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E N S A I O
UNCIONÁRIO PÚBLICO
TRABALHADOR COMO OS OUTROS?
B á r b a r a H e lio d o ra F ra n ç a
Introdução
d is cu rso n e o -lib e ra l qu e atribui ao funcionalismo um papel de d estaqu e en tre as causas da s itu a ç ã o c r ític a e x is te n te na sociedade brasileira esconde, com certeza, im p o rtan tes in teresses p o lític o s e e co n ô m ico s. Isto porque já são conhecidas as reais condições de vida e trabalho do funcionalism o no Brasil. Elas cm n ad a d ife re m das c o n d iç õ e s ex isten tes na m aioria da classe o p e rá ria . O p e rá rio s e p arcela im portante do funcionalismo são, h o je , frações d iferen tes de um "novo proletariado".1 Entretanto, a relativa situação de «privilégio» do funcionalism o se dá, de fato, em dois sentidos: primeiro, com r e fe r ê n c ia a m isé ria a b so lu ta daqueles que nem emprego têm e s e g u n d o , p e la e s ta b ilid a d e garantida em relação aos demais assalariados, o que, no mais, é absolutam ente necessário, por ser ele um servidor público.
1 - O con ceito «novo proletariado» está discutido nos livros de Lowy, Michael, 1976, 1985. Sobre a situação de proletarização dos funcionários públicos, ver França, Bárbara Heliodora, 1 9 9 ‘í.________________________________________________________________________
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uncionário público. Um traba lh a d or com o os outros? A autora defende a tese que, nas atuais condições de vida e trabalho, a grande m a ioria dos servidores públicos civis fa z parte, ju n to com outras categorias sociais, do novo proletariado brasileiro. Trabalha dor, servidor ou funcionário, ele não tem construída para ele, nem diante da sociedade, a identidade distintiva daquele que, exercemlo as atividades burocráticas do Estado, representa os interesses do quê coletivo. Só a construção de um projeto nacional que incorpore a idéia de p ro fis sion a liza çã o deste tra b a lh a d or poderá c r ia r as condições derecuperação da sua dignidade.
Como vemos, responder à questão do título deste artigo não é simples e e x ig e , de in íc io , a c e ita r a com plexidade ex isten te no seu interior. O funcionário público é, na re a lid a d e b r a s ile ir a , um trabalhador com o os outros e, no en tan to , não é um trabalh ador como os outros. É verdade que seu
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Bárbara Heliodora França tra b a lh o , em ú ltim a in stân cia,co n trib u i para a valorização do ca p ita l, fazen d o e x istir tod a a m a q u in á ria n e c e s s á ria ao funcionam ento da sociedade, mas é também verdade que o Estado tem , ao m esm o te m p o , um a dim ensão coletiva. Ele representa, a in d a q u e de m an eira c o n tra d itória, tanto os in teresses da classe que tem o poder quanto os interesses das classes domi- nadas. Portanto, o funcionário público realiza um trabalho tão importante para a socied ad e q uan to ou tro q u a lq u e r e x e c u ta d o p o r um operário de fábrica, por exemplo. E n tr e ta n to , um a d ife re n ç a e s s e n c ia l é a sua d im en sã o ideológica, onde o Estado é visto co m o a e x p re ssã o do "p ov o", m ediador neutro entre as classes em d is p u ta . P or is so , p ara o con ju nto da sociedade e para ele m e sm o , a e s p e c ific id a d e do trab alh o q u e realiza lh e torna n ecessá ria m en te d iferen te : ele representa o interesse público, o interesse daquilo que é coletivo. No passado, a filosofia chegou a e s p e c u la r se seu trab alh o não d ev eria se r b e n e v o le n te , sem p a g a m e n to , fru to a p en a s do interesse do cidadão em contribuir para a realização de sua sociedade. Na visão d e H egel, o corp o de fu n c io n á r io s se ria em tu d o devotado ao Estado.
É ju sta m e n te e s te o o b je tiv o central deste artigo: con trib u ir para desvendar os processos pelos q u a is a so c ie d a d e b r a s ile ir a c o n stru iu um a id e n tid a d e contraditória para este servidor- proletário. Tom ado um trabalha dor com o outro qualquer, dele se exige, e n tre ta n to , a d ig n id ad e daquele que é diferente, de quem fo i in v e stid o d e um a m issã o especial.
Condições de v id a e tra b a lh o
categoria social dos servidores públicos só recentem ente impôs- se com o o b jeto de estudo, mais precisamente após 1978, quando ganha expressão na luta política, junto aos demais trabalhadores. O fato de ser uma categoria quase desconhecida cientificamente, tem permitido interpretações bastante diferenciadas sobre sua realidade.2 Num c e r to s e n tid o , é um a categoria que p rescin d e de um conhecim ento real, uma vez que suas características distintivas lhes foram d ad as do e x t e r io r p o r atributos que lhe foram im postos e que construíram o personagem "servidor público", tão conhecido de todos. Buscando superar esta lacuna, a configuração do perfil do se rv id o r p ú b lic o b r a s ile ir o , apresentado aqui, tem com o base
- Por exem plo, de uma forma geral, o interesse por dados qualitativos tem servido apenas para a desqualificaçáo social da categoria, com o na tentativa de com provação de que existem funcionários demais.
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Funcionário público: trabalhador com o os outros? uma pesquisa realizada nos anos88/89, n o B ra sil.5 Não sc tem noticias de nenhum a outra mais recente, ou mais antiga, com a qual possa ser com parada. Os dados n ão p reten d em , assim , ir mais a lé m d o q u e d e sc re v e r c interpretar, em seus traços gerais, as c o n d iç õ e s atu ais de vida e tra b a lh o d o s fu n c io n á rio s b ra s ile iro s , e n c o n tra d o s n esta pesquisa.
1. Dados pessoais a) Identificação:
funcionários, servid ores ou tra b a lh a d o re s públicos
Na A ssem bléia C o n stitu in te de 1 9 8 8 , o s re p re s e n ta n te s m ais c o m b a tiv o s da c a te g o ria p ro curaram in clu ir no texto co n s t itu c io n a l a e x p re s s ã o "tra balhadores públicos" para todos a q u e le s q u e tra b a lh a sse m no E sta d o . N esta o p o rtu n id a d e , tentaram também reuni-los num m esm o cap ítu lo con stitu cion al, ju nto aos demais trabalhadores, o que não foi aprovado. A palavra " fu n c io n á rio " fo i c o n sid e ra d a com o expressão da m anutenção de uma casta, privada dos direitos já g a ra n tid o s a o s o u tro s tra b a lh a d o res. Por sua vez, a p ro p o s ta v e n ce d o ra foi a "centrista" que conseguiu aprovar
na nova C o n stitu içã o o n om e "servidor público", civil ou militar. No contexto brasileiro, são muitos os q u e c o n sid e ra ra m um a conquista o fato de estarem agora reu nidos num m esm o cap ítu lo tanto civis como militares, uma vez q u e e s te s ú ltim o s teriam q u e p a rtilh a r, com o c o n ju n to , as vantagens e prerrogativas obtidas. Para o u tro s , ao c o n t r á r io , a Constituição criou um fosso legal en tre trabalh adores p ú b lico s e privados que já haviam construído, p ela lu ta co m u m , um a c e rta unidade, ainda qu e frágil. Este fatos dem onstram , outra vez, os dilem as de um a categ o ria sem identificação precisa diante de si m esm a e d o c o n ju n t o da s o c ie d a d e . Ainda a q u i, sua identificação se dá por oposição e negação: ele é o servidor que não é o militar. Enquanto na maioria dos outros países, "funcionário" é claram en te um p ro fissio n al de carreira d o Estado, qu e jam ais p re cisa da c o m p lc m e n ta ç ã o redundante - "público" - para ser id en tificad o . Na co rre la ç ã o de forças existentes no Brasil, à época da C onstituinte, a denom inação "servidor" que foi vencedora trás cm si o peso de um trabalho servil, e é recu sa d a p o r m u ito s n o interior da categoria. Por sua vez, a d e n o m in a ç ã o "tr a b a lh a d o r p ú b lic o ", q u e e x p re s s a ria a
- França, Barbara Heliodora, 1993. Pesquisa apoiada cm 5 0 entrevistas com funci onários de Nível Médio, trabalhando em diferentes Ministérios. Realizada nos anos de 1 9 8 8 e 1989, no Estado do Rio de Janeiro, que conta com o maior contingente de funcionários do pais (21,40% ).
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Bárbara Holiodora França inclusão consciente no interior daclasse trabalhadora, de fato, não co n seg u iu ainda u ltrap assar o discurso das lideranças políticas.4
b) Sexo, id a d e , estado civil
P o u co m ais da m etad e d esses trab alh ad o res são hom en s. No con ju n to, pessoas de idade entre 3 0 e 5 0 a n o s, q u e se dividem en tre casados ou solteiros/viúvo/ d esq u itad os e qu e habitam em bairros m enos favorecidos, ainda q u e cm ca sa p r ó p r ia , s o n h o p r in c ip a l d a q u e le q u e n ão a p o s su i. M a jo rita ria m e n te , se d iz e m c a t ó li c o s , m as n ã o freqü en tam cu ltos. Seu lazer é ficar cm casa com a família vendo televisão. Poucos se interessam pela política: não lêem esta parte n os jo rn ais, não procuram tais inform ações, nem participam de m o v im e n to s a ss o c ia tiv o s. T o m a d o s e s te s d a d o s , p o d e -s e su p o r qu e tem existid o p ou co in t e r e s s e da p a r te d o s m ais jovens - en tre 18 c 25 anos de fa z e re m p a r te d o c o r p o d e servidores civis, no Brasil. Por o u tro lado, o co tid ia n o d estes fu n cio n ário s é aq u ele d escrito com o p erten cen d o, atualm ente, às cham adas classes pop ulares urbanas.
c) O rigem de classe
Para o corp o b u ro crático do listado brasileiro, o trabalho em escritório não é h oje "o cam inho mais im portante da m obilidade s o c ia l a s c e n d e n t e , da c la s s e op erária para a cla sse m é d ia ”, com o afirmou Lockw ood para a Inglaterra dos anos cin q ü en ta. Tanto as profissões de seus pais com o seus em pregos an teriores m ostram p ou ca p re se n ça de um a o rig e m b u r g u e s a ou operária. Ao m esm o tem po, não descreviam atividades pequeno- b u rq u e sa s tr a d ic io n a is : ra ro s pertenciam a familias ou tiveram, eles m esm os, a n te rio m e n te , a in d e p e n d ê n c ia d ad a p e la pequena propriedade, no cam po ou na cidade. A grande m aioria d e s te s s e r v id o r e s , e/ou su a s fa m ília s , fo ram v e n d e d o r e s , "boys”, recep cion istas, au xiliares d e e s c r it ó r io , p r o f e s s o r e s p rim á rio s e o u tro s p e q u e n o s t r a b a lh o s a s s a la r ia d o s em serviços ou com ércio.
d) Condições de v id a
Os padrões de ren d im ento dos se rv id o res p ú b lic o s d e n ív el m édio são m uito próxim os aos mais baixos ex isten tes no país. Sessen ta p or ce n to d e le s n ão ganham mais que cin co salários
4 - Nesias circunstâncias, sem que se incorra cm erros, e possível referir-sc a estes trabalhadores do Estado por qualquer uma das denominações ciladas._________________
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Funcionário público: trabalhador como os outros? m ínim os (ou 350 dólares).5 Porsua vez, m esm o o co n ju n to da re n d a fa m ilia r, co m o co m p lem en to d o salário d o(a) c o m p a n h e iro (a ) ou d e o u tro s m e m b ro s da fa m ília , só lh es perm ite uma vida modesta, sem grandes gastos nem aspirações. Nas e x p re s s õ e s d e m u ito s, "ganhando prá comer".
É neste sentido que Rodrigues6 fala de um certo estilo de vida, onde a re n ú n cia a um a m orad ia uni- familiar, a ter filhos ou a criá-los, a com prar o b jeto s e até mesmo a d e se já -lo s , c o n stitu e m "saídas honrosas" de resistência ao risco da p ro letarização , para os que ainda n ão estão nela incluídos. O u tra s s o lu ç õ e s são tam bém adotadas para viver até o fim do m ês: pod em se r o "bico" - um outro em prego - quando o chefe "dá um jeitinho" ou "o horário de trabalho perm ite". A "muamba", q u e é to d a a s o rte de q u in q u ilh a ria s v en d id as - em b o ra proibidas -, durante o horário de serviço, para outros colegas. São d e sd e d o c in h o s c a s e iro s à lingerie. E, ainda, a armadilha do recurso ao agiota. A maioria pensa ter "m uita sorte" quando pode acumular em pregos ou fazer um "bico". De d iferen tes form as, o
fu n c io n á rio cria a lte rn a tiv a s criativas de sobrevivência c tira proveito das possibilidades que en co n tra n o trab alh o fora das fábricas.
2. D ados funcionais a) Cargo e Função
C erca de 80% d o s se rv id o res públicos brasileiros pertencem à categoria funcional "Nível Médio" (N.M.), na verdade, o nível mais baixo existente, já que neste caso n ão é e x ig id o o d ip lo m a universitário para o exercício da função.7
São eles que, nos mais diferentes cargos, realizam os serviços de e s c r itó r io e a te n d im e n to ao p ú b lic o : o ch a m a d o tra b a lh o burocrático. As várias profissões operárias necessárias à realização dos serviços, com o m arceneiros, bombeiros, eletricistas, etc., foram sendo transferidas gradativamente para em presas privadas co n tra tadas. Desta forma, os chamados "Nível A p o io ”, "A u x iliar" ou "Artífices", que ainda existem em c e r to s m in is té rio s , sã o in e x pressivos num ericam ente para o conjunto da categoria.
5 - Enquanto o salário mínimo no Brasil náo ultrapassa 6 0 dólares, d c acord o com matéria recente na imprensa, 73% dos operários do seto r metalúrgico do G rande ABC paulista ganham cinco ou mais salários mínimos. Revista Veja, 25 de maio dc 199‘í. 6 - Rodrigues.Arackcy Martins. 1988.
7 - Do total de 5 6 1 .3 2 8 funcionários civis federais existentes cm 1988, apenas 5 6 .2 2 3 ( 10%) tinham cargo de nível superior. Fonte: Cadastro CNPC.
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Bárbara Heliodora FrançaP
ortanto, a nomeação "Nível Médio" é um artifício de linguagem qu e procura esconder o fato de que não existe um "Nível Baixo", e que a quase totalidade dos servidores públicos brasileiros é desqualificada como trabalhador, é um trabalhador de "baixo nível" de qualificação. Ao mesm o tempo, ele é "médio" por o p o s iç ã o ao "su p e rio r". Sua desqu alificação é mais uma vez reafirm ad a. Sua ca p a cita çã o é d e fin id a p ela fa lta , fa lta -lh e in stru ção para ser "superior". A desqualificação deste trabalhador é um atributo de tal maneira aceito socialm ente que é aceito por ele próprio. Deixa de ter importância o fato d e q u e ap en as 10% do fu n cion alism o no Brasil exerça funções de nível universitário: é esta parcela instruída que fala pelo conjunto, que mostra sua imagem com o a imagem do funcionalismo brasileiro. Na mágica da aparência e da essência, a parte é tomada pelo todo.b) Local de trab alho
O trab alh o ocu p a n o universo destes profissionais um lugar de
destaque, já que a maioria pensa co m o e s p e c ia l a n a tu re z a das tarefas q u e re a liz a m 8. P re sta r serviços ao público e conviver com os colegas são os dois motivos de maior satisfação com o em prego. É aqui onde é possível, através da ca m a ra d a g em , ro m p e r co m a vigilância, a disciplina e o horário rígidos que m uitos encontraram anteriorm ente, seja no mundo da fábrica, seja em outras empresas privadas onde já trabalharam. No Brasil, as condições de trabalho d o fu n c io n a lis m o p ú b lic o esp elh am a e x istê n c ia d e um Estado com diferentes níveis de modernização e eficácia.9 Ao lado d e s e to r e s "m o d e rn o s ", principalm ente aqueles associa d o s ou c o n v e n ia d o s ao s e to r p riv ad o ou d e p r e s ta ç ã o d e serviços, de interesse im ediato do capital - com o o dos im postos ou bancos -, domina no con ju nto dos m inistérios e suas au tarqu ias a imagem de que se ficou "parado no tempo".
As chamadas repartições públicas brasileiras não são, de uma forma geral, muito diferentes daquelas
- Esta c a razão pela qual Hegel, na Filosofia do Direito, cham ou-os de "sacerdotes da quimera da representação universal". Com efeito, tal con strução ideológica tem particularm ente forte inllucncia no sistema das representações dos servidores públicos. Eles tendem a aceitar essa representação de si mesmos e dos trabalhos que realizam c, portanto, de se pensar "fora" ou acima das classe sociais.
* - Existe, paralela a uma máquina burocrática inépta e em perrada, unia parte do Estado brasileiro perfeitamente eficaz na sua função de mediador em favor do capital. Seja nos program as ligados ãs econom ias cafeeira, cacaueira ou alcooleira, p or exem plo, com em préstim os inclusive a fundo perdido, seja em financiamentos do BNDES ou ua interm ediação de conflitos entre o capital e o trabalho.
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Funcionário público: trabalhador com o os outros? que com põem um cenário críticorepresentativo da burocracia. Salas com muitas velhas mesas, várias d elas vazias. Pouca v en tilação, c a lo r, um v elh o e b a ru lh e n to v e n tila d o r lig ad o num ca n to . Pouca iluminação, com lâmpadas de mercúrio, lâmpadas apagadas ou queimadas. Muitas pastas sem terem seus lugares claram en te definidos, algumas formando lotes amarrados com barbantes. Velhos arquivos de aço, papéis de todos os tipos sobre as mesas; obsoletas m á q u in a s d e c a lc u la r e d e escrever. Raras vezes um terminal de c o m p u ta d o r. P ou cas vezes espaço privativo para as chefias. Um telefone que chama sempre, à esp era d e alguém qu e se sinta encarregado de atendê-lo. Pessoas d eb ru çad as so b re essas m esas, cujos rostos se alteram no guichê ou n o b a lc ã o , cm algu m a discussão travada com o público. Não há nada ali que lem bre o am bien te "fabril" da autom ação d o s s e rv iç o s d e e s c r itó r io , discutidos por Crozier, Mills ou L o ck w o o d . E m bo ra a trib u a m graus diferentes de importância a esta tendência, todos reconhecem aí uma das características típicas da n ova b u ro c ra c ia . Is to n os perm ite pensar, portanto, que a burocracia do Estado brasileiro, na g ra n d e m a io ria d o s lo c a is de tr a b a lh o , n ã o p o d e se r c o n s id e r a d a um a b u c o c ra c ia m oderna. As características que a p r e s e n ta , sã o , ao c o n tr á r io ,
típicas daquelas q u e com põem antigas imagens estereotipadas do universo da burocracia.
Da mesm a form a, tal realid ad e b rasileira p erm ite su p or q u e a m ecanização das tarefas n ão é, necessariamente, um com ponen te e s s e n c ia l d o p r o c e s s o d e proletarizacão. No nosso caso, as condições de vida e trabalho do fu n cio n alism o e s tã o p ro lc ta ri- zad as sem q u e as ro tin a s d e trabalho tenham se transformado em "cadeias d e prod u ção". Ao c o n tr á r io , é n o e s p a ç o fís ic o descrito e nas condições adversas em que exercem suas funções, que são expressos, sim bolicam ente, a estagnação e os im passes desta categoria social parada no passado e sem expectativas de futuro.
c) Rotinas
Em g e ra l, o fu n c io n á rio N.M. re a liz a ta refa s re p e titiv a s e cansativas, sejam elas destinadas à população externa ou ao próprio Órgão e seus servidores. /Vinda que os que trabalhem com o público tenham uma rotina mais animada - uma vez que sem pre alterada pelos im previstos ap resen tado s pelas diversas dem andas -, pouco espaço existe para a criatividade ou a improvisação. Mesmo no país do "jeitin h o" existe um fluxo a seguir, normas e procedim entos a resp eita r e a p re o cu p a çã o das
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Bárboro Heliodora França c h e fia s e, se g u n d o su asexpressões, "não deixar o serviço acumular".
Por isso, cotidianamente, é preciso d is tr ib u ir a d o c u m e n ta ç ã o r e c e b id a p e lo m a lo te ; d ar p ro sseg u im e n to aos p ro cesso s entregues no protocolo segundo os setores de destino; controlar as e n tra d a s e sa íd a s d os memorandos, cartas, telex ou fax; p r e e n c h e r UMS (re la ç ã o de m o v im en ta çã o d e p ro ce sso s); arquivar; datilografar; movimentar e ter o con trole d o patrim ônio; o r ie n ta r o p ú b lic o s o b re o "andamento" dos seus processos; s o b re c o m o fazer um r e q u e r im e n to ou uma d e c la r a ç ã o ; marcar consultas; fazer matrículas c carteirinhas; revisar declarações dos contribuintes; calcular e pagar a p o s e n ta d o s e a c id e n ta d o s ; fiscalizar os serviços de limpeza da firma contratada; fazer o cadastro d o p e sso a l d o m in is té rio ; p ro v id e n c ia r a e x e c u ç ã o d o s s e rv iç o s d e m a n u te n ç ã o do prédio, de transporte, da compra d c m a te ria l; c o n tr o la r a frequência, faltas ou licenças dos funcionários do Ó igão; secretariar c d ar a p o io aos g a b in e te s d c direção. São estas as tarefas diárias re a liz a d a s p ela m aio ria d os fu n cio n ário s p ú blicos de Nível Médio, nas diferentes funções que o cu p a m n o s M in isté rio s e Repartições.
Não é difícil com preender que a maioria dem onstre insatisfação com o trabalh o q u e realiza. O g ra n d e s o n h o é se m p re ver implantado um novo PCC- Plano de Classificação de Cargos - que lhe possibilite exercer a profissão que o diploma universitário já lhe dá direito. Majoritariamente, tais funcionários não se sentem aptos a c o n c o r r e r n o m e rc a d o d e trabalho, uma vez que, cm sua visão idealizada do setor privado, p en sam e x is tir a p e n a s n o s trabalhos que realizam, a rotina, a su b m issã o c a p o u c a criativ idad e. Por isto, p o u co s entre eles buscaram ou buscam ainda um segundo trabalho, que lh e s g ra tifiq u e p e s s o a l e financeiramente.
B a ix o s a lá r io , fa lta d e reconhecim ento social, ausência dc perspectiva de transform ações positivas nas suas con d ições de vida, com o também a realização de um trabalho subordinado, cuja possibilidade de tomar decisões e ser responsával p or elas lhes é in te rd ita d o . Este c o n ju n to d e c a r a c te r ís tic a s , e n t r e o u tr a s , d escrev e um q u a d ro cm tu d o p ró x im o d a q u e le viv id o p ela grande maioria que com põe, hoje, a classe trabalhadora brasileira e q u e faz com q u e o s e rv id o r público, este trabalhador que se queria diferente, não seja mais que um trabalhador com o outro qualquer.
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Funcionário público: trabalhador como os outros?Estado e seus trab alh ad o re s: en tra v es ao pro gresso?
polêmica cm tom o da questão continua atual. Em especial nesta co n ju n tu ra de preten sa revisão constitu cional, onde o Estado e seus trabalhadores são objeto dos m ais v ariad os p r o je to s de lei, todos de alguma forma buscando restringir, seja o espaço de atuação d o E sta d o , se jam s u p o s to s privilégios dos seus trabalhadores. T o d o c id a d ã o b r a s ile ir o tem con stru íd a uma op in ião segura s o b re e s te s tra b a lh a d o re s tão detestados pela maioria e objeto constante de piadas para muitos. Afinal, quem não sofreu ao menos uma vez cm sua vida o desespero das filas imensas, das exigências d escab id as de d ocu m en to s, do processo perdido? Isto para não falar do descaso, desinteresse e até grosserias por parte de alguns funcionários. Isto para não falar do q u e p o r vezes d ói m ais: pagar aquela "taxa de urgência" para ver feito um trabalho que a burocracia já está sendo paga para fazer, e que deveria fazer bem.
O B ra sil, co m o a lg u n s o u tro s p a ís e s h o je , vive um a se d e insaciável de m oralidade. Tanto m ais in sa c iá v e l q u a n to m ais p a re ce m fru stra d a s to d a s as esperanças de ver parar na cadeia
a m a io ria d os q u e , r e c o nhecidamente, de tantas maneiras, a b u sa n d o d e se u s p o s to s superiores e poder econôm ico, são os verdadeiros responsáveis pela m iséria e v io lên cia n e ste país. N atu ral- m e n te , q u e r e n d o moralizar tudo neste processo de recuperação ética, gatos e sapatos se confundem.
Os funcionários pú blicos fazem hoje, de fato, o papel de "boi de piranha", na com plexa q u estão en tre o pú blico e o privado no Brasil. Assim com o na conhecida artim anha de fazer atravessar o rebanho em um rio povoado de p ira n h a s, assim ta m b ém o funcionalismo é jogado na frente, p ara se r d e v o ra d o , e n q u a n to tem as fu n d a m e n ta is q u e ag u ard am m u d an ça ra d ic a l e urgente, faz muito tempo, passam im unes e continuam intocáveis. Tais questões dizem respeito, por exem p lo, à estru tu ra fun d iária b ra sile ira , ta n to ru ral q u a n to urbana; à sonegação de im postos; à evasão de capitais para o exterior, c v ário s o u tro s , d ir e ta m e n te ligad os aos in te re sse s da e lite a g ro -in d u stria l c fin a n c e ir a nacional ou multinacional.
No e n ta n to , cm a lg o e x is te c o n s e n s o h o je n o B r a s il: a necessidade de reformas capazes de to rn a r o E stad o re a lm e n te eficaz. As divergências com eçam
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Bárbara Heliodoro França q u a n d o d ife r e n te s s e to re s dasocied ad e exprim em -se sobre o Estado que querem construir.10 Embora tenha mostrado algumas de suas conseqüências nefastas em p a íse s tão d ife r e n te s co m o o M éx ico e a In g la te rra , o n eo - lib e r a lis m o é a in d a b a s ta n te c o ta d o n o in te r io r das e lite s b r a s ile ir a s .11 Na versão ultra- lib e ra l, à procu ra do "E stado m ínim o", defende sua presença a p e n a s na d e fe sa , ju s tiç a e segurança aos cidadões; todo o resto deve ser deixado às leis do mercado, numa econom ia aberta e internacionalizada. Mesmo que, na lógica dos "custos-beneficios”, esteja implícito que entre os 150 m ilh õ e s d e b ra s ile ir o s só 3 0 m ilh õ e s , c o n s id e ra d o s co m o consum idores, podem realmente usufruir dos benefícios de um tal tip o d e m o d e rn iz a ç ã o .12 O s sacrifício s dos assalariados e a ex clu são de m uitos ou tros são previstos com o "custos sociais" do progresso. O funcionalismo, visto se m p re co m o im p ro d u tiv o , inoperante e parasita, deve perder o direito à estabilidade. Colocado livremente no mercado da força de trabalho, será obrigado a tornar- se , e le tam b ém , c a p a c ita d o e competitivo.
Com o visão de m undo, a teoria n eo-lib eral de privatização de todos os dom ínios da sociedade, q u a n d o n ã o é r e s u lta d o d e simples ignorância, é a ideologia c o n s e q ü e n te d e d e fe s a d o s in teresses próprios dos seto res financeiros e agro-industriais de p on ta. E n q u an to para e s te s , a fonte de todos os males do Brasil é a in terv en ção d o E stad o e a solução o jogo livre do m ercado, o u tro s lib e ra is d e fe n d e m a necessidade de uma redefinição para que o Estado e a iniciativa privada sejam parceiros no projeto de desenvolvimento do país. Este liberalismo de tendência mais m o d erad a é d e fe n d id o p e lo s p a rtid o s p o lític o s d e c e n tr o d ir e ita , c o m o o P a rtid o d o Movimento Denocrãtico Brasileiro (PMDB), cujo presidente, Orestes Quércia que, em bora não aceite o "E stad o g e r e n te " , d e fe n d e a "e x istê n c ia de um E stad o q u e coordene a atividade econôm ica, e n c o ra g e o s in v e s tim e n to s e analise os recursos de acordo com as p rio rid a d e s e s tra té g ic a s de d esen v olv im en to ."15 Nesta p ro p osta e s tã o p re se n te s ta n to a necessidade cm superar a situação de miséria do país quanto a de dar competitividade à economia. Aqui,
10 • Estas divergências estão iio artigo dc Pena-Vega, 1993.
11 - Entre os econom istas brasileiros que teorizam o nco-liberalisino encontram -se Roberto Campos c Mário llenriquc Simonsen.
12 - Pena-Vega. 1993.
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Funcionário público: trabalhador como os outros? os im p asses q u e ex istem sãoquanto às prioridades: com o na velha fórm ula de deixar o bolo crescer para dividi-lo, o programa d e d im in u iç ã o d as e x tre m a s d e sig u a ld a d e s s o c ia is será re a liz a d o co m o s b e n e fíc io s o b tid o s p e lo s re s u lta d o s econôm icos.
Para os neo-liberais, no jogo fácil d a s p a la v ra s q u e p e rd e ra m sig n ificad o , tod os aq u eles que d efen d em ainda a in terv en ção p ú blica na vida econ ôm ica são c h a m a d o s d c r e a c io n á r io s , conservadores e corporativistas. No en tanto, o certo é que a maior p arte dos países o cid en tais do ch a m a d o p r im e ir o m u n d o , e tam bém os co n h ecid o s "Tigres A s iá tic o s " , c o m o C o ré ia ou Form osa, alcançaram tal estágio com uma im portante atuação do Estado, que em bora com pesos d iferen tes cm cada país, esteve e e s tá ain d a p r e s e n te ta n to n o s e to r e c o n ô m ic o co m o no d c "serviços sociais".
Esta é também a com preensão de o u tr o s s e to r e s da s o c ie d a d e , e n t r e o s q u a is p a rte da e lite b r a s il e ir a 14 e/ou a d e p to s das te o r ia s e c o n ô m ic a s d c C e lso Furtado e Jo ã o M anoel Cardoso d e M e llo , assim c o m o os
representados pelo Partido dos Trabalhadores (PT)- F possível q u e c a d a um d e s t e s s e t o r e s form ulem p ro jetos d iferen tes ou co m p e s o s d if e r e n t e s s o b r e alg u m as á re a s d e a tu a ç ã o d o Estado. Entretanto, o presuposto comum é que só o Estado é capaz d c reg u lar a e co n o m ia , com a c o n d iç ã o q u e seu p a p e l s e ja r e d e fin id o e su a s fu n ç õ e s claram ente estabelecidas.
É importante retom ar aqui o que diferentes autores têm apontado, sem grandes êxitos de divulgação: não existe um só e único nível de modernização e com petência do Estado brasileiro. "Há aí um truque ideológico dos conservadores que, p o r b e m -su c e d id o , n ã o d ev e tomar-se verdadeiro. Enfraqueccu- se o Estado e atribui-se a ele tudo o que há dc ruim na sociedade. Como o povo não gosta do Estado porque ele é um mau prestador de se rv iço s e o trata de m an eira perversa, a co isa pega. Assim , existem dois Estados. Um é feito para apanhar, enquanto o outro, do qual pouco se fala, alim enta a perversidade econôm ica. Fala-se pouco do poder absoluto que a d e b ilid a d e d o E sta d o dá às g ra n d e s e m p re sa s p ara fix a r preços. C om o se explica qu e o p re ço d o s a u to m ó v e is e d o s
14 • Pesquisa d c 1992 mostra que setores com o o petróleo, ciência e tecnologia, edu cação superior, energi.1 c telecom unicações dividem as opiniões dos rep resentantes das elites brasileiras. Pelo menos metade deles é favorável à presença muito necessária do listado com o administrador destes setores. Lamounier , Bolívar, 1992.
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Bárbara Heliodoro França re m é d io s su ba cm re la çã o aodólar?” ’
Para Luís In ácio Lula da Silva, p re sid e n te do PT, o papel do E sta d o n o p ro c e s s o d c m o d e rn iz a çã o e reto m ad a d o desenvolvim ento deve ser muito im p o r ta n te . Nem o E stad o onipresente, administrador geral dos m eios de produção e de troca, n em a id é ia de re d u z i-lo a q u a lq u e r c u s to . "É p re ciso prom over um Estado-fiador, um Estado-regulador e, porque não, um Estado-protetor. Um Estado m ais ju s to , q u e se ja cap az de orien tar a econom ia e distribuir as riq u e z a s . Nós q u e re m o s d es- privatizar o Estado atual, onde quase todo d in h eiro disponível para investim entos em grandes p ro jeto s é con sacrad o ao setor privado. Enfim , n ó s q u erem os criar um Estado-público que seja p reocu p ad o com os problem as globais da Nação e não somente com um punhado de dirigentes de grupos econôm icos.'"6
Este projeto de Estado, entretanto, não terá a m enor condição de ser implem entado e de poder mostrar os resultados de uma nova eficácia sc não contar co m a participação engajada da grande maioria dos funcionários públicos. Construir um novo Estado terá que significar
ü " 16 17
mudar as relações de trabalho e poder existentes entre o governo e seus empregados. Entre muitas outras mudanças, salários dignos, p lan o s de carreira e av aliação funcional terão de su b stitu ir o "você finge que paga c eu finjo que trabalho"; em diferentes níveis, das p ró p ria s R e p a rtiç õ e s d e v e rã o em ergir chefias substitutivas dos a tu a is "c a rg o s -d e -c o n fia n ç a " d eco rren tes exclu sivam en te do clientelism o; as Escolas d c Serviço P ú b lic o , tra n sfo rm a d a s cm o rg a n ism o s d in â m ic o s d c fo rm a ç ã o / c o n s c ie n tiz a ç ã o d c pessoal qualificado, deverão, sem dúvida, participar de forma ativa d estas refo rm as. E sta, "co m o q u a lq u e r o u tra refo rm a ad m i nistrativa será e m in e n te m e n te p o lític a " e e x ig irá , a rtic u - ladamentc, um conjunto dc ações desenvolvidas in tern a m en te ao Estado e outras desenroladas no interior da sociedade, fundadas no conhecim ento da realidade que se quer transformar.17
Enfim, será preciso prim eiro se ter de fato um projeto para o país. Um p rojeto que deverá con tem plar sim ultâncam cnte a participação c a p ro fission alização do fu n cio nário público. O com prom isso daí resultante, só será possível com o mais amplo debate: a nível macro, p ara q u e se c o m p re e n d a m e
- C ardoso d c Mello, Jo ào Manoel, 1993.
- Liila da Silva, Luís Inácio, 1993. ciiado em Pcna-Vega, 1993. - Nascimento, Elimar P. 1992.
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Funcionário público: trabalhador com o os outros? difundam as metas propostas; anível micro, para que se contribua com a experiência cotidiana sobre a m elhor m aneira dc realizar o trabalho dc cada um. Todo este p r o c e s s o ch a m a -se p r o fis s io nalização do funcionalismo. Só ele é ca p a z d c tra n sfo rm a r "um fu n cion ariozin h o qualquer", de id e n tid a d e in d e fin id a , num trabalhador pú blico, agente do Estado orgulhoso de sua função, con sciente de sua importância e responsável pelo seu trabalho.
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Resum en
FUNCIONÁRIO PÚBLICO: ?UN TRABAJADOR COMO OTROS?
F u n c io n á r io p ú b lic o : ?Un trabajador com o otros? Defiende la tesis de que, en Ias actuales con d icion s de vida y trabajo, la gran m ayoría de los servidores públicos civilcs forma parte, junto con otras categorias sociales, dei n u ev o p ro le ta ria d o b ra sile n o . Trabajador, servidor o funcionário, n o tiene construída para sí mismo, ni ante la sociedade, la identidad
definitiva deaqu él que, ejerciendo las actividadcs bu rocráticas dei Estado, representa los interes de Io colcctivo. Sólo la construcción d e un p ro y e c to n a c io n a l q u e in c o r p o r e Ia id e a d e p r o fe s io n liz a c ió n d e e s te tra b a ja d o r p o d rá c r c a r las condiciones de recuperación de su dignidad. Abstract
CIVIL SERVANTS, A WORKER LIKE OTHERS?
The au th or d efen d s the theory that, in the present working and living conditions, the majority o f the civil servants have becom e a part, together with o th er social categories, o f the new Brazilian proletarian. Laborer, civil servant orgovcm m ent workcr - there is no distinct identify, built by him self o r society, o f the person w ho, while carrying out the beaurocratic activities o f the state, represents the c o lle c tiv e in te r e s ts . O n ly elaboration o f a National Project that in c o r p o r a te s th e id e a o f profissionalizing this w orkcr can creatc the conditions to recuperate his dignity.
B á r b a r a H e lio d o r a F r a u ç a é p r o f e s s o r a d a U n iv e r s id a d e F ed eral F lu m in en se .