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(2) FICHA CATALOGRÁFICA Silva Junior, Milton Gomes da. A treinabilidade da atenção na prática esportiva: uma abordagem com goleiros de futebol de campo. / Milton Gomes da Silva Junior. -- São Bernardo do Campo, 2006. 42p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo. Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia, Curso de Pós Graduação em Psicologia da Saúde. Orientação : Luis Fernando Hindi Basile. 1. Atenção 2. Psicologia do esporte 3. Desempenho 4. Qualidade de vida I. Título. CDD 157.9.
(3) RESUMO Alguma forma de atenção está continuamente presente na atividade consciente humana, trazendo implicações e interesses tanto de cunho clínico quanto para a Psicologia da Saúde. A atenção é entendida como um estado seletivo, intensivo e dirigido da percepção. Dentro do contexto esportivo a muito da atenção para ser explorada. O objetivo neste trabalho foi testar a atenção de goleiros de futebol de campo através de duas tarefas experimentais. Nossas hipóteses foram que prática esportiva, especificamente em goleiros, e em função do seu treinamento, melhora seu desempenho em tarefas dissociativas do contexto peculiar ao esporte. E ainda; havendo melhora no desempenho, se é devida a componente perceptivo de discriminação, ao alocamento temporal de atenção, ou à sustentação da mesma por períodos prolongados, isto é, uma maior capacidade de concentração ou menos fadigabilidade. Comparamos 27 goleiros de futebol de campo, com idades entre 15 e 27 anos; separados por tempo de treino. Utilizamos neste estudo um programa comercial de computador, configurado para a criação de testes de atenção (Stim, Neurosoft. Inc); que controla todos os aspectos da tarefa. Correlacionamos tempo de reação e porcentagem de acertos com duração do treinamento dos goleiros em meses (e com a idade). Dividimos o grupo de goleiros em dois subgrupos, pela mediana de tempo de treinamento. Apesar da alta correlação entre tempo de treinamento e idade, inevitavelmente em nossa amostra, não houve correlação significativa entre idade e desempenho em ambas as tarefas. A correlação entre desempenho e tempo de treinamento foi altamente significativa na tarefa I. Não verificamos a correlação entre desempenho e tempo de treinamento na tarefa II, apesar da correlação significativa entre desempenhos nas duas tarefas. Foram feitas análises de correlações entre tempo de treinamento e desempenho nas tarefas separadas por blocos. Na tarefa I, a correlação entre tempo de treino e desempenho em cada bloco foi sempre significativa; tanto em teste paramétrico quanto em teste não paramétrico. Já na tarefa II não houve correlação significativa em tempo de treinamento e desempenho em qualquer dos blocos. Na análise categórica, ou seja, dos grupos divididos em dois subgrupos pela mediana de tempo de treinamento; a diferença de desempenho entre os subgrupos foi significativa apenas na tarefa I, no total de acertos (T- test de amostras independentes; F=4.36, p=0.037) e em acertos nos últimos dois blocos (bloco 3 p=0.048; bloco 4 p=0.026). Com o tempo de treinamento, a melhora no que diferenciar e o aumento na condição da fadigabilidade, tende a refinar e a diminuir. A prática esportiva pode de fato melhorar a capacidade perceptiva e a sustentação da atenção, que é à base da disciplina humana para realização de qualquer tarefa. Conseqüentemente, uma melhora afetiva e somática, além disso, uma melhora cognitiva e intelectual traz consigo uma aplicabilidade real na qualidade de vida das pessoas. Palavras Chave: 1.Atenção 2. Psicologia do Esporte 4.Tempo de reação 5. Desempenho. 3. Tarefa Experimental 6. Qualidade de Vida e Saúde.
(4) ABSTRACT. Any form of attention is continuously present in the human conscious activity, bringing implications and interests for both the clinical and Health Psychology areas. Attention is seen as a selective, intensive and directed state of perception. Within the sports context, there is much of attention field to be explored. The goal of this work was to test the goalkeepers’ attention by means of two experimental tasks. Our hypothesis was that the sports practice, specifically in goalkeepers because of their training, enhances their performance in tasks apart from the peculiar concept of the sport. What is more: it provides a performance enhancement, if it is due to the perceptive component of discrimination, to the temporal placement of attention or to the attention’s maintenance for extended periods; in other words, it provides a higher capacity of concentration and less fatigability. We compared 27 soccer goalkeepers, between the ages of 15 and 27, divided by their time of practice. In this study, we used a computer commercial program, configured to the creation of attention tests (Stim, Neurosoft. Inc.), which controls all of aspects of the task. We correlated the reaction time and the percentage of rights with the length of the goalkeeping raining in months (along with the age). We divided the group of goalkeepers into two subgroups by means of the training time median. Despite the high correlation between training time and age, in our sample there was no significant correlation between age and performance in both of the tasks. The correlation between performance and training time was highly significant on task I. we did not verify the correlation between performance and training time on tasks II, despite the significant correlation between the performance on the two tasks. Correlation analyses between training time and performance were carried out on the tasks, separated by blocks. On task I, the correlation between training time and performance in each block was always significant; both in the parametric and non-parametric test. On task II, however, there was no significant correlation between training time and performance in any of the blocks. In the categorical analysis, which is an analysis of the two groups that were divided into two subgroups by means of the training time median, the difference in performance between the subgroups was significant only on task I, in the total sum of rights (T-test of independent samples; F=4.36, p=0.037) and in the rights within the two blocks (block 3 p=0.048; block 4 p=0.026). With training time, the enhancement of what differs them and the increase in fatigability condition tend to refine and reduce. The sports practice can indeed enhance the perceptive capacity and the attention’s maintenance, which is the basis of the human discipline for the achievement of any task. Consequently, an affective and somatic increase, besides a cognitive intellectual increase, brings a real applicability in people’s quality of life. Keywords: 1.Attention 2. Sport Psychology 3. Experimental Task 4.Reaction Time 5. Performance 6. Life Health Quality.
(5) SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................1 1.1. A Atenção no esporte e suas propriedades ...................................................................3 1.2. Manutenção do foco de atenção .......................................................................5 1.3. Tipos de foco de atenção ..................................................................................5 1.4. Determinantes de formas de atenção ................................................................8 1.4.1. Características visuais....................................................................................8 1.4.2. Nível de ativação (level of arousal) ...............................................................9 1.4.3. Características da personalidade....................................................................9 1.4.4. Hora do dia ....................................................................................................9 1.4.5. Nível de aprendizagem ..................................................................................10 1.5. Concentração/atenção e desempenho ideal ......................................................11 1.6. Estudos com goleiros de futebol de campo ......................................................12 1.7. A pesquisa de campo X pesquisa de laboratório ..........................................................14 1.8. O papel do SNC (sistema nervoso central) no processo de atenção em jogadores de futebol.........................................................................15 1.9. Tempo de reação (velocidade de reação) – características fisiológicas no treinamento de atenção em goleiros ...................................................................16 2. HIPÓTESES ........................................................................................................18 3. OBJETIVO GERAL............................................................................................18 4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..............................................................................18 5. MÉTODOS ..........................................................................................................18 6. TRATAMENTO DOS DADOS ..........................................................................21 7. RESULTADOS ...................................................................................................22 8. DISCUSSÃO .......................................................................................................28 9. CONCLUSÃO.....................................................................................................31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................32 ANEXOS .................................................................................................................36 Anexo A Correlação entre idade, tempo de treino, erros Tarefa I e erros Tarefa II .............................................................................................................................................37 Anexo B Correlação entre desempenho em cada Bloco e tempo de treinamento .38 Anexo C T – test Tarefa II.....................................................................................39 Anexo D Figuras Tarefa I .....................................................................................40 Anexo E Figuras Tarefa II .....................................................................................41 Anexo F Figura das Tarefas...................................................................................42.
(6) 5. 1. INTRODUÇÃO. Alguma forma de atenção está continuamente presente na atividade consciente humana, trazendo implicações e interesses tanto de cunho clínico quanto para a Psicologia da Saúde. O ressurgimento de interesse em estudos de atenção deve-se a dois fatores: no desenvolvimento de métodos de avaliações comportamentais e análises de correlatos fisiológicos da atenção, (como tempo de reação, detecção de sinais, ressonância magnética funcional, eletroencefalografia, etc), bem como prejuízos primários da atenção (TDAH – Transtorno de déficit de Atenção e Hiperatividade), e secundários, presentes em outras psicopatologias. Por parte da Psicologia da Saúde, o interesse emerge também nas implicações em acidentes de trabalho, a importância da atenção em todos os aspectos cotidianos do trabalho ao lazer, e no desempenho das mais variadas atividades. Bem como na Promoção de Saúde em seus conceitos multidisciplinares, ditos: organizacionais, econômicos, ambientais e mudança de comportamento. A Promoção de Saúde envolve, segundo Cerqueira (1997), duas dimensões: a conceitual – princípios, premissas e conceitos que sustentam o discurso da promoção de saúde - e a metodológica – que se referem às práticas, planos de ação, estratégias, formas de intervenção e instrumental metodológico. Apesar de ainda persistirem controvérsias na definição da promoção de saúde e confusões relativas a seus limites conceituais com a prevenção, desde a década de 1980 muitos autores vêm procurando desenvolver, clarificar e disseminar o discurso da promoção. Como bem expressam Labonte (1996), Cerqueira (1997) e Mello et al. (1998), “o mesmo não pode ser dito quanto à dimensão metodológica da promoção. Apesar de os princípios estarem razoavelmente desenvolvidos, permanece a dificuldade de traduzi-los em práticas coerentes, a ponto das raras práticas que privilegiam a “nova promoção de saúde” se encontram ainda dispersas e desarticuladas”. Logo, portanto, o comprometimento da atenção em um contexto mais amplo atinge conseqüências para o nível de qualidade de vida das pessoas..
(7) 6. “Qualidade de vida é uma noção eminentemente humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial. Pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar. O termo abrange muitos significados, que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades que a ele se reportam em variadas épocas, espaços e histórias diferentes, sendo, portanto uma construção social com a marca da relatividade cultural (Minayo, Hartz, Buss, 2000)”. Segundo Berger e McInman (1993), “a qualidade de vida reflete a satisfação harmoniosa dos objetivos e desejos de alguém; isso enfatiza a experiência subjetiva mais que as condições objetivas de vida”. A qualidade de vida ou “felicidade” é a abundância de aspectos positivos somada a uma ausência de aspectos negativos. Ela reflete também o grau no qual as pessoas percebem que são capazes de satisfazer suas necessidades psicofisiológicas. Auquier et al., (1997) a qualificam como um conceito equívoco como o de inteligência, ambos dotados de um senso comum variável de um indivíduo ao outro. Martin e Stockler, (1998) afirmam que a qualidade de vida seja definida em termos da distância entre expectativas individuais e a realidade (sendo que quanto menor à distância, melhor). Para uma melhor caracterização da atenção, e em particular o estudo de possibilidades de modificações de seus supostos componentes, contribuímos com a presente pesquisa, sendo, portanto relevante para promoção de saúde. Se conhecermos quais possíveis componentes da atenção podem ser modificados por treinamento; que, nesse estudo é desenvolvido e explorado no campo esportivo, esperamos implicações terapêuticas, de reabilitação, e no que diz respeito ao desenvolvimento de técnicas para a promoção de saúde, como por exemplo, na prevenção de acidentes no trabalho e conseqüentemente na melhora do desempenho da atenção em geral. É de consenso, que o esporte, oferece um leque imenso de opções a ser explorado nos mais diversos estudos. A prática esportiva como atividade física e do ponto de vista não competitivo, ou seja, onde não se exige alto rendimento e performance de seus praticantes, é.
(8) 7. um fator de desenvolvimento de promoção de saúde física e mental, contribuindo, conseqüentemente, para melhora geral e específica de capacidades humanas. Logo, se torna objeto de exploração para investigações, como é o caso da atenção. Aqui investigaremos a influencia do esporte sobre diferentes aspectos da atenção. 1.1. A Atenção no esporte e suas propriedades O conceito de Atenção sob o ponto de vista encontrado na literatura da psicologia, de modo geral, fica entendida como: um estado seletivo, intensivo e dirigido da percepção. A atenção e seu papel no desempenho humano têm sido objetos de debate e de exame há mais de um século, começando com seguinte descrição clássica escrita por William James (1890) que diz: “Atenção é tomar posse pela mente, de forma clara e nítida, de um dos que parecem ser vários objetos ou séries de pensamento simultaneamente possíveis. Focalização e concentração de consciência são a essência. Elas implicam em afastamento de algumas coisas a fim de lidar efetivamente com outras”. Rubinstein (1973), afirma que a atenção carece de um conteúdo especial; ela manifesta-se no quadro da percepção e do pensamento. A atenção é uma faceta de todos os processos cognitivos da consciência, e precisamente aquela faceta em que tais processos aparecem como uma atividade orientada para o objeto. Já segundo Sternberg (2000), mais recentemente, diz que “a atenção é um fenômeno pelo qual processamos ativamente uma quantidade limitada de informações do enorme montante de informações disponíveis através de nossos sentidos, de nossas memórias armazenadas e de outros processos cognitivos”. No âmbito do esporte, um bom rendimento está freqüentemente ligado à capacidade atencional na execução de uma ação esportiva. Do ponto de vista da Psicologia do Esporte a atenção é apresentada com outras definições. Segundo Weinberg e Gould (1999), “a concentração é a capacidade de manter o foco de atenção sobre os estímulos relevantes do meio ambiente. Quando o ambiente muda rapidamente, conseqüentemente o foco de atenção precisa ser mudado também. Pensamentos sobre aspectos irrelevantes podem aumentar a freqüência de erros durante a execução de uma tarefa esportiva”. Já Rützel (1977) apud Samulski (2002), define atenção como um processo seletivo: a percepção e imaginação interna são dirigidas, focalizadas, fixadas e concentradas simultaneamente a um estímulo específico, ou seja, a conteúdos do pensamento e da.
(9) 8. imaginação. Logo, percebe-se nesta definição que atenção não compreende só o processo de recepção de informações de forma passiva, mas orientado ao processamento de informações de forma dinâmica. Porém, de acordo com Shubert (1981) apud Samulski (2002), ressalta que atenção é um estado consciente através do qual uma pessoa dirige processos psíquicos sobre um determinado objeto, uma pessoa ou uma ação. “A seleção da informação necessária, o asseguramento dos programas seletivos de ação e a manutenção de um controle permanente sobre elas são convencionalmente chamados de atenção”, enfatiza Lúria (1991). E acrescenta ainda, que o caráter seletivo da atividade consciente, que é função da atenção, manifesta-se igualmente na nossa percepção, nos processos motores e no pensamento. Se não houvesse essa seletividade, a quantidade de informação não selecionada seria tão desorganizada e grande que nenhuma atividade se tornaria possível. Davidoff (2001) descreve também que em todo momento de alerta, imensa quantidade de estímulos compete por nossa atenção. Comumente, as pessoas e outros animais concentram-se em uma mera gota de impressões. A essa abertura seletiva a uma pequena porção de fenômenos sensoriais incidentes chamados de atenção, que parece estar envolvida em muitas atividades mentais. Em um processo semelhante ao de uma filmadora, primeiro focamos um evento e depois outro. Os estímulos que se alojam na periferia ou nos limites da atenção formam um segundo plano. Baseados na literatura citada acima, definimos aqui alguns conceitos que serão utilizados no decorrer deste trabalho. Atribuiremos de Alocamento Temporal, como um estado expectante ou de expectativa (de preparo) da ordem de 1 segundo (ou milésimos de segundos); um aviso para espera de um estímulo subseqüente. A chamada concentração, citada por alguns autores anteriormente, aqui por sua vez, entenderá que se refere à capacidade de retornos (ou de inúmeros retornos) desse alocamento dito imediato ao longo de muitos segundos ou minutos. E por fim a fadigabilidade é aqui definida como sendo a perda gradual da capacidade de sustentação da atenção..
(10) 9. 1.2. Manutenção do foco de atenção Muitos atletas reconhecem que têm problemas para concentrar-se durante uma partida ou competição. Em geral seus problemas de concentração são causados por foco de atenção inadequado. Eles não estão se concentrando nos sinais certos; ao contrário, eles se distraem com pensamentos, com outros acontecimentos e emoções. Manter o foco de atenção, durante toda a competição ou qualquer outra tarefa, também faz parte da concentração. Muitos atletas têm instantes de grandezas; contudo, poucos podem manter um alto nível de jogo durante uma competição ou partidas inteiras. Silva e Applebaum (1989), em seus estudos sobre atenção e concentração e as estratégias cognitivas de corredores de maratona de elite, revelam que os maratonistas mais bem sucedidos usavam uma combinação de uma estratégia de atenção associativa (monitorizar funções e sensações corporais, como freqüência cardíaca, tensão muscular e freqüência respiratória) e uma estratégia de atenção dissociativa (distração e dessintonização) durante a corrida. Já outros trabalhos realizados por Schomer (1986), revelaram que embora ambas as estratégias estivessem sendo utilizadas, o aumento do ritmo da corrida era acompanhado por uma estratégia cognitiva predominantemente associativa; onde, a flexibilidade de atenção parece ser crítica, e os atletas desviam sua atenção entre um foco externo e interno, dependendo do estágio da corrida e de como eles se sentem em um determinado momento. Maratonistas menos bem-sucedidos usavam quase exclusivamente uma estratégia dissociativa durante toda a corrida. Estratégias de atenção dissociativas dessintonizam do corpo o feedback fisiológico para ajudar a lidar com o tédio e a fadiga da maratona. Entretanto, a falta de foco de atenção ao que está acontecendo no corpo, os tais sinais relevantes, pode freqüentemente resultar em despreparo para mudanças importantes, como câimbras musculares ou contraturas, quando o atleta subitamente sente que não pode ir adiante.. 1.3. Tipos de foco de atenção Até o momento, a idéia mais utilizada sobre o papel do estilo de atenção no esporte desenvolveu-se a partir da estrutura teórica de Nideffer (1976), que entendia o foco de atenção ao longo de duas dimensões: amplitudes (amplo e estreito) e direção (interno e externo)..
(11) 10 • Um foco de atenção amplo permite que uma pessoa perceba diversas ocorrências simultaneamente. Isto é particularmente importante em esportes em que os atletas têm que ter consciência e sensibilidade de um ambiente que muda rapidamente (eles devem responder a sinais múltiplos). Dois exemplos são um armador de basquetebol conduzindo uma ofensiva rápida e um jogador de futebol conduzindo a bola em direção ao gol. • Um foco de atenção estreito ocorre quando se responde a apenas um ou mais dois sinais, como um batedor de beisebol se preparando para receber a bola ou um golfista se alinhando para uma tacada. • Um foco de atenção externo dirige a atenção externamente para um objeto, como a bola no beisebol ou o disco no hóquei, ou para os movimentos de um adversário, como em um duplo match point no tênis. • Um foco de atenção interno é dirigido ao interior para pensamentos e sentimentos, como quando um técnico analisa jogadas sem ter que realizá-las, um saltador em altura se prepara para iniciar sua corrida ou uma jogadora de boliche apronta sua abordagem. Ainda em relação aos tipos de atenção encontrados na literatura; conforme Sternberg (2000), que existem quatro tipos no qual o autor separa como: Atenção Seletiva, Vigilância e Detecção de Sinal, Sondagem e Atenção Dividida. Aqui será enfatizado somente à chamada Vigilância e Detecção de Sinal, pois dessas citadas acima é a que nos interessa de fato para melhor esclarecer este trabalho. De acordo com Sternberg (2000), “a vigilância refere-se à capacidade de uma pessoa estar presente em um campo de estimulação durante um período prolongado, no qual ela procura detectar o aparecimento de um sinal, um estímulo-alvo de específico interesse”. Quando vigilante, a pessoa espera atentamente detectar um estímulo-sinal que pode surgir num tempo desconhecido. Tipicamente, a vigilância é necessária em ambientes no qual um dado estímulo ocorre apenas raramente, mas exige imediatamente atenção assim que ocorre. A vigilância, freqüentemente, é considerada à luz da teoria da detecção de sinal (TDS; signal-detection theory, SDT). Segundo a teoria de detecção de sinal, há quatro conseqüências possíveis de uma tentativa para detectar um sinal: acertos (também chamados “corretos-positivos”), nos quais identificamos corretamente a presença de um sinal; alarmes falsos (também chamados “falsos-positivos”), nos quais identificamos erroneamente a presença de um sinal que é realmente ausente; erros (também chamados “falsos-negativos”), nos quais deixamos erroneamente de observar a presença de um sinal, e, rejeições corretas.
(12) 11 (também denominadas “corretos-negativos”), nas quais identificamos corretamente a ausência de um sinal. A teoria de detecção de sinal foi uma das primeiras teorias a sugerir uma interação entre a sensação física de um estímulo e os processos cognitivos como a tomada de decisão. Algumas evidencias sugerem que podemos orientar-nos automaticamente e com préatenção quanto a um estímulo-sinal, antes de detectarmos conscientemente e atentamente esse estímulo, afirmam Posner, Snyder e Davidson, 1980, apud Sternberg (2000).. Tabela 1. Teoria de Detecção de Sinal (TDS) Teoria de detecção de Sinal Sinal Presente Sinal Ausente. Detecta um Sinal Acerto Alarme Falso. Não Detecta um Sinal Erro Rejeição Correta. Um dos trabalhos mais importantes sobre vigilância foi iniciado por Mackworth (1948) apud Sternberg (2000), que fazia as pessoas observarem atentamente um mostrador visual que se assemelhava ao mostrador de um relógio. Um ponteiro do relógio movia-se em passos contínuos e, de vez em quando, esse ponteiro dava um passo duplo. A tarefa dessas pessoas era pressionar um botão, tão logo quanto possível, após observarem um passo duplo. O desempenho individual começava a deteriorar-se substancialmente depois de exatamente meia-hora de observação. Na verdade, após meia-hora, as pessoas deixavam passar perto de um quarto (1/4) dos passos duplos. Parece que os decréscimos de vigilância não são devidos principalmente à redução da sensibilidade, mas mais exatamente ao aumento da sua dúvida sobre suas observações percebidas. A fim de relacionar esses resultados à TDS, parece, com o passar do tempo, que as pessoas tornam-se menos propensas ao risco de anunciar alarmesfalsos. Elas erram, ao contrário, deixando de anunciar a presença do estímulo-sinal quando não estão certas de que o detectaram, demonstrando, desse modo, freqüências mais altas de erros..
(13) 12 Sternberg (2000), afirma ainda que o treinamento pode ajudar a aumentar a vigilância, mas em tarefas que exigem vigilância ininterrupta a fadiga atrapalha o desempenho, assim pode não haver substituto algum para os freqüentes períodos de descanso, a fim de aumentar a detecção de sinal. 1.4. Determinantes de formas de atenção Existe uma variedade de fatores internos e externos que influenciam constantemente o estado atual de atenção e concentração. Cratty (1989), distingue os seguintes fatores internos e externos: A) fatores internos: sistema sensorial (sistema visual e auditivo), capacidade de processar informações, comportamento aprendido em situações específicas e características de personalidade. B) fatores externos: quantidade de informações, estresse social, complexidade dos estímulos. Cratty (1989) afirma que tais variáveis podem influenciar nos processos de atenção e concentração.. 1.4.1. Características visuais Samulski (2002), afirma que existe uma diferença entre atletas mais experientes e atletas iniciantes na maneira como movimentam os olhos, quando observam um objeto em movimento ou estático, ou quando direcionam o olhar de um objeto para outro. A velocidade para responder a um estímulo novo (devolver uma bola rapidamente no tênis), como também a eficiência para deslocar os olhos de um objeto para um outro ou de uma pessoa para outro, sofre influencia das diferenças individuais. Alguns desses processos podem ser modificados ou sujeitos à aprendizagem subconsciente com o tempo, e outros não podem ser facilmente alterados..
(14) 13 1.4.2. Nível de ativação (level of arousal) Conforme Samulski (2002), “atletas que apresentam uma grande eficiência na aplicação da atenção de curto prazo, possibilitando uma execução de ações adequadas em curtos períodos. Mas esse mesmo atleta pode não ser capaz de manter a atenção por um período de tempo maior, como normalmente é necessário em vários esportes”. Esta citação tem relação direta, portanto, com a questão da fadigabilidade da atenção, explanada no início deste estudo pelo pesquisador, no parágrafo final do item 2. Logo, pessoas que não possuem a capacidade de alternar níveis de ativação e as formas de atenção encontram dificuldade para se desenvolver no contexto esportivo e fora dele, especialmente em determinados esportes quer requerem constantes mudanças nos níveis de ativação e atenção.. 1.4.3. Características da personalidade Samulski (2002) e Weinberg & Gould (1999), relatam que extrovertidos são mais fortemente ativados e reativos aos seus próprios ambientes do que aqueles que apresentam um comportamento introvertido, e também são mais condicionados em experimentos psicológicos. Os autores verificaram diferenças neurológicas como, por exemplo, na formação reticular. Aonde, pode-se notar claramente, o contraste entre esses dois tipos de personalidade quando apresentamos uma tarefa de vigilância com duração prolongada. Os introvertidos conseguem uma maior eficiência durante os últimos estágios de uma tarefa prolongada, enquanto os extrovertidos acompanham melhores sessões de curta duração. Logo, nas tarefas que exigem uma atenção de curto prazo, a aprendizagem e o desempenho dos introvertidos podem ser inferiores aos dos extrovertidos. Por exemplo: a aprendizagem dos introvertidos é interrompida de forma mais fácil por distrações do que a dos extrovertidos; além disso, eles levam mais tempo para responder, são mais cuidadosos e ficam mais freqüentemente paralisados quando precisam tomar decisões em tarefas de atenção..
(15) 14 1.4.4. Hora do dia Qualquer variável que potencialize o nível de ativação deve provocar uma alteração na qualidade da atenção, como, por exemplo: fadiga, padrões de sono e hora do dia. Os níveis de ativação estão relacionados com os ritmos circadianos e com as flutuações de temperatura corporal durante o dia, enfatiza Cratty (1974). Cratty (1974), em seus estudos com objetivo de coletar relatos de indivíduos sobre os bons níveis de ativação e estado de alerta percebido por eles próprios, durante o decorrer de todo o dia, constatou a apresentação de algumas tendências. Tarefas complexas que requerem tomadas de decisão, atenção e desempenho são ótimos em torno do meio-dia. Em tarefas simples, a velocidade de execução e a atenção podem chegar a um ligeiro pique antes desse horário. A literatura específica, em caso de atletas, indica que o nível ótimo de desempenhoatenção ocorre por volta de meio-dia e parece atingir um pique quatro horas após um sono prolongado. Por isso, alguns atletas são submetidos, dentro de certo contexto, a modificação dos padrões de sono para obter um ótimo nível de atenção quatro horas após despertarem, independentemente da hora em que isso ocorra.. 1.4.5. Nível de aprendizagem Cratty (1989), ainda destaca que talvez a variável mais importante para ser considerada, quando se estuda as relações entre desempenho-atenção atleta, seja o nível no qual a tarefa ou subtarefa foi assimilada e aprendida. Quando uma determinada tarefa está automatizada a ponto de que sua execução exija pouca ou nenhuma atenção, e o desempenho se torne contínuo e inconsciente, dizemos que ocorreu aprendizagem. No contexto esportivo, freqüentemente, deve-se estar atento e participar de mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Essas tarefas podem aparecer primariamente como exigências motoras. Por exemplo: quando um atleta dribla o adversário e precisa observar a movimentação. de. seus. companheiros.. Outras. tarefas. podem. ser. caracterizadas. predominantemente por componentes da percepção. O atleta deve estar atento de forma consciente em duas ou mais tarefas simultâneas..
(16) 15 Em determinadas situações, as demandas de atenção e as necessidades energéticas para a estimulação da ativação são altas. Provavelmente ocorre uma interrupção, se uma distração ou tarefa adicional é somada à carga que o atleta já possui. Entretanto um atleta experiente que domina e automatiza uma grande variedade de tarefas, dispõe de uma energia atencional que pode ser aplicada a novas situações de jogo ou ser empregada para bloquear distrações e pensamentos negativos, enfatiza Cratty (1989).. 1.5. Concentração/atenção e desempenho ideal Garfield e Bennett (1984), investigaram os componentes de desempenho ideal e encontraram oito capacidades físicas e mentais que atletas de elite associam com desempenho máximo. Três dessas oito estão associadas com altos níveis de atenção/concentração. Especificamente, atletas descrevem-se como: • sendo absorvidos no presente e sem qualquer pensamento sobre o passado ou o futuro, • estando mentalmente relaxados e tendo um alto grau de concentração e controle, • estando em um estado de extraordinária consciência tanto de seus corpos como do ambiente externo. Ao compararem atletas bem-sucedidos com menos bem-sucedidos, Garfield e Bennett (1984), verificaram consistentemente que o controle da atenção é um fator discriminatório importante. Seus estudos revelam que atletas bem-sucedidos têm menos probabilidade de serem distraídos por estímulos irrelevantes; eles mantêm um foco de atenção mais orientado à tarefa, em oposição à preocupação ou ao foco no resultado. Uma outra linha de pesquisa demonstrando o papel chave do foco de atenção adequado diz respeito à diferença entre atletas considerados “craques” e “iniciantes”. Essa pesquisa levantada por Moran (1996), propõe que nem características físicas e nem fatores perceptivo-motores respondem totalmente pelas diferenças entre dois tipos de atletas. Ao contrário, evidências cada vez maiores sugerem que fatores baseados no conhecimento, como o sentido para onde um atleta dirige sua atenção, podem responder pelas diferenças de desempenho entre os craques e os iniciantes em uma variedade de esportes. Por.
(17) 16 exemplo, Moran (1996) afirma, que jogadores talentosos de Badminton e Squash são capazes de usar os sinais mais cedo do que os iniciantes para prever a trajetória da bola e devolvê-la. Em particular, os jogadores mais talentosos ficam atentos aos movimentos do braço e da raquete do adversário, enquanto os iniciantes se baseiam apenas nos sinais da raquete. A antecipação do movimento levou a tempos de decisão mais rápidos e a precisão superior entre os craques. A capacidade de usar “sinais antecipados” para fazer previsões sobre o movimento de jogadores da trajetória da bola ou sobre o movimento de jogadores parece ser uma característica distintiva de atletas mais desenvolvidos ou ditos “craques”.. 1.6. Estudos com goleiros de futebol de campo Estudos de desempenho em goleiros de futebol de campo levantam indícios da treinabilidade de componentes da atenção. Porém, paradigmas que variam entre situações de campo e de laboratório confundem a análise da atenção com os componentes motores e com os componentes perceptivos. Em estudo recente, Ranvaud e Morya (2002) analisaram e identificaram, no total de 75 pênaltis, os fatores que melhoravam o desempenho do goleiro. Por meio de vídeo – tapes analisaram a velocidade e trajetória da bola em relação à antecipação ou a movimentação do goleiro. Porém, apesar de transferirem a situação do contexto natural de campo para o laboratório, requeriam de goleiros decisões criticamente dependentes de aspectos perceptivos, ou seja, ao longo de muitos minutos para tomar a decisão (inferência do lado dos chutes). Em outro trabalho, Ranvaud et al. (2003), eliminaram aspectos perceptivos específicos ao contexto do futebol, porém sem grande consideração à discriminação de estímulos. Analisaram somente a reação de apertar um botão em sobreposição ao estímulo dado; ou seja, numa tarefa de “estimativa de tempo decorrido”. Outros estudos realizados por Taylor e Francis (2002), usaram uma metodologia para examinar diferenças de desempenho, baseada em habilidade de antecipação e comportamento de procura visual durante a penalidade no futebol. Goleiros novatos versus experientes tinham de executar uma tarefa de mover um joystick em resposta às penalidades apresentadas em filme. Avaliaram a freqüência e o tempo de iniciação para as correções feitas com o joystick. O comportamento de procura visual foi examinado por um sistema de inscrição de movimento dos olhos. Os goleiros mais experientes eram geralmente mais precisos em predizer a direção do chute, e a espera era mais longa antes de iniciar uma resposta, e fazia menos correções de.
(18) 17 movimentos com o joystick. Os goleiros mais experientes usaram uma estratégia de procura visual envolvendo menor número de fixações, e com duração mais curta, no que diz respeito às áreas irrelevantes para a tarefa. Já os novatos passaram maior tempo fixados no tronco, braços e quadris dos chutadores. Os mais experientes responderam melhor a um tipo de chute particularmente, e esperando sempre até o último momento o contato do pé do jogador com a bola. Porém, nenhuma diferença no comportamento de procura visual era observada entre penalidades bem sucedidas e fracassadas. Os resultados têm implicações para a melhora na habilidade de antecipação de penalidade. Williams (2000), também em pesquisa utilizando os mesmos recursos de Taylor e Francis (2002), constatou que goleiros mais experientes são mais precisos em decidir rapidamente suas defesas, e mesmo quando chegavam atrasados para defender a bola (em relação ao tempo de reação mensurado) acertavam mais a direção e trajetória da bola, em comparação com os goleiros menos experientes. Esse estudo sugere a existência do treino atencional que presentemente investigamos. Whitfield (2002), com um sistema computadorizado, monitorou somente os olhos dos goleiros na situação de penalidade. Comparou novamente goleiros mais experientes com não experientes. O pesquisador observou que os goleiros mais experientes fixavam o olhar somente nas pernas e principalmente no pé de apoio dos chutadores, enquanto os menos experientes perdiam o foco em áreas como braços e pernas no geral. Em tais estudos, quase nada pode ser correlacionado com o foco de nosso interesse, que são: o alocamento temporal de atenção propriamente dita na detecção de sinais, e a sustentação da atenção por períodos prolongados (a questão da redução de fadiga atencional). E ainda, a mensuração de componentes da atenção na ordem de segundos (como tempo de reação, por exemplo) não é explicita por seus pesquisadores. Portanto, não com diz com o que se quer alcançar através do instrumento dessa pesquisa, e, no entanto ao controle das variáveis especificamente. Apenas os estudos com goleiros experientes e não experientes se aproximam da idéia central deste estudo. E ainda, mesmo que os indícios nas pesquisas apontam para um possível treinamento, comparando novatos versus experientes, não deixa claro qual ou quais componentes são de fato treináveis na atenção. A escassez de pesquisas sobre o assunto dificulta ainda mais conclusões definitivas sobre o tema. Portanto, mesmo sendo conhecida sua importância para o esporte, mas, também em outras condições gerais; é pequena a atenção destinada pela literatura científica acerca desse.
(19) 18 evento (a atenção), necessitando portanto, mais investigações para contribuir no aperfeiçoamento dos métodos de treinamento da atenção. Schubert (1981) afirma sobre o goleiro experiente que; “o mesmo está sempre atento à bola todo o tempo do jogo, mesmo quando não tem contato imediato com ela”. De acordo com Schubert (1981), para poder defender uma penalidade máxima com sucesso, o goleiro necessita de alta capacidade de antecipação. Já que a bola na penalidade máxima está na rede em menos de 0,5 segundos e, nesse mesmo período, o goleiro só pode realizar movimentos laterais cerca de 2 metros. Ele tem probabilidade de defesa em penalidade máxima bem-cobrada no momento em que o cobrador entrar em contato com a bola e já tiver decidido de forma determinada a ação a ser realizada. A reação óbvia do goleiro, quando observada superficialmente, é o resultado de um rápido complexo cognitivo (psicológico). O conhecimento e as regras da evolução do movimento podem levar as estratégias de percepção que têm "função diagnóstica" e, portanto, aumentam a probabilidade de defesa do goleiro. A qualidade das ações de defesa do goleiro depende diretamente da sua capacidade de observação: quando determinados sinais aparecem, o goleiro experiente pode colocá-los em ligação com o intuito de ação do cobrador na penalidade máxima e, assim, encurtar o complicado e dispendioso, em relação ao “tempo”, processo cognitivo com um "atalho". O goleiro pode melhorar suas possibilidades de defesa bem-realizada por meio do encurtamento do tempo de reação. Portanto, no treinamento, deve-se exercitar a capacidade de observação do goleiro de forma planejada. A capacidade e a velocidade de percepção e a de antecipação não são treinadas em separado. O melhor é treiná-las com jogos e formas de jogos, mas de forma complexa.. 1.7. A pesquisa de campo X pesquisa de laboratório Este trabalho realizado em laboratório, trás esta necessidade, pelo fato de tratar uma especificidade do objeto aqui estudado, a “atenção”. No caso, para melhor aproximação dos resultados que queremos investigar, controlaremos as variáveis desta pesquisa com o instrumento utilizado na aplicação dos testes (o computador). Pois o que se quer investigar seria inviável em uma observação e/ou aplicação de teste em campo, ou seja, durante a atividade dos sujeitos aqui estudados (o treinamento). A retirada do participante desta pesquisa de seu meio de atuação, é proposital e necessária, para um melhor isolamento das.
(20) 19 propriedades do que se quer investigar. No laboratório é de nossa intenção podermos simular, controlar e aproximar somente da realidade o que de fato acontece.. 1.8. O papel do SNC (sistema nervoso central) no processo de atenção em jogadores de futebol. “Os sinais visuais levam em torno de 50 a 100 milésimos de segundo para chegar ao cérebro. Uma vez dentro dele, outras conexões são necessárias para transformar sinais brutos em resposta mental”, afirmam Zatziorski apud Frisselli e Mantovani (1999). Os autores em seus experimentos relatam que; quando se pede para jogadores iniciantes que chutem a bola assim que a luz pisca, eles levam 200 milésimos de segundo, 1/5 de um segundo. Cerca de 120 milésimos de segundo são necessários para registrar o fato de que a luz piscou e outros 80 para dar o chute. Esse tempo é necessário para uma simples tarefa que não exige pensamento. Para qualquer outra que requer atenção, o atraso da resposta fica próximo de meio segundo. Já o cérebro de profissionais treinados, simplifica o problema gastando o menor tempo possível. Para subir e descer até o fim da hierarquia de processamento, a resposta mental leva meio segundo. Criar pontes entre centenas de áreas corticais exige trabalho. O cérebro pode criar atalhos nessa resposta e reagir fora dos padrões, cortando o tempo de processamento de 500 milésimos de segundo para apenas 200. “Existem estruturas cerebrais especializadas nesse trabalho. Um agrupamento de centros nervosos, os gânglios basais, abriga-se dentro dos hemisférios cerebrais, “observando” silenciosamente os padrões de atenção e a tomada de decisões na lâmina cortical acima. Em vigilância, os gânglios basais começam a ver quais padrões sensoriais produzem mais tarde determinada resposta. Eles poderão fazer, literalmente, um curto-circuito para a produção daquele estado de saída. Assim que o tipo certo de sensação começa a chegar, os gânglios basais poderão disparar à mesma resposta de maneira imediata, sem pensar. A tarefa será feita como se o cérebro superior tivesse ponderado cuidadosamente a sua resposta. Esse é um truque inteligente para poupar tempo, que funciona quando o cérebro experimenta a mesma situação em ocasiões suficientes para conseguir uma conexão na forma de hábito. Isso vai reverter um padrão de ação fixa ou automatismo. Mas tal atalho só reduz o atraso na resposta de meio segundo para 1/5 de segundo; Frisselli e Mantovani (1999)”..
(21) 20 Portanto, pode-se supor aqui, que cada novo momento será parecido com o anterior. Mesmo que exista surpresa, aquilo que o cérebro registrou um segundo atrás continuará sendo verdadeiro no futuro, gerando expectativas sobre o que virá e reagindo cada vez mais rápido. Logo, sugerindo então, uma relação de “treinamento” dessas situações especificamente, poderíamos utilizar tal, para maiores ganhos nas mais diversas tarefas e eventos, no que diz respeito à utilização da atenção pelas pessoas.. 1.9. Tempo de reação (velocidade de reação) - características fisiológicas no treinamento de atenção em goleiros. Pode-se entender a velocidade de reação ou tempo de reação como o intervalo de tempo transcorrido entre o inicio do estímulo e o inicio da resposta, ou seja, do movimento. A grandeza da reação motora é determinada por dois fatores: fisiológico e tático. O fator fisiológico é explicado entendendo como ocorre a formação da imagem e a resposta a um ou mais estímulos em uma situação desportiva. Frisselli e Mantovani (1999) verificaram através dos estudos de Zatziorski (1989), que o mesmo, divide tempo de reação, de forma didática, em 5 etapas: em primeiro momento denominado “t1” ocorre à captação dos estímulos através dos órgãos receptores correspondentes; no segundo momento “t2” é o tempo que esses estímulos levam para percorrer as vias aferentes ou sensitivas até a zona cerebral correspondente a cada sentido; a seguir tem-se o “t3” que é o tempo que demora a elaboração da resposta de acordo com a experiência motora prévia; o “t4” é o tempo que a imagem formada demora para percorrer as vias eferentes ou motoras até a placa motora e finalmente o “t5” que é o tempo que o músculo demora para estimular-se e iniciar a contração. As quatro primeiras fases do tempo de reação são chamadas de período de latência ou período latente, ou ainda de período pré-motor; a quinta fase é iniciada no momento em que o estímulo de resposta ultrapassa a placa motora e o movimento motor consciente se inicia, e é chamado de período motor. Ao contrário da reação no esporte individual que ocorre de forma simples, no futebol o tempo de reação é complexo. Pode-se entender o tempo de reação complexo, como uma.
(22) 21 subdivisão da velocidade de reação que ocorre quando um sujeito deve reacionar a diferentes tipos de estímulos, auditivos, visuais, táteis; enfatizam Manso, Valdivieso e Caballero (1996) apud Frisselli e Mantovani (1999). Essas reações ocorrem a um objeto em movimento e se caracteriza pela condição de avaliar a direção e velocidade dos futebolistas e da bola. Na prática do futebol, ocorrem dois tipos de reação complexa: as reações de escolha e as reações de antecipação. Quadro 1. Fatores treináveis ou não nos períodos de reação pré-motor Etapa T1. Características Tempo que o estímulo demora para chegar ao órgão receptor correspondente.. Treinabilidade Melhora. da. capacidade. de. atenção.. T2. Tempo que o estímulo leva para percorrer a via aferente.. Não é treinável.. T3. Tempo de elaboração da resposta, ou seja, seleção da. È. o. fator. de. maior. resposta apropriada de acordo com a memória esportiva. desenvolvimento da velocidade de reação. T4. Tempo que o estímulo leva para percorrer a via eferente.. Não é treinável.. T5. Tempo que demora para iniciar-se a contração. Sua treinabilidade varia com o tipo. muscular.. de fibra, grau de tensão, viscosidade e temperatura muscular.. Fonte : Garcia Manso, Valdivieso, Caballero (1996).. Segundo Cunha (1998), um chute razoavelmente forte, pode-se considerar uma velocidade em torno de 20 m/s, ou seja, 72 km/h. Segundo o autor, a marca do pênalti até o canto, a 16 cm do poste, a bola, a 20 m/s, leva 0,575 segundo. O goleiro, por sua vez, gasta 0,12 segundo para reagir e mais 0,874 para ´voar´ do centro do gol até o local onde a bola passou. Portanto, estará no meio do caminho quando a bola estiver cruzando a linha do gol. Para que ele pudesse alcançar a bola, deveria se deslocar a uma velocidade de 7,7 m/s", velocidade muito acima dos 4 m/s máximos de impulsão registrados pelo pesquisador em seus estudos..
(23) 22 Neste trabalho, estudaremos se possíveis melhoras de desempenho em goleiros (em função do tempo de treinamento) de fato deve-se a uma maior eficiência no alocamento temporal da atenção. Diferenciaremos essa possibilidade de uma melhoria puramente perceptiva (discriminação de estímulos), ou na sustentação da atenção por períodos prolongados, ou seja, uma maior capacidade de concentração ou menor fadigabilidade.. 2. HIPÓTESES 1 - A prática esportiva, especificamente em goleiros, e em função do seu treinamento, melhora seu desempenho em tarefas dissociativas do contexto peculiar ao esporte. 2 – Havendo melhora no desempenho, se é devida a componente perceptivo de discriminação, ao alocamento temporal de atenção, ou à sustentação da mesma por períodos prolongados, isto é, uma maior capacidade de concentração ou menos fadigabilidade.. 3. OBJETIVO GERAL Testar as hipóteses acima por meio de duas tarefas experimentais.. 4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Verificar, por meio de uma tarefa de atenção com discriminação de estímulos simples, se o tempo de reação e porcentagem de acertos correlaciona-se com o tempo de treinamento dos goleiros. Em uma segunda tarefa, puramente atencional (sem discriminação de estímulos), verificar se a distribuição de acertos ao longo da tarefa é função do tempo de treinamento. Ou seja, se o grupo de goleiros menos treinados apresenta sinais de fadiga da atenção na forma de um acúmulo de erros nos blocos finais da tarefa..
(24) 23 5. MÉTODO Sujeitos Analisamos 27 goleiros de futebol de campo, do sexo masculino, pertencentes às categorias: infanto-juvenil/juvenil/juniores, com idades entre 15 anos e 27 anos; sendo os atletas acima de 18 anos profissionais. Existem no grupo 5 canhotos, porém não abordarmos as questões que envolvem a relação de dominância de lado e/ou das mãos para as respostas consideradas neste trabalho.. Local A tarefa experimental foi realizada no Laboratório de Neurociências LIM-27 da Divisão de EEG de alta-resolução do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.. Instrumentos e Procedimentos Tarefa I – detecção de estímulos com discriminação Utilizamos neste estudo um programa comercial de computador, configurado para a criação de testes de atenção em trabalhos relacionadas com o tema (Stim, Neurosoft. Inc); que controla todos os aspectos da tarefa. O experimentando esteve sentado em uma cadeira à frente do monitor a ±1m.(1metro), tendo em mãos um controle contendo dois botões para escolher as respostas. O mesmo recebeu instruções preparatórias para realizar a tarefa. O pesquisador dizia como deveria responder aos sinais, sempre com mesma orientação para cada um dos atletas, dizendo: “–Você deve responder o mais rápido possível apertando os botões correspondentes de acordo com o lado que a segunda seta apontar, OK”! Em seguida, o experimentando respondia alguns estímulos iniciais, por volta de 1 minuto, somente para familiarizar-se com a tarefa. Logo em seguida, o pesquisador dava inicio aquela que seria de fato a “rodada” de estímulos que seriam computadas para a tarefa..
(25) 24 Os sinais a serem detectados são duas setas que ora surgem à esquerda, e ora surgem à direita. São setas de aproximadamente ±0.8 (pequenas) no centro do campo visual do monitor, com predominância a aparecer 75% das vezes à direita. Chamaremos de S1 as setas à direita e as setas à esquerda, e S2 a seta que surge em seguida de S1. Uma dessas setas aparece para indicar a direção primeira (S1 = direita ou esquerda como “dica”, com velocidade aproximadamente de 1.6milisegundos), e após apagar-se surge outra igual que poderá indicar mesma direção ou direção contrária. A separação temporal entre S1 e S2 é variável e imprevisível (de 500 a 1500 milisegundos). Neste caso, requer-se dos indivíduos decisão mais rápida possível indicando direção da seta S2 (lado direito – apertar botão polegar direito e lado esquerdo - apertar botão polegar esquerdo). Além da análise de porcentagem de acertos e erros (na discriminação de direção/lados), e de sua distribuição, analisaremos tempo de reação e sua distribuição ao longo da tarefa. A duração da tarefa é de 17 minutos e tem 268 eventos (nº de tentativas). Pede-se dos experimentandos fixar o olhar num ponto continuamente presente no centro da tela, onde estímulos de “mascaramento visual” previnem formação de “pós-imagens” na retina.. Tarefa II – detecção de estímulos simples Será utilizado o mesmo programa da Tarefa I e o participante se colocará na mesma postura diante do computador, e, portando novamente terá o mesmo controle em mãos. Novamente as instruções eram dadas de forma padronizada e individualizada para cada atleta de como deveria realizar a segunda tarefa; onde o pesquisador dizia: “-Você deve agora responder somente se há ou não a presença do alvo, no caso, o pequeno círculo dentro do retângulo, confirmando ou não com os botões correspondentes”! Novamente o experimentando respondia alguns estímulos iniciais, por volta de 1 minuto, somente para familiarizar-se com a segunda tarefa. Logo em seguida, o pesquisador dava inicio aquela que seria de fato a “rodada” de estímulos que seriam computadas para a tarefa II. Dois estímulos visuais compõem o par de estímulos que chamaremos de “dica-alvo” (S1-S2), que consiste em pequenos retângulos (que aparecem ora verticais ou ora horizontais ±0.8 no centro do campo visual do monitor em retângulos pretos, com duração de 100.
(26) 25 milisegundos). O retângulo S1 vertical e/ou horizontal corresponde, respectivamente, a 75% ou 25% de probabilidade de ocorrência do alvo, que significa a presença do alvo (S2), que é um pequeno círculo cinza alvo de ±0.3, com duração de somente 17 milisegundos,dentro do retângulo S1. S1 será seguido por S2, separado por um intervalo ao redor de 1.6 segundos. O indivíduo responde quanto ao alvo dentro retângulo que é o S2 (círculo cinza), indicando a presença do alvo pressionando o botão com polegar direito, ou ausência do alvo pressionando outro botão com o polegar esquerdo, num total de 288 tentativas e aproximadamente 20 a 22 minutos de tarefa. Neste caso o atleta tem apenas que detectar o sinal e responder se o mesmo está presente ou ausente. Pede-se novamente para os participantes fixar o olhar num ponto continuamente presente no centro da tela, onde estímulos de “mascaramento visual” previnem formação de “pós-imagens” na retina. Essa tarefa se torna mais longa para testar a hipótese da fadigabilidade. Em relação aos aspectos éticos, a aplicação dos testes propostos não acarreta quaisquer prejuízos psicológicos ou físicos aos participantes, que assinarão termo de consentimento livre e esclarecido pós - informação. Figuras ilustrativas das tarefas em Anexo D,E e F.. 6. TRATAMENTO DOS DADOS Na Tarefa I, que inclui a distribuição entre dois tipos de estímulos, analisamos especificamente o tempo de reação para respostas corretas e sua interação com a porcentagem de acertos versus erros. E ainda, relacionar o tempo de treino do participante na modalidade com a sua idade. Na tarefa II, onde não exigimos velocidade na resposta, enfatizaremos a distribuição temporal de erros, ou seja, um acúmulo na porção final da tarefa, que seria um indicador de fadigabilidade. Em ambas as tarefas apresentaremos uma divisão em “Blocos”, para melhor visualização e comparação dos resultados. Também a correlação entre tempo de treinamento e as variáveis experimentais no grupo como um todo..
(27) 26 Para correlacionar as significâncias dos dados obtidos, foi utilizado o programa de computador para cálculos estatísticos chamado “SPSS”.. 7. RESULTADOS. Apresentamos, na tabela 2 abaixo, as variáveis medidas em ambas as tarefas, detalhando as principais, tempo de reação e desempenho em subcategorias (médias, desvio padrão, mínimos e máximos, e direção de resposta), computadas para o total de indivíduos testados. Podemos comparar a média de desempenho das duas tarefas, e considerar ambas relativamente fáceis. O desempenho inferior na segunda tarefa não parece importante, se levarmos em conta a ordem fixa de execução e o fator fadiga. Notamos também, para a tarefa I, o equilíbrio entre as médias de respostas tanto para acertos quanto para erros de ambos os lados (direita/ esquerda).. Tabela 2 – Médias dos dados colhidos em ambas tarefas. N (nº de atletas) Idade Meses de treino Total Eventos Total/Erros Erros Direita Erros Esquerda Acertos Acertos Direita Acertos Esquerda Tempo de Reação Tempo Máximo Tempo Mínimo Milisegundos = ms. DP = desvio padrão. Tarefa I 27 19,52 98,11 268 15,63 8,30 7,33 251,37 126,93 124,70 0,390ms 0,810ms 0,150ms. DP -----3,3 30,5 -----11,7 6,5 6,6 11,7 10,1 9,5 0,08 ----------. Tarefa II 27 19,52 98,11 288 57,52 ----------231,22 ----------0,470ms 1,290ms 0,170ms. DP 3,3 30,5 -----31,4 ----------31,8 ----------0,15 ----------.
(28) 27 Correlacionamos tempo de reação e porcentagem de acertos com duração do treinamento dos goleiros em meses (e com a idade). Também dividimos o grupo de goleiros em dois subgrupos, pela mediana de tempo de treinamento, para uma análise categórica dos dados. Apesar da alta correlação entre tempo de treinamento e idade (correlação de Pearson=0.753, p<0.001), inevitável em nossa amostra, interessantemente não houve correlação significativa entre idade e desempenho em ambas as tarefas (Anexo A). A correlação entre desempenho e tempo de treinamento foi altamente significativa na tarefa I (coeficiente de Pearson entre tempo e erros = 0.515, p=0.0006). Não verificamos correlação significativa entre desempenho e tempo de treinamento na tarefa II (Pearson = 0.044, p=0.834), apesar da correlação significativa entre desempenhos nas duas tarefas (Pearson=0.536, p=0.004). A analise da tarefa II foi realizada com exclusão de dois participantes que desempenharam em nível que deve ser considerado aleatório (abaixo de 56%), portanto como não executando a tarefa. Se considerarmos nossas variáveis como não gaussianas, utilizando teste não paramétrico, obtemos resultados virtualmente idênticos (anexo A), com exceção da correlação entre desempenhos nas duas tarefas, não significativas Nas análises de correlações entre tempo de treinamento e desempenho nas tarefas, quando separadas por blocos, obtivemos resultados equivalentes aos acima. Na tarefa I, a correlação entre tempo de treino e desempenho em cada bloco foi sempre significativa; tanto em teste paramétrico quanto em teste não paramétrico (Anexo B). Já na tarefa II não houve correlação significativa em tempo de treinamento e desempenho em qualquer dos blocos. Na análise categórica, ou seja, dos grupos divididos em dois subgrupos pela mediana de tempo de treinamento, obtivemos os seguintes resultados: a diferença de desempenho entre os subgrupos foi significativa apenas na tarefa I, no total de acertos (Test - T de amostras independentes; F=4.36, p=0.037) e curiosamente, apenas em acertos nos últimos dois blocos (bloco 3 p=0.048; bloco 4 p=0.026) (Anexo C)..
(29) 28 Figura 1. Tarefa I - Comparação entre Tempo de Treino/Meses e quantidade de erros de cada Atleta.. Tarefa I - Comparação entre Tempo de Treino/Meses e quantidade de erros de cada Atleta. GU I RM CA S FM S GR S GL GU IL FC TI VM V E DU BR S TS S GA B RR JM S MM HJ. PR FLO DL O ME C RO S OM I E SM. SF JS R. 150 145 140 135 130 125 120 115 110 105 100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0. Tem po de treino/ Meses. Total de Erros.
(30) 29 Figura 2. Tarefa I - Quantidade de erros de cada atleta, na tarefa dividida em blocos.. Tarefa I - Quantidade de erros de cada atleta dividida em blocos SF JSR PR FLO DLO MEC ROS OMI ESM GUI RM CAS FMS GRS GL GUIL FC TI VMV EDU BRS TSS GAB RR JMS MM HJ -2. -1. 0. 1. 2. 3. 4. B1. 5. 6. 7. B2. 8. 9. B3. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. B4. Na Figura 2, fizemos à divisão do total de 268 eventos em blocos iguais (B1, B2, B3 e B4), de 67 eventos (duração média de 4.25minutos).. 18.
(31) 30 Figura 3. Tarefa II - Comparação entre tempo de treino em meses e quantidade de erros de cada atleta.. Tarefa II - Comparação entre Tempo de Treino/Meses e quantidade de erros de cada atleta. SF JS R PR FL DL O ME O C RO O MS ES I M GU RMI CA FMS S GR S GL GU IL FC T VM I V ED B RU TS S GAS B RR JM S MM HJ. 150 145 140 135 130 125 120 115 110 105 100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0. Tempo de treino/ Meses. Total de Erros. Os participantes PR e ESM se destacam na Figura 3 por nível muito alto de erros, estatisticamente não havendo executado a tarefa, e, portanto, foram excluídos da análise..
(32) 31 Figura 4. Tarefa II - Quantidade de erros de cada atleta dividida em blocos.. Tarefa II - Quantidade de erros de cada atleta dividida em blocos SF JSR PR FLO DLO MEC ROS OMI ESM GUI RM CAS FMS GRS GL GUIL FC TI VMV EDU BRS TSS GAB RR JMS MM HJ 0. 2. 4. 6. 8. 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 B1. B2. B3. B4.
(33) 32 8. DISCUSSÃO Nesse trabalho, algumas relações entre os dados podem ser visualizadas diretamente. Pode-se observar, na figura 1, que o tempo de treino maior, corresponde à quantidade de erros menor. Porém, não há uma relação direta entre a idade dos atletas com o seu tempo de treino e consequentemente com seu desempenho na tarefa I, como apresentado em Anexo A. Sugerindo então, que os atletas mais experientes podem não ter uma melhora da atenção propriamente, mas sim discriminar melhor os estímulos, quando expostos a uma situação fora do contexto esportivo. Pois, pode-se notar que, os atletas então mais novos também apresentaram quantidade de erros não coerentes com o seu tempo de treino; como por exemplo: os atletas RM, GUIL e BRS tem tempo de treino e idade menores que os atletas EDU, TSS e HJ. No entanto, erraram menos na tarefa I, logo, desempenhando muito bem a exigência da situação, que foi, responder corretamente o mais rápido aos estímulos discriminando-os. Não basta responder rapidamente a um estímulo, mas sim responder rápido e corretamente ao mesmo. Quando a tarefa I é dividida em blocos de erros, como é ilustrado na figura 2, percebese de modo geral uma maior concentração de erros no último bloco (barras pretas=B4). Notase que já nesse ponto da tarefa o participante encontra-se com o seu nível atencional comprometido, ou seja, cometendo mais erros diante de uma mesma situação (repetição dos estímulos). Desta forma essa idéia compactua com o citado na literatura de Mackworth (1948) apud Sternberg (2000), que afirmava já nesta época de seus experimentos, que os decréscimos de vigilância não são devidos principalmente à redução da sensibilidade, mas mais exatamente ao aumento da sua dúvida sobre suas observações percebidas, aumentando por conseqüência as probabilidades de erros. E ainda, ressalta mais a questão da fadigabilidade atencional citada no início deste estudo. A possibilidade de discriminar os estímulos mais rapidamente e responde-los de forma correta, enfocam-se na tarefa I, e em particular com os dados destacados na tabela 2. As médias de acertos direita e esquerda, erros direita e esquerda e a média de velocidade (tempo de reação); vai de encontro com a afirmação de Frisselli e Mantovani (1999) através dos estudos de Zatziorski (1989), “que o tempo de demora para a elaboração da resposta de acordo com a experiência motora prévia”, o chamado t3 apresentado no quadro 1; é o de maior desenvolvimento no que diz respeito aos fatores treináveis e não treináveis da atenção. Na tarefa II ao observar a figura 3, as muitas e diferentes variações relacionadas entre tempo de treino e quantidade de erros, provocam basicamente nenhuma correlação entre os.
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