Universidade de Cabo Verde
Departamento Ciˆencia & Tecnologia
Texto te´orico de An´alise Matem´atica III
Prof. Narciso Resende Gomes
Ano lectivo: 2012/2013
1 Introdu¸c˜ao a Topologia em . . . 2
1.1 Conceito de Bolas . . . 2
1.2 Conjuntos Limitados . . . 5
1.3 Sucess˜ao (ou sequˆencia) no espa¸co euclidiano . . . 5
1.4 Conjuntos convexos . . . 6
1.5 No¸c˜ao de vizinhan¸ca . . . 6
1.6 Interior, exterior e fronteira . . . 7
1.7 Conjuntos abertos . . . 8
1.8 Conjunto fechado . . . 9
1.9 Ponto acumula¸c˜ao . . . 10
Referˆ
encias
[1] A. Breda e J. Costa,C´alculo com fun¸c˜oes de v´arias vari´aveis. McGraw Hill-Portugal, Lisboa, 1996.
[2] E. Lima, An´alise Real - Vol. 2. Rio de Janeiro, Brasil, 2004.
[3] H. Bertolossi, C´alculo diferencial a v´arias vari´aveis. Edi¸c˜oes Loyola e editora PUC-Rio, S˜ao Paulo, Brasil, 2002.
[4] S. Lang, Calculus of Several Variables. Adison-Wesley, 1973.
[5] T. Apostol, C´alculo (Vol. 2). Editora Revert´e, -.
1
Introdu¸c˜
ao a Topologia em
R
n1.1
Conceito de Bolas
Dados o ponto a∈Rn
e o n´umero realr >0. A bola abertade centro ae raio r´e o conjuntoB(a, r) (ouBr(a)) dos pontosx∈Rncuja distˆancia ao pontoa´e menor quer.
SejaM ⊂Rn
.Sejad:M×M →Rum espa¸co m´etrico. Num espa¸co m´etrico (M, d),
definimos os seguintes conjuntos:
1. Bola aberta de centroa∈M e raio r >0 : • B(a, r) ={x∈M :d(x,a)< r}
2. Bola fechada de centro a∈M e raio r >0 : • B[a, r]={x∈M :d(x,a)≤r}.
3. Esferade centro a∈M e raio r >0 : • S[a, r]={x∈M :d(x,a) =r}.
Segue-se que B[a, r] = B(a, r) ∪ S[a, r]. A bola fechadatamb´em ´e chamada de disco
n-dimensional de centro a e raior.
Nota 1: Se a m´etrica d prov´em de uma norma k · k do espa¸co vectorial E, ou seja, k · k:E×E →R, temos:
• B(a, r)= {x∈E :kx−ak< r}.
• B[a, r] ={x∈E :kx−ak ≤r}.
• S[a, r]={x∈E :kx−ak=r}.
Exemplo 1: No espa¸co euclidiano R de dimens˜ao 1, as bolas abertas e bolas fechadas
respectivamente, definidas anteriormente, s˜ao respectivamente, intervalos abertos e fe-chados:
• B(a, r) = (a−r, a+r).
• B[a, r] = [a−r, a+r].
Nota 2: A forma geom´etrica das bolas e esferas, em geral, dependem da norma que se usa.
Por exemplo, se considerarmos o plano R2
com am´etrica euclidiana, teremos:
• B((a, b), r) ={(x, y)∈R2 : (x−a)2 + (y−b)2 < r2}- bola aberta (ou c´ırculo ’aberto’) de centro (a, b) e raior >0.
(a,b)
a b
x y
• B[(a, b), r] ={(x, y)∈R2
: (x−a)2
+ (y−b)2 ≤r2
} - bola fechada (ou c´ırculo ’fechado’) de centro (a, b) e raio r >0.
(a,b)
a b
x y
r
• S [(a, b), r] ={(x, y)∈R2
: (x−a)2
+ (y−b)2 =r2
} - bola fechada (ou
circunferˆencia) de centro (a, b) e raior > 0.
(a,b)
a b
x y
r
E se considerarmos R2
com am´etrica do m´aximo, teremos:
• BM((a, b), r) ={(x, y)∈R2 :|x−a|< r∧ |y−b|< r}
= (a−r, a+r)×(b−r, b+r) - bola aberta de centro (a, b) e raior >0.
y
x b+r
b−r
a−r a+r
2r
2r
2√2r
a b
• BM[(a, b), r] ={(x, y)∈R2 :|x−a| ≤r∧ |y−b| ≤r}= [a−r, a+r]×[b−r, b+r]
-bola fechada de centro (a, b) e raio r >0.
y
x b+r
b−r
a−r a+r
2r
2r
2√2r
• SM[(a, b), r] ={(x, y)∈R
2
:|x−a| ≤r∧ |y−b|=r} ∪ {(x, y)∈R2
:|x−a|=
r∧ |y−b| ≤r}- esfera de centro (a, b) e raio r >0.
y
x b+r
b−r
a−r a+r
2r
2r
2√2r
a b
Finalmente, se considerarmos R2
com am´etrica da soma, obteremos:
• BS((a, b), r) = {(x, y)∈R
2
:|x−a|+|y−b|< r} - ´e a regi˜ao interior ao quadrado de v´ertices nos pontos (a, b+r),(a, b−r),(a−r, b),(a+r, b).
• BS[(a, b), r] ={(x, y) ∈ R
2
: |x−a|+|y−b| ≤ r} - ´e a uni˜ao da regi˜ao limitada pelo quadrado de v´ertices nos pontos (a, b+r),(a, b−r),(a−r, b),(a+r, b) com o pr´oprio quadrado.
• SS[(a, b), r] = {(x, y) ∈ R
2
:|x−a|+|y−b| = r} - ´e o quadrado de v´ertices nos pontos (a, b+r),(a, b−r),(a−r, b),(a+r, b).
x y
b
a−r a+r b+r
b−r
x y
a b
a−r a+r b+r
b−r
√ 2r √ 2r x y a b √ 2r √ 2r x y a b
a−r a+r b+r
b−r
x y
a b
a−r a+r
√ 2r
√ 2r
Ent˜ao, as rela¸c˜oes entre as bolas do mesmo centro e raio em rela¸c˜ao `as m´etricas eucli-diana, da soma e do m´aximo, fica como mostra a figura seguinte:
x y x y a b
a−r a+r b+r
Em particular, o disco B[0,1] de centro 0 e raio 1 ´e chamado o disco unit´ario de Rn .
Uma nota¸c˜ao especial ´e reservada para a esfera unit´aria de dimens˜ao n−1 :
Sn−1
={x∈Rn :kxk= 1}.
Assim,Sn−1
´e a esfera de centro na origem 0 e raio 1.Quandon = 2, S1
´e a circunferˆencia de centro 0 e raio 1.
1.2
Conjuntos Limitados
Defini¸c˜ao 1: Um conjunto X ⊂Rn ´elimitado quando existec > 0 tal quekxk ≤c para todo x∈X, ou seja, quando existe c >0, tal queX ⊂ B[0, c]
Observa¸c˜ao 1: Um subconjunto X ⊂ Rn
´e limitado se, e somente se, existe a ∈ Rn
e
r >0 tal que X ⊂B[a, r]
Defini¸c˜ao 2: Uma aplica¸c˜ao f : X → Rn ´e limitada se a sua imagem f(X)⊂ Rn ´e um
conjunto limitado, isto ´e, quando existe umc > 0 tal quekf(x)k ≤c, para todo x∈X.
1.3
Sucess˜
ao (ou sequˆ
encia) no espa¸co euclidiano
Defini¸c˜ao 3: Umasucess˜aoem Rn´e uma aplica¸c˜aox:N→Rn. O valor x(k) ´e indicado
com xk e chama-se k−´esimo termos da sucess˜ao.
Defini¸c˜ao 4: Uma sucess˜ao (xk)k∈N ´e limitada quando o conjunto formado pelos seus
termos ´e limitado, ou seja, quando existe c >0 tal que kxkk ≤c, ∀k ∈N.
Defini¸c˜ao 5: Um ponto a∈Rn ´e limite da sucess˜ao sucess˜ao (xk)k∈N quando, para todo ǫ >0 dado, existe k0 ∈N tal que k > k0 ⇒ kxk−ak ≤ǫ. Neste caso, dizemos que (xk) converge para a ou tende a a.
Observa¸c˜ao 2: As nota¸c˜oes seguintes:
lim
k→∞xk=a, limk∈Nxk =a, xk→a e limk→∞kxk−ak= 0
s˜ao equivalentes.
Nota 3: Uma sucess˜ao (xk)k∈N em Rn ´econvergente quando existe limite a= limxk.
Observa¸c˜ao 3: 1. O limite de uma sucess˜ao (xk)k∈N convergente ´e ´unico.
2. Toda a sucess˜ao convergente ´e limitada. Mas a rec´ıproca n˜ao ´e verdadeira.
Corol´ario 1: Se (xk)k∈N, (yk)k∈N s˜ao sucess˜oes convergentes em R n
e (λk)k∈N ´e sucess˜ao
convergente em R, com limxk =a e limyk =b e limλk =λ, ent˜ao:
• lim
k→∞(xk+yk) =a+b.
• lim
k→∞(λ
kxk) =λa.
• lim
k→∞hx
k, yki=ha, bi.
• lim
k→∞kx
kk=kak.
Teorema 1.1: (Bolzano-Weierstrass). Toda sucess˜ao limitada em Rn possui uma
1.4
Conjuntos convexos
Defini¸c˜ao 6: Um conjunto X ⊂ Rn ´e convexo quando o segmento de recta que une quaisquer de seus pontos, est´a inteiramente contido em X. Noutros termos equivale a afirmar que
∀a, b∈X com 0≤t ≤1 ⇒(1−t)a+tb∈X.
convexo convexo
n˜ao convexo nao convexo˜
Nota 4: Toda a bola (aberta ou fechada) ´e um conjunto convexo.
Exemplo 2: Seja X ={(x, y)∈ R2
:y ≤ x2
}. O conjunto X ⊂R2
n˜ao ´e convexo. Com efeito, os pontos a = (−1,1) e b = (1,1) pertencem a X mas c= 1
2a+ 1
2b = (0,1) n˜ao pertencem a X.
−1 1 1
2
0
a c b
1.5
No¸c˜
ao de vizinhan¸ca
Vizinhan¸ca de um ponto a ´e qualquer subconjunto de Rn que contenha uma bola
aberta de centro em a, isto ´e,V ´e uma vizinhan¸ca dea se B(a, r) ⊆ V
para algum r >0.
Note-se que qualquer bola aberta ´e vizinhan¸ca do seu pr´oprio centro e facilmente se mostra que ´e vizinhan¸ca de qualquer dos seus pontos.
Exemplo 3: Seja a= (1,1). Os conjuntos
V1 ={(x, y)∈R 2
:x≥0∧y≥ 1 2},
V2 ={(x, y)∈R 2
:p(x−1)2
+ (y−1)2
≤2}e,
V3 ={(x, y)∈R 2
: r
(x−1
2) 2
+ (y− 1
2) 2
≤2}.
s˜ao todos vizinhan¸cas dea, j´a que todos contˆem uma bola aberta centrada ema(a bola aberta B1
4(a) por exemplo). No entanto os conjuntos
W1 ={(x, y)∈R 2
:x≥1∧y≥1}e,
W2 ={(x, y)∈R 2
:px2 +y2
1.6
Interior, exterior e fronteira
Defini¸c˜ao 7: Seja X ⊆ Rn. Um ponto a diz-se ponto interior de X, se X for uma vizinhan¸ca de a, isto ´e, se existir uma bola aberta com centro ema e contida em X.
Defini¸c˜ao 8: Um ponto diz-se ponto exterior ao conjunto X se for interior ao seu com-plementar.
Defini¸c˜ao 9: No caso de um ponto n˜ao ser interior nem exterior ao conjunto X, esse ponto designa-se por ponto fronteiro deX.
Observa¸c˜ao 4:
1. (a) Oconjunto dos pontos interioresde um conjunto X, designa-se por interior
deX e representa-se porintX.
(b) O conjunto dos pontos exteriores de X, designa-se por exterior de X e representa-se porextX.
(c) De forma an´aloga f rX (ou ∂X), representa o conjunto dos pontos fronteiros
deX que se designa fronteirade X.
Observa¸c˜ao 5: ∂X =∂(Rn\X).
Observa¸c˜ao 6: Dados X ∈ Rn
e a ∈ X, h´a trˆes possibilidades: a ∈ intX ou a ∈ int(Rn\X) ou a∈∂X, ou seja, Rn =intX ∪int(Rn\X)∪∂X.
Exemplo 4: ComoRn
\B[a, r] ´e aberto eintB[a, r] =B(a, r), temos que∂B[a, r]=S[a, r].
Nota 5:
• intX ∩extX =∅, intX∩f rX =∅.
• f rX∩extX =∅, intX ∪f rX∪extX =Rn.
Exemplo 5: O ponto a´e ponto interior do conjunto X = B(a, r). Com efeito B(a, r)⊆
X = B(a, r) o que mostra que existe uma bola aberta centrada em ae contida em
X =B (a, r).
O conjunto dos pontos interiores deX ´e
intX =B (a, r).
uma vez que B (a, r) ´e vizinhan¸ca de todos os seus pontos. O conjunto dos pontos exteriores deX ´e
extX ={x∈Rn
:d(x,a)> r}
uma vez que estes pontos s˜ao interiores ao complementar de B (a, r). O conjunto
f rX ={x∈Rn :d(x,a) =r}.
Exemplo 6: Seja a= (1 2,
1 2,
1
2). Este vector ´e ponto interior de
A={(x, y, z)∈R3 :x≥0, y ≥0, z ≥0}.
j´a que, por exemplo, B 1
4 ⊆A. Os pontos de A tais que (0, y, z) , com y e z maiores do que zero, s˜ao pontos fronteiros de A, j´a que n˜ao s˜ao pontos interiores nem de A, nem do seu complementar.
Exemplo 7: Seja
B ={(x, y)∈R2 :y = 2x}.
Este conjunto n˜ao tem pontos interiores. Por outro lado, o conjunto dos pontos exteriores deB ´e
extB={(x, y)∈R2 :y6= 2x}.
j´a que todos estes pontos s˜ao interiores ao complementar deB.
Exerc´ıcio 1: Sejam A =]0,1[, B = [0,1], C = [0,1[ e ]0,1[. Calcule para cada um dos intervalos: int,ext, f r.
1.7
Conjuntos abertos
Defini¸c˜ao 10: H´a casos em que o conjunto s´o tˆem pontos interiores. Se todos os pontos de um conjunto, forem pontos interiores, o conjunto diz-seaberto. Assim um conjunto
X ´e um conjunto aberto se e somente se X coincide com o seu interior.
Observa¸c˜ao 7: Um conjunto A ⊂ Rn ´e aberto, sse, nenhum de seus pontos ´e ponto
fronteiro de A, ou seja, sse A∩∂A=∅.
Exemplo 8: Todas as bolas abertas s˜ao conjuntos abertos,
B (a, r) = intB (a, r)
Exemplo 9: Seja
V ={(x1, x2)∈R 2
:x1 >0∧x2 >1/2}.
Este conjunto ´e aberto, pois s´o tem pontos interiores.
Exemplo 10: O conjunto
V ={(x1, x2)∈R 2
:x1 ≥0∧x2 ≥1/2}.
n˜ao ´e aberto, j´a que por exemplo (0,1) n˜ao ´e ponto interior de V.
Exemplo 11: Seja
U ={(x1, x2)∈R 2
:x2 = 2x1}.
Este conjunto n˜ao ´e aberto pois tem pelo menos um ponto que n˜ao ´e ponto interior, o ponto (1,2), por exemplo.
Propriedades 1:
• A intersec¸c˜ao A =A1 ∩A2 ∩ · · · ∩Ak de um n´umero finito de conjuntos abertos
A1, A2, . . . , Ak ´e um conjunto aberto.
• A reuni˜ao A=∪λ∈LAλ de uma familia qualquer (Aλ)λ∈L de conjuntos abertos Aλ
´e um conjunto aberto.
Observa¸c˜ao 8: Para todo X⊂Rn, intX ´e um conjunto aberto.
Observa¸c˜ao 9: Se X ⊂Y ent˜ao intX ⊂intY.
Observa¸c˜ao 10: Uma bola fechadaB[a, r]⊂Rn
n˜ao ´e um conjunto aberto.
Exerc´ıcio 2: Prove que, para todo X ⊂ R tem-se que int(intX) = intX e conclua que intX ´e um conjunto aberto.
1.8
Conjunto fechado
Defini¸c˜ao 11: Um conjunto diz-sefechado se o seu complementar for aberto, isto ´e, um conjunto X ⊆Rn ´efechado sseRn\X ´e aberto.
Propriedades 2: (cojuntos fechados)
• ∅ e Rn s˜ao conjuntos fechados.
• A reuni˜ao F = F1 ∪ F2 ∪ · · · ∪Fk de um n´umero finito de conjuntos fechados
F1, F2, . . . , Fk ´e um conjunto fechado.
• A intersec¸c˜aoF =∩λ∈LFλ de uma familia qualquer (Fλ)λ∈L de conjuntos fechados Fλ ´e um conjunto fechado.
Exemplo 12: O conjunto vazio ∅ ´e fechado em R2
pois o seu complementar ´e aberto: o complementar de ∅ ´eR2
que ´e aberto. Por outro lado, como ∅ ´e aberto, o seu comple-mentar R2 ´e fechado. Assim,∅ e R2 s˜ao fechados e abertos simultˆaneamente.
Exemplo 13: O conjunto
B[a, r] ={x∈Rn :d(x, a)≤r}
´e um conjunto fechado que se designa por bola fechada de centro ema e de raio r >0. Com efeito o seu complementar ´e um conjunto aberto.
Exemplo 14: Seja
S={x∈Rn:x2 = 2x1}.
O conjunto ´e fechado pois o seu complementar ´e aberto.
Exemplo 15: O conjunto
V =
x∈Rn :x1 ≥0∧x2 > 1 2
.
Defini¸c˜ao 12: Chama-se fecho ou aderˆencia do conjunto X `a uni˜ao de X com a sua fronteira que se representa por ¯X, ou seja,
¯
X =X∪∂X.
Defini¸c˜ao 13: Um ponto a ∈ Rn diz-se aderente a X quando a ´e o limite de uma
sucess˜ao de pontos de X.
Defini¸c˜ao 14: Um ponto a diz-seaderenteaXse pertencer `a aderˆencia deX. ´E poss´ıvel mostrar que o fecho de um conjunto ´e sempre um conjunto fechado.
Observa¸c˜ao 11: Um conjuntoX´e fechado quando cont´em todos os seus pontos aderentes, ou seja, quando X = ¯X.
Observa¸c˜ao 12: SeX ∈Rn
´e limitado, ent˜ao ¯X, ´e limitado.
Proposi¸c˜ao 1: Seja X ⊂Rn
. Ent˜ao Rn
\X¯ ´e aberto emRn
.
Observa¸c˜ao 13: Os conjuntos abertos podem ser caracterizados `a custa do conceito de conjunto fechado. Com efeito um conjunto X ´e aberto se, e somente se, o seu comple-mentar ´e fechado.
1.9
Ponto acumula¸c˜
ao
Defini¸c˜ao 15: O ponto a∈ Rn ´e ponto de acumula¸c˜ao de um conjunto X ⊆Rn se e
s´o se em toda a vizinhan¸ca de a existem uma infinidade de pontos de X. Em outras palavras, um ponto a ∈ Rn
´e ponto de acumula¸c˜ao, se toda a bola aberta B(a, r) cont´em, pelo menos, um ponto deX distinto de a, ou seja,
X∩(B(a, r) \{a})6=∅.
Defini¸c˜ao 16: Chama-se derivadode X ao conjunto de todos os pontos de acumula¸c˜ao deX. O derivado de X denota-se por X′.
Observa¸c˜ao 14: Notemos que um conjunto finito n˜ao tem pontos de acumula¸c˜ao. Pode mostrar-se que
A′ ⊆A.¯
Defini¸c˜ao 17: Um pontoa deX diz-se isolado se existir uma bola B(a, r) tal que B(a, r)∩X ={a},
isto ´e, a´e um ponto isolado do conjunto X, se existir uma bola abertaB(a, r) que n˜ao intersecta nenhum outro ponto deX distinto de a.
Exemplo 16: Consideremos o subconjunto de Re n ∈N
S =
x∈R:x= 1 n
.
N˜ao ´e dif´ıcil verificar queS tem por ´unico ponto de acumula¸c˜ao x= 0. O seu derivado ser´a pois S′ =
Exemplo 17: Determinar o interior, o exterior, a fronteira, a aderˆencia e o derivado do conjunto
T ={(x, y)∈R2 : 1< x2+y2 ≤4}.
Chegamos a conclus˜ao que
intT ={(x, y)∈R2 : 1< x2 +y2 <4}.
extT ={(x, y)∈R2 :x2 +y2 >4∨x2+y2 <1}.
f rT ={(x, y)∈R2 :x2+y2 = 1∨x2+y2 = 4}.
¯
T ={(x, y)∈R2 : 1≤x2+y2 ≤4}.
T′
={(x, y)∈R2 : 1≤x2+y2 ≤4}.