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POSITION PAPER O SUBSTITUTIVO DO DEPUTADO MARCUS PESTANA AO PLP 268/2016 REPRESENTA UM AVANÇO A SER CONSOLIDADO.

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Academic year: 2021

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POSITION PAPER

O SUBSTITUTIVO DO DEPUTADO MARCUS PESTANA AO PLP

268/2016 REPRESENTA UM AVANÇO A SER CONSOLIDADO. MAS AINDA SÃO

NECESSÁRIOS OUTROS AJUSTES PONTUAIS.

Como representante das entidades fechadas de previdência complementar, compromissada com a defesa do desenvolvimento, aperfeiçoamento e fomento desse importante segmento, a ABRAPP, nesse momento em que se discute significativas mudanças no modelo de governança das entidades fechadas de previdência complementar, sujeitas à Lei Complementar nº 108/2001, leva, mais uma vez, aos Senhores Deputados, alguns pontos fundamentais do PLP 268/2016, que ora tramita em regime de urgência na Câmara, bem como do Substitutivo elaborado pelo Deputado Marcus Pestana, que merecem ajustes pontuais para possibilitar a consecução do objetivo almejado, qual seja, fortalecer a gestão daquelas entidades.

Embora o Projeto de Lei Complementar nº 268, de 2016, de autoria do Senador Valdir Raupp, já aprovado no Senado Federal, contenha alguns avanços, valendo destacar, a título de ilustração, a busca de blindagem da gestão das ingerências político-partidária, é indubitável a necessidade de promover ajustes, a fim de evitar indesejáveis retrocessos.

Nesse sentido, a ABRAPP avalia como altamente positivas para o aprimoramento do PLP 268/2016, as seguintes alterações propostas no Substitutivo do Deputado Marcus Pestana:

i) supressão da proposta de introduzir a figura dos “conselheiros independentes” nos Conselhos Deliberativo e Fiscal daquelas entidades;

ii) ampliação da vedação ao exercício de atividades político-partidárias da administração das entidades;

iii) limitação da competência dos Tribunais de Contas para a verificação da legalidade e regularidade das contribuições vertidas pelos patrocinadores;

iv) instituição da auditoria interna e do comitê de investimentos na estrutura das entidades, vinculados ao conselho deliberativo, com a cautela de remeter ao órgão regulador a

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definição de critérios, que considerem o volume de recursos garantidores da EFPC, para justificar a obrigatoriedade da sua instituição;

v) compartilhamento de informações sigilosas por parte dos órgãos fiscalizadores; vi) ampliação dos mecanismos de transparência e controles.

No entanto, ainda que seja imprescindível a aprovação daqueles relevantes pontos do referido Substitutivo na Câmara dos Deputados, bem como fundamental a sua preservação no Senado Federal, a ABRAPP considera que, em outros três aspectos, o PLP 268/2015 ainda carece de aperfeiçoamentos.

DURAÇÃO DO MANDATO DOS MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA

O Substitutivo mantém a previsão contida no Projeto de Lei Complementar nº 268, de 2016, que estabelece uma duração do mandato de apenas dois anos para os membros da Diretoria Executiva, permitidas três reconduções.

Inicialmente, cumpre destacar que, além da “comprovada experiência no exercício de atividade na área financeira, administrativa, contábil, jurídica, de fiscalização, atuarial ou de auditoria” (LC. 108/2001, art. 18 c/c art. 20, I), atualmente, a Resolução CNPC nº 19, de 30 de março de 2015, impõe, também aos membros da Diretoria Executiva, a obrigação de serem certificados por uma instituição autônoma e com capacidade técnica reconhecida pela PREVIC:

“Art. 5º. Será exigida certificação para o exercício dos seguintes cargos e funções: I – membro da diretoria-executiva, do conselho fiscal e do conselho deliberativo; ...”

Dessa forma, a natureza técnica das funções da Diretoria Executiva exige uma constante capacitação (devidamente aferida pela certificação), e ainda, recomenda experiência aos seus membros, requisitos que, normalmente, são adquiridos ao longo do exercício dos mandatos.

Além disso, o mandato de apenas dois anos se apresenta como demasiadamente curto e insuficiente para a gestão de entidades cujo ciclo de tempo se estende por décadas.

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Assim, a manutenção da atual previsão do PLP 268 poderia induzir, de maneira não recomendável, que o executivo da EFPC calibrasse as suas ações para que rendam os melhores resultados em curto prazo. Tal visão imediatista não coaduna com as características e objetivos das entidades fechadas de previdência complementar que devem ter, portanto, gestões norteadas por um planejamento de longo prazo.

Isso posto, a ABRAPP entende que o mandato dos membros da Diretoria Executiva deveria ser também de quatro anos, tal qual o fixado para os Conselheiros Deliberativos e Fiscais.

Vale destacar, também, que a limitação de reconduções não se faz necessária diante da submissão dos membros da Diretoria Executiva à reavaliação por parte dos Conselheiros Deliberativos ao final do mandato (o que pode ensejar, inclusive, a decisão pela substituição).

INSERÇÃO DO REQUISITO DO VÍNCULO PRÉVIO DOS MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA COM A EFPC

Conforme o já exposto, PLP 268/2016 tem como grande mérito o escopo de buscar “blindar” os integrantes da estrutura organizacional das entidades fechadas de previdência complementar patrocinadas por empresas públicas de ingerências externas nocivas à consecução dos seus objetivos.

Com aquela finalidade, amplia os requisitos exigidos para os membros da Diretoria Executiva.

No entanto, a ABRAPP considera imprescindível para a consecução daquele objetivo que se estabeleça, também, como requisito, a obrigatoriedade da existência de vínculo prévio dos membros da Diretoria Executiva com o plano de previdenciário operado pela entidade, evitando, dessa forma, a indicação de pessoas estranhas ao quadro de participantes e assistidos, sendo estes, inegavelmente, os principais interessados na boa gestão dos planos de benefícios.

Vale registrar que essa condição foi contemplada pelo PLP 274/2016, de autoria da CPI dos Fundos de Pensão.

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Importante reafirmar que, para assegurar a profissionalização dos membros da Diretoria Executiva, a própria Lei Complementar nº 108/2001 já exige que os mesmos tenham “comprovada experiência no exercício de atividade na área financeira, administrativa, contábil, jurídica, de fiscalização, atuarial ou de auditoria” (art. 20, I), sendo necessário ainda, de acordo com a Resolução CNPC nº 19, de 30 de março de 2015, que os mesmos sejam certificados por uma instituição autônoma e com capacidade técnica reconhecida pela PREVIC.

Quanto à certificação, o art. 2º daquela norma define como “processo realizado por entidade certificadora para comprovação de atendimento e verificação de conformidade com os requisitos técnicos necessários para o exercício de determinado cargo ou função.”

Dessa forma, claro está que o atual disciplinamento legal já exige dos membros da Diretoria Executiva, mesmo aqueles que sejam participantes e assistidos, uma formação técnica para o exercício de sua função, e ainda, que tal conhecimento seja devidamente certificado por uma instituição autônoma e externa.

Portanto, a presente proposta de inclusão da exigência de vínculo prévio com o plano previdenciário operado pela entidade não compromete a profissionalização da administração perseguida pelo projeto substitutivo.

OBRIGATORIEDADE DA INSTITUIÇÃO DE UM PROCESSO SELETIVO PARA A ESCOLHA DOS MEMBROS DA DIRETORIA EXECUTIVA

O PLP 268/2016 pretende impor que a escolha dos membros da Diretoria Executiva se efetive por meio de processo seletivo, conduzido por empresa especializada contratada para aquele fim, sob orientação do Conselho Deliberativo, buscando privilegiar a contratação de profissionais no mercado, sem qualquer vinculação com os planos.

Registre-se que aquele ponto é mantido no Substitutivo do Deputado Marcus Pestana.

Pertinente salientar que, atualmente, de acordo com o disposto no art. 19, § 2º, da Lei Complementar nº 108/2001, cabe ao Estatuto da entidade, “...prever a forma de composição...” da

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A ABRAPP, além de entender que o processo de seleção não se constitui, em si mesmo, garantia de que serão seguidos os procedimentos mais éticos, considera que a atual previsão legal, que consagra o entendimento de que aquela é uma questão interna corporis, mostra-se mais adequada, uma vez que, ao mesmo tempo em que respeita a cultura e a realidade de cada entidade, permite a manutenção de mecanismos de escolhas já utilizados por várias EFPC, que são incompatíveis com aquele processo de seleção (ex. eleição dos membros da Diretoria Executiva pelos participantes e assistidos).

Portanto, dada a heterogeneidade do setor, não parece razoável a lei engessar todas as entidades em uma mesma sistemática, pois tal imposição pode gerar custos desnecessários e afrontar a boa governança já comprovada em várias entidades.

Por fim, a ABRAPP reafirma o seu compromisso com a boa governança das entidades e permanece à disposição dos Senhores Deputados, no intuito de esclarecer sobre as possibilidades e os riscos das escolhas que temos hoje que fazer, alertando para a importância dessa hora e da gravidade do quadro.

Referências

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