Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 8, p. 60441-60451 aug. 2020. ISSN 2525-8761
Mapas Conceituais no ensino de Enfermagem: relato de experiência
Conceptual maps in nursing education: experience report
DOI:10.34117/bjdv6n8-454
Recebimento dos originais:08/07/2020 Aceitação para publicação: 21/08/2020
Mariele Cunha Ribeiro
Mestre em Medicina e Ciências da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica RS Instituição: Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT
Endereço: Av. Oscar Martins Rangel, 4500 (ERS 115) – Taquara / RS / Brasil E-mail: [email protected]
Claudia Capellari
Doutora em Medicina e Ciências da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica RS Instituição: Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT
Endereço: Av. Oscar Martins Rangel, 4500 (ERS 115) – Taquara / RS / Brasil E-mail: [email protected]
Ana Paula Vanz
Doutora em Saúde da Criança e Adolescente pela Universidade Federal do RS Instituição: Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT
Endereço: Av. Oscar Martins Rangel, 4500 (ERS 115) – Taquara / RS / Brasil E-mail: [email protected]
Alexander de Quadros
Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica RS Instituição: Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT
Endereço: Av. Oscar Martins Rangel, 4500 (ERS 115) – Taquara / RS / Brasil E-mail: [email protected]
Carmem Marilei Gomes
Pós - Doutora em Fisiologia pela Universidade de São Paulo SP Instituição: Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT
Endereço: Av. Oscar Martins Rangel, 4500 (ERS 115) – Taquara / RS / Brasil E-mail: [email protected]
RESUMO
Marco teórico: Os mapas conceituais são estruturas gráficas usadas para organizar ideias, durante a sua construção são usados conectores fazendo com que o cérebro use as ligações para lembrar do tema em questão. É apoiado fortemente na teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel, onde menciona que o ser humano organiza o seu conhecimento através de hierarquização dos conceitos. Problemática: utilização do mapa conceitual como recurso didático e facilitador do processo ensino-aprendizagem. Metodologia: Relato de experiência do tipo na utilização dos Mapas
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Conceituais em disciplinas dos cursos de enfermagem e fisioterapia. Resultados: Inicialmente, os alunos se mostraram resistentes na elaboração dos Mapas Conceituais, relataram muitas dificuldades, mas, com as devidas orientações dos professores, puderam perceber a importância do instrumento na construção do entendimento sobre o tema em estudo. Observa-se que quando o estudante utiliza este recurso, ele observa lacunas, dificuldades de estabelecer algumas ligações, e isso o leva a buscar subsídios para preencher essas falhas, assim se torna protagonista no processo de aprendizado, possibilitando autonomia na apropriação de conceitos e transformação do conhecimento. Conclusão: Considerando que a concretização da aprendizagem ocorre, principalmente quando há apropriação conceitual, a utilização dos mapas conceituais faz com que o processo ensino-aprendizagem seja mais eficaz, principalmente na área de saúde onde requer do aluno a capacidade de inter-relacionar o aprendizado em disciplinas teórico-práticas aliado às competências técnicas e práticas humanizadas. Objetivando desenvolver um raciocínio clínico e pensamento crítico, para a junção dos conceitos e problematizações feitas, a metodologia dos mapas conceituais se mostrou um facilitador.
Palavras-chave: Aprendizagem, Educação em Enfermagem, Métodos, Formação de Conceitos.
ABSTRACT
Theoretical framework: Conceptual maps are graphic structures used to organize ideas, during their construction connectors are used making the brain use the links to remember the theme in question. It is strongly supported by David Ausubel's theory of meaningful learning, where he mentions that the human being organizes his knowledge through the hierarchization of concepts. Problematic: using the conceptual map as a teaching resource and facilitator of the teaching-learning process. Methodology: Report of experience in the use of Conceptual Maps in nursing and physiotherapy courses. Results: Initially, the students showed resistance in the elaboration of the Conceptual Maps, they reported many difficulties, but, with the proper orientation of the teachers, they could perceive the importance of the instrument in the construction of the understanding about the subject in study. It is observed that when the student uses this resource, he observes gaps, difficulties in establishing some connections, and this leads him to seek subsidies to fill these gaps, thus becoming a protagonist in the learning process, enabling autonomy in the appropriation of concepts and transformation of knowledge. Conclusion: Considering that the achievement of learning occurs, especially when there is conceptual appropriation, the use of conceptual maps makes the teaching-learning process more effective, especially in the area of health where the student requires the ability to interrelate learning in theoretical and practical disciplines combined with humanized technical and practical skills. Aiming to develop a clinical reasoning and critical thinking, for the junction of the concepts and problematizations made, the methodology of the conceptual maps proved to be a facilitator.
Keywords: Learning, Nursing Education, Methods, Concept Formation.
1 INTRODUÇÃO
A educação contemporânea traz desafios cada vez maiores no processo ensino aprendizagem, sendo um dos principais o despertar do aluno como agente de sua formação. Neste sentido, as metodologias ativas vêm sendo exaustivamente exploradas e utilizadas como ferramentas para motivar a curiosidade e inserção do aluno nos contextos em salas de aula, trazendo
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contribuições, por vezes inovadoras, cabendo ao professor estimular, incentivar e valorizar tais ações (Berbel. NAN, 2011).
Ressalta-se que a aprendizagem é reforçada quando o discente tem ativa participação neste processo, possibilitando a modificação de estruturas sinápticas necessárias, por exemplo, para a formação de memórias de longo prazo. Tais modificações estruturais e neuroquímicas podem representar também alterações comportamentais necessárias para que ocorra a motivação no processo de aprendizagem (CONSENZA e GUERRA, 2011).
Neste sentido, as metodologias ativas oferecem um importante estímulo para dinamizar processos cognitivos. Ademais, ambientes desafiadores que proporcionam experiências enriquecedoras, produzem um fortalecimento de conexões entre os neurônios (ROTTA et al, 2018). A neurociência contribui para a compreensão de como o cérebro aprende, qualificando a escolha de estratégias de ensino e aprendizagem (FILIPIN et al, 2017).
Do ponto de vista neurobiológico, a aprendizagem está relacionada à consolidação das sinapses entre os neurônios e é influenciada por ações ambientais, como o método escolhido para a aprendizagem, por exemplo. Neste sentido, o professor cada vez mais precisa adotar uma flexibilidade didática, assumindo papel de mentor e facilitador, priorizando e intermediando o acesso do aluno à informação. Para isso, suas técnicas devem ser aprimoradas constantemente e seus métodos e metodologias de ensino, consequentemente, para atender às necessidades que vão surgindo (BRIGHENTI et al, 2015).
Um grande desafio para a prática docente atual é inovar o processo ensino - aprendizagem, de forma que este seja dinâmico, atrativo, motivador e, principalmente, que coloque o aluno como protagonista atuante em sua formação, passando ao professor o papel de mediador, facilitador e as metodologias ativa são ferramentas essenciais neste processo; causando, ao menos inicialmente, um certo receio e/ou resistência dos educadores em se apropriarem de tais métodos (DIESEL, 2017). A gama de metodologias ativas é extensa, cabe ao docente avaliar alguns fatores, como por exemplo, o componente curricular e o objetivo final para com o discente. Uma das ferramentas de fácil utilização são os mapas conceituais (MCs), que são estruturas gráficas usadas para organizar ideias, sendo uma ferramenta de estudo e, durante a sua construção, são usados conectores, fazendo com que o cérebro use as ligações para lembrar do tema em questão (MOREIRA, MA. 2013).
O MC é apoiado fortemente na teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel, a qual menciona que o ser humano organiza o seu conhecimento através de hierarquização dos conceitos. A técnica, no entanto, foi desenvolvida por Joseph Novak e colaboradores, em meados da década de 70 (MOREIRA, MA. 2013).
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Outro conceito reforça que os MCs são representações gráficas que demonstram conjuntos de ideias e conceitos dispostos em um tipo de rede de conceitos, de modo a expor claramente o conhecimento e sua organização mental, segundo a compreensão cognitiva de quem o faz. Logo, indicam relações entre palavras e conceitos, são utilizados para a facilitar e ordenar a sequência hierarquizada dos conteúdos abordados, de modo a oferecer estímulos adequados à aprendizagem (APG, Silva. 2018). Ainda que adotem uma disposição hierárquica, não devem ser confundidos com organogramas ou diagramas de fluxo (MOREIRA, 2013).
A utilização dos MCs na área do ensino de Enfermagem possibilita o desenvolvimento de habilidade de maior pensamento crítico e reflexivo, uma vez que amplia a capacidade de relação e síntese de conceitos, levando o estudante a compreender melhor a teoria que introduz à prática clínica assistencial, através de uma melhor elaboração do planejamento do cuidado a ser prestado de forma holística, crítica, reflexiva em sua integralidade (CROSSETI, et al. 2009).
O objetivo deste manuscrito é relatar a utilização de MCs como recurso didático facilitadores do processo ensino-aprendizagem em duas disciplinas distintas do curso de Graduaçãm em Enfermagem de uma instituição privada de Ensino Superior (IES) no interior do Rio Grande do Sul, Brasil.
2 METODOLOGIA
Trata-se de relato de experiência de discentes na utilização dos Mapas Conceituais, no curso de Enfermagem das Faculdades Integradas de Taquara – FACCAT, nos componentes curriculares Genética e Evolução e Saúde do Adulto, correspondentes ao 4º e 5º semestres de formação acadêmica, respectivamente. Tendo em vista que este trabalho relata a experiência vivida por docentes, não constitui-se de uma investigação envolvendo seres humanos, dessa forma, não houve necessidade de apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa.
A metodologia passou a ser utilizada no ano de 2018 e vem sendo aplicada desde então, tendo sido utilizada junto a 04 turmas até o momento (02 em Genética e Evolução Humana e 02 em Saúde do Adulto), correspondendo a cerca de 100 alunos envolvidos ao total. Os conteúdos relativos aos citados componentes curriculares envolvem uma gama de termos e conceitos, cuja apropriação, por parte dos discentes, se faz necessária, para que seja possível estabelecer relações com a prática clínica do enfermeiro e, assim, desenvolver a habilidade de raciocínio clínico. No contexto, os mapas não foram utilizados como ferramentas avaliativas, mas como pistas acerca do processo de aprendizagem.
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Sua utilização foi realizada da seguinte forma: na primeira aula, o professor apresentava a metodologia, explicando seus propósitos, exemplificando e disponibilizando material de apoio (texto e artigos sobre a utilização de mapas e exemplos). A seguir, a partir de um contrato pedagógico, acordava-se que o aluno realizaria ao menos um MC por aula. Na segunda aula, os estudantes construíam seus MC, manuscritos ou digitalizados, e o docente discutia e revisava os MC, revisitando os exemplos da aula anterior, correlacionando com o material de apoio e refletindo acerca dos mesmos e da prática clínica do enfermeiro. Os MC serviriam de material de estudo e consulta, bem como trariam inferências acerca da compreensão do estudante sobre aspectos relacionados à disciplina. A partir da terceira aula, os estudantes elaboravam seus MC e, a partir de
feedback coletivo, cada estudante realizava a autoavaliação de seu MC.
Cabe ressaltar que, embora os MC não tenham sido utilizados como modelo avaliativo único, a atitude do aluno em construir o seu mapa fazia parte do conjunto de itens que compunham a avaliação. O professor, por sua vez, considerando a apreciação dos MCs, realizava um feedback, a partir do qual os estudantes poderiam retornar ao material construído, revisitando conceitos, termos e associações, e alterando o material, se necessário. Esta etapa era fundamental, considerando sua contribuição para a autorregulação da aprendizagem. Destaca-se que o propósito da mesma era recordar e reforçar conceitos fundamentais, que deveriam fazer parte do material e, além disso, identificar associações significativas, realizadas pelos estudantes.
3 RESULTADOS
A utilização da metodologia dos MCs se deu em componentes curriculares teóricos e de semestres mais iniciais do curso de Enfermagem, vislumbrando despertar a autonomia dos alunos em seu processo formativo e acadêmico.
A partir da ementa e objetivos de cada componente curricular envolvido, foi possível notar a aplicabilidade dos MCs para a abordagem de diversos conceitos teóricos, conforme detalhamos a seguir:
- Saúde do Adulto traz como ementa: Saúde do adulto a partir das políticas públicas de saúde. Cuidados clínicos e cirúrgicos. Objetivos de Aprendizagem: Discutir e fomentar a construção do conhecimento relacionado ao processo saúde-doença no adulto em diferentes etnias, bem como, sinais e sintomas que indicam a gravidade do paciente no processo saúde-doença em diferentes etnias; exercitar a aplicabilidade das etapas do processo de enfermagem em diferentes contextos hospitalares; consolidar estratégias apropriadas para o alcance das metas do cuidado de enfermagem, e as condições atuais do indivíduo hospitalizado ou em condições de alta; Implementar
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a cultura da segurança do paciente e a integralidade como pressupostos básicos para a assistência em enfermagem nos diferentes níveis de atenção à saúde.
- Genética e Evolução, a ementa traz temas norteadores acerca da Genética Médica Os objetivos de Aprendizagem:; fornecer ao estudante de enfermagem os conhecimentos necessários de genética para a compreensão de diferentes síndromes e doenças de origem genética; articulação e a reflexão entre teoria e prática no âmbito da genética; : Evidenciar a importância da atuação do enfermeiro, tanto por meio da consulta de enfermagem quanto em suas demais atividades profissionais, incluindo a orientação e supervisão da equipe de saúde; Identificar quais são as possibilidades de aplicação desse conteúdo nas ações do cuidado integral aos indivíduos, família e à comunidade na prática da Enfermagem; Elucidar o papel do Enfermeiro na orientação dos seus pacientes e equipe de saúde; Enfatizar importância da identificação de pacientes que necessitam de acompanhamento especializado de um geneticista.
A partir do exposto, e entendendo que ambas disciplinas compõem uma enormidade de conteúdos e conceitos a serem abordados, as professoras buscaram alternativas para tornar tais abordagens mais dinâmicas, possibilitando a ativa participação dos discentes e a compreensão e apreensão dos conteúdos, bem como o alcance das competências e/ou habilidades esperadas para cada componente curricular. A utilização dos MCs foi a escolha da metodologia por ambas docentes, iniciando por estudos mais aprofundados acerca do método e apropriação de sua aplicabilidade.
Inicialmente os alunos se mostraram resistentes à elaboração dos MCs e relataram muitas dificuldades. Muitos diziam que não entendiam o porquê "fazer aquilo". Alguns argumentaram ter mais trabalho, uma vez que costumavam estudar por resumo e agora teriam de fazer "mais um mapa".
A partir das orientações e com o passar das aulas, eles puderam perceber a importância do instrumento na construção do entendimento sobre os temas em estudo. Passada a primeira avaliação, por meio do feedback qualitativo, optou-se por considerar a construção do mapa conceitual um dos itens que compunham o montante desta avaliação, pois, quase a totalidade dos discentes expressaram satisfação no uso da metodologia, referindo que foi mais fácil a compreensão dos conteúdos apresentados devido a forma de expor seu entendimento através dos MCs (conceitos e ligações em formas gráficas variadas).
A partir do exposto, pode-se inferir que, aos docentes, foi possível identificar uma melhor desenvoltura dos alunos no processo ensino-aprendizagem, identificando pistas sobre a apropriação de conteúdos e as correlações possíveis com as discussões realizadas, com os exemplos e com o processo de cuidado realizado pelo enfermeiro. Os alunos, por sua vez, foram capazes de identificar
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qual sua posição em relação ao alcance dos objetivos propostos, despertando nos mesmos a necessidade de revisitação do material de estudo, de criação de estratégias para melhorar o processo de aprendizagem (desenvolvimento de MCs, por exemplo) e, consequentemente, melhora em seu apreço por seu desenvolvimento acadêmico, a partir das avaliações e feedbacks qualitativos recebidos.
Em relação aos docentes, ainda é válido destacar que, notoriamente o processo de ensino-aprendizagem, com utilização de metodologias ativas, se tornou melhor direcionado, de forma mais individualizada, sendo que a metodologia proposta evidenciou a subjetividade da aprendizagem dos alunos, ressaltando o objetivo a que se propõe. Também oportunizou a realização de um trabalho mais dinâmico, interativo, inclusive em processos de avaliação, mesmo em disciplinas que tratam de conteúdos teóricos, em sua maioria.
4 DISCUSSÃO
Dentre as metodologias ativas, a experiência adotada por este grupo de docentes permitiu observar que, quando o estudante se vale da construção ou "criação" do seu mapa conceitual, ele começa a observar lacunas, dificuldades de estabelecer algumas ligações, e isso o estimula a buscar subsídios para preencher essas falhas (revisar o material de apoio, livros...). Com isso, o aluno se torna um importante ator no processo de aprendizado, ou seja, se possibilita autonomia na apropriação de conceitos e transformação do conhecimento.
Estudos corroboram com os resultados aqui apresentados e mostram que, apesar de algumas dificuldades iniciais – estabelecimento de conceitos e ligações; resistência à utilização do método por estudantes e/ou professores; tempo para elaboração – após superadas, o que se nota é um aprendizado mais efetivo e eficaz, que amplia a capacidade de organizar, relacionar e integrar conhecimentos, pensamento crítico e de realizar associações da teoria com a prática, o que resulta em discussões mais críticas e contextualizadas das temáticas (MACHADO; SILVA, 2019). Outro estudo ressalta os princípios que permeiam a utilização de metodologias ativas no ambiente de ensino: o aluno como centro de ensino-aprendizagem; o desenvolvimento da autonomia e reflexão; problematização da realidade; trabalho em equipe; inovação; professor como mediador, facilitador e ativador do ensino (Diesel, 2017). Tais trabalhos ratificam nossos achados e reforçam o objetivo principal do uso de metodologias ativas, ou seja, proporcionar ao aluno que seja o protagonista de seu processo de formação acadêmica, instigando os docentes a propiciar a aproximação da teoria com a prática, de forma articulada e realista.
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O ser humano é capaz de aprender constantemente e isto deve-se, em grande parte, a uma característica do sistema nervoso de criar e desfazer processos de transmissão sináptica entre neurônios, chamada de plasticidade (TOKUHAMA-ESPINOSA, 2010). A neurociência mostra que os docentes são estimuladores da plasticidade neuronal de seus alunos durante o horário de aula. Assim, para que o conhecimento seja adquirido, o cérebro necessita codificar a informação e promover alterações em conexões sinápticas, isto é plasticidade cerebral (LAMEIRÃO et al, 2019).
As evidências da neurociência, portanto, apoiam a iniciativa empreendida com a aplicação de tal método, evidenciado pela participação ativa dos discentes em seu processo de aprendizagem, desde a construção dos MCs, até a composição de avaliação das disciplinas. Isso é ilustrado por trabalhos realizados para construir MCs (COGO et al, 2009) e também para avaliar sua utilização em processos avaliativos. Este último incluiu o professor, três especialistas em mapeamento conceitual e os alunos. O desfecho do estudo concluiu que é possível a inclusão de alunos no processo de avaliação de MCs, desde que os mesmos estejam familiarizados com a técnica (CORREIA, SILVA, JUNIOR, 2010).
A educação traz desafios cada vez maiores aos educadores e as metodologias ativas têm sido amplamente utilizadas e divulgadas nos meios de ensino desde a educação infantil, ao ensino superior e especializações. Porém, perpassa pelo enfrentamento de dificuldades na aplicabilidade das metodologias ativas pelos docentes, dentre elas: problemas curriculares (tempo; desarticulação entre conteúdos curriculares e realidade/prática); resistência por parte dos docentes em utilizar as metodologias ativas, permanecendo com modelos tradicionais e antigos de ensino; e ainda, dificuldade de compreensão para aplicar as metodologias ativas pelo docente demonstrando a necessidade de estudos, cursos a serem fornecidos pelas instituições de ensino e formação de docentes (DIESEL, 2017).
A implementação de metodologias ativas é processo que exige engajamento de alunos e professores, bem como, a adequada estrutura na instituição, desde a compreensão pedagógica necessária até questões de organização acadêmica e administrativa institucional. Comprovando o que foi tratado neste estudo, após apropriação das metodologias ativas por parte do docente, é notória a melhor desenvoltura em sala de aula, o envolvimento dos alunos a partir da compreensão de si como atuante em sua formação, tornando o processo ensino-aprendizagem satisfatório, prazeroso e estimulante.
Os MCs são potentes para organizar o conhecimento, pela promoção de experiências educativas que provocam reflexão, busca de compreensão e processamento da informação e, inclusive, autorregulação, metacognição e o aprender a aprender (SOUZA, BUROCHOVITCH,
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2010). Cabe alertar, no entanto, que é necessário que os docentes estejam atentos à justificativa de uso dos MCs e as teorias que justificam o uso dessa opção metodológica para que sua aplicação seja bem sucedida, sob o risco de a mesma se tornar uma experiência fugaz e lúdica (CORREIA, SILVA, JUNIOR, 2010).
Como limitações, foi possível perceber que ainda há poucos estudos, principalmente nacionais acerca do tema, o que evidencia a necessidade de mais publicações que tratem desta metodologia e estimule sua utilização, visto os benefícios encontrados e tratados neste estudo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que a concretização da aprendizagem ocorre, principalmente, quando há apropriação conceitual, a utilização dos mapas conceituais, faz com que o processo ensino-aprendizagem seja mais eficaz e lógico, principalmente na área de saúde, em que requer do aluno a capacidade de inter- relacionar os conceitos adquiridos em disciplinas como anatomia, fisiologia, farmacologia e diversas outras e, junto a isso, o tratamento e cuidados com o indivíduo, família e comunidade.
É fundamental que a formação desses profissionais seja direcionada à competências técnicas, teóricas, práticas e humanizadas, tendo como objetivo desenvolver um raciocínio clínico e pensamento crítico, para a junção dos conceitos e os problemas que virão. Portanto os MCs fazem a diferença no processo de aprendizagem, proporcionando facilitadora e eficaz compreensão no processo de aprendizado.
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