Direito Penal II - 4º Bimestre
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSOReligião: se confundia com a historia da própria humanidade
Igreja: se confundia com o Estado, seu castigo substituía a sanção penal. Personalidade humana: fé
Sentimento: ? (Art. 5, VI a VIII)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
Conduta (Art. 208, CP)
1. Escarnecer (ofender) de alguém publicamente, por motivo de:
a. Crença: aquilo que a pessoa acredita.
b. Função: liderança religiosa. Ex: batina do padre.
2. Impedimento (não permitir que aconteça) ou perturbação (permite que ocorra mas atrapalha): cerimônia ou prática de
culto religioso
a. Cerimônia: festividade, momento de comemoração. Ex: batismo, casamento. b. Culto: todas as reuniões para adorar ao seu deus.
3. Vilipendiar (humilhar) publicamente ato ou objeto de culto religioso: que simbolizam a crença ou religião.
Qualificadora (§U) Se há emprego de violência, a pena é aumentada de 1/3, sem prejuízo da pena correspondente à violência.
Ex: lesão corporal, homicídio etc.
DOS CRIMES CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS: a vitima é a família.
Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária (Art. 209 do CP): Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:
1. Impedimento: não permitir que aconteça (seja de iniciar-se ou continuar) 2. Perturbação: permite que ocorra mas atrapalha
Exceção: o crime é doloso, se não houver dolo mas culpa, não há o que se falar em crime.
Qualificadora (§U) Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência
Objeto:
Enterro: Começa a partir do deslocamento do corpo até o sepultamento. Cerimônia Fúnebre: velório, momento que antecede o sepultamento.
Cerimônia religiosa: concurso formal (Art. 70) com perturbação ou impedimento de cerimônia religiosa (Art. 208)
Violação de sepultura (Art. 210 do CP) Violar ou profanar sepultura ou urna funerária.
1. Violou: quebrar, estragar, destruir, modificar o aspecto material. 2. Profanou: desrespeitar. Ex: adolescentes no cemitério.
Exceção: Exumação (desenterrar o cadáver sob ordem judicial para ser realizada a necropsia), não há crime. Objeto:
Sepultura: sepulcro, mausoléus, tumbas, túmulos, covas etc. Urna funerária: ossarios, cofres, vasos, caixas etc.
Destruição, subtração ou ocultação de cadáver (Art. 211) Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
1. Destruição: pode ser total ou parcial (fogueira).
2. Subtração: retirar o corpo do local, em que não se tem a posse do corpo, geralmente acompanhado de extorsão. 3. Ocultação : já se tem a posse do corpo. Ex: funcionário do IML.
a. Transplante (órgãos e tecidos) são distribuídos de forma organizada. b. Necropsia/ exumação: não constitui o crime.
Objeto: é cadáver (ou partes dele) que não é sinônimo de cinzas ou esqueleto Concurso material: Pode ser precedida de outro crime, por exemplo:
1. Homicídio/infanticídio etc
2. Extorsão: sequestro dá errado e some com o corpo.
Vilipêndio a cadáver (Art. 212 do CP): Vilipendiar cadáver ou suas cinzas
Vilipendiar: ofensa genérica (espécies são injuria, difamação) Cadáver e Cinzas.
Vitimas: sempre a família, eventualmente na ausência desta, os amigos.
DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
Estupro (Art. 213 do CP) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou
permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.
Constranger (obrigar) mediante violência (física e moral) Exigências legais:
o Conjunção carnal (pelas vias naturais)
o Ato libidinoso (capaz de satisfazer o desejo sexual do agente ) Ex: coito oral, anal, inter-femora etc o Oposição da vitima.
o Ejaculação? Não se exige a satisfação do agente.
Finalidade do ato sexual? Satisfazer a libido do agente. Sujeito:
1. Passivo: homem ou mulher
Relações: Tanto heterossexuais quanto homossexuais. Possibilidade no casamento
Prostituta/ travesti: Podem ser vitimas. 2. Ativo: homem ou mulher
Lei nº 8.072/90 (Art. 1º) o estupro é considerado como crime hediondo. Conseqüência: não há nenhum beneficio da lei penal.
Aumento de pena (§1) Se resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos Qualificação de pena (§2) Se da conduta resulta morte.
É crime hediondo.
O laudo pericial deve demonstrar que a morte decorreu da violência utilizada para estuprar. Esse mesmo laudo permite o aborto em razão do estupro (Art. 128, II do CP)
VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE
Art. 215 CP Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima
Fraude: chamado de estelionato sexual, pois engana-se a vitima por meio de artifício, praticando atos libidinosos.
A diferença para com o estupro é a violência, ao invés disso há fraude: Fraude de casamento, sessão de psiquiatria, medicamentos/álcool, exame (ginecológico, urológico, proctológico)
Aumento de pena: (§U) Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. ASSEDIO SEXUAL (Art. 216-A)
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função
Definição: Consiste em realizar proposta de caráter sexual, de maneira impositiva ou ameaçadora, importunando ou
constrangendo a vitima. Antes de 2001 o agente respondia pelo crime de constrangimento ilegal.
Direitos violados: direitos humanos, dignidade, segurança, saúde, intimidade, bem estar, liberdade sexual e subsistência,
comodidade etc.
Relação de: somente inclui a relação de trabalho com superioridade hierárquica, pois há poder de mando/serviço.
Outras relações NÃO incluidas: religiosa, custodia (entre o responsável pelo cárcere e o condenado), docência, profissional (paciente, cliente)
Local de trabalho: demissão, perda de promoção, perda de aperfeiçoamento, perda de admissão Assedio Sexual: crime mais grave?
Sujeitos:
1. Agente: homem e mulher.
a. Perfil do agente: geralmente todas as camadas sociais, menores de 35 anos, negam responsabilidade social,
convencidos que a vitima gosta. 2. Vitimas: homem e mulher.
a. Relações: homossexual ou heterossexual, seja no serviço publico ou privado.
Conduta típica: constranger (forçar, coagir, obrigar, compelir, intimidar).
Consumação: o que caracteriza é a insistência diante da negativa da vitima.
Assedio não se confunde: paquera, elogio, flerte.
Exigência legal: superioridade hierárquica, chamado de crime bipróprio (tanto o agente como vitima são previamente
determinados).
Responsabilidade: penal, civil, trabalhista
A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. (§2) ESTUPRO DE VULNERÁVEL (Art. 217-A)
Conduta: Conjunção carnal ou Atos libidinosos diversos. Sujeito:
1. Ativo: homem ou mulher
2. Passivo: Homem, mulher ou vulnerável.
a. Vulnerável? A diferença fundamental é a condição de vulnerabilidade. Essa pode ser permanente ou
transitória. É vulnerável o menor de 14 anos ou de qualquer idade mas que por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência (embriagado, medicado, deve ANULAR a capacidade).
Lei nº 8.072/90: constitui crimes hediondos
Exigências legais: Art. 213 CP ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso, não
exige satisfação sexual, basta o ato (não exige ejaculação).
Prova Pericial (Art. 128, II CP) O laudo pericial deve demonstrar o estupro. Esse mesmo laudo permite o aborto em razão do
estupro (Art. 128, II do CP)
Aumento de Pena
(§3) Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (§4) Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
CORRUPÇÃO DE MENORES (art.218 CP)
Art. 218 - Induzir alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem. Apenas induzir (não instigar), ele convence a vitima de que fazer algo. Lascívia: desejo sexual de outrem.
Sujeitos:
Quem pratica o ato sexual? Responde pelo crime de estupro de vulnerável.
SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE (Art. 218-A)
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem
Conduta típica: praticar conjunção carnal ou ato libidinoso na presença do menor de 14 anos /induzir menor de 14 anos a
presenciar.
Finalidade: cabe apenas na modalidade dolosa (Livro: tratado da psiquiatria forense - Guido Palomba) Vitimas (Homem, mulher, menor de 14 anos)
FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA, ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL (Art. 218-B)
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone
Conduta: submeter (obrigar), induzir (convencer), atrair (chamar) ou facilitar (oferecer as condições materiais).
Condutas omissivas (de alguém que tem o dever legal): impedir, dificultar que deixe a prostituição (já existe a prostituição)
Vitimas: menor de 18 anos, enfermo, deficiente mental.
Multa (§1) - A Prostituição é prestação de serviços de natureza sexual (não exige o lucro) mas se o crime é praticado com o fim
de obter vantagem econômica, aplica-se também multa
Mesma pena (§2, I e II)
1. Pratica conjunção carnal (não há violência) ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 (catorze) anos 2. O proprietário, o gerente ou o responsável pelo local
Efeito administrativo: (§3) efeitos extra penais, a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.
AÇÃO PENAL (Art. 225 CP): para TODOS os crimes sexuais.
Regra geral: procede-se mediante ação penal pública condicionada à representação
Exceção: mediante ação penal pública incondicionada se a vítima é menor de 18 anos ou pessoa vulnerável
Aumento de pena (Art. 226 CP)
1. Concurso de agentes: 2 ou mais pessoas
2. Tem dever de zelar: agente é ascendente, padrasto ou madrasta etc.
Mediação para servir a lascívia de outrem: Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem (Art. 227 CP).
Semelhante ao art. 218 CP, mas a diferença está na vitima, pois a vitima no Art. 218 é menor de 14 anos. A vitima deve ser maior de 18 anos.
Se a vitima for maior de 14 e menor de 18 aplica-se aumento (§1º)
Aumento: se cometido com violência, grave ameaça ou com fim de lucro (§§2 e 3) Induzimento não se confunde com Instigação:
Prostituição: perigo a vida/ casamento Objetivo (disciplina):
Vida sexual Moralidade publica Bons costumes
Destinatário: lascívia própria.
Sujeito passivo (pessoa determinada): homem ou mulher (desejo erótico). Prostituta?
Lascivia: sensualidade, luxuria, libidinagem, concupiscência. Pessoa indeterminadas (Art. 228 CP)
Intenção do agente: fotografia erótica ou obscenas (Art. 234 CP) Consumação: pratica do ato.
Satisfação sexual Qualificadores (§1)
Vitima (Maior de 14 e menor de 18) Obs: se menor de 14?
Lenocínio familiar: (taxativo) Educação (professor, diretor etc) Tratamento (medico, diretor etc) Guarda (segurança)
Também qualifica (§2) Dolo (lucro) - (§3) Continuo (Art. 230 CP)