Resolução Violenta de Conflitos entre Casais: quem sai perdendo?
*Íola Ferreira Vasconcelos
IBGE/ENCE
Palavras-chave: Conflitos; Violência; Saúde.
INTRODUÇÃO
Correntemente, entre estudiosos da área social, discute-se que há mais vítimas mulheres do que homens em conflitos domésticos. Ou seja, no que tange à violência doméstica as mulheres apresentam uma possibilidade maior de serem vitimizadas dentro do lar, embora os homens também sofram violência deste tipo. Um fator importante é a força física, em que mulheres tendem a ser subjugadas pelos homens. No campo verbal, uma reação violenta é mais igualitária1.
Em geral os agressores são homens, quase sempre membros da família, na maioria das vezes seu parceiro, e o local da violência é a própria casa, ou seja, o espaço privado2. Não quer dizer necessariamente que as mulheres sofram passivamente as violências cometidas por seu parceiro: elas agem de uma forma ou de outra, mas na maioria esmagadora dos casos, de maneira reativa, porque foram agredidas primeiro3.
Dados de pesquisa da Fundação Perseu Abramo revelam que, em 2001, a cada 15 segundos uma mulher foi espancada no Brasil, aparecendo os maridos ou parceiros como os principais responsáveis pelas agressões, ameaças físicas ou quebradeiras, seguidos dos ex-maridos e ex-companheiros.4 Ou seja, os conflitos ocorrem decorrentes de relações no âmbito privado (domésticas). No que se refere aos dados do Suplemento
* Trabalho apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado
em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil de 4 a 8 de novembro de 2002.
1 SAFFIOTI, Heleieth I. B. Já se mete a colher em briga de marido e mulher. In: São Paulo em
Perspectiva. v.3. n. 4. out-dez/1999. Fundação Seade. pp. 82-91.
2 PEREIRA, Hilda Maria Gaspar. Violência contra a mulher e a implantação de políticas públicas. In:
Encontros Lusófonos. Nº 2. 2000. Centro de Estudos Luso-brasileiros, Universidade de Sofia. p. 47.
Especial da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar) de 1988, sobre justiça e vitimização, tem-se que entre as mulheres vítimas de violência, um percentual maior que 65% correspondia ao espaço doméstico5 . Portanto, tais informações estatísticas ratificam estudos da área social quanto à vitimização de mulheres em conflitos domésticos.
Contudo, a queixa comum é que não há dados estatísticos confiáveis que possam ser utilizados correntemente. Mesmo os dados disponíveis de delegacias e serviços médicos carecem de conteúdo a partir do qual possa ser traçado um perfil mais acurado de agressor e vítima, pois não se pode afirmar que todas as vítimas se utilizarão de tais mecanismos de denúncia e/ou ajuda. A princípio, o perfil das vítimas mulheres pode ser delineado como jovens entre 21 e 39 anos, donas de casa de classe social menos favorecida e baixa escolaridade. O perfil dos agressores é semelhante: homens jovens entre 21 e 39 anos, baixa escolaridade e baixa classe social. Isto pode indicar que mulheres de classes sociais mais abastadas e que apresentem bom nível de escolaridade costumam não acionar tais mecanismos, mas não indica que são menos agredidas do que as mulheres mais pobres.6
Aponta-se que a violência de gênero, especialmente em sua forma de violência doméstica e familiar, ignora fronteiras de classes sociais, de distintos tipos de cultura, etc.7
O país carece de estudos nesta área, englobando a população como um todo, e enfocando aspectos que levem a recolher dados mais específicos sobre o que acontece dentro de um lar quanto à resolução de conflitos. Dispõe-se somente de estudos exaustivos sobre violência denunciada (em delegacias policiais), sabendo-se que apenas uma parcela pequena das vítimas efetivamente presta queixa, dependendo do tipo de agressão8. Portanto, pesquisas sobre vitimização no âmbito doméstico são
4 CHAGAS, Adélia. Uma mulher é espancada a cada 15 segundos no país, diz pesquisa. Agência Carta
Maior. www.agenciacartamaior.com.br/reportagem/imp_report.asp?id=208. Acesso em 15/03/2002.
5 LINHARES, Leila. Gênero e Violência. In: Seminário Nacional sobre Emprego e Violência. CNPD.
Anais, Brasília, abril/98.
6 LINHARES, Leila. Idem.
7 SAFFIOTI, Heleieth I. B. Já se mete a colher em briga de marido e mulher. In: São Paulo em
Perspectiva. v.3. n. 4. out-dez/1999. Fundação Seade. pp. 82-91.
particularmente interessantes para dar maior visibilidade sobre a questão e por fornecerem melhores informações.
EVENTO DE INTERESSE
O presente exercício objetiva obter a razão de chance de um sexo ser mais vitimizado do que outro durante de conflitos domésticos. Especificamente, quer-se verificar se as mulheres apresentam maior chance de serem vítimas dentro do lar em conflitos entre marido e mulher, considerando-se dados levantados pela pesquisa realizada pelos participantes do 4o CDHP (Curso de Desenvolvimento de Habilidades em Pesquisa), sobre Resolução de Conflitos Domésticos e Violência Intrafamiliar.
BASE DE DADOS
Utilizou-se como fonte de dados o resultado da pesquisa-piloto do 4o Curso de Habilidades em Pesquisa (CDHP 04), realizado pelo IBGE, sobre Resolução de Conflitos Domésticos e Violência Intrafamiliar, em parceria com a Subsecretaria de Pesquisa e Cidadania da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.
A população-alvo dessa pesquisa é constituída por pessoas que vivem com um parceiro(a), formando um casal, em um mesmo domicílio permanente.
São três as unidades de referência e de análise: a pessoa que possui o parceiro(a), o casal e o domicílio, sendo um dos membros do casal o informante da pesquisa, prestando informações sobre si e sobre o(a) parceiro(a).
A base geográfica da pesquisa é o conjunto de setores censitários, excluindo-se as favelas e os setores especiais, dos bairros da Tijuca e do Maracanã, definidos para a Contagem Populacional realizada pelo IBGE em 1996 (Base Operacional Geográfica da Contagem Populacional – 1996).
Por limitações operacionais e orçamentárias, utilizou-se a técnica estatística de amostragem probabilística da população, com plano amostral conglomerado em três estágios:
• 1o estágio – UPA (Unidade Primária de Amostragem) – setor censitário
(185 setores na área de abrangência da pesquisa);
• 2o estágio – USA (Unidade Secundária de Amostragem) – domicílio
particular permanentemente ocupado (52.076 domicílios);
• 3o estágio – UTA (Unidade Terciária de Amostragem) – pessoa moradora
em domicílio particular permanente, membro de um casal.
O período de referência da pesquisa foi de junho de 1998 a junho de 1999 e o trabalho de campo foi efetuado no período de 18 a 28 de junho de 1999.
No presente estudo, os dados foram utilizados, sem a devida consideração do plano amostral envolvido. Almeja-se uma análise preliminar que possa fornecer informações sobre a vitimização da mulher no ambiente doméstico utilizando-se modelagem estatística, tendo-se claro que a não consideração dos pesos amostrais não é adequada e que há técnicas disponíveis para incluí-los em modelos estatísticos.
Esta pesquisa domiciliar realizada pelo CDHP é particularmente importante por adotar uma técnica de entrevista que consegue abordar o tema violência dentro do lar de maneira generalizada, isto é, apontando formas de resolução de conflitos domésticos que vão desde a argumentação verbal até o uso de violência física (Escala Tática de Conflitos. Gelles & Strauss, 1990), diminuindo o impacto e o constrangimento que o assunto comumente causa. A metodologia utilizada é similar àquela já aplicada em âmbito nacional nos Estados Unidos (National Family Violence Survey, 1975 e National Family Violence Resurvey, 1985).
A Escala Tática de Conflitos consiste em uma escala gradual de atitudes diante do conflito doméstico. É utilizada para coletar informações visando medir o nível de agressão, as formas que os conflitos familiares assumem e a freqüência dos mesmos. A Escala é composta pelas seguintes formas de resolução de conflitos:
Formas de resolução de conflitos – Você ou seu(sua) parceiro(a): 1. conversou ou tentou argumentar sobre alguma questão; 2. insultou ou xingou o outro/você;
3. recusou-se a falar sobre o assunto ou saiu batendo a porta; 4. gritou com o outro/você;
5. ameaçou bater (com) ou atirar alguma coisa no outro/você; 6. jogou/amassou/bateu/chutou alguma coisa na parede, no chão; 7. atirou alguma coisa no outro/você;
8. empurrou/bateu/chutou/ feriu o outro/você; 9. espancou/tentou estrangular o outro/você;
10. ameaçou o outro/você com uma faca ou uma arma de fogo ou usou uma faca ou arma de fogo contra o outro/você.
Para verificar o grau de violência, procede-se à agregação de níveis da escala tática de conflitos:
sem violência – corresponde à forma de resolução 1;
violência verbal/emocional – corresponde às atitudes 2, 3 e 4; violência física – considera as formas de resolução 5, 6, 7 e 8; violência física grave – considera as atitudes 9 e 10.
Neste estudo, os níveis da escala tática de conflitos foram agregados da seguinte forma:
resolução não violenta – apenas atitude 1. resolução violenta – as demais atitudes.
Dessa forma buscou-se considerar se o respondente adota/sofre algum tipo de violência sobre/pelo outro, considerando-se desde a violência verbal até a violência física grave dentro de um mesmo grupo. No banco de dados atribuiu-se valor 1 às resoluções violentas e 0 à forma de resolução de conflitos não violenta.
A base de dados a ser utilizada se restringiu às respostas a determinadas perguntas pré-selecionadas que ajudassem a elucidar sobre a maior vitimização de um sexo sobre o outro, particularmente o feminino sobre o masculino.
Além da parte do questionário sobre a Escala Tática de Conflitos (onde é considerada a forma de resolução de conflitos do respondente e do(a) parceiro(a) separadamente), utilizou-se as respostas referentes às perguntas:
• sexo • idade
• quanto tempo moram juntos
• grau de instrução do(a) respondente • grau de instrução do(a) parceiro(a)
• se freqüenta algum culto religioso (respondente) • se freqüenta algum culto religioso (parceiro(a)) • se exerce atividade remunerada (respondente) • renda (respondente)
• se exerce atividade remunerada (parceiro(a)) • renda (parceiro(a))
METODOLOGIA
Análise dos dados será feita através de modelo de regressão logística.
A regressão logística consiste em uma modelagem utilizada para descrever a relação entre variáveis explicativas (X’s) e uma variável resposta que é dicotômica ou binária.
A função logística, na qual o modelo de regressão logística é baseado, apresenta-se da apresenta-seguinte forma: f(z) = z
e
−+
1
1
f(z)graficamente, 1 z +∞ -∞ 0 2 1 •
Os valores de f(z) encontram-se compreendidos no intervalo [0, 1], qualquer que seja o valor de z.
Então, o modelo de regressão logística é adequado para descrever probabilidades, já que estas estão também compreendidas num intervalo entre 0 e 1.
A variável aleatória binária a ser considerada é definida da seguinte maneira: = contrário caso 0, interesse de evento o ocorra caso 1, Z
O evento de interesse é a utilização de atitude violenta pelo respondente da pesquisa, conforme apontado anteriormente.
Atribuímos à variável de interesse o valor 1 (resolução violenta de conflitos) e à resolução não violenta de conflitos o valor 0.
Z = variável resposta (resolução conflitos). Temos que P (D/X1 , X2 , … , Xk) = − +∑ + ( ) 1 1 k X k e α β
onde D é a evento de interesse na variável resposta
Xk são as variáveis explicativas envolvidas no estudo
α coeficiente associado ao modelo geral.
βk coeficiente associado a cada uma das k = 1, ..., k variáveis explicativas
envolvidas no modelo.
No presente estudo, interessa conhecer a chance de uma mulher ser mais vitimada em conflitos domésticos levando-se em conta 12 variáveis explicativas, presentes nas informações coletadas pela pesquisa. Tal chance expressa-se por:
P (D/mulher e X1 , X2 , … , Xk - 1) = ∑ + −( + ) 1 1 k kX e α β
O modelo de regressão logística para o presente estudo é o seguinte: −π π 1 ln
onde π é a probabilidade de ocorrência do evento para uma determinada combinação de categorias das variáveis resposta.
Como as variáveis envolvidas são categóricas, optou-se por fazer-se uma análise exploratória dos dados coletados, tanto para apresentar as informações coletadas pela pesquisa, bem como para o estabelecimento de intervalos para idade, renda, quanto tempo moram juntos e grau de instrução.
ANÁLISE
Os cálculos efetuados para análise foram elaborados nos pacotes SAS e SPSS. As variáveis apresentadas a seguir foram consideradas como variáveis explicativas.
• sexo do respondente = sexo 0 – masculino
1 – feminino
• idade do respondente = idade 1 – até 29 anos
2 – 30 a 44 anos 3 – 45 a 59 anos 4 – 60 +
• Há quanto tempo vocês moram juntos? = tempo 1 = até 5 anos
2 = 5 a 10 anos 3 = 10 a 20 anos 4 = 20 a 30 anos 5 = 30 +
1 = até 1o grau 2 = 2o grau 3 = 3o grau
4 = pós-graduação
• Qual o grau de instrução de seu(sua) parceiro(a)? = inst_con 1 = até 1o grau
2 = 2o grau 3 = 3o grau
4 = pós-graduação
• Você freqüenta, pelo menos 2 vezes por mês, algum culto religioso? (respondente) = reli_res
1 – sim 2 – não
• Seu(sua) parceiro(a) freqüenta, pelo menos 2 vezes por mês, algum culto religioso? = reli_con
1 – sim 2 – não
• Você exerce alguma atividade remunerada? (respondente) = trab_res 1 – sim
2 – não
• Qual a sua faixa de renda líquida (incluindo salários, pensões, aposentadorias, aluguéis, etc.)? (respondente) = rend_res
0 = sem rendimento 1 = até R$ 408,00
2 = de R$ 409,00 até R$ 1.360,00 3 = de R$ 1.361,00 até R$ 4.080,00 4 = mais de R$ 4.080,00
5 = não declarada/não sabe informar
• Seu(sua) parceiro(a) exerce alguma atividade remunerada? = trab_con 1 – sim
• Qual a faixa de renda líquida do seu(sua) parceiro(a) (incluindo salários, pensões, aposentadorias, aluguéis, etc.) no último mês? = rend_con
0 = sem rendimento 1 = até R$ 408,00
2 = de R$ 409,00 até R$ 1.360,00 3 = de R$ 1.361,00 até R$ 4.080,00 4 = mais de R$ 4.080,00
5 = não declarada/não sabe informar
• Forma de resolução de conflitos familiares (parceiro(a)) = vit_conj (se exerce atitude violenta sobre o(a) parceiro(a))
0 – não violenta 1 – violenta
E como variável resposta:
• Forma de resolução de conflitos familiares (respondente) = vit_resp (se sofre atitude violenta pelo(a) parceiro(a))
0 – não violenta 1 – violenta
Inicialmente ajustou-se a regressão logística envolvendo todas as 12 variáveis apontadas no estudo. Observou-se, através do teste de Wald tipo III, que algumas variáveis não eram significativamente diferentes de zero, considerando-se um nível de significância de 5%, ou seja, quando (Pr > Chi-Sq) < 0,05. Foi feito o mesmo considerando cada variável explicativa em separado.
O quadro a seguir aponta quais foram as variáveis consideradas significativas em cada caso: Variável Explicativa Modelo com 12 variáveis* Modelos com 1 variável Modelos com variáveis significativas* Modelos com variáveis significativas*
tempo sim/não sim sim/não sim/não
inst_res não/não não - -
inst_con não/não não - -
reli_res não/não não - -
reli_con não/sim sim não/não -
trab_res não/não sim não/não -
rend_res não/sim não não/sim não/sim
trab_con sim/sim sim sim/sim sim/sim
Variável Explicativa Modelo com 12 variáveis* Modelos com 1 variável Modelos com variáveis significativas* Modelos com variáveis significativas*
rend_con não/sim não não/sim não/sim
sexo não/não sim não/não não/não idade sim/não sim não/não não/não vit_resp sim/sim sim sim/sim sim/sim * primeiro termo refere-se ao teste tipo I – LR (teste de razão de verossimilhança) e o
segundo termo ao teste tipo III – Wald (significância dos parâmetros).
Nova regressão logística foi realizada, envolvendo agora aquelas variáveis que apresentaram-se significativas em ao menos um dos testes: TEMPO, REND_RES, TRAB_CON, REND_CON, VIT_RESP. Incluíram-se, também, as variáveis SEXO e IDADE, por serem interessantes no estudo. As variáveis SEXO e IDADE não foram significativas em nenhum dos testes (LR e Wald).
Procedeu-se à nova regressão logística, primeiro sem a variável SEXO e depois sem a variável IDADE. Novamente essas não foram significativas. Foram, então, retiradas, sendo feita nova regressão com as variáveis TEMPO, REND_RES,
TRAB_CON, REND_CON e VIT_RESP. Dessa vez, a variável TEMPO foi não significativa pelo teste de Wald. Foi feita nova regressão sem essa variável e, dessa vez, todas as variáveis foram significativas pelo teste de Wald.
Interessa comparar, então, alguns modelos entre si, objetivando-se conhecer se estes diferem entre si, ou seja, quer-se testar a hipótese de que um modelo mais reduzido seja tão bom quanto um modelo mais completo.
H0: o modelo reduzido é tão adequado quanto o modelo mais completo
H1: o modelo reduzido não é tão adequado quanto o modelo mais completo
Tem-se os seguintes modelos a serem comparados:
M1 ==> VIT_CONJ = TEMPO REND_RES TRAB_CON REND_CON SEXO IDADE VIT_RESP
M2 ==> VIT_CONJ = TEMPO REND_RES TRAB_CON REND_CON VIT_RESP
M3 ==> VIT_CONJ = REND_RES TRAB_CON REND_CON VIT_RESP Os modelos foram comparados entre si através da diferença entre as deviances (mede adequação do modelo).
Se D1 (modelo completo) – D0 (modelo reduzido) < χ2p-q não há evidências para
rejeitar-se H0, isto é, o modelo reduzido é tão adequado quanto o completo.
O teste será feito a um nível de significância de 5%. H0: M3 é tão adequado quanto M1
H1: M3 não é tão adequado quanto M1
D3 – D1 = 248,1448 – 241,4620 = 6,6828
χ2
3 (95%) = 7,81
Como 6,6828 < χ2
3 (95%), não há evidências para rejeitar-se H0. Logo, o
H0: M2 é tão adequado quanto M1
H1: M2 não é tão adequado quanto M1
D2 – D1 = 246,2163 – 241,4620 = 4,7543
χ2
2 (95%) = 5,99
Como 4,7543 < χ2
2 (95%), não há evidências para rejeitar-se H0. Logo, o
modelo 2 é tão adequado quanto o 1. H0: M3 é tão adequado quanto M2
H1: M3 não é tão adequado quanto M2
D3 – D2 = 248,1448 – 246,2163 = 1,9285
χ2
1 (95%) = 3,84
Como 1,9285 < χ2
1 (95%), não há evidências para rejeitar-se H0. Logo, o
modelo 3 é tão adequado quanto o 2. Modelo escolhido:
VIT_CONJ = REND_RES TRAB_CON REND_CON VIT_RESP
− π π 1 ln = 2,3393 – 2,7930 RR0 – 1,5225 RR1 – 2,1550 RR2 – 3,1825 RR3 – 2,3211 RR4 + 1,3582 TC1 + 1,7055 RC0 + 0,7199 RC1 + 1,6821 RC2 + 0,9789 RC3 + 2,7609 RC4 – 4,7099 VR1 RR = renda do respondente
TC = exercício de atividade remunerada pelo(a) parceiro(a) RC = renda do(a) parceiro(a)
Os números subscritos referem-se aos níveis de cada variável explicativa.
Então, a probabilidade estimada sobre a forma de resolução de conflitos pelo(a) parceiro(a):
P (resolução conflitos pelo(a) parceiro(a)) =
∑ + − + (ˆ ˆ ) 1 1 k X k e α β
é calculada mediante a substituição do modelo adotado na equação apresentada. PROBABILIDADE DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS PELO(A)
PARCEIRO(A)
Resolução conflitos parceiro(a)
violenta não violenta Freqüência 40 30 20 10 0 ,85 ,87 ,90 ,91 ,93 ,95 ,96 ,97 ,98 ,99 ,92
Verifica-se que a forma de resolução de conflitos “violenta” apresenta probabilidades maiores com mais freqüência.
1 ,6% 9 5,0% 24 13,3% 2 1,0% 7 3,9% 22 12,2% 9 5,0% 16 8,9% 1 ,5% 10 5,6% 3 1,7% 4 2,2% 6 3,3% 1 ,5% 4 2,2% 6 3,3% 1 ,5% 1 ,6% 1 ,5% 1 ,6% 2 1,1% 1 ,5% 6 3,3% 2 1,0% 1 ,6% 3 1,5% 7 3,9% 1 ,5% 3 1,7% 2 1,1% 2 1,0% 1 ,5% 2 1,1% 5 2,8% 1 ,5% 3 1,7% 1 ,5% 2 1,1% 1 ,5% 3 1,5% 8 4,4% 7 3,4% 5 2,4% 1 ,5% 4 2,2% 31 15,0% 1 ,6% 2 1,0% 4 1,9% 5 2,8% 28 13,6% 13 6,3% 17 8,3% 2 1,0% 2 1,1% 23 11,2% 4 1,9% 3 1,7% 29 14,1% 1 ,5% 1 ,6% 13 6,3% 4 1,9% ,00 ,01 ,02 ,03 ,04 ,05 ,06 ,07 ,08 ,09 ,10 ,11 ,14 ,15 ,16 ,17 ,18 ,19 ,26 ,27 ,30 ,34 ,36 ,40 ,47 ,53 ,63 ,70 ,71 ,76 ,82 ,84 ,85 ,87 ,90 ,91 ,92 ,93 ,95 ,96 ,97 ,98 ,99 Coun t % PRE D NÃO VIOLENTA Coun t % PRE D VIOLENTA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
Observações:
1) Verifica-se que a chance de um dos indivíduos que forma o casal ser vitimado num conflito doméstico não depende, a princípio, do sexo. Ou seja, tanto homem quanto mulher adotam forma(s) violenta(s) para resolução de conflitos. O que poderia ser questionado é o tipo de violência (verbal, física ou física grave) adotado por cada um especificamente (homem / mulher). Como foi abordado no início deste trabalho, as mulheres tendem a agir defensivamente ou no campo verbal. Os homens tendem a partir para violência física mais facilmente.
2) A chance de vitimização não depende tampouco da faixa etária ou do tempo de união do casal, mas da renda dos dois, do fato de o(a) parceiro(a) exercer alguma atividade remunerada e da forma como o(a) parceiro(a) resolve conflitos domésticos. Há hipóteses de que a violência doméstica aumenta em função do desemprego, principalmente por parte do homem que, dessa forma, não pode exercer um tipo de “poder” dentro do lar9.
3) Deve-se levar em consideração a área geográfica escolhida para a pesquisa, o fato de análise ter sido feita baseada em dados amostrais sem levar em conta os pesos pertinentes ao desenho amostral e por apresentar um maior número de mulheres respondentes, em relação aos homens.
CONCLUSÃO
Objetivava-se inicialmente conhecer a razão de chance de a mulher ser mais vitimizada em conflitos domésticos em relação ao homem. Procedendo-se ao modelo de regressão logístico, verificou-se que a variável ‘sexo’ é não significativa.
9 SAFFIOTI, Heleieth I. B. Já se mete a colher em briga de marido e mulher. In: São Paulo em
A maneira de resolução de conflitos é prevalente em relação à não violenta e não depende da questão de gênero. Conforme abordado anteriormente, um possível questionamento seria quanto à maneira o quão “violenta” (violência verbal, física, física grave) da qual um sexo e outro se utiliza. Isto aponta para o fato de que a mulher não é passiva frente a conflitos, reagindo e posicionando-se frente aos desentendimentos dentro do lar.
Comparando-se com os registros oficiais em delegacias, cabe ressaltar que, na maioria esmagadora dos casos, os conflitos que até lá chegam são os mais extremos, envolvendo ameaças e lesões mais graves, ressaltando a diferença de força física entre homem e mulher
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DOBSON, A. J. An introduction to generalized linear models. 1990.
ENCE/IBGE. Relatórios de Pesquisa número 4. Resolução de conflitos domésticos e violência intrafamiliar. Rio de Janeiro, agosto de 1999.
KLEINBAUM, D. G. Logistic Regression – A self-learning text. 1998.
SAS Technical Report P-243 SAS/STAT Software: The GENMOD Procedure. Release 6.09. SAS Institute Inc., 1993