ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
DE 6º ANO
Orientador: Dr. José Filipe Guia
Regente: Professor Doutor Rui Maio
RELATÓRIO FINAL
Mariana Filipa Silva Caetano
Mariana Filipa Silva Caetano 2013272
ÍNDICE
I. INTRODUÇÃO... 3II. ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 3
Estágio Parcelar de Pediatria ... 3
Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 4
Estágio Parcelar de Saúde Mental ... 5
Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 5
Estágio Parcelar de Medicina Interna ... 6
Estágio Parcelar de Cirurgia Geral ... 6
Estágio Clínico Opcional: Oncologia Médica... 7
III. ELEMENTOS VALORATIVOS ... 8
IV. REFLEXÃO CRÍTICA ... 8
V. ANEXOS ... 11
Anexo I: Trabalhos realizados no Estágio Profissionalizante ... 12
Anexo II: Meet the expert - TEV na mulher... 13
Anexo III: Curso Integrado de Laparoscopia – Cirurgia Geral, Ginecologia e Urologia ... 14
Anexo IV: VI Jornadas de Angiologia e Cirurgia Vascular dos Hospitais CUF ... 15
Anexo V: Cancro do Pulmão / Rastreio e Diagnóstico Precoce ... 16
Anexo VI: 4ª Reunião Clínica de Pediatria ... 17
Anexo VII: 8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa ... 18
Anexo VIII: Curso TEAM (Trauma Evaluation and Management) ... 19
Anexo IX: Certificado de Participação: Projecto Saúde Porta a Porta ... 20
Mariana Filipa Silva Caetano 2013272
I. INTRODUÇÃO
A aprendizagem em Medicina constitui um processo constante, dinâmico, energizante e sem prazo de conclusão. A formação médica pré-graduada proporciona a aquisição de uma base sólida de conhecimentos no campo das ciências médicas, ao mesmo tempo que impulsiona o desenvolvimento de competências relacionais e comunicacionais essenciais à praxis médica. A integração precoce na actividade clínica, assente no ensino tutelado, permite a prática de gestos clínicos e confronta o futuro médico com problemas reais, promovendo o desenvolvimento de pensamento e raciocínio críticos.
O sexto ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas, por constituir um ano profissionalizante, pleno de oportunidades de aprendizagem activa e de prática de competências com autonomia tutorada, em meio hospitalar e nos cuidados de saúde primários, surge como uma plataforma de transição para a vida profissional.
Neste contexto, enquadrei como objectivos nucleares: a capacidade de obter uma história clínica e exame físico, completos e estruturados, recorrendo ao pensamento crítico e raciocínio médico baseado na evidência para o estabelecimento de diagnósticos diferenciais; Competência para estabelecer um plano de gestão, diagnóstico e terapêutico, adequado ao doente; Aperfeiçoamento de aptidões interpessoais de comunicação com os doentes, respectivas famílias e profissionais de saúde; Participação em sessões científicas, numa perspectiva de actualizar, incrementar e agregar o conhecimento adquirido na formação pré-graduada.
Este relatório intenta destacar as actividades desenvolvidas nos estágios parcelares rotativos de Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Cirurgia Geral. Adicionalmente, incluo uma referência ao Estágio Clínico Opcional em Oncologia Médica e à participação em projectos extracurriculares no decurso do Mestrado Integrado em Medicina. Finalizo com um comentário de reflexão sobre esta etapa formativa, avaliando a concretização dos objectivos pessoais e específicos dos estágios.
II. ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
10 de Setembro de 2018 a 4 de Outubro de 2018
O Estágio Parcelar de Pediatria teve a duração de quatro semanas e decorreu no Hospital Dona Estefânia - Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, sob orientação da Drª Ana Casimiro.
Para este estágio parcelar, foram estabelecidos como principais objectivos a compreensão das patologias mais prevalentes em idade pediátrica; o treino da colheita de dados anamnésticos e do exame físico em Pediatria,
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com reconhecimento de critérios de gravidade; a formulação de hipóteses de diagnóstico e proposta de exames complementares de diagnóstico e medidas terapêuticas.
A participação na Consulta Externa de Pneumologia constituiu a actividade nuclear, correspondendo a maioria dos casos observados a insuficiência respiratória crónica secundária a doenças neuromusculares e a outras doenças sistémicas com repercussão pulmonar. Adicionalmente, acompanhei a actividade colaborativa da Pneumologia com outros serviços e frequentei o Serviço de Urgência, onde contactei com as patologias agudas pediátricas mais prevalentes, permitindo colmatar as lacunas naturalmente inerentes a um contacto mais circunscrito a patologias da área da Pneumologia.
Tive oportunidade de frequentar a Consulta Externa de Hematologia Pediátrica e de Imunoalergologia. No âmbito da componente formativa, assisti a sessões clínicas hospitalares, participei no Workshop de Urgências Pediátricas, redigi uma história clínica completa e apresentei um seminário sobre “Refluxo Gastroesofágico no lactente”.
8 de Outubro de 2018 a 2 de Novembro de 2018
O Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia teve a duração de quatro semanas e decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, sob tutoria da Drª Leonor Aboim.
Estabeleci como objectivos a aquisição e consolidação de conhecimentos sobre as patologias ginecológicas e obstétricas mais prevalentes e respectiva abordagem diagnóstica e terapêutica, as recomendações e intervenções adequadas na vigilância da gravidez e no trabalho de parto, bem como o treino de exame objectivo ginecológico e obstétrico.
O estágio foi dividido em duas semanas dedicadas à Obstetrícia, que incluíram a participação na Consulta de Obstetrícia, Internamento e a visualização de Ecografias obstétricas, onde destaco a oportunidade de colaborar, sob devida supervisão, na realização de exames ecográficos do 3º trimestre. A segunda metade foi destinada à Ginecologia, contemplando a participação na consulta de Ginecologia e de Uroginecologia, Bloco operatório, bem como, a visualização de exames complementares de diagnóstico, incluindo a ecografia ginecológica e a histeroscopia diagnóstica e terapêutica. Comum às subespecialidades de obstetrícia e ginecologia, integrei o Serviço de Urgência por um período semanal de doze horas, onde observei uma curetagem, cinco cesarianas e oito partos vaginais (seis por ventosas e dois eutócicos).
Embora não tenha desempenhado um papel tão interventivo quanto gostaria, tive a possibilidade de treinar procedimento práticos, como a auscultação da frequência cardíaca fetal, medição da altura uterina, colheita de exsudado retovaginal, toque vaginal e inspeção do colo uterino por espéculo.
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No final do estágio, procedi à exposição do artigo “Efficacy and Safety of Foley Catheter Balloon for Cervix Priming in Term Pregnancy”.
5 de Novembro de 2018 a 30 de Novembro de 2018
O Estágio Parcelar de Saúde Mental, com a duração de quatro semanas, decorreu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), no Serviço de Psiquiatria Geriátrica, sob orientação do Dr. Luiz Cortez Pinto.
Estabeleci como principais objectivos, a identificação das diferentes perturbações psiquiátricas e principais intervenções terapêuticas, como também a aquisição de competências na história psiquiátrica e exame do estado mental.
O Internamento representou a actividade predominante, com a Demência (incluindo a doença de Alzheimer e a demência frontotemporal) e a perturbação depressiva, associada ou não a processos demenciais, a constituirem as patologias mais prevalentes. Acompanhei a actividade do meu orientador e restante equipa na realização de entrevistas clínicas aos doentes e discussão do plano terapêutico. Com periodicidade semanal, colaborei na aplicação de testes de avaliação cognitiva a todos os doentes internados. Adicionalmente, frequentei a Consulta de Psiquiatria Geriátrica, Consulta de Neuropsiquiatria e o Serviço de Urgência de Psiquiatria no Hospital de São José.
No âmbito formativo, assisti às sessões teórico-práticas ministradas na Faculdade de Ciências Médicas, sessões clínicas do CHPL, procedi à realização de uma história clínica completa e à discussão e análise do relatório parcelar de estágio com o Professor Doutor Miguel Talina.
3 de Dezembro de 2018 a 11 de Janeiro de 2019 O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar (MGF) decorreu na Unidade de Saúde Familiar (USF) Novo Mirante, sob orientação da Drª Joana Nóbrega, tendo tido a duração de quatro semanas.
Como objectivos instituídos, destaco o treino da capacidade de avaliação, diagnóstico e tratamento dos problemas mais comuns na consulta de MGF, o desenvolvimento de competências de decisão médica centrada na pessoa e o conhecimento dos programas de vigilância de saúde e medidas preventivas.
Participei em consultas das diversas valências, nomeadamente, saúde do adulto, vigilância a grupos de risco – hipertensos e diabéticos, saúde materna, saúde infantil, planeamento familiar, consulta aberta e consulta no domicílio. Pratiquei a realização de exame objectivo dirigido, verificando ao longo do estágio a aquisição progressiva de maior confiança e autonomia e o aperfeiçoamento das aptidões clínicas. Treinei capacidades de comunicação, competências basilares em toda a prática clínica, particularmente numa especialidade
Estágio Parcelar de Saúde Mental
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intensamente relacional como é a Medicina Geral e Familiar, tendo mesmo tido oportunidade de iniciar consultas.
Conforme preconizado, redigi o Diário do Exercício Orientado, que incluiu a análise de um caso ilustrativo da prescrição de um fármaco, a exposição do caso de um doente com patologia múltipla e a elaboração de um Registo de Morbilidade representativo da globalidade de cuidados prestados. Adicionalmente, elaborei um folheto informativo sobre a Insónia, dirigido aos utentes da USF, face à elevada prevalência deste distúrbio do sono nos doentes com que tive oportunidade de contactar.
21 de Janeiro de 2019 a 15 de Março de 2019
O estágio parcelar de Medicina Interna, com a duração de oito semanas, decorreu no Hospital de Santo António dos Capuchos - Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, no Serviço de Medicina 2.4, sob orientação da Drª Helena Sá Damásio.
Como objectivos, saliento a consolidação de competências na colocação ordenada de hipóteses diagnósticas e propostas terapêuticas, a hierarquização de situações clínicas de acordo com a gravidade e o aperfeiçoamento das competências inerentes à comunicação entre colegas e profissionais de saúde.
A vivência na Enfermaria representou a actividade nuclear do estágio, colaborando na realização de exame físico, punções arteriais e venosas, redacção de diários clínicos, apresentação sumária dos doentes em Reuniões de Serviço, aliados à discussão sistemática do plano diagnóstico, terapêutico e definição prognóstica. O doente com doença crónica avançada constituiu uma presença diária na enfermaria, com as patologias respiratórias infecciosas e as doenças neoplásicas, a representarem o motivo de admissão mais prevalente.
A participação no Serviço de Urgência, representou uma actividade de elevado valor formativo, permitindo o contacto com patologias médicas prevalentes, de diferente ordem de gravidade e estimulando o raciocínio clínico com a celeridade naturalmente inerente a um serviço de urgência.
Adicionalmente, participei na Consulta Externa de Hipertensão Arterial e de Doenças Infecciosas. Redigi três histórias clínicas completas, uma delas para avaliação formal, e apresentei um trabalho de revisão sobre “Acidente Vascular Cerebral”.
18 de Março de 2019 a 17 de Maio de 2019
O estágio parcelar de Cirurgia Geral, decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, sob orientação do Dr. Pedro Amado, tendo tido a duração de oito semanas.
Estágio Parcelar de Medicina Interna
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Saliento como principais objectivos, a consolidação de conhecimentos sobre a etiopatogenia e semiologia das principais síndromes cirúrgicas e respectiva abordagem diagnóstica e terapêutica, e a hierarquização das situações clínicas de acordo com a gravidade, distinguindo entre indicação cirúrgica eletiva e urgente.
A organização rotacional do estágio incluiu uma semana destinada a seminários teórico-práticos e onde se inclui o curso TEAM – Trauma Evaluation And Management.
A componente prática de Cirurgia Geral, com a duração de quatro semanas, contemplou a participação no Internamento, Bloco Operatório, Consulta Externa e Urgência Geral. Assisti com maior frequência à abordagem cirúrgica de patologia herniária da parede abdominal, neoplasia colorrectal com metastização hepática e de lesões cutâneas e subcutâneas benignas, tendo integrado a equipa médica como elemento ajudante sempre que possível.
Durante duas semanas, o estágio opcional de Gastrenterologia, centrou-se na visualização de técnicas, predominantemente colonoscopia total e endoscopia digestiva alta, e na participação na Consulta Externa, nas subespecialidades de Gastrenterologia geral, Doenças Inflamatórias Intestinais e Proctologia.
Integrei por uma semana o Serviço de Urgência Geral, tendo tido a oportunidade de realizar, sob um elevado grau de autonomia tutorada, a avaliação de doentes, formulação de hipóteses diagnósticas e registo informático, com posterior discussão com o tutor responsável. Porém, secundariamente a uma permanência limitada na Pequena Cirurgia, não foi possível o treino da sutura de feridas.
Participei no Mini-Congresso dos alunos do 6º ano, com a apresentação “Mais Quistos que Barriga: A propósito de um caso clínico”, que incidiu sobre a Poliquistose Hepática na Doença Renal Poliquística Autossómica Dominante.
20 de Maio de 2019 a 31 de Maio de 2019
“A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba
vitalizar nas sombras e aproveitar as luzes.”
(Henri Bergson)
No âmbito da Unidade Curricular Estágio Clínico Opcional, optei pela realização de um estágio em Oncologia Médica, no Hospital da Luz, sob orientação do Professor Doutor José Luís Passos Coelho, com a duração de duas semanas.
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No decorrer do curso, desenvolvi um interesse crescente por esta área, que lida com o ser humano numa altura de maior vulnerabilidade, medo e incerteza, onde a relação médico-doente assume um papel crucial. Ao mesmo tempo, actualmente descortina-se na Oncologia uma mudança de paradigma com o surgimento de novas linhas terapêuticas, evoluindo a doença oncológica de uma patologia causadora inexorável de morte para uma doença potencialmente crónica.
Participei na Consulta Externa de Oncologia Médica, com maior incidência nas áreas do Pulmão, Gastrointestinal e Mama, acompanhei doentes no Hospital de Dia e integrei as reuniões de serviço, sessões clínicas (Journal Club) e reuniões multidisciplinares de decisão terapêutica.
III. ELEMENTOS VALORATIVOS
No âmbito das actividades extracurriculares, durante a frequência do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina, participei em diversas sessões científicas (cf anexos), numa perspectiva de aprofundar áreas de maior interesse e de actualizar, incrementar e agregar o conhecimento adquirido na formação pré-graduada.
Adicionalmente, e embora não integrado no ano profissionalizante, pela sua importância no desenvolvimento de competências relacionais e humanas, relevo a participação na iniciativa “Saúde Porta a Porta”, um projecto de voluntariado da Associação de Estudantes da NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas (AEFCM), que visa reduzir o isolamento social da população idosa e facilitar a sinalização de carências sociais ou de saúde, através de visitas regulares no domicílio. Integrei o projecto enquanto voluntária, no ano lectivo de 2016/2017, dando continuidade no ano seguinte, como membro da Comissão Organizadora do Projecto “Saúde Porta a Porta”, deixando de exercer um papel tão activo nas visitas domiciliárias para integrar a coordenação de eventos e sessões formativas, gestão de material e prestação de apoio aos voluntários.
IV. REFLEXÃO CRÍTICA
Finalizada esta etapa formativa, impõe-se uma reflexão, analisando se os objectivos inicialmente propostos foram concretizados e o respectivo impacto na minha formação.
Iniciei este ano profissionalizante com uma profunda noção de responsabilidade, encarando-o como uma importante plataforma de transição para a vida profissional. Considero que, na sua globalidade, os objectivos pessoais e específicos definidos para cada estágio parcelar, foram cumpridos e superados. Marcado por um maior grau de autonomia tutorada, este ano proporcionou a aquisição de uma base sólida de conhecimentos nas especialidades contactadas, permitindo-me crescer, não só em termos de competências
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clínicas, mas também relacionais e comunicacionais, que irão certamente possibilitar uma prática profissional futura com melhor desempenho.
Porém, no decurso deste relatório, e fazendo referência aos estágios obrigatórios, mencionei alguns aspectos de melhoria. A integração de um estágio optativo na vivência hospitalar de Cirurgia Geral, embora represente uma oportunidade ímpar de formação numa área de menor contacto prático durante o curso, acaba invariavelmente por restringir a componente prática de Cirurgia Geral a apenas quatro semanas. Ao mesmo tempo, a permanência limitada na Pequena Cirurgia, integrada na semana de Serviço de Urgência Geral e correspondente a apenas um dia no mapa rotacional de actividades, não tornou possível a prática de técnicas de sutura. Não obstante, este estágio permitiu-me participar nas diferentes valências que integram a actividade assistencial de um serviço cirúrgico, fornecendo uma visão integradora do circuito de gestão do doente. Adicionalmente, apesar do rácio aluno/tutor de 3:1, tive a oportunidade de, por diversas vezes, integrar a equipa médica como elemento ajudante nas cirurgias, o que constituiu uma experiência extremamente aliciante e enriquecedora.
O estágio parcelar de Medicina Interna, terá sido o estágio em que me foi concedido um maior grau de autonomia tutorada e de responsabilidade, tendo verificado uma evolução significativa de conhecimentos, técnicas e capacidade para executar gestos práticos.
Em Pediatria, ser confrontada com o doente pediátrico com doença crónica, de prognóstico reservado, e a percepção da resiliência inabalável que mantém apesar das limitações impostas pela patologia e medidas terapêuticas, foi algo verdadeiramente inspirador, e que assinalo como um dos aspectos mais positivos desta etapa formativa.
Em Ginecologia e Obstetrícia, a instituição de um mapa rotacional de actividades, se por um lado permite uma compreensão abrangente do campo de actuação da especialidade, por outro, revela-se um pouco limitador do treino de gestos práticos. Ainda assim, embora não tenha tido um papel tão interventivo quanto gostaria, tive oportunidade de desempenhar o exame ginecológico e obstétrico, competências que irei certamente aperfeiçoar durante o próximo ano de formação.
Embora sinta que no estágio de Saúde Mental, o contacto com psicopatologias tenha sido mais circunscrito a uma faixa etária, não considero que tenha sido um constrangimento relevante de aprendizagem. Perante o aumento progressivo do índice de envelhecimento, torna-se importante a sensibilização do futuro médico para os quadros psiquiátricos mais prevalentes na população geriátrica, cuja abordagem é tão complexa pelas comorbilidades somáticas e dependências cumulativas, que frequentemente apresenta.
Compreendi com maior clareza o papel do Médico de Família e o funcionamento dos Cuidados de Saúde Primários através do estágio de Medicina Geral e Familiar. Assistir a consultas em ambientes diferentes (USF e
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domicílio), aliada à aplicação de actividades de prevenção da doença e educação para a saúde, são actuações que diferem significativamente da prática clínica hospitalar a que é predominantemente exposto o formando de Medicina. Lidar, no mesmo dia, com doentes nos extremos de idades, foi muito estimulante, permitindo-me reflectir sobre as necessidades e padrões de procura de consulta de cada grupo etário, para além de estar subjacente um raciocínio clínico diferente, particularmente no diagnóstico diferencial e prescrição terapêutica.
A simulação clínica adquiriu um papel importante neste ano profissionalizante, através do Workshop de Urgências Pediátricas e do Curso TEAM, promovendo, através de cenários simulados e num ambiente educativo seguro e controlado, a consolidação de conhecimentos e o incremento do desempenho clínico e dos níveis de confiança. Dado o reduzido contacto com sessões de simulação clínica durante o curso, considero que estas iniciativas vieram, ao mesmo tempo, preencher uma lacuna que considero ainda existir no plano de estudos médicos.
A participação em projectos de voluntariado complementou a formação teórico-prática, pela componente humana e relacional, que irá influenciar positivamente a prática profissional futura.
Finalizo com um agradecimento a esta Nobre Instituição pela formação exemplar concedida e aos Mestres com que me cruzei, não só no decorrer do ano profissionalizante mas também nos restantes anos curriculares, pelas suas notáveis competências humanas e sociais e brio profissional.
É o término de um percurso inesquecível, que se revestiu de obstáculos e desafios constantes. No decurso destes seis anos, olhei a Medicina de forma progressivamente mais intensa, apaixonada e com maior entrega.
Mais do que o findar de uma etapa, esta altura é sentida e percepcionada como o início de um novo ciclo assente na aprendizagem contínua e na ambição perseverante de excelência em cada acção, tendo sempre subjacente as máximas de honestidade, humildade e preocupação para com as necessidades dos doentes, os derradeiros juízes desta profissão.
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Anexo I: Trabalhos realizados no Estágio Profissionalizante
Estágio Parcelar Tema e Autores
Pediatria
“Refluxo Gastroesofágico no lactente” Caso Clínico e Revisão Teórica
Carlota Prats, Joana Coelho, Mariana Caetano, Marta Lopes
Ginecologia e Obstetrícia
“Efficacy and Safety of Foley Catheter Balloon for Cervix Priming in Term Pregnancy”
Journal Club
Mariana Caetano, Miguel Raposo, Rebeca Cohen
Medicina Geral e Familiar
“Insónia” Folheto Informativo
Mariana Caetano
Medicina Interna
“Acidente Vascular Cerebral” Revisão Teórica
Francesca Piattellini, Francisca Colaço, Mariana Caetano
Cirurgia Geral
“Mais Quistos que Barriga: A propósito de um caso clínico”
Caso Clínico e Revisão Teórica