González, Felipe

Texto

(1)

lllSTll-I,JTO DË CiEl'lClAS SOCIAIS

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lirrrrl'¡llTaT¡Trífilllll

/ssrunrrre oe (EPúBLrcA co\f o Âtt'o l,Àl R()(lÍN lo DL SUt tlx(l!:LIì^vCI^ BIBI,IÔT ECA O Presidente da República

DICIONTARIO

DAS

GRANTDES

FIGTJRAS

ELJROPEIAS

Coorden

ação

Isabel

Bakazar

Alice

Cunha

l,)'.%ñ\¿

.iYF-$H)Yt'

"ëwl"

(2)

INDICE

Prefácios

Regina Bastos, Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus 7

Ana Paula Zacarias, Secretária de Estados dos Assuntos Europcus ... 9

Prólogo As Grandes Figuras da Construção Europeia, Alice

Cunha...

... ... ...13

Introdução

A Herança das Grandes Figuras para o futuro da Construção Europeia, Isabel Baltazar... 15

Entrada

Adenauer, I(onrad

Autor

Carlos Gaspar .31 37 39 45 51 57 67 65 69 73 79 85 91 97 101 105 109 113 777 Á1'nnr.r,

Pedro...

Guilhe¡me d'Oliveira Martins Antunes SJ, Manuel José Eduardo Franco .. Michel Renaud ... Aron, Raymond Bech,

Joseph

Henrique Burnay e Margarida Malheiros Benda, Julien Bevin, Ernest Isabel Carnisão Beyerr, Johan Wi1lem... Vicente de Paìva B¡andão Paulo Vila Maior ... i : : : : i : l Bichet, Robert André Pereira Matos Bidault, Georges Paulo Carvalho Vicente Briand,

Aristide...

Adriano Moreira lìrugmans, Henri Maria Fernanda Enes FICIüTÉCNICA Calvet de Magall"rães, José ... Churchill, Winston ... Isabel Maria Freitas Valente João Carlos Espada Título Dicionário das Grandes Figuras Europeias Coordcnação Isabel Baltazar e Alice Cunh¿ Colombo, Emilio Vanda Figueiredo Corrêa d'Oliveira, José... Coudenhove-Krf ..gi,

Ri.h"lJ....

Júlio Rodrigues da Silva Maria Sousa Galito ... Edição Assernblcia da República - Divisâo <ìe Ddições Rcvisão Susana Oliveira Capa e clcsign Nuno Tinótco De Gasperi, Alcide De Gaulle, Charles Paulo Sande Manuel

Loff

De Rougemont, Denis... Carlos E. Pacheco Amaral e Fábio Lourenço

Yie\ra

I23

Delors, Jacques Eduardo PazFeneira .. Carlos Morujão ... r29 135 141 145 751

t5/

t63

Dcrrida, Jacques ... Paginação e pré-impressão Mário Clrarola Irnprcssão Jorge Fìrnandes Tiragem 600 exemplarcs Du Bois, Pierre Einaudi, Luigi Luís Andrade Gabriele De Angeiis Genscher, Hans Dietrich Giscard d'Estaing, Valéry ... Ana Paula Brandão ... Manuel Porto GonzâIez, Antonio Muñoz Sánchez ISBN 978-972-55ó-71 1_1 l)epósito Lcgal 45 6 408/ 19 Guerra, Ruy Nuno Valério ,,..,..,,,, 169

Haas, Ernst B Alice Cunha t73 Habermas, Jürgen Hallstein, Walter Mendo Castro Henriques ... 777

l,isboa, rnaio c1c 2019 €) Assemblcia da Rcpública Di¡citos rescrvados, nos termos cìo artigo 52.. c{a lei n." 2gl2003, clc 30 de julho. José M. Magone ...183 ...189 ... 193 ... 797 Hugo, Victor Jenkins, Roy Cristina Robalo Cordeiro Carlos Ribeiro Medeiros l(ant, ìmmanuel ... Karamanlis, Konstantin Viriato SoromenhoMarques ClâudiaToriz Ramos ... 203

wm{parl¡me nto.pt Kissinger, Henry Elionora Cardoso ... 207

María de laPazPando Ballesteros

.."...'...

2t1

.¡\ Assemblcia da República rgradcce às instituições e particularcs que ccderam irlirgcns.

I(ohl, Helmut

(3)

Madariaga, Salvador de

...

Rui Aballe Vieira ... Lima, Sebastião de Magalhães ....

Lopes, En'râr"ri Rodrigues Lourenço, Edurrdo Lur-rs, Joseph Marc, Alexandre Marshall, George Mayriscl.r, Emìle Teresa Nunes

Eduardo Raú1 Lopes Rodrigues

Maria Manuel Baptista e Dulce Martinho Sónia Ribeiro

Reinaldo Saraiva Hermenegildo Maria Fernanda Rollo

José Tavares Castill'ro

Maria Luísa Duarte ..

Ruì Tavares

Pedro Emanuel Mendes

Acílio da Silva Estanqueiro Rocl.ra

Francisco Pereira Coutinho Marília Rosado Carrilho Edmundo Alves

José Gomes André

Clara Isabel Serrano

António Venturl

Norberto Ferreira da Cunha Ana Isabel Xavier

Fernar-rda Neutel

Fátima Pacheco

Ana Mónica F'onseca

Rt¡i Manuel Morrrr Ramos

Manuel Filipe Canaveira

Vítor Magriço Dina Sebastião Teresa Ruel

Cláudia de Castro Caldeirinha

Sérgio Neto

Eugénio Pereira Lucas António Horta Fernandes

Diogo Freitas do Amaral

Paulo Alves Pardal

277 221 225 229 z.t.'t 239 245 251 257 26L 265 271. 1 -1',7 zó-t 289 295 299 303 307 .) 1.) 31.7 321-JZ/ JJ1 .1.1') 339 345 349 -t).t 357

36t

365 371 375 379 385 389 393 397 403 409 473 479 423 429 435 441, 477

Maljolin, Robert

...

Luís Aguiar Santos

Prefácio

Nietzsche, Friedriclr Mazzini, Giuseppe

Mcdciros Ferrcira, Josi

M itterrerrd, Frrnçois

Monnet, Jean João Mota de Campos

Monteiro, Amaro do

Saclamento

Rui Lourenco Amaral de Almeida Mor-in, Edgar Eduardo Ferraz- da Rosa

João Medina

Noël, Émile Sandrina Antunes

Na

Europa

ocidental do

século

XIX

surgem vivos debates ideológicos

e

de

visões de sociedåde que

têrì

como pano de fundo o caPitalismo liberal e que âssentam

,.o

id"io

do sufrágio tendencialmente universal, sendo o povo' atfavés do voto, a exercef

o controlo e a conferir a legitimidade da classe dirigente'

Filósofos,

políticos,

ideélogos

e

protagonistas diversos

que

atravessaram c período dos séculås

XIX

e )O( marcaram Pfofundamente a

história

e a evolução para

'o

mod"lo

original e sem paralelo que passou a constituir o chamado projeto euroPeu.

Gro,re", e tumultu;sos eventos, acontecilnentos e ggefras' burilaram as cofrentes

político-ideológicas.

'

I-p..trãrr.l

prru

os criadores

da

Sociedade das Nações,

a

Segunda Guerra

Mundial o.orrt"."rr,

d.vastou a Europa e

fez

dezenas de milhões de mortos' trazendo

à evidência a necessidade de construção de

um

modelo de união de Estados-Nação que,

paftilhando

soberania e adotando políticas comuns, fosse capaz de assegurar a

Paz.,þraticar a Solidariedade e construir a Prosperidade Social'

Dos Pais Fundadores da

comunidade

Económica do carvão e do Aço

(coce)'

pâssando por chefes de Estado e de Governo que Protagonizanm o apfofundamento

äo

-od.lã

de integração político, económico e social desse novo modelo, e â muitas personalidades

de;1t;,

r.

d"u.

a evolução e a concretização das várias etapas da

cons-tlução da União EuroPeia.

De

entre esses protagonistas ,fazem parte Políticos e ideólogos portugueses que

tiveram

um

papel

d. .norÃ.

relevância na tradução

do

sentimento pró-europeu do nosso povo,

.rio.,do

na dianteira das grandes etapas-d-â integração a Par da maioria

do, ,.r.,,

parceiros europeus.

Assim tãndo sido

no

Mercado

ljnico'

no

Espaço de

Livre

Circulação

"schenged"

na adoção da

Moeda lJnica

e, mais recentemente' na Cooperação Éstr.uturadaÞermanente em

'

matéria de Segurança e Defesa.

o

Di.ior.ário

das Grandes Figuras Europeias, que agofa se publica' surge em

momento crucial da vida da

união,

"-

pl..ro

processo de negociação da saída de um

dos seus Estados-membros, o Reino

unido

(Brexit),do

crescimento dos movimentos populistas detratores

do projeto

europeu,

e

da crise de refugiados

e

migfantes que

i.*u-

a solidariedade. Estas realidades têm que ser enfrentadas e requefem memóriâ

histórica, gÍ'Lîdezade argumentos, respeito pelas diferenças, constfução de consensos

e práticas "políticas conceitadas capazes de sedimentaf o sentimento de pertença euro-peia dos seus Estados-membros.

: :

Re¡

Jean

Manuel de Almeida Ribeiro Nunes, M:rnrrel Jrcirrto

Ortega Y Gasset, José

Pescatore, Pierre

Pintasilgo, Maris de Lourdes ... Pires, Francisco Lucas

Proudhon, Pierre-Joseph Rarnadier, Paul Reinold, Gonzague de ... Retinger, Jósef Reves, Emery Rossi, Ernesto Sá, Luís Schrnidt, Helmut Schuman, Robelt Sforza, Carlo Silva Lopes, José da

Soares, Mário

Spaak, Paul Henri Spine1li, Altielo

Strauss, Franz Joseph ... Stresemann, Gustav ... Thatcher, Margaret

Tindemans, Leo

Uri, Pierre ,

Va1ér¡ Paul

Van Zeeland, Paul Vasconcelos, Irene de Veil, Simone . \Meiss, Louise Werneq Pierre Créditos fotográficos António Covas Isabel Baltazar

Maria Manuela Tavares Ribeiro Maria Têresa Santos ...

(4)

GONZÁLEZ,FELTPE

|

163

GONZALEZ,FELIPE

Presidente do governo entre 7982 e L996,o socialista Felipe González é

consi-derado

como

um

dos

grandes estadistas contemporâneos

de

Espanha.

Foi

figura

destacada nos processos de democratizaçáo e modernização que se seguiram à morte

de Franco e que mudaram profundamente uma sociedade marcada pela guerra

civil

e 40 anos de ditadura.

No

imaginário coletivo dos espanhóis, o salto histórico vivido

pelo

seu país

no último

quarto

do

século )O( é inseparável da "europeização". Por

isso, a entrada na CEE durante o governo socialista representa Para os espanhóis um momento de enorme força simbólica.

A

política do

presidente Gonzâlez

dirigida

a

consolidarademocraciaeoEstadosocialeaprojetarinternacionalmenteaEspanha

encontrou a sua principal base de apoio na CtrE. Convicto europeísta,

Gonzâlezfoium

decidido impulsor da Utr.

Nascido em Sevilha, em 1942,

no

seio de

uma

famíIia de classe média-baixa, Felipe González

foi

educado num colégio religioso e estudou

Direito

na Universidade da capital andaluza.A sua postura

uítica

para com o regime franquista consolidou-se

durante uma estadia na Universidade de Lovaina, onde teve o seu

primeiro

contacto

com a democracia europeia.

Após

a licenciatura, Gonzâ\ez exerceu como advogado especializado

em Direito

de

Trabalho

e

afìliou-se ao histórico

Partido

Sociaiista

Operário Espanhol

(lson),

na altura extremamente debilitado por causa da repressão.

Ao

lado de

Alfonso

Guerra, impulsionou a reativação do PSOE na Andaluzia conver-tendo-se em figura de referência do movimento reformador, que reclamava mudanças no partido, dominado por exilados da guerra civil. As tensões entre a nova geração e a

velha guarda levaram à rutura do PSOE em 7972, decidindo a Internacional Socialista reconhecer os renovadores e excluir os históricos.

Em

outubro de 1'974,Felipe González

foi

eleito secretário-geral do PSOE num

congresso realizado em Paris, que refundou

o partido

sobre novas bases ideológicas e estratégicas, tentando posicionar-se perante o

iminente

fim

da ditadura franquista.

Apoiando-se nos companheiros de Sevilha, Felipe González procurou reorganizar em

Espanha

o

PSOE

e

devolver-lhe

a

sua

histórica

liderança

da

esquerda, para a qual

iria

pugnar com o poderoso

Partido

Comunista de Santiago

Carrillo

e com muitos

pequenos partidos socialistas. Para este objetivo, o PSOE contava com o apoio solidário

dos socialistas europeus, muito preocupados, desde o 25 de

Abril

de 7974,com a insta-bilidade na Península Ibérica e especialmente com o avanço dos partidos comunistas.

(5)

I

764 |

GONZÁLEZ,FELTPE GONZIILEZ,FELIPE

I

165

em outubro daquele

^no, na sede do

Partido

Socialista português em Lisboa. para a projeção mediática em Espanha, do até então quase desconhecido

GonzâTez,contri-buíram grandemente as suas viagens ao estrangeiro, convidado por diversos partidos da

Internacional Socialista.

O

contacto direto com dirigentes

..rrop..r,

representou, além disso, uma grande esco_la de formação política

pur"

o

¡ou.*

ÍdËr

do psoE, sendo que, aquando da morte de Franco, em novembro de

rg75,tinha

abandonado o

,.r,

ur1ì.-rior

discurso combativo e apostava não na "rutura democrática" mediante mobilizações

de rua,

como

queriam os comunistas, mas pela desmontagem gradual da ditadura,

como defendia o novo chefe do Estado, o rei Juan Carlos

L

Enquanto o governo da monarquia av^îç^valentamente na reforma política, o PSOE concentrava-se em consolidar a sua fraca infraestrutura e em preparar a ðampanha para as primeiras eleições democráticas, contando com a ajuda fi.rãrr.èi.a e logístìca da alemã Fundação Ebert.

Em

dezembro de 7976,o ainda ilegal

pSotr

realizouno centro

de lVladrid o seu

primeiro

congresso em Espanha desde a guerra civil.

A

assistência de todos os grandes líderes do socialismo europeu (com a úniãa exceção de

Mário

Soares) converteu o congresso

num

acontecimento de imenso impacto num país ansioso por ser parte da Europa democrática e consolidou Felipe Gonãález como ð dirigente

esþa-nhol

com maior dimensão internacional. Nas eleiçoes legislativas de

junhJde I9Zi,

o

PSOtr obteve um espetacular resultado de 29o/o dos votoq 20 pontos acima do Partido Comunista e apenas cinco abaixo da

ucD

(Unión

de Centro Democrático) do

presi-dente do governo

Adolfo

suírez.

como

líder da oposição, Felipe González defåndeu

uma

política

de consenso com o governo orientada

p"tu

u .o.rìlrrsão do processo de

democratíz,açã.o, e cujos pontos mais marcantes foram a elaboração da

constituição

e

os Pactos da

Moncloa,

dirigidos a superar a depressão económica.

No

plano extårior, o PSOE apoiou plenamente o pedido de adesão à

cEE

apresentado

por Stârezno

mês

de

julho

de 1977 e conseguiu, graças à sua influência entie os partidås da Internacional

Socialista, que, em outubro de 1977,o Conselho da Europa aàmitisse a Espanha como membro, apesar de não ter ainda uma constituição democrática.

A

estratégia moderada do

psoE

impulsionada

por

Felipe Gonzâlez provocou

um crescente mal-estar entre as bases do

partido

que, no

.ongi.rro

de

maio

de

1979, pretenderam aprovar

um

programa claramente

áe

esquerda-,

ao

que

o

indiscutível

secretário-geral respondeu com a retirada da sua candidatura para a reeleição.

Num

congresso extraordinári

o

realizado em setembro ,

Gonzâlez..grèrrou triunfante

como

líder e-conseguiu

impor

um programa social-democrata com

ã

qual preten dia atrair a

parte do eleitorado de centro que

tinha

dado a

vitórízà ucD

,.u,

el.içoe,

celebradas após a aprovaçã.o da

constituição

em dezembro de 192g.

como

parte da estratégia

para chegar ao poder, o PSOE lançou uma agressiva operaçã,o de desprestígio do

preîi-dente suárez que, abandonado pelo seu

próprio

prriido,

acabaria

io, ,r

demitir

em

janeiro de 1981' Na sessão de investidura do novo presidenre,

L.opãldo

Calvo Sotelo, uma unidade da Guardia

Civil

assaltou o Parlamento e

iniciou

um golpe de Estado

de

ultra-direita

que, contudo, fracassou em poucas horas graças à int"ervenção do rei.

Considerando

a

situação

de

emergência nacional,

o

psóE, regressou

à

política

de consenso com o governo, que porém acabaria por abandonar em1,9g2,quando

calvo

Sotelo aprovou a entrada de Espanha na NATO. Procurando capitalizar a'rejeição desta decisão por parte de amplos sectores da sociedade, os socialistas colocaram-se à frente

de uma onda de protestos contra o governo e Felipe Gonzâlez prometeu celebrar um

referendo

,ob..

a permanência do país na NATO quando o PSOE alcançasse o poder.

A

oportunidade apresentou-se antes do previsto, devido à crise instalada na UCD, que

obrigou

"

o presidente a convocar eleições anteciPâdâs.

N"r

eleições de outubro de 1982,o PSotr obteve uma vitória histórica (48,L10/o). Com 40 anos, Felipe Gonzâlez converteu-se no chefe de governo mais jovem do

conti-nente. Para viabil\zar

o

seu projeto de consolidação da democracia, modernização e

projeção internacional de Espanha, o presidente Gonzâ\ez considerava imprescindível

i

täpía^entrada do país nu CBO.

As

negociações com Bruxelas, iniciadas em fevereiro

d"

ig7g,

encontravam-se, aliás, na altura,

num "ponto morto" por

causa da decisão de Paris de bloquear

o

alargamento ibérico pelo

temor

de que

o

seu sector agrícola

mediterrânico fÅse durameãte danificado com a entrada de Espanha na Comunidade'

Embora a

sua afinidade ideológica

com

o

presidente francês François

Mitterrand'

Felipe González não conseguiu convencê-lo patalevantar o veto e procurou

por

isso

"poio

.ro novo chanceler alemão

Helmut

Kohl. f)urante

uma visita à RFA' em março

¿"

1SSS, o presidente do governo espanhol

fez

uma inesperada declaração a favor da

instalação áos

..rro*ísseis

em,território

alemão, defendida

por Kohl

e rejeitada de

forma veemente

por

grande parre da opinião pública alemã e pelo velho amigo dos socialistas erpanhóis

WiUy

nt""at.

Esta mudança pro-atlantista de Felipe Gonzâlez

provocou

conflito

com

o

seu

ministro

dos Negócios

Estrangeiros' Fernando

il4orán,

o

qual

foi

substituído

por

um fiel

servidor

do

presidente' e que era

muito

,.1oro (r.1oro

do controlo era ó presidente, deve ficar claro ao

leitor)

do

controlo

da

política europeia do governo socialista.

'

Muità

comprometida com

o

alargamento ibérico, a RFA impulsionou, graças à sua potênci^

".oãó*i.",

as reformas na Política

Agrícola Comum

requeridas pela

Frarrçå e as negociações com Portugal e Espanha foram desbloqueadas.

A

entrzda na

CEE;

1 de jan"eiro

de

1986 representou

um

enorme sucesso para o governo socialista e para

o

seu carismático presidente.

Muito

cedo sentiram-se em Espanha os efeitos positivos da adesão com a chegada dos fundos de coesão e de acrescidos investimentos estrangeiros.

Num

ambiente

di

entusiasmo europeísta' em março de 7986,realizou-se

o

ref.ändo

sobre a Pertença à NATO. Contrariamente à sua postura tradicional, os

socialistas defenderam o

voto

a favor da continuidade na

Aliança'

Esta mudança de posição

foi

promovida sobretudo por Felipe Gonzalez,que estava convencido de que a

þ".rrr".rên.iu

de Espanha na NATO era o preço ^ p^g^r por ter sido admitida na CEE.

IJma

apar\ção do piesidente na televisão, na qual ameaçou com a demissão se a opção

de abandonar a

NAIO

vencesse,

foi

crucial

para a

vitória

mínima

da permanência'

O

dramático referendo não causou danos, mas, pelo contrário' fortaleceu o prestígio como estadista de Felipe Gonzâlez, que levou

o

seu

partido

a uma segunda maioria

absoluta nas eleições

dejunho

de 1986.

Ao

mesrno tempå porta-voz e animador do incondicional europeísmo da socie-dade espanhola, Felipe Gán zâlez defendia de maneira veemente em Bnrxelas o reforço da Comunidade.

Atuando

em perfeita sintonia com o chanceler alemão, o presidente

espanhol apoiou

o

Acto

Único

Europeu, a consolidação dos fundos estruturais e o

..iorço

da Cooperação Política Europeia. Este mesmo espírito de otimismo europeísta dorrri.ro.,

"

p..rldei.iu

espanhola

doConselho

(6)

1.66

|

GONZÁLEZ,FELTPE

No

conselho

Europeu de

Madrid,

em

junho,

manifestaram-se, porém, os

limites

do

voluntarismo

de Felipe

Gonzílez.

Asua

proposta de

dar

forma a

um

projeto

para

uma Europa social e solidária que tivesse como objetivo fechar a histórica brecha em

termos de desenvolvimento entre o norte e o sul recebeu a rejeição de alguns países e

sobretudo da Grã-Bretanha de Margaret Thatcher.

com

a inesperada q,rãd" dã

Mu.o

de

Berlim,

Gonzâ\ez afastou-se da tendência vigente entre os governantes europeus

e proclamou desde

muito

cedo o seu claro apoio à proposta de

Kohl de

avançar para a reunificação da Alemanha.

Foi

uma

forma

de agradecer à RFA

o

seu apoio para a

adesão de Espanha à CtrE.

o

ano

de

1.992 representou,

com

as suas fastuosas celebrações da Exposição

Universal

de

Sevilha

e

os Jogos

Olímpicos de

Barcelona,

o ponto

culminánte

do

prestígio dos socialistas e da sua obra

de

modernização e

de

europeização,

inician-do-se depressa o seu rápido declínio marcado por inúmeros casos de corrupção. Neste

contexto' Felipe González tratou de obter vitórias na CtrE para manter o seu prestígio interno.

Do

idealismo europeísta passou-se então à crua defesa dos interesses nacionais. Nas negociações para o Tratado de

Maastricht,

Felipe Gonzâ\ez condicionou o apoio espanhol à entrada em funcionamento dos fundos de coesão. Durante anos, a Espanha

foi,

com distância, o

principal

beneficiário destes fundos, essenciais para a

moàerni-zação das infraestruturas do país. Alçada sobre as costas da cEE, a Espanha conseguiu, além disso, nestes anos, ter um papel internacional

muito

além do que corresporrãe.iu ao seu peso económico e o seu presidente perfilou-se como

um

dos líderes de maior prestígio

do

continente. Pelo seu compromisso europeísta, Felipe Gonzâlez recebeu

o

Prémio Carlos

Magno

em1993.

Foi

ainda apontado como possível substituto de Jacques Delors na presidência da Comissão, mas não chegou

a

concÍetizar esse passo.

Durante

a presidência do

conselho

no segundo semestre de

799s,a

Espanha

acolheu duas grandes reuniões

de

relevância

para

a uE.

Em

Barcelona, recebeu

a

Conferência

Euro-Mediterrânea

que estabeleceu as bases para

a

criação de uma ârea de livre-câmbio em toda a região e, em

Madrid,

a reunião do Conselho Europeu impulsionou o processo de união monetária. Esta

foi

a

última

grande aparição

euro-peia de Felipe

Gonz:ilez

como presidente do governo espanhol.

Em

mãrço d,e J,996,

o

conservador

Partido

Popular venceu nas eleições e José

María Aznar formou

um

governo de minoria. Depois de deixar a Secretaria-Geral do

psoE

em

I99Z,Gonzítlez

deu a entender procurar uma segunda vida

política

na Europa.

Com

a demissão de Jacques Santer, mais uma vez se falou em Felipe Gonzâlezcomo possível presidente da Comissão Europeia, mas, no final,

foi

Romano Prodi o substitutã. GonzàIezmanteve,

nos

anos

seguintes,

uma prolífica

ativídade

internacional como

respeitado elder

støtesmøn. Participou em diversas missões das Nações Unidas, da Organização para a

Cooperação e a Segurança na Europa e da Internacional Socialista.

Entre

2007 ;201.0, presidiu o grupo de reflexão sobre o

futuro

de Europa, cujas conclusões são

um

apelo

a salvar o projeto europeu mediante uma decidida integração das políticas nacionais.

Antonio MuirozSânchez

Universidade de Lisboa

GoNZÁLEZ,FELIPE

I

167

Referêncìas

CERNUDA, P\lar, El Presidente,Barcelona,'lemas de

Ho¡

1994.

GONZALEZ,FeIipe, En Busca de Respuestøs: El Liderazgo en Tiernpo de Crisis,Barcelona, Debate,

20t3.

GONZALtrZ,Fehpe, Mi Idea de Europa,Barcelona, R84,2010.

SÁNCHtrZ CERVtrLLÓ,/¿ sep,Fehpe Gonz1lez,Barcelona, Ediciones B, 2003.

SOTO CARMONA, Álvaro y MATtrOS LOPF;Z, Abdón (dft.), Historia de la lipoca Socialista.

Imagem

Referências

temas relacionados :