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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.457.090-6 DA 19ª VARA CÍVEL DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA

AGRAVANTE : ESPÓLIO DE CLAUDIO EDUARDO WUICIK

AGRAVADO : ESTADO DO PARANÁ

RELATORA : DES.ª IVANISE MARIA TRATZ MARTINS

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO JUDICIAL. DECISÃO PELA QUAL O JUÍZO DE ORIGEM INDEFERIU PEDIDO DE CONCESSÃO DE ISENÇÃO DE IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO (ITCMD), CONSIGNANDO QUE A QUESTÃO DEVE SER RESOLVIDA ADMINISTRATIVAMENTE, PERANTE ÓRGÃO COMPETENTE. INSURGÊNCIA DO ESPÓLIO. DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO COMPETENTE (ART. 179, CTN), BEM COMO COM A REGULAMENTAÇÃO ESTADUAL ACERCA DA MATÉRIA (ART. 3º, § ÚNICO DA INSTRUÇÃO SEFA ITCMD Nº 09/2010), MOSTRA-SE CORRETA A DECISÃO RECORRIDA. A COMPETÊNCIA PARA DELIBERAR SOBRE O PEDIDO DE ISENÇÃO DE ITCMD É DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, E NÃO DO JUÍZO EM QUE TRAMITA O INVENTÁRIO JUDICIAL. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Agravo

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Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, em que figuram como Agravante ESPÓLIO DE CLAUDIO EDUARDO WUICIK e como Agravado

ESTADO DO PARANÁ.

I – RELATÓRIO

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por ESPÓLIO DE CLAUDIO EDUARDO WUICIK em face de ESTADO DO PARANÁ, impugnando a decisão de f. 129 – TJ, proferida nos autos de Inventário nº 1960/2010, através da qual o Juízo de origem indeferiu o pedido de fs. 127/128 - TJ, para concessão de isenção quanto ao pagamento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) incidente na espécie, consignando que a questão deve ser resolvida administrativamente, perante

o órgão competente ao recebimento do tributo em questão.

Irresignado, o Agravante interpôs o presente recurso, alegando, em síntese, que os herdeiros do de cujus se encontram em

situação paupérrima, motivo pelo qual não possuem condição de arcar com

o pagamento do tributo. Afirma, ainda, que já esteve na Secretaria da

Fazenda para se inteirar dos procedimentos que deveria realizar para obter a isenção do ITCMD com relação ao único bem do espólio, todavia, lá na Secretaria da Fazenda lhe disseram que a isenção é somente para imóveis e que não abrange veículos. Diz, ainda, que corre a boca pequena que este tipo de servidor (delegado fazendário) nada decide e sabe responder apenas a palavra NÃO (f. 07). Requereu a concessão da antecipação dos

efeitos da tutela recursal e, no mérito, a reforma da decisão.

O recurso foi recebido através da decisão de fs. 134/138, oportunidade em que foi indeferido o pedido de antecipação da tutela recursal.

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A Agravada apresentou contrarrazões às fs. 143/149.

É o relatório.

II – FUNDAMENTAÇÃO

O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, comportando conhecimento.

No mérito, não merece provimento.

Conforme se extrai do instrumento formado pelo Agravante, restou indeferido, pelo Juízo de origem, pedido de isenção relativo ao ITCMD. Na decisão agravada constou como fundamento a necessidade de que a questão seja resolvida administrativamente, perante o órgão competente para o recebimento do tributo em questão.

Com efeito, mostra-se correta a deliberação do Juízo a

quo, estando de acordo com o previsto no Código Tributário Nacional.

Confira-se:

“Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão.”

A regulamentação estadual sobre o tema (INSTRUÇÃO SEFA ITCMD nº 09/2010, editada pelo Secretário de Estado da Fazenda do Paraná), transcrita pela própria parte Agravante em suas razões recursais, confirma a regra, nos seguintes termos:

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Art. 3º É dispensado o pagamento do imposto quando ocorrer (Lei n. 8.927/88, art. 4º):

I - a aquisição, por transmissão causa mortis, do imóvel destinado exclusivamente à moradia do cônjuge supérstite ou herdeiro, desde que outro não possua;

II - a aquisição, por transmissão causa mortis, de imóvel rural com área não superior a 25 (vinte e cinco) hectares, de cuja exploração do solo dependa o sustento da família do herdeiro ou do cônjuge supérstite a que tenha cabido por partilha, desde que outro não possua;

III - a doação de imóvel com o objetivo de implantar o programa de reforma agrária instituído pelo governo;

IV- a doação de aparelhos, móveis e utensílios de uso doméstico e de vestuário e sua transmissão causa mortis. V - a doação de bens imóveis para construção de moradia vinculada a programa de habitação popular ou para instalação de projeto industrial (Lei n. 10.064/72, art. 3º). Parágrafo único. As isenções tratadas no caput deste artigo serão requeridas ao Delegado Regional da Receita do Estado, cujo pedido será instruído com os seguintes requisitos:

a) na hipótese do inciso I, certidão negativa das circunscrições imobiliárias da respectiva comarca e comprovante da condição de cônjuge supérstite ou herdeiro; b) na hipótese do inciso II, cópia da declaração do imposto de renda e, estando dispensado, declaração de que não possui outra fonte de renda além daquela nominada no referido inciso, e certidão negativa do Registro de Imóveis;

c) na hipótese do inciso III, cópia do título emitido pelo órgão governamental responsável pela implantação do programa; d) na hipótese do inciso IV, declaração dos bens inventariados, podendo ficar dispensada, a critério da autoridade, a declaração nos casos de doação entre vivos. e) na hipótese do inciso V, cópia de documentos comprobatórios da doação e da existência do respectivo programa de habitação popular ou de instalação de projeto industrial.

Com efeito, conforme se observa da análise da normatização da matéria, a isenção perseguida pelo Agravante deve ser requerida ao Delegado Regional da Receita do Estado, não cabendo ao Juízo em que tramita o inventário deliberar a respeito. Nesse sentido:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO ARROLAMENTO PEDIDO DE IMEDIATA EXPEDIÇÃO DO FORMAL DE PARTILHA INDEFERIDO NECESSIDADE DE PRÉVIA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DEVIDOS ENTENDIMENTO DA FAZENDA

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PÚBLICA DE QUE A RENÚNCIA FEITA PELA FILHA EM FAVOR DA MEEIRA CARACTERIZOU VERDADEIRA DOAÇÃO E, POR ISSO, INCIDIRIA OITCMDPOR ATO INTER VIVOS INCONFORMISMO DA INVENTARIANTE, QUANTO À EXIGIBILIDADE DESSE TRIBUTO QUESTÃO QUE DEVE SER OBJETO DE DISCUSSÃO EM OUTRA VIA (ADMINISTRATIVA

OU JUDICIAL), QUE NÃO A DO INVENTÁRIO MANIFESTA

IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO RECURSAL, EM FACE DA JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ.

(TJPR – AI 869351-2 – Rel. Antonio Domingos Ramina Junior – 11ª CC – DJe 02/03/2012) (destaquei)

“AGRAVO DE INSTRUMENTO INVENTÁRIO ARROLAMENTO DETERMINAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO ITCMD SOB PENA DE EXTINÇÃO DO PROCESSO POR ABANDONO PEDIDO DE ISENÇÃO DO ITCMD PERANTE O FISCO NECESSÁRIO O SOBRESTAMENTO DO FEITO ATÉ QUE SEJA RESOLVIDA A QUESTÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA ORIENTAÇÃO DO STJ. RECURSO PROVIDO POR DECISÃO UNIPESSOAL DO RELATOR (ART. 557. §1º-A DO CPC)”

(TJPR – AI 882571-2 – 11ª VC – Rel. Gamaliel Seme Scaff – DJe 24/02/2012)

Ademais, apesar de o Agravante ter alegado que em contato com a Secretaria Estadual da Fazenda, teria sido informado que só seria concedida isenção para imóveis, não há no instrumento recursal qualquer prova do fato.

Ainda, mesmo na hipótese de se admitir a narrativa do Recorrente, quanto à negativa administrativa de seu pedido, seria necessário adotar o procedimento adequado para discutir a decisão, e não simplesmente deduzir pedido no âmbito do Juízo de inventário, o qual se mostra incompetente para deliberar sobre o tema.

Ainda, afirmar que corre a boca pequena, que este tipo

de servidor (delegado fazendário) nada decide e responde apenas a palavra NÃO (f. 07) não confere à argumentação a relevância necessária para a

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Desta forma, tendo em vista que o Agravante não demonstra ter promovido o procedimento legal adequado para a pleitear o benefício em questão, bem como não aponta justificativas razoáveis para tanto, tem-se que a decisão impugnada deve ser mantida, negando-se provimento ao pedido recursal.

III - VOTO

Diante do exposto, voto por conhecer e não prover o pedido, nos termos da fundamentação.

IV – DISPOSITIVO

ACORDAM os integrantes da Décima Segunda Câmara

Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em conhecer e não conceder provimento ao Recurso, nos termos do voto da Relatora.

O julgamento foi presidido pela Excelentíssima Desembargadora Joeci Machado Camargo, e dele participaram os Excelentíssima Desembargadora Denise Kruger Pereira e o Excelentíssimo Juiz Substituto em Segundo Grau Luciano Carrasco Falavinha Souza.

Curitiba, 2 de março de 2016.

DESª. IVANISE MARIA TRATZ MARTINS RELATORA

Referências

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