Madeiras denominadas "Ucuúba"
l-Virola divergens Ducke e V. multinervia Ducke
MARIO HONDA ( * ) Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia.
SINOPSE
E s t u d o s a n a t ô m i c o s d o lenho das madeiras co-nhecidas vulgarmente c o m o "UCUÜBA" foram feitos visando a facilitar s u a identificação específica
Neste trabalho, primeiro de u m a série, são estu-dadas a a n a t o m i a das espécies Virola divergens Ducke e V. multinervia Ducke que evidencia p o u c o s aspec-tos que s ã o utilizados na s u a diferenciação, tais co-m o : t a co-m a n h o e freqüência d o s poros, altura e fre-qüência d o s raios e c o m p r i m e n t o das fibras.
INTRODUÇÃO
S o b a d e n o m i n a ç ã o d e " U c u ú b a " , são in-c l u í d a s v á r i a s espéin-cies d o s gêneros Virola, Osteophloeum e Iryanthera, o q u e concorre p a r a a dificuldade d e s u a identificação.
Os gêneros a c i m a c i t a d o s t ê m a m p l a dist r i b u i ç ã o geográfica e são e m p r e g a d o s n a r e -gião e m c a i x o t a r i a e c o m p e n s a d o s e o g ê n e r o
Virola é e x p o r t a d o em g r a n d e escala.
N e s t e t r a b a l h o , a p r e s e n t a m o s a descrição m a c r o e microscópica dos lenhos d a s espécies
Virola divergens D u c k e e V. multinervia Duc-ke s e g u i d a de f o t o m a c r o e fotomicrografías.
MATERIAL E MÉTODOS
O m a t e r i a l utilizado n e s t e t r a b a l h o e s t á r e g i s t r a d o e m nossa Xiloteca sob os n ú m e r o s : 58, 73, 1895, 2818 e 3855.
Das a m o s t r a s d a Xiloteca f o r a m r e t i r a dos os corpos d e p r o v a s com a p r o x i m a d a m e n t e l e m d e a r e s t a . P r e p a r a d o s c o n v e n i e n t e m e n t e , obtivemos os cortes t r a n s v e r s a l , r a -dial e t a n g e n c i a l e m m i c r ó t o m o R. J u n g J u n g a g e ãs l â m i n a s histológicas foram p r e p a r a -d a s -d e a c o r -d o com a t é c n i c a u s u a l .
P a r a a dissociação d o s e l e m e n t o s fibrosos utilizamos ácido n í t r i c o a 5 0 % .
N a m e n s u r a ç ã o d a s fibras, d i â m e t r o t a n -gencial dos poros, c o m p r i m e n t o dos elemen-t o s d o s vasos, a l elemen-t u r a dos raios, poros e raios p o r m i l í m e t r o q u a d r a d o , utilizamos o Projetor U n i v e r s a l UP-360-T I I O l y m p u s c o m a s obje-tivas 50 X e 100 X e escala de vidro com 0,5mm de u n i d a d e m í n i m a de g r a d u a ç ã o equivalendo c a d a u m a a 10 e 5 m i c r a com as espectativas objetivas a c i m a .
Os d e s e n h o s que i l u s t r a m este t r a b a l h o f o r a m feitos a t r a v é s d a c â m a r a c l a r a e do Projetor Universal UP-360-T I I O l y m p u s .
As fotografias s ã o d e n o s s a a u t o r i a , u t i -lizando a c â m a r a fotográfica A s a h i P e n t a x SP e microscópico E. Leitz.
RESULTADOS
1 — Virola d i v e r g e n s D u c k e
(Fig. 1 a 4 ) .
A — CARACTERES MACROSCÓPICOS
Poros — A p e n a s perceptíveis sem lente e visíveis sob lupa. Pouco n u m e r o s o s e n u m e -rosos (5 a l l / m m 2 ) , p e q u e n o s (0,1 a 0,2mm de d i â m e t r o ) . P r e d o m i n a n t e m e n t e solitários e gem i n a d o s , poucos gem ú l t i p l o s d e 3 e r a r o s gem ú l -tiplos d e 4 . Vazios e m s u a m a i o r i a , a l g u n s obstruídos por tílos b r a n c o e óleo r e s i n a aver-m e l h a d o .
Parênquima — I n d i s t i n t o m e s m o sob l e n t e .
Raios — i Na superfície de topo, visíveis sob lente, e s t r e i t a s , n u m e r o s o s . Na face t a n
-gencial visíveis scb lente, i r r e g u l a r m e n t e dis-postos. Na face r a d i a l , pouco c o n s t r a s t a d o s , m a s visíveis a olho d e s a r m a d o .
• ; • » • • • . V f - ' '
Pig. 1 — Aspecto M a c r o s c ó p i c o . 10X
Linhas vasculares — Visíveis a olho n u . f o r m a n d o l i n h a s r e t a s . .
Camadas de crescimento — A p a r e n t e m e n -t e d e m a r c a d a s por faixas m a i s c l a r a s .
Canais secretores e máculas medulares —
n ã o f o r a m observados.
B — CARACTERES MICROSCÓPICOS
Poros :
Disposição — I r r e g u l a r (Madeira d e poros difusos).
Tamanho — De pequenos a médios, com p r e d o m i n â n c i a d e s t e s (90%).
Número — D e 7 a l l/ m m 2 , com predo-m i n â n c i a dos g e predo-m i n a d o s ( 5 6 % ) e solitários
(23%), a p r e s e n t a n d o e m m é d i a 9/ m m 2 .
Diâmetro tangencial — Variando de 50 a 110 m i c r a , a p r e s e n t a a m é d i a de 77 micra.
Elementos vasculares — De c u r t o s ( 1 6 % ) a m u i t o longos (18%) com p r e d o m i n â n c i a dos longos (66%). Seu c o m p r i m e n t o varia de 350 a 870 m i c r a , a p r e s e n t a n d o e m m é d i a 606
mi-Parede dos vasos — Média, m e d i n d o d e 3 a 6 m i c r a d e espessura.
Pontuações intervasculares — P a r e s d e p o n t u a ç õ e s a r e o l a d a s , de disposição a l t e r n a , ovalada?, com a b e r t u r a i n c l u s a (3 micra) e d i â m e t r o v a r i a n d o e n t r e 6 e 12 m i c r a .
Pontuações radiooasculares - D e dimi-n u t a s (6 m i c r a ) e m u i t o g r a dimi-n d e s '48 micra), a p r e s e n t a n d o as p r i m e i r a s c o n t o r n o ovalado a s u b a n g u l o s o e a s s e g u n d a s , c o n t o r n o ovala-d o e a c h a t a ovala-d o r a ovala-d i a l m e n t e .
Placas de perfuração — Simples em s u a maioria, a p r e s e n t a n d c - s e t a m b é m sob as for-m a s escalariforfor-mes e f o r a for-m i n a d a s .
P a r ê n q u i m a a x i a l :
Tipo — P a r a t r a q u e a l escasso (Comm.nom i n t . a s s o e . w o o d a n a t . , 1 2 9 )
P a r ê n q u i m a r a d i a l :
Tipo — H e t e r o g ê n e o , Tipo I de Kribs (Metcalfe, C . R & L. C h a l k , 1965). S e m e s t r a -tificação.
Fig. 3 — Corte Tangencial. ÍOOX
Altura — E x t r e m a m e n t e baixos a baixos p r e d o m i n a n t e s ( 7 0 % e 2 5 % r e s p e c t i v a m e n t e ) e r a r o s p o u c o baixos ( 5 % ) , a p r e s e n t a n d o - s e de 160 a 1.140 m i c r a e em m é d i a , 432 m i c r a .
( C h a t t a w a y , M.M., 1932).
Número — M u i t o n u m e r o s o s , de 12 a 25/mm2, m a i s c o m u m e n t e de 15 a 20/mm2 e em m é d i a 18/mm2.
Altura em número de células — De 2 a 40 células, a p r e s e n t a n d o os unisseriados a t é 22
células.
Células apicais — De 2 a 13 células, a l t a s , f o r m a n d o expansões m a i s longas que a p a r t e m u l t i s s e r i a d a .
F i b r a s :
Tipo — Libriformes, h o m o g ê n e a s , de sec-ção q u a d r a n g u l a r , a r r u m a d a s r a d i a l m e n t e .
Comprimento — De m u i t o c u r t a s ( 3 % ) a m u i t c l o n g a s (3%) a m u i t o longas c o m p r e d o m i n â n c i a d a s l o n g a s ( 6 3 % ) e c u r t a s
(31%), a p r e s e n t a n d o d e 860 a 2.140 m i c r a e e m m é d i a 1.718 m i c r a . (Mainieri, C , 1962).
Diâmetro -«- De 15 a 33 m i c r a e em m é d i a 26 m i c r a .
Parede — E s p e s s u r a m í n i m a de 3 m i c r a e m á x i m a de 6 micra,, com a m é d i a d e 3,4 mi-c r a .
Lúmen — G r a n d e , d e 9 a 27 m i c r a , com a m é d i a d e 19 m i c r a .
Pontuações — N u m e r o s a s , p a r a l e l a s e li-g e i r a m e n t e oblíquas à s p a r e d e s d a s fibras; simples e a r e o l a d a s , m e d i n d o d e 3 a 9 m i c r a .
Camadas de crescimento — D e m a r c a d a s p o r z o n a s fibrosas cujas células a p r e s e n t a m
p a r e d e s m a i s espessas.
Fig. 4 — A) p l a c a s de perfuração; B> elementos v a s c u l a r e s .
2 — Virola m u l t i n e r v i a D u c k e (Fig. 5 a 8)
A — CARACTERES MACROSCÓPICOS
Poros — A p e n a s perceptíveis a o l h o desar-m a d o e visíveis sob l e n t e ; p o u c o n u desar-m e r o s o s e n u m e r o s o s (5 a 9 / m m 2 ) , p e q u e n o s a médios ( 0 , l m m a 0,25mm de diâmetro). Solitários e g e m i n a d o s p r e d o m i n a n t e s , poucos m ú l t i p l o s d e 3 e r a r í s s i m o s de 4. Vazios e a l g u n s obs-t r u í d o s p o r obs-tilos e óleo-resina a v e r m e l h a d o .
Parênquima — I n d i s t i n t o m e s m o sob l e n t e .
F i g . 5 — Aspecto Macroscópico. 20X
Canais secretores e máculas medulares —
N ã o f o r a m observados.
Camadas de crescimento — A p a r e n t e m e n t e d e m a r c a d a s p o r faixas e s t r e i t a s d e p a -r e n q u i m a .
B — CARACTERES MICROSCÓPICOS
Poros :
Disposição — I r r e g u l a r ( M a d e i r a de poros difusos).
Tamanho — De pequenos a médios, com p r e d o m i n â n c i a daqueles. (98%).
Número — De 5 a 7/mm2, com predomi-n â predomi-n c i a dos g e m i predomi-n a d o s (45 %) e solitários . . .
(40%
J.Diâmetro tangencial — De 60 a 130 m i c r a e em m é d i a 100 m i c r a .
Elementos vasculares — De c u r t o s ( 1 4 % ) a m u i t o longos (8%) com p r e d o m i n â n c i a dos longos (78%). S e u c o m p r i m e n t o oscila e n t r e i 480 e 900 m i c r a , a p r e s e n t a n d o a m é d i a de . . 620 m i c r a .
Parede dos vasos — Pouco espessa a p r e -s e n t a n d o de 3 a 8 m i c r a d e espessura.
Pontuações intervasculares — P a r e s de p o n t u a ç õ e s , a r e o l a d a s , d e disposição a l t e r n a t e n d e n d o a u m a l i n h a m e n t o vertical, d e con-t o r n o ovalado e à s vezes poligonal. A b e r con-t u r a i n c l u s a de 3 a 6 m i c r a , às vezes coalescente;
d i â m e t r o v a r i a n d o de 6 a 9 m i c r a .
Pontuações radio-vasculares — D i â m e t r o d e 5 a 24 m i c r a , com a b e r t u r a d e 2 a 21 mi-cra. As m e n o r e s a p r e s e n t a m u m a r r a n j o ver-tical e c o n t o r n o elíptico a ovalado, à s vezes
a c h a t a d a s r a d i a l m e n t e .
Placas de perfuração — N a m a i o r i a sim-ples e escalariforme, a p r e s e n t a n d o às vezes
b a r r a s com r a m i f i c a ç ã o d i c o t ô m i c a
P a r ê n q u i m a axial :
Tipo — P a r a t r a q u e a l escasso, reduzido a a l g u m a s c é c u l a s p r ó x i m a s a o s poros e a s vezes f o r m a n d o faixas com 1 ou 2 células de l a r g u -r a .
500 ü
Fig. 7 — Corte Tangencial. 100X
P a r ê n q u i m a r a d i a l :
Tipo — Heterogêneo, Tipo II-A de Kribs.
Altura — E x t r e m a m e n t e baixos e baixos p r e d o m i n a n t e s , a l g u n s poucos baixos, a p r e -s e n t a n d o n o m í n i m o 160 m i c r a e n o m á x i m o
1.880 m i c r a , com a m é d i a de 1.628 micra.
Número — De n u m e r o s a s a m u i t o n u m e -rosos (9 a 2 0 / m m 2 ) m a i s c o m u m e n t e de 11 a 16/mm2 e em m é d i a 1 4 / m m 2 .
Altura em número de células — De 2 a 43 células, a p r e s e n t a n d o os unisseriados a t é 15 células.
Células apicais — De 1 a 15 células a l t a s e q u a d r a d a s , f o r m a n d o m u i t a s vezes expan-sões m a i s longas q u e a p a r t e m u l t i s s e r i a d a .
F i b r a s :
Tipo — Libriformes, h o m o g ê n e a s , de sec-ção q u a d r a n g u l a r e l ú m e n a r r e d o n d a d o ar
r a n j a d a s r a d i a l m e n t e .
Comprimento — De c u r t a s ( 5 2 % ) a lon-gas ( 4 8 % ) , a p r e s e n t a n d o n o m í n i m o 1080
Fig. 8 — A) p l a c a s de perfuração; B ) elementos v a s c u l a r e s .
m i c r a e no m á x i m o 1.880 m i c r a com a m é d i a de 1.519 m i c r a .
Diâmetro — De 15 a 30 m i c r a e em mé-dia 23 m i c r a .
Parede — E s p e s s u r a m í n i m a d e 3 m i c r a e m á x i m a de 6 m i c r a com a m é d i a de 3,2 m i c r a .
Lúmen — G r a n d e , de 9 a 24 m i c r a , com a m é d i a d e 16 m i c r a .
Pontuações — Simples, lenticulares, pa-r a l e l a s às p a pa-r e d e s d a s fibpa-ras.
Camadas de crescimento — D e m a r c a d a s por z o n a s fibrosas com células de l ú m e n m a i s estreitos ou pelo p a r ê n q u i m a t e r m i n a l inicial.
S U M M A R Y
In this work the author begins the anatomical studies of t h e w o o d s k n o w n by "TJcuuba", with m a c r o s c o p i c and m i c r o s c o p i c descriptions of the s p e c i e s Virola divergens D u c k e and V. multinervia Ducke, s h o w i n g little differences in your structures.
BIBLIOGRAFIA CITADA
CHATTAWAY, M M .
1932 — Proposed Standards for numerical values used
in describing woods. Trop. Woods, 29 : 20-28.
COMMITTEE ON NOMENCLATURE INTERNATIONAL ASSOCIATION OF WOOD ANATOMISTS
1958 — Multilingual glossary of terms used in wood anatomy. Trad, by F. R . Milanez & A . de
Miranda Bastos, p. 115-136.
MAINIERI, C .
1962 — Madeiras leves da Amazonia empregadas em
caixotaria; estudo anatômico macro e micros-cópico. Publ. do Inst. Pesq. Tec, São Pau-lo, 686 : 39.
METCALFE, C . R . & CHALK, L .
1965 — Anatomy Dicotyledons. Oxford, Clarencon