as relações entre elas?
educação obrigatória
Até onde é possível ir ao desenvolver um programa educacional obrigatório comum a todos os estudantes?
Como podemos espelhar a diversidade, e desenvolver escolas para que se tornem pontos de encontro para estudantes representando pontos de partida sócio-culturais e individuais diferentes?
educação obrigatória
Informação
Preparar-se para a vida adulta é, e tem sido, um dever em qualquer sociedade, em qualquer lugar e em qualquer tempo. Nos nossos dias e na nossa sociedade, chamamos-lhe “educação”. É um processo através do qual os novos membros do grupo adquirem o “direito” de serem seus membros integrais. Como isso tem sido feito em lugares diferentes e em tempos diferentes é uma questão particular que tem diferentes formas de expressão que tinham a ver com o que cada sociedade considera relevante para ser adquirido pelos seus novos membros, para se tornarem membros em pleno, incluindo diferentes habilidades, capacidades, informação, conhecimentos, regras, princípios, valores, crenças...
Nesta perspectiva podemos analisar o que a nossa sociedade exige dos seus novos membros, - os seus alunos – observando os objectivos das suas instituições educacionais já que estas estão encarregadas de transformar os novos membros em cidadãos adultos. Ao observarmos estas finalidades, podemos também pensar criticamente se estes objectivos são adequados para a pessoa se tornar um cidadão pleno.
O que significa ser cidadão?
Pense nas características de um cidadão. As escolas educam para a cidadania?
Pense acerca de si próprio: a escolarização contribui para se tornar ou não um cidadão? Em que sentido?
(Veja definições de educação para a cidadania no Glossário).
Nos nossos dias, o direito à educação é considerado como um direito “natural” e universal. Parece estar relacionado com duas ideias principais:
• A Infância como período distintivo de vida, cujo objectivo principal é preparar as crianças para a sua “vida futura” através da educação. Então, a infância é considerada qualquer coisa como uma pré-vida (esta assunção pode ser uma das razões que, às vezes, faz as escolas parecerem lugares artificiais, longe da vida real). • O Progresso como ideal de desenvolvimento humano directamente associado com o
bem-estar social e a felicidade individual.
No entanto, a infância não é uma categoria unívoca e universal: pensar nela como universal pretende esconder a realidade das diferentes circunstâncias e situações sociais das crianças (Gimeno 2000). E o conceito moderno de progresso refere-se ao crescimento constante da produção e do consumo, economia de tempo, maximização da eficiência e do lucro e
educação obrigatória
proeminência de actividades económicas, esquecendo os seus efeitos na qualidade da vida humana e o desenvolvimento dos seres humanos.
A educação tornou-se um direito e também uma obrigação, a sua compleição tem que ser garantida pelo governo, sob os princípios de igualdade e liberdade. Mas é efectivamente atingida apenas parcialmente e de um modo desigual.
O direito e dever de Educação são supostamente, atingidos através da escolarização obrigatória. A escolarização obrigatória veio a tornar-se não apenas uma prática institucional mas também um “modelo mental” colectivo que é normalmente considerado tão “natural” e universal como o próprio direito à educação.
É um princípio democrático que toda a gente deveria ter direitos iguais à educação. Através da educação espera-se dos estudantes que se tornem racionais e adquiram os meios para o pensamento crítico. Para além disso, devem adquirir conhecimento e incorporar os valores universais. Da educação espera-se maior esclarecimento, democracia e justiça social, e também integração societal e crescimento económico. Nas democracias desenvolvidas os cidadãos têm o direito e o dever de procurar educação, que frequentemente é organizada sob a forma de escolas elementares obrigatórias, abertas a todos. A educação obrigatória elementar, fornecida pelas escolas destina-se, em princípio, a assegurar o mesmo ponto de partida na vida para todos, e fornecer uma plataforma unificadora através de possíveis divisões de classe e cultura.
A educação obrigatória preenche este objectivo? O que acontece às crianças que “falham” na escola?
E, o que acontece aos estudantes que a abandonam? (Ver” equidade” e” igualdade” no Glossário).
No entanto, para além dos objectivos da educação, encontramos algumas funções que a escola normalmente atinge: classificação, selecção e endoutrinação dos indivíduos, cuidados de custódia, manutenção do status quo... até que ponto são estas funções intencionais? Estarão elas ligadas com a natureza obrigatória do sistema escolar? Há alguma forma de as controlar? Tem a escola possibilidade de se tornar um espaço de transformação social? O ideal de igualdade de direitos de educação pressupõe mais do que o princípio de uma educação obrigatória numa escola elementar. Se o ideal se deve tornar realidade, a escola elementar tem que representar um “estar junto” generoso e inclusivo, onde o ideal de igualdade inclua todos os tipos de diversidade: género, classe, cultura e as variações na capacidade funcional. O processo educacional tem que ultrapassar a perspectiva sobre a vida e a linguagem da maioria, para respeitosamente incluir a perspectiva acerca da vida e as linguagens das minorias efectivas. Os estudantes têm que ser capazes de se sentir em casa com a atmosfera e os códigos de conduta na escola. Têm que ser capazes de experienciar que a sua origem e a sua identidade própria são aceites e respeitadas, e por último mas não menos importante: têm que ser capazes de compreender o que está a ser expresso e mediado.
Até que ponto espelha a educação elementar a diversidade cultural, social e expressiva de um país dado?
educação obrigatória
Até que ponto é possível falar de uma “comunalidade” para além das fronteiras da identidade étnica, religião, preferências sexuais e diversidade funcional?
Vários filmes famosos mostram verdadeiros exemplos de desrespeito pelas minorias. Um deles é “Grita Liberdade”, de Richard Attenborough: pode encontrar detalhes acerca deste filme no Directório de Recursos INTER.
A maior parte das democracias são generosas e inclusivas ao nível dos planos e das intenções, e também na elaboração básica das suas leis e nos seus princípios educacionais gerais e curriculares.
Mas a atenção à diversidade e à inclusão é apenas uma de muitas ideias que estão na base da educação elementar obrigatória. Para além de outras ideias que prevalecem está a necessidade de dar atenção aquilo que desenvolve os interesses nacionais. Sabemos como as nações tendem a usar a educação e as escolas como meios de construírem estruturas e funções societais unificadas. A origem do sistema escolar está fortemente ligada com a origem da ideia do país como nação. Na escola elementar obrigatória, organizada como uma escola nacional unitária, os estudantes encontram-se para além das barreiras sociais e culturais para estudarem um currículo comum, ao mesmo tempo que são criados para uma identidade nacional caridosa e para o amor ao seu próprio país. Em França os alunos são socializados para serem franceses. Na Suécia os estudantes são criados para se tornarem suecos, e por aí adiante. A unidade é reforçada em vez da diversidade. O consenso é desejado em vez do conflito. Mas até onde estão a unidade e o consenso a ser promovidos independentemente desses valores poderem reflectir as realidades sociais e culturais fora da sala de aula?
Na escola elementar, sendo um lugar de encontro da diversidade, uma pessoa não conhece apenas outros, mas também os seus de uma forma nova: uma pessoa acaba por observar o que caracteriza os seus e também por observar as suas próprias características culturais. Uma pessoa também pode encontrar reacções negativas àquilo que cada um considera positivo e valorizável: o dialecto que uma pessoa fala é desvalorizado, os pontos de vista pessoais são tratados como inválidos, e a forma pessoal carinhosa de comportamento é avaliada segundo uma escala estrangeira de valores.
Achamos diferenças importantes entre os objectivos da educação (que, supostamente, serão os mesmos da escolarização) e algumas das funções reais do sistema escolar nos nossos dias: cuidado de custódia, selecção baseada em alguma forma de excelência humana estandardizada, classificação, estratificação, endoutrinação, manutenção do status quo... A escolarização obrigatória põe em relação a educação dos indivíduos com a lógica do poder. As escolas e os sistemas educativos transmitem de uma geração para a outra o que é considerado e socialmente valorizado e legitimado como conhecimento, atitudes e competências (Hutmacher et al., 2001). A institucionalização da escola e dos sistemas educativos implica a definição de:
educação obrigatória
• a cultura (currículo) a transmitir;
• os métodos de transmissão e de avaliação; • a selecção de professores e aprendentes; • os preparativos organizacionais
• os recursos físicos (edifícios e salas de aula).
Todos estes elementos constituem um tipo de teoria que efectivamente funciona com as seguintes características:
1. A maior parte deste conhecimento é de natureza prescritiva e normativa. A acção dos professores sobre os estudantes, em relações de poder assimétricas é dirigida por normas, valores e padrões de excelência humana; mas como pode a diversidade humana caber neste padrão “ideal” prévio de excelência?
2. Parte deste conhecimento é formalizado em objectivos, regras, currículo, etc., mas a maior parte é de natureza tácita, operando como verdade auto-evidente reproduzida de geração em geração e legitimada através da experiência das crianças dentro das escolas, em vez de através da instrução formal. Constitui o “currículo oculto” (ver Glossário).
3. Os processos educativos estão embebidos em estruturas de poder político e/ou burocrático, onde a fonte de legitimação reside fundamentalmente na hierarquia. O direito igual à educação é mais um ideal do que uma realidade social. A Etnicidade (veja a definição no Glossário) e a origem social são ainda factores relativamente importantes a influenciar a escola – carreira e obtenção de um certo nível educacional. Mesmo as democracias ocidentais não têm tido sucesso em fornecer um recrutamento plenamente democrático para a educação superior. Há ainda uma conexão mensurável entre um certo nível de educação, a origem familiar efectiva da pessoa e a educação dos seus pais. Mesmo tendo as mulheres entrado, em força, nas instituições académicas, as preferências educacionais e posteriormente as carreiras profissionais estão, ainda, parcialmente sujeitas a escolhas com viés de género.
A educação obrigatória é um estádio num processo que tem como objectivo assegurar direitos educativos iguais para todas as pessoas. Mas até que ponto é possível desenvolver escolas sem viés social e cultural?
Será possível desenvolver modos de conduta e uma cultura de educação que não favoreça alguns estudantes em detrimento dos outros?
Será possível desenvolver um currículo adaptado às necessidades de cada estudante?
Então, o sistema escolar está a sofrer uma crise alargada; desde há algum tempo, algumas vozes reivindicam a mudança radical e a transformação da escola. É agora altura de discutir e reformular o seu sentido, tendo em atenção as características da sociedade dos nossos dias. A educação multi /intercultural é definida por alguns autores como uma abordagem para transformar a educação e as escolas:
A educação multicultural é uma abordagem progressista para transformar a educação que critica holisticamente e se dirige a resultados correntes a curto prazo, fracassos, e práticas discriminatórias
em educação. Está enraizada em ideais de justiça social, equidade educativa, e uma dedicação a facilitar experiências educativas nas quais todos os estudantes atinjam o seu potencial total como aprendentes e como seres socialmente conscientes e activos, ao nível local, nacional e global. A educação multicultural dá conta de que as escolas são fundamentais para estabelecerem os fundamentos para a transformação da sociedade e a eliminação da opressão e da injustiça.
educação obrigatória
Gorski, Paul C. http://www.mhhe.com/socscience/education/multi/define.html A educação multicultural é uma ideia, um movimento de reforma educativa, e um processo (Banks, 1997). Como ideia, a educação multicultural pretende criar oportunidades educativas iguais para todos os estudantes, incluindo os de raça, etnia, e grupos de classes sociais diferentes. A educação multicultural procura criar oportunidades educativas iguais para todos os estudantes, mudando todo o ambiente escolar de modo que este reflicta as culturas e os grupos diversos numa sociedade e nas salas de aula da nação. A educação multicultural é um processo porque os seus objectivos são ideais pelos quais os professores e administradores deveriam lutar constantemente para atingir.
Banks, James A. Multicultural Education: Goals and Dimensions http://depts.washington.edu/centerme/view.htm (A educação intercultural é uma) abordagem educativa baseada no respeito e apreço pela diversidade cultural, dirigido a cada e a todos os membros da sociedade como um todo, propondo um modelo de envolvimento na educação dos estudantes que combine todos os aspectos do processo educativo de tal forma que possamos atingir oportunidades iguais / resultados para todos, ultrapassar o racismo nas suas variadas manifestações e estabelecer comunicação e competência intercultural.
(Aguado, 1995) Se falarmos em termos de educação obrigatória como uma educação de qualidade para todos, igualdade de oportunidades para todos, equidade... o sistema escolar como é agora não preenche estas características. A educação intercultural tem na sua base estes ideais, e propõe uma reforma educativa para os atingir para todos os estudantes, tendo em conta a diversidade cultural. No enfoque intercultural, a educação obrigatória significa que não há possibilidade de insucesso escolar para ninguém.
As críticas da abordagem intercultural ao sistema escolar relacionam-se com o facto de a escolarização não atingir os objectivos educativos com todos os estudantes, e excluir alguns grupos diversos sistematicamente: os currículos não reflectem perspectivas diferentes, os estilos de ensino servem alguns grupos mas não os outros, as escolas servem para manter o
status quo e não para o criticar,... Nesta perspectiva, a educação e a escola precisam de uma
reforma global para atingirem objectivos como aprendizagem para todos, equidade e educação de qualidade para todos.
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actividades e sugestões
Actividade 1Analise e escreva as razões contra a obrigatoriedade dadas pelos seus descrentes, e procura razões a seu favor (pode encontrar alguma informação útil na Secção de “Recursos Específicos e ligações adicionais” e também nos Recursos do Directório INTER).
Pensando localmente e globalmente, tente responder às seguintes questões:
• Em que sentido pensa que a Educação deve ser considerada como um direito? E como um dever?
• Será a Educação Obrigatória a melhor forma de preencher o direito à Educação? Quais são as principais barreiras à extensão deste direito?
• Na sua opinião, quais são os objectivos principais do sistema escolar nos nossos dias?
• De que forma acha que a Educação Intercultural pode ser uma alternativa transformadora para as escolas, hoje em dia?
• Que tipo de alterações poderia implementar, como professor, para melhorar o sistema na abordagem intercultural? Que outras mudanças pensa que são necessários para o atingir? Quem seria a pessoa / instituição responsável por estes melhoramentos?
Escreva as suas conclusões pessoais.
Actividade 2
Observe as figuras seguintes e tente imaginar quais poderiam ser os objectivos das diferentes escolas nelas reflectidas...
• Acha que estas usam a diversidade dos estudantes para o enriquecimento do processo educativo? De que forma?
• Na sua opinião, estas enquadram os princípios da Educação Intercultural? Porquê? Porque não?
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Actividade 3
Observe a tabela seguinte que contém os objectivos educacionais gerais da educação obrigatória nalguns países europeus.
Espanha Noruega Letónia Portugal Reino Unido Áustria Rep. Checa
- Favorecer a socialização de rapazes e raparigas. - Fornecer-lhes uma educação comum que lhes dê a oportunidade de. - Adquirir uma origem cultural básica. - Ganhar o domínio da expressão oral e também da leitura da escrita e da aritmética - Adquirir uma autonomia gradual nos seus ambientes respectivos - Expandir a capacidade dos indivíduos de perceber e participar, de experienciar, de enfatizar e de exceder. - Fornecer perspectivas e orientação para o futuro. - Gerir os aprendentes, em si próprios, pode tomar parte no desenvolvimento alargado de práticas herdadas e na aquisição de novo conhecimento. - Capacitar os estudantes da variedade e objectivos do mundo do trabalho e conceder o conhecimento e competências necessárias para a sua participação activa nele. - Ensinar e combinar know – how com o contributo humano, para desenvolver uma força de trabalho que seja altamente qualificada e versátil, e combinar uma perspectiva internacional com a distinção nacional. - Inspirar os indivíduos para que realizem o seu potencial em formas que sirvam o bem comum; nutrir a humanidade numa sociedade em desenvolvimento. - Fornecer aos estudantes o conhecimento básico necessário e as competências para a vida pessoal e social; - Gerar as bases para uma educação avançada; - Favorecer o desenvolvimento harmonioso e o crescimento da personalidade; - promover atitudes responsáveis para consigo próprio, família, ambiente circundante e o estado. - Aprender a estudar e a adoptar as competências básicas para usar a TIC; - Ganhar a possibilidade de ganhar experiência em actividades criativas; - Atingir capacidades de comunicação e de cooperação. - Assegurar uma educação global para todas as crianças e adolescentes, garantindo-lhes a descoberta e desenvolvimento dos seus interesses e competências, a capacidade para pensar, reter o que foi aprendido, desenvolver uma mente criativa e crítica. - Fornecer aos estudantes o conhecimento básico que lhes irá permitir continuar os seus estudos ou para frequentarem cursos de treino vocacional; - Desenvolver uma capacitação nacional que seja ao mesmo tempo universal em perspectiva e encoraje a solidariedade e a cooperação internacional; - Encorajar o treino do cidadão e um sentido de responsabilidade cívica, formando cidadãos que irão participar democraticamente na vida da comunidade; - Garantir às crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais condições apropriadas para o seu desenvolvimento e para os ajudar a fazer uso integral das suas capacidades; - Participar na informação educativa e no processo de orientação com as suas famílias; - Promover o desenvolvimento espiritual, moral cultural, mental e físico dos alunos da escola e na sociedade. - Preparar os alunos para as oportunidades, responsabilidades e experiências da vida futura. - Dar às crianças um começo excelente na educação para que tenham melhores fundações para futuras aprendizagens; - Permitir a todos os jovens que desenvolvam e se equipem com competências, conhecimento e qualidades pessoais necessárias para a vida no trabalho; - Encorajar e permitir aos estudantes que aprendam, melhorem as suas competências e enriqueçam as suas vidas. - Promover e alimentar a vontade de aprender, competências, interesses e talentos; - Reforçar e desenvolver a fé dos alunos nas suas próprias conquistas. - Reforçar ou construir competências sociais. - Melhorar as competências linguísticas. - Formação gradual de atitudes apropriadas de aprendizagem e de trabalho. - Transição das formas de aprendizagem orientadas para o jogo na educação pré-escolar para um processo de aprendizagem objectivado, independente e baseado na conquista de resultados. - Nível cognitivo – é requerido dos estudantes que aprendam o conhecimento que é a base da cultura geral, prepara as condições para a comunicação e os ajuda a orientar-se face a incentivos fora da escola; - Nível de capacidades e competências ex: capacidade para aplicar competências adquiridas em situações de vida real; - Nível dos valores e atitudes os valores morais humanos, que são parte das tradições europeias, são fundamentais, valores dos quais a sociedade democrática e a ordem legal dependem e valores que permitam que os estudantes formem relações responsáveis com as acções próprias.
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Seleccione os objectivos de pelo menos dois países e avalie-os sob a perspectiva da abordagem intercultural. Tente responder às seguintes questões:
• São estes objectivos formulados a partir de uma perspectiva inclusiva? • Referem-se à diversidade dos alunos e das famílias? Como?
• Promovem alguma forma de transformação da escola / sociedade?
• Estão formulados de forma que todos os estudantes atinjam resultados válidos? Porquê? Porque não?
• São significativos e úteis? Para quê? Para quem?
Escreva as suas conclusões e dê realce às conquistas e incompletudes que possa encontrar.
Actividade 4
A escola tem que ser um espaço de inclusão e partilha. Mas demasiado frequentemente torna-se um espaço de torna-segregação e de não capacitação. Um lugar onde os indivíduos e as diferenças culturais não são aceites nem respeitadas.
Lloyd Colfax, um amigo de Makah que é professor em Washington, disse-me:
Para fazer os índios comprometer-se com os princípios europeus de comportamento social tornou-se necessário separá-los dos seus próprios valores que tinham tido propagação, com sucesso, durante milhares de anos. A ameaça principal foi individualizar o pensamento de cada pessoa índia para a descomprometer com as suas tendências naturais de pluralismo.
O sistema escolar nasceu da Revolução Industrial. A filosofia parece ser tornar-se um produto que se irá adequar à máquina industrial dos nossos tempos. A implicação é de reforçar a ideia de perseguição de carreiras [genéricas].
Mas há muito poucas carreiras nas reservas índias. As tentativas de continuar a educação nesta teoria aumentam a possibilidade de conflito. Se uma criança índia vai abandonar os seus valores como lhe foram dados de geração para geração... tem que estar preparada para aceitar as consequências da sua decisão. Isto é extremamente difícil de fazer, especialmente devido aos aspectos legais pelos quais está determinado. Ele é ainda um índio, com uma relação definível com a sua tribo.
A própria promessa da democracia é contrária ao tribalismo no sentido de que advoga um respeito e preocupação com o individualismo como um direito de nascimento. As abordagens tribalistas são mais um auto-sacrifício, um auto-preenchimento com relações próximas à família e à comunidade. Se a promessa de uma educação optimizada significa que o ensino e a aprendizagem deveriam ser individualizados... as escolas têm que lançar um outro olhar à sua posição. Sendo índios, temos valores diferentes da sociedade não índia, uma filosofia de vida diferente, aspirações diferentes na vida e a efectiva possibilidade de termos objectivos diferentes.
educação obrigatória
Aqui, infelizmente, a cultura de Roma, depois de cinco séculos de vida em comum, ah..., continua a ser o enorme desconhecido... Não é conhecida, não aparece em livros escolares que nós chegámos em 1425, a prossecução e a “pragmática” não são de todo abordadas... E mais lamentavelmente, a comunidade de Roma não é mencionada em relação com o Holocausto, e houve quinhentas mil pessoas que morreram nos crematórios, e tem sido bastante disseminado o assunto do povo judeu... Penso que tudo isto é uma falsidade, acho que não somos verdadeiros ao contarmos a nossa História, nós (o povo de Roma) contribuímos para a fundação da nação Espanhola...
(Fernández Enguita, 1999)
Presentemente compreendemos que os lugares a que chamávamos casa realmente não pertenciam à Suécia.
Fomos de certa forma incluídos como um pensamento superior à posteriori, uma espécie de gente ocupando estranhamento algumas zonas pantanosas desertas no norte, passando apenas parcialmente como suecos. Nós éramos diferentes um pouco pobres diabos, um pouco não educados, um pouco não desenvolvidos em termos espirituais.
Não tínhamos veados, toupeiras nem rouxinóis.
Não tínhamos um “jetset”. Não tínhamos montanhas-russas, não tínhamos castelos nem grandes solares.
A única coisa que realmente tínhamos era uma incrível abundância de mosquitos, e depois tínhamos o modo de praguejar Tornedal-Finnish e os comunistas.
Estava a crescer em faltas. Não num sendo materialista. Governávamo-nos. Mas faltava-nos a nossa identidade. Não éramos nada. Os nossos pais não eram nada. Os nossos ancestrais não tinham significado nada para a história sueca.
Os nossos apelidos eram impossíveis de soletrar, para não mencionar pronunciar, para os novos professores – noviças que eram suficientemente corajosos para deixarem a verdadeira Suécia por nós.”
(Mikael Niemi: Popular – music from Vittula).
Faça uma reflexão acerca das opiniões e sentimentos expressos nos textos anteriores. Analise criticamente as circunstâncias e razões implícitas e explícitas que actuam por trás destas situações. Conhece outros casos similares a estes? O que acontece quando a cultura das pessoas não é reflectida ou é mesmo negada na escola? Como pode a educação obrigatória dar resposta a isto?
Actividade 5
O vídeo INTER inclui alguns videoclips úteis para reflectir acerca das preocupações principais deste módulo. Procure identificá-las e tente analisar o que vai ver segundo a perspectiva das suas reflexões anteriores.
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propostas de colaboração
PROPOSTA 1. Clarificando as suas ideias acerca da educação
Divida um pedaço de papel em três partes. Na primeira, escreva as suas próprias ideias sobre Educação: para que serve, ou para que deveria servir. Lembre-se do que pensou quando decidiu ganhar a vida como professor. Na segunda secção, por favor escreva o que pensa que os pais pensam acerca da educação: porque mandam os seus filhos para a escola?, o que requerem das escolas? Na terceira secção deveria fazer o mesmo acerca dos seus alunos: Para que é que eles pensam que a Educação serve? O que esperam depois de acabarem a escola?
Depois de estas ideias terem sido escritas num pedaço de papel, deveria contrastá-las com ideias que os pais e os alunos têm efectivamente acerca da Educação. Pode organizar uma entrevista com pais que sejam cooperativos, ou abordar o assunto na sala de aula e perguntar aos seus alunos, ou pode dar a ambos um questionário padrão para colher opiniões acerca das seguintes questões:
• Para que serve a escolarização?
• Como é que as escolas ajudam as pessoas a ganhar a vida?
• Porque é que a escolarização é importante e necessária nas nossas sociedades? Compare e analise as ideias que recolheu dos estudantes e dos pais com as que começou por assumir em primeiro lugar. Concentre-se nas contradições e procure explicá-las.
O que aprendeu ao fazer a análise? Pensa que algumas das suas ideias anteriores deveriam ser mudadas? Quais? Porquê? De que tipo de escola gostaria para si, para os seus filhos,...? Como é que ela deveria ser? Faça uma síntese num documento breve e expresse as suas conclusões. Elabore um documento alternativo acerca dos objectivos da escolarização com a participação de todos os membros da comunidade escolar.
PROPOSTA 2. Comparando ideias acerca da educação com a prática educativa
Como acabou a actividade anterior, gostaríamos que comparasse ideias e prática. Quais das ideias sobre Educação estão a ser preenchidas na sua sala de aula? Haverá algumas práticas educativas que estejam a conduzir o seu ensino para atingir as suas ideias acerca da educação em geral? Quais? Haverá algumas práticas que contradigam essas ideias? Haverá algumas dessas ideias deixadas de fora? Porquê? O que poderia fazer para promover o encontro entre as práticas e as ideias? Haverá algumas barreiras para combinar suavemente a prática e as ideias? O que pode fazer acerca delas?
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1. Pensando nos objectivos educativos na sua escola: Como terceiro passo no processo deveria ter em conta análises prévias acerca de ideias e práticas para comparar agora com os objectivos educativos efectivos no seu próprio centro escolar. Se a escola tiver desenvolvido um documento que reflicta os seus objectivos educativos (“Proyecto de Centro” em espanhol) deveria recorrer a ele para os analisar em contraste com as suas conclusões anteriores. Mais uma vez deveria reparar onde eles se encontram ou se separam uns dos outros, apontando as razões e desenvolvendo conclusões acerca da sua viabilidade.
2. Partilhando as suas descobertas com outros profissionais: Se puder, faça um cartaz que reflicta as suas descobertas nas três actividades anteriores, poderia ser uma forma excelente para as partilhar com outros professores, as discutir, e elaborar propostas para provocar mudanças. Se consultar os objectivos da Educação Intercultural, obterá uma análise mais rica e mais focada.
3. Organizando um workshop para professores: Discuta estas ideias (pode também convidar pais). Escreva as conclusões do workshop para serem sintetizadas num relatório escrito para serem comparadas, como avaliação no final deste módulo, com os objectivos da Educação Intercultural.
(Esta actividade tem que ser colocada na sala de aulas efectiva dos professores para mostrar as suas circunstâncias específicas – classe social, nível de escolarização, etc.)
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Planeando e adaptando o currículo
1. Os seguintes objectivos gerais são exemplos reais extraídos dos documentosprojectuais institucionais de diferentes escolas europeias. Junte-lhes os objectivos de mais uma escola real do seu contexto (uma escola que tenha conhecido como estudante, professor ou profissional, como pai ou mãe). Analise esses objectivos relacionando-os com os objectivos da nossa prática educativa. Procure identificar os que são significativos e os irrelevantes ou contraditórios à perspectiva intercultural. Acha que estas escolas se podem tornar um espaço de transformação social? Faça sugestões para melhorar e mudar.
A Escola Alternativa Jurmala foi fundada em 1991 como uma escola não-privada nacional experimental para desenvolver e testar princípios educacionais para uso alargado no sistema escolar de Letónia. Actualmente, a Escola Alternativa Jurmala é frequentada por crianças na pré-primária (3 aos 6 anos), e na escola básica (do 1º ao 9º anos). A escola desenvolve o seu currículo com base nos seguintes princípios:
• A educação é baseada nas necessidades e experiências da criança. • O professor é um consultor.
• A escola é um microcosmo do mundo mais amplo.
• Os recursos educativos são variados. A ênfase é posta na compreensão do ambiente da criança para a escola, bairro, vizinhança, cidade , país, mundo, universo.
As competências são os meios não os fins da educação.
Para além de fornecer uma educação às crianças, a escola Alternativa Jurmala foi mandatada para: • Desenvolver educação individualizada e outros métodos de ensino.
• Incorporar projectos, excursões, actividades práticas no processo de aprendizagem diário. • Oferecer internatos para estudantes de educação.
• Providenciar seminários de formação para professores. • Preparar materiais de ensino.
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CENTRO ESCOLAR DE MONSERRAT (MADRID) Pressupostos educativos
• Educação para a vida, promoção de atitudes de responsabilidade, trabalho, argumentação/sustentação, pensamento crítico e uma defesa explícita dos Direitos Humanos.
• Respeito pelas características dos indivíduos, que têm que ser avaliados em função do seu esforço e não pelos seus resultados.
• Os direitos de todas as pessoas são os limites da liberdade de cada um.
• Sustentação, respeito mútuo e trabalho cooperativo são as atitudes que conduzem a uma boa convivência e à rejeição de qualquer forma de discriminação.
• Desenvolvimento de todas as capacidades dos estudantes para promover uma educação integral. Objectivos Gerais 2002-2003
1. Manter os pressupostos de respeito, responsabilidade e participação. 2. Promover a ligação entre o trabalho tutorial e os seminários.
3. Dar poder à participação dos estudantes em actividades diversas e em comissões no próprio centro para atingir uma educação integral.
4. Aumentar a exigência e rigor dos conteúdos.
5. Desenvolver estratégias de estudo para cada disciplina, tornando claros os critérios de avaliação e os programas dos trimestres.
2. “O que é importante naquilo que os estudantes aprendem na escola não é principalmente o currículo ‘aberto’ de disciplinas como Francês e Biologia, mas valores e crenças tais como conformidade, saber qual o seu lugar, esperar pela sua vez, competitividade, valor individual e deferência para com a autoridade. O currículo oculto ensina aos estudantes ‘o modo como a vida é’ e que a educação é uma coisa que é feita para eles em vez de uma coisa feita por eles. Os valores prevalecentes na sociedade são ‘captados’ pelos estudantes.” (Whitty e Young 1976)
Leia as histórias seguintes. Todas elas nos dizem algo acerca daquilo que chamamos o “currículo oculto” e sobre a sua influência nos alunos. Os valores implícitos, expectativas, crenças, sentimentos, preconceitos que estão por trás do comportamento dos professores. Torne explícitas as mensagens que pode encontrar nelas. Analise as suas possíveis implicações para estudantes e professores.
Na minha pesquisa, perguntei aos estudantes o que os professores faziam ou diziam para lhes mostrar que os achavam espertos. Os estudantes escreveram que os professores sorriam, conversavam com eles, lhes davam uma palmadinha nas costas, pareciam orgulhosos deles, ou “chamou-me à parte e disse-me que eu estava a ir bem”. Os estudantes deram as seguintes razões para pensarem que o que um professor pensa ou acredita acerca deles afecta o modo como sentem acerca de si próprios:
“Sim, porque se ele ou ela me diz que sou esperto, eu sinto-me feliz e começo a fazer o meu trabalho”. “Se um professor acredita no estudante, dá-lhe maior auto-confiança”.
“Acho que se um professor não acredita em mim, eu nunca atingirei nada”.
....Trabalhos, palavras, acções: Às vezes os professores não se apercebem do impacto tremendo que estes podem ter... as palavras dos professores e a as suas crenças também podem moldar futuros.
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Big Arnie, um antigo professor da pré-primária, tinha sido contratado como novo professor de apoio da escola, responsável por organizar uma sala de aula que acomode grupos de estudantes que achem difícil funcionar em ambientes de sala de aula regulares. Arnie pôs ao dispor hóquei em miniatura, ténis de mesa, dardos, macramé, lições acerca de como usar um ió-ió, e lápis de cor Star Wars. Ele também serviu como um painel de captação de som para os problemas dos estudantes.
Os professores podiam escolher até cinco alunos de cada sala, e mandá-los para a sala de Arnie, durante meia hora, de cada vez. Alguns professores usam a oportunidade de ir para a sala de Arnie como suborno, para que os alunos acabassem o seu trabalho. Outros professores admitiram que mandavam para Arnie os alunos de que não gostavam, só para os tirarem da sala.
(McLaren, 1998: 84) Cristina (a professora) às vezes anda à volta
da mesa da Saida e, embora vendo a rapariga com a mão no ar, não lhe presta qualquer atenção. A rapariga tem estado com a mão no ar há vários minutos e finalmente decide pô-la para baixo e simplesmente olhar para Cristina. Entretanto, esta continua a falar para o resto das crianças acerca de como levar a cabo o trabalho. A professora senta-se à frente do grupo e Saida ergue o braço de novo. Cristina não lhe presta qualquer atenção. (Classroom Observation, from Bartolomé, 1997: 249)
A professora do 3º ano, enquanto vai para a sala de aula, explica-me que todas as crianças no “seu grupo” são muito participativas. Mais tarde, observando-as directamente, tenho oportunidade de “confirmar” a sua asserção: se alguém durante a lição não fez nenhuma intervenção para fazer perguntas ou contribuir de alguma forma, a professora desafia-o/a a “participar” fazendo-lhe uma pergunta directa: quem é que pode fugir de falar...?
(extracto das notas de campo de um membro da equipa INTER) (veja “participação” no Glossário)
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recursos específicos e links adicionais
http://www.right- to-education.org O Right To Education Project (REP) é um recurso de direitos humanos de acesso público, o único
site desse tipo no mundo devotado
unicamente ao direito à educação. Foi começado por Katarina Tomasevski, o único Relator Especial acerca do Direito a Educação, Da Comissão das Nações Unidas para Os Direitos Humanos.
Lyman, Isabel. Homeschooling: Back to the Future? http://www.cato.org/pubs/pas/pa-294.html Illich, Ivan. Deschooling Society. http://reactor-core.org/deschooling.html
Banks, James A. Multicutural Education: Goals and Dimensions
http://depts.washington.edu/centerme/view.htm
Gorski, Paul C.: http://www.mhhe.com/socscience/education/multi/define.html
http://www.multiworld.org
O Multi World Network tem um objectivo principal: gerar e apoiar, no actual sistema ‘educativo’, oportunidades de aprendizagem melhores, diversificadas e mais eficazes que respeitem a liberdade e assegurem vidas de dignidade individual.
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http://portal.unesco.org/education
UNESCO e
http://www.ibe.unesco.org
International Bureau of Education.
Descrição de actividades ao nível internacional, regional e local. Uma das funções do IBE como observatório de estruturas, conteúdos e métodos educacionais, é manter um centro de informação educacional internacional.
http://www.eip-cifedhop.org/english/index-en.html
A World Association for the School as an
instrument of peace (EIP) leva a cabo as
suas actividades na área dos direitos humanos e da educação para a paz. Convencida do papel fundamental que a escola pode desempenhar, a EIP trabalha para despoletar uma capacitação disto nos círculos educacionais, autoridades governamentais e opinião pública. O seu trabalho tem como objectivo desenvolver atitudes, competências e conhecimento em relação ao atingir dos direitos humanos, liberdades fundamentais e resolução de conflitos não-violenta.
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questões para reflexão e avaliação
Estas questões surgem de um dos objectivos deste módulo, nomeadamente “analisar criticamente a Educação obrigatória, os seus princípios teóricos e o seu papel social efectivo”.
Questão 1
Se pensa que os objectivos da Educação obrigatória são adequados e importantes, poderemos inclui-los plenamente no nosso esquema educativo? Poderemos usá-los como um guia para a nossa prática de ensino?
Questão 2
Analise o papel efectivo da Educação obrigatória. Pedimos-lhe que pense acerca daquilo que os estudantes efectivamente recebem ao seguirem a Educação obrigatória. Tem que fazer o enfoque nas diferenças entre o que eles deveriam obter e aquilo que efectivamente obtêm.