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INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

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INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO

MATEMÁTICA

COMPUTER SCIENCE AND MATHEMATICAL EDUCATION

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O microcomputador se apresenta como uma fer-ramenta privilegiada para a avaliação somativa, formativa e diagnóstica. Elepossibilita:

.

O estudo do comportamento dos alunos;

.

Tornar os alunos autônomos na gestão de sua aprendizagem;

.

Tratar no tempo real uma parte da avaliação;

.

Integrar numerosas informações multidimen-sionais;

.

Diminuir o efeito emocional da avaliação. Em gera', o professor está encarregado desses papéis. Entretanto, ele encontra dificuldades em as-sumi-Ios, pois, numa classe numerosa e heterogênea, ele precisa:

.

Identificar o tipo de comportamento, certo ou errôneo, do aluno;

.

Observar a repetição e a freqüência, em sala de aula, desse comportamento;

.

Conhecer as condições e a história de seu apa-recimento;

.

Associar a esse comportamento uma

con-cepção ou um conjunto de situações para dese-quilibrá-Io;

.

Agir quase instantaneamente para superar as dificuldades encontradas pelos alunos.

Édesejável que as pesquisas desenvolvidas nesta área tenham realizações de programas educativos suscetíveis de atingir esses objetivos. No entanto, percebemos a importância do computador na sala de aula, bem como na formação não-acadêmica, como, por exemplo, nos lugares de trabalho (escolas ou fá-bricas) ou em formação individual a distância.

Houve um tempo em que os especialistas da inteli-gência artificialrespondiam que um modelo "inteligen-te" seria suficiente para avaliar e medir a diferença entre esse modelo e o do aluno. Na realidade, o fracasso ou a ineficácia dessa visão evidenciou os limites dessa concepção. Além do modelo comportamental' que as respostas dos alunos permitem observar, é necessário atingir a significação epistemológica da exatidão ou do

erro. Portanto, na leitura interpretada das respostas,

deve-se inserir o modelo epistêmico2 ainda nomeado

"modelo do aprendii', que é diferente de um submodelo

do "modelo inteligente". Esse modelo do aprendiz ne-cessitade uma reconstrução dos comportamentos ob-servados. Uma análise mais sistemática permite, às vezes, identificar as concepções dos alunos segundo as quais os processos se desenvolveram.

Isso impõe o desenvolvimento de um dispositivo informático relativamente complexo, tornando-se um verdadeiro instrumento de observação de comporta-mentos que uma análise psicológica e didática traduz em termos de procedimentos ou de processos. Mas, a fim de, por um lado, eliminar as causas acidentais ou locais dos erros dos alunos e, por outro lado, de for-mular um diagnóstico apoiando-se nas regularidades

comporta mentais, de várias origens e formas,

acha-mos indispensável utilizar as análises de dados

multidimensionais. Essas metodologias de análise de

dados multidimensionais têm a propriedade, ao con-trário de um teste inferencial, de poder tratar um im-portante número de dados e, a partir de um jogo de oposição, de servir de indicador diagnóstico. Assim, o microcomputador terá um importante papel no domí-nio de tratamento de dados: ele é analisador e revelador. Analisador porque ele fornece informações sobre o estado cognitivo do aluno, por meio dos comporta-mentos que permite recolher, pois essas informações são reveladas e integráveis como índices num

conjun-to coerente:

o modelodo aprendiz.

Segundo Valente (1993), dentre as possibilidades do computador em contextos educacionais, podemos relacionar:

.

Aprender a informática;

.

Aprender a programar;

.

Usar recursos informáticos projetados

especi-ficamente para o ensino;

.

Usar aplicações de base para o tratamento da

informação.

O mesmo autor, analisando essas possibilidades,

coloca:

"Ouso do computador como máquina de

ensi-nar, informatizando os métodos de ensino

tra-dicionais, tendo sobre o papel, lousa e giz as

vantagens das animações, som e repetições

sucessivas,para a melhorcompreensãopor

par-te do educando, caracpar-terizando o paradigma

instrucionista."

ISegundo N. Balacheff (BALACHEFF.1994b) é no nível comportamental que se trata de levar em conta os comportamentos do aluno como organização dos dados didáticos.

2Omodelo epistêmico é reconstruido pelo pesquisador (o didata por exemplo) a partir de um diagnóstico epistêmico. Este último consiste em uma interpretação dos comportamentos. eventualmente reconstruidos, do aprendiz para elaborar um modelo de seus conhecimentos. (BALACHEFF,1994b).

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Nesse contexto, o professor é treinado para usar um software, mantendo praticamente a mesma pos-tura utilizada em sala de aula.

Os programas abrangem finalidades diferenciadas, tais como aquisição de conceitos, desenvolvimento de habilidades básicas ou resolução de problemas.

O computador como ferramenta, auxiliando na construção do conhecimento: segundo Valente, a mu-dança nos paradigmas educacionais vem acompanha-da pela introdução de novas ferramentas tecnológicas. Assim sendo, não é suficiente que os educadores te-nham à sua disposição ou apenas saibam operar es-ses elementos tecnológicos, é preciso que aprendam a elaborar e a intervir significativamente no processo educativo.

Segundo o mesmo autor, "se o objetivo principal do processo educativo é oportunizar o desenvolvimento do processo de construção do conhecimento, com o aprendiz no centro do processo educativo, compreen-dendo conceitos e reconhecendo a sua aplicabilidade em situações por ele vivenciadas, defendemos a utili-zação do computador como ferramenta, facilitando a descrição, reflexão e depuração de idéias."

Neste artigo, analisaremos algumas das questões voltadas ao uso de um programa educativo para fins de ensino-aprendizagem. Eum software educativo será

considerado como um conjunto de recursos

informáticos desenvolvidos com o intuito de serem usados em contextos de ensino e aprendizagem.

Além disso, levando em consideração essas ques-tões, analisaremos as características importantes de dots softwares educativos (Cabri-géométre e DEFI),e a calculadora T181, bem como os entraves que im-põem ao aprendiz.

Nossa análise baseia-se nas noções de transposi-ção didática (Chevallard, 1991) e transposição informática (Balacheff, 1994).

I. DO SABER CIENTíFICO AO SABER

DO ALUNO: TRANSPOSiÇÃO DIDÁTICA

A criação de objetos de ensino é o resultado de um processo complexo de adaptação dos saberes de referência aos sistemas didáticos. Esse processo,

cha-mado

Transposição didática por Chevallard,conduz

à criação de objetos com suas caracterizações e seus funcionamentos próprios. Papel do matemático

Saber a ensinar

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Yves Chevallard (1991) define a transposição di-dática como o conjunto de transformações por que passa um saber científico a ser ensinado. Através dessa definição, distingue-se bem "o saber científico" do "saber ensinado".

O saber a ensinar é aquele que o professor acha que deve ensinar após os livros didáticos e paradidá-ticos fixarem a interpretação do programa.

Os objetos a ensinar tendo sido designados, o siste-maeducativo é encarregado de traduzi-Ios em um con-junto de conhecimentos que os alunos deverão saber. Osobjetos do saber são, então, organizados em disci-plinas do ensino, estruturados numa progressão, arti-culados logicamente sem lacunas importantes.

Para tentar fazer do saber a ensinar um conjunto de conhecimentos estruturados e acessíveis aos alu-nos, os especialistas são, às vezes, obrigados a rees-crever as definições e propriedades, repensar as articulações lógicas e transformar certas demonstra-ções. Elespodem, também, inventar objetos novos (por ~xemplo, diagramas de flechas no ensino chamado de "Matemática Moderna"), que chamamos de objetos do

ensino. Produz-se uma descontextualização da noção

com relação aos problemas dos quais ela surgiu histo-ricamente. Esse conjunto de etapas constitui o segun-do ato da transposição didática.

Os livros didáticos visam, geralmente:

.

Disponibilizaraos alunos uma ferramenta de

referência para pesquisas eventuais;

.

Propor uma partição do programa em capítulos estruturados, permitindo aos alunos e profes-sores usá-Ios como referência;

.

Ser uma base de dados para os exercícios e os

problemas;

.

Explicitar um texto, expondo as noções do pro-grama.

Ressalta dos livros didáticos um certo tipo de sa-ber que contribui para a instalação de uma cultura particular nos alunos de uma mesma época. Esse sa-berchama-se o saber escolar. Sua elaboração é o

ter-ceiroato da transposição didática.

No quarto ato da transposição didática, o profes-sor deve gerenciar, adaptando os objetos a ensinar a seus conhecimentos próprios, inserindo-os no saber escolar e organizando-os no tempo. No estudo da transposição didática, devemos examinar se não

te-mos uma ruptura epistemológica entre o objeto do saber e o objeto do ensino, ou seja, se os dois só têm em comum uma nomenclatura e, nos casos extremos, uma linguagem pseudocientífica.

O professor dispõe de várias variáveis didáticas que vão transformar a situação de aprendizagem. Suas escolhas terão conseqüências sobre a percepção do saber que os alunos vão desenvolver e as concepções que eles vão forjar.

Sabem que todo o saber ensinado não é retido pelo aluno, o qual cumpre o quinto ato da transposição

didática, que é o de transformação do saber ensina-do em saber ensina-do aluno.

11. TRANSPOSiÇÃO INFORMÁTICA

O desenvolvimento dos ambientes informáticos e a introdução dessas tecnologias na escola e na formação de professores, são acompanhados de novos fenôme-nos do mesmo tipo que aqueles da transposição

didática.

Segundo Balacheff (1994), além dos entraves da transposição didática, temos aqueles da modelização

e da implementação informática: entraves da

modelização compatível, entraves ligados à lingua-gem informática e à capacidade das máquinas.

Destaca que os ambientes informáticos da apren-dizagem resultam de uma construção que é um lugar de "novas transformações" dos objetos do ensino. Os professores devem levar em consideração esse fato.

O autor analisa a seguinte problemática: um

com-putador propondo uma representação do mundo e

de seu funcionamento: que relação essa representa-ção tem com o mundo representado?

Uma "representação do mundo" não é o "mundo", pois essa representação tem propriedades herdadas, ao mesmo tempo, das escolhas de modelização que são feitas e das características dos meios semióticos

escolhidos. Por outro lado, como dispositivo material,

o computador impõe exigências que vão necessitar de uma transformação do "mundo" para que seja pos-sível implementar sua representação.

Balacheff (1994) introduz a noção de Transposi-ção informática para falar desse tratamento do co-nhecimento, que permite representá-Io e implementá-Io num dispositivo informático. No contexto do desen-volvimento do software educativo, essa transposição é importantíssima e significa, de fato, uma contextua-lização do conhecimento, que pode ter conseqüências importantes sobre os resultados das aprendizagens.

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11I. TRANSPOSiÇÃO DIDÁTICA E TRANSPOSiÇÃO INFORMÁTICA

Figura 2

Saber de referênc:la

Saber a ensinar

Especificação:

uma concepção do sa.ber

uma concepção do professor

[S~~ber implementadoJ Transposição 1 Implementação: representação interna à interface Transposição informática

Desenvolvimento do dispositivo informático

Sa.berensinado"

saber do aluno

.. "Transposição. didática."2"

Interação didática Este esquema explícita os passos principais da transposição informática.

O uso dos meios informáticos complexifica o esquema acima acrescentando nele todo o processo de concepção e de realização do software.

o esquema acima mostra em que nível a transpo-sição informática está situada no processo de trans-posição didática.

Uma vez que o conhecimento a ensinar é identifi-cado, resta a especificar a arquitetura do ambiente informático de aprendizagem, o que engaja as con-cepções dos "autores" sobre o conhecimento e os meios de seu ensino. Além disso, deve-se realizar a implementação do conhecimento levando em consi-deração as exigências e os entraves ligados às carac-terísticas do dispositivo informático.

Umdos problemas ligados ao desenvolvimento de ambientes informáticos de aprendizado informatizado é a especificação dos modelos dos conhecimentos, sua formalização e, finalmente, sua representação simbólica.

O problema da transformação dos conhecimentos nos processos de representação no ambiente informático é essencial, pois os fenômenos que lhe são associados são susceptíveis de se combinarem, de modo comple-xo, aos da transposição didática. O problema da

trans-posição informática é o do domínio de validade

epistemológica (Balacheff, 1994a) dos dispositivos

informáticos para a aprendizagem humana.

Para o desenvolvimento de um programa educativo (cf.parte transposição informática no esquema),

preci-sa-se da colaboração de especialistas de diferentes

áreas (informática,psicologia, didática da

matemáti-ca, ciências de educação etc.) para a elaboração de

modelos bastante explícitos, para serem

embarca-dos num sistema informático:

.

Modelos gerais de compreensão, de resolução

de problemas, de construção de conhecimentos;

·

Modelos específicos nos domínios ensinados; explicitando os aspectos relativos às aprendiza-gens;

·

Modelos pedagógicos para conceber a interação sistema-aluno, gerir as aprendizagens, adaptar-se a um aluno particular. (Monique Baron, 1993). Os psicólogos, por exemplo, podem analisar o fun-cionamento cognitivo do sujeito em situação de apren-dizagem. Essa contribuição pode abranger vários aspectos:

.

Ergonomiadas interfaces "homem - máquina"

(número de modalidades de representação das informações. ..);

.

Modelagem do sujeito em situação da aprendi-zagem (modelo de estratégias de resolução de problemas e modelos de aquisição de conheci-mentos);

.

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Estudo do impacto dos modos de representa-ção mental (espacial, verbal etc.) sobre as

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processos de aquisição;

.

Metodologia de experimentação, da avaliação e de validação (Mendelsohn, 1993).

Acontribuição das ciências da educação consiste em:

.

Guiar os construtores em propostas pedagógi-cas globais baseadas nas teorias pedagógipedagógi-cas (Bloom, Piaget, Vigotsky ...);

.

Auxiliar na definição dos objetivos pedagógi-cos precisos;

.

Propor métodos de ensino mais adequados aos objetivos fixados;

.

Conceber mecanismos dinâmicos de gestão da proposta curricular;

.

Conceber metodologias de observação e de ava-liação dos produtos nos diferentes contextos sociais (Dillenbourg, 1993).

IV. QUESTÕES SOBRE USO DE AMBIENTES

COMPUTACIONAIS EM SALA DE AULA

'entes

!máti-ão de

'arca-1) O primeiro questionamento que o professor de matemática deve fazer é: qual saber

ma-temático ou conhecimento queremos

ensi-nar? E como ensiná-Io?

Se o recurso informático for o suporte pedagógico escolhido pelo professor, ele deve saber que o compu-tador e os softwares educativos são ferramentas de trabalho, cujo uso precisa de uma estratégia pedagó-gica. É o professor que deve definir essa estratégia, em função dos objetivos do ensino e das ferramentas de que dispõe. Mas sabemos que a maioria de nossos professores não tem a devida formação que os prepa-re para usar o computador como ferramenta, auxili-ando na construção de conhecimentos.

Segundo Bernard Cornu (1992), a formação dos pro-fessores deve levar em conta a evolução da Matemáti-ca, e a sua abordagem de um ponto de vista experi-mental. A formação deve, também, levar em conta o aspecto didático: não basta um professor possuir co-nhecimentos matemáticos para que ele esteja auto-maticamente capaz de desenvolver situações que proporcionem ao aluno uma aprendizagem eficiente. Enfim, a formação deve comportar um certo número de conhecimento informático: um mínimo de conheci-mento sobre o material informático e uma formação mais detalhada sobre os principais softwares disponí-veis: linguagens, ferramentas gráficas, softwares edu-cacionais etc. Ilução mtos; ,ados; ldiza-ração aptar-993). :>fun- Ipren-lários iuína" odas lendi-~ode ,heci-I

Para Dubensky (1992), a maneira como um com-putador é utilizado depende de suas características particulares e das possibilidades que ele oferece, bem como de nossa compreensão dos desenvolvimentos cognitivos que se devem criar, para que o aprendiz aprenda um determinado conceito. A metodologia desenvolvida por um professor deve implicar em várias interações, como:

.

Sua compreensão do conceito a aprender e a compreensão do conceito esperado do apren-diz em um dado momento;

.

Nossa idéia do desenvolvimento cognitivo a "proporcionar" para aprender o conceito e aque-la realmente desenvolvida nas atividades dos aprendizes;

.

A epistemologia, tal como ela é em um deter-minado momento, e as modificações que de-vem ser feitas em função dos resultados das observações etc.

2) levando em consideração os objetivos do

ensino-aprendizagem

O objetivo do uso dos ambientes informáticos na educação é proporcionar ao aluno condições favoráveis à aquisição de conhecimentos e à superação das dificul-dades de ensino-aprendizagem. Por isso, deve-se pro-por situações suscetíveis de evoluir e de fazer evoluir o aluno segundo uma dialética conveniente. A constru-ção de tais situações vai necessitar da identificaconstru-ção de variáveis didáticas pertinentes sobre as quais podere-mos eventualmente organizar um salto informacional (Brousseau, 1986). O objetivo dessas situações será fa-zer evoluir as concepções errõneas dos alunos e fafa-zer aparecer suas concepções espontâneas frente às situa-ções envolvendo um dado conceito.

O professor, levando em consideração essa proble-mática, deve, antes de tudo, buscar respostas para as indagações a seguir, sabendo que a análise didática das respostas o ajudará na construção de situações-problema que atendam aos objetivos do ensino-apren-dizagem.

.

Qual ambiente informático utilizar?

.

Permite a construção de situações nas quais as variáveis são controláveis?

.

Permite a identificação e a interpretação dos erros e as condições de seu aparecimento?

.

Pode-se construir modelos dos processos errô-neos?

.

Pode-se construir situações didáticas nas quais esses processos seriam desequilibrados?

.

O uso desse ambiente permitirá alcançar os objetivos didáticos fixados pelo professor?

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3) A respeito dos efeitos da transposição informática:

Os conhecimentos construídos pelo aluno numa interação com um dispositivo informático são susce-tíveis de ter características que as distinguem daque-las que seriam construídas em outro contexto. Por essa razão o professor deve proceder a uma análise didática e epistemológica (efeitos do contrato didáti-co e da transposição informática) dos didáti-conhecimentos

que os alunos apreenderiam num ambiente

informático. Deve-se então, procurar respostas para as seguintes indagações:

·

Quais são as limitações (ou entraves, exigências) que o software impõe ao usuário?

·

Quais comportamentos ele induz e qual ensi-no-aprendizagem ele permite efetivamente?

·

Quais são os efeitos do ensino-aprendizagem com um software educativo sobre os conheci-mentos construídos em sala de aula?

.

Quais são os efeitos da transposição informática do saber matemático sobre o conhecimento construído pelo aluno na interação com o dispo-sitivo informático?

4) A respeito do tipo de ajuda oferecido pelo software e do papel do professor

Os ambientes informáticos possibilitam a

apren-dizagem da formulação e da conceituação, mas

para

que isso aconteça de uma maneira eficiente, precisa-se deprecisa-senvolver situações didáticas nas quais as variá-veis não-matemáticas (por exemplo, manipulação do ambiente informático, aprendizagem da linguagem informática, problemas de memória, de interface etc.) influenciem menos o desenvolvimento das atividades de ensino-aprendizagem a serem trabalhadas com auxílio dessas ferramentas.

Além disso, um software educativo não é acompa-nhado de todos os parâmetros didáticos, nem de todo o ambiente pedagógico necessário ao ensino-apren-dizagem. No sistema didático saber-professor-apren-diz, o computador não traz uma quarta componente. Ele influencia cada uma das três componentes: o sa-ber matemático e o sasa-ber a ensinar, o professor e o ensino, e, enfim, o aluno e sua aprendizagem.

Para minimizar os efeitos perversos das variáveis de difícil controle e para uma melhor eficácia do uso do computador em sala de aula, é necessário que o professor preveja fases coletivas e fases individuais, fases com o professor e fases de trabalho individual. O computador introduz, também, elementos pa-rasitas no ensino e na aprendizagem. A informática traz seus próprios obstáculos, ela pode revelar ou reforçar obstáculos, pode provocar a interferência de obstáculos exteriores.

Respostas às seguintes questões deverão auxiliar o professor a encaminhar estratégias de ensino-apren-dizagem levando em consideração as variáveis didá-ticas pertinentes e os obstáculos (didáticos, epistemológicos...) a superar pelos alunos.

·

Que tipo de ajuda o software oferece ao aluno na resolução de problemas (mensagens, balan-ço etc.)?

·

Qual é a influência das características específi-cas do software e das variáveis didátiespecífi-cas das situações-problema?

·

Qual é o papel do professor na construção de situações didáticas?

·

Que organização da classe o professor deve prever (tempo necessário número de computa-dores, trabalho individual ou em grupo etc.)?

·

Qual é a influência dos aspectos puramente informáticos sobre o ensino-aprendizagem do conceito matemático em jogo?

dem~ passe tante Es rápid numé fatos visua deter possi melh, O com~ cendl ment prodl cimel decol dispc fesso aprer A carac modi gume

v. ANÁLISEDE DOIS AMBIENTES

INFORMÁTICOS

-

EFEITOS DA

TRANSPOSiÇÃOINFORMÁTICA

1. O software Cabri-géometre

O programa educativo Cabri-géometre foi desen-volvido no Laboratório de Estruturas Discretas e de Didática do IMAGna Universidade Joseph Fourier de Grenoble- França.

Ele é um ambiente informático aberto, no qual o usuário pode explorar um domínio particular e des-cobrir suas propriedades, com um mínimo de ajuda do sistema. Foi desenvolvido para a exploração do universo da geometria elementar.

.

.

.

.

Suas características

importantes

Duas características importantes desse ambiente informático são: a coexistência de primitivas de

cons-trução de desenho puro (ponto, retas, segmento,

cir-cunferência etc.), de primitivas geométricas (pontos, retas, segmento, circunferência etc.), e a manipula-ção direta do desenho. Por exemplo, desloca-se com o mouse um dos elementos básicos do desenho, este último deforma-se respeitando as propriedades geo-métricas que serviram a seu traçado e das proprieda-des que decorrem proprieda-desse traçado. Assim, se o proprieda-desenho foi traçado com primitivas de desenho-cabri, ele per-de suas propriedaper-des espaciais aparentes no seu es-tado original no momento do deslocamento de um de seus elementos.

O Cabri-géometre é um programa que permite cons-truir todas as figuras da geometria elementar que

po-.

.

.

.

.

Ar mentI usuár distin cabri-I'II!I J.DD010UOJ.O},],),DUJ.OJ,01.l,OOOOJ,OlOU10010101000),OOlO1.1.00100010U010),),),01},1.010),),000010),01.1.1.001.01.01.0001.001.0),),001.0001,0),),01011100],],),010),),° 1 R . d I f át . A 1. d IDlooD1I1411.1o),),),oJ.D],1. 1 A

(8)

luxiliar .apren- sdidá-:ticos,

dem ser traçadas numa folha de papel com régua e com-passo. É um programa com uma característica impor-tante: permite uma modificação dinâmica da figura.

Essa possibilidade de deformar permite o acesso rápido e contínuo a todos os casos, constituindo-se numa ferramenta rica de validação experimental de

fatos geométricos. É um programa que permite

visualizar a trajetória de um ponto que satisfaz a uma determinada propriedade geométrica. Esse fato, im-possível com papel e lápis, é fundamental para uma melhor compreensão da noção de lugar geométrico.

O deslocamento por manipulação direta é uma das componentes importantes de Cabri-géometre ofere-cendo uma retroação às ações do aluno. O desloca-mento permite uma retroação exterior mais rica na produção do aluno porque ela se apóia sobre conhe-cimentos geométricos. A vantagem do deslocamento decorre do fato de que essas retroações vêm de um dispositivo externo ao sujeito e independente do pro-fessor: elas são, assim, suscetíveis de fazer evoluir o aprendiz.

A versão 2 de Cabri-géometre conserva todas as características da versão 1, mas apresenta várias modificações em relação ao Cabri-géometre I. Eis al-gumas dessas modificações:

.

Uma nova gestão dos objetos de base: uma reta é definida seja por um ponto e uma direção, seja por dois pontos; por outro lado, uma cir-cunferência é definida por seu centro e um raio ou um ponto dado;

.

Uma gestão simplificada da noção de ponto;

.

Novosobjetos: sem i-reta, polígono regular, arco, cõnica;

.

O lugar geométrico: a opção "lugar geométri-co" fornece automaticamente lugares geomé-tricos que permanecem na tela;

.

A introdução de números e de uma calculadora e a ferramenta "transferência de medidas";

.

Geometria analítica: possibilidade de determi-nar as coordenadas de um ponto e equações de curvas;

.

Gestão do infinito permitindo trabalhar a geo-metria projetiva;

.

Introdução da noção de vetor;

.

Ferramentas que fornecem diretamente as prin-cipais transformações etc.

A riqueza das retroações que decorrem do desloca-mento permite diferentes interpretações pelo sujeito usuário do software. C. Laborde (Laborde et aI., 1994) distingue três níveis numa tarefa de construção de um cabri-desenho satisfazendo a dadas condições:

,aluno balan- pecífi-asdas ;ão de r deve nputa-~tc.)? mente emdo jesen-s e de 'ier de qualo e des-ajuda :ãodo biente ~ cons- to,cir-Dntos, lipula-~com p,este

~

geo- Irieda-~enho I per-u es-eum

cans-e

po-.

Pelo deslocamento, coloca-se o cabri-desenho

numa

posição particular que permite

reconhe-cer se o desenho procurado é obtido; neste ní-vel a interpretação se faz a partir da percepção;

.

Verifica-se que as propriedades geométricas do cabri-desenho não são alteradas por deslocamen-to de um elemendeslocamen-to do desenho.

Os autores observam que a interpretação de uma ausência de relação entre constituintes de um cabri-desenho pode ser interpretada em dois níveis:

.

Como uma ausência de relação de tipo físico ou mecânico ao nível de cabri-desenho, o sujeito se pergunta, no primeiro momento, sobre o cabri-desenho, deixando de lado o objeto geométrico;

.

Como a ausência de relação geométrica entre elementos do objeto geométrico representado pelo cabri-desenho, a retificação se fará pelo uso de primitivas geométricas, a fim de satisfazer uma finalidade geométrica;

.

Procura-se analisar geometricamente a trajetó-ria de certos elementos do cabri-desenho no des-locamento;

.

Para validar ou invalidar a construção com rela-ção à satisfarela-ção das condições pedidas;

.

Ou para encontrar os erros, nos casos cuja pro-dução seria reconhecida como inválida.

Limitações

do software

Cabri-géometre

Uma das principais limitações é que o

Cabri-géometre, sozinho, como todos os programas

educa-cionais, não garante uma aprendizagem eficiente, é

preciso incluí-Ionum dispositivo didático, no qual o

professor estará encarregado, entre outras tarefas, da

construçãodas situações-problemae do gerenciamento

da sala de aula.

O aluno, uma vez medindo em diversas posições

os elementos de sua figura, pode concluir que isso

substitui a prova matemática, ou seja, o

computa-dor já mostrou a veracidade e não há necessidade de

umajustificação matemática.

Limitações

do Cabri-géometre

I

O aluno,ao efetuar medições, poderá observar,em

algumas posições da figura, uma deficiênciaem

rela-ção às aproximações, pois Cabri-géometre trabalha

com uma casa após a vírgula, o que pode atrapalhar

em algumas situações que envolvam medições de

segmentos.

Amesma situação ocorre em relaçãoaos ângulos,

pois Cabri-géometre usa apenas o grau e não os seus

submúltiplos.

adaloJ,ooOJ.OJ.1.0l0J.!UOUJ.oJ.ou

l AnO I n2 1

J

.

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.

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Também em relação à precisão gráfica, o desenho é composto de "pixeis", que podem transformar um triângulo, por exemplo, em uma verdadeira escadi-nha. O aluno, então, pode corrigir essa distorção do software e o professor pode chamar a atenção para

esse aspecto não-matemático.

Limitações do Cabri-géometre 11

Cuppens(1996)destaca algumas opções de Cabri

li, que podem se tornar problemáticas quando se usa o software:

.

A introdução dos números e da "transferência

de medidas" pode esconder a natureza real dos

objetos obtidos (por exemplo, comprimento de

uma circunferência ou a área de um disco não são noções evidentes para os estudantes);

.

A possibilidade de gerir o infinito que

possibili-ta o estudo da geometria projetiva pode, segun-do o autor, gerar situações incompreensíveis

para um usuário não experiente etc.

2 Caso da calculadora TI-81

Luc Trouche (1992), na sua tese de doutorado "A

propos de /'apprentissage des limites de fonctions dans

um environnement calculatrice:etude des rapports

entre processus de conceptualisation e processus

d'instrumentation",

analisa as relações entre processo de conceitualização e processo de instrumentalização, no que diz respeito à aprendizagem do limites de fun-ções no ambiente "calculadora".

O autor, entrevistando alunos e professores sobre as calculadoras gráficas, destaca o seguinte: para os alunos, uma calculadora gráfica demonstra (mostra) as propriedades de funções. Para os professores, uma calculadora gráfica é uma geringonça, que não tem nenhuma legitimidade matemática. No entanto, uns e outros concordam com um fato: o domínio dessa ferramenta não necessita de nenhuma aprendizagem particular.

O autor defende a tese inversa: a manipulação de uma calculadora gráfica não tem nada de natural e sua utilização arbitrária pode ter muito peso na cons-trução de conhecimentos matemáticos.

A pesquisa destaca uma sessão utilizando a TI-81 , para calcular o limite de

sen x - x x3

Os alunos fizeram as conjecturas: "No início, o li-mite parecia ser -0,2, depois há uma incerteza, de-pois o limite se estabiliza em zero". Numa segunda

sessão, o professor retoma o problema e prova que o limite é -1/6. A questão seguinte foi proposta aos alu-nos: Esseresultado é compatível com as observações feitas com a calculadoras?

O autor classifica as reações dos alunos em qua-tro categorias:

.

Há os alunos "perplexos", paralisados pela clara

contradição entre os resultados "máquina" e os resultados teóricos;

.

Há os alunos "exclusivos", que simplesmente

tro-cam os resultados "duvidosos" pelos resultados "certos". O resultado duvidoso, sendo evidente-mente, o menos legítimo. Se existe a palavra do professor contra a máquina, é o professor que tem razão. Mas se é o aluno contra a máquina...

.

Há os alunos "conciliadores", que "se viram" para

tornar tudo compatível: eles explicam que a má-quina tinha dado zero como limite, mas que zero não está longe de -1/6;

.

Há, enfim, os alunos "críticos" que vão retomar os

resultados sucessivosda máquina e constatar que ela dá um resultado conveniente quando se per-manece na zona de cálculos aceitáveis por ela. Quaisquer que sejam as atitudes dos alunos, está claro que a manipulação da calculadora gráfica tem

conseqüências na aprendizagem em foco. Desse

modo, fica claro que a utilização de calculadora não é neutra; ela tem uma influência importante na aquisi-ção dos conceitos essenciais da análise matemática.

3 Ej Exig Hi mad<

.

.

Exig< N mite infin

.

.

As e

.

.

Limites de uma função e calculadoras:

transposição informática

O autor, analisando os efeitos da transposição informática do ambiente "calculadora", evidencia as seguintesexigências:

.

Exigências ligadas ao uso de uma calculadora:

exigências internas: modalidades de existência, o universo interno, natureza da tela: os "pixeis"

.

Exigências de comando: nas operações que são

permitidas pela máquina, por exemplo, não exis-te um comando para o cálculo de "limiexis-te de fun-ção" (trata-sede uma parte das exigências ligadas à interface);

.

Exigências de organização: acesso aos

coman-dos, comparação das diferentes possibilidades de acesso, trata-se da organização da interface. A determinação dessa tríplice rede de exigências (internas, de comando e de organização) permitirá ter acesso à transposição informática.

.

Pi ça u capa I!I'!I10001.011010),],],0],),),010),],0000101.0),1.],001.01.01.00010010),],0010001.0U01.0UJ.O),),lOlOUOODOJ.OlO],),],OO),OlOlODOlOOlOJ,),OOlOOO),O),),010],),),01),),010),),° 1 R

.

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.

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(10)

.

Imes

lqueo osalu-vações

3 Efeitos da transposição

informática

n

qua-Exigências

internas

Háconfusão entre um número e seu valor

aproxi-mado:

.

Confusão entre ..[2 e um valor aproximado.

O mesmo acontece com 1t,e

a clara

a"e os

1

3.--1

3 (= -1.10-14) ltetro-IItados idente-Ivrado arque uina... 1"para !amá-lezero

não é mais igual a zero;

.

A calculadora dá um valor aproximado de In (ln(l + 10-3)), mas não identifica um número entre 1 e 1 + 10-3.

Exigências de comando

Não tem uma opção específica para cálculo de

li-mite de uma função, mas ela permite cálculos

infinitesimais para a derivada:

.

No registro gráfico;

.

No registro numérico. maros tarque ;e

per-rela.

s,está :a tem Desse lnãoé iquisi-lática.

As exigências de organização

.

Avariável"tira"a função: fixa-se uma variávele

obtém-se o valor correspondente da função;

.

Usa-sea visualização gráfica antes de calcular:

para obter-se uma informação bastante ampla

sobre uma função, é necessário começar pela

observação do gráfico;

.

Estudam-se comportamentos globais e não

lo-cais de uma função.

:>sição leiaas adora: tência, )ixeis" uesão Dexis- lefun-Igadas CONCLUSÃO

Para manter uma interação pertinente que favore-ça uma iniciativa real do aluno, a máquina deve ser capaz de levar em conta as intenções do aluno e as

pman-ades rface. ncias iráter

concepções que sustentem suas ações. O professor precisa estudar as possibilidades dos ambientes computacionais, a fim de identificar que tipo de ativi-dades pode-se desenvolver com os alunos.

Os sistemas tutoriais, por exemplo, não deixam bastante iniciativa aos alunos. O tutorial segue passo a passo a estratégia do aluno e lhe proíbe as ações ilícitas ou aquelas que poderiam conduzir às solu-ções não previstas. Pelo contrário, no caso dos micromundos (ambientes computacionais abertos), o professor tem a autonomia de construir e desenvol-ver as situações de ensino-aprendizagem, tendo em vista as limitações sintáxicas e léxicas do ambiente computacional considerado.

A idéia dos micromundos é fornecer ao aluno um conjunto de objetos elementares e um conjunto de ferramentas primitivas a partir dos quais ele pode construir objetos mais complexos no momento da execução da tarefa.

É importante destacar os seguintes fatos:

.

um micromundo oferece ao aluno um ambien-te rico, mas não pode sozinho garantir o pro-cesso ensino-aprendizagem de um determinado conteúdo. Para realizar esse objetivo, é preciso inclui-Io num dispositivo didático. São as carac-terísticas desse dispositivo que garantirão a aprendizagem esperada.

.

uma utilização bem pensada de um tutorial pode permitir uma aprendizagem, que pode ser com-provada pelo sucesso ou não dos alunos numa prova. Mas a significação dos conhecimentos aprendido nesse ambiente é questionável, pois o aprendiz não expressa explicitamente sua com-preensão própria; o tutorial é mais centrado no conhecimento de referência do que no conheci-mento que poderia ser disponibilizado ao alu-no. Uma segunda razão é que a aprendizagem mediante tutoriais pode conduzir o aluno a otimizar certas estratégias, por exemplo,

procu-rando

como obter uma melhor ajuda explícita

para resolver o problema proposto.

11

JUUllU010101 o.. OJ.0001DJ.J.DJoDU10UJ.DJ.O],],OOOOlOlOlUOOJ.01.01000100J.OUD0100D101),0),011.1.0),),),01011.0000101.0),],}.0010:l.01000100),0:l.100],00010],],0J.01.110:l.],1.0101.1.00:l,O).),000},

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