EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM GOIÁS: um olhar para o Programa Bolsa Futuro
Sonilda Aparecida de Fátima Silva – CEPSS-Go Carmem Sandra Ribeiro do Carmo - SECTEC-Go Danúsia Arantes Ferreira Batista de Oliveira – SECTEC-Go José Carlos Magalhães - CEPSS-Go GT 03: Educação e trabalho: programas e políticas para a educação profissional técnica e tecnológica, formação e qualificação profissional
INTRODUÇÃO
No âmbito deste artigo pretende-se alcançar dois objetivos: mostrar a expansão da educação profissional no Estado de Goiás e o Programa Bolsa futuro, uma vez que a expansão da Educação Profissional no Estado de Goiás é notória, principalmente por meio desse programa.
O interesse por este tema surgiu a partir das observações empíricas realizadas em ambientes de Educação Profissional. Sabe-se que a educação profissional tem por objetivo a qualificação e requalificação profissional, preparar e estimular o indivíduo para o prosseguimento dos estudos, bem como adaptar-se a uma realidade inovadora, mas será que existem instituições suficientes para atender à demanda por profissionalização? Como está ocorrendo a expansão da educação profissional no estado de Goiás? Qual a importância dessa expansão para a qualificação do trabalhador? Os cursos do programa Bolsa futuro são gratuitos? Há incentivos financeiros às pessoas de baixa renda? Qual a metodologia de ensino utilizada e como ocorre o processo ensino aprendizagem: presencial ou a distância? As tecnologias de informação utilizadas, no Programa, contribuem para a inclusão social? Ao estabelecer uma investigação na educação profissional torna-se necessário conhecer as Políticas Públicas da Educação Profissional, em nível nacional e estadual, configuradas a partir da promulgação da última Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96. Assim sendo a metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliográfica, documental (criação do Programa Bolsa Futuro) e pesquisa empírica realizada na SECTEC e nos CEP do Estado de Goiás.
O interesse por este tema surgiu a partir da observação empírica realizada na Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec) e nos Centros de Educação Profissional do Estado de Goiás (CEP). Sabemos que a educação profissional tem por objetivo a qualificação e requalificação profissional, preparar e estimular o indivíduo para o prosseguimento dos estudos, bem como adaptar-se a uma realidade inovadora, mas será que existem instituições suficientes para atender à demanda por profissionalização? Como foram criados os centros de educação profissional? Como está ocorrendo a expansão da educação profissional? E o que é o programa Bolsa Futuro?
Para responder a esses questionamentos foram desenvolvidas, de forma concomitante, pesquisa empírica - por meio da vivência na educação profissional; documental – à legislação e documentações referentes aos programas empreendidos e de campo – por meio de visitas às instituições de educação profissional.
OBJETIVOS
Remontando-nos à década de 70, verificamos que Goiás registrou avanços na produção agrícola mecanizada, com incremento da produtividade, além do início do processo de industrialização e da dinamização de seu comércio. Portanto, a necessidade de mão de obra qualificada tornou-se premente. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo conhecer o processo de expansão da rede de educação profissional do Estado de Goiás e o Programa Bolsa Futuro que visa a qualificação do trabalhador.
EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM GOIÁS
Nosso país tem uma enorme diversidade de oferta de trabalho, porém ainda, não há mão de obra qualificada suficiente. Diversas pesquisas nacionais revelam que os alunos que cursaram cursos técnicos têm grandes chances no mercado de trabalho. Daí a grande necessidade de investimentos públicos para fomentar a educação profissional.
Milhões de brasileiros testemunharam as declarações do governo federal que “pretende aumentar o investimento público no ensino médio e estender a experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante” (SÃO PAULO, 2011),
Em abril de 2011 foi lançado pelo então Ministro da Educação, Fernando Haddad e pela Presidente Dilma Roussef, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) com o objetivo principal de “expandir, interiorizar e
democratizar a oferta de cursos técnicos e profissionais de nível médio, de cursos de formação inicial e continuada para trabalhadores e intensificar o programa de expansão de escolas técnicas em todo o país” (BRASIL/MEC/PRONATEC, 2011) mediante a criação de Bolsas e de Financiamento Estudantil (FIES) Técnico.
Para conciliar os objetivos da preparação do prosseguimento de estudos, e preparação para o trabalho no desenvolvimento pessoal, a educação básica busca repassar bases para que o aluno aprenda e continue a aprender durante toda vida, oportunizando tanto buscar, como criar situações. Ao romper esses paradigmas, o processo de aprendizagem tem como principal objetivo o aprender a aprender e para atender a demanda por qualificação a educação profissional, quer seja em cursos de formação inicial e continuada ou em cursos técnicos oferece aos estudantes a oportunidade da qualificação profissional visando a sua inserção no mundo do trabalho.
Os dados históricos e as estatísticas atuais subsidiam as ações da área, tais como os setores que mais empregam, os saldos de empregos formais, a existência de Arranjos Produtivos Locais (APLs), a busca por novas profissões técnicas, bem como as particularidades socioeconômicas do Estado, como a tendência de diversificação da economia que, juntamente com a agropecuária, apresentam atividades expressivas, como o extrativismo mineral, a indústria, o turismo e as demais atividades de prestação de serviços.
Para atender a essa demanda por qualificação, no Estado de Goiás, a partir de 1999/2000 iniciou-se o processo de implantação da educação profissional. Com o recurso do PROEP, em 2000, foi criada a Rede CEPs - Centros de Educação Profissional do Estado de Goiás, mantida pelo Governo do Estado, vinculados à Secretaria Estadual de Educação, porém, a partir de 2008, devido a uma reforma na Lei Orgânica Estadual passou a ficar sob a responsabilidade da Secretaria de Ciência e Tecnologia – SECTEC.
Um dos Programas Federais implantados foi o Sistema de Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil/MEC), o qual tem por objetivo: expandir e democratizar a oferta de cursos técnicos de nível médio a distância; criar uma rede nacional (sistema) de educação profissional nas instituições públicas de ensino; contribuir para a inserção de jovens e adultos no mercado de trabalho; atender aos Arranjos Produtivos Locais - APL (manter e fortalecer atividade econômica) e evitar o fluxo migratório para as grandes
cidades. Lançado em 2007 visa à oferta de educação profissional e tecnológica a distância e tem o propósito de ampliar e democratizar o acesso a cursos técnicos de nível médio, públicos e gratuitos, em regime de colaboração entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Em Goiás, foi iniciado em 2010 o programa de educação profissional técnica de nível médio, á distancia, com o atendimento em 16 (dezesseis) municípios pólos: Anápolis; Aparecida de Goiânia; Catalão; Ceres; Formosa; Goianésia; Goiânia; Iporá; Jataí; Luziânia; Morrinhos; Pirenópolis; Porangatu; Posse; Rio Verde; e, Uruaçu.
Outro Programa Federal implementado foi o Brasil Profissionalizado que visa suprir a demanda por cursos de qualificação e disponibilizou financiamentos às redes estaduais para ampliar e equipar suas escolas por intermédio do Brasil Profissionalizado.
Torna-se necessário citar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), criado no dia 26 de Outubro de 2011 com a sanção da Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Para tanto, prevê uma série de subprogramas, projetos e ações de assistência técnica e financeira que juntos oferecerão oito milhões de vagas a brasileiros de diferentes perfis nos próximos quatro anos.
Os destaques do Pronatec são: a criação da Bolsa-Formação; a criação do FIES Técnico; a consolidação da Rede e-Tec Brasil; o fomento às redes estaduais de EPT por intermédio do Brasil Profissionalizado; a expansão da Rede Federal de Educação Profissional Tecnológica (EPT). No Estado de Goiás, com o PRONATEC, a educação profissional passou a ser ofertada, também, na rede de educação básica (Seduc). Neves e Pronko (2008, p. 24) esclarecem que a escola “[...] vai se metamorfoseando de acordo com o desenvolvimento das forças produtivas e com as mudanças nas relações de produção, nas relações de poder e nas relações sociais gerais”, visando à reprodução material da existência e a coesão social. A expansão do capitalismo monopolista tem alterado a escolaridade mínima para o trabalho simples visando o aumento de produtividade, através de uma escolaridade básica em virtude do seu grau de generalização.
Um Programa Estadual que merece destaque, em Goiás, é o Programa Bolsa Futuro, o qual foi implantado em conformidade com o Programa de Reforma e
Expansão da Educação Profissional do Estado, denominado pela Lei n.º 13.887 de 23 de julho de 2001 e criado pela Lei Estadual n.° 17.406, de 06 de setembro de 2011, coordenado, monitorado e avaliado pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e tem por objetivo oferecer, no âmbito do Estado de Goiás, qualificação profissional gratuita nos termos do Regulamento, bem como conceder incentivo financeiro ao aluno integrante de família de baixa renda, ou dos Programas Bolsa Família e Renda Cidadã, matriculado em curso profissionalizante desenvolvido na modalidade de educação a distância.
O PROGRAMA BOLSA FUTURO
O Programa Bolsa Futuro foi lançado no Espaço Cultural Oscar Niemeyer em Goiânia - GO no dia 10 de agosto de 2011. O Programa tem por objetivos: I – expandir a oferta de cursos de educação profissional de formação inicial e continuada de trabalhadores e educação profissional técnica de nível médio, conforme a demanda do mercado de trabalho e os arranjos produtivos locais;II – ampliar a estrutura da Rede Pública Estadual de Educação Profissional, formada por Centros de Educação Profissional, Centros Tecnológicos, Unidades Descentralizadas de Educação Profissional e Oficinas Digitais;III - integrar e expandir a educação profissional aos diferentes níveis e modalidades de ensino, trabalho, ciência e tecnologia, em atendimento às expectativas da sociedade e tendências do setor produtivo;IV – ampliar as oportunidades educacionais dos trabalhadores por meio do incremento da formação e qualificação profissional.
O Programa Bolsa Futuro compreende diversas ações, dentre elas a capacitação e qualificação profissional de integrantes de famílias de baixa renda e beneficiários dos Programas Renda Cidadã e Bolsa Família, que será oferecida nas modalidades presencial e a distância, por meio dos seguintes cursos:I – técnicas de venda;II – secretariado e rotinas administrativas;III – recepção de hotel e atendente de bar;IV – reprodução animal e produtividade do gado bovino leiteiro;V – técnicas agrícolas;VI – destilador de álcool;VII – cuidador de idosos e crianças;VIII – porteiro e zelador;IX – básico em eletricista/encanador;X – caldeireiro. Torna-se mister ressaltar que o rol de cursos poderá ser alterado por ato do Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, em atendimento às políticas de desenvolvimento econômico e regional do Estado de Goiás.
Teve início em outubro de 2012 e, concluiu a primeira etapa em julho de 2013, atendendo apenas aos beneficiários do Renda Cidadã e do Bolsa Família. Os Beneficiários do Renda Cidadã e do Bolsa Família recebem o incentivo financeiro, têm a gratuidade do curso e do material didático e as pessoas da comunidade que não fazem parte destas famílias não recebem este incentivo financeiro, mas têm a gratuidade do curso e do material didático. Até 2012 havia qualificou 50.000 pessoas em 53 municípios do Estado.
Na 2ª etapa (2013/2014) pelo excelente trabalho desenvolvido, cresceu e foi necessária a alteração da Lei e do Decreto que o regulamenta para atender aos beneficiários do Renda Cidadã e do Bolsa Família e também a comunidade em geral . Está sendo desenvolvido em quase 100 municípios com meta de atendimento para 150.000 alunos.
Percebe-se, portanto que o Estado de Goiás inova ao iniciar a ação de qualificação profissional, por meio do Programa Bolsa Futuro, proporcionando, além da gratuidade do curso, também um incentivo financeiro a beneficiários dos Programas Bolsa Família ou Renda Cidadã e famílias de baixa renda.
A metodologia utilizada é a Educação a Distância (EaD) é uma modalidade já testada e aprovada para capacitar profissionalmente jovens e adultos, proporcionando uma maior empregabilidade e a inserção de cidadãos no mercado de trabalho. Dessa forma, considera-se que a Educação a Distância é uma ferramenta que tem por finalidade levar este conhecimento a todas as regiões do Estado de Goiás, fazendo a diferença na vida de muitas pessoas que buscam crescimento, realização profissional e inclusão social por meio das tecnologias da informação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foi possível verificar que importantes investimentos foram empreendidos pelos governantes, nestes últimos 10 (dez) anos, em Educação Profissional no país e em especial no Estado de Goiás, pois, esse é o caminho de resgate à dignidade, cidadania e valorização da cidadania do indivíduo que não teve oportunidade, social ou geográfica, e que precisa se qualificar, uma vez que o trabalho é a peça fundamental da subsistência humana, libera pessoas para a autorrealização.
Os resultados indicam que com a expansão dos Centros de Educação Profissional e com a criação do programa Bolsa Futuro, o Estado tenta cumprir o seu papel de estimular a qualificação e profissionalização, contribuindo para que a construção de conhecimentos, competências e habilidades sejam articulados com a formação geral e educação profissional no contexto dos arranjos produtivos e das vocações locais e regionais e que para conciliar os objetivos da preparação do prosseguimento de estudos e a preparação para o trabalho no desenvolvimento pessoal, a educação profissional busca repassar bases para que o aluno aprenda e continue a aprender durante toda vida. Nesse novo paradigma, o aprender tem como principal objetivo evidenciar a necessidade de aprender a aprender (DELORS,2002).
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB 9394/96. MEC. Brasilia, 1996.
______. MEC. CNE. Versão Preliminar para debates na Audiência Pública Nacional. Trata da Atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Relator Francisco Aparecido Cordão. Brasília: CEB, 2010.
______. MEC. PRONATEC. Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. 2010. Disponível em: <http://pronatecportal.mec.gov.br/index.html>. Acesso em: 01 jul. 2013.
______. MEC. PRONATEC. Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Lei nº 12.513 de 26/10/2011. Institui o PRONATEC. Disponível em: <http://pronatecportal.mec.gov.br/arquivos/lei_12513.pdf >. Acesso em: 13 fev. 2013. ______. MEC. PRONATEC. Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. 2012. Disponível em: <http://pronatecportal.mec.gov.br/objetivos. html>. Acesso em: 13 jun. 2013.
_____. Resolução nº 02/2012. CNE/CEB 2/2012. Diário Oficial da União, Brasília, 31 de janeiro de 2012, seção 1, p. 20
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
GOIÁS, DECRETO 7.470 20-10-2011. Regulamenta a Lei n. 17.406, de 6 de setembro de 2011, que dispõe sobre o Programa Bolsa Futuro. SECTEC. Goiânia, 2011.
______ DECRETO 7.959 08-08-2013. Altera o Decreto n° 7.470, de 20 de outubro de 2011. Goiânia, 2013.
______ LEI 17.406 06 DE SETEMBRO DE 2011. Dispõe sobre a alteração do Programa Bolsa futuro.Goiânia, 2011.
NEVES, L. M. W.; PRONKO, M. A. O mercado do conhecimento e o conhecimento para o mercado: da formação para o trabalho complexo no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, 2008.