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ARBITRAGEM: MAIS CELERIDADE NA SOLUÇÃO DE PEQUENOS CONFLITOS - UMA ALTERNATIVA AO ACESSO À JUSTIÇA | Anais da Semana Acadêmica de Direito da FCR - ISSN 2526-8767

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Anais da V Semana Acadêmica de Direito da

Faculdade Católica de Rondônia Porto Velho

11, 12 e 13 de

maio de 2016 P. 138 a 154 ARBITRATION: MORE CELERY IN THE SOLUTION OF SMALL CONFLICTS -

AN ALTERNATIVE TO ACCESS TO JUSTICE.

Heli de Souza Guimarães1

RESUMO

Nossos Tribunais encontram-se mais do que sobrecarregados com incontáveis processos ajuizados diariamente, notando-se sua incapacidade de conferir efetividade à atividade jurisdicional a que se propõe. A Morosidade já conhecida nas decisões emanadas nos Tribunais torna a ser obstáculo ao acesso à justiça, bem como o acesso a uma ordem jurídica justa. A sociedade Civil em Geral, está despertando, por usar outros meios alternativos de pacificação de seus conflitos sociais, Conscientizando assim vultuosamente que o meio de pacificar tem que ser mais eficiente, caso não sendo por responsabilidade do estado, que seja por outros meios extrajudiciais de solução de conflitos. Neste sentido, a arbitragem surgiu como meio mais rápido e eficaz valido, de resolução de Lides de natureza patrimonial e disponível, confiável entre pessoas capazes, Desta forma contribui para descongestionar o Poder Judiciário, com questões mais simples, que possam ser resolvidas sem ter a necessidade de percorrer o longo do processo estatal litigioso. Tal alternativa vem representar uma proposta promissora, reduzindo a crise do nosso sistema jurídico arcaico, diminuindo assim o volume de processos e tendo a possibilidade de conferir resposta efetiva e satisfatória ao direito material das partes.

Palavras-chave: Vantagens, Peculiaridades, celeridade, efetividade, Justiça e Arbitragem.

ABSTRACT

Our courts are more than overwhelmed with countless lawsuits brought daily, noting his inability to give effectiveness to the jurisdictional activity it pursues. The arduous process already known in the decisions made in the courts makes it to be obstacles to access to justice, and access to a fair legal system. Civil society in general, is awakening, to use other alternative means of pacifying their social conflicts, Raising Awareness well vultuosamente the means of

1

Advogado, Formado em Direito pela Faculdade Uniron Porto Velho, Rondônia; Economista, Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Rondônia – Unir; Pós-Graduado em Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade São Lucas, Porto Velho-RO; Pós Graduando em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Católica de Rondônia.

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pacifying have to be more efficient, if not being a State responsibility, it is for other non-judicial means of conflict resolution. In this sense, arbitration has emerged as fastest and most effective valid, of labors resolution patrimonial nature and available, reliable among people able, this way helps to relieve the judiciary, with simpler issues that can be resolved without having to need to go through the long process of litigious state. Such an alternative is to represent a promising proposal, reducing the crisis of our archaic legal system, thus decreasing the volume of cases and having the ability to give effective and satisfactory answer to the substantive law of the parties.

Keyword: advantages, Peculiarities, speed, Effectiveness, Justice and Arbitration.

INTRODUÇÃO

Há tempos que a morosidade dos processos no judiciário se mostra inábil à prestação de uma justiça célere, eficaz e justa, já citava desde sua época, RUI BARBOSA: A justiça atrasada não é Justiça, senão injustiça

qualificada e manifesta. Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito escrito das partes, e assim, as lesa no patrimônio, honra e liberdade

(Trecho do discurso de paraninfo "Oração aos Moços". Original no Arquivo da

FCRB. Disponível em:

http://www.casaruibarbosa.gov.br/scripts/scripts/rui/mostrafrasesrui.idc?CodFra se=1086. Acesso em:03/08/2015) .

A Função de pacificar é o objetivo Social da Jurisdição, e a morosidade é o inimigo numero um desta. De que adianta lhe ser deferido o pedido da tutela antecipada vários meses depois de ser requerido, o que na pratica tem-se o Requerente muitas das vezes tem-seu direito tem-ser violado, estando com as mãos atadas. O que se busca efetivamente como resposta do judiciário é um sistema processual com maior celeridade com eficiência à sociedade, estando próximo da legitimidade dos fins para que justifiquem sua existência, com a solução dos conflitos, tornando e difundindo a paz na sociedade.

A sociedade quer ter acesso à ordem jurídica justa e rápida, através de um processo que não perdure por décadas para ver seus conflitos resolvidos.

O direito ao acesso à jurisdição faz parte dos direitos fundamentais garantidos não deve apenas possibilitar que as lides, os conflitos cheguem ao conhecimento do Judiciário pelo simples processo. Quer se ver a solução Do

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caso concreto, esperando que a decisão seja favorável para a parte lesada e o direito ao acesso à efetiva tutela jurisdicional.

Vejamos o que diz WAMBIER (2003, p. 63):

(...) o direito de acesso à justiça, erigido à dignidade de garantia constitucional, quer dizer bem mais do que a possibilidade de se obterem provimentos „formais‟, isto é, decisões judiciais dotadas apenas potencialmente da aptidão de operar transformações no mundo real. Quando se fala em direito de acesso à justiça, o que se quer dizer é direito de acesso à efetiva tutela jurisdicional.

Como consequência, a sociedade se vê insatisfeita pela falta de efetividade e da morosidade na resolução de seus conflitos no Judiciário, tendo uma sensação de descredito do sistema democrático.Já dizia Rui Barbosa: “A

justiça tardia não é outra coisa senão a maior das injustiças”.

Nesta seara, a Lei de Arbitragem vem com a esta finalidade de oferecer soluções para aliviar o Judiciário, cumprindo o desejo constitucional previsto no art. 5.º, LXXVIII, como forma de garantir a celeridade e efetividade ao direito reivindicado pela parte.

No mesmo sentido BULOS e FURTADO(1997, p. 11-12), ensinam: A presteza e a celeridade do trabalho jurisdicional nunca foram tão exigidas como agora e o juízo arbitral poderá evitar desgastes pela demora na solução dos litígios, o que muitas vezes provoca um desestímulo para aqueles que pretendem obter uma resposta do Judiciário.

Discorrem ainda sobre o mesmo tema Arbitragem CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER (1999, p. 26) vejamos:

Abrem-se os olhos agora, todavia, para essas modalidades de soluções não jurisdicionais dos conflitos tratadas como meios alternativos de pacificação social. Vai ganhando corpo a consciência de que, se o que importa é pacificar, torna-se irrelevante que a pacificação venha por obra do Estado ou por outros meios, desde que eficientes. Por outro lado, cresce também a percepção de que o Estado tem falhado muito na sua missão pacificadora, que ele tenta realizar mediante o exercício da jurisdição e através das formas do processo civil, penal ou trabalhista”. Esclarecem ainda os tais autores (1999, p. 26), sendo o processo necessariamente formal, demanda tempo e ... o tempo é inimigo da efetividade da função pacificadora. A permanência de situações indefinidas constitui, como já foi dito, fator de angústia e infelicidade

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pessoal. E, mais adiante, acrescentam: O ideal seria a pronta solução dos conflitos, tão logo apresentados pelo juiz. Mas como isso não é possível, eis aí a demora na solução dos conflitos como causa de enfraquecimento do sistema.

Assim sendo, a tempo de duração excessiva do processo judicial provoca além outras consequências, o enfraquecimento da prova, a demora na reparação do dano sofrido, o atraso na proteção contra ameaças a direitos, o aumento do custo processual do sistema e o seu descrédito como instrumento eficaz de pacificação social, desta forma não se pode desconsiderar que a celeridade é um ramo importante para a efetividade do direito.

Observam CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER (1999, p. 26), o

elevado custo do processo tem-se revelado óbice ao acesso à justiça através do processo estatal. O processo civil tem-se mostrado um instrumento caro,

seja pela necessidade de antecipação das custas ao Estado (preparo), seja pelos honorários advocatícios, seja pelo custo muitas vezes elevado das perícias. Tudo isso concorre para estreitar o livre acesso ao Judiciário, frustrando a plenitude do cumprimento da missão pacificadora do processo. E, por fim, concluem (1999, p. 26):

Essas e outras dificuldades têm conduzido os processualistas modernos a excogitar novos meios para a solução de conflitos. Trata-se dos meios alternativos de que se cuida no presente item, representados particularmente pela conciliação e pelo arbitramento.

Ainda neste mesmo sentido Adevanir Tura (Arbitragem Nacional e Internacional, 2007, p.45):

Temos ainda vários fatores que apontam como obstáculos ao pleno alcance da Justiça, dentre eles, a deficiência de instrução, politização, miséria absoluta, insuficiência econômica, pouco poder de mobilização e quase nenhuma organização, podendo-se afirmar, ainda, que o acesso ao Judiciário vem sendo gradativamente negado à uma camada da população, por ser somente uma classe desprestigiada ou de baixa renda, a ponto de afetar as classes mais abrangentes em todo o pais.

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2. ARBITRAGEM – UM MEIO ALTERNATIVO NA SOLUÇÃO DE CONFLITOS DIANTE DO ABARROTADO SISTEMA JURÍDICO.

Os bons doutrinadores defendem a interligação do direito material com processual.

CINTRA, GRINOVER e DINAMARCO (1999, p. 131) discorreram que, o estado ao criar a jurisdição no quadro de suas instituições, visa garantir que as normas de direito substancial contidas no ordenamento jurídico efetivamente conduz aos resultados enunciados. Através da tutela jurisdicional, procura o Estado a realização do direito material, buscando fazer com que se atinja em cada caso concreto, os objetivos das normas de direito substancial – intento jurídico da jurisdição. Assim, o objetivo da jurisdição é a atuação (cumprimento,

realização) das normas de direito substancial (direito objetivo).

Ainda sobre o mesmo tema, MARINONI (2008, p. 405) disserta que o processo deixou de ser um simples instrumento voltado à atuação da lei, passando também a ser um instrumento preocupado com a proteção dos

direitos, na medida em que o juiz, no Estado constitucional, além de atribuir significado ao caso concreto, compreende a lei na dimensão dos direitos fundamentais. E acrescenta: Por identidade de razões, o processo deve ser aplicado conforme as tutelas prometidas pelo direito material e segundo as necessidades do caso concreto (2008, p. 418).

Acontece que o objetivo principal do processo, como meio ou instrumento para a efetivação da ordem jurídica justa, está no momento atual frustrado, diante da crise que assola o Judiciário, com a morosidade quase que inevitável, da prestação jurisdicional. Atualmente o sistema jurisdicional brasileiro não está atendendo às necessidades de seus usuários e aplicadores do direito.Tem-se então na maioria dos casos uma falta de eficácia no sistema jurídico por conhecer a necessidade do processo como meio de realização das pretensões e reivindicações, mais ao mesmo tempo se mostra ineficiente e, em alguns casos, ineficácia do sistema jurídico.

A efetividade da tutela jurisdicional se dá quando confere às partes a realização do direito material, se gastando menos tempo, respeitando as garantias constitucionais tuteladas pelo Estado Democrático de Direito. E além do mais, que atenda, sempre que possível, a pretensão daquele que demanda,

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exatamente nos termos de seu pedido. O que, incontestavelmente, não tem se verificado com tanta frequência na esfera da jurisdição estatal.

A Arbitragem e Mediação estão juridicamente regulamentadas pela Lei n.º 9.307/96, e alterada pela lei nº 13.129, de 26 de maio de 2015. Uma opção para a sociedade que busca outros mecanismos a fim de promover a resolução de seus conflitos, com justiça e celeridade. Tal instituto está amparado e relacionado com o total acesso à ordem jurídica justa, com efetividade do direito e pacificação dos conflitos, que são os objetivos da jurisdição.

3. DA JURISDIÇÃO DA ARBITRAGEM

Na Doutrina há divergências quanto à finalidade da teoria da arbitragem quanto à sua natureza. Destes, a maioria, tem o entendimento que a tutela jurisdicional não pode se limitar à tutela estatal, dada pelo Poder Judiciário, por meio de um processo institucional.

É exercício da jurisdição também a conferida pelos meios alternativos extrajudiciais de resolução de conflitos, como a arbitragem, que pacifica os conflitos, perante a atuação de um árbitro, este escolhido por qualquer uma, ou por ambas as partes, o qual está embasado por lei que lhe dá poder e legitimidade quanto a sua decisão.

Confirmando a respeito, DIDIER (2007, p. 72) cita que o que prevalece, atualmente, na doutrina o entendimento de que: “A arbitragem, no Brasil, não é equivalente jurisdicional: é propriamente jurisdição, sem qualquer diferença, a não ser que é privada e o juiz é escolhido pelos litigantes.”

Seguidamente e, referindo-se à concepção de ser ou não a atividade jurisdicional um monopólio do Estado, finaliza:

Com a remodelação da arbitragem no direito brasileiro, essa característica perdeu o prestígio, tendo em vista que,

atualmente, prevalece a concepção de que a arbitragem é atividade jurisdicional, com a diferença apenas quanto ao

elemento confiança, que preside a arbitragem, estando ausente na jurisdição estatal, cujo órgão não pode ser escolhido pelas partes e cuja sentença lhes será imposta de forma coativa. A sentença arbitral, lembre-se, prescindi de homologação pelo Estado-juiz para que possa ser executada. (DIDIER, 2007, p. 73) (nosso grifo)

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A doutrina majoritária admite a natureza jurisdicional híbrida do instituto: Primeiramente, esta possui origem na clausula contratual, vez que se inicia por convenção arbitral na qual prevalece a autonomia da vontade; por outro lado é desenvolvida na resolução da lide de forma que seja feita a justiça, sendo de natureza pública, agindo como alternativa da jurisdição, com atuação limitada dentro da legalidade.

O conceituado Jurista HUMBERTO THEODORO JÚNIOR (1999) expõe que: “o que fez a Lei n. 9.307 foi instituir terminantemente a jurisdicionalização da arbitragem no Brasil, à medida que lhe atribuiu natureza jurisdicional-contratual decorrente de seu caráter volitivo privado”.

Afirma também no mesmo sentido CINTRA, DINAMARCO e GRINOVER (1999, p. 21), que é uma composição heterogênea que através da história, fazia os sacerdotes ou anciãos, vejam:

Essa interferência, em geral, era confiada aos sacerdotes, cujas ligações com as divindades garantiam soluções acertadas, de acordo com a vontade dos deuses; ou aos anciãos, que conheciam os costumes do grupo social integrado pelos interessados. E a decisão do árbitro pautava-se pelos padrões acolhidos pela convicção coletiva, inclusive pelos costumes.

Vale lembrar que o Instituto de Arbitragem não surgiu em substituição a jurisdição estatal. Age somente naqueles conflitos sociais que a lei a permite, sendo uma alternativa às partes, resolvendo-os mediante uma composição com eficácia e de modo mais célere e segura. O judiciário agora é auxíliado pelo juízo arbitral em tais conflitos, sendo buscada além do juízo estatal também no âmbito privado, através da mediação e arbitragem, sendo que é formada pela vontade das partes.

Segundo FIGUEIRA JÚNIOR (1999, p. 109), a Lei n.º 9.307/96 é somente um sistema processual que inova o modo processual, se mostrando uma verdadeira revolução na cultura jurídica, colocando lado a lado a jurisdição estatal e privada, à escolha do jurisdicionado, segundo o que lhe parecer mais conveniente, eficaz e adequado, considerando a natureza e as peculiaridades do conflito a ser dirimido.

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Como dito Anteriormente a Arbitragem, foi regulamentado em no país pela Lei 9.307/96, e suas alterações; Assim como a conciliação e mediação, tem por objetivo ser mais célere na solução de conflitos, desde que seja de natureza patrimonial disponível.

Para fazer uso de uma Câmara de arbitragem, basta inserir nos Contratos a Cláusula Compromissória. Esta cláusula, disposta na Lei 9.307/96, substituirá aquela que elege o Foro para dirimir duvidas e solucionar eventuais lides. Em se tendo a cláusula compromissória, pode-se então qualquer das partes interessadas buscar uma das Câmaras de Arbitragem do TJAMME - Câmara de Justiça Arbitral e Mediação do Mercosul, e requerer que se instaure o procedimento processual.

Importante destacar que se do contrato não constar Cláusula Compromissória, e uma vez existindo alguma controvérsia acerca dele, poderão as partes submeter o litígio à Câmara de Arbitragem.

Tal procedimento tem como peculiaridades a modernidade, a simplicidade, rapidez e segurança, onde prevalece a vontade das partes, podendo inclusive fazer a escolha do arbitro que atuará na busca da solução daquele conflito. solução do conflito.

4. DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO INSTITUTO DA ARBITRAGEM

O instituto da arbitragem já faz parte no âmbito mundial quando do interesse da solução de conflitos sociais desde os primórdios, quando eram exercidos pelos Anciãos dos clãs e está presente mais do que nunca na atualidade.

Na Grécia Antiga quando de tratava de conflitos relativos a fronteiras, já se usava a arbitragem internacional. Há relatos de autores da Grécia Antiga, que citam a arbitragem, quando naquele tempo, acontecia conflitos entre deuses e heróis, estes eram solucionados por Juízes arbitrais que proferiam sentenças por um deles.

Em havendo deuses que pertenciam a diversas cidades, procuravam pacificar as lides através de seus árbitros, pois os deuses do Olimpo eram protetores de todos os gregos assim a arbitragem era quem solucionava os conflitos emitindo se um laudo arbitral.

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No direito Romano, a Arbitragem se dava de duas formas do processo

"ordo judiciorum privatorum" (ordem dos Processos privados) e sua divisão em

duas fases): o processo das “legis actiones”(ações da lei) e o processo "per

formulas"(período formulário). Em ambas, que se origina na historia de Roma

(754 a.C.) ao surgimento da "cognitios extraordinaria" sob Diocleciano ( século III d.C.), o mesmo procedimento colocava em ordem o processo romano: O Magistrado prepara a ação, enquadrando na legislação e após acrescia a elaboração da fórmula, como se vê na exemplificação de Gaio e, em seguida, o julgamento por um "iudex" ou "arbiter", um árbitro idôneo que era

indicado a julgar a lide.

No Brasil, há relatos do uso da mediação e arbitragem desde a época do Império quando sua constituição de 1824, no artigo, nos conflitos cíveis, onde as partes podiam escolher seus juízes árbitros, com decisões que eram irrecorríveis, quando havia convenção.

Em se tratando de demandas mercantis, também a previsão de uso da arbitragem. O Código Civil de 1916 trazia em seus artigos 1072 a 1102, a legislação sobre a arbitragem, sendo previsto também no Código de Processo Civil de 1973, mais, no entanto, era necessária a homologação pelo Poder Judiciário, para que a sentença arbitral tivesse eficácia.

A arbitragem passa a ser totalmente regulamentada a partir da edição da Lei n.º 9.307/96, tanto para no aspecto material, assim como no formal, sendo alterados 11 artigos pela Lei 13.129/2015. Nelas estão contidas as disposições gerais, regras, procedimentos, homologação e sentenças, etc...

5. CONCEITOS E ESTRUTURAS DA ARBITRAGEM

Segundo Tura, Adevanir:

Arbitragem é uma forma de solução de litígios, referentes a direitos patrimoniais disponíveis (CC, art. 841), através da intervenção de um ou mais árbitros que recebem poderes contidos no Compromisso Arbitral para decidir a questão. A Arbitragem oferece aos empresários maior rapidez e segurança para o deslinde suas contingentes ou eventuais divergências contratuais.

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O processo de arbitragem é iniciado e acordado exprimindo a das partes que outorgam ao árbitro a missão de julgar seus conflitos, afastando a jurisdição estatal (MUNIZ, 2006). Neste mesmo sentido, a autora (2006, p. 40) conceitua a arbitragem como “procedimento jurisdicional privado para a

solução de conflitos, instituído com base contratual, mas de força legal, com procedimento, leis e juízes próprios estabelecidos pelas partes, e que subtrai o litígio da jurisdição estatal”.

Seguindo o pensamento de BULOS e FURTADO (1997, p. 21-22), tem-se a arbitragem quando, surgindo as desavenças entre os particulares, estes se dispõem e nomeiam um terceiro, juiz arbitral, imparcial, afastando a jurisdição estatal, imparcial, que deverá apresentar uma solução a lide, comprometendo as partes, acatarão qualquer que seja decisão.

Destarte, o juízo arbitral, nos casos lhes sendo permito por lei, consistem em meio legal de solução de conflitos, quando os litigantes buscam em uma terceira pessoa de sua confiança, que não integra os quadros do Judiciário, a solução amigável e imparcial do litígio. Desta forma extrajudicial de composição de conflitos deverá ocorrer somente tendo como litigantes maiores e capazes, e somente quando a contenda versar sobre de bens patrimoniais e disponíveis.

Considerada como Titulo Executivo Judicial, a sentença arbitral, após ser proferida, não tem a necessidade de ser homologada pelo Judiciário. Na lei de Arbitragem no seu art. 31, prevê-se que “a sentença arbitral produz, entre as

partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo”, ou

no art. 17 que equipara os árbitros aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal, e também o art. 18, que dispõe que para os fins processuais o árbitro “é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a

recurso ou a homologação do Poder Judiciário”.

Somente há necessidade de homologação, quando a Sentença Arbitral for estrangeira: “Art. 35. Para ser reconhecida ou executada no Brasil, a sentença arbitral estrangeira está sujeita, unicamente, à homologação do Superior Tribunal de Justiça. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015)(Vigência)

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Art. 36. Aplica-se à homologação para reconhecimento ou execução de sentença arbitral estrangeira, no que couber, o disposto nos arts. 483 e 484 do Código de Processo Civil”.

O árbitro escolhido pelos conflitantes, deverá ter conhecimentos técnicos, tanto social como legal a cerca do problema levantado que será submetido à arbitragem, que substituirá o processo judicial, com mais vantagens e celeridade, já que Juiz togado, recorre muitas a peritos, que além de aumentar o tempo despendido, aumenta também o custo processual.

Vale lembrar que a arbitragem, assim como os árbitros, estão sujeitos a legalidade, devendo estar a sentença arbitral, em conformidade com os princípios que embasam o Estado de Direito.

6. DA CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM: CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA E COMPROMISSO ARBITRAL – PECULIARIDADES E CARACTERÍSTICAS.

É pela convenção de arbitragem que as partes podem delegar a um terceiro a solução do seu conflito, determinando o procedimento a ser adotado na resolução das questões pertinentes, bem como os parâmetros a serem utilizados na solução do conflito. A Clausula Compromissória ou pactum de

compromittendo, é aquela que consta no contrato realizado entre as partes,

como o objetivo de ver seus lígios serem convencionados pela arbitragem.

Através de tal cláusula compromissória entende-se a convenção em que as partes assentem que as divergências oriundas de certo negócio jurídico serão resolvidas pela arbitragem, prévia e abstratamente, afastando a jurisdição estatal. As partes capazes determinam previamente que, em caso de ocorrência de litígio sobre determinado negócio jurídico, a sua resolução dar-se-á pela arbitragem (DIDIER, 2007, p. 71).

O compromisso arbitral, por sua vez, é o acordo de vontades para submeter uma controvérsia específica, já existente, ao crivo do juízo arbitral, onde as partes renunciam à atividade jurisdicional estatal (DIDIER, 2007, p. 71).

Vale ressaltar que diferem na seguinte forma: Nas cláusulas compromissórias as partes submetem ao julgamento do árbitro os seus

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conflitos futuros, e no compromisso arbitral as partes levam ao julgamento do árbitro uma controvérsia atual.

Assim sendo, a Lei 9.307/96 – Da Arbitragem, o compromisso arbitral pode ser de duas espécies: a) judicial, referindo-se à controvérsia já ajuizada perante o Poder Judiciário, celebrando-se, então, por termo nos autos, perante o juízo ou Tribunal por onde correr a demanda, nos termos dos artigos 851 e 661, § 2.° do Código Civil, art. 38 do Código de Processo Civil e, sobretudo, o art. 9.°, § 1.° da Lei n.° 9.307/96. Feito o compromisso, cessarão as funções do juiz togado, decidindo o(s) árbitro(s); b) extrajudicial, não havendo causa ajuizada, celebrar-se-á compromisso arbitral por escritura pública ou particular, assinada pelas partes e por duas testemunhas, nos termos do art. 851 do Código Civil e art. 9.°, § 2.° Lei n.° 9.307/96 (DINIZ, 2002, p. 531).

A referida lei traz consigo ainda, os requisitos essenciais para formulação do compromisso arbitral: qualificação das partes e dos árbitros, os fatos, a matéria o foro onde deverá ser julgado a lide e emissão da sentença arbitral. A autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por equidade, se assim for o prazo para apresentação da sentença arbitral; a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, quando assim convencionarem as partes; a declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com a arbitragem; e a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros. Fixar as partes os honorários do árbitro, ou dos árbitros, no compromisso arbitral, este constituirá título executivo extrajudicial; não havendo tal estipulação, o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria competente para julgar, originariamente, a causa que os fixe por sentença.

Quanto ao foro, adotado pela Lei n.º 9.307/96, o local da prolação da sentença. Portanto, será Nacional, a arbitragem, quando for sentenciada em solo brasileiro e quando for prolatada em outro território, será internacional. Neste sentido, esclarece MUNIZ (2006) esclarece:

(...) esse dispositivo reforça a posição adotada pela nova lei de privilegiar o princípio da autonomia da vontade, permitindo às partes optar pelas normas materiais e processuais que melhor lhes convierem, pelos locais em que se desenvolverá o procedimento, assim como, pelo local em

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que deve ser proferida a decisão, escolhendo, assim, a nacionalidade da arbitragem.

Entre outras que tem o juízo arbitral, sobressaem: a) O poder de escolher a lei material que deverá ser aplicada ao caso, não sendo permitido violar à ordem publica e os bons costumes. A não obrigatoriedade de homologação pelo judiciário, e valer como titulo executivo a decisão condenatória.

Ressalta-se, no entanto, DIDIER (2007, p. 71) que: o árbitro pode

decidir, mas não tem poder para tomar nenhuma providência executiva; também não é possível a concessão de provimentos de urgência, que exigem atividade executiva para serem implementados (art. 22, 4.º, Larb); c) a

possibilidade de reconhecimento e execução de sentenças arbitrais produzidas no exterior (art. 34 e seguintes da Larb).

7. RELEVANCIA, CONSTITUCIONALIDE E ALTERNATIVA DO ACESS0 À JUSTIÇA

Vale lembrar que optar pela arbitragem não traz ofensa ao princípio constitucional a fim de exercer o direito de ação, mesmo porque, é um meio alternativo de acesso à Justiça social e também justa ordem jurídica.

De acordo com o pensamento de DIDIER (2007, p. 71) “... não há vício algum de inconstitucionalidade na instituição da arbitragem. Trata-se de opção, não compulsória, conferida a pessoas capazes para solucionar problemas relacionados a direitos disponíveis”.

Neste mesmo sentido MUNIZ (2006, p. 40), “...que somente os direitos disponíveis podem ser objeto de convenção de arbitragem, razão porque as partes, quando o celebram, estão abrindo mão da faculdade de fazerem uso da jurisdição estatal, optando pela jurisdição arbitral”.

Acertadamente, a arbitragem só pode intervir nos direitos patrimoniais disponíveis, campo este, que vale a liberdade de escolha contratual das partes. Em tais conflitos as partes podem livremente resolver seus conflitos sem a participação estatal. Tal a opção, a da justiça privada, para resolução de seus conflitos não chega a ofender o do juiz natural, que garante o estado de Direito, muito menos renuncia ao direito da litigância.Assim ensina NERY (2002, p. 93)

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“... as partes apenas estão transferindo, deslocando a jurisdição que, é

exercida por órgão estatal, para um destinatário privado”.

A Relevância da Arbitragem “reside em ser mais um instrumento institucionalmente legítimo, colocado no sistema para a busca da solução de conflitos de ordem interna ou externa, que serão conhecidos por profissionais especializados na matéria, objeto da controvérsia”. FIGUEIRA JÚNIOR (1999, p.144-145).

Em consonância, FIGUEIRA JÚNIOR (1999, p. 111) ressalva que a ampliação do uso da arbitragem como meio alternativo de solução de conflitos não representa, de maneira alguma, o enfraquecimento do Poder Judiciário. Pelo contrário, diante da facultatividade concedida aos jurisdicionados para buscarem a solução de suas desavenças por meio da jurisdição estatal ou arbitral, tende o Estado-juiz a fortalecer-se gradativamente, à medida que for necessariamente provocado.

Finalizando o pensamento, DIDIER (2007, p. 71-72) acrescenta a existência da possibilidade do controle judicial da sentença arbitral, mas apenas em relação à sua validade, ipsis litteris: Não se trata de revogar ou

modificar a sentença arbitral quanto ao seu mérito, por entendê-la injusta ou por errônea apreciação da prova pelos árbitros, senão de pedir sua anulação por vícios formais.

8. ADAPTAÇÃO CULTURAL DA SOCIEDADE AS ALTERNATIVAS PARA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

Um dos aspectos importantes a serem levantados, é constatar que a escassa aplicação do instituto da arbitragem na ordem jurídica brasileira, como meio de resolução de contendas internas. Diante disto, pode-se constatar que tal instituto, muito utilizada em diversos países e no plano internacional, é pouco aplicado no Brasil. Os cidadãos brasileiros, foram customizados com a jurisdição prestada pelo estado, e para que tenham conhecimento e aceitem a arbitragem levará ainda um bom tempo.

As câmaras arbitrais buscam informar às empresas publicas e privadas, bem como a sociedade, como uma forma de difundir tal instituto. Advogados, e operadores do direito, deviam se inteirar mais sobre o assunto, e

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ao clamor da sociedade aproveitando as facilidades em constituírem o juízo arbitral, para soluções de conflitos.

A sociedade como um todo precisa urgentemente ter conhecimento sobre o instituto de Arbitragem, suas facilidades, simplicidade e celeridade, adaptando-se ao novo. Do que adiantaria a ampliação do acesso à justiça, sem o conhecimento da sociedade, para que tenhamos, uma justiça de resultados.

Neste mesmo sentido, observa SANTOS (2001, p. 87-88): a expressão segundo a qual o hábito é „uma segunda natureza‟ contém muito de verdade porque, com o tempo, determinados comportamentos habituais tornam-se naturais. E, por esse motivo, o autor esclarece ser válida a expectativa de que, com o passar do tempo, a sociedade habitue-se a recorrer à arbitragem, encarando-a como valorização do exercício do livre arbítrio das partes, que podem, livremente, optar por um entre dois procedimentos de solução de controvérsia: um estatal e outro privado. E diz ainda:

A opinião pública, acomodada a certo quadro institucional, necessita de tempo para aceitar a mudança dessa realidade, acostumando-se com o novo, reconhecendo-o como um valor, e assim assumindo-o como um bom critério para o exercício da liberdade de optar.

A Lei n.º 9.307/96 e suas alterações, não cria um novo sistema processual, mais revoluciona a cultura jurisdicional, fazendo caminhar paralelamente a jurisdição estatal e a privada, podendo as partes escolher o que mais lhe convier.

Segundo Figueira Junior (1999, p.109-111) Esta modalidade de prestação jurisdicional, é um avanço para toda sociedade que busca e agora os tem, modos alternativos para pacificar suas desavenças com mais celeridade e confiabilidade e com custos inferiores ao estatal.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As constantes queixas pela sociedade por mais celeridade e efetividade e na resolução das contendas sociais resultou, na promulgação da Lei n.º 9.307/96, que regulamenta integralmente a arbitragem no Brasil, No

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aspecto formal e material. A Infinidade de processos e a morosidade da prestação jurisdicional fizeram com que o legislador despertasse para a necessidade de buscar novas formas de resolução de conflito.

Como efeito e visando desafogar o Poder Judiciário, a Lei n.º 9.307/96 criou um procedimento extrajudicial, que proporciona aos litigantes a possibilidade de escolha de quem será o arbitro, desde que seja qualificado, para intermediar e conciliar os conflitos, de natureza patrimonial disponível, e que sendo muito mais célere do que o modelo habitual, com procedimentos da estrutura jurídico e processual. Um meio com mais celeridade, eficaz e satisfatório de resolução de conflitos, e com legitimidade tanto quanto no âmbito da jurisdição estatal.

Por fim, a Arbitragem é um instituto que veio ampliar o acesso à ordem jurídica justa, democratizando a justiça e colocando à disposição dos litigantes. Tem se então uma ampliação do modo de acessar à justiça, apresentando uma alternativa para solucionar suas contendas. As partes poderão simplesmente optar ao pelo meio que mais lhe convier, com maior agilidade, eficácia e de maior utilidade social, devendo estes medir quais as vantagens que trarão a justiça estatal ou no âmbito arbitral.

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Referências

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