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Gestão do treinamento em escolas de aviação civil “fatores humanos durante a formação básica do piloto civil”

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Academic year: 2021

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ANDRÉ MAIA CARRENHO

GESTÃO DO TREINAMENTO EM ESCOLAS DE AVIAÇÃO CIVIL

“FATORES HUMANOS DURANTE A FORMAÇÃO BÁSICA DO PILOTO CIVIL”

Palhoça 2016

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ANDRÉ MAIA CARRENHO

GESTÃO DO TREINAMENTO EM ESCOLAS DE AVIAÇÃO CIVIL

“FATORES HUMANOS DURANTE A FORMAÇÃO BÁSICA DO PILOTO CIVIL”

Monografia apresentada ao Curso de graduação em Ciências Aeronáuticas, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel.

Orientação: Prof. Alessandra de Oliveira, MSc.

Palhoça 2016

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GESTÃO DO TREINAMENTO EM ESCOLAS DE AVIAÇÃO CIVIL

“FATORES HUMANOS DURANTE A FORMAÇÃO BÁSICA DO PILOTO CIVIL”

Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Ciências Aeronáuticas e aprovada em sua forma final pelo Curso de Ciências Aeronáuticas, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 25 de novembro de 2016.

_____________________________________________________ Professor orientador: Prof. Alessandra de Oliveira, MSc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_____________________________________________________ Prof. Conceição Aparecida Kindermann, Dra.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus por me dar as condições físicas e intelectuais para alcançar meu objetivos, agradeço aos meus pais por me educaram para uma vida de constante aprendizado, à minha esposa Angela e meu filho Matheus, por me apoiarem durante esta jornada acadêmica e à Professora Alessandra por me orientar na realização deste.

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“A educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o que aprendemos foi esquecido.” - Burrhus Frederic Skinner

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RESUMO

Este trabalho tem por objetivo identificar os fatores humanos presentes na formação básica do piloto da aviação civil, descrevendo a importância do papel das escolas de aviação civil neste processo e propor metodologias de ensino que ajudem no desenvolvimento destes fatores durante a fase inicial do treinamento. Foi realizada uma pesquisa exploratória, com procedimento bibliográfico e documental, utilizando livros, documentos, reportagens e leis que falam sobre fatores humanos, competências do piloto, indicadores de comportamento e fundamentos de treinamento e desenvolvimento de pessoas, numa abordagem qualitativa, sendo os dados analisados por meio da análise de conteúdo. O término da pesquisa, constatou-se a necessidade do deconstatou-senvolvimento dos fatores humanos ou competências do piloto desde a fase inicial de seu treinamento, sendo de fundamental importância, o envolvimento e compromisso das escolas de aviação, na implementação de metodologias, ainda que já existentes e aplicáveis na aviação comercial de transporte regular de passageiros, a fim preparar melhores seus alunos para a carreira aviatória, e atingir também pilotos das demais áreas da aviação, contribuindo assim para o crescimento da segurança nas operações aéreas. Palavras-chave: Fatores humanos. Gestão do treinamento de piloto. Treinamento baseado em competências.

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This research aims to identify human factors in the basic training of the civil aviation pilot, describing the importance of the role of civil aviation schools in this process and propose teaching methodologies to help in the development of these factors during the initial phase of training.An exploratory research was conducted with bibliographical and documentary procedure, through books, documents, reports and laws that talk about human factors, pilot skills, behavioral markers and fundamentals of training and development of people, in a qualitative approach, being the data analyzed through content analysis.At the research end, was found the need to develop human factors or pilot skills since a early stage of their training, being of fundamental importance, the involvement and commitment of aviation schools, in the methodologies implementation, although already existing and applicable in commercial aviation of regular passenger transport, in order to improve their students preparation for aviation career, and also achieve pilots of other aviation areas, thus contributing to the growth of safety in flight operations.

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LISTA DE SIGLAS ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil

CBAER - Código Brasileiro de Aeronáutica

CBT - Treinamento Baseado em Competências (Competency-Based Training) CHA – Conhecimentos, Habilidades e Atitudes

CRM – Gestão de Recursos Corporativos (Corporate Resource Management) CTAC - Centro de Treinamento de Aviação Civil

EBT – Treinamento Baseado em Evidências (Evidence Based Training)

IATA - Associação Internacional de Transporte Aéreo (International Air Transport Association)

ICAO - Organização de Aviação Civil Internacional (International Civil Aviation Organization)

IFALPA – Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linha Aérea (International Federation of Air Line Pilots’ Associations)

RBAC – Regulamento Brasileiro da Aviação Civil

RBHA – Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica TEM – Gestão da Ameaça e Erro (Threat and Error Management)

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1 INTRODUÇÃO... 11 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA... 12 1.2 OBJETIVOS... 12 1.2.1 Objetivo Geral... 12 1.2.2 Objetivos Específicos... 12 1.3 JUSTIFICATIVA... 12 1.4 METODOLOGIA... 13

1.4.1 Natureza da pesquisa e tipo de pesquisa... 13

1.4.2. Materiais e métodos... 14

1.4.3 Procedimentos de coleta de dados... 14

1.4.4 Procedimento de análise dos dados... 14

1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO... 14

2 REFERENCIAL TÉORICO... 16

2.1 ESCOLA DE AVIAÇÃO CIVIL... 16

2.2 PROGRAMA DE TREINAMENTO... 16

2.3 FATORES HUMANOS NO TREINAMENTO DO PILOTO... 18

2.3.1 Liderança... 20

2.3.2 Personalidade e Atitudes... 20

2.3.3 Comunicação... 21

2.3.4 Coordenação de tripulação... 22

2.4 METODOLOGIA DE ENSINO... 22

3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS... 25

3.1 FATORES HUMANOS À SEREM DESENVOLVIDOS DURANTE A FORMAÇÃO DO PILOTO DA AVIAÇÃO CIVIL... 25

3.1.1 Comunicação... 25

3.1.2 Liderança e trabalho em equipe... 26

3.2.3 Solução de problemas e tomada de decisão... 27

3.2.4 Gerenciamento da carga de trabalho... 28

3.2.5 Consciência Situacional... 29

3.2.6 Aplicação de procedimentos... 30 3.2 IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DAS ESCOLAS DE AVIAÇÃO CIVIL NO

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DESENVOLVIMENTO DOS FATORES HUMANOS DE SEUS ALUNOS... 31

3.3 METODOLOGIAS DE TREINAMENTO QUE APRIMORAM OS FATORES HUMANOS DO ALUNO DURANTE SUA FORMAÇÃO BÁSICA DE PILOTO DA AVIAÇÃO CIVIL... 32

3.3.1 Habilidade básica de voo... 32

3.3.2 Treinamento intermediário... 33

3.3.3 Treinamento avançado... 33

3.3.4 Treinamento adicional... 34

3.3.5 Treinamento Baseado em Evidências (EBT) ... 34

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 38

REFERÊNCIAS... 40

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1 INTRODUÇÃO

O surgimento das escolas de aviação no Brasil, dá-se com a chegada dos primeiros aviões em nosso território, sendo o Aero Club Brasileiro o primeiro, criado em 1.911 na cidade do Rio de Janeiro, tendo ninguém menos que Alberto Santos Dumont como presidente honorário (LEMOS 2012). A reportagem da época trazia a seguinte notícia “Tendo por escopo inicial a fundação da Escola de Aviação, o Aero Club Brasileiro procurará desenvolver o gosto pela aviação, que parece ser nato entre os brasileiros” (A NOITE, 1912, p.1).

Desde a primeira entidade fundada em 1911, as escolas de aviação civil, têm seu foco voltado para o treinamento de seus alunos. No entanto, quando se trata de “desenvolver o gosto” por uma atividade, devemos reconhecer a diferença existente entre treinar e desenvolver.

Segundo Dutra (2014, p.42), treinamento é “processo de aprendizagem, e voltado para o condicionamento da pessoa para a execução de tarefas” e desenvolvimento, é também o “processo de aprendizagem, porém é voltado ao crescimento da pessoa em nível de conhecimento, habilidade e atitude”.

De acordo com a International Federation of Air Line Pilots’ Associations IFALPA, (2012), para se formar um piloto não basta apenas treiná-lo, deve-se desenvolve-lo e educá-lo.

Com a evolução do conhecimento na área do ensino e desenvolvimento humano, assim como em outros setores, não existem dois alunos iguais, sendo de vital importância, considerar as individualidades e fatores humanos, a fim de alcançar o potencial máximo do aluno durante sua formação (IFALPA, 2012, p. 6, [nossa tradução]).

Em vez da mentalidade “tamanho único” do Discurso de resultados Acadêmicos, que faz com que os alunos percorram um labirinto acadêmico padronizado para atingir o sucesso escolar, o Discurso do Desenvolvimento Humano considera cada indivíduo como um ser humano singular, com sua própria maneira de lidar com os desafios de desenvolvimento oferecidos pela vida. (ARMSTRONG, 2008, p.28) Esta pesquisa realça a importância da consideração dos fatores humanos, durante o processo de formação do piloto em uma escola de aviação civil.

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1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Qual a importância da consideração dos fatores humanos durante a formação básica do piloto em uma escola de aviação civil?

1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral

Analisar a importância fatores humanos exigidos durante a formação básica do piloto em uma escola de aviação civil.

1.2.2 Objetivos Específicos

- Identificar os fatores humanos à serem desenvolvidos durante a formação do piloto da aviação civil.

- Descrever a importância da participação das escolas de aviação civil no desenvolvimento dos fatores humanos de seus alunos.

- Levantar metodologias de treinamento que aprimorem os fatores humanos do aluno durante sua formação básica de piloto da aviação civil.

1.3 JUSTIFICATIVA

As escolas de aviação civil, têm seus currículos baseados nos “manuais de cursos” existentes, conforme exigido pelo Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica – (RBHA) 141 Emenda 141.01, que regulamentam as escolas de aviação civil.

Estes manuais de cursos, são expedidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), sendo esta a emissora de diretrizes para certificação de um programa de treinamento válido.

Ao observar estes manuais, nota-se que os mesmos tratam em quase sua totalidade, de assuntos técnicos, a exceção se aplica somente para o reforço dos assuntos ligados à palestra sobre segurança de voo e carreira da aviação civil.

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sucesso na carreira aviatória, são necessários três pré-requisitos, desejo, habilidade e meios (financeiros e institucional).

Quando fala de “habilidade”, a IFALPA, (2012), separa em “habilidades técnicas” e “habilidades não técnicas”.

Estas habilidades não técnicas, que estão diretamente ligadas com os fatores humanos, atualmente têm um papel muito tímido durante a formação básica do piloto. Para Tissot, ([2016], p.6), “O reconhecimento da necessidade de educação básica a respeito dos fatores humanos para o pessoal de aviação civil partiu da análise de acidentes, em que se observou a falta, excesso ou deficiência de ações humanas”.

Ainda segundo a Boeing, (2015), até o ano de 2034 serão necessários 558.000 novos pilotos em todo o mundo, sendo 47.000, somente na América Latina.

Face à esta grande demanda esperada, os gestores do treinamento voltados para aviação civil, devem buscar renovar suas metodologias, de forma à incorporar em seus currículos, o desenvolvimento destas habilidades não técnicas associadas aos fatores humanos, ainda que não exigidos nos currículos da ANAC, a fim de formar pilotos mais capacitados para o exercício atividade aérea, contribuindo com a prevenção de acidentes aeronáuticos.

Este projeto de pesquisa, surgiu da necessidade de se trazer informações que detalhassem e que reforçassem a necessidade da abordagem dos fatores humanos durante a formação básica do piloto civil, a fim de ser incorporado como parte do programa de treinamento das escolas de aviação civil.

1.4 METODOLOGIA

1.4.1 Natureza da pesquisa e tipo de pesquisa

Esta pesquisa é de natureza exploratória, que segundo Gil (1999), tem por finalidade desenvolver, esclarecer, propor e modificar métodos atuais, tendo a abordagem qualitativa, pois “[...] trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (MINAYO, 1996, p. 21) e procedimentos bibliográfico, através de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos (GIL, 2008) e documental, que de acordo com

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Gerhardt e Silveira (2009, p. 69) “É aquela realizada a partir de documentos, contemporâneos ou retrospectivos, considerados autênticos.”.

1.4.2 Materiais e Métodos

Os materiais utilizados nesta pesquisa foram:

- Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986. Código Brasileiro de Aeronáutica. - Regulamentos da ANAC RBHA-141 Emenda 01 e RBAC-142 Emenda 00. - Documento da IFALPA sobre padronização do treinamento de pilotos. - Circular da ICAO 216-AN/131, de 1989. Human factors digest N°1. - Documentos e livros voltados à história da aviação.

- Documentos, livros e reportagens, voltados ao estudo dos fatores humanos. 1.4.3 Procedimentos de coleta de dados

A coleta de dados foi do tipo documental, em documentos oficiais referentes à formação técnica de tripulantes para aviação civil; e bibliográfica, através de documentos e livros referentes à gestão de treinamento, fatores humanos e transmissão do conhecimento. 1.4.4 Procedimento de análise dos dados

A análise dos dados foi realizada através da análise de conteúdo, que segundo Moraes (1999), refere-se à interpretação, classificação e descrição dos textos à serem utilizados na pesquisa, de acordo com a fundamentação teórica.

1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Este trabalho foi organizado para atingir os objetivos propostos, estando disposto da seguinte maneira:

No capítulo 1, apresenta-se a introdução, onde constam a problematização e o problema do estudo, os objetivos, a justificativa e a metodologia utilizada.

No capítulo 2 está a fundamentação teórica, onde se explica a função de uma escola de aviação civil, de um programa de treinamento, os fatores humanos no treinamento do piloto e as metodologias de ensino.

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Em seguida, o capítulo 3 apresenta a análise e discussão dos dados da pesquisa. Por último, são apresentadas as considerações finais e as referências utilizadas.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 ESCOLA DE AVIAÇÃO CIVIL

O dicionário da língua portuguesa Infopedia, (2003), define escola como a instituição que tem o encargo de educar, segundo programas e planos sistemáticos, os indivíduos nas diferentes idades da sua formação. Ela constitui um ambiente diversificado de desenvolvimento e aprendizagem, que reúne diversos conhecimentos, atividades, regras e valores a serem adquiridos pelos seus alunos.

Segundo Armstrong, (2008), em relação às escolas primárias, as escolas devem adaptar seus currículos para as necessidades de desenvolvimento, interesses e habilidades dos alunos, tendo como referência o desenvolvimento humano.

No campo da aviação, o Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) 141 Emenda 141.01 (BRASIL, 2004) que trata sobre a concessão de autorização para funcionamento de escolas de preparação de pessoal para a aviação civil brasileira, escola de aviação é a entidade constituída na forma da lei, cujo objeto social é a capacitação de pessoal para a aviação civil. Ainda segundo o mesmo documento, no Art. 141.79 (c), (BRASIL, 2004, p.20), enquanto instituição, “a escola deve oferecer uma instrução que seja capaz de levar o aluno a atingir os objetivos gerais do curso e os objetivos específicos de cada matéria”. Desta forma, a escola é responsável por mapear o caminho à ser percorrido pelo aluno durante seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Este caminho é assim traduzido em um programa de treinamento.

2.2 PROGRAMA DE TREINAMENTO

Para Chiavenato (1999, p.295), “treinamento é o processo educacional de curto prazo aplicado de maneira sistemática e organizada, através do qual pessoas aprendem conhecimentos, atitudes e habilidades em função de objetivos definidos”.

O programa de treinamento básico de um piloto civil atualmente implantado nas escolas de aviação civil, está dividido em duas etapas, a obtenção das licenças de “piloto privado” e “piloto comercial”, divididos de acordo com o tipo de equipamento, avião ou helicóptero. Sua execução inicia-se com a fase teórica e posterior ingresso na fase prática.

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piloto privado sendo o primeiro estágio da carreira, segundo o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) 61 Art. 61.85 (BRASIL, 2012) , é aquele titular de uma licença que o limita a atuar em voos não remunerados e sem qualquer tipo de aproveitamento comercial.

Esta licença pode ser válida para aviões ou helicópteros, de acordo com o treinamento escolhido realizado.O programa de treinamento teórico e prático do piloto privado de avião, está contido no Manual do Curso Piloto Privado Avião (MCA) 58.3 de 27 de agosto de 2004, e o programa para piloto privado de helicóptero está contido no Manual do Curso Piloto Privado Helicóptero (MMA) 58.4 de 01 de março de 1995, ambos da ANAC

Em ambos os tipos de equipamentos, os referidos manuais preveem o seguinte currículo teórico: Palestra “O Piloto Privado-Avião” ou “O Piloto Privado-Helicóptero”, A Aviação Civil, Regulamentação da Aviação Civil, Segurança de Voo, Conhecimentos Técnicos das Aeronaves, Meteorologia, Teoria de Voo, Regulamentos de Tráfego Aéreo, Navegação Aérea, Medicina de Aviação e Combate ao Fogo em Aeronave.

E para a parte prática, está previsto: Conhecimentos Técnicos da Aeronave de Instrução, Instrução no Solo e 40 horas de Prática de Voo.

Quanto ao piloto comercial, como o próprio título sugere, segundo o RBAC 61 Art. 61.105 (BRASIL, 2012), é aquele titular de uma licença que permite o exercício da atividade remunerada de piloto.

Esta licença pode ser válida para aviões ou helicópteros, de acordo com o equipamento escolhido pelo aluno.

O programa de treinamento teórico e prático do piloto comercial de avião, está contido no Manual do Curso Piloto Comercial Avião e o programa para piloto comercial de helicóptero está contido no Manual do Curso Piloto Comercial Helicóptero, ambos da ANAC.

Em ambos os tipos de equipamentos, os referidos manuais preveem o seguinte currículo teórico: O Piloto Comercial-Avião ou Helicóptero: preparação e atividade, Matemática, Física, Segurança de Voo, Inglês Técnico, Conhecimentos Técnicos das Aeronaves, Meteorologia, Teoria de Voo, Regulamentos de Tráfego Aéreo, Navegação Aérea, A Aviação Civil, Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita, Regulamentação da Aviação Civil, Regulamentação da Profissão de Aeronauta e Instrução Aeromédica. E para a parte prática, está previsto: Instrução no Solo, 20 horas de voo em simulador e 115 horas de Prática de Voo.

Apesar de definido na Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, Código Brasileiro de Aeronáutica (CBAER), no Art. 160, parágrafo único (BRASIL, 1986) como de

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caráter permanente, o uso das prerrogativas concedidas por estas licenças, estão condicionadas ainda, à um ciclo de treinamento periódico, anual ou bienal, que é definido de acordo com o tipo da licença adquirida, envolvendo uma reavaliação teórica e prática dos conteúdos exigidos no programa de treinamento inicial, conforme citado anteriormente.

Os manuais de cursos da ANAC, a ênfase dada pelo atual programa de treinamento, é voltada para o conhecimento e habilidade técnica, desta forma, faz-se a necessidade de buscar os fatores humanos e habilidades não técnicas existentes durante a formação do piloto de aviação civil, a fim de alcançar uma qualificação superior e mais efetiva, para o exercício da atividade.

2.3 FATORES HUMANOS NO TREINAMENTO DO PILOTO

Segundo Tissot, ([2016]), falar sobre fatores humanos na aviação civil, exige uma série de cuidados por parte de quem escreve, pelo simples fato de não haver uma definição clara do seu significado ou do que representam.

Apesar da dificuldade conceitual, a International Civil Aviation Organization ICAO, (1989), trata os fatores humanos como questões que afetam a forma como as pessoas fazem o seu trabalho. Eles são as competências sociais e pessoais, tais como a tomada decisão e comunicação, que complementam nossas habilidades técnicas. Para Tissot, ([2016]), fatores humanos referem-se às pessoas em situação de vida e de trabalho, em interação com máquinas, procedimentos, pessoas e ambientes.

O elemento humano é a parte mais flexível, adaptável e valiosa do sistema de aviação, mas é também o mais vulnerável a influências que podem afetar negativamente o seu desempenho. Através dos anos, de acordo com a ICAO, (1989), cerca de três de cada quatro acidentes foram resultados de desempenho humano abaixo do ótimo, também conhecido como "erro do piloto".

No entanto, ainda segundo a ICAO, (1989), utilizar o termo "erro do piloto" é uma colocação simplista e não colabora em nada para a prevenção de novos acidentes. Na verdade, muitas vezes é contraproducente porque, ainda que este termo possa indicar aonde o sistema falhou, ele não fornece nenhuma orientação quanto ao porquê isso ocorreu. Um erro atribuído à seres humanos pode ter sido ou estimulado por uma formação inadequada, induzida por um desenho ergonômico mal projetado, procedimentos e manuais mal formulados, dentre outros.

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ambiente da aviação, o modelo SHEL desenvolvido primeiramente por Elwyn Edwards em 1972 e modificado em 1975 por Frank Hawkins (ICAO, 1989, p.5), é uma das ferramentas utilizadas por psicólogos para estudar esta interação entre os indivíduos, os sistemas em que eles trabalham e o ambiente que influencia essas atividades. Este modelo, é amplamente utilizado por equipes de design multidisciplinar, tendo os seguintes conceitos:

- Software: Regras, regulamentos, ordens, políticas, procedimentos operacionais, costumes, práticas, hábitos e assim por diante, todos os quais governam administrativamente a maneira pela qual o sistema funciona.

- Hardware: propriedades físicas, itens tangíveis, tais como edifícios, veículos, equipamentos, materiais e assim por diante.

- Liveware: Os seres humanos que interagem com, e controlar o sistema.

Nesta análise, cada um destes componentes deve interagir com cada um dos outros num Environment (ambiente) que vai, potencialmente, influenciar qualquer ou a todos os recursos individuais.

Para os pesquisadores de fatores humanos, as interações mais importantes são aquelas que envolvem as pessoas, ou “liveware”, quando das interações entre si e ou com as interfaces de “hardware” e de “software” encontradas no decorrer de um voo.

Quando tratamos da formação básica do piloto, o aluno que se propõe a ingressar na carreira aviatória, nem sempre está ciente destes fatores que dele serão exigidos, e de igual forma, sua formação intelectual até então, pode não estar preparada para assumir ou assimilar os conteúdos exigidos.

Segundo a IFALPA, (2012), durante a fase de treinamento básico, um piloto precisa apresentar a habilidade mental para aprender, memorizar e reter um vasto conteúdo de conhecimento, incluindo números, procedimentos, sendo capaz de fazer a relação entre os mesmos num curto espaço de tempo.

Além destes, em seu relatório, a IFALPA, (2012), ainda relaciona as habilidades de executar tarefas sob pressão, saber delegá-las e se relacionar com outros membros da tripulação; executar manobras no campo tridimensional através do desenvolvimento das habilidades psicomotoras; e ainda possuir uma saúde física, adequada para a atividade.

A ICAO, (1989, p.16, [nossa tradução]), descreve que “o treinamento dos fatores humanos estão ligados às áreas do conhecimento ou habilidade, e que não fazem parte do currículo técnico”. Para tal, relaciona quatro aspectos treináveis dos fatores humanos, que são a personalidade, atitude, comunicação, coordenação de tripulação e liderança.

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2.3.1 Liderança

Liderança, segundo a ICAO, (1989), são as ações que influenciam o pensamento e o comportamento de outros, através do uso do exemplo pessoal e ou da persuasão, compreendendo os objetivos e desejos do grupo.

Chiavenato, (2003), realça que o tema é um dos mais pesquisados e estudados nas últimas décadas, definindo esta como essencial nas funções da administração, baseada na comunicação humana, para a realização de um ou mais objetivos específicos. Realça ainda, que um líder deve inspirar confiança, ser inteligente, perceptivo e decisivo para ter condições de liderar com sucesso.

Uma situação ideal existe quando, liderança adquirida e autoridade atribuída pela função são combinadas, resultando no trabalho em equipe e um bom relacionamento do líder com sua equipe.

A habilidade de liderança deve ser desenvolvida em todos, através de um treinamento adequado; esse treinamento é essencial para as operações de aeronaves, onde os membros da tripulação menos experientes são às vezes chamados à assumir um papel de liderança durante o desempenho normal de suas funções. Isso pode ocorrer quando o copiloto precisa assumir o lugar de um piloto ausente ou incapacitado, por exemplo. (ICAO, 1989, p.16, [nossa tradução])

No entanto, esta habilidade, estará relacionada com as características individuais, expressadas através da personalidade e atitude do piloto.

2.3.2 Personalidade e Atitudes

De acordo com o dicionário da língua portuguesa Infopedia, (2003), personalidade é a unidade integrativa de uma pessoa, compreendendo o conjunto das suas características essenciais (inteligência, caráter, temperamento, constituição) e as suas modalidades próprias de comportamento. Para a ICAO, (1989), são características inatas ou adquiridos nas fases iniciais da vida. Elas estão enraizadas, sendo muito estáveis e resistentes à mudança. Agressão, ambição e dominância pode ser visto como um reflexo de uma personalidade.

Atitude, segundo a ICAO, (1989), são características à serem aprendidas, com tendências duradouras, sendo a predisposições para responder de uma certa maneira previsível, cumprir procedimento.

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o mundo em que vivemos, o que nos permite tomar decisões rápidas sobre o que fazer quando confrontados com certas situações. Assim a ICAO, (1989, p.18, [nossa tradução]), conclui:

A diferença entre personalidade e atitude é relevante, porque é irrealista esperar uma mudança na personalidade através de treinamento de rotina, de comandante ou de gerenciamento. A triagem inicial e processo de seleção são o lugar e tempo para tomar as medidas adequadas para filtrá-las. Por outro lado, as atitudes são mais suscetíveis à mudança através do treinamento. A eficácia deste treinamento, depende da solidez com que esta(s) atitude(s) serão modificadas.

Expressar a percepção ou pensamento sobre algo, bem como a intenção de se tomar alguma atitude, requer a habilidade de comunicar-se adequadamente.

2.3.3 Comunicação

O dicionário da língua portuguesa Infopedia, (2003), define comunicação como a troca de informação entre os indivíduos por meio de fala, escrita, comportamento ou código comum.

Para Chiavenato, (2003), esta troca de informações entre pessoas, significa tornar comum uma mensagem ou informação, constituindo um dos processos fundamentais da experiência humana e da organização social, ressaltando que a mesma pode ser de forma verbal ou não-verbal, como por exemplo através da escrita ou gestos.

A ICAO, (1989), realça os riscos que reduzem a qualidade da comunicação: - Linguagem, onde são apresentadas mensagens ambíguas ou pouco claras; - Meio de transmissão, como, ruídos de fundo ou a distorção da informação;

- Falhas durante o recebimento, onde existe a expectativa de uma outra mensagem, a interpretação errada da mensagem ou ainda mesmo, a sua desconsideração;

- Interferências emocionais e racionais na comunicação; e

- Problemas de caráter físico, deficiência auditiva ou dificuldade para falar.

É a tarefa do treinamento enfatizar os fatores humanos para evitar erros de comunicação. Esta tarefa inclui a explicação dos problemas comuns de comunicação, bem como o reforço de um padrão de linguagem para assegurar a transmissão de uma mensagem livre de erros e sua correta interpretação. (ICAO, 1989, p.20, [nossa tradução])

Diante de diferentes pontos de vistas que surgem no processo adequado de comunicação em grupo, coordenar a tripulação se torna uma habilidade necessária ao piloto.

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2.3.4 Coordenação de tripulação

Segundo a Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, Código Brasileiro de Aeronáutica – CBAER, Art. 156, define-se que, “são tripulantes as pessoas devidamente habilitadas que exercem função a bordo de aeronaves”.

A coordenação entre estes tripulantes no exercício de suas atividades, é o algo mais do trabalho em equipe, quando se trata de um conjunto de indivíduos altamente qualificados. Através desta coordenação, temos o aumento da segurança advindo da redundância na detecção e correção de erros, bem como uma melhor eficácia dos trabalhos, pelo uso organizado dos recursos existentes.

Para a ICAO, (1989, p.20), “as variáveis básicas que determinam o grau de coordenação da tripulação são as atitudes, motivação e formação dos membros da equipe”.

A quebra desta coordenação, pode implicar na diminuição da comunicação, aumento de erros e menor probabilidade de corrigir desvios, quer de padrões operacionais ou trajetória de voo desejada, podendo ainda levar à conflitos emocionais entre os membros da equipe. Diante destes riscos, a ICAO, (1989, p.20, [nossa tradução]), escreve:

Os riscos elevados associados com uma quebra de coordenação entre a tripulação, mostram a necessidade urgente de treinamento em gestão de recursos de tripulação[...].

Este tipo de treinamento, assegura que:

- O piloto tenha a capacidade máxima para a tarefa principal de voar a aeronave e tomada de decisões;

- A carga de trabalho é igualmente distribuído entre os membros da tripulação, de modo que excessiva carga de trabalho para qualquer indivíduo é evitada; e

- Uma cooperação coordenada, incluindo o intercâmbio de informações, o apoio de colegas, membros da tripulação e o acompanhamento do desempenho de cada outros serão mantidos sob condições normais e anormais.

Identificar e desenvolver estes fatores humanos durante a fase de treinamento básico de um piloto, é o papel que o gestor de uma escola de aviação civil deve ter em mente, buscando assim uma metodologia de ensino que produza os resultados necessários em seus alunos.

2.4 METODOLOGIA DE ENSINO

A origem grega da palavra metodologia, Segundo Manfredi, (1993), advém de “methodos”, que significa META (objetivo, finalidade) e HODOS (caminho, intermediação),

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isto é caminho para se atingir um objetivo. LOGIA quer dizer conhecimento, estudo. “Assim, metodologia significaria o estudo dos métodos, dos caminhos a percorrer, tendo em vista o alcance de uma meta, objetivo ou finalidade” (MANFREDI, 1993, p.1).

O dicionário da língua portuguesa Infopedia, (2003), traz os significados da palavra ensino, como o ato de ensinar, a transmissão de conhecimentos e competências; instrução, transmissão de princípios relacionados com comportamentos e atitudes correspondentes aos usos socialmente tidos como corretos; educação.

Desta forma quando falamos em metodologia de ensino em uma escola de aviação civil, estamos dizendo sobre as estratégias, planejamento e ou trajetórias à serem traçadas, a fim de se alcançar o objetivo final, que segundo a IFALPA, (2012), é possuir a capacidade de lidar e gerenciar as habilidades técnicas e não técnicas.

Cada candidato a piloto tem desenvolvido em si, um conjunto de habilidades não

técnicas adquiridas através de suas experiências de vida que podem ser ampliadas dentro do ambiente da escola de aviação através de formação e experiência.

A IFALPA, (2012), sugere uma metodologia de treinamento com base nos princípios de competências, onde ao contrário do sistema educacional tradicional, centrado no professor e onde a unidade de progressão é o tempo e baseado em habilidades puramente técnicas, o método de Treinamento Baseado em Competências (CBT), tem como unidade de progressão o domínio de conhecimentos e habilidades e atitudes (CHA), centrado no aluno.

Segundo a International Air Transport Association (IATA), (2013), juntamente com a ICAO e a IFALPA, definiram oito competências essenciais para um piloto, ao longo de todas as fases de sua carreira. Estas competências foram publicadas no Doc 9995 da ICAO (2013, [nossa tradução]), e elas descrevem o foco da metodologia do treinamento baseado em competências. São elas:

- Comunicação: Demonstra comunicação oral, não verbal e escrita de forma

eficaz, em situações normais e anormais;

- Gerenciamento do voo manual: Controla a trajetória da aeronave através do voo manual, incluindo o uso apropriado dos sistemas de gerenciamento e orientação de voo;

- Gerenciamento do voo automático: Controla a trajetória da aeronave através do automatismo, incluindo o uso apropriado dos sistemas de gerenciamento e orientação de voo;

- Liderança e trabalho em equipe: Demonstra eficaz liderança e trabalho em equipe;

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resolve problemas. Utiliza o processo de tomada de decisão apropriado;

- Aplicação de procedimentos: Identifica e aplica os procedimentos de acordo com as instruções operacionais publicadas e legislações aplicáveis, utilizando o conhecimento apropriado.

- Gerenciamento da carga de trabalho: Gerencia os recursos disponíveis de forma eficaz, visando priorizar e executar as tarefas de forma hábil em todas as circunstâncias.; e

- Consciência Situacional: Percebe e compreende todas as informações relevantes disponíveis e antecipa as consequências que podem afetar a operação.

Assim, o método de ensino eficaz, deve buscar alcançar as necessidades individuais de cada aluno, fazendo-o evoluir de acordo com sua percepção, preparando-o não só para os desafios do presente, mas para toda carreira aviatória e o aprendizado contínuo.

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3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 FATORES HUMANOS À SEREM DESENVOLVIDOS DURANTE A FORMAÇÃO DO PILOTO DA AVIAÇÃO CIVIL.

Apesar da dificuldade em se definir o que são fatores humanos, a ICAO, (1989), define como questões que afetam a forma como as pessoas fazem o seu trabalho.

De modo geral, os temas relativos aos fatores humanos englobam: o bem-estar do indivíduo, considerando principalmente a fadiga, alterações no ritmo circadiano e o sono; saúde e desempenho; estresse; uso de álcool ou outras drogas; trabalho em equipe; liderança, comunicação; motivação; tratamento de informações; personalidade, atitudes e crenças; além dos aspectos ergonômicos de construção dos postos de trabalho. Podem-se destacar, também, a cultura e o clima organizacional das empresas como aspectos fortemente influentes na organização humana em ambiente de trabalho. (TISSOT, [2016], p.6)

Desta forma, sendo o elemento humano a parte mais vulnerável a influências que podem afetar negativamente o desempenho da atividade aérea, a ICAO, (2013), traz em sua publicação Doc 9995, os oito fatores, também chamados de competências, que devem ser desenvolvidos durante a formação de um piloto da aviação civil, independentemente se o objetivo do aluno é a aviação desportiva, privada ou profissional. Destas oito competências, cinco estão relacionadas com fatores humanos, que tem suas evidências, segundo a ICAO, (2013[nossa tradução]), através de indicadores de comportamento, que são os balizadores para avaliação do desenvolvimento dos fatores humanos no aluno. São eles:

3.1.1 Comunicação

Segundo Chiavenato, (2003), comunicação é a troca de informações entre pessoas, tornando comum uma mensagem ou informação, de forma verbal ou não-verbal, tendo por finalidade proporcionar informação, compreensão para orientar as pessoas em suas tarefas.

A troca de informações durante o exercício da atividade aérea, segundo a ICAO, (1989), é fundamental, e pode ser afetada por diversos fatores, como linguagem, meio de transmissão, ruídos, e fatores pessoais. Para atividade conjunta como a aviação, o aluno deve possuir e desenvolver a habilidade de comunicar-se de forma oral, não verbal e escrita, em situações normais e anormais, demonstrando os seguintes indicadores, conforme a ICAO,

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(2013[nossa tradução]):

- Certifica-se que o receptor está pronto e capaz de receber a informação; - Saber o que, como, onde, quando, quanto e com quem deve se comunicar; - Transmitir mensagens e informações de forma clara, precisa, e oportuna; - Confirmar que o receptor entende corretamente as informações importantes; - Ouvir de maneira ativa e paciente e demonstra entendimento quando recebendo informação;

- Perguntar com relevância e eficácia, oferecendo sugestões; - Aderir aos padrões de fraseologia na fonia;

- Ler e interpretar corretamente a documentação referente ao voo;

- Ler, interpretar, construir e responder corretamente mensagens na língua inglesa; - Preencher corretamente relatórios exigidos por procedimentos operacionais; - Interpretar corretamente comunicação não verbal; e

- Utilizar e identificar contato visual, movimento corporal e gestual para complementar mensagens verbais.

A necessidade de uma comunicação adequada se evidencia quando o trabalho em grupo é fundamental para o exercício da atividade aérea, levando à necessidade de desenvolvimento de um outro fator, que é a liderança e o trabalho em equipe.

3.1.2 Liderança e trabalho em equipe

A habilidade de liderar, sendo segundo a ICAO, (1989), a capacidade de influenciar o pensamento e comportamento dos outros, e de trabalhar em equipe deve ser desenvolvida para o entendimento dos recursos humanos disponíveis, para a defesa de convicções ou objetivos à serem garantidos, através de uma postura coletiva e decisiva quando requerido.

Para Chiavenato, (2003), a liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, sendo essencial em todas as funções da administração, pois o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir pessoas.

O piloto no exercício da atividade aérea, caracteriza-se por ser um administrador, necessitando a habilidade de administrar os recursos humanos existentes.

Como indicadores destas habilidades, a ICAO, (2013[nossa tradução]), define: - Entender e concordar com as funções da tripulação e seus objetivos;

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- Criar uma atmosfera de comunicação aberta e encorajar a participação da equipe;

- Usar iniciativa e indicar direções quando necessário; - Admitir erros e assumir responsabilidades;

- Antecipar e reagir adequadamente às necessidades dos outros - Cumprir instruções quando direcionado;

- Comunicar intenções e preocupações que sejam relevantes; - Dar e receber feedbacks de maneira construtiva

- Intervir com confiança quando importante para a segurança; - Demonstrar empatia, respeito e tolerância com os outros;

- Envolver os outros no planejamento e distribuir atividades de forma justa e apropriada às habilidades;

- Gerenciar conflitos e desacordos de forma construtiva; e - Inspirar autocontrole em todas as situações.

Ao assumir o papel de liderança quando requerido, ou se trabalhando em equipe, por vezes há de ser evidenciado uma nova habilidade que é a de solucionar problemas e tomar decisões, a fim de satisfazer a necessidade que a situação impõe.

3.2.3 Solução de problemas e tomada de decisão

Solucionar problemas e tomar decisões segundo a ICAO, (2013), está associado à capacidade de identificar riscos com precisão, resolver problemas e decidir em tempo hábil, sendo esta definição ainda complementada por Chiavenato, (2003, p.349), que ressalta que “o processo decisorial é complexo e depende das características pessoais do tomador de decisões, da situação em que está envolvido e da maneira como percebe a situação”, definindo assim a característica pessoal e individual de cada pessoa inserida no processo decisório.

Tissot, ([2016]), revela que as análises de acidentes, evidenciaram a falta ou excesso das ações humanas, advindo do resultado de soluções de problemas ou tomada decisões inadequadas, ressaltando assim, a gravidade da falta desta competência desde os primeiros momentos do treinamento do aluno. Desta forma, esta habilidade deve ser desenvolvida no aluno, para que o mesmo seja capaz de evidenciar os seguintes indicadores, definidos pela ICAO, (2013[nossa tradução]), para esta competência:

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- Identificar o que e por quê as coisas deram errado;

- Empregar estratégias apropriadas para solução dos problemas; - Persistir no trabalho durante o problema, preservando a segurança;

- Utilizar processos de tomada de decisão adequados e em tempo oportuno; - Estabelecer critérios de prioridades;

- Considerar e identificar opções praticáveis;

- Monitorar, revisar e adaptar decisões conforme requerido; - Identificar e gerenciar riscos eficazmente; e

- Improvisar de forma apropriada quando confrontado com circunstâncias não previsíveis, para alcançar a solução mais segura.

Tomar uma decisão para solucionar um problema, pode levar ao acumulo de tarefas, que poderá levar à um problema ainda maior, desta forma, a habilidade de gerenciamento da carga de trabalho, deve ser desenvolvida.

3.2.4 Gerenciamento da carga de trabalho

Gerenciar recursos disponíveis de forma eficaz, priorizar e executar as tarefas de forma hábil é uma habilidade que deve ser desenvolvida no aluno, pois em um cenário dinâmico como da atividade aérea, os recursos também são dinâmicos e findáveis. Fazer o trabalho em tempo hábil e de forma organizada, pode fazer a diferença entre o bem ou mal sucedido.

Chiavenato, (2003), neste sentido, traz o conceito da administração, definindo este gerenciamento como a habilidade de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar os objetivos pretendidos.

A ICAO, (2013[nossa tradução]), ressalta os seguintes indicadores para o desenvolvimento desta competência:

- Manter autocontrole em todas as situações;

- Planejar, priorizar e escalar as tarefas de forma eficaz; - Gerenciar o tempo de forma eficaz na realização de tarefas;

- Oferecer e aceitar assistência, delegar quando necessário e pedir ajuda com antecedência;

- Revisar, monitorar e realizar cheque cruzado das ações de forma consciente; - Verificar que as tarefas foram executadas cumprindo o resultado desejado; e

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- Gerenciar e se recuperar de interrupções, distrações, variações e falhas de forma eficaz.

Priorizar, executar e gerenciar tarefas, requerem um alto grau de atenção do recurso humano, desta forma, não perder informações relevantes durante este processo, fazem da consciência situacional uma habilidade fundamental para a atividade.

3.2.5 Consciência Situacional

Consciência situacional, segundo a ICAO, (2013), é a habilidade de perceber e compreender todas as informações relevantes disponíveis, antecipando-se para as consequências que podem afetar a operação. Segundo Chiavenato, (2003), a percepção da situação que envolve algum problema, é uma das etapas do processo decisório e característica fundamental de um líder. Desta forma, um piloto para exercer de forma segura sua função, deve possuir esta habilidade, e desempenhá-la de forma plena, conforme os seguintes indicadores sinalizados pela ICAO, (2013[nossa tradução]):

- Identificar e avaliar com precisão o estado da aeronave e seus sistemas;

- Identificar e avaliar com precisão a posição vertical e horizontal da aeronave e antecipa sua trajetória;

- Identificar e avaliar com precisão o ambiente geral e como a operação pode ser afetada;

- Manter o controle do tempo e do combustível;

- Manter atenção às pessoas envolvidas ou afetadas pela situação e à capacidade de desenvolverem suas funções de forma esperada;

- Antecipar com precisão o que pode acontecer, planeja e permanece à frente da situação;

- Desenvolver planos de contingência baseados nas ameaças potenciais; - Identificar e gerenciar ameaças à segurança da aeronave e às pessoas; e

- Reconhecer e responder efetivamente a indícios de baixa consciência situacional. Saber o que fazer com as informações disponíveis e fazer de forma correta e disciplinada é uma habilidade que deve estar presente no piloto, visando a aplicação de procedimentos, conforme previstos e publicados.

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3.2.6 Aplicação de procedimentos

Para Chiavenato, (2003, p.170). “procedimentos são planos que prescrevem a sequência cronológica de tarefas específicas, requeridas para realizar determinados trabalhos ou tarefas”, assim, segundo a ICAO, (2013), a habilidade de identificar e aplicar os procedimentos de acordo com as instruções operacionais publicadas e legislações aplicáveis, utilizando o conhecimento de forma apropriada, leva à uniformização das operações, contribuindo para a segurança da atividade, sendo esta habilidade verificada através dos seguintes indicadores:

- Identificar as fontes das instruções operacionais;

- Seguir os procedimentos padrões de operação, a menos que necessário para a segurança;

- Identificar e seguir todas as instruções operacionais em tempo hábil; - Usar corretamente os sistemas da aeronave e equipamentos associados; - Operar em acordo com o regulamento aplicável; e

- Aplicar o conhecimento relevante aos procedimentos.

Ao contrário do que já vem dominando o segmento da aviação comercial, conforme demonstrado pela IFALPA, (2012), os currículos de formação básica hoje utilizado pelas escolas de aviação civil, baseados pelos manuais da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda não consideram fatores humanos como requisitos fundamentais para a obtenção das licenças de piloto.

De acordo com os manuais, em vigência, Manual do Curso Piloto Privado Avião (MCA) 58.3 (BRASIL, 2004), Manual do Curso Piloto Privado Helicóptero (MMA) 58.4 (BRASIL, 1995), Manual do Curso Piloto Comercial Avião (BRASIL, 1992) e o Manual do Curso Piloto Comercial Helicóptero (BRASIL 1990), a ênfase é para o desenvolvimento do conhecimento técnico e o da habilidade psicomotora, não reconhecendo os fatores humanos durante o processo de formação básica do piloto, buscando os níveis satisfatórios através da repetição de exercícios com quantidade mínima definida e máxima indefinida, evidenciando a ênfase no aprendizado por repetição da mesma tarefa.

Segundo a IFALPA, (2012), os fatores humanos ou competências têm desenvolvimento diferenciado em cada indivíduo e influência direta em seu desenvolvimento, durante a formação, devido ao grau de desenvolvimento pessoal prévio ao início de seu treinamento. Desta forma, a busca pela identificação destes fatores no aluno, durante sua

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formação, trará a visão de formação diferenciada para cada aluno, onde serão coibidos os desperdícios de repetições desnecessárias quando o nível requerido for atingido precocemente ao valor mínimo, bem como diminuir as repetições excessivas, que ocorrem devido à não identificação do fator humano que está bloqueando o desenvolvimento de uma competência necessária (IFALPA, 2012).

Assim sendo, o envolvimento e participação do gestor do desenvolvimento dos fatores humanos em seus alunos, que são as escolas de aviação civil, torna-se indispensável. 3.2 IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DAS ESCOLAS DE AVIAÇÃO CIVIL NO DESENVOLVIMENTO DOS FATORES HUMANOS DE SEUS ALUNOS.

As escolas de aviação civil, são definidas por regulamentação, como entidade com objetivo social de capacitar pessoas para aviação civil (BRASIL, 2004), no conceito global, escola define-se como a instituição que tem o encargo de educar, Infopedia, (2003).

A definição de educação de um piloto, segundo a IFALPA, (2012), é o desenvolvimento da habilidade e do conhecimento aviatório, e treinamento, é o desenvolvimento para respostas esperadas, sendo a formação de um piloto profissional, a combinação entre estes dois.

Desenvolver a habilidade e o conhecimento aviatório, de acordo com a IFALPA, (2012), não basta apenas transmitir conteúdos textuais. As escolas devem considerar neste intuito, o ambiente e período ao qual o aluno está inserido neste contexto. O contato com a parte prática e física, tira o aluno do abstrato, levando-o ao desenvolvimento de suas competências e comportamentos, por associação à coisas e pessoas que vivem o conteúdo a ser transmitido e desenvolvido.

Nós devíamos sempre considerar como o ambiente de treinamento, pode ser otimizado para maximizar a educação piloto. É claro que o ambiente de uma alta qualidade, livre de distrações para aprender (em termos de instalações e ambiente acadêmico) produz treinamento mais eficaz. Para o treinamento inicial, uma escola de aviação com um ambiente de treinamento de imersão permite que os estudantes vivam, comam, durmam e sonhem voando. Neste tipo de ambiente, um aluno não é apenas livre de distrações, mas também é capaz de lucrar com uma rede de apoio entre colegas. “Voo em hangar” traz benefícios tangíveis ao treinamento. (IFALPA, 2012, p.8, [nossa tradução])

Para Armstrong, (2008), as escolas devem adaptar seus currículos para cada fase que seus alunos se encontram, tendo como referencial o desenvolvimento humano, e não a

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transmissão de conteúdo puro e simples, assim como no Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) 141 Emenda 141.01 (BRASIL, 2004), que trata sobre a concessão de autorização para funcionamento de escolas de aviação civil no Brasil, que descreve em seu Art. 141.79 (c), (BRASIL, 2004, p.20), “a escola deve oferecer uma instrução que seja capaz de levar o aluno a atingir os objetivos gerais do curso e os objetivos específicos de cada matéria”.

Desta forma, sendo a escola de aviação civil o elo entre os objetivos à serem alcançados e a necessidade de desenvolvimento do aluno, esta deve buscar metodologias que os levem ao desenvolvimento pretendido.

3.3 METODOLOGIAS DE TREINAMENTO QUE APRIMORAM OS FATORES HUMANOS DO ALUNO DURANTE SUA FORMAÇÃO BÁSICA DE PILOTO DA AVIAÇÃO CIVIL.

Segundo Armstrong, (2008), as escolas devem se adaptar ao aluno, buscando em cada fase do processo de educação, um plano que seja compatível e adequado ao nível de desenvolvimento deste. Desta forma na busca pelo melhor caminho à se percorrer para alcançar a perfeita transmissão de conhecimentos, sendo definido por Chiavenato, (2003, p.170), como “planos prescritos para o desempenho de uma tarefa específica”, a metodologia empregada trará a aproximação dos resultados esperados.

As principais fontes de opinião sobre o assunto voltado ao treinamento para o piloto da aviação civil, que são a IFALPA, IATA e ICAO, definem que a busca pelo desenvolvimento das habilidades não técnicas, junto com as habilidades técnicas, é fator primordial para o desenvolvimento dos fatores humanos de um piloto, sendo assim sugerido pela IFALPA, (2012), o seguinte plano de treinamento inicial de um piloto, dividindo-o em quatro partes:

3.3.1 Habilidade básica de voo

Segundo a IFALPA, (2012), as habilidades básicas de voo, também chamada de “pilotagem”, são a base sobre a qual todo o resto é construído, e que servirão para toda a carreira aviatória do aluno. A história do transporte aéreo está repleta de exemplos de quando as habilidades básicas de pilotagem fizeram a diferença entre um incidente e um acidente

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grave. Por esta razão, a fase inicial de treinamento de voo deve ser focado em estabelecer essa base de “pilotagem” em situações normais e anormais. Assim, esta fase deve ser realizada em condições de tempo que favoreçam a orientação visual do voo e do ambiente externo pelo aluno, e principalmente em aeronaves com apenas um motor para diminuir a carga de trabalho do aluno, e capazes de admitir um certo grau de erro por parte do aluno, para que o mesmo se desenvolva também, através da correção dos próprios erros.

Nesta fase, através do ensino dos conceitos básicos relacionando-os com a prática, deve ser buscado o desenvolvimento dos fatores humanos ou competências, com ênfase na aplicação de procedimentos e consciência situacional. Ao se desenvolver nestas habilidades e estando apto no quesito básico da pilotagem, o aluno deve progredir para alcançar as demais competências, ingressando assim no treinamento intermediário.

3.3.2 Treinamento intermediário

A capacidade de trabalhar em conjunto, é um requisito essencial para um piloto. Para Dutra, (2014), a gestão de pessoas tem como preocupação, o desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais no âmbito individual, de grupo e organizacional.

Desta forma, na segunda fase da formação, segundo a IFALPA, (2012), o aluno deve migrar para um ambiente de dois pilotos que engloba tanto voos com base em referências visuais, como a utilização somente dos instrumentos da aeronave para manutenção do voo.

Isso traz uma exposição precoce ao conceito de operações com mais de um tripulante, desenvolvendo as habilidades de liderança e trabalho em equipe, e comunicação. Tendo assim, a habilidade básica de pilotar, trabalhar em equipe, se comunicar, dentre outros, um outro ponto deve ser trabalhado no aluno. Seguindo a tendência cada vez mais real, a automação embarcada nas aeronaves não pode deixar de ser levada em consideração em sua formação, sendo esta tratada no treinamento avançado.

3.3.3 Treinamento avançado

Na fase final do treinamento básico de voo, chamada pela IFALPA, (2012), de conceito do terceiro piloto, deve ser introduzida o uso do piloto automático, que é um

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elemento central nas operações de voo atuais. A capacidade de assimilar e maximizar o uso de tecnologias de automação é, portanto, um elemento vital a ser desenvolvido na fase de inicial da formação do aluno.

Apesar da facilidade advinda do recurso da automação, o gerenciamento da mesma, requer o desenvolvimento das competências de gerenciamento da carga de trabalho, e principalmente consciência situacional. Para Chiavenato, (2003, p.462), “A tecnologia de produção baseada no computador está fazendo com que os operários tenham de ser mais qualificados e capacitados para lidar com dados”, desta forma, na aviação o uso da automação também requer melhor qualificação na interpretação das informações, por parte dos pilotos.

Outros recursos ainda podem contribuir para o desenvolvimento dos fatores humanos durante o treinamento básico de um piloto da aviação civil, desta forma, treinamentos adicionais, devem ser incluídos, a fim de aprimorar o desenvolvimento do aluno. 3.3.4 Treinamento adicional

Além das disciplinas tradicionais abordadas, temas como Sistema de Gestão de Segurança Operacional, questões médicas, sistema de controle de tráfego aéreo e história da aviação também devem ser ensinados.

Para Dutra, (2014, p.42), treinamento, “é um processo de assimilação cultural em curto prazo que objetiva repassar ou atualizar conhecimento, habilidade ou atitudes relacionadas diretamente à execução de tarefas ou à sua otimização no trabalho.”

Desta forma, outros cursos não técnicos, como Corporate Resource Management (CRM), que trabalha o desenvolvimento do comportamento no trabalho coletivo, gestão de ameaças e erro (TEM), que desenvolve a habilidade de tomada de decisão, e uma variedade de outros cursos pertinentes, criarão uma visão holística no aluno, que certamente desenvolverá suas habilidades e comportamentos, com base na ampliação de seu conhecimento.

Este roteiro de treinamento deve ser agregado ao Treinamento Baseado em Evidências (EBT), a fim de buscar de forma clara, a aplicabilidade dos conteúdos aprendidos em cada aula.

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A ICAO, (2013), define que o objetivo deste tipo de treinamento, é desenvolver e avaliar as competências identificadas necessárias para operar de forma segura, eficaz e eficiente em um ambiente de aéreo, e abordar as ameaças mais relevantes de acordo com dados recolhidos em acidentes, incidentes, operações de voo e treinamento.

Embora já utilizado no treinamento de tripulantes da aviação comercial de transporte regular de passageiros, este conceito aplicado na formação básica de um piloto, desenvolve suas habilidades, independente da área da aviação que o mesmo pretenda atuar, ainda que de forma privada ou desportiva, pois o cenário, como meteorologia, falhas de sistemas, regras de navegação aérea, dentre outros aos quais um piloto deve estar preparado, será o mesmo para todas as áreas da aviação.

O Treinamento baseado em evidências (EBT), segundo a ICAO, (2013), é uma estrutura completa de competências com seus indicadores comportamentais relacionados, abrangendo as habilidades técnicas e não técnicas, conhecimentos e atitudes para uma operação com segurança.

O método do EBT, consiste na diferenciação da forma de avaliação em relação aos métodos atuais baseados apenas em manobras, trazendo a aplicação prática do conteúdo de cada aula, a fim de relacionar o novo conteúdo aprendido à realidade do cenário da operação aérea. Este método é equivalente ao de “aprendizagem experimental”, cuja definição é dada por Chiavenato, (2003, p.382), de um método onde:

Os participantes aprendem pela experiência no ambiente de treinamento os tipos de problemas com que se defrontam no trabalho. Os participantes discutem e analisam sua própria experiência imediata e aprendem com ela. Essa abordagem produz mais mudança de comportamento do que a tradicional leitura e discussão de casos, na qual as pessoas falam sobre ideias e conceitos abstratos. A teoria é necessária e desejável, mas o teste final está na situação real.

No EBT, as avaliações são feitas baseadas na verificação da existência dos oito fatores humanos ou competências mínimas que um piloto deve possuir. Estes fatores humanos ou competências, são definidos pela ICAO, (2013 [nossa tradução]) da seguinte forma:

- Aplicação de Procedimentos; - Comunicação;

- Gerenciamento do voo manual; - Gerenciamento do voo automático; - Liderança e trabalho em equipe;

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- Consciência Situacional; e

- Gerenciamento da carga de trabalho.

A criação do plano de aulas, deve levar em consideração, a aplicação dos fatores

humanos relacionados acima, e antes de cada aula, o aluno deve receber um resumo da mesma, que deve conter pelo menos os seguintes elementos:

- Conteúdo da aula;

- O padrão mínimo exigido em cada uma das competências; - Como melhorar as habilidades de voo; e

- Como aumentar a capacidade de prevenir, mitigar e gerir ameaças e erros mais relevantes.

A estrutura de cada aula, deve ser composta da seguinte forma:

- Fase de avaliação, onde o instrutor identifica as habilidades técnicas e não técnicas que são prés requisitos para a aula pretendida. Nesta fase, o instrutor faz pequenas ou nenhuma incursão, deixando o aluno mostrar suas próprias habilidades.

- Fase de treinamento de manobras, onde a função desta, é praticar e desenvolver as habilidades de manuseio necessárias para voar manobras críticas de voo, a fim de que eles sejam mantidos a um nível definido de proficiência, de acordo com predeterminados critérios de desempenho estabelecidos. Nesta fase, o instrutor deve se comportar como um instrutor ativo, utilizando as oportunidades de aprendizagem, garantindo que o desejado nível de competência seja alcançado.

- Fase fase de treinamento baseado em cenário, cuja função é desenvolver, reter e praticar as competências para gestão eficaz de ameaças e erros para melhorar a capacidade dos tripulantes para lidar com situações previsíveis e imprevisíveis. O foco da fase de treinamento baseado em cenário é desenvolver a capacidade da tripulação de voo para gerenciar relevantes ameaças e erros. Em contraste com a fase de avaliação, o instrutor deve intervir ou interromper onde for necessário, a fim de permitir o desenvolvimento da competência da tripulação ou melhorar a experiência de aprendizagem. Esta formação deve ser composta de cenários de vôo orientadas para a realidade e aplicação dos conceitos adquiridos na fase de treinamento de manobras.

- Fase de avaliação, onde será avaliada cada competência, determinada a eficácia do sistema de treinamento para aquele aluno, e indicar a necessidade de formação diferenciada ou não. Após a conclusão da avaliação desta fase quaisquer áreas que não cumpram o padrão mínimo de competência necessário, vai se tornar foco de um treinamento

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posterior.

Após cada aula, um debriefing, deve ser realizado com o aluno, tendo como objetivo a compreensão clara do seu desempenho, particularmente quais áreas podem ser melhoradas.

O debriefing deve começar com uma declaração do resultado, de modo que o aluno saiba imediatamente se o módulo foi concluída com êxito, ou se o treinamento adicional é necessária. Quando apropriado, e uma vez que o resultado foi anunciado o debriefing deve ser uma discussão onde o aluno deve ser encorajado a criticar a si mesmo. O instrutor deve fornecer feedback para incentivar as mudanças necessárias e também para fornecer recomendações específicas para melhorar o desempenho das habilidades.

A pontuação para cada competência neste método, segundo a ICAO, (2013 [nossa tradução]), segue uma escala de 1 a 5, conforme a seguir, sendo o mínimo aceitável para prosseguimento do treinamento, a nota 2:

- Nota 1: O piloto não apresenta a competência, raramente demonstra qualquer um dos indicadores de comportamento adequado, resultando em uma operação insegura.

- Nota 2: O piloto apresenta a competência no nível mínimo aceitável, ocasionalmente demonstra alguns dos indicadores de comportamento, porém no geral não resulta em uma situação insegura.

- Nota 3: O piloto apresenta a competência de forma adequada, regularmente demonstra a maioria dos indicadores de comportamento, resultando em uma situação segura.

- Nota 4: O piloto apresenta a competência de forma eficaz, regularmente demonstra todos os indicadores de comportamento, aumentando a segurança.

- Nota 5: O piloto apresenta a competência de forma exemplar, sempre demonstra todos os indicadores de comportamento, aumentando a eficiência e a eficácia da segurança.

Segundo a IFALPA, (2012), essa metodologia já vem sendo utilizada com bons resultados em várias empresas aéreas de transporte regular de passageiros ao redor do mundo, sendo seu sucesso dependente da participação ativa dos instrutores e dos alunos, através de um sólido conhecimento das competências e dos indicadores de comportamento por todos.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa, teve como objetivo analisar e importância dos fatores humanos exigidos durante a formação básica do piloto em uma escola de aviação civil, pois os mesmos são reais e estão presentes em todos seres humanos. Esta pesquisa, também ressaltou, que ainda que desenvolvidas nossas habilidades, estes fatores têm influência direta em nosso comportamento e nossas respostas aos estímulos recebidos. Empresas aéreas ao redor do mundo, já implementaram o treinamento voltado aos fatores humanos, uma vez que os

mesmos são apontados como geradores de vários acidentes na atividade aérea.

Os fatores humanos à serem observados e desenvolvidos durante a formação do piloto da aviação civil, foram e ainda estão sendo definidos por estudos e pesquisas de associações de pilotos e organizações do setor, como IATA, ICAO, IFALPA, através de documentos como o Doc 9995 da ICAO (2013[nossa tradução]), que relaciona como fatores humanos mínimos à serem observados e desenvolvidos durante o treinamento, a comunicação, a liderança e trabalho em equipe, a solução de problemas e tomada de decisão, o gerenciamento da carga de trabalho, a consciência situacional e a aplicação de procedimentos.

No Brasil, a regulamentação existente para o treinamento inicial do piloto, aplicada pelas escolas de aviação civil, ainda está desatualizada, utilizando-se de técnicas antigas, que não consideram em profundidade o assunto de fatores humanos, baseando-se primordialmente no desenvolvimento das habilidades técnicas do piloto.

As escolas de aviação civil, são o elo entre o aluno e o desenvolvimento de suas habilidades para exercício da atividade aérea. É de fundamental importância, a participação destas no desenvolvimento dos fatores humanos de seus alunos, cabendo ao gestor do treinamento de cada escola de aviação civil, implementar metodologias e estratégias para desenvolver habilidades que minimizem os efeitos negativos da presença dos fatores humanos na vida de um piloto ainda no início de sua formação, desenvolvendo assim de forma correta as habilidades técnicas e não técnicas necessárias.

Metodologias, como as do Treinamento Baseado em Competências (CBT) e do Treinamento Baseado em Evidências (EBT), que já são aplicadas na aviação comercial de transporte regular de carga e passageiros, se forem também aplicadas já na formação inicial de um piloto da aviação civil, além de preparar melhor o mesmo para carreira profissional, também atinge os pilotos iniciais de outras áreas da aviação, que terão suas habilidades técnicas e não técnicas igualmente desenvolvidas, contribuindo para o aumento da segurança

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das operações aéreas, uma vez que o espaço aéreo dividido entre as várias modalidades da aviação, é o mesmo.

Novas pesquisas ainda podem e devem ser realizadas pelos gestores de treinamento em escolas de aviação civil, buscando identificar os fatores humanos que influenciam no desenvolvimento de seus alunos, considerando a melhor forma de aproveitar as metodologias existentes também para outros setores, inclusive da aviação, em seus programas de treinamento, a fim de construir em seus alunos, uma base sólida para o desenvolvimento de toda a carreira e atividade aérea.

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