• Nenhum resultado encontrado

Stomatos ISSN: Universidade Luterana do Brasil Brasil

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Stomatos ISSN: Universidade Luterana do Brasil Brasil"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

Stomatos

ISSN: 1519-4442

[email protected]

Universidade Luterana do Brasil Brasil

Mascarenhas Barreiros de Oliveira, Marcus Marcel; Cerqueira, Arlei; Souza Freitas, Valéria; guiar de Freitas, Mirella

Prevalência de indivíduos portadores de doenças de base numa clínica de extensão em cirurgia bucal: estudo preliminar

Stomatos, vol. 12, núm. 22, janeiro-junho, 2006, pp. 35-41 Universidade Luterana do Brasil

Río Grande do Sul, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=85002207

Como citar este artigo Número completo Mais artigos

Home da revista no Redalyc

Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto

(2)

Prevalência de indivíduos portadores

de doenças de base numa clínica de

extensão em cirurgia bucal: estudo

preliminar

Prevalence of systemic disorders in patients submitted to oral surgery: preliminary study

RESUMO

O presente trabalho objetivou relatar, na forma de estudo preliminar, a prevalência de doenças de base e emergências clínicas num grupo de pacientes atendidos na clínica de Extensão em Cirurgia Bucal do Curso de Odontologia da Universidade Estadual de Feira de Santana, no período de outubro de 2004 a março de 2005. Foram obtidos, a partir de 192 prontuários, os dados biográficos, revisão dos sistemas, sinais vitais (pressão arterial, pulso e freqüência respiratória), exame físico locorregional, histórico de alergia, além de medicamentos utilizados pelos pacientes. Do total, 44 indivíduos (22,91%) apresentaram algum tipo de limitação sistêmica, sendo a mais prevalente a hipertensão arterial (16,15%), seguida por anemia (2,6%). A idade média foi de 32,6 ± 14,6 (9 – 76 anos), o sexo feminino apresentou uma maior prevalência das patologias sistêmicas. Devido à amostra reduzida, não se permitiu uma análise na associ-ação de faixa etária e sexo com histórico de alergias. Os pacientes que utilizavam medicamentos com maior freqüência (anti-hipertensivos, diuréticos e hipoglicemiantes) apresentavam idades avançadas e a maior parte era do sexo feminino. Este estudo pôde concluir que todos os pacientes, não somente os em idade Marcus Marcel Mascarenhas Barreiros de Oliveira Arlei Cerqueira Valéria Souza Freitas Mirella Aguiar de Freitas

______

Marcus Marcel Mascarenhas Barreiros de Oliveira é aluno de graduação do Curso de Odontologia da Universidade

Estadual de Feira de Santana – Bahia

Arlei Cerqueira é Doutor em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela Pontifícia Universidade Católica do Rio

Grande do Sul – Porto Alegre

Valéria Souza Freitas é Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Feira de Santana – Bahia Mirella Aguiar de Freitas é cirurgiã-dentista pela Universidade Estadual de Feira de Santana – Bahia

______

Endereço para correspondência: Marcus Marcel Mascarenhas Barreiros de Oliveira

Rua J, 143 – Conjunto Milton Gomes. Feira de Santana – Bahia. CEP 44031-580. Fone: (75) 3221.1399. E-mail: [email protected]

(3)

36

Stomatos

v.12, n.22, jan./jun. 2006 avançada, exigem atenção prévia ao tratamento odontológico de rotina a fim de prevenir eventos relacio-nados à incapacidade metabólica que culminem com situações de emergências clínicas.

Palavras-chave: história clínica, sinais e sintomas, odontologia.

ABSTRACT

The aim of this study was to report the prevalence of systemic disorders and clinical emergencies in patients submitted to oral surgery at the Clínica de Extensão, Universidade Estadual de Feira de Santana, from 2004 to 2005. A total of 192 medical records were retrospectively evaluated, data on systemic disorders, allergic reactions and use of drugs. This study showed that 44 people (22,91%) showed systemic disorders, the most frequent was hypertension (16,15%), followed by anemia (2,6%). The mean age of patients was 32,6 ± 14,6 (9 – 76 years ) and were significantly more prevalent among women. Because of few patients, we can’t analyze the relationship between the age, sex and allergic reactions. About use of drugs, the patients were elderly people and were more prevalent among women. This study can conclude that is essential to assess the patient’s general health condition prior to any dental treatment.

Key words: clinical history, signs and symptoms, dentistry.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, tem sido constatado um declínio nas taxas de natalidade e o avanço acelerado da medicina, interferindo na expectati-va de vida, com conseqüente aumento da popu-lação idosa. O reflexo disto é o aumento do nú-mero de pacientes portadores de doenças sistêmi-cas crônisistêmi-cas, como o diabetes e doenças cardio-vasculares, que procuram tratamento odontoló-gico, o que obriga o cirurgião-dentista a estar pre-parado para atender este grupo de pacientes de maneira correta e segura (PEACOCK, CARSON, 1995; SONIS et al., 1996; ANDRADE, 1999).

A partir da década de 60, as doenças cardi-ovasculares superaram as infecto-contagiosas como primeira causa de morte no país (BARROS et al., 1996). Em 2002, de acordo com dados que provêm do Sistema de Informação de Mortalida-de – SIM – do Ministério da SaúMortalida-de, provenientes de atestado de óbito, registraram-se aproxima-damente 982 mil óbitos no Brasil. Desse total, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por aproximadamente 30%, excluindo-se óbitos por causas não definidas e por violência, tal cifra apro-xima-se dos 40% (BRASIL, 2004).

A hipertensão arterial é um dos mais impor-tantes fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, explicando-se 40% das mortes por acidente vascular encefálico e 25% da-quelas por doença arterial coronariana (NIH PU-BLICATION, 1997). A alta prevalência de doen-ças cardiovasculares na população significa que, com freqüência, em tratamentos odontológicos,

encontraremos pacientes com estas condições (JO-WETT, CABOT, 2000).

O diagnóstico precoce de comprometimen-tos sistêmicos é de extrema importância para re-dução de possíveis emergências clínicas durante o tratamento odontológico. A anamnese não pode ser negligenciada pelos profissionais, ela é parte integrante do exame clínico e irá contribuir para a identificação de patologias de relevância ao tra-tamento (ROMRIELL, STREEPER, 1982; SO-NIS et al., 1996; HUPP, 2000).

Cottone, Kafrawy (1979) avaliaram formu-lários de anamnese preenchidos por 4.365 pacien-tes. A análise revelou que 68,5% apresentavam pelo menos um achado médico positivo e 37,9% apre-sentavam múltiplos achados (comorbidades). Alte-rações respiratórias e doenças cardiovasculares re-presentavam 17,9% e 15,1%, respectivamente.

Jainkittivong, Cottone (1995) analisaram 1.800 pacientes, sendo que 8,2% necessitaram consulta médica prévia, devido à história médica conflitante e/ou vaga, ou então em decorrência da presença de sintomas indicativos de compro-metimento sistêmico por doenças de base.

Peacock, Carson (1995) avaliaram 590 pa-cientes e relataram que a freqüência de achados médicos aumentou com a idade (70%), quando comparada com a incidência geral de todos os gru-pos etários (52,5%). Patologias cardiovasculares foram observadas em 20% dos pacientes, enquan-to que 22% possuíam alguma forma de reação alér-gica a fármacos, principalmente à penicilina.

Segundo Romriell, Streeper (1982), 40% dos pacientes submetidos à anestesia local e

(4)

exodonti-as múltiplexodonti-as apresentam arritmiexodonti-as cardíacexodonti-as e 10% de todas as mortes não-acidentais na população geral são repentinas e inesperadas.

Chapman (1997) relatou que angina pecto-ris foi uma das emergências clínicas mais comuns encontrada no consultório odontológico.

Doença cardiovascular é a mais freqüente condição médica citada por pacientes encaminha-dos do consultório odontológico para o Serviço Hospitalar de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, o que reflete alto potencial de problemas durante o tra-tamento (ABSI et al., 1997).

Indivíduos em situações de estresse, imposta por atividade física, medo, ansiedade, dor ou pelo trauma cirúrgico, apresentam um aumento da demanda metabólica por oxigênio e glicose. As doenças ditas de base são condições limitantes à resposta basal, precipitando, nestas situações, ou mesmo espontaneamente, nos casos mais avan-çados, emergências clínicas como lipotímias, sín-copes, angina, infarto e, até mesmo, parada car-diorrespiratória.

Indivíduos portadores de discrasias sanguí-neas (anemia), doença pulmonar obstrutiva crô-nica (DPOC), insuficiência cardíaca congestiva (ICC), hipertensão arterial e disfunções endócri-nas (diabetes), em situações de estresse, podem não ser capazes de responder a solicitação meta-bólica de um procedimento cirúrgico em nível ambulatorial, como em consultório odontológico (MALAMED, 1997).

É importante salientar que de cada quatro casos de emergências clínicas, três foram desen-cadeados por situações de estresse e apreensão, logo, pode-se evitar tais situações apenas com o emprego de medidas de tranqüilização verbal ou, ainda, controle farmacológico da ansiedade (MA-LAMED, 1993).

Alguns dados levantados nos EUA mostram que 4.309 Cirurgiões-Dentistas, durante um perío-do de 10 anos, relataram 30.602 ocorrências de emergências. Esses dados revelam que em média pode e deve ocorrer uma emergência por ano por consultório odontológico, podendo variar de uma simples síncope até um infarto fulminante. Sendo que a maior parte dos casos ocorreram durante ou imediatamente após a administração da anestesia, 54,9% (FAST et al., 1986; MALAMED, 1993).

Romriell, Streeper (1982) afirmam que pa-cientes hipertensos, quando submetidos a pro-cedimentos longos, podem atingir níveis

peri-gosos de pressão arterial. Desta forma, estan-do em posse de toestan-dos os daestan-dos necessários, ali-ados aos exames complementares, o profissio-nal seria capaz de elaborar um diagnóstico mais preciso, um plano de tratamento seguro e um prognóstico favorável.

Em nossa revista da literatura, observamos uma escassez de dados epidemiológicos, sobretu-do na literatura nacional, acerca da prevalência de pacientes portadores de doença de base, bem como, referente a episódios de emergências clíni-cas decorrentes do atendimento odontológico, o que justifica o presente estudo.

O objetivo deste artigo é avaliar a prevalên-cia de doenças de base e emergênprevalên-cias clínicas ob-servadas num grupo de pacientes em programa-ção para cirurgia bucal.

MATERIAISEMÉTODOS

Para a realização do estudo, analisou-se de forma retrospectiva 192 prontuários de pacientes atendidos na Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal do Curso de Odontologia da Universidade Estadual de Feira de Santana, no período de ou-tubro de 2004 a março de 2005.

Foram obtidos, a partir dos prontuários anali-sados, dados biográficos, revisão dos sistemas, sinais vitais (pressão arterial, pulso e freqüência respirató-ria), exame físico locorregional, histórico de alergia, além de medicamentos utilizados pelos pacientes.

Os dados obtidos foram anotados em ta-belas de distribuição de freqüência absoluta e ava-liados através de resultado estatístico. Foi possí-vel analisar a prevalência de indivíduos porta-dores de doenças de base, definindo aquela de maior prevalência na clínica odontológica.

Tabelas foram elaboradas, divididas em faixas etárias e por sexo, com o objetivo de avaliar a corre-lação entre as doenças de base, histórico de alergia, medicamentos utilizados, intercorrências transope-ratórias, idade e sexo dos pacientes avaliados.

RESULTADOS

Os 192 prontuários avaliados revelaram 64 pacientes do sexo masculino e 128 do sexo femi-nino, com idade média de 32,6 ± 14,6 (9 – 76 anos). Desse total, 44 indivíduos (22,91%)

(5)

apre-38

Stomatos

v.12, n.22, jan./jun. 2006 sentaram algum tipo de limitação sistêmica. Os

pacientes foram divididos em cinco grupos de acor-do com sua faixa etária (Tabela 1).

Tabela 1 – Grupos de paciente de acordo com a Faixa Etária

(Idade), Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, Feira de Santana, 2004-2005.

Grupo Faixa Etária (Idade)

A 9-20

B 21-30

C 31-40

D 41-50

E 51+

Fonte: Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal – UEFS.

Os resultados nas tabelas 2 a 5 estão dispo-níveis em porcentagem, em função da associação

da faixa etária e do sexo com doenças de base, histórico de alergia, medicamentos utilizados e in-tercorrências transoperatórias, respectivamente.

A prevalência de doenças de base encontrada foi de 22,91%. A doença de base mais prevalente foi hipertensão arterial (16,15%), seguida por ane-mia (2,6%). As outras doenças descritas foram en-contradas em idades avançadas, mas também ti-veram uma amostra extremamente reduzida.

A associação com sexo se mostrou significa-tiva, com a maior prevalência das patologias sis-têmicas no sexo feminino. De todos os pacientes hipertensos, 77, 42% eram do sexo feminino, dos diabéticos, 25% eram do sexo feminino, dos car-diopatas, anêmicos e com patologia respiratória, 100% eram do sexo feminino (Tabela 2).

O estudo não permitiu uma análise na asso-ciação de faixa etária e sexo com histórico de aler-gias devido à amostra reduzida (Tabela 3).

Os pacientes em idades avançadas eram os que

Doenças de Base A nº/% B nº/% C nº/% D nº/% E nº/% Masculino nº/% Feminino nº/% Total (n=192) Hipertensão 1/3,23% 4/12,9% 5/16,13% 8/25,8% 13/41,94% 7/22,58% 24/77,42% 16,15% (n=31) Hipotensão - - 1/100% - - 1/100% - 0,52% (n=1) Cardiopatia - - - - 2/100% - 2/100% 1,04% (n=2) Diabetes - - - - 4/100% 3/75% 1/25% 2,08% (n=4) Anemias - 2/40% 2/40% 1/20% - - 5/100% 2,6% (n=5) Patologia Respiratória 1/100% - - - 1/100% 0,52% (n=1)

Tabela 2 – Associação de faixa etária e sexo com doenças de base, Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, Feira de Santana, 2004-2005.

Fonte: Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal – UEFS.

Alergias A nº/% B nº/% C nº/% D nº/% E nº/% Masculino nº/% Feminino nº/% Total (n=192) Penicilina - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Ampicilina - 1/100% - - - - 1/100% 0,52% (n=1) Diclofenaco - 1/100% - - - 1/100% - 0,52% (n=1) Dipirona 1/100% - - - - 1/100% - 0,52% (n=1)

Tabela 3 – Associação de faixa etária e sexo com histórico de alergia, Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, Feira de Santana,

2004-2005.

Fonte: Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal – UEFS.

utilizavam medicamentos com maior freqüência. As medicações mais relatadas foram: anti-hipertensi-vos, diuréticos e hipoglicemiantes, a maior parte dos pacientes eram do sexo feminino (Tabela 4).

(6)

um caso de angina, os dois casos no sexo femini-no (Tabela 5).

Apenas duas intercorrências foram encon-tradas: um caso de hemorragia transoperatória e

Tabela 4 – Associação de faixa etária e sexo com medicamentos utilizados, Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, Feira de Santana,

2004-2005. Medicação A nº/% B nº/% C nº/% D nº/% E nº/% Masculino nº/% Feminino nº/% Total (n=192) Anti-hipertensivos - - - 2/25% 6/75% 3/37,5% 5/62,5% 4,17% (n=8) Anticonvulsivantes - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Anticoncepcionais - 1/100% - - - - 1/100% 0,52% (n=1) Antiinflamatórios - 1/100% - - - 1/100% - 0,52% (n=1) Antidepressivos - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Broncodilatadores 1/100% - - - 1/100% 0,52% (n=1) Ansiolíticos - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Vasodilatadores - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Diuréticos - - - 2/50% 2/50% - 4/100% 2,08% (n=4) Hipoglicemiantes - - - - 4/100% 3/75% 1/25% 2,08% (n=4)

Fonte: Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal – UEFS.

Intercorrências Transoperatórias A nº/% B nº/% C nº/% D nº/% E nº/% Masculino nº/% Feminino nº/% Total (n=192) Hemorragia Transoperatória - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1) Angina - - - - 1/100% - 1/100% 0,52% (n=1)

Tabela 5 – Associação de faixa etária e sexo com intercorrências transoperatórias, Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, Feira

de Santana, 2004-2005.

Analisando os dados, considerando as dife-rentes faixas etárias, observamos que com o au-mento gradual da idade, o percentual de doenças de base, ou melhor, alterações sistêmicas aumen-tou; com exceção de patologia respiratória e ane-mias, que a tendência com o aumento da idade foi de estabilidade e queda.

DISCUSSÃO

Para o estudo epidemiológico da prevalência de doenças de base, consideramos um grupo de pa-cientes que buscaram tratamento odontológico em uma clínica de Extensão em Cirurgia Bucal da UEFS, clínica esta que não faz qualquer referência a porta-dores de necessidades especiais ou faixa etária, por-tanto não consideramos a nossa amostra viciada, embora saibamos não ser representativa para todo o estado da Bahia, ou mesmo, Feira de Santana.

Fonte: Clínica de Extensão em Cirurgia Bucal – UEFS.

Peacock, Carson (1995) observaram uma elevada prevalência de doenças de base, acima de 50%, para os pacientes de uma clínica de peri-odontia, enquanto, em nossa amostra, observa-mos aproximadamente 22,91%. Tal diferença pode estar justificada no tipo de clínica, a qual contem-pla uma faixa etária mais elevada.

Gordy et al. (2001) avaliaram 1021 paci-entes, destes 609 foram diagnosticados previa-mente com hipertensão e 412 exibiram pressão arterial elevada. A prevalência de pacientes di-agnosticados previamente hipertensos foi de 16,6%. Este dado corrobora com o nosso estu-do, quanto à prevalência de pacientes hiper-tensos 16,15%.

Os nossos achados corroboram também, de forma similar, com o de Cottone, Kafrawy (1979), com relação às doenças cardiovasculares encon-tradas através de análise de formulários de ana-mnese preenchidos por 4.365 pacientes, em que

(7)

40

Stomatos

v.12, n.22, jan./jun. 2006 os autores encontraram uma prevalência de 15,1%

e o nosso estudo 17, 71%.

Para alguns inquéritos de base populacional, realizados em algumas cidades do Brasil, a hiper-tensão arterial se apresenta altamente prevalente, sendo a doença de base mais encontrada na popu-lação (LOLIO, 1990; AYRES, 1991; MARTINS et al., 1997; FREITAS et al., 2001). Nossa pequena amostra apresenta comportamento semelhante, o que reitera a sua representatividade.

Estima-se que pelo menos 65% dos idosos bra-sileiros são hipertensos. A maioria apresenta eleva-ção isolada ou predominante da pressão sistólica, aumentando a pressão de pulso, que mostra forte relação com eventos cardiovasculares (BENETOS et al., 1997). Para o tratamento do idoso hiperten-so, além da estratificação de risco, é fundamental a avaliação de comorbidades e do uso de medica-mentos com o objetivo de evitar interações medi-camentosas. O nosso estudo revelou que os paci-entes em idades avançadas eram os que utilizavam medicamentos com maior freqüência.

A prevalência de hipertensão em diabéticos é pelo menos duas vezes maior do que na população em geral. Em razão da disautonomia, a pressão arterial em diabéticos deve ser medida nas posições deitada, sentada e em pé. Estudos em diabéticos hipertensos ressaltam a importância da redução da pressão arterial sobre a morbimortalidade cardio-vascular e as complicações microcardio-vasculares relaci-onadas ao diabetes(PARVING et al., 1983).

No presente estudo, apenas quatro diabéti-cos foram encontrados na amostra total (n=192), representando 2,08%. Dentre estes, todos eram hipertensos e 75% do sexo masculino.

Felizmente, as emergências clínicas no aten-dimento odontológico são raras. Malamed (1993) estima que a incidência seja de um caso por ano por consultório odontológico, podendo variar de uma simples síncope até um infarto fulminante. Em nosso estudo, registramos apenas um episó-dio de angina, ocorrendo ao final do procedimen-to, compensado com a administração sublingual de Dinitrato de Isossorbida (Isordil®) e

adminis-tração de oxigênio, sem a necessidade de encami-nhamento hospitalar.

Em se tratando de procedimentos odontoló-gicos, é sabido que a maior parte dos pacientes são ansiosos e apreensivos, sendo que o medo pode ser o fator causal das emergências clínicas. Fast et

al. (1986) e Malamed (1993) atribuem cerca de 75% da responsabilidade das emergências ao fa-tor medo. Portanto, nos parece relevante que o Cirurgião-dentista tenha um protocolo de redu-ção da ansiedade bem definido e a possibilidade de atender pacientes de alto risco ou com distúr-bios acentuados de comportamento sob anestesia geral, em ambiente hospitalar.

É importante salientar que o manejo de emergências clínicas que necessitem acesso veno-so, obtenção de vias aéreas e ventilação mecâni-ca exigem treinamento específico e prátimecâni-ca cons-tante, o que é incompatível com o exercício da odontologia. Mesmo os profissionais que tenham em seu currículo treinamentos como Basic Life Support (BLS) ou Advanced Cardiac Life Support (ACLS), provavelmente não mantêm uma práti-ca constante que garanta a perícia nesses atendi-mentos. Portanto, é imperioso que o Cirurgião-dentista concentre a sua prática clínica na criteri-osa avaliação de todos os pacientes e na preven-ção de complicações clínicas.

CONCLUSÕES

Este estudo retrospectivo revelou uma po-pulação com um índice de alterações sistêmicas relevantes (22,91%). A distribuição dos pacientes em faixas etárias demonstrou que pacientes de diferentes idades exigem atenção prévia ao trata-mento odontológico de rotina, não só pacientes em idades avançadas.

O Cirurgião-Dentista deve estar apto a ava-liar pacientes portadores de doenças de base, pre-venindo eventos relacionados à incapacidade me-tabólica que culminem com situações de emer-gências clínicas. Casos de difícil controle devem ser conduzidos em ambiente hospitalar, sob anes-tesia geral.

REFERÊNCIAS

ABSI, E.G. et al. The appropriateness of referral of medically compromised dental patients to hospital. Br J Oral

Maxillofac Surg, v.35, p.133-136, 1997.

ANDRADE, E. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. 1.ed. São Paulo: Artes Médicas, 1999.

AYRES, J. E. Prevalence of hypertension in the city of Piracicaba. Arq Bras Cardiol, v.57, p.33-36, 1991.

(8)

BARROS, M. E.; PIOLA, S. F.; VIANNA, S. M. Políticas de Saúde no Brasil, Diagnóstico e Perspectivas. In: Textos

para Discussão n. 401. Brasília: IPEA, 1996.

BENETOS, A. et al. Pulse pressure: a predictor of long-term cardiovascular mortality in a French male population.

Hypertension, v.30, p.1410-1415, 1997.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Datasus. Sistema de

Infor-mação de Mortalidade – SIM – Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise de Situação de Saú-de. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

CHAPMAN, P. J. Medical emergencies in dental practice and choice of emergency drugs and equipment: a survey of Australian dentists. Aust Dent J, v.42, p.103-108, 1997. COTTONE, J. A.; KAFRAWY, A. H. Medications and health histories: a survey of 4.365 dental patients. J Am Dent

Assoc, v.98, p.713-718, 1979.

FAST, T. B.; MARTIN, M. D.; ELLIS, T. N. Emergency preparedness: a survey of dental practitioners. J Amer

Dent Assoc, v.112, p.499-501, 1986.

FREITAS, O. C. et al. Prevalence of hypertension in the urban population of Catanduva, in the State of São Paulo, Brazil.

Arq Bras Cardiol, v.77, p.9-21, 2001.

GORDY, F. M.; LE JEUNE, R. C.; COPELAND, L. B. The prevalence of hipertension in a dental school patient population. Quitessence Int, v.32, p.691-695, 2001. HUPP, J. R. Avaliação do estado de saúde pré-operatório. In:

PETERSON, L. J. et al. Cirurgia Oral e Maxilofacial

Con-temporânea. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

JAINKITTIVONG, A.; COTTONE, J. A. Evaluation of medical consultations in a predoctoral dental clinic. Oral Surg

Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod, v.80,

p.409-413, 1995.

JOWETT, N. I.; CABOT, L. B. Patients with cardiac disease: considerations for the dental practitioner. Brit Dent J, v.189, p.297-302, 2000.

LOLIO, C. A. Prevalência de hipertensão arterial em Araraquara. Arq Bras Cardiol, v. 55, p. 167-173, 1990. MALAMED, S. F. Emergency medicine: beyond the basics. J

Am Dent Assoc, v.128, p.843-854, 1997.

MALAMED, S. F. Managing medical emergencies. J Am Dent

Assoc, v.124, p.40-53, 1993.

MARTINS, I. S. et al. Doenças cardiovasculares ateroscleróticas, dislipidemias, hipertensão, obesidade e diabete melito em população da área metropolitana da região Sudeste do Brasil. III – Hipertensão. Rev. Saúde Públic, v.33, p.466-471, 1997.

NIH PUBLICATION. The Sixth Report of the Joint National

Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure. NIH Publication; 1997.

PARVING, H. H. et al. Early agressive antihypertensive treatment reduces rate of decline in kidney function in diabetic nephropathy. Lancet, v.1, p.1175-1178, 1983. PEACOCK, M. E.; CARSON, R. E. Frequency of self-reported medical conditions in periodontal patients. J Periodont, v.66, p.1004-1007, 1995.

ROMRIELL, G. E.; STREEPER, S. N. The medical history.

Dent Clin North Am, v.26, p.3-11, 1982.

SONIS, S. T.; FAZIO, R. C.; FANG, L. Princípios e Prática de

Medicina Oral. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,

1996.

Recebido em: 20/05/2006 Aprovado em: 25/06/2006

Referências

Documentos relacionados

Como foi visto, a primeira etapa do processo decisório de consumo é o reconhecimento da necessidade, com isso, observou-se que, nessa primeira etapa, os consumidores buscam no

Um programa de computador (software) foi desenvolvido, para demonstrar a facilidade do uso por pessoas não especializadas em finanças. É necessária apenas, base em informática.

Pretendo, a partir de agora, me focar detalhadamente nas Investigações Filosóficas e realizar uma leitura pormenorizada das §§65-88, com o fim de apresentar e

Por fim, na terceira parte, o artigo se propõe a apresentar uma perspectiva para o ensino de agroecologia, com aporte no marco teórico e epistemológico da abordagem

29 Table 3 – Ability of the Berg Balance Scale (BBS), Balance Evaluation Systems Test (BESTest), Mini-BESTest and Brief-BESTest 586. to identify fall

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação (PPGP) do Centro de Políticas Públicas e Avaliação

de professores, contudo, os resultados encontrados dão conta de que este aspecto constitui-se em preocupação para gestores de escola e da sede da SEduc/AM, em