JENNIFER FERNANDES GIASSI
INTERCÂMBIO BRASIL-ARGENTINA: AS BARREIRAS COMERCIAIS APLICADAS SOBRE AS IMPORTAÇÕES ARGENTINAS DURANTE O GOVERNO
DE CRISTINA KIRCHNER (2007-2011)
Florianópolis 2012
INTERCÂMBIO BRASIL-ARGENTINA: AS BARREIRAS COMERCIAIS APLICADAS SOBRE AS IMPORTAÇÕES ARGENTINAS DURANTE O GOVERNO
DE CRISTINA KIRCHNER (2007-2011)
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de graduação em Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de bacharel.
Orientador: Prof.ª Kátia Regina de Macedo, Msc.
Florianópolis 2012
JENNIFER FERNANDES GIASSI
INTERCÂMBIO BRASIL-ARGENTINA: AS BARREIRAS COMERCIAIS APLICADAS SOBRE AS IMPORTAÇÕES ARGENTINAS DURANTE O GOVERNO
DE CRISTINA KIRCHNER (2007-2011)
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e aprovado em sua forma final pelo Curso de Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, 20 de Novembro de 2012.
________________________________________ Prof. Kátia Regina de Macedo, Msc.
Universidade do Sul de Santa Catarina
________________________________________ Prof. José R. Tavares, abreviatura da titulação
Universidade do Sul de Santa Catarina
________________________________________ Prof. Sílvia N. Back, abreviatura da titulação
AGRADECIMENTOS
Quero agradecer a todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente na conclusão dessa grande etapa acadêmica e de uma realização pessoal.
A Deus, pois nada em minha vida seria possível sem a fé que Nele possuo.
A minha orientadora, Profª Kátia Regina de Macedo, por ter aceitado o desafio de ajudar no desenvolvimento deste trabalho, ajudando a concretizar mais uma fase de minha vida.
A todos os professores do curso de Relações Internacionais, os quais fizeram parte desses quatro anos, e que contribuíram na construção da minha vida acadêmica e alguns em especial que tornaram essa vitória ainda mais doce.
A minha mãe, Marilcéia Fernandes, pelo apoio, confiança e amor incondicionais demonstrados durante toda a minha existência e que ajudou a fomentar o desejo da busca pela realização de todos os meus sonhos.
A minha irmã, Paula Fernandes, que caminhou comigo nessa jornada, me ensinando a amar, a ter paciência, a compreender as diferenças e a ser uma irmã mais velha.
Ao meu companheiro, Luis Fernando Segala Pereira, que divido essa conquista, pois sempre esteve ao meu lado, demonstrando incansável paciência, apoio, carinho e dedicação, nutrindo minha vida de conquistas.
As minhas queridas amigas que guardarei pra sempre no coração, Gessika Caldeira Stiefelmann, Maria Eduarda Pereira Bizzotto, Taís Fernanda Faria, Vanessa Jenifer Rossi e Julie Anne Proêncio, as quais foram companheiras – pois trilharam junto comigo sem jamais me deixar para trás; psicólogas – pelos conselhos e ajuda nas horas mais complicadas; e amigas, que a qualquer momento se dispunham a ajudar.
A família Fernandes e a família Deluca Borges, a segunda por ter me adotado e me tratado como família, minha gratidão eterna a vocês, e ambas pelo amor e apoio durante toda a minha vida.
Ao Heitor Oprendino Borges e a Clarissa Fernandes Borges, com os quais não poderei compartilhar essa alegria, mas sei que onde quer que se encontram, estarão me prestigiando nessa mais nova conquista e nas que virão. Não consigo expressar em palavras o amor e a saudade que sinto. Muito obrigada!
“Do all the good you can, in all the ways you can, to all the souls you can, in every place you can, at all the times you can, with all the zeal you can, as long as you ever can.” (John Wesley, 1703-1791).
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo geral analisar como as barreiras comerciais afetam o comércio entre Brasil e Argentina, a partir do governo de Cristina Fernández de Kirchner que compreende o período de 2007 e 2012. Para alcançar o objetivo geral, foram traçados três objetivos específicos, os quais seguem: (i) caracterizar a economia argentina no período entre 2007 e 2011; (ii) descrever as barreiras comerciais que o governo argentino impõe sobre o comércio internacional, inclusive as barreiras aplicadas no governo de Cristina Kirchner; e, (iii) apresentar a relação comercial entre Brasil e Argentina, assim como identificar os efeitos das medidas protecionistas do governo argentino sobre o intercâmbio entre os dois países. Para que fosse possível atingir os objetivos foi necessário realizar pesquisas em livros, artigos, periódicos, sites internacionais, brasileiros e argentinos que fossem pertinentes ao tema. Para fundamentar esta pesquisa foram utilizados como base a Economia Internacional, a Integração Econômica da América Latina e a Política Comercial. Ao longo da pesquisa, os impactos observados incluíram, entre outros, reduções nas exportações brasileiras para a Argentina em alguns setores, dificuldades e desafios para os importadores argentinos, a falta de insumos para o setor produtivo argentino. As medidas adotadas no governo de Cristina Kirchner percebidas na pesquisa incluíam as licenças não automáticas de importação, a Declaração Jurada Antecipada para Importação, as cotas de importação, o valor critério e a lista de exceção.
Palavras-chave: Barreiras Comerciais. Economia Argentina. Relação Comercial Brasil e Argentina.
ABSTRACT
The present study aims at analyzing how trade barriers affect trade between Brazil and Argentina, during the government of Cristina Fernández de Kirchner, between the years of 2007 and 2012. To achieve the overall goal, three specific objectives were outlined, which include: (i) characterize the Argentine economy in the period between 2007 and 2011, (ii) describe the trade barriers that the Argentine government imposes on international trade, including barriers applied during the government of Cristina Kirchner, and (iii) present the trade relationship between Brazil and Argentina, as well as identify the effects of the Argentine government's protectionist measures on the trade between the two countries. For it to be possible to achieve the objectives, it was necessary to conduct research in books, articles, periodicals, international Brazilian and Argentine websites that were relevant to the topic. As a base for this study, the following topics were researched: International Economics, the Latin American Economic Integration and Trade Policy. Throughout the research, the impacts observed included, among others, reductions in Brazilian exports to Argentina in some sectors, difficulties and challenges for the Argentine importers, lack of inputs for the productive sector of Argentina. The measures adopted in Cristina Kirchner’s government perceived in the research included the non-automatic import licenses, the Affidavit Advance Import, import quotas, the value criteria and the exception list.
Key words: Trade Barriers. Argentine Economy. Commercial Relationship Brazil and Argentina.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – PIB argentino entre os anos de 2007 e 2011 ... 43 Gráfico 2 - PIB per capita da Argentina entre os anos de 2007 e 2011 ... 44 Gráfico 3 - Taxa de desemprego argentino entre os anos de 2007 e 2011 ... 44 Gráfico 4 - Dívida externa total e pública da Argentina nos anos entre 2007 e 2011 45 Gráfico 5 - Inflação argentina nos anos entre 2007 e 2011 ... 47 Gráfico 6 - Taxa cambial em pesos por dólar entre os anos de 2007 e 2011 ... 48 Gráfico 7 - Dados do comércio exterior argentino entre os anos de 2007 e 2011 .... 49 Gráfico 8 – Destino das exportações argentinas em 2011 ... 50 Gráfico 9 - Origem das importações argentinas em 2011 ... 51 Gráfico 10 - Reservas internacionais argentinas entre os anos de 2007 e 2011 ... 52
LISTA DE QUADROS
Quadro 1- Efeitos de políticas comerciais alternativas ... 35
Quadro 2 - Principais produtos importados e exportados pela Argentina ... 51
Quadro 3– Principais indicadores econômicos da Argentina ... 53
Quadro 4 – Alíquotas para o imposto sobre o valor agregado adicional. ... 55
Quadro 5 – Alíquotas para o adiantamento de imposto de renda do importador. ... 56
Quadro 6 – Origem das importações argentinas ... 61
Quadro 7 – Destino das exportações argentinas ... 62
Quadro 8 – Produtos mais importados e exportados pela Argentina ... 63
LISTA DE SIGLAS
AFIP – Administración Federal de Ingresos Públicos ALADI – Associação Latino Americana de Integração ALALC – Associação Latino Americana de Livre Comércio AMO – Acordos de Marketing Bem-Ordenados
AVRE – Acordo Voluntário de Restrições às Exportações
BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BNT – Barreiras Não-Tarifárias
CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe CVDI – Certificado de Validação de Dados de Importadores DIAV – Direito de Importação Ad Valorem
DIEM – Direito de Importação Específicos Mínimos
DJAI – Declaração Juramentada Antecipada a Importação FMI – Fundo Monetário Internacional
FOB – Free on Board
GATT – General Agreement on Tariff and Trade (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio)
IDE – Investimento Direto Estrangeiro IVA – Imposto sobre Valor Agregado LA – Licenciamento Automático
LNA – Licença Não-Automática ou Licenciamento Não-Automático MERCOSUL – Mercado Comum do Sul
MSF – Medidas Sanitárias e Fitossanitárias OIC – Organização Internacional do Comércio OMC – Organização Mundial do Comércio
OPEP – Organização de Países Exportadores de Petróleo PICE – Programa de Integração e Cooperação Econômica TEC – Tarifa Externa Comum
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 12
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA ... 12
1.2 OBJETIVOS ... 13 1.2.1 Objetivo geral ... 14 1.2.2 Objetivos específicos ... 14 1.3 JUSTIFICATIVA ... 14 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 16 1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA ... 17 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 19 2.1 ECONOMIA INTERNACIONAL ... 19
2.2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA NA AMÉRICA LATINA ... 23
2.3 POLÍTICA COMERCIAL ... 29
2.3.1 Barreiras tarifárias ... 30
2.3.2 Outras formas de barreiras ... 32
2.3.3 Formas inaceitáveis de barreiras ... 36
2.3.4 Argumentos a favor do protecionismo ... 37
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ... 42
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ECONOMIA ARGENTINA ... 42
3.2 A POLÍTICA COMERCIAL DA ARGENTINA ... 54
3.2.1 Barreiras comerciais impostas durante o governo de Cristina Kirchner .. 58
3.3 IMPACTO DAS BARREIRAS ALFANDEGÁRIAS SOBRE O COMÉRCIO ENTRE BRASIL E ARGENTINA ... 60
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 69
REFERÊNCIAS ... 71
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho aborda assuntos relacionados ao curso de graduação de Relações Internacionais. O comércio internacional, juntamente com a economia internacional são assuntos que servem de fundamentação para a pesquisa.
Neste capítulo são apresentados, mais claramente, o tema e o problema escolhido, os objetivos que delimitarão a pesquisa, a razão pela qual o tema será abordado, a metodologia utilizada, e uma apresentação dos capítulos.
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA
O comércio internacional está cada vez mais presente nas relações entre os países, e estas fazem com que, cada vez mais, os países necessitem interagir uns com os outros para suprir a demanda de seus mercados. Com isso, vê-se a necessidade da criação de relações comerciais entre as nações. É possível encontrar, no dia-a-dia, vários exemplos da globalização, ou seja, pode-se vestir uma camiseta feita na Malásia, comprada em uma loja que possui matriz na Alemanha, com marca Italiana. Assim, o comércio internacional necessita de um mercado livre de barreiras. Para que sejam reduzidas essas barreiras, assim como outras controvérsias entre as relações comercias, e para que haja um estímulo ao comércio, criou-se a Organização Mundial do Comércio – OMC.
Existem várias formas de os países se relacionarem entre si. Além de acordos, os Estados podem buscar pela formação de uma integração econômica, ou seja, um bloco econômico. Este pode ser uma Zona de Livre Comércio, uma União Aduaneira, um Mercado Comum, uma União Econômica, ou, uma União de Integração Total. A integração é uma forma de minimizar os entraves que possam existir entre aqueles que possuem fronteiras próximas, ou entre aqueles que possuem maior relação. Exemplos dessas integrações econômicas incluem a União Europeia e o Mercado Comum do Sul – MERCOSUL.
Em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, o qual criava o MERCOSUL. A intenção era que em apenas quatro anos o bloco passaria de uma Zona de Livre Comércio para uma União Aduaneira. No ano de 1997, houve uma crise financeira originária da Ásia, mas que dois anos depois causou uma desvalorização do real, o que acabou por desequilibrar o câmbio no MERCOSUL. Se não bastasse, com a política adotada pelo governo argentino da época em manter uma paridade cambial peso-dólar, a Argentina não havia meios para enfrentar a dificuldade a qual sua economia encontrava-se (DRUMMOND, 2002).
Para os argentinos, a grande vilã de ter ocasionado a crise foi a desvalorização do real. A Argentina já apresentava inúmeros indícios de que sua economia não estava indo bem, no entanto, tentou prejudicar o Brasil impondo restrições às importações brasileiras (MAIA, 2007). Após passada a crise, com a formação do bloco econômico, os quais ambos os países estão inseridos, o volume do comércio entre os mesmos tem aumentado. (CARMO, 2012a).
Como forma de proteção da produção interna, os governos utilizam-se de mecanismos para dificultar a entrada de produtos de outros países. Esses mecanismos são conhecidos como as barreiras comerciais. Atualmente, o governo da Argentina vem dificultando cada vez mais o comércio com os países aplicando medidas protecionistas.
Assim sendo, esta pesquisa buscará responder: Como as barreiras comerciais impostas sobre as importações argentinas afetam o comércio entre o Brasil e a Argentina?
1.2 OBJETIVOS
Dentro desta etapa do projeto serão apresentados os objetivos que delimitarão os assuntos abordados pela pesquisa do presente trabalho.
1.2.1 Objetivo geral
O objetivo geral é analisar como as barreiras comerciais aplicadas sobre as importações argentinas afetam o comércio entre Brasil e Argentina, a partir do governo da Presidente Cristina Fernández de Kirchner (2007 – 2012).
1.2.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos do trabalho são:
− Caracterizar a economia Argentina a partir do governo da Presidente Cristina Fernández de Kirchner no período de 2007-2011;
− Descrever as barreiras protecionistas adotadas pelo governo da Argentina para as importações a partir de 2007;
− Identificar os impactos no volume de comércio entre Brasil e Argentina após a adoção das barreiras sobre as importações no governo da Presidente Cristina Fernández de Kirchner.
1.3 JUSTIFICATIVA
Após a apresentação dos objetivos que nortearam o escopo da pesquisa, o passo seguinte é a exposição da importância que o tema tem para o cenário pessoal, profissional e acadêmico.
Não há como negar a crescente relação comercial que os países vêm conquistando no mundo contemporâneo. A impossibilidade de viver apenas com aquilo que seu próprio país produz é muito contundente. Portanto, os Estados buscam por meios de suprir as necessidades do mercado através do comércio internacional, ou seja, importando e exportando mercadorias.
Com isso, a autora decidiu por um tema atual que seja relacionado com as áreas de seu interesse dentro do curso de Relações Internacionais, que incluem a Economia Internacional e o Comércio Exterior. Soma-se a isso, a vontade de aguçar seus conhecimentos enquanto às barreiras comercias e as influências que essas têm dentro da economia de um país, nesse caso o Brasil e a Argentina. Devido à importância de ter-se para a vida profissional um embasamento teórico juntamente com o prático, na área de Comércio Exterior, optou-se por focar nas barreiras comerciais.
No que diz respeito ao foco profissional, este Trabalho de Conclusão de Curso poderá servir como uma fonte de pesquisas para empresas exportadoras. Essas poderão utilizá-lo como uma forma de atualizar e ampliar seus conhecimentos, especialmente àquelas empresas que exportam para a Argentina. São apresentados no decorrer da pesquisa quais são as consequências das medidas adotadas pelo governo de Cristina Kirchner.
No que se refere à importância acadêmica, pode-se incluir o fato de que será uma forma de, em apenas um projeto de pesquisa, abordar inúmeras disciplinas ministradas durante o curso, unindo os vários conhecimentos adquiridos durante os quatro anos de estudos. É possível, portanto, encontrar o Comércio Exterior, a Economia Internacional, a Economia Brasileira, o Direito Internacional Econômico, entre outras. Com esse trabalho findado, será interessante para aqueles que buscam aprofundar seu conhecimento sobre o tema de uma forma mais concisa e atualizada – como exemplo os estudantes de Relações Internacionais, os profissionais da área, a universidade, as empresas – utilizá-lo como fonte de pesquisa.
Para que a pesquisa seja concluída, será necessário desenvolver uma visão crítica e um conhecimento analítico referente às influências que as decisões da Argentina tem sobre a economia do Brasil. O tema abordado será apresentado de forma mais clara para que aqueles que possuem interesse no assunto possam utilizá-lo para um aprofundamento futuro. Em seguida serão apresentados os métodos adotados para a realização da pesquisa.
1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa pode ser caracterizada por quatro classificações distintas, estas incluem: (i) a classificação quanto à natureza; (ii) a classificação quanto ao objetivo; (iii) classificação quanto ao procedimento; e, por fim, (iv) a classificação quanto à abordagem do tema.
Dentro da classificação quanto à natureza existe a pesquisa básica, a qual regerá o presente projeto. De acordo com Barros e Lehfeld (2000), a pesquisa básica consiste na necessidade de aprimorar os conhecimentos do pesquisador em relação a conhecer e compreender um determinado evento, sem a intenção de intervir ou modificá-lo. Nesse sentido, pela pesquisa não ter a intenção de transformar a realidade das economias argentina e brasileira, a pesquisa enquadra-se nesta classificação.
Em relação à classificação quanto aos objetivos, destaca-se a pesquisa exploratória. Silva (2010) escreve que este tipo de pesquisa tem o intuito de buscar conhecimento de um assunto que é pouco conhecido e explorado. Ao findar a pesquisa, o pesquisador possuirá conhecimento sobre o assunto suficiente para construir hipóteses. Este tipo de pesquisa, no entanto, dependerá, também, da pesquisa bibliográfica. Portanto, na classificação quanto aos procedimentos, será apresentado uma pesquisa bibliográfica e documental.
A pesquisa bibliográfica consiste na utilização de teorias publicadas em livros ou obras congêneres para explicar um determinado tema. Com isso, o investigador conseguirá o conhecimento suficiente para a realização da pesquisa a partir de visitas a bibliotecas, acervos virtuais, periódicos, etc. Assim, “o objeto da pesquisa bibliográfica, portanto, é o de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema, tornando-se um instrumento indispensável para qualquer tipo de pesquisa.” (KÖCHE, 2009, p.122). Já a pesquisa documental busca o conhecimento por meio de documentos que abordam ou estão relacionados ao assunto em questão. Estes documentos incluem tabelas e fontes estatísticas, ofícios, relatórios de empresas, etc. (MÁTTAR NETO, 2003).
Para a classificação da abordagem do problema, será utilizada a pesquisa qualitativa. Segundo Appolinário (2006), a pesquisa qualitativa não tem a intenção de interagir com o problema pesquisado, apenas busca pela compreensão dos dados. Appolinário (2006, p. 160) ainda aponta que busca-se “identificar categorias, padrões e relações entre os dados coletados, de forma a desvendar seu significado por meio de interpretação e da compreensão dos resultados com outras pesquisas e referenciais teóricos.”. Na pesquisa qualitativa, não se utiliza dados estatísticos como fundamento da pesquisa.
Findada a apresentação de como a pesquisa dos dados foram realizados, no seguinte capitulo é apresentado como que está estruturado o trabalho de conclusão de curso.
1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA
A estrutura da pesquisa apresenta o que é tratado em todos os capítulos do trabalho, descrevendo cada capítulo em si.
O primeiro capítulo é constituído pela introdução, a qual apresenta o tema tratado pelo trabalho de conclusão de curso. Além desta apresentação, são expostos os objetivos – geral e específico, a justificativa para a escolha do tema, os meios utilizados para a realização da pesquisa, e o presente subcapítulo.
O segundo capítulo é dedicado à fundamentação teórica, a qual trata dos temas pertinentes para a realização do trabalho. Neste capítulo são abordados a Economia Internacional, a Integração Econômica da América Latina e a Política Comercial.
O terceiro capítulo apresenta a pesquisa realizada para o trabalho, buscando responder a pergunta da pesquisa e atingir os objetivos. É apresentada uma breve caracterização econômica da Argentina no período de 2007 a 2011, assim como a apresentação das barreiras comerciais praticadas pelo governo argentino e, por fim, um breve histórico do comércio entre Brasil e Argentina e os impactos que as barreiras tem sobre esta relação.
Finalmente, o quarto capítulo apresenta as considerações finais. Neste capítulo é exposto um resumo dos resultados obtidos na pesquisa. Evidencia-se como o protecionismo do governo de Cristina Fernández de Kirchner no período de 2007 a 2011 influencia a relação comercial entre os mesmos.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo são apresentados os assuntos mais relevantes para a pesquisa do trabalho de conclusão de curso. Dentro do tema abordado foram escolhidos os seguintes tópicos: a Economia Internacional, a Integração Econômica na América Latina e a Política Comercial.
2.1 ECONOMIA INTERNACIONAL
Entende-se por economia internacional o conjunto de transações econômicas, que incluem comerciais e financeiras, ocorrentes entre um sujeito situado dentro de um país com outro sujeito em outro país. A economia internacional é de extrema importância para o cotidiano de todos, não mais se faz algo que não tenha passado pela economia internacional (BAUMANN et. al., 2004). Isso se dá pelo fato de que um país que não tem recursos suficientes para suprir toda demanda interna de sua economia, necessita buscar os produtos escassos em outros mercados, só assim supri sua necessidade interna. Para Carbaugh (2004, p. 3, grifo do autor), “o alto grau de interdependência econômica entre as economias da atualidade reflete a evolução histórica da ordem econômica e política mundial.”.
De acordo com Baumann (2004), a importância de interagir com outras economias vem aumentando gradualmente, consequência do crescimento da interação financeira em nível global como também do crescente fluxo de comércio internacional. O boom nas relações comerciais internacionais ocorreu com a liberalização das barreiras comerciais advinda das negociações no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT, que foi criado em 1947.
Ao perceber a necessidade de busca por outros mercados, houve um aumento da interdependência dos mesmos em escala mundial, o que seria a Globalização. Busca-se por um mercado global, onde o comércio seja livre, sem obstáculos ou barreiras. Com a globalização, consegue-se suprir mais rapidamente e, mais facilmente, as necessidades internas com produtos externos (MAIA, 2007).
Segundo Baumann et al. (2004), existem dois tipos específicos de Globalização, a Globalização Financeira, e a Globalização Produtiva.
A globalização financeira pode ser entendida como a interação de três processos distintos ao longo dos últimos vinte anos: a expansão extraordinária dos fluxos financeiros internacionais, o acirramento da concorrência nos mercados internacionais de capitais e a maior integração entre os sistemas financeiros nacionais [...] (BAUMANN et al., 2004, p.221). A globalização produtiva envolve também a interação de três processos distintos, a saber, o avanço do processo de internacionalização da produção, o acirramento da concorrência internacional e a maior integração entre as estruturas produtivas das economias nacionais (BAUMANN et al., 2004, p.226).
A diferença entre as duas definições de globalizações apresentadas por Baumann et al. (2004) seriam os seus focos de estudo. A globalização financeira refere-se ao estudo de investimentos, como o investimento direto estrangeiro – IDE1. Já a globalização produtiva diz respeito ao comércio de produtos e sua forma de ser realizada, desde o know-how, as patentes, até a sua produção propriamente dita.
Com as Revoluções Industriais dos séculos XVIII e XIX, os países criaram uma necessidade que antes não possuíam, a de produção em alta escala, com baixo custo e com menos desperdício de tempo. Com isso, também surgiram muitas descobertas e invenções que tornaram tudo mais facilitado, melhorando a comunicação, transporte e meios de produção (CARBAUGH, 2004).
David Ricardo, no ano de 1871, desenvolveu a Teoria das Vantagens Comparativas. Esse princípio apresenta que um país deve se especializar naquilo que ele apresenta mais vantagem absoluta, ou seja, naquilo que a produção é mais eficiente. Em alguns casos, um país pode ser eficiente na produção de vários produtos, no entanto, é mais vantajoso especializar-se em alguns produtos, aqueles que apresentem o menor custo em comparação com os demais, e importar aquilo que não é tão eficiente. Assim, quando dois países distintos se especializam em produtos diferentes, mesmo que ambos sejam eficientes na produção dos dois artigos, um pode ter um custo menor ao produzi-lo e o outro um custo maior para a produção do mesmo item, sendo mais válido realizar a importação. Cria-se, portanto,
1 Segundo Brasil (2012e), “os investimentos estrangeiros podem ser efetuados sob a forma de investimentos diretos ou de investimentos em carteira. O investimento direto é constituído quando o investidor detém 10% ou mais das ações ordinárias ou do direito a voto numa empresa; e considera-se como investimento em carteira quando ele for inferior a 10%.”.
a oportunidade de um exportar para o outro, havendo um comércio internacional entre os mesmos (CARBAUGH, 2004).
O comércio internacional refere-se à troca de bens ou serviços de um país para outro. Isso se dá pelo fato já citado, de que nenhum país consegue produzir e oferecer todos os diferentes tipos de produtos. Seja por motivos naturais, como solo infértil ou clima inapropriado, seja pela falta de matéria-prima ou pela falta de recursos tecnológicos (RATTI, 1997).
Em 1944, em Bretton Woods, tentou-se criar uma nova ordem econômica mundial, buscando pela criação de três instituições, o Fundo Monetário Internacional – FMI, o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD e a Organização Internacional do Comércio – OIC. O FMI e o BIRD foram consolidados um ano depois, no entanto os Estados Unidos da América recusaram-se em ratificar a Carta de Havana. Essa recusa ocorreu, pois os EUA sentiram que a consolidação da OIC iria restringir a sua soberania no comércio internacional, já que o país que mais estimava pela constituição de órgão reguladores do comércio não assinou a Carta, os demais países sentiram-se desestimulados a assinar. Como a OIC iria ter como função regulamentar as relações comerciais internacionais, os países depararam-se com a necessidade de assinar um acordo que possuísse tal função, foi então que, em 1947, surgiu o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT. O GATT tem como característica ser um acordo provisório e se restringe às negociações de tarifas e regras de comércio. Após oito rodadas de negociações, na Rodada Uruguai, que teve início em 1986 e findada em 1994, criou-se a Organização Mundial do Comércio – OMC. A criação desta não extinguiu o GATT, apenas o complementou no sentido de que o GATT continua regendo o comércio de bens, já a OMC veio para regulamentar, também, o comércio de serviços e propriedade intelectual (THORSTENSEN, 2001).
Um fator determinante para a criação da OMC foi o de que o cenário internacional estava sofrendo mudanças, com o fim da Guerra Fria, o mundo foi passando de um modelo bipolar, sob o comando dos Estados Unidos da América e da União Soviética, para um modelo multipolar. Antes, os Estados Unidos ditavam as regras do comércio, mas com a diluição do seu poder para vários polos diferentes
encontrou-se a necessidade da criação de uma organização que servisse de árbitro para a resolução dos conflitos comerciais (THORSTENSEN, 2001).
Além de servir como árbitro internacional, a OMC tem por objetivo assegurar que o comércio seja realizado livremente, sem causar efeitos negativos aos negociantes, nem a terceiros. É necessário que os países integrantes apoiem o desempenho dos países menos desenvolvidos para que os mesmos consigam consolidar um espaço dentro do comércio internacional, havendo, portanto, um desenvolvimento econômico. As partes negociantes precisam primar pela diminuição de obstáculos nas relações comercias juntamente com o não tratamento discriminatório. Assim, quando há negociações entre os membros da OMC, é necessário seguir os princípios da organização, que além de primar pelo desenvolvimento sustentável dentro do comércio internacional, busca pela proteção do meio ambiente, assegurando um maior desenvolvimento econômico para os países (THORSTENSEN, 2001).
Tendo em vista os objetivos, a organização tem como função servir como foro de negociações onde os países-membros possam ir para negociar problemas comerciais entre eles e as barreiras comerciais existentes. Outra função inclui a resolução de problemas comerciais, na qual a OMC interpreta os acordos comerciais realizados entre os países para que não haja de forma alguma um favorecimento para uma das partes. A OMC também administra e aplica os acordos comerciais, já que a organização é formada por um conjunto de acordos negociados e firmados pelos Estados-membros, além de examinar e supervisionar as políticas comerciais visando pelo cumprimento dos acordos estabelecidos (SILVEIRA, 2007).
Os princípios da OMC incluem o comércio mais que livre, a não-discriminação e a previsibilidade. O comércio mais que livre significa que se deve buscar por não implantar barreiras ao comércio, assim a organização determinou em uma lista de produtos as tarifas máximas que podem ser aplicadas. A não-discriminação possui duas divisões, (i) a nação mais favorecida – onde os membros tem que conceder o mesmo tratamento para todos os demais membros, não podendo favorecer uma nação em particular; e (ii) o tratamento nacional – deve ser concedido o mesmo tratamento para produtos nacionais e seus equivalentes importados. A previsibilidade é dividida em transparência e consolidação de tarifas,
onde a primeira refere-se à necessidade de as normas comerciais serem claras e públicas, com divulgações das políticas e práticas; a segunda refere-se à permissão para a utilização de tarifas como barreira comercial, sendo esta a única forma legalmente permitida (SILVEIRA, 2007).
O que era para ser regra virou exceção. O livre comércio deixa de ser livre quando se impõe barreiras para que sejam dificultadas as transações entre os países. Esses entraves podem afetar negativamente as economias de terceiros países, e podem afetar as relações entre as nações referentes às preferências comerciais (BAUMANN et al., 2004).
Para que haja uma melhor relação entre os países, os mesmos passaram a assinar acordos comerciais onde são previsto benefícios para que o comércio entre eles seja realizado. Esses acordos podem transformar essa integração em blocos econômicos, como será apresentado no capítulo seguinte o exemplo da América Latina.
2.2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA NA AMÉRICA LATINA
Para fortalecer o comércio entre os países, e conseguir conquistar um maior mercado em dimensões mundiais, encontrou-se como solução unirem-se e formar um mercado regional. A formação desse mercado é o que se chama de Integração Econômica Regional (BAUMANN et al., 2004).
A criação de blocos tem o intuito de desenvolver os países os quais nele estão inseridos, pois eles proporcionam uma maior liberdade de comércio buscando pelo aproveitamento das vantagens comparativas. Para Carvalho e Silva (2007), as vantagens de fazer parte de um bloco incluem o maior aproveitamento das vantagens comparativas dos países envolvidos, a criação de economias de escala, a possibilidade de ofertar uma maior diversidade de produtos e a existência de maior concorrência intra-regional. Ao referir-se a um maior aproveitamento das vantagens, os autores explanam que um país especializa-se naquele produto que, para ele, possui o menor custo de produção. Quando em um bloco, no qual vigora o livre comércio cada país se especializa em um produto e os demais possuem a
possibilidade de importá-lo, sem que desencadeie uma concorrência dentro do bloco.
Em economia de escala, Carvalho e Silva (2007) explica que ao haver uma união aduaneira, cria-se um mercado maior, reduzindo os custos unitários de produção. Ao ingressar em uma União Aduaneira, o custo a ser desembolsado na aquisição de uma variedade de bens fica menor, podendo, assim, haver uma diversificação dos produtos. Então, a última vantagem destacada pelos autores é a maior concorrência intra-regional, o que significa que com a integração, há um aumento no mercado, causando uma maior concorrência entre os produtores, consequentemente há uma melhor alocação dos recursos o que baixa os preços para o consumidor final, diminuindo a formação de oligopólios e/ou monopólios.
Ratti (1997) apresenta cinco formas de integração econômica entre os países: (i) a Zona de Livre Comércio, a qual refere-se ao acordo entre países de não haver nenhuma barreira que impeça a negociação das mercadorias entre eles, limitando-se aos países acordantes, portanto, se um terceiro país quiser negociar mas não está na Zona de Livre Comércio, os acordantes podem impor barreiras, e os mesmos podem possuir políticas comerciais distintas, não aplicando as mesmas barreiras; (ii) a União Aduaneira, além de não possuir entraves entre as negociações, os países da união adotam uma mesma política comercial para os demais países, onde um país que não está dentro da união, ao fazer negócios com qualquer um dos membros da união, receberá o mesmo tratamento; (iii) o Mercado Comum, além de possuir as mesmas características do modelo anterior, as barreiras também são eliminadas dos fatores produtivos, como o trabalho e o capital; (iv) na União Econômica, as políticas econômicas nacionais devem estar o mais semelhante possível, sendo os entraves para mercadorias e fatores de produção expressamente abolidos; (v) e a Integração Econômica Total, a qual passa-se a adotar uma política monetária, fiscal e social comum, possuindo uma autoridade supranacional com poderes para a elaboração e aplicação dessas políticas, sendo necessária a aprovação de todos os Estados-Membros.
Na América Latina temos alguns exemplos desta integração, como o MERCOSUL. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL pretendia, desde 1949, criar um Mercado Comum Latino-Americano, pois, assim, um
mercado regional poderia diminuir a vulnerabilidade existente nas contas externas e desenvolveria a indústria daqueles inseridos no bloco. Na década de 60, surgiu uma tentativa fracassada para a criação de um mercado comum da América Latina, a Associação Latino Americana de Livre Comércio – ALALC. Para a substituição da ALALC, em 1980 com a assinatura do Tratado de Montevidéu foi criada a Associação Latino Americana de Integração – ALADI. A criação desta associação fez com que os países sentissem encorajados a firmarem acordos de integração (CÂMARA INTERNACIONAL DE COMÉRCIO DO CONE-SUL MERCOSUL, 2012).
A Declaração do Iguaçu, firmado em 1985, foi o marco na iniciação do processo de integração. Serviu como base da Ata para a Integração Brasil-Argentina no ano posterior, criando o Programa de Integração e Cooperação Econômica – PICE. Este programa objetivava proporcionar uma melhoria tecnológica, o que acarretaria numa maior eficiência na aplicação de recursos tanto para a economia brasileira quanto para a argentina (BRASIL, 2012b). A ata possuía alguns princípios, que mais tarde passaria a servir de base para o tratado que formaria o MERCOSUL. Esses princípios incluíam: a flexibilidade, podendo haver mudanças quanto aos objetivos e prazos; o gradualismo, buscando por avanços anuais; a simetria, para que os países integrantes adotassem as mesmas políticas especificas para não serem concorrentes; e o equilíbrio dinâmico, para que houvesse uma uniformização da integração setorial. Antes de assinar o Tratado de Assunção, em 1988, Brasil e Argentina assinaram o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, que buscava por uma Área de Livre Comércio com prazo determinado de dez anos. Apenas dois anos depois, com a Ata de Buenos Aires, o prazo foi reduzido para quatro anos e meio, pois visavam um mercado comum (CÂMARA INTERNACIONAL DE COMÉRCIO DO CONE-SUL MERCOSUL, 2012).
O Tratado de Assunção foi assinado no dia 26 de março de 1991, em Assunção, o qual constituía um mercado comum entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai2, o Mercado Comum do Sul – MERCOSUL. Entrou em vigor apenas no dia 29 de novembro de 1991 (RATTI, 1997). O MERCOSUL é caracterizado por inicialmente ter sido uma Zona de Livre Comércio entre seus países-membros, o que
2 Em 4 de julho de 2006 foi concedido à condições e prazos para a sua plena incorporação ao MERCOSUL com a aprovação do Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela (MERCOSUL, 2012).
significa que há um livre comércio de bens, serviços e fatores de produção através da eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias à circulação dos produtos. É caracterizado também pelo estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum – TEC, na qual é adotada uma mesma política comercial entre os países integrantes em relação aos países não integrantes do bloco, tornando o bloco uma União Aduaneira incompleta. Os países-membros precisam tornar as legislações coerentes com o que o mercado tem como princípios (CARVALHO; SILVA, 2007).
De acordo com Brasil (2012c):
Segundo as diretrizes estabelecidas, desde 1992, a TEC deve incentivar a competitividade dos Estados Partes e seus níveis tarifários devem contribuir para evitar a formação de oligopólios ou de reservas de mercado. Também foi acordado que a TEC deveria atender aos seguintes critérios: a) ter pequeno número de alíquotas; b) baixa dispersão; c) maior homogeneidade possível das taxas de promoção efetiva (exportações) e de proteção efetiva (importação); d) que o nível de agregação para o qual seriam definidas as alíquotas era de seis dígitos.
O MERCOSUL é considerado uma União Aduaneira, no entanto, pode-se dizer que ela ainda não atingiu completamente essa forma. Isso se dá pelo fato de que a TEC possui muitas exceções que são divulgadas na Lista de Exceções à TEC – LETEC. Esta lista tem caráter temporário, o qual possibilita o ajuste de no máximo 20% das tarifas designadas aos produtos os quais cada país integrante do bloco seleciona para incluir como exceção. As tarifas não podem passar de 35% e podem ser modificados a cada seis meses. A Argentina e o Brasil possuem listas com 100 produtos, no entanto Paraguai e Uruguai as listas são mais extensas, como pode ser visualizado com mais clareza no Anexo A (BRASIL, 2012d). Para Maia (2007, p.299), “como União Aduaneira o MERCOSUL está fracassado. A [...] TEC tem tantas exceções, que, simplesmente, não funciona.”. O autor defende a volta para a forma de apenas Zona de Livre Comércio, pois assim, o Brasil poderia ficar livre para fazer negociações comerciais, sem ter que depender do bloco.
A sede do MERCOSUL é em Montevidéu, no Uruguai, possuindo como órgãos de decisão o Conselho do Mercado Comum e o Grupo do Mercado Comum. O primeiro é constituído pelos ministros das Relações Exteriores e os ministros da Economia dos países membros. Desta forma, é o órgão superior, o qual detém o poder de tomar as decisões e conduzir as políticas para que seja assegurado o cumprimento dos prazos e metas determinados, para que o mercado comum seja
atingido. O segundo é coordenado pelos Ministérios das Relações Exteriores – os representantes dos Ministérios da Economia e dos Bancos Centrais. Este é um órgão executivo, o qual tem como finalidade assegurar o cumprimento do Tratado, executar as decisões impostas pelo Conselho, propor programas para que haja a aplicação do Programa de Liberação Comercial e para que sejam assegurados os avanços para estabelecer o MERCOSUL (CARVALHO; SILVA, 2007).
No MERCOSUL foi determinado entre os países que não seria aplicado às mercadorias fabricadas dentro do bloco econômico tarifas alfandegárias, visando atingir o objetivo de eliminação das mesmas. É considerada mercadoria fabricada no MERCOSUL aquela que utiliza apenas matéria prima advinda dos países do bloco. Outro caso é quando a matéria prima não originaria de um dos países-membros tenha valor equivalente a, no máximo, quarenta por cento (40%) do preço Free on Board – FOB de exportação. No entanto, para os demais países, foi estipulado a TEC, estabelecendo uma mesma tarifa a ser cobrada para mercadorias que venham de outros países, que não integram o MERCOSUL (MAIA, 2007).
Segundo Maia (2007), o MERCOSUL entrou em uma crise no ano de 1999. Uma das causas foi a maxidesvalorização do real. Essa desvalorização foi necessária para evitar um colapso cambial. Caso essa decisão não fosse tomada, o Brasil teria grandes chances de declarar moratória da dívida externa. Em duas semanas o dólar passou de R$1,21 para R$2,20, isso fez com que os produtos advindos do Brasil fossem mais competitivos dentro do bloco. A desvalorização do real fez com que as exportações argentinas fossem prejudicadas, pois as importações de produtos brasileiros passaram a ser mais viáveis, causando problemas na economia daquela.
Outro motivo que levou à crise foi a situação a qual a economia argentina se encontrava. Desde 1991, o sistema cambial argentino tornou o dólar e o peso equivalentes. Com essa paridade, os preços internos passaram a aumentar conforme a inflação, fazendo com que o custo das mercadorias argentinas ficasse muito caro no exterior, reduzindo as exportações. Então, o governo argentino criou restrições às importações brasileiras por meio de salvaguardas (MAIA, 2007). Salvaguardas são medidas temporárias que tem por objetivo proteger a indústria
nacional que esteja sofrendo ou que existam ameaças de prejuízos devido a um aumento repentino no volume importado (BRASIL, 2012c).
De acordo com Maia (2007), existe uma assimetria entre as economias dos membros do bloco, sendo as argentina e brasileira as mais influentes. Essa diferença ocorre devido a maior competitividade das indústrias brasileiras, pois o mercado interno brasileiro é maior que o argentino, permitindo uma produção em larga escala com custos reduzidos. No entanto, ao contrário do que os argentinos pensam, existem alguns aspectos da assimetria que são desfavoráveis ao Brasil. Como exemplos, as cargas tributárias, os juros básicos, taxa de câmbio desfavorável e o sistema educacional brasileiro são pior que o argentino. A falta de competitividade argentina possui alguns motivos, esses incluem o pouco investimento feito no setor produtivo, pois com a crise de 2001 muitas indústrias findaram suas atividades. Como uma forma de se defender, o governo argentino passou a dificultar o comércio com o Brasil, um exemplo que caracteriza essa fase foi a imposição de cotas de importação para produtos brasileiros.
Em contraste, Almeida (2012, p.50),
Em última instância, esse esforço de “corrigir assimetrias” se revela tão inútil, ou vão, quanto a essas tentativas de lutar contra os desafios da globalização, que estarão inevitavelmente presentes de uma maneira ou de outra, direta ou indiretamente no radar econômico de todos os agentes econômicos nacionais, independentemente de quão fechadas sejam as fronteiras. (ALMEIDA, 2012, p.50)
O autor acredita que as assimetrias estruturais são a base para que ocorra o comércio internacional. São apresentados como fatores, os quais desencadearam as dificuldades no progresso do MERCOSUL, os de origem nacional e os de origem estrutural. O primeiro refere-se à desestabilização nos processos comerciais do Brasil e da Argentina que acabam afetando os demais países, e o segundo diz respeito às lacunas encontradas na estrutura do Mercado Comum, que há uma necessidade de reformulação. Para as assimetrias, Paulo Roberto de Almeida cita que elas existem para todas as relações de interdependência, cita ainda que ela é necessária para que ocorra o comércio, os investimentos externos e o progresso dos povos, pois incitam as trocas, interdependência e prosperidade de todos os relacionados.
Por fim, Almeida (2012, p.52) aponta como fatores da crise do MERCOSUL incluem:
[...] incapacidade ou indisposição dos governos em empreenderem as tarefas mínimas associadas ao próprio processo de integração; em segundo lugar, pela falta de vontade ou de coragem política dos mesmos dirigentes em implantar os acordos, normas e decisões adotadas nas reuniões de cúpula do bloco, depois de solenemente, ou de forma ingênua em alguns casos, terem decidido avançar no processo por meio de medidas aceitas consensualmente; o que foi feito, supostamente, depois de um cuidadoso exame técnico sobre seu custo-benefício, ou seja, sobre os impactos e efeitos imediatos e delongados que tais medidas trariam para suas economias.
Mesmo com todos os problemas já citado, Maia (2007) apresentou como vantagem da criação e participação no bloco econômico MERCOSUL o aumento nas exportações de produtos brasileiros para os países integrantes.
No subcapítulo seguinte serão apresentadas as formas de barreiras ao comércio adotado pelos países.
2.3 POLÍTICA COMERCIAL
Após uma breve análise do porquê os países procuram se unir em blocos, é necessário considerar o que os países fazem para manterem-se competitivos em um mercado tão dinâmico, como é o mercado global.
As políticas comerciais são um conjunto de normas públicas sobre o comércio exterior que visam à proteção da produção doméstica dos Estados. Assim, como forma de proteção aos seus produtores nacionais, os países adotam essas políticas buscando, com maior frequência, a redução das importações, como também, incentivar as exportações. (CARVALHO; SILVA, 2007).
Os governos adotam este instrumento de proteção de diversas formas. As políticas comerciais podem incluir tarifas sobre alguma transação comercial internacional, subsídios, quotas, entre outras formas (KRUGMAN; OBSTFELD, 2001). Nos subcapítulos seguintes são apresentados com mais detalhamentos as diferentes maneiras de se implantar as políticas comercias, iniciando com as barreiras tarifárias e, em seguida, as demais formas.
Todas as formas de impedir o livre comércio implicam na estagnação do progresso de comércio entre os países, pois quando se detém o poder de mandar no mercado, seja por cotas de produção, seja por negociação de precificação, ou por ser único no mercado, não é necessário buscar por inovações ou melhorias, mantendo a qualidade sempre a mesma (MAIA, 2007).
2.3.1 Barreiras tarifárias
Geralmente o governo procura intervir com políticas comerciais para proteger o produtor interno dos concorrentes externos. Uma forma de impor uma política comercial seria utilizando a tributação. A tarifa é a forma mais antiga de se arrecadar fundos para o governo em forma de comércio. Atualmente, o maior objetivo das tarifas é a proteção do produtor doméstico, acarretando em um aumento no preço dos produtos importados.
As tarifas, ou imposto sobre importação, podem ser classificadas como específica, ad valorem, ou ainda das duas formas, conhecido como mista. A forma especifica é aquela que será cobrado um valor fixo por unidade importada, e Carbaugh (2004, p. 123) aponta,
Uma desvantagem relevante de uma tarifa específica é que o grau de proteção aos produtores locais varia inversamente com as alterações dos preços de importação. [...] Durante períodos de preços de importação em elevação, uma determinada tarifa específica perde uma parte de seu efeito protetor. O resultado consiste em incentivar as empresas locais a produzirem menos produtos caros para os quais é maior o grau de proteção contra as importações. Por outro lado, uma tarifa específica possuí a vantagem de proporcionar aos produtores locais mais proteção durante uma recessão nos negócios, quando produtos mais baratos são adquiridos. Como descrito acima, existem vantagens e desvantagens na aplicação de uma tarifa específica. Primeiramente, o autor apresenta a desvantagem, onde há uma variação inversamente proporcional da proteção ao produtor e a precificação. Isso significa que, em função de a tarifa ser fixa, ela buscará por desestimular as importações, no entanto, quanto menor for o valor por unidade, mais desestimulado o produtor estrangeiro será, portanto, o inverso também é verdadeiro, quanto maior o valor por unidade, mais estimulados serão a realizar a transação. Por fim, Caubaugh (2004) descreve uma vantagem, a qual refere-se à eficácia do imposto
quando ocorre uma recessão, pois assim os produtos são de menor valor, ocorrendo com que os produtores fiquem desencorajados a realizar o comércio em função das tarifas.
O imposto ad valorem é o mais utilizado, onde é calculado sobre parte do preço do produto. Carbaugh (2004, p.123-124) descreve que,
[...] uma tarifa ad valorem pode distinguir pequenas diferenças de qualidade no produto na medida em que se encontram refletidas no preço do produto. [...] Outra vantagem de uma tarifa ad valorem é que ela tende a manter um grau constante de proteção para os fabricantes locais durante períodos de alteração nos preços. [...] Uma tarifa ad valorem proporciona receitas tributárias proporcionais aos valores, mantendo um grau constante de proteção relativa a todos os níveis de preço. Uma tarifa ad valorem é similar a um imposto proporcional, pois o impacto ou proteção desse imposto não muda à medida que se altera a base de tributação.
Como vantagem para a utilização da tarifa ad valorem, o autor apontou que a tarifa distingue a qualidade do produto a ser importado, pois quanto maior o valor, maior o valor a ser pago referente ao imposto, além de manter a mesma proporção de proteção ao produtor interno quando há variação dos preços, diferente do que ocorre com a tarifa específica. A última vantagem apresentada significa que, o aumento do preço implica em um aumento do valor a ser pego, pois a porcentagem de imposto é mantida.
Já a tarifa mista é aquela que em um mesmo produto é empregado ao mesmo tempo tarifa específica e ad valorem. Segundo Carbaugh (2004), isso ocorre em sua maior parte em produtos industrializados que possuem componentes os quais são sujeitos a tarifas. O produto industrializado final recebe a tarifa ad valorem, enquanto as peças as quais o integram recebem o imposto específico.
A Tarifa Externa Comum – TEC é um exemplo de tarifa ad valorem, pois foi acordada pelos países integrantes do MERCOSUL uma taxação que varia de 0% a 20% sobre o preço dos produtos advindos de países não integrantes do bloco econômico, e adicionar a uma lista de exceções produtos que podem adquirir uma taxação de até 35% sobre seu valor (CARVALHO; SILVA, 2007).
2.3.2 Outras formas de barreiras
Existem outras formas de proteção ao produto interno. Neste subcapítulo serão apresentados, com breve descrição a respeito, alguns exemplos, os quais incluem os subsídios, cotas, licenças de importação – automática e não-automática, depósito prévio à importação, barreiras não-tarifárias – incluem medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas e acordo voluntário de restrição à exportação.
Maia (2007) apresenta os subsídios, que são ajudas em forma de pagamento, seja direto ou indireto, que o governo fornece para a produção de certos produtos a fim de torná-los mais competitivos em relação aos importados, com o intuito de aumentar as exportações e/ou diminuir as importações. Para Carvalho e Silva (2007), o subsídio é um meio de reduzir os custos que o produtor nacional possui. Entretanto, os fundos para o pagamento desses subsídios causam um saldo negativo para a sociedade, pois a mesma precisa pagar preços mais altos para a aquisição do produto enquanto, diferentemente da tarifa, o governo gera aumento nos gastos públicos, deixando de gerar receitas.
As cotas de importação referem-se às limitações que são dadas sobre o volume ou valor de produtos a serem importados. O volume e valor estipulados nas cotas representam, em geral, um nível inferior quando comparado às condições e quantidades exercidas em livre-comércio (CARBAUGH, 2004). Esta forma de barreira é considerada por Carbaugh (2004) uma forma mais restritiva que as tarifas. Para Carvalho e Silva (2007), as cotas são geralmente implantadas através de licenças de importar, as quais são apenas concedidas a um seleto grupo de indivíduos ou empresas.
Os países podem optar por dificultar a entrada de mercadorias adotando regras para obtenção de licenças de importação. Um governo passa a adotar tais licenças para restringir a importações através de cotas, controlar o volume e precificação das importações ou para fins meramente estatísticos. Essas licenças são partes de um processo administrativo onde é necessário a sua entrega como condição prévia para que ocorra efetivamente a importação. Existem duas formas distintas de licenciamento de importação: a Licença Automática – LA, e a licença não-automática – LNA. A LA ocorre quando é concedida a aprovação para todos os
pedidos, assim, não possui efeito de barreira comercial, sendo adotado apenas para fins estatísticos e de forma para controlar quantidades e preços. Em contrapartida, as LNA servem como uma forma de requerer uma autorização para que a importação ocorra de fato. Em princípio, essa forma de licenciamento não tem intenção de servir como barreira, no entanto, quando não ocorre o cumprimento de prazos para a liberação da importação torna-se, consequentemente, uma barreira burocrática (THORSTENSEN, 2001).
Além das LA e LNA, o governo pode impedir importação de produtos que possuem produção de similar nacional. Com essa proibição, os consumidores são obrigados a adquirirem o produto doméstico. Para que não haja uma proibição, o governo pode restringir as importações determinando que uma porcentagem mínima do produto final seja produzida em território nacional (CARVALHO; SILVA, 2007).
O Depósito Prévio à Importação é, também, uma forma de obstáculo ao livre comércio. Isso ocorre quando é necessário realizar um depósito do valor total ou parcial para o governo, mais especificamente, para o Banco Central, daquilo que será importado. Esse valor recolhido é detido pelo Banco por um tempo determinado, forçando, assim, um empréstimo ao governo. Somente após esse período conclui-se a importação (CARVALHO; SILVA, 2007).
As Barreiras Não-Tarifárias - BNT, para Carvalho e Silva (2007, p.73) refere-se a todas as barreiras que estão relacionadas “a regulamentos sanitários e de saúde, normas técnicas, padrões de segurança, dificuldades relativas à documentação, inspeção e outras práticas que podem dificultar ou mesmo impedir o comércio.”. Maia (2007) acrescenta ainda as licenças, as quais servem para que o governo controle a quantidade importada e exportada pelo país, assim, um órgão criado pelo próprio governo autoriza a importação daquilo que o mercado está necessitando, devendo também autorizar ou não a exportação. Já Carbaugh (2004) coloca mais três formas de barreiras, as políticas de aquisição do governo – onde o governo adquire apenas bens domésticos sendo restringido por lei; regulamentação social – a qual busca a correção de áreas como a saúde, ambiente e segurança; e, por fim, transporte marítimo e restrições ao frete – o que diz respeito a dificuldades que alguns países impõem na chegada da mercadoria ao porto, o que se pode incluir a consulta prévia do produto, negociação de horário de chegada ao porto,
armazéns pré-definidos, optar pela entrada de um determinado produto através de um só porto, etc.
Podem-se incluir às BNT as Medidas Sanitárias e Fitossanitárias - MSF. Essas medidas estabelecem os padrões exigidos pelos Estados quanto à produção, ao processamento e o consumo de alimentos, podendo às vezes, representar barreiras pela dificuldade em que certos países encontram em atingir essas exigências. As MSF podem estar descritas através de leis, regulamentos e decretos exigindo que o alimento seja processado de uma maneira específica, que seja embalado de uma forma diferente, que haja um tratamento de quarentena, etc. Essas medidas sevem para a proteção da vida e da saúde animal e vegetal dentro do território do Estado-membro. Com as MSF evita-se a propagação de doenças e pragas que possam contaminar os alimentos causando um mal-estar generalizado na população daquele país (THORSTENSEN, 2001).
Para que um país implante essas medidas, o GATT determina certas restrições, assim, evitando que esse meio de assegurar a vida e saúde humana, animal e vegetal seja utilizado para beneficiar a produção doméstica. Primeiramente é imprescindível que as MSF estejam baseadas em um estudo cientifico que possa justificá-la. É necessário aplicar as medidas para todos os Estados de forma igualitária, não sendo permitido buscar pelo favorecimento de um Estado específico prejudicando os demais (THORSTENSEN, 2001).
Assim como as MSF, as barreiras técnicas servem para que seja garantido um padrão de qualidade e segurança, assim promovendo a proteção à vida e saúde dos consumidores e do meio ambiente. Para que seja atingida essa finalidade de proteção, são estipulados normas técnicas e regulamentos que determinam os parâmetros aos quais os produtos devem estar inseridos. Essas normas passam a ser consideradas como barreiras quando são difíceis de serem atingidas, por serem muito estritos e acabam beneficiando um ou poucos produtores. Para que as normas técnicas não sejam consideradas barreiras, é necessário que o governo se baseie nos regulamentos e padrões internacionais (THORSTENSEN, 2001).
Uma forma que os países encontraram de proteger aqueles setores que se encontram ameaçados por causa das importações foi a criação de Acordos
Voluntários de Restrição às Exportações – AVRE (CARVALHO; SILVA, 2007). O AVRE é uma forma de cota de comércio, no entanto, ela é imposta pelo exportador, e não pelo importador, como visto anteriormente. Essa forma de barreira tem um custo muito maior para o importador, pois, diferente das tarifas que geram receitas, as restrições geram uma transferência de renda para os estrangeiros. Quando o AVRE envolve mais de dois países, sendo, portanto um acordo multilateral passa a ser representado por outra denominação: Acordos de Marketing Bem-Ordenados - AMO (KRUGMAN; OBSTFELD, 2001). Os AMOs tem por finalidade a moderação da dinâmica da concorrência internacional, assim, pequenos produtores tem a oportunidade de participar em mercados que normalmente seriam perdidos devidos a grandes produtores com produção superior e preço inferior. Portanto, o AVRE faz parte do AMO, onde a forma mais frequentemente utilizada de acordo de marketing bem-ordenado é a busca por cotas voluntárias, ou seja, os AVREs (CARBAUGH, 2004).
No Quadro 1, Krugman e Obstfeld (2001) optaram pelas quatro formas mais comum de barreiras ao comércio internacional: a tarifa, o subsídio, a cota e as restrições voluntárias às exportações.
Quadro 1- Efeitos de políticas comerciais alternativas
Tarifa exportações Subsídio às importação Cota de voluntárias às Restrições exportações
Excedente
do produtor Aumenta Aumenta Aumenta Aumenta
Excedente do
consumidor Diminui Diminui Diminui Diminui
Receitas do governo Aumentam Diminuem (gastos do governo aumentam) Não mudam (rendas para detentores de licenças) Não mudam (rendas para estrangeiros) Bem-estar econômico geral Ambíguo (diminui para países pequenos) Diminui Ambíguo (diminui para países pequenos) Diminui
É possível perceber que ao mesmo tempo em que todas as quatro barreiras buscam beneficiar os produtores, acabam prejudicando o consumidor em geral. A tarifa é a única forma em que o governo se beneficia, além do produtor, os subsídios implicam em aumento nos gastos públicos, e as cotas e as restrições voluntárias não há mudança alguma para o governo. Já para a nação como um todo, todas as formas são prejudiciais, menos para os países grandes. A tarifa e a cota, para países grandes, podem trazer o beneficio de redução de preços internacionais, diferentemente para países pequenos, que são prejudicados de todas as formas.
A seguir serão apresentadas as formas desleais de se dificultar o comércio internacional.
2.3.3 Formas inaceitáveis de barreiras
É possível perceber, com o decorrer da pesquisa, que o livre comércio cada vez mais deixa de existir. A OMC, como organização que regulamenta o comercio mundial, definiu algumas formas consideradas leais de se impor barreiras ao comércio. No entanto, existem formas que a OMC considera inaceitáveis de se realizar o comércio. Nesta seção serão apresentadas essas formas, como o monopólio, o oligopólio, o dumping, o trust e o cartel (MAIA, 2007).
Para Maia (2007), monopólios ocorrem quando há uma empresa em particular detentora da maior parte do mercado de um setor e assim, com o domínio do mercado, o país pode impor o preço que bem entender. Um exemplo atual de monopólio seria o do petróleo, onde a Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP tem quase domínio total do comércio de petróleo. Já os oligopólios referem-se ao fato de o mercado ser comandado por um número seleto de concorrentes, impedindo entrada de novas empresas. Para Carvalho e Silva (2007), existem também, os monopólios estatais, onde o governo determina que apenas uma empresa específica tenha o direito de fazer a exportação para seu país. Esta empresa necessariamente deve efetuar um pagamento e estando sob regras diferenciadas.
Os dumpings, que significam a venda do produto no mercado externo com preço abaixo do custo de produção, objetivam a eliminação da concorrência e, assim, monopolizar os mercados. Maia (2007) explica que para que haja a comprovação do ato de dumping é necessário classificar o país como uma economia de mercado – aquela em que há a livre concorrência, ou como economia sem livre concorrência. Para os países que são economias de mercado, basta fazer uma comparação do preço interno com o valor que está sendo comercializado. Já para os países que não são economias de mercado é necessário que a comparação seja realizada não entre o valor interno e o que está sendo negociado, mas sim uma comparação com o valor que outro país, que seja economia de mercado, está realizando o comércio.
Maia (2007) ainda cita o trust e o cartel como formas inaceitáveis de barreira, definindo o primeiro como a fusão de empresas em busca do monopólio, podendo, assim, precificar da forma que definir melhor, e o segundo como um acordo comercial entre as produtoras buscando manter um mesmo preço e determinando cotas de produção. A OPEP se enquadra no perfil de cartel, pois a Organização define uma cota de produção entre os associados e define um preço o qual se pode comercializar os barris de petróleo.
A utilização de qualquer das quatro formas citadas no decorrer deste subcapítulo faz com que o progresso seja rompido, pois quando não existe concorrência, não existe, a necessidade de busca por melhorias na qualidade do produto, muito menos a redução dos custos, que implicaria na redução dos preços (MAIA, 2007). Isso se dá pelo fato de que, com a não existência de concorrentes, os consumidores não possuem outra opção, sendo necessária a aquisição do produto da forma e preço o qual se encontram. Na sequência serão apresentados os argumentos a favor do protecionismo.
2.3.4 Argumentos a favor do protecionismo
A OMC e o GATT tem como princípio a busca por um comércio mundial livre, sem barreiras. No entanto, é possível destacar alguns benefícios que o protecionismo pode apresentar.