• Nenhum resultado encontrado

EVOLUÇÃO DA MORTALIDADE DOS IDOSOS

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "EVOLUÇÃO DA MORTALIDADE DOS IDOSOS"

Copied!
31
0
0

Texto

(1)

EVOLUÇÃO DA MORTALIDADE

DOS IDOSOS

Maria Isabel C. A. Parahyba1

1 APRESENTAÇÃO

Este trabalho é parte da minha dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Instituto de Medicina Social da UERJ. Foi desenvolvido no âmbito do Departamento de Epidemiologia e tem por objetivo a análise da evolução da mortalidade da população de 60 anos ou mais, no Município do Rio de Janeiro, no período de 1983 a 1994.

Procura identificar alterações nos padrões de mortalidade para algumas causas de óbito, entre as quais as doenças crônicas-de-generativas, principais causas de óbito deste grupo etário, causas externas (acidentes e violências) e as doenças infecciosas e parasitárias que, embora tenham tido sua importância diminuída como causa de óbito nas últimas décadas, continuam sendo relevantes como indica-dor de saúde da população, principalmente porque se sabe que a morbidade por estas doenças, evitáveis em sua maioria, é bastante elevada2.

2 INTRODUÇÃO

A velhice é um fenômeno complexo, que envolve diversos fatores, e sua apreensão torna-se difícil. Entretanto, para efeito de análise, muitos autores têm utilizado a idade de 60 anos como ponto de corte para definir o “idoso”. Veras (1994) mostra que a idade de 60 anos vem sendo sistematicamente empregada em países de Terceiro Mundo para definir os “idosos”. Este corte foi utilizado, também, pela

1 Socióloga, Mestre em Saúde Coletiva (IMS/UERJ) e Pesquisadora do DEPIS/ IBGE.

(2)

Organização Mundial de Saúde, em 1984, no Relatório do Grupo de Especialistas sobre Epidemiologia e Envelhecimento e o Demographic Yearbook menciona que nas Nações Unidas a idade de 60 anos é

geralmente usada como a idade que define a velhice3 (Organização das Nações Unidas, 1993).

Nas últimas décadas, o número de pessoas com 60 anos ou mais tem aumentado consideravelmente nos países da América Lati-na. No caso brasileiro, cada vez mais tem se colocado a necessidade de estudos sobre a população idosa, devido ao crescimento deste grupo como conseqüência dos processos recentes de transição demográfica e epidemiológica.

Dados do Censo Demográfico apontavam que, no Brasil, os idosos representavam, em 1991, 7,3% da população brasileira. Em 1997, segundo estimativa de população realizada a partir dos dados do Censo, esta proporção já alcançou mais de 8% da população total. Embora inferior à de alguns países desenvolvidos, onde chegam a representar até mais de 15% da população total, o número de idosos no Brasil, atualmente, já é um dos maiores do mundo, aproximada-mente 13,6 milhões de pessoas. O Município do Rio de Janeiro possuía, em 1997, segundo estimativa a partir dos dados do Censo Demográfico de 1991, uma população idosa de 708,3 mil pessoas, que correspondia a 12,5% da população total do Município (IBGE, Censo Demográfico de 1991).

Para chegar a esta população idosa tão numerosa dois fatores foram fundamentais: a queda da taxa de mortalidade e a redução da taxa de fecundidade, a partir da década de 1940. Estes dois fatores são os determinantes básicos da transição demográfica, caracterizada exatamente pela mudança de um nível alto de mortali-dade e fecundimortali-dade para níveis mais baixos, o que altera significativa-mente a estrutura etária da população. Associado ao processo de transição demográfica ocorre o da transição epidemiológica (ver Marangone, 1995), fenômenos pelos quais vem passando a sociedade brasileira nas últimas décadas.

3 Embora exista uma definição internacional, muitos países diferem e utilizam idades mais baixas e mais elevadas do que 60 anos, alguns deles definindo de acordo com a idade em que a pessoa torna-se elegível para a aposentadoria.

(3)

Conforme pode ser observado no Gráfico 1.1, a partir de 1930 houve uma alteração nos padrões de mortalidade da população brasileira.

Gráfico 1.1

MORTALIDADE PROPORCIONAL PARA QUATRO GRUPOS

DE CAUSAS DE ÓBITOS CAPITAIS BRASILEIRAS – 1930 A 1991

Fonte: Dados coletados pelo Dr. Mário Magalhães, publicados na RADIS/DADOS, n. 7, ago. 1984; Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Estatísticas de Mortalidade – Brasil 1991.

Vários fatores contribuíram para esta situação: o processo de industrialização e a urbanização crescente do país, a partir da década de 1930, modificaram a forma de organização da produção e a distribuição espacial da população. A redução do tamanho da família e, conseqüentemente, do número de filhos é um fenômeno que se insere dentro deste contexto e que está relacionado com a diminuição das taxas de fecundidade e com a queda da mortalidade infantil, medida que está associada ao grupo etário de crianças de 0 a 1 ano de idade, onde prevalecem os óbitos por doenças infecciosas e parasitá-rias.

Por outro lado, as transformações impostas pela nova forma de organização social levaram o Estado a implementar políticas de atendimento a população como, por exemplo, a ampliação das redes de abastecimento de água e de esgotamento sanitário que, de uma maneira geral, melhoraram as condições de saneamento básico e

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1991 infecciosas circulatório neoplasmas externas

(4)

diminuíram os óbitos por doenças infecciosas e parasitárias, as cha-madas doenças do subdesenvolvimento.

Dessa forma, a redução da mortalidade por doenças infecciosas em todos os grupos de idade e o aumento das doenças crônicas e degenerativas, por causa do envelhecimento da popula-ção, mudaram o perfil de mortalidade da populapopula-ção, deslocando os óbitos para a faixa de idade de 60 anos ou mais. Em 1990, cerca de 60% dos óbitos registrados no Município do Rio de Janeiro referiam-se à população idosa. Assim, em face da tendência de crescimento deste grupo e de sua representatividade no total de óbitos, é importante conhecer as principais causas de morte desta população e sua evolução no tempo.

3 METODOLOGIA 3.1 Hipóteses

O procedimento estatístico utilizado foi o de aceitar ou rejeitar a hipótese de nulidade (H0) ou a hipótese alternativa (H1), para avaliar o ajuste do modelo (a reta de regressão) e a significância estatística da diferença entre 1983 e 1994.

Para testar estas hipóteses foi utilizada a regressão linear, através do procedimento “análise de dados” do programa EXCEL, que gerou uma reta para ser usada como modelo para as mudanças das medidas de mortalidade, de 1983 a 1994. Os pontos previstos por esta reta foram cotejados com os pontos observados, para medir os desvios do modelo em relação às medidas de mortalidade.

Para o ajuste da reta de regressão aos valores observados entre 1983 e 1994, a hipótese de nulidade (H0) foi a de que não houve diferença estatisticamente significante entre os valores previstos pela reta e os valores observados (tanto da mortalidade proporcional como das taxas de mortalidade), e a hipótese alternativa (H1) foi a de que os desvios entre os pontos da reta de regressão e os valores observados invalidam a utilização da reta como modelo da evolução da mortalida-de no período 1983 a 1994.

(5)

3.2 Medidas da estrutura e do risco de mortalidade

A estrutura diz respeito à composição da mortalidade por idade, sexo e as causas básicas de óbito. Com estas informações pode-se construir uma série de indicadores, genericamente denominados de “mortalidade proporcional”, baseados na percentagem sobre o total de óbitos e que são freqüentemente utilizados em estudos epidemio-lógicos, permitindo avaliar as condições de saúde de um grupo popu-lacional (Laurenti et al. 1987). Além disso, é comum a desagregação

destes indicadores por sexo, já que a mortalidade de homens e mulhe-res tem estruturas diferentes, tanto em relação à idade como em relação às causas de óbito.

Duas vantagens destes indicadores: são simples de calcular e dispensam dados populacionais, utilizando apenas informações que podem ser obtidas no SIM/MS. A desvantagem é que eles não avaliam diretamente o risco de mortalidade, porque estão associados, também, com a ocorrência das outras causas de óbito e da mortalidade em outras idades. A mortalidade proporcional detecta corretamente a mudança na estrutura de mortalidade, mas não o risco.

Já as taxas específicas de mortalidade, cujo denominador é a população no meio do período, são indicadores que medem o risco de morte especificamente para uma idade ou causa de óbito e, por isso, podem ser mais úteis do ponto de vista epidemiológico. Aqui também, a desagregação por sexo é importante, pois os riscos de morrer são diferentes para homens e mulheres.

3.3 Grupos de idade

O conceito de idoso utilizado é o da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, pessoas com 60 anos ou mais. Os idosos foram classificados em três grupos idade: 60 a 69 anos, 70 a 79 anos, e 80 anos ou mais.

3.4 Causas de mortalidade

Foram consideradas como causas de mortalidade as causas básicas de óbitos, conforme codificadas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS), categorizadas em 17 capítulos, definidos pela IX Conferência de Revisão da Classifi-cação Internacional de Doenças e publicados pelo Centro da OMS para Classificação de Doenças em Português (OMS, 1985).

(6)

Destes capítulos foram selecionados os grupos considera-dos mais significativos que, em seu conjunto, representavam 96,5% da mortalidade de idosos, no Município do Rio de Janeiro, em 1994: doenças do aparelho circulatório, neoplasmas, doenças do aparelho respiratório, doenças do aparelho digestivo, doenças das glândulas endócrinas, da nutrição e do metabolismo e trantornos imunitários, causas externas (violências) e doenças infecciosas e parasitárias.

3.5 Tratamento dos dados sobre idade, sexo e causas

de óbito classificadas como “ignorado” e “mal-definidas” Para as informações sobre idade e sexo não foi dado ne-nhum tratamento para corrigí-los, porque os dados classificados como “ignorado” tinham valores sem significância. No entanto, as causas classificadas como “mal-definidas” foram redistribuídas proporcional-mente entre as demais causas de óbito, por idade e sexo, pois em alguns casos este valor chegava aos 10%.

3.6 Fontes dos dados e estimativas de população

Os dados de mortalidade por sexo, idade e causa básica de óbito foram obtidos através do software TABX, distribuído pelo

DA-TASUS (Ministério da Saúde) e que permite acessar os arquivos do

Compact Disc com dados do SIM/MS. Foram utilizadas as informações

sobre a mortalidade das pessoas de 60 anos ou mais, no Município do Rio de Janeiro, para o período de 1983 a 1994, último ano disponível no SIM/MS quando da realização deste trabalho.

A população por sexo e idade foi estimada para 1º de julho do ano de referência, com dados dos Censos Demográficos de 1980 e 1991 (IBGE), utilizando-se a taxas médias anuais de crescimento geométrico (ri) no Município do Rio de Janeiro, para os seguintes grupos de idade: 60 a 64 anos, 65 a 69 anos e 70 anos ou mais4,5.

4 Os dados publicados do Censo de 1980 não estavam desagregados acima desta idade.

5 Os grupos de 60 a 64 anos e 65 a 69 anos foram agregados num único grupo decenal e, para separar o grupo de 70 a 79 anos do grupo de 80 anos ou mais, aplicou-se para 1980 a mesma proporção entre estes grupos etários observada no Censo Demográfico de 1991.

(7)

4 A EVOLUÇÃO DA MORTALIDADE DOS IDOSOS 4.1 Mudanças na estrutura de mortalidade

A proporção de óbitos das pessoas de 60 anos ou mais em relação aos óbitos totais, considerando a série temporal de 1983 a 1994, vem aumentando. Esta mortalidade proporcional passa de 51,6%, em 1983, para 54,9%, em 1994, conforme pode ser observado no Gráfico 4.1.

Gráfico 4.1

MORTALIDADE PROPORCIONAL DE IDOSOS (VALORES OBSERVADOS E PREVISTOS) MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO – 1983 A 1994

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Para avaliar a evolução da mortalidade, entre 1983 e 1994, calculamos uma reta, obtida por regressão linear, que permite estimar os valores da mortalidade proporcional neste período. Utilizando esta reta como um modelo do crescimento, podemos observar que esta regressão ocorre de forma consistente e praticamente linear, pois os valores observados encontram-se muito próximos dos valores estima-dos pela reta.

Ano 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Observado 51.6 50.8 53.2 52.7 53.4 53.5 52.7 54.3 54.8 54.7 55.3 54.9 Previsto 51.6 51.9 52.3 52.6 53.0 53.3 53.7 54.0 54.4 54.7 55.1 55.4 0 15 30 45 60 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 % observado previsto

(8)

A análise de regressão simples gerou um coeficiente angu-lar de 0,35, o que significa um aumento anual de 0,35 na percentagem da mortalidade dos idosos. A série de valores observados mostra uma linha bastante aderente à reta de regressão; esta aderência a um modelo linear é confirmado pelo p-valor de 0,002 estimado, que está

associado a uma significância estatística maior do que 99%, ou seja, a probabilidade de ocorrer este aumento por acaso é praticamente nula, do ponto de vista estatístico, e a reta serve como um modelo adequado para representar o crescimento da mortalidade proporcional dos ido-sos, entre 1983 e 1994.

4.2 Mudanças no risco de mortalidade

As taxas anuais de mortalidade da população de 60 anos ou mais (óbitos de 60 anos ou mais ocorridos no ano/1.000 habitantes de 60 anos ou mais) mostram uma evolução contrária a mortalidade proporcional, entre 1983 e 1994 no Município do Rio de Janeiro, quando as taxas de mortalidade de idosos diminuíram de 50,5 para 47,8 óbitos por mil habitantes, conforme pode ser observado no Gráfico 4.2

Gráfico 4.2

TAXAS DE MORTALIDADE DOS IDOSOS MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO – 1983 A 1994

Fonte: SIM do Ministério da Saúde e estimativas de população realizadas com dados do IBGE. Cen-sos demográficos de 1980 e 1991. 0 1 5 3 0 4 5 6 0 1 9 8 3 1 9 8 4 1 9 8 5 1 9 8 6 1 9 8 7 1 9 8 8 1 9 8 9 1 9 9 0 1 9 9 1 1 9 9 2 1 9 9 3 1 9 9 4

taxas por mil

o b s e rva d o p re vis to

Ano 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Previsto 50.6 50.4 50.1 49.9 49.6 49.3 49.1 48.8 48.6 48.3 48.1 47.8 Observado 50.5 48.9 50.3 50.2 50.1 51.2 49.4 49.1 47.9 46.1 49.0 47.8

(9)

Da mesma maneira que testamos a estrutura, para avaliar a evolução das taxas de mortalidade, entre 1983 e 1994, calculamos uma reta, utilizando-se a regressão linear, que produziu valores esti-mados para as taxas de mortalidade neste período. Utilizando esta reta como um modelo da evolução destas taxas, podemos observar que aqui também a mudança ocorre de forma consistente e linear, com valores observados muito próximos dos valores previstos pela reta de regres-são. A análise de regressão simples gerou um coeficiente angular de –0,26. Esta inclinação negativa indica que houve uma redução nas taxas de mortalidade dos idosos de 0,26 em cada ano da série (de 50,5 para 47,8/1.000 nos 12 anos).

Em três anos (1984, 1988 e 1992), a série de valores observados apresenta números com um visível desvio dos valores previstos, por isso o p-valor estimado é maior que para a mortalidade

proporcional. No entanto, a aderência a um modelo linear é confirma-da pelo p-valor de 0,020 estimado, o qual está associado a uma

significância estatística maior do que 95%, ou seja, a probabilidade de se observar por acaso esta redução no risco de morte dos idosos não é significante do ponto de vista estatístico. Podemos concluir que a reta obtida por regressão é um modelo adequado para representar a redu-ção destas taxas entre 1983 e 1994.

4.3 Evolução da estrutura e do risco de mortalidade dos idosos por causas básicas de óbito

Apresentarei, nesta seção, a evolução da estrutura e do risco de mortalidade da população idosa, por causas básicas de óbito, utilizando a mortalidade proporcional e as taxas de mortalidade, procurando identificar se houve alteração no padrão de mortalidade deste grupo, no período compreendido entre 1983 a 1994. Os indica-dores serão construídos através dos registros de óbitos, classificados nos grandes grupos de causas básicas selecionados, no período de 1983 a 1994, ano a ano, por faixa etária e sexo.

4.3.1 Evolução da mortalidade proporcional masculina e feminina Os Quadros 4.1 e 4.2. mostram a evolução da mortalidade proporcional dos homens e das mulheres de 60 anos ou mais, segundo as principais causas de óbito, no período de 1983 a 1994.

(10)

Quadro 4.1

MORTALIDADE PROPORCIONAL IDOSA MASCULINA PELAS PRINCIPAIS CAUSAS DE ÓBITO

MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Ano

do óbito Circula-tórias Neoplas-mas Respira-tórias Endó-crinas Digestivas Externas Infecciosas

1983 52.22 18.37 11.84 5.55 4.45 3.38 1.65 1984 52.98 18.25 11.74 4.63 4.26 3.57 1.93 1985 51.96 17.56 12.49 5.25 4.76 3.59 1.81 1986 51.18 17.93 12.40 4.98 4.82 4.35 1.82 1987 51.28 17.44 13.18 4.65 4.99 3.79 1.98 1988 51.18 16.24 13.93 5.42 4.67 3.80 1.98 1989 50.15 17.06 13.50 6.00 4.36 3.92 2.30 1990 49.13 17.70 14.42 5.17 4.95 3.96 1.87 1991 47.81 17.92 13.84 5.66 4.85 4.19 2.21 1992 46.64 19.17 14.22 5.70 4.68 3.97 2.33 1993 45.24 17.71 14.91 6.09 5.50 4.39 2.57 1994 43.63 19.27 14.44 6.52 5.13 4.30 3.21

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Quadro 4.2

MORTALIDADE PROPORCIONAL IDOSA FEMININA PELAS PRINCIPAIS CAUSAS DE ÓBITO

MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Ano

do óbito Circula-tórias Neoplas-mas Respira-tórias Endó-crinas Digestivas Externas Infecciosas

1983 57.90 15.31 9.87 7.82 3.48 2.11 1.16 1984 57.75 15.62 9.57 7.29 3.40 2.45 1.34 1985 56.91 15.43 10.52 7.40 3.56 2.11 1.51 1986 57.16 14.67 10.14 7.82 3.54 2.48 1.59 1987 56.18 15.02 10.53 6.95 3.99 2.45 1.57 1988 54.66 14.25 12.54 8.02 3.83 2.28 1.51 1989 55.37 14.54 10.78 8.11 3.68 2.80 2.00 1990 54.20 15.47 12.34 7.25 3.73 2.61 1.53 1991 53.00 16.67 11.68 7.28 3.79 2.39 1.94 1992 52.09 16.10 12.09 7.64 3.84 2.41 2.05 1993 50.37 15.94 13.00 7.84 3.93 2.97 2.21 1994 48.71 16.35 13.28 8.67 4.11 2.81 2.73

(11)

Apresentarei, a partir deste ponto, a análise da evolução da mortalidade de idosos segundo algumas das principais causas de óbito, desagregadas por faixa etária, para homens e mulheres. Será analisada a evolução das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório, do aparelho digestivo, das glândulas endócrinas, neoplas-mas, do aparelho respiratório, infecciosas e parasitárias e causas externas; elas representam, em média, cerca de 90% dos óbitos.

4.3.2 Evolução do risco de mortalidade dos idosos

Por doenças do aparelho circulatório

Este é o grupo de causas com maior participação na mor-talidade da população idosa, apresentando riscos mais elevados para a população masculina que para a feminina, e as principais causas de óbito são: doença hipertensiva, doença isquêmica do coração (princi-palmente o infarto agudo do miocárdio), doença da circulação pulmo-nar, doença cerebrovascular e outras doenças do aparelho circulatório como a aterosclerose.

No entanto, no período considerado, suas taxas de morta-lidade apresentaram uma redução de 29,5 para 23,2/1000, entre os homens, e de 24,0 para 18,3/1000, entre as mulheres, com 60 anos ou mais, mantendo-se a sobremortalidade masculina (Gráfico 4.3).

A análise de regressão linear, para as taxas de ambos os sexos, gerou duas retas que se ajustam bastante bem aos valores observados, o que é comprovado estatisticamente pelo reduzido p-va-lor (menor que 0,001 em ambas), com uma inclinação negativa

(indi-cando redução dos riscos) de –0,62 nos valores previstos para os homens e de –0,50 nos valores previstos para as mulheres, ou seja, uma redução anual na taxa específica de mortalidade maior na popu-lação masculina, segundo o modelo linear. Os intervalos de confiança têm valores bem abaixo de zero, podendo-se aceitar que houve redução nas taxas.

Uma visão mais detalhada da evolução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório é apresentada nos Gráficos 4.4 e 4.5.

(12)

Gráfico 4.3

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR DOENÇAS DO APARELHO CIRCULATÓRIO (taxas/1000)

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Gráfico 4.4

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS DO APARELHO CIRCULATÓRIO NA POPULAÇÃO MASCULINA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

0.0 9.0 18.0 27.0 36.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994

observado hom ens observado m ulheres previsto hom ens previsto m ulheres

Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 29.5 29.9 29.3 29.1 28.9 29.7 27.9 26.7 25.7 24.0 24.8 23.2 Mulheres 60+ 24.0 22.6 23.3 23.2 23.1 22.6 22.0 21.3 20.1 18.9 19.2 18.3

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens –0.62 <0.001 –0.79 –0.44 Mulheres –0.50 <0.001 –0.64 –0.37 0 25 50 75 100 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Homens 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 17.3 17.2 17.8 17.6 17.3 18.1 17.3 16.1 16.0 14.8 14.8 13.4 70-79 40.1 41.7 39.7 40.1 38.9 39.3 36.4 35.5 33.2 30.9 32.5 31.1 80 e + 85.9 86.8 81.7 79.4 83.4 85.8 80.6 78.2 74.5 71.4 75.1 71.6

(13)

Gráfico 4.5

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS DO APARELHO CIRCULATÓRIO NA POPULAÇÃO FEMININA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Observa-se que as taxas diminuíram em ambos os sexos, em todos os grupos de idade, e que a menor redução relativa ocorreu entre os grupos mais idosos: –16,7% entre os homens de 80 anos ou mais e –18,5% entre as mulheres de 80 anos ou mais.

Por neoplasmas

Este grupo de causas é o segundo em importância para a população idosa. Os tipos mais freqüentes de câncer são: neoplasmas malignos da traquéia, brônquios e pulmão, neoplasmas malignos do estômago, neoplasmas malignos da mama feminina (entre as mulhe-res) e neoplasmas malignos da próstata (entre os homens).

As taxas específicas de mortalidade da população idosa por neoplasmas, ao contrário do grupo anterior, mantiveram-se pratica-mente estáveis de 1983 a 1994, terminando o período com o mesmo valor de 1983. 0 25 50 75 100 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Mulheres 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 9.2 9.0 9.6 9.4 9.0 9.1 8.9 8.9 8.3 7.7 8.0 7.3 70-79 29.1 27.2 26.8 26.9 27.0 26.1 26.1 24.5 22.7 21.2 20.8 19.6 80 e + 81.3 74.9 78.9 79.1 79.4 77.3 72.8 71.4 68.2 65.3 67.7 66.2

(14)

Gráfico 4.6

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR NEOPLASMAS

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

A análise de regressão mostra esta evolução sem mudança nas taxas, com uma inclinação sem diferença significativa de zero, pois tanto para homens como para mulheres, os limites inferiores são negativos e os superiores são positivos, o que significa que a inclinação zero (taxas constantes durante todo o período) pertence ao intervalo de confiança, o que nos leva a aceitar a hipótese H0, de que não houve mudança no risco de mortalidade por neoplasmas na população idosa. Além disso, devido aos desvios, para mais e para menos, durante o período observado, elevou o valor-p para níveis acima de 0,05,

indican-do que o modelo de reta não reproduz satisfatoriamente, indican-do ponto de vista estatístico, os valores observados.

0.0 3.0 6.0 9.0 12.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto mulheres Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 10.4 10.3 9.9 10.2 9.8 9.4 9.5 9.6 9.7 9.9 9.7 10.3 Mulheres 60+ 6.3 6.1 6.3 6.0 6.2 5.9 5.8 6.1 6.3 5.8 6.1 6.2

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ –0.03 0.263 –0.09 0.028

(15)

Por doenças do aparelho respiratório

Neste grupo, as principais causas são a pneumonia, a bronquite, o enfisema e a asma. De 1983 a 1994 houve aumento das taxas específicas de mortalidade por estas doenças do aparelho respi-ratório em ambos os sexos, como mostra o Gráfico 4.7.

Gráfico 4.7

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

A taxa específica de mortalidade por doenças do aparelho respiratório é cerca de 50% maior entre os homens do que entre as mulheres. Além disso, o aumento deste risco foi um pouco mais elevado entre a população masculina, elevando ligeiramente a sobremortali-dade masculina.

A inclinação positiva e os limites inferior e superior do intervalo de confiança demonstram estatisticamente a significância

0.0 2.5 5.0 7.5 10.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto mulheres Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 6.7 6.6 7.0 7.0 7.4 8.1 7.5 7.8 7.4 7.3 8.1 7.7 Mulheres 60+ 4.1 3.7 4.3 4.1 4.3 5.2 4.3 4.9 4.4 4.4 5.0 5.0

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ 0.10 0.01 0.04 0.17

(16)

deste aumento das taxas, e o p-valor, menor que 0,05, sugere a

aceitação da reta como modelo para representar este crescimento dos riscos da população idosa de morrer por doenças do aparelho respira-tório.

A desagregação destas taxas por grupos de idade permite uma visão mais detalhada do que aconteceu no período, sendo apre-sentada nos Gráficos 4.8 e 4.9.

Gráfico 4.8

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO

NA POPULAÇÃO MASCULINA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Entre as mulheres, de 80 anos ou mais, ocorreu, também, um aumento importante no risco de morrer por doenças do aparelho respiratório, tendo a taxa de mortalidade passado de 16,8 para 21,9 por mil. O grupo etário que parece ter sido menos afetado por este aumento foi o de mulheres com 60 a 69 anos, justamente o de taxas mais baixas. 0 9 18 27 36 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Homens 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 3.1 2.9 3.1 3.3 3.6 3.5 3.6 3.4 3.4 3.2 3.7 3.5 70-79 9.6 10.0 9.9 9.4 9.4 11.1 10.0 10.8 9.5 9.5 10.6 10.0 80 e + 23.9 23.5 27.6 27.8 29.5 32.9 29.5 31.6 30.9 31.0 33.4 31.3

(17)

Gráfico 4.9

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO NA POPULAÇÃO FEMININA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Por doenças do aparelho digestivo

Neste grupo, as principais causas de morte entre os idosos são as doenças crônicas do fígado e cirrose, e as úlceras gástricas e duodenais, tanto entre os homens como entre as mulheres. A popula-ção masculina, no entanto, é a que suporta maiores riscos de morrer por doenças do aparelho digestivo (Gráfico 4.10).

A evolução deste grupo de causas, entre 1983 e 1994 não apresentou mudanças estatisticamente significativas, nem entre os homens e nem entre as mulheres, como pode-se comprovar pela reta gerada por análise de regressão, cuja inclinação não é significativa-mente diferente de zero, pois os intervalos de confiança possuem limite inferior negativo e limite superior positivo (o zero está incluído neste intervalo), e o p-valor é muito grande, excedendo bastante o limite de

0,05. 0 9 18 27 36 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Mulheres 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 1.3 1.1 1.4 1.3 1.1 1.3 1.3 1.4 1.3 1.1 1.5 1.4 70-79 4.3 4.1 4.5 4.1 4.3 5.2 4.3 4.9 4.4 4.4 4.4 5.0 80 e + 16.8 15.5 17.8 17.5 19.7 23.3 18.4 20.6 19.0 19.6 22.2 21.9

(18)

Gráfico 4.10

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR DOENÇAS DO APARELHO DIGESTIVO

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Por doenças das glândulas endócrinas,

da nutrição e do metabolismo e transtornos imunitários

Por simplificação, chamaremos este grupo de ‘doenças das glândulas endócrinas’, até porque a grande maioria dos óbitos deste grupo é por diabetes mellitus. A segunda causa é a deficiência nutri-cional, no entanto sua freqüência não revela a importância da desnu-trição na mortalidade dos idosos porque muitas vezes não é classificada como causa básica e sim como causa associada do óbito, contribuindo para a mortalidade por outras causas (doenças infeccio-sas e pneumonia, por exemplo) e por isso não aparece nas estatísticas de mortalidade (Gráfico 4.11). 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto mulheres Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 2.5 2.4 2.7 2.7 2.8 2.7 2.4 2.7 2.6 2.4 3.0 2.7 Mulheres 60+ 1.4 1.3 1.5 1.4 1.6 1.6 1.5 1.5 1.4 1.4 1.5 1.5

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ 0.017 0.295 –97.6 36.4

(19)

Gráfico 4.11

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR DOENÇAS DAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS...

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

As taxas de mortalidade de idosos, observadas, distribuem-se durante o período com altos e baixos, com valores distribuem-sempre muito próximos entre homens e mulheres, em torno de 3 óbitos por mil pessoas. Talvez exatamente por causa destas variações das taxas, entre 1983 e 1994, a análise de regressão resultou num ajuste pobre, indicando que não houve mudança estatisticamente significativa no período considerado, pois os intervalos de confiança incluem o zero, e

o p-valor é maior que 0,05 em ambos os sexos.

Por causas externas (acidentes e violências)

Apesar da idade, os idosos não estão livres das mortes violentas, a maioria vítima de acidentes de transporte, a não ser entre os mais idosos, com 80 anos ou mais, para os quais as principais causas externas são as quedas acidentais.

0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto mulheres Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 3.1 2.6 3.0 2.8 2.6 3.1 3.3 2.8 3.0 2.9 3.3 3.5 Mulheres 60+ 3.2 2.8 3.0 3.2 2.9 3.3 3.2 2.9 2.8 2.8 3.0 3.3

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ 0.042 0.065 –0.003 0.088

(20)

Da mesma maneira que nas outras idades, verifica-se também uma sobremortalidade masculina, que no caso dos idosos é de aproximadamente o dobro: enquanto o risco de morte por causas externas entre as mulheres com 60 anos ou mais é de aproximadamen-te 1 por mil pessoas, entre os homens esaproximadamen-te risco é em torno de 2/1000 (Gráfico 4.12).

Gráfico 4.12

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR CAUSAS EXTERNAS

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

As retas de regressão não se ajustaram bem aos valores observados, com p-valores maiores que 0,05 e intervalos de confiança

que incluíam o ponto zero, demonstrando que, do ponto de vista estatístico, não houve mudança significativa, entre 1983 e 1994, no risco da população idosa morrer por causas externas.

0.0 1.0 2.0 3.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto mulheres Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 1.9 2.0 2.0 2.5 2.1 2.2 2.2 2.2 2.3 2.0 2.4 2.3 Mulheres 60+ 0.9 1.0 0.9 1.0 1.0 0.9 1.1 1.0 0.9 0.9 1.1 1.1

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ 0.02 0.08 –0.003 0.052

(21)

Por doenças infecciosas e parasitárias

A importância deste grupo de causas é devida a suas características de doenças mais facilmente preveníveis, que estão associadas fortemente com as condições de vida, incluindo condições de habitação, de nutrição e de acesso aos serviços de saúde.

Barreto et al. (1996), analisando a transição

epidemiológi-ca e as tendências das Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIPs) no Brasil, mostra que,

“por razões diversas, a queda da participação das DIPs no conjunto da morbi-mortalidade prevalente no país, nas 2 últimas décadas, é efetivamente menor do que normalmente se tem acreditado. Um dos primeiros aspectos que me-recem consideração ao analisarmos os indica-dores de morbi-mortalidade por DIPs, diz respeito às questões de classificação, destacan-do-se o fato de que algumas doenças infecciosas não são classificadas no capítulo corres-pondente da CID. A mais importante delas são as pneumonias, classificadas no capítulo das doenças respiratórias, e que se constituem em uma importante causa de mortalidade e mor-bidade no Brasil e no mundo, em geral. Como exemplos de doenças infecciosas classificadas em capítulos distintos das DIPs podem ser citadas, ainda, as demais infecções do aparelho respiratório, as doenças infecciosas pélvicas e as infecções do trato urinário”.

Considerando o que foi exposto acima, este estudo revela uma situação grave, pois pode ser observado no Gráfico 4.13 que, a partir de 1990, o risco de morrer por doenças infecciosas e parasitárias aumentou constantemente para a população idosa, tanto para os homens como para as mulheres, e no período todo, de 1983 a 1994, este risco dobrou.

(22)

Gráfico 4.13

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO IDOSA POR DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

A análise de regressão demonstra estatisticamente que este aumento das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias é significativo: o p-valor, para ambos os sexos, é bem

menor que 0,05 e os intervalos de confiança apresentam valores, para os limites inferiores da inclinação, bem acima de zero.

Os Gráficos 4.14 e 4.15, mostram esta evolução da morta-lidade dos idosos por doenças infecciosas e parasitárias, desagregan-do-se as taxas por grupos de idade.

O aumento da mortalidade por doenças infecciosas e para-sitárias ocorre, principalmente, entre os mais idosos, com 80 anos ou mais, em ambos os sexos. Para os homens, com 80 anos ou mais, o risco aumentou de 1,7 para 4,4 óbitos por mil pessoas, e para as mulheres este aumento foi de 1,4 para 3,6 por mil.

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 observado homens observado mulheres previsto homens previsto 60+ Observado 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 Homens 60+ 0.9 1.1 1.0 1.0 1.1 1.1 1.3 1.0 1.2 1.2 1.4 1.7 Mulheres 60+ 0.5 0.5 0.6 0.6 0.6 0.6 0.8 0.6 0.7 0.7 0.8 1.0

Regressão Inclinação Valor-P 95% inferiores 95% superiores

Homens 60+ 0.047 0.002 0.022 0.072

(23)

Gráfico 4.14

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS

NA POPULAÇÃO MASCULINA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

Gráfico 4.15

TAXAS ESPECÍFICAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS NA POPULAÇÃO FEMININA IDOSA POR GRUPOS DE IDADE

Fonte: SIM do Ministério da Saúde.

0,00 1,25 2,50 3,75 5,00 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Homens 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 0.7 0.9 0.8 0.8 0.9 0.9 0.9 0.7 0.8 0.8 1.0 1.1 70-79 1.3 1.2 1.2 1.3 1.2 1.2 1.7 1.3 1.6 1.5 1.9 2.2 80 e + 1.7 2.0 2.4 2.1 2.3 3.3 3.0 2.5 2.9 3.2 3.3 4.4 0,00 1,25 2,50 3,75 5,00 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 70-79 80 e + Mulheres 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 60-69 0.3 0.3 0.3 0.3 0.3 0.4 0.3 0.3 0.3 0.4 0.4 0.5 70-79 0.5 0.6 0.8 0.7 0.7 0.7 0.9 0.7 0.8 0.7 0.9 1.1 80 e + 1.4 1.4 1.7 2.2 2.0 1.6 2.6 1.7 2.6 2.4 3.0 3.6

(24)

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A população idosa se constitui como um grupo bastante diferenciado, entre si e em relação aos demais grupos etários, tanto do ponto de vista das condições sociais quanto dos aspectos demográficos e epidemiológicos. Quando se considera os indicadores sociais e demo-gráficos, são bastante expressivos os diferenciais por gênero, idade, estado conjugal, educação, atividade econômica etc. Qualquer que seja

o enfoque escolhido para estudar este grupo populacional, deve-se levar em conta as suas especificidades.

No caso deste trabalho, onde o “olhar” recaiu sobre os aspectos relacionados a evolução da mortalidade deste grupo, os resul-tados encontrados refletem estas diferenças. Assim, dependendo do grupo de idade ou do gênero, os indicadores de mortalidade construí-dos mostraram situações diferentes e, embora possa se observar a evolução da mortalidade da população idosa como um todo, também

é necessário estudar a evolução da mortalidade das populações idosas.

A dicotomia estrutura/risco mostrou-se elucidativa para o que aconteceu com a mortalidade da população idosa, entre 1983 e 1994, porque reflete duas faces distintas das transformações associa-das com as transições demográficas e epidemiológica. Na medida em que ocorre o envelhecimento da população, e os idosos representam cada vez mais uma parcela maior da população total, é de se esperar que ocorram mais óbitos em pessoas com 60 anos ou mais, aumentan-do a mortalidade proporcional deste grupo etário e das causas de óbito associadas com o envelhecimento, como é o caso dos óbitos por doenças crônicas e degenerativas.

Este aumento da mortalidade proporcional, no entanto, não necessariamente significa aumento do risco. Neste estudo, mos-trou-se que, entre a população de 60 anos ou mais, o risco de morte diminuiu, para ambos os sexos e, principalmente, no grupo de 70 a 79 anos, indicando já o início, no Município do Rio de Janeiro, de uma nova fase da transição demográfica. Nesta fase, o envelhecimento da população e o aumento da esperança de vida ocorrem, principalmente, por conta da redução da mortalidade em idosos, e não pela queda da fecundidade e da mortalidade infantil, como nas primeiras fases das transições demográficas e epidemiológica.

(25)

Em relação às causas de óbito também há uma diferença entre fases: enquanto nas fases iniciais das transições, diminuem as doenças mais facilmente preveníveis, como as doenças infecciosas e parasitárias e a desnutrição, numa fase mais adiantada são algumas doenças crônicas e degenerativas, cuja prevenção é mais difícil, que diminuem. No caso do Município do Rio de Janeiro, houve uma queda importante, e estatisticamente significativa, nas taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório.

Por outro lado, no Município do Rio, estes ganhos podem ser parcialmente comprometidos pelo aumento observado nas taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias. Como já foi visto antes, a importância deste grupo de causas é devida a suas caracterís-ticas de doenças mais facilmente preveníveis, que estão associadas fortemente com as condições de vida, incluindo condições de habitação, de nutrição e de acesso aos serviços de saúde. Uma tendência de aumento nas taxas de mortalidade, entre os idosos, por estas doenças revela uma deterioração das condições de vida, em geral, e dos serviços de saúde, em particular, sugerindo que a população idosa, no Municí-pio do Rio de Janeiro, está exposta a riscos que não são compatíveis com aqueles referidos, nos países desenvolvidos, ao quarto estágio da transição epidemiológica.

A revista Population, em sua edição comemorativa de 50

anos, publicou um artigo de Meslé (1995) sobre a evolução recente da mortalidade na França. Neste artigo, Meslé conclui que, na década de 1970, e ainda na de 1980, o aumento da esperança de vida recebeu seu segundo impulso (o primeiro tinha sido pela redução das infecções e das doenças respiratórias, principalmente na infância) graças à redu-ção espetacular da mortalidade das pessoas idosas. Esta reduredu-ção, devida essencialmente ao progresso da luta contra as doenças cardio-vasculares, deverá ampliar-se entre os homens nos próximos anos.

Em muitos aspectos, tais como o declínio das taxas de mortalidade dos idosos, especialmente por doenças cardiovasculares e o crescente aumento da longevidade dos idosos, é possível se estabele-cer paralelos entre o processo francês e o do Município do Rio de Janeiro.

Kalache (1993), inclusive, aponta que as mudanças nas taxas de mortalidade dos idosos, nos países em desenvolvimento, estão, também, seguindo os padrões encontrados nos países

(26)

desenvol-vidos. As diferenças individuais encontradas, geralmente, refletem diferentes estágios da transição epidemiológica nestes países. Além disso, a despeito da recessão econômica prolongada e das condições de pobreza de grande parte da população dos países em desenvolvimento, a expectativa de vida continuou a aumentar durante a década e, apesar das desigualdades, os indicadores de saúde melhoraram e as taxas de mortalidade tendem a diminuir em todas as idades; o desenvolvimento socioeconômico já não é mais uma pré-condição para uma vida longa. Entretanto, esta questão suscita uma outra: estão os ido-sos, nos países em desenvolvimento, diferentemente dos idosos nos países desenvolvidos, vivendo mais apenas para aumentar seus anos de incapacidade e baixa qualidade de vida?

Esta é a questão principal que faz com que o caso da França, um dos países líderes no processo de passagem para o quarto estágio da transição epidemiológica, não possa ser comparado com a situação da mortalidade dos idosos encontrada no Município do Rio de Janeiro.

A queda da mortalidade entre os idosos, na França, não foi devida somente a uma diminuição da letalidade das doenças, mas se relaciona também com a melhoria do estado de saúde das populações idosas. A esperança de vida sem incapacidade, novo indicador de saúde desenvolvido na década de 1980, aumenta na França mais rapidamen-te que a esperança de vida ao nascer.

Já o Município do Rio de Janeiro, embora seja um dos mais desenvolvidos do país, apresenta uma situação econômica e social bastante desigual; boa parte de sua população encontra-se em condi-ções de pobreza e o estado tem encontrado dificuldades para satisfazer o atendimento das necessidades básicas da população. Conforme apon-ta Marangone (1995), esapon-tas características trazem sobrecarga ao aten-dimento de saúde, uma vez que, ao mesmo tempo em que os problemas relacionados as crianças encontram-se longe de serem resolvidos, as populações adulta e, especialmente a idosa, já apresentam uma série de necessidades.

O que se verifica, atualmente, no Município do Rio de Janeiro, quanto à evolução do padrão de mortalidade de sua população idosa, é uma superposição de estágios da transição epidemiológica. Da mesma forma que foi possível, neste trabalho, identificar uma tendên-cia de declínio da mortalidade, para ambos os sexos e para algumas

(27)

doenças crônicas e degenerativas, observa-se um aumento da pro-babilidade de morte por doenças infecciosas e parasitárias e do apare-lho respiratório.

O padrão de mortalidade da população idosa, aqui descrito, mostra que as transformações demográficas e epidemiológicas, ocor-ridas neste período de 12 anos, implicam em novas necessidades que, para serem atendidas, requerem uma maior atenção da sociedade civil e das organizações governamentais interessadas na melhoria das condições sociais da população. Principalmente, porque estas mudan-ças influenciarão o padrão de mortalidade futura dos idosos e, conse-qüentemente, a longevidade e a qualidade de vida da população nas próximas décadas.

(28)

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, M. I. C. et al. Renda e pobreza das crianças no Brasil. In: A infância brasileira na década de 90. IBGE/UNICEF, 1997. (no

prelo).

BARRETO, M. L., CARMO, E. H. Situação de saúde da população brasileira: tendências históricas, determinantes e implicações para as políticas de saúde. Informe Epidemiológico do SUS, n. 3/4, p.

7-34, jul./dez. 1994.

---, et al. Transição epidemiológica e tendências das doenças

infeccio-sas e parasitárias no Brasil. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 10, 1996, Caxambu. Anais... Belo

Horizonte: ABEP, 1996, v. 4, p. 2093-2106.

BERQUÓ, E. Algumas considerações demográficas sobre o envelheci-mento da população no Brasil. Brasília, jul. 1996. (Trabalho

apre-sentado no Seminário Internacional sobre envelhecimento populacional: uma agenda para o fim do século).

CASELLI, G. Future longevity among the elderly: causes of death and

survival at the dawn of the 21st century – an international pers-pective. Sendai City: United Nations/IUSSP/WHO, Jun. 1993. (Paper presented to the Conference on health and mortality trends among elderly populations: determinants and implications). CAVALCANTI, M. G. P. H., SAAD, P. M. Os idosos no contexto da

saúde pública. In: O idoso na Grande São Paulo. São Paulo:

Fundação SEADE, 1990. (Coleção Realidade Paulista).

FORMIGA, M. C. C. et al. Mortalidade da população idosa de

Natal-RN: tendências atuais da transição epidemiológica. In: CON-GRESSO DE EPIDEMIOLOGIA, 3, 1995, Salvador. Anais...

Salvador, abr. 1995.

GUIMARÃES, R., TAVARES, R. A. W. (Org.). Saúde e sociedade no Brasil. Relume-Dumará. Rio de Janeiro: ABRASCO/IMS-UERJ,

1994.

IBGE. Censo Demográfico de 1991. ---. Anuário Estatístico do Brasil. 1994.

(29)

IBGE. Retratos municipais: a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 1996.

KALACHE, A. Recent trends in mortality rates among the elderly in selected low mortality developing populations. Sendai City: United

Nations/IUSSP/WHO, Jun. 1993. (Paper presented to the Confe-rence on Health and mortality trends among elderly populations: determinants and implications).

LAURENTI, R. et al. Estatísticas de Saúde. 2ed. São Paulo: EPU,

1987.

---. A questão demográfica e a transição epidemiológica. In: CON-GRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 1, 1990, Campi-nas. Anais... São Paulo, 1990, p. 143-165.

MARANGONE, A. B. Tendências populacionais: de que morrem os idosos em São Paulo? Conjuntura Demográfica, São Paulo, v. 23,

p. 21-44, abr./jun. 1993.

---. A transição epidemiológica no Brasil: evolução e novos fatos.

1995. (Mimeogr.).

MARTELIN, T. Socio-Demographic Mortality Differentials and Trends Among the Aged in Finland in 1971-90. Sendai City:

United Nations/IUSSP/WHO, Jun. 1993. (Paper presented to the Conference on Health and mortality trends among elderly popu-lations: determinants and implications).

MESLÉ, F. La mortalité en France: le recul se poursuit. Population,

INED, v. 50, n. 3, p. 745-78, 1995.

MYERS, G. C. Mortality and health dynamics at older ages. In: RUZICKA, L., WUNSCH, G., KANE, P. (Eds.). Differential mor-tality: methodological issues and biosocial factors. Oxford:

Claren-don Press, 1989. p. 189-214.

---. Comparative study of mortality trends among older persons in developed countries. Sendai City: United Nations/IUSSP/WHO,

Jun. 1993. (Paper presented to the Conference on Health and mortality trends among elderly populations: determinants and implications).

(30)

MONTEIRO, C. A. (Org.). Velhos e novos males da saúde no Brasil: a

evolução do país e suas doenças. São Paulo: NUPES/USP, 1995. MONTEIRO, M. F. G., ALVES, M. I. C. Aspectos demográficos da

população idosa no Brasil. In: Terceira Idade: um envelhecimento

digno para o cidadão do futuro. Relume-Dumará. Rio de Janeiro: UnATI/UERJ, 1995.

---. Atlas de mortalidade do Estado do Rio de Janeiro, segundo seis grupos selecionados de causas de óbito. In: ENCONTRO NACIO-NAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 10, 1996, Caxambu.

Anais... Belo Horizonte: ABEP, 1996. v. 4, p. 2073-2091.

OKOLSKI, M. Health and mortality. Geneva, Mar. 1993. (Paper

presented to the European Populations Conference).

OLSHANSKY, J. S. Pursuing longevity: delay vs elimination of dege-nerative diseases. American Journal of Public Health, v. 75, n. 7,

p. 754-757, 1985.

---, AULT, B. The fourth Stage of the Epidemiologic Transition: the age of delayed degenerative diseases. Milbank Memorial Fund Quarterly/Health and Society, v. 64, n. 3, p. 355-391, 1986.

---. Demographic and biological perspectives on human longevity.

Sendai City: United Nations/IUSSP/WHO, Jun. 1993. (Paper pre-sented to the Conference on Health and mortality trends among elderly populations: determinants and implications).

OMRAN, A. R. The epidemiologic transition: a theory of epidemiologic of population change. Milbank Memorial Fund Quarterly, v. 49, n.

4, p. 509-538, 1971.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. The ageing of populations and its economic and social implications. Nova York: United

Nations, 1956.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação internacional de doenças: manual da classificação estatística internacional de

doenças, lesões e causas de óbito. Centro da OMS para classificação de doenças em português. São Paulo: Ministério da Saúde/Univer-sidade de São Paulo, 1985.

---. Demographic Yearbook – 1991. Special issue: population ageing and

(31)

PAES, N. A. A mortalidade por causas no Brasil: qualidade e compor-tamento dos dados. In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 10, 1996, Caxambu. Anais... Belo Horizonte:

ABEP. 1996. v. 4, p. 1945-1970.

PRATA, P. R. A transição epidemiológica no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, p. 168-175, abr./jun. 1992.

SAITO, Y. Mortality among the oldest old: causes of variation among low mortality countries. Sendai City: United Nations/IUSSP/WHO,

Jun. 1993. (Paper presented to the Conference on Health and mortality trends among elderly populations: determinants and implications).

SAWYER, D. O., McCRACKEN, S. D. (Org.). The young and the elderly: issues on morbidity and mortality. Belo Horizonte:

UFMG/CEDEPLAR, 1992.

SOUTO, J. O traço da desigualdade no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE,

1993. 45p.

VALLIN, J. L’espérance de vie: passé, présent et futurs possibles.

Montpellier, Out. 1992. (Paper apresentado no REVES Workshop on Healthy life expectancy and the disability process).

VERAS, R. P. et al. Crescimento da população idosa no Brasil:

trans-formações e conseqüências na sociedade. Revista de Saúde Pública,

São Paulo, 1987.

---. País jovem com cabelo branco: a saúde do idoso no Brasil.

Relume-Dumará. Rio de Janeiro: UERJ, 1994.

---, ALVES, M. I. C. População idosa no Brasil: considerações acerca do uso de indicadores de saúde. In: Os muitos Brasis: saúde e

população na década de 80. Hucitec Editores, 1994.

WORLD HEALTH ORGANIZATION/WHO. Uses of epidemiology in aging. Report of a scientific group. Technical Peport series 706.

Geneva: World Health Organization, 1984.

YAZAKI, L. M., SAAD, P. M. Mortalidade da população idosa. In: O idoso na Grande São Paulo. São Paulo: Fundação SEADE, 1990.

Referências

Documentos relacionados

A USP se destaca por possuir produção significativamente maior que as dos demais programas (quase 70 artigos). O segundo grupo, composto por Unicamp, UnB, UFRGS

13 Além dos monômeros resinosos e dos fotoiniciadores, as partículas de carga também são fundamentais às propriedades mecânicas dos cimentos resinosos, pois

Pode-se perceber que a COTRISOJA, como uma organização que está inserida em uma comunidade e dependente desta para a concretização de seus objetivos não foge de

(2013 B) avaliaram a microbiota bucal de oito pacientes submetidos à radioterapia na região de cabeça e pescoço através de pirosequenciamento e observaram alterações na

Agradeço à minha irmã, Leonor, a preciosa ajuda, sobretudo ao nível da pontuação e da elaboração de algumas frases, ao meu filho, André, que muito me

É, também, uma soma para o trabalho do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental no sentido de contribuir para um trabalho que privilegie o diálogo entre os diversos campos

Characteristics of male and female Japanese quails (Coturnix coturnix japonica) in the growth and production stages fed diets with different levels of crude protein

The 8 mm irrigation depth, even with the increased irrigation efficiency, produced smaller seedlings in all morphological parameters when the two irrigation frequencies was applied,