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Enraizamento de espécies arbustivas e arbóreas silvestres

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Academic year: 2021

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(1)

O Orientador O Co-Orientador

______________________________ _____________________________ (Carlos Augusto B. de Barros e Castro) (António Luís Crespí)

(2)

As doutrinas apresentadas são da exclusiva responsabilidade do autor.

(3)

À minha esposa Aos meus filhos Daniel e Gonçalo

(4)

A todas as pessoas da UTAD que, de uma forma ou de outra me ajudaram a desenvolver este trabalho, muito especialmente aos professores Doutores António Luís Crespí e Carlos Augusto B. de Barros e Castro;

(5)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES I

INDICE GERAL

I - INDICE DE FIGURAS ... vi

II - INDICE DE TABELAS ... xi

III - LISTA DE ABREVIATURAS ... xii

IV - LISTA DE ANEXOS ... xv

V - RESUMO ... xvi

VI - ABSTRACT ... xvii

INTRODUÇÃO ... 1

1ª PARTE – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 5

1 - BASES DA MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA ... 5

2 - A UTILIZAÇÃO DA ESTACARIA COMO FORMA DE PROPAGAÇÃO VEGETATIVA ... 18

2. 1 - PARA FINS AGRÍCOLAS ... 18

2. 2 - NO SECTOR FLORESTAL ... 21

2. 3 - EM ESPÉCIES MEDICINAIS ... 23

2. 4 - EM ESPÉCIES ORNAMENTAIS ... 25

2. 5 - COM FINS ECOLÓGICOS/AMBIENTAIS ... 28

2. 6 - EM ESPÉCIES CONDIMENTARES ... 29

2. 7 - NAS ESPÉCIES EM ANÁLISE NO PRESENTE ESTUDO ... 29

3 - MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA ... 33 3. 1 - RIZOGÉNESE... 33 3. 2 - REGULADORES DE CRESCIMENTO ... 40 3. 2. 1 - Auxinas ... 41 Biosíntese ... 43 Transporte ... 45

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES II

Efeito dos estímulos ambientais e hormonais ... 48

As auxinas no enraizamento ... 49

3. 2. 2 - Compostos sintéticos com acção auxínica ... 53

3. 3 - OUTROS INTERVENIENTES NA RIZOGÉNESE ... 54

3. 4 - FACTORES QUE AFECTAM O ENRAIZAMENTO ... 61

3. 4. 1 - Factores exógenos ... 61

Luz ... 61

Temperatura ... 62

Humidade relativa ... 63

Gases e trocas gasosas ... 65

Nutrição mineral ... 66

Substratos ... 66

3. 4. 2 - Factores endógenos ... 68

Idade da planta-mãe ... 68

Condições fisiológicas da planta-mãe ... 69

Tipo de Estaca ... 71 Época de colheita ... 75 Condições sanitárias ... 77 Espécie ... 78 Presença de folhas... 78 4 - SUBSTRATOS ... 81 4. 1 - CONCEITOS GERAIS ... 81 4. 2 - AREIA ... 83 4. 3 - TURFA ... 84

(7)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES III 4. 4 - PERLITE ... 85 4. 5 – CASCA DE PINHEIRO ... 86 4. 6 – SERRIM ... 86 4. 7 – FIBRA DE COCO... 86 4. 8 – VERMICULITE... 87 4.9. - OUTROS ... 87

2ª PARTE – MATERIAL E MÉTODOS... 89

1 - MATERIAL VEGETAL ... 89

1. 1 - ESPÉCIES EM ESTUDO ... 89

1. 1. 1 - Classificação botânica ... 90

1. 2 - ESPÉCIES UTILIZADAS COMO ENRAIZADORAS ... 92

1. 2. 1 - Classificação botânica ... 92

1. 3 - OUTRAS ESPÉCIES UTILIZADAS ... 94

1. 3. 1 - Classificação botânica ... 94

2 - LOCALIZAÇÃO DO ENSAIO ... 95

3 - PREPARAÇÃO DAS INSTALAÇÕES E MATERIAIS ... 97

3. 1 - ESTUFA ... 97

3. 2 - SUBSTRATOS ... 98

3. 3 - HORMONAS DE ENRAIZAMENTO ... 99

3. 4 - BANCADA E TABULEIROS DE ENRAIZAMENTO ... 101

3. 5 - RECOLHA E PREPARAÇÃO DO MATERIAL VEGETAL ... 101

4 - CUIDADOS AO LONGO DO ENSAIO ... 102

5 - COLHEITA E AVALIAÇÃO DAS ESTACAS... 103

3ª PARTE – RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 106

1 - ENSAIO PRELIMINAR ... 106

(8)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES IV 1. 4 - ERICA ARBOREA... 109 1. 5 - JUNIPERUS OXYCEDRUS ... 110 2 - ENSAIO PRINCIPAL ... 111 2. 1 - POR ESPÉCIE ... 111 2. 1. 1 – Análise quantitativa ... 111 Cistus albidus ... 111 Cistus psilosepalus... 114 Juniperus oxycedrus ... 117 2. 1. 2 – Análise discriminante ... 122 2. 1. 3 – Análise de variância ... 123 2. 2 - POR SUBSTRATO ... 125 2. 2. 1 – Análise quantitativa ... 125 Substrato comercial:areia ... 125 Substrato comercial:perlite ... 127 Substrato comercial ... 129 2. 2. 2 – Análise discriminante ... 131 2. 2. 3– Análise de variância ... 131 2. 3 - POR TRATAMENTO ... 134 2. 3. 1 – Análise quantitativa ... 134 Sem tratamento ... 134 IBA... 135 Salix atrocinerea... 137 Cyperus rotundus ... 139 2. 3. 2 – Análise discriminante ... 141

(9)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES V 2. 3. 3 – Análise de variância ... 143 3 – ENSAIO COMPLEMENTAR ... 146 CONCLUSÕES ... 149 BIBLIOGRAFIA ... 153 ANEXOS

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES VI

I - INDICE DE FIGURAS

Figura 1 Molécula de IAA………. 42

Figura 2 Distribuição da espécie C. albidus em Portugal Continental.. 91

Figura 3 Distribuição da espécie C. psilosepalus em Portugal Continental……….. 91

Figura 4 Distribuição da espécie J. oxycedrus em Portugal Continental.. 91

Figura 5 Aspecto da C. albidus………. 91

Figura 6 Aspecto da C. psilosepalus……… 91

Figura 7 Aspecto da J. oxycedrus………. 91

Figura 8 Distribuição da espécie C. longus em Portugal Continental... 93

Figura 9 Distribuição da espécie C. rotundus em Portugal Continental... 93

Figura 10 Distribuição da espécie S. atrocinerea em Portugal Continental……….. 93

Figura 11 Aspecto da C. longus……….. 93

Figura 12 Aspecto da C. rotundus……….. 93

Figura 13 Aspecto da S. atrocinerea……….. 93

Figura 14 Aspecto da C. scoparius………. 94

Figura 15 Aspecto da E. arborea……… 94

Figura 16 Distribuição da espécie C. scoparius em Portugal Continental... 95

Figura 17 Distribuição da espécie E. arborea em Portugal Continental… 95 Figura 18 Vista exterior da estufa………... 96

(11)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES VII

Figura 20 Controlo do sistema de cooling……….………… 96

Figura 21 Aspecto do aparelho de cooling……… 96

Figura 22 Aspecto do nebulizador……….……….…… 97

Figura 23 Aspecto do controlador do sistema de nebulização…….…… 97

Figura 24 Preparação dos substratos………... 99

Figura 25 Tubérculos de C. rotundus………. 100

Figura 26 Folhas de C. rotundus………. 100

Figura 27 Trituração do material vegetal……… 100

Figura 28 Soluções de C. longus e C. rotundus………. 100

Figura 29 Aspecto da bancada de enraizamento………. 101

Figura 30 Preparação dos tabuleiros………... 101

Figura 31 Colocação dos tabuleiros na bancada de enraizamento………. 102

Figura 32 Preparação das estacas……… 102

Figura 33 Aplicação de IBA………... 103

Figura 34 Colocação das estacas no substrato……… 103

Figura 35 Colheita das estacas……… 104

Figura 36 Estaca de C. psilosepalus enraizada……….. 104

Figura 37 Estaca de J. oxycedrus com callus………... 104

Figura 38 Root Length Scanner……….. 105

Figura 39 Medição das raízes em papel milimétrico………... 105

Figura 40 Pesagem dos lançamentos aéreos………... 105

Figura 41 Colocação do material na estufa………. 105

Figura 42 Resultados obtidos no ensaio preliminar com a espécie C. albidus………... 107

(12)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES VIII

psilosepalus……….. 108

Figura 44 Resultados obtidos no ensaio preliminar com a espécie C.

scoparius……….. 108

Figura 45 Resultados obtidos no ensaio preliminar com a espécie E.

arborea……….. 109

Figura 46 Resultados obtidos no ensaio preliminar com a espécie J.

oxycedrus……….. 110

Figura 47 Resultados obtidos no ensaio principal com a espécie C.

albidus……… 112

Figura 48 Comprimento médio das raízes de C. albidus………….……….. 113 Figura 49 Peso dos lançamentos aéreos de C. albidus……… 114 Figura 50 Resultados obtidos no ensaio principal com a espécie C.

psilosepalus………... 116

Figura 51 Comprimento médio das raízes de C. psilosepalus…..………... 116 Figura 52 Peso dos lançamentos aéreos de C. psilosepalus……….. 117 Figura 53 Resultados obtidos no ensaio principal com a espécie J.

oxycedrus……….…….. 118

Figura 54 Peso dos lançamentos aéreos de J. oxycedrus……… 121 Figura 55 Análise discriminante para as espécies………... 123 Figura 56 Análise de variância para as espécies nas variáveis EM, EV,

EC e EE………... 124 Figura 57 Análise de variância para as espécies nas variáveis CMR e

CTR………. 124 Figura 58 Análise de variância para as espécies nas variáveis PVMR,

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES IX

Figura 59 Efeito da mistura do substrato comercial com areia……….….. 126

Figura 60 Comprimento médio das raízes em substrato comercial:areia… 127 Figura 61 Efeito da mistura de substrato comercial com perlite…………. 128

Figura 62 Comprimento médio das raízes em substrato comercial:perlite. 129 Figura 63 Efeito do substrato comercial……….. 130

Figura 64 Comprimento médio das raízes em substrato comercial……… 130

Figura 65 Análise de variância para os substratos nas variáveis EM, EV, EC e EE………... 131

Figura 66 Análise de variância para os substratos nas variáveis CMR e CTR………. 133

Figura 67 Análise de variância para os substratos nas variáveis PVMR, PSMR, PVMLA, PSMLA……….. 133

Figura 68 Efeito da ausência de tratamentos hormonais………. 134

Figura 69 Comprimento médio das raízes na testemunha……….. 135

Figura 70 Efeito do IBA……….. 136

Figura 71 Comprimento médio das raízes em IBA………. 137

Figura 72 Efeito da solução de S. atrocinerea………. 138

Figura 73 Comprimento médio das raízes em S. atrocinerea………... 139

Figura 74 Efeito da solução de C. rotundus………. 140

Figura 75 Comprimento médio das raízes em C. rotundus………. 141

Figura 76 Análise discriminante para os tratamentos hormonais………. 142

Figura 77 Análise de variância para os tratamentos hormonais nas variáveis EM, EV, EC e EE……… 143

Figura 78 Análise de variância para os tratamentos hormonais nas variáveis CMR e CTR………. 144

(14)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES X

variáveis PVMR, PSMR, PVMLA e PSMLA……… 144 Figura 80 Efeito da solução de Cyperus longus……….. 147 Figura 81 Comprimento médio das raízes em Cyperus longus……… 148

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XI

II - INDICE DE TABELAS

Tabela 1 Resultados do ensaio preliminar………. 106 Tabela 2 Resultados obtidos com a espécie Cistus albidus no ensaio

principal……… 111 Tabela 3 Resultados obtidos com a espécie Cistus psilosepalus no

ensaio principal……… 115 Tabela 4 Resultados obtidos com a espécie Juniperus oxycedrus no

ensaio principal……… 118 Tabela 5 Análise da função discriminante para as espécies………….. 122 Tabela 6 Análise da função discriminante para os substratos……….. 131 Tabela 7 Análise da função discriminante para os tratamentos

hormonais……… 142 Tabela 8 Resultados obtidos no ensaio complementar……… 146 Tabela 9 Compilação de resultados para a espécie Cistus albidus….. 149 Tabela 10 Compilação de resultados para a espécie Cistus psilosepalus 150 Tabela 11 Compilação de resultados para a espécie Juniperus

(16)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XII

CO2 Dióxido de Carbono

DNA Ácido desoxirribonucleico NAA Ácido naftilacético

IBA Ácido indolbutírico IAA Ácido indolacético

mm Milímetros

°C Graus Celsius

cm Centímetros

M Molar

µM Micromoles

PAA Ácido feniloacético IPA Ácido b-indolipropiónico IAald Ácido indol-3-acetaldeído IAN Ácido indolacetonitrilo IPA Ácido indolpirúvico IEt Indoletanol

IAM Indolcetamida

Indol-3-CHO Indol-3-carboxialdeído

O2 Oxigénio

ATP Adenosina Tri-Fosfato

Mg Magnésio

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XIII

NPA Ácido α-naftiltalâmico PTAA Ácido 3-politiofenoacético 2,4,6-T 2,4,6-Triclorofenol

PCIB Ácido 2-clorofenoxi-2-metil propiónico DNP 2,4-dinitrofenol

2,4-D Ácido 2,4-diclorofenoxiacético MCPA Ácido 2-metil-a-clorofenoxiacético CCC Cloreto de 2-cloroetiltrimetilamónio C/N Relação Carbono/Azoto

NFT Nitrofurantoína Dec. Lei Decreto-lei

CEE Comunidade Económica Europeia

L Litros

gr Gramas

ml Mililitros

m Metros

UTAD Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro PBZ Paclobutrazol

ppm Partes por milhão EM Estacas mortas EV Estacas vivas EC Estacas com callus EE Estacas enraizadas

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XIV

PSMR Peso seco médio das raízes

PVMLA Peso em verde médio dos lançamentos aéreos PSMLA Peso seco médio dos lançamentos aéreos SC:A Substrato comercial:areia

SC:P Substrato comercial:perlite SC Substrato comercial T Testemunha SA Salix atrocinerea CR Cyperus rotundus CL Cyperus longus EC Ensaio complementar EP Ensaio principal DCA Análise discriminante

% Percentagem

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XV

IV - LISTA DE ANEXOS

Anexo 1 - Tratamentos para cada tipo de estaca

Anexo 2 - Classificação botânica das espécies Cistus albidus, Cistus psilosepalus e Juniperus oxycedrus

Anexo 3 - Classificação botânica das espécies Cyperus longus, Cyperus rotundus e Salix atrocinerea

Anexo 4 - Classificação botânica das espécies Cytisus scoparius e Erica arborea Anexo 5 - Registo das temperaturas máximas e mínimas do ar

Anexo 6 - Registo das temperaturas máximas e mínimas do substrato Anexo 7 - Resultados observados no ensaio preliminar

(20)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XVI

INSTALOU-SE um ensaio para avaliar o efeito de diferentes substratos e reguladores de crescimento, alguns de ocorrência natural, no enraizamento de espécies autóctones. Este ensaio decorreu nas estufas dos Viveiros Riba-Douro em Vila Real e nas instalações do Departamento de Agronomia da UTAD entre Novembro de 2008 e Maio de 2009 e incluiu três espécies, Cistus albidus L., Cistus psilosepalus Sweet e

Juniperus oxycedrus L., autóctones da flora transmontana, que devem ser preservadas

pelo seu potencial ornamental e pela sua adaptabilidade às condições edafo-climáticas da região. A multiplicação por via vegetativa é uma das possibilidades de se obterem, de forma rápida, eficiente e económica, um número suficiente de plantas que permitam satisfazer as crescentes necessidades.

Os substratos utilizados foram: composto comercial com perlite, composto comercial com areia e composto comercial isolado.

Como reguladores de crescimento foram utilizados IBA na concentração de 0,4% e soluções de Cyperus rotundus L. e Salix atrocinerea Brot.. Paralelamente foi feito um pequeno ensaio complementar utilizando Cyperus longus L..

Após 90 dias avaliou-se o número de estacas vivas, mortas, com callus e enraizadas. Nas estacas enraizadas mediu-se o comprimento das raízes e pesaram-se em verde e em seco. Foram também pesados, em verde e em seco, os lançamentos aéreos que se desenvolveram durante o período do ensaio.

Foi possível concluir que houve modalidades que influenciaram alguns parâmetros, sendo de salientar os tratamentos com solução de S. atrocinerea e C. longus que parecem ser boas alternativas aos tratamentos químicos.

Quanto às espécies, a C. psilosepalus demonstrou ser uma espécie de fácil enraizamento; a C. albidus, pelo contrário mostrou ter dificuldades em enraizar; o J.

oxycedrus necessitava de mais tempo em bancada de enraizamento.

PALAVRAS-CHAVE: Enraizamento, estacaria, Cistus albidus, Cistus

(21)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XVII

VI - ABSTRACT

An experiment has been set to evaluate the effect of different substrates and root promoting growth regulators, some of natural occurrence, in the rooting of native plants. This experiment has taken place in the greenhouses of Riba-Douro Nursery in Vila Real, Portugal, and in the facilities of the University of Trás-os-Montes e Alto Douro Agronomy Department, between November 2008 and May 2009, and it has included three species, Cistus albidus L., Cistus psilosepalus Sweet e Juniperus oxycedrus L. all of them belonging to the transmontanaTN flora, which must be preserved for its ornamental potential and for its adaptability to the edafoclimatic conditions of the region. Multiplication through vegetative propagation is one of the possibilities to obtain, in a quick, efficient and economic way, a sufficient number of plants that allow satisfying the growing needs.

The substrates used were: commercial substrate with perlite, commercial substrate with sand and isolated commercial substrate.

The root promoting growth regulators used were IBA in a 0,4% concentration, and Cyperus rotundus L. and Salix atrocinerea Brot. solutions. Aside, a small experiment using Cyperus longus L. was made as a complement.

After 90 days the number of live, dead, containing callus and rooted cuttings were evaluated. In the rooted cuttings the root length was measured and they were weighed fresh and dried. Shoot growths that developed during the experiment were also weighed fresh and dried.

It was possible to conclude that there were modalities influencing some parameters, stressing the treatments with S. atrocinerea and C. longus solution which seem good alternatives to chemical treatments.

As for the species, C. psilosepalus demonstrated being an easy rooting species; C.

albidus, on the other hand, showed difficulties in rooting; J. oxycedrus needed more

time in the propagation bench.

TN

(22)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES XVIII

(23)

INTRODUÇÃO

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

1

INTRODUÇÃO

É hoje reconhecido o importante papel que as florestas têm na conservação do solo, na regulação do clima e do ciclo hidrológico, no suporte da biodiversidade, na redução das taxas de CO2 e na produção de matérias-primas essenciais à vida humana.

No nosso país, grande parte das florestas originais estão completamente alteradas ou, simplesmente, desapareceram. E com elas também se extinguiram algumas das nossas espécies autóctones. A simplificação dos sistemas silvestres com a utilização de árvores, muitas vezes, exóticas e de crescimento rápido bem como a utilização de espécies ornamentais oriundas de outros locais tem tido um importante acréscimo e esteve na base da degradação do parque florestal nativo. O que se pretende é alterar esta situação para que as espécies autóctones silvestres e ornamentais (muitas vezes com ambas as valências), paulatinamente, venham a ganhar o seu espaço. Gomes (2004) citando Cabot (2004) fundamenta a mudança nos seguintes pressupostos:

• São espécies perfeitamente adaptadas e que se autorregeneram uma vez plantadas;

• O mercado procura espécies novas mais adaptadas às condições locais;

• Respeitam o meio ambiente já que evitam a contaminação genética e mantém a biodiversidade;

• Necessitam de menores investimentos; • Necessitam de instalações técnicas simples.

Por isso, não é de estranhar que cada vez mais espécies autóctones surjam nos viveiros nacionais que, desta forma, tentam dar resposta às exigências de um mercado em expansão e muito atraente em termos económicos. Cientes das dificuldades de obtenção de clones viáveis por via sexual, pelos elevados custos económicos resultantes de um intervalo de tempo demasiado longo até se dispor de um elevado número de plantas, a multiplicação vegetativa, nomeadamente a estacaria assume-se hoje em dia como o

(24)

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

2

método mais indicado e apreciado para esses fins com as vantagens já sucintamente referidas e que serão, posteriormente, objecto de análise mais detalhada.

Hartmann et al. (2002) referem que a propagação vegetativa tem uma série de procedimentos de origem milenar e que, actualmente, têm tido aplicações em recentes avanços científicos. Costa (1992a) refere que a macropropagação vegetativa de espécies com interesse económico tem vindo a ganhar adeptos e a mostrar crescente interesse por se obterem plantas com dimensões comercializáveis mais rapidamente e devido ao interesse em se conquistar alguma independência quanto à importação de plantas de exterior.

De facto, vários milhões de plantas enraizadas são transferidos, anualmente, para o seu local definitivo, fruto de multiplicação vegetativa por estacas. Este é o método mais difundido para produzir plantas de forma assexuada (Ricci et al., 2001), tendo alcançado um enorme progresso a partir da década de 30 do século passado, quando se descobriu a acção das auxinas na activação das células cambiais e na formação de raízes adventícias (Giacomett, 1979).

Hartmann et al. (2002) afirmam que indústria da propagação de plantas, nos tempos modernos é muito complexa. Inclui, para além das empresas que multiplicam as plantas para venda e distribuição, todo um grupo de indústrias associadas que fornecem serviços, vendem produtos, executam consultadoria, fazem investigação ou estão envolvidos no ensino.

Loureiro (1991) afirma que os principais objectivos da reprodução assexuada são a obtenção de indivíduos exactamente iguais aos seus progenitores, bem como conseguir aumentar a disponibilidade de plantas em espécies cuja reprodução por semente é difícil. Já Husen e Pal (2007) referem que os principais objectivos são a produção de material vegetativo de alta qualidade e a obtenção de árvores com crescimento rápido. Esta reprodução assexuada consiste no desenvolvimento de uma nova planta com formação de raízes adventícias. As plantas-mãe transmitem, dessa forma, toda a informação genética à nova planta, graças à replicação do DNA (Giacomett, 1979).

(25)

INTRODUÇÃO

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

3

Esta técnica é usada em plantas que tem amplo emprego na agricultura (Giacomett, 1979) acrescentando Blythe et al. (2004) que também se recorre a ela, frequentemente, na produção comercial de plantas ornamentais. Como se verá mais à frente, actualmente, está plenamente difundida, sendo utilizada nos mais diversos campos e para as mais variadas finalidades.

No entanto, Atroch et al. (2007) referem que a estacaria produz plantas menos vigorosas como consequência do sistema radicular fasciculado que se torna inadequado em determinadas condições climáticas como secas prolongadas. Já Bounous et al. (1992) afirmam que há dois tipos de problemas emergentes na estacaria: a falta do perfeito conhecimento do mecanismo que determina o potencial rizogénico de cada espécie e o desconhecimento das exigências microambientais das estacas de modo a permitir a máxima capacidade de emissão de raízes. Costa (1992a) confirma que o pouco conhecimento da fisiologia condiciona todo o processo podendo originar maiores custos pelos artificialismos a que obriga.

De acordo com Blythe et al. (2004), algumas espécies beneficiam da aplicação dos tratamentos com auxinas, enquanto outras criam raízes de forma fácil não necessitando desses tratamentos. Esses benefícios variam de acordo com as espécies, cultivares, condições das estacas, época do ano e outros factores. Biasi e Boszcowski (2005) verificaram que a resposta é variável de acordo com a época de colheita, tendo-se verificado melhores resultados quando os ensaios são efectuados na estação de crescimento. Os mesmos autores referem, por outro lado, que o enraizamento é prejudicado quando se utilizam as partes apicais muito tenras ou as partes basais de maturação avançada. Garcidueñas e Rovalo (1988) indicam que para um melhor enraizamento, devem ser seleccionados ramos jovens e fortes que tenham sofrido o estímulo do frio.

Blythe et al. (2004) referem que os químicos mais usados são o ácido indol-3-butírico (IBA) e o ácido 1-naftalenoacético (NAA) ou a mistura de ambos. Todavia, a literatura refere ainda o ácido indolacético (IAA), apesar de Margat (1989) referir que, pelo facto do IAA ser uma substância natural, se tornar mais sensível aos sistemas enzimáticos de degradação auxínica e ser fotodegradável. Estes serão algumas das

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

4

razões da menor utilização, como se confirma pela análise da bibliografia, do IAA em ensaios de enraizamento. Também Fochesato et al. (2006) abordam esta temática, referindo que o IAA apresenta menor estabilidade química, é menos persistente e mais fitotóxico. Os mesmos autores salientam, ainda, que o IBA, por sua vez, é menos solúvel e tem acção mais localizada. E em termos de actividade, o NAA parece ser o mais activo (Fochesato et al., 2006) apesar de apresentar, também, elevada toxicidade. Pio et al. (2004; 2006) concluem que o IBA é o fito-regulador mais utilizado na medida em que se trata de uma substância fotoestável, de acção localizada e menos sensível á degradação biológica. Garcidueñas e Rovalo (1988) afirmam que as auxinas que mostraram ser melhores para o enraizamento eram o IBA e o NAA aplicados de diversas formas. A sua aplicação é feita na parte basal da estaca, quer se use uma formulação líquida ou em pó.

A bibliografia, apesar de referir aplicações foliares destas auxinas, não apresenta, em muitos casos, detalhes acerca da aplicação. Em ensaios com Ilex crenata, McGuire (1967) demonstrou que a aplicação foliar de auxina através da completa imersão das estacas foi, naquele caso, tão efectiva como o tratamento com auxina em pó aplicado na base da estaca. Efectivamente, várias espécies enraizaram quando as folhas das estacas foram mergulhadas numa solução contendo auxinas. Blythe et al. (2004) utilizaram estacas de cinco espécies ornamentais, Aglaonema modestum, Gardenia augusta,

Gardenia jasminoides, Ficus benjamina e Hedera helix e os resultados não foram

conclusivos: algumas espécies reponderam bem a aplicações foliares (Gardenia

augusta) enquanto noutras a aplicação basal é preferencial (Ficus benjamina). O caso da Hedera helix é sintomático, uma vez que as aplicações foliares de auxina

proporcionaram percentagens de enraizamento mais baixas que a testemunha sem qualquer tipo de tratamento químico.

É com base nestes pressupostos que se desenvolveu este estudo utilizando cinco espécies da flora autóctone transmontana e alto-duriense com elevado potencial ornamental e económico tentando optimizar as técnicas de propagação vegetativa.

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BASES DA MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

5

1ª PARTE – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1 - BASES DA MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA

Na propagação clonal, como lhe chamam Hartmann et al. (20002), todos os membros de uma população têm origem na propagação vegetativa a partir de uma simples planta, possuindo todos o mesmo genótipo, devido à formação de raízes adventícias. Ou seja, a propagação vegetativa ou assexuada baseia-se na capacidade de uma planta regenerar um novo indivíduo, geneticamente igual, a partir de qualquer fragmento vegetativo portador de um gomo com a consequente formação de novas raízes (Nakasu, 1979; Costa, 1992a). Desta forma, fica assegurada a estabilidade da espécie já que todos os descendentes são idênticos uma vez que, através da divisão mitótica das células, ocorre a replicação completa dos cromossomas e citoplasma da célula-mãe para as células-filhas, mantendo toda a informação genética (Nakasu, 1979). Segundo Margara (1989), a selecção de plantas para a multiplicação vegetativa é fácil e prevê-se que este método traga, no futuro, uma importante contribuição para o melhoramento das plantas. De facto, aquele autor prevê que seja possível ao seleccionador fixar o genótipo que mais lhe interessa. A propagação por estacaria consiste em retirar da planta original um órgão (ramo, neste caso) e forçá-lo a emitir raízes e rebentos através de processos químicos e mecânicos ou por manipulação ambiental (Hartmann et al., 2002). Webster e Wertheim (2005) referem, que nos métodos de estacaria, partes jovens são retiradas de plantas-mãe no verão ou no inverno e forçadas a enraizar. De acordo com os mesmos autores, as estacas com folhas são colhidas na Primavera ou princípio do Verão e colocadas a enraizar em estufas com elevada humidade; as colhidas no Inverno, com um ano de idade, não têm folhas e são colocadas a enraizar em substrato adequado e com aquecimento basal. Pedrinho (2004), não especificando em que tipo de estacas, refere que a Primavera e o Verão são as melhores épocas devido ao facto de serem períodos de intenso crescimento vegetativo.

Actualmente, a estacaria é a técnica de multiplicação vegetativa mais utilizada sendo usada no meio florestal para a produção de plantas seleccionadas em grande escala. Segundo Floriano (2004), neste processo há a distinguir 4 fases: a) produção de

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estacas; b) preparação das estacas e do meio de crescimento; c) enraizamento e d) aclimatação, sendo que a primeira e a terceira são consideradas decisivas para o sucesso da técnica.

Na propagação por estacas caulinares ocorre a formação de um novo sistema de raízes que surgem de qualquer parte da planta onde não seja espectável o seu normal desenvolvimento (Costa, 1992a). Estas raízes que surgem de tecidos não destinados à sua produção chamam-se adventícias (Webster e Wertheim, 2005) e a sua formação é um pré-requisito para o sucesso da estacaria (Hartmann et al., 2002). A indução das raízes adventícias ocorre em células específicas possuidoras de potencial para regeneração durante o seu desenvolvimento. Adicionalmente, células específicas podem ser induzidas a se desdiferenciar e desenvolver capacidade de se regenerar. É este potencial de regeneração que é a base da propagação por estacas caulinares (Hartmann et al., 2002), nomeadamente em espécies ornamentais onde é essencial manter a pureza genética (Salisbury e Ross, 1992). O potencial que células e tecidos têm para se desenvolver numa direcção particular, por exemplo a iniciação das raízes adventícias em estacas caulinares chama-se competência. O desenvolvimento dessa competência em algum órgão especial demora algum tempo e requer um sinal especial. Quanto ao tempo, o termo determinismo descreve o grau de evolução das células no seu desenvolvimento na citada direcção particular. A partir de um certo ponto, o processo é irreversível e, então, as células são consideradas como determinadas. Quanto ao sinal, este pode ter uma origem interna ou externa à planta, mas está sempre associado à sua função hormonal específica. No caso de o sinal ser exterior à planta, surge a partir da aplicação de reguladores de crescimento (Hartmann et al., 2002).

A capacidade de originar a estrutura de uma planta inteira depende de duas características: totipotência (algumas células vivas contém a informação genética necessária para a reconstituição de todas as partes e funções das plantas) e desdiferenciação, capacidade que outras células têm de readquirir condições meristemáticas, desenvolvendo novas zonas promotoras de crescimento (Hartmann et al., 2002).

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Nas plantas a totipotência aplica-se a qualquer célula do parênquima, sendo mais específico das células meristemáticas. Muitas destas células diferenciam-se em células especializadas com funções específicas nas plantas (Hartmann et al., 2002).

Na totipotência uma célula não embriónica tem potencial para se desdiferenciar numa embriónica e desenvolver-se até se formar uma nova planta, desde que o ambiente seja favorável. Todos os genes para a produção de uma planta completa existem nessas células diferenciadas. A totipotência está presente no desempenho dos tecidos do callus e ocorre parcialmente quando as raízes adventícias se desenvolvem a partir de células do caule. Assim, torna-se uma importante vantagem para as plantas na sua reprodução vegetativa (Salisbury e Ross, 1992). Todavia, segundo Floriano (2004), esta propriedade não se manifesta da mesma maneira em todas as espécies, variando a sua intensidade e sendo activada por diferentes condições.

A multiplicação vegetativa por estacaria apresenta algumas vantagens quando comparada com a propagação por via seminal assumindo-se como o mais importante meio de propagação vegetativa de espécies de folha caduca ou persistente sendo usada, largamente, na propagação de espécies ornamentais (Hartmann et al., 2002), florestais e também no caso das espécies frutícolas que são com frequência heterozigóticas e/ou auto-estéreis, não sendo possível propagá-las por via sexual (Webster e Wertheim, 2005). Como principais vantagens da multiplicação vegetativa, referem-se a possibilidade de um número significativo de plantas poder ser propagado de uma maneira mais fácil, conveniente e económica. Este é, de facto, o método mais prático para proceder à multiplicação agâmica em larga escala. A vantagem económica resulta da manutenção das características da planta mãe quando propagadas por via vegetativa, uma vez que é sabido que este método é mais dispendioso do que a alternativa seminal (Hartmann et al., 2002).

Outra das vantagens apontadas é o facto de este ser um método muito eficiente para uma fixação imediata da variação genética interessante em termos económicos. Grandes avanços genéticos podem ser conseguidos numa só geração já que não há lugar à ocorrência de segregação e recombinação genética. Por isso, a propagação vegetativa

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justifica-se sempre que houver interesse em obter um elevado número de plantas com a mesma constituição genética, os clones (Costa, 1992a).

Segundo o mesmo autor, a redução do tempo de entrada em floração, menor duração da fase juvenil, é outra das vantagens mais significativas, até porque o longo período de juvenilidade, nomeadamente em coníferas, tem criado sérios obstáculos em programas genéticos instituídos com os objectivos de incrementar a qualidade dessas espécies. Importa, também, referir, que as plantas na fase adulta têm menor capacidade para emitir raízes adventícias (Salisbury e Ross, 1992). Outras vantagens normalmente apontadas são a obtenção de plantas uniformes e a combinação de clones na enxertia.

Todavia, e apesar de todas as vantagens, Margara (1989) e Costa (1992a) referem alguns inconvenientes e limitações da propagação vegetativa, nomeadamente as mutações espontâneas que, embora raras, podem ocorrer e fazer perder a homogeneidade. Margara (1989) adianta, também, que a propagação clonal facilita o desenvolvimento de viroses (que podem originar o chamado envelhecimento dos clones, caracterizado pela perda de vigor e de produtividade dos clones) e outro tipo de doenças, situações que podem ser ultrapassadas com as técnicas de propagação in vitro. Por sua vez Henriquez Madariaga (2004) apresenta outro inconveniente: a obtenção de plantas menos vigorosas devido a um sistema radicular superficial e relativamente pobre.

Outro possível inconveniente resulta precisamente de uma das vantagens: a redução da fase juvenil. Certas espécies florestais, por exemplo, apresentam um longo período juvenil, com as consequentes florações tardias, revelando um melhor crescimento nos primeiros anos (Costa, 1992a), pelo que a redução desse período juvenil pode ter consequências na qualidade do produto final.

Em alguns casos, o enraizamento de estacas é difícil se não forem tomadas medidas de controlo ambiental, nomeadamente a manutenção de uma elevada humidade do ar e de temperatura e irradiação adequadas. Estes temas serão abordados no Capítulo 3.5 com mais pormenor.

De acordo com a sua origem na planta, as estacas podem ser caulinares, foliares ou radiculares. No caso das caulinares, objecto deste estudo, e dependendo da sua

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posição no ramo podem designar-se de apicais, basais ou medianas. Quanto ao seu desenvolvimento, as estacas podem ser lenhosas, se possuem tecidos fortes, endurecidos e resistentes; herbáceas, se têm um aspecto suculento e pouco consistente; semilenhosas ou semi-herbáceas quando se situam entre os dois casos extremos citados (Pedrinho, 2006).

A escolha das estacas depende, na opinião de Hartmann et al. (2002), de várias circunstâncias, sendo que se deverão seleccionar aquelas que proporcionem menos gastos e sejam mais fáceis de utilizar. Por exemplo, em espécies fáceis de enraizar a simplicidade e baixo custo da utilização das estacas lenhosas é preferível. Nas espécies de difícil enraizamento, deverão ser utilizadas estacas mais herbáceas e com um rigoroso controlo ambiental o que encarece as produções.

As estacas lenhosas são obtidas de ramos lenhosos ou lenhificados com idades entre os 8 e os 15 meses. Para este tipo de estacas (bem como para as herbáceas que analisaremos isoladamente um pouco mais à frente), Webster e Wertheim (2005) consideram que as melhores plantas-mãe são aquelas que foram severamente podadas. O enraizamento de estacas lenhosas é menor devido à presença interna de um tecido esclerenquimatoso que se forma durante a fase de crescimento do lançamento e que varia de espécie para espécie e até com o meio ambiente; a formação deste tecido pode ser retardada colocando as plantas à sombra ou pelo estiolamento. Hartmann et al. (2002) referem que as estacas lenhosas são fáceis e baratas de propagar, não necessitando, por isso, de equipamento especial durante o enraizamento. Por outro lado, também são facilmente transplantáveis após o período de enraizamento.

Outro aspecto importante é a dimensão da estaca. Para as lenhosas apontam-se valores mínimos de diâmetro da ordem dos 10mm (entre 6 e 25mm na opinião de Hartmann et al., 2002) para um melhor enraizamento, se bem que, com os rigorosos controlos ambientais actuais, possam ser menores. Sendo provenientes de plantas vigorosas o potencial de enraizamento é maior e dentro da mesma planta enraízam melhor as estacas colhidas na parte inferior. Em cada ramo, o maior potencial verifica-se na baverifica-se pelo que deve verifica-ser este a verifica-ser utilizado como estaca (Webster e Wertheim, 2005).

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As estacas lenhosas, normalmente, são utilizadas após a queda das folhas quando o ramo se apresenta atempado, no caso de espécies de folha caduca. Quando se trata de espécies de folha perene, as estacas lenhosas são colhidas na mesma altura, período de dormência, (Hartmann et al., 2002). O seu enraizamento está associado a substâncias de reserva, daí a sua utilização durante o período do repouso vegetativo. No entanto, quando colhidas em pleno Inverno, na fase de dormência profunda, os resultados têm demonstrado que o enraizamento é menor (Webster e Wertheim, 2005).

O meio onde as estacas lenhosas irão ser colocadas a enraizar é muito importante. Para este tipo de estacas, Webster e Wertheim (2005), aconselham que o substrato, preferencialmente turfa, areia ou perlite, mantenha uma temperatura basal relativamente elevada (em geral, 20ºC). Os substratos adequados devem permitir fixar as estacas, a entrada de ar, as trocas gasosas e a criação de um ambiente escuro, apropriado para hormonas como o IAA que é fotodegradável e transportado para os lugares mais escuros da planta. No caso particular das estacas lenhosas é fundamental uma boa drenagem, uma vez que, como não possuem folhas, não podem transpirar e fazer sair rapidamente a água que absorvem. Se este pormenor não for atendido, podem ocorrer situações de podridão.

O período de tempo que as estacas lenhosas estão a enraizar varia entre as 2 a 3 semanas em Fevereiro. Caso a estacaria seja feita a meio do Inverno, será melhor utilizar 4 semanas (Webster e Wertheim, 2005).

Segundo Floriano (2004) as estacas lenhosas são classificadas de acordo com as suas características em seis tipos diferentes:

• Estaca simples – estaca que se obtêm subdividindo o ramo em pedaços de 20 a 30cm de comprimento e com 0,5 a 1,5cm de diâmetro. Cada estaca deve possuir 4 a 6 gomos. Este tipo de estacas tem mostrado ser o mais efectivo não só em termos de rendimento como de facilidade prática;

• Estacas-talão – difere da anterior por trazer parte do lenho velho, o talão. Obtêm-se destacando um ramo no ponto de inserção com outro de dois anos. É utilizado em espécies de difícil enraizamento pois possui raízes pré-formadas no lenho velho. A disponibilidade de estacas, em número, é inferior ao tipo anterior;

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• Estaca cruzeta – semelhante à anterior, mas a porção de ramo de dois anos é superior apresentando uma forma de cruz em vez da forma de pata de cavalo do tipo anterior;

• Estaca-tanchão – trata-se de uma estaca pouco comum com um comprimento de 60 a 80cm e diâmetro de 4 a 20cm. É utilizada, por exemplo, na multiplicação de oliveiras. Também neste caso, a presença de lenho velho favorece o enraizamento por, à semelhança da estaca-talão, possuir raízes pré-formadas; • Estaca-gomo – este material de propagação é constituído apenas por um gomo. O seu uso é limitado à multiplicação de material muito valioso ou quando não se dispõe de material em quantidade suficiente;

• Estaca-enxerto – metodologia usada nas estacas de difícil enraizamento utilizando-a como garfo e recorrendo para cavalo a uma estaca de mais fácil enraizamento.

As estacas semi-lenhosas devem ser colhidas no final do Verão, quando o crescimento dos lançamentos cessou, mas algumas semanas antes da queda das folhas. As estacas devem possuir 3 a 4 gomos e, se possível, deve fazer-se o ensombramento das plantas-mãe no período final da época de crescimento. As estacas devem estar a enraizar por um período de 3 semanas. Esta é, todavia, uma técnica raramente utilizada em termos comerciais (Webster e Wertheim, 2005).

Finalmente, as estacas herbáceas deverão ser de menor tamanho para minimizar as perdas de água (Webster e Wertheim, 2005). Aliás, durante muito tempo não eram muito utilizadas devido à sua fácil e rápida desidratação; actualmente, com a utilização da nebulização em meio controlado, tal já não se afigura como problema (Costa, 1992a). As estacas herbáceas devem ser colhidas em ramos apicais na Primavera e início do Verão e está demonstrado que colheitas mais tardias originam jovens plantas insuficientemente estabelecidas e com insuficientes reservas para conseguirem sobrevier ao Inverno. Sendo a colheita feita em épocas quentes é fundamental que ocorra de manhã cedo quando as folhas ainda estão túrgidas. Este factor é decisivo para a

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percentagem de enraizamento porque os níveis de ácido abscisico e etileno são mais elevados.

Em termos de substrato, muitos têm sido usados nas estacas herbáceas. O fundamental é que seja parcialmente esterilizado para evitar doenças ou pragas. Casca de resinosas, turfa, areia, perlite e vermiculite são os mais comuns (Webster e Wertheim, 2005). Floriano (2004) desaconselha, todavia, o uso de solos orgânicos como meio de cultura em estacaria devido à produção, por parte de algumas espécies, de substâncias alelopáticas inibidoras do enraizamento e que poderão estar presentes na matéria orgânica desses solos.

De uma maneira geral, as estacas de espécies de folha caduca enraízam melhor se forem colhidas no Outono ou no Inverno, enquanto para as de folha perene o melhor período é a Primavera ou o Verão. Quando se trata de espécies que enraízam facilmente, podem ser colhidas em qualquer altura do ano. Para outras espécies o período de maior capacidade de enraizamento pode coincidir com o período de repouso ou com o período de crescimento.

Em jeito de resumo, apresentam-se no Anexo 1 as técnicas de estacaria usadas em diferentes situações.

De acordo com Hartmann et al. (2002) as plantas podem ser classificadas de três formas quanto à resposta ao enraizamento:

(i) plantas fáceis de enraizar – aquelas que possuem auxinas e outras substâncias endógenas essenciais. As estacas provenientes deste tipo de plantas quando colocadas em condições ambientais favoráveis rapidamente formam raízes e a auxina pode até nem ser necessária.

(ii) moderadamente fáceis de enraizar - aquelas em que estão presentes alguns co-factores de ocorrência natural em quantidades suficientes, mas a auxina é limitante. Nestes casos, o fornecimento de auxina é necessário para facilitar o enraizamento.

(iii) recalcitrantes - aquelas em que não há actividade de um ou mais co-factores internos e onde a auxina natural pode ou não estar em abundância. Nestes

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casos, a aplicação exógena da auxina não acarreta qualquer resposta devido à ausência das citadas substância de ocorrência natural.

As estacas oriundas das plantas deste terceiro grupo apresentam dificuldades em enraizar, podendo ser sujeitas a tratamentos mecânicos ou fisiológicos. No primeiro caso, inclui-se a impermeabilização das estacas para evitar a secagem; anelamentos, incisões, torções e descasque, acções que favorecem a acumulação de auxinas, carbohidratos e outros elementos promotores de enraizamento pelo bloqueio das translocações dessas substâncias bem como o aumento de células parenquimatosas e de tecidos menos diferenciados.

Nos tecidos feridos verifica-se o estímulo para a divisão celular devido à acumulação natural de auxinas e carbohidratos bem como um aumento da taxa respiratória e da produção de etileno que, indirectamente, promove a formação de raízes adventícias (Hartmann et al., 2002) (ver Capítulo 3 da 1ª Parte). Entre as respostas metabólicas às feridas, Hartmann et al. (2002) enumeram as seguintes: aumento do ácido ascórbico e lipidos, síntese de novas membranas, enfraquecimento das membranas celulares, fluxo de iões para o interior das células, aumento dos componentes fenólicos, evolução do etileno, aumento dos terpenóides, peroxidação da membrana e aumento da capacidade de síntese proteica.

Os WRC’s (do inglês Wounding-Related Compounds, compostos associados ao surgimento da ferida) desempenham, na opinião dos autores citados anteriormente, um papel importante no enraizamento, promovendo-o quando aplicada uma baixa concentração de auxina. A existência da ferida permite não só uma maior absorção pelos tecidos da base da estaca do regulador de crescimento aplicado como também uma maior facilidade na emergência das novas raízes devido a uma menor resistência fisiológica (Hartmann et al., 2002).

Os resultados de estudos efectuados envolvendo a realização de feridas nas bases das estacas têm sido variáveis: Ribeiro e Antunes, em estacas de Prunus lusitanica concluíram que a ferida não teve qualquer efeito no enraizamento e Trevisan et al. (2008) relataram que as lesões provocadas na base de estacas de Vaccinium sp. não proporcionaram estímulo na emissão de raízes; pelo contrário, Ribeiro et al. (1996) e

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Mata et al. (1997) referiram que as feridas aumentam a quantidade e qualidade das raízes de Ilex aquifolium e Quercus suber. Já quanto à incisão anelar, Cordeiro et al. (2001) concluíram que a sua aplicação em estacas de Q. suber não apresenta vantagens sugerindo o abandono da técnica pela sua exigência em mão-de-obra e dificuldade no seu controlo rigoroso. Também Almeida et al. (2008) referiram que a incisão não apresenta efeitos significativos no enraizamento de Syzygium malaccense. Araújo et al. (2008) testaram o corte das partes apicais das estacas de Hylocerus undatus e concluíram que o melhor sistema radicular se obtêm naquelas onde não foi efectuado esse corte.

Dentro dos tratamentos fisiológicos, incluem-se o estiolamento, o rejuvenescimento e a utilização de reguladores de crescimento, sendo estes a base deste trabalho. Pio et al. (2004) apontam, ainda, a estratificação como um método para aumentar o potencial de enraizamento de estacas lenhosas. A finalidade é superar a dormência e aumentar o vingamento.

O estiolamento consiste na exclusão total da luz por um período de 30 a 40 dias e é responsável pelo aumento dos teores de amido (Souza, 2007), acentuando a sensibilidade à auxina, reduzindo o teor de lenhina (Hartmann et al., 2002), estando também, associado à presença de parênquima descontínuo o que reduz a barreira mecânica oposta ao enraizamento (Souza, 2007). Webster e Wertheim (2005) aconselham a cobrir as plantas-mãe em Maio ou início de Junho e colher as estacas um mês depois.

Cabe aqui uma referência para os trabalhos desenvolvidos por Reis et al. (2000) com recurso ao estiolamento total e basal de Pyrus calleryana. Os autores concluíram que, contrariamente ao referenciado na literatura, o enraizamento é independente do estiolamento, se bem que estacas provenientes de plantas estioladas apresentem maior enraizamento lateral e que o estiolamento basal tenha proporcionado maior percentagem de enraizamento que o total, concluindo que esta técnica parece realmente diminuir a barreira mecânica imposta ao enraizamento.

O rejuvenescimento pode ser induzido nas espécies de difícil enraizamento. Sinteticamente, Hartmann et al. (2002) referem as seguintes técnicas: desenvolvimento

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de gomos adventícios a partir de pedaços de raiz; remoção dos gomos terminais e laterais e pulverização das plantas com uma mistura de citoquininas, ácido tri-iodobenzóico e daminozide; manipulação química com aplicação de sprays giberélicos; forçagem do crescimento juvenil a partir de esferoblastos (protuberâncias que contêm tecidos meristemáticos e condutores); enxertia; utilização de plantas obtidas a partir de micropropagação.

As técnicas de rejuvenescimento das plantas-mãe foram testadas por Pignatti e Crobeddu (2005), com diversas espécies arbustivas mediterrânicas, com bons resultados, pois as percentagens de enraizamento foram superiores nas estacas provenientes de plantas que sofreram esse tratamento. Também Cordeiro et al. (2001) concluíram que as taxas de enraizamento de Quercus suber eram significativamente superiores quando as estacas eram provenientes de plantas de viveiro, devido á maior juvenalidade fisiológica tecidular. Medrado et al. (2002) concluíram que a época de poda das plantas-mãe de Hevea brasiliensis tem efeito na qualidade do material a propagar e, consequentemente, nas taxas de enraizamento. No caso estudado parecem ser os meses frios os mais indicados para efectuar a poda.

Roberto et al. (2004), Pio et al. (2004) e Gonçalves et al. (2004) utilizaram a técnica da estratificação, respectivamente em água, areia e no frio e areia em estacas de

Vitis spp., Cydonia oblonga e Ficus carica. Os resultados foram contraditórios uma vez

que, segundo Pio et al. (2004), as diferenças surgidas na percentagem de enraizamento ficaram-se a dever à utilização de IBA e não ao processo de estratificação. Pelo contrário, Roberto et al. (2004) e Gonçalves et al. (2002) concluíram que a utilização desta técnica aumentou a percentagem de enraizamento.

Henriquez Madariaga (2004) refere que determinadas espécies apresentam dificuldades em enraizar devido à presença de inibidores naturais associados aos compostos fenólicos como lenhina, flavenóides, ou autocianidas. O autor preconiza, para estes casos, uma abundante lavagem com água o que provoca a libertação dessas substâncias.

Apesar de já terem sido utilizados diferentes comprimentos de estacas com diferentes origens na planta-mãe (ver Capítulo 3 da 1ª parte), Webster e Wertheim

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(2005), são de opinião que se devem obter estacas basais com 20 cm de comprimento e 3 ou 4 folhas. As folhas inferiores devem ser retiradas e estudos demonstram que quatro é o número de gomos indicado para um melhor enraizamento devido, provavelmente, às maiores quantidades de reservas. De facto, a presença de gomos numa estaca favorece a formação de raízes, sendo que os gomos em desenvolvimento produzem mais facilmente que os dormentes (Costa, 1992a). Também as folhas, nomeadamente as mais jovens, favorecem a produção de raízes. Estas observações sugerem que, como veremos adiante, há hormonas a serem produzidas nos gomos e nas folhas jovens e a serem translocadas para a zona basal das estacas.

As estacas são preparadas cortando-se os ramos com o tipo desejado. A parte superior é seccionada a um ou mais centímetros acima do último gomo. A parte inferior é cortada em bisel com um gomo no lado oposto ao corte. Depois são colocadas no substrato de modo a que um terço da estaca ou um gomo fique exposto.

Logo após o enraizamento, que pode durar entre algumas semanas e alguns meses, as estacas deverão ser transplantadas já que se deterioram estando longos períodos sob nebulização após a emissão das raízes (Webster e Wertheim, 2005).

Na selecção das estacas é importante dispor de plantas em quantidade e qualidade suficiente. Quando nos referimos a qualidade importa salientar que as plantas-mãe devem ser moderadamente vigorosas e estar em bom estado nutritivo e sanitário (Costa, 1992a).

Investigadores têm vindo a desenvolver estudos moleculares no sentido de tentar identificar genes específicos que afectem o enraizamento, procurando descobrir a sequência dos genes reguladora de todo o processo, uma vez que o potencial de enraizamento é complexo e nele ocorre a intervenção de numerosos factores. Apesar de os resultados ainda serem pouco esclarecedores, já há registos de mutantes de enraizamento e algumas diferenças nos produtos genéticos que foram identificados em materiais fisiologicamente adultos e jovens (Hartmann et al., 2002).

Em ensaios com plantas de tabaco transformadas com indutores de enraizamento,

Agrobacterium rhizogenes, o enraizamento fica a dever-se a alguns genes responsáveis

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auxina nem à relação auxina/citoquinina. Hartmann et al. (2002) concluem desta forma que nas espécies difíceis de enraizar a falta de células com potencial para a competência fica a dever-se à falta de sensibilidade das células à auxina em vez de um valor óptimo de auxina endógena (Hartmann et al., 2002).

Mesmo em estudos bioquímicos, exames moleculares são dificultados pelo facto de apenas algumas células estarem envolvidas na regeneração, sendo que as características específicas de algumas células são escondidas pelas outras (Hartmann et al., 2002).

A realização de estudos biotecnológicos nas fases iniciais da transcrição tendo em vista a determinação da expressão genética pode revelar os mecanismos de controlo da rizogénese. Uma vez que a sequência de genes no processo de enraizamento seja conhecida as plantas podem ser geneticamente modificadas de forma a apresentarem maior potencial de enraizamento (Hartmann et al., 2002).

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2 - A UTILIZAÇÃO DA ESTACARIA COMO FORMA DE PROPAGAÇÃO VEGETATIVA

Actualmente, a propagação vegetativa está associada a indústrias especializadas que produzem plantas para alimentação, materiais de construção, aromáticas ou farmacêuticas um pouco por todo o mundo (Hartmann et al., 2002).

É extensa a lista de ensaios e estudos que têm sido feitos tentando aferir as melhores condições para a propagação vegetativa das mais diversas espécies e com os mais diversos fins. É o que se procura demonstrar a seguir.

2. 1 - PARA FINS AGRÍCOLAS

Giacomett (1979) refere que a propagação vegetativa é frequentemente usada na agricultura e, de facto, a literatura refere variados estudos nesse sentido. Por exemplo, a utilização de técnicas de propagação vegetativa em fruticultura está bem documentada nos diversos ensaios efectuados com o género Prunus, referenciando-se os realizados com P. avium (Ford et al., 2002), P. persica (Miranda et al., 2004; Mindêllo Neto et al., 2005; Ribas et al., 2007) e P. mume (Mayer et al., 2002; Miranda et al., 2004; Chagas et al., 2007). No caso particular da P. persica, regista-se o factor mercado como sendo a principal solicitação, visando a ampliação de pomares, maiores produções e maiores rentabilidades de negócio. Também no género Vitis se podem encontrar referências na literatura (Euleutério et al., 2008; Monteguti et al., 2008; Salibe et al., 2008), abordando com frequência a problemática do combate a doenças, da propagação vegetativa de porta-enxertos, a procura de tratamentos alternativos que não agravem o meio ambiente e que permita aumentar o potencial de enraizamento devido à importância da cultura e seu retorno financeiro.

Em estudos efectuados com Ficus carica (Lajus et al., 2007; Maruyama et al., 2008; Pio et al., 2008) tem-se procurado a melhoria das técnicas de produção e a selecção de plantas de qualidade bem como estudar o aproveitamento do material lenhoso, proveniente da poda de Inverno para a preparação e formação de novos figueirais; avaliar a capacidade de enraizamento das estacas; permitir o replantio de

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falhas; desenvolver uma técnica com valor comercial para os viveiristas e realizar estudos que permitam conhecer melhor as causas da formação de raízes em estacas de figueira.

Na Actinidia deliciosa, Ferri at al. (1996) e Paes et al. (2003) procuraram uma alternativa rápida, fácil e económica para a propagação da espécie em substituição da enxertia, uma vez que não existe porta-enxerto específico. De acordo com os mesmos autores, só através da estacaria é possível a instalação de pomares homogéneos, com plantas de potencial conhecido, sem variabilidade quanto à época de frutificação, produtividade e qualidade dos seus frutos tornando a sua produção comercialmente interessante. Para além disso, reduz-se o período juvenil fazendo com que o pomar entre mais cedo em produção.

Ao nível dos citrinos, referem-se investigações feitas com Citrus latifolia, uma espécie onde a informação sobre a propagação vegetativa ainda é escassa (Serciloto e Castro, 2001), e Citrus sinensis, uma espécie em que vulgarmente se utiliza a enxertia para a produção de novos clones, com o consequente aumento da sensibilidade a doenças. De acordo com Rossal e Kersten (1997) a estacaria poderá ser uma alternativa viável, uma vez que a planta com o seu próprio sistema radicular tem melhores condições de resistir às doenças.

Quanto à olivicultura, é importante aproveitar ao máximo a planta matriz fornecedora de material vegetal para a multiplicação vegetativa. Este é o principal objectivo para os viveiristas e foi a base do estudo levado a cabo por Oliveira et al. (2003).

Registam-se, ainda, ensaios efectuados com Pyrus calleryana (Reis et al., 2000) procurando a obtenção de porta-enxertos em quantidade e qualidade até porque a variabilidade genética que se obtém a partir da utilização de sementes tornam o processo inviável.

Maia e Botelho (2008) estudaram o processo de propagação vegetativa em

Rubbus spp., uma espécie considerada como uma importante opção para a agricultura

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ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

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Embora menos importantes no nosso país, mas significativas noutras regiões do mundo, apresenta-se, de seguida, algumas espécies estudadas e finalidades desse estudo. A Dendrocalamus asper, um bambu muito usado em horticultura e extremamente importante em termos económicos para a zona SE asiática pelas quantidades exportadas para os E.U.A. e pelo aproveitamento fora do campo agrícola, como seja a construção civil e naval, foi alvo de um estudo levado a cabo por Singh et al. (2003).

Na vertente do aproveitamento de espécies agrícolas para as indústrias agro-alimentares, reporta-se o estudo feito (Pasqualetto et al., 2000) com estacas de soja (Glycine max). O objectivo foi o de tentar melhorar as características das espécies, com recurso à multiplicação vegetativa das populações F1 como alternativa ao melhoramento genético. Ono et al. (1992) e Pereira et al. (2002) defendem que a propagação vegetativa em escala comercial da Caffea arabica é uma alternativa viável para a multiplicação de clones seleccionados.

Noutra área, na produção de forragens para a alimentação animal, há ainda o registo de estudos do comportamento de Gliricidia sepium (Costa et al., 2004) e de

Pueraria lobata, esta última tendo em vista a obtenção de um protocolo de propagação

com fins didácticos (Bortolini et al., 2007).

Neto et al. (2007) estudaram a variedade “Fuerte” do abacateiro (Persea

americana), considerada uma das melhores produtoras graças aos excelentes frutos no

que diz respeito à qualidade, tamanho e resistência ao transporte. A multiplicação vegetativa deverá substituir os métodos habituais de obtenção de porta-enxertos resistentes à Phytophtora cinnamomi.

Shiembo et al. (1996) trabalharam com estacas de uma árvore de fruto africana, a

Irvingia gabonensis. Esta espécie tem um elevado valor económico para os agricultores

locais mas a alta taxa de desflorestação da região tem aumentado a dificuldade de colheita do fruto. O estudo visava a rápida multiplicação de genótipos seleccionados e a produção de plantas de qualidade superior tendo em vista a produção massal de clones.

Paullinia cupana e Cydonia oblonga também são aqui abordadas. Quanto à P. cupana, o objectivo de estudo era a obtenção de indivíduos superiores com a

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A UTILIZAÇÃO DA ESTACARIA COMO FORMA DE PROPAGAÇÃO VEGETATIVA

ENRAIZAMENTO DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E ARBÓREAS SILVESTRES

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manutenção das características desejadas (Atroch et al., 2007) já que a espécie pode constituir uma importante fonte de rendimento para as populações dos locais onde a espécie se desenvolve (Arruda et al., 2007). Pio et al. (2004) e Chalfun et al. (2007) trabalhando com C. oblonga, tinham como objectivo produzir plantas resistentes a determinadas doenças limitativas da expansão da cultura. Finalmente, uma breve referência para os seguintes ensaios: Marco et al. (1998), Dantas et al. (1999) e Vale et al. (2008) com Psidium guajava; Paula et al. (2007) e Ribeiro et al. (2007) com

Spondias sp.; Silva (2006), Lima et al. (2007) e Molina Meletti et al. (2007) com Passiflora edulis, Passiflora actinia e Passiflora alata, respectivamente; Gontijo et al.

(2003), Braz et al. (2005) e Lima et al. (2005) com Malpighia spp; Smarsi et al. (2008) com Litchi chinensis; Haber et al. (2008) com Platonia insignis; Bastos et al. (2004) com Averrhoa carambola e Chaves et al. (2006) com Physalis sp.

2. 2 - NO SECTOR FLORESTAL

Ao nível florestal, existe literatura que demonstra a importância da propagação vegetativa em espécies como a Inga feuillei que apresenta dificuldades na propagação por via seminal, procurando, por isso, verificar se a propagação vegetativa pode ou não ser desenvolvida como alternativa. (Brennan e Mudge, 1998); a Cordia alliodora, nativa da América Tropical e na qual se pretende obter rápidos ganhos genéticos, permitindo a selecção de genótipos seleccionados (Mesén et al., 1997); a Azadirachta

indica, importante espécie em programas de reflorestação nos países sub-tropicais pela

capacidade ambiental de protecção contra insectos visando-se a produção massal de genótipos seleccionados (Palanisamy et al., 1998; Oliveira et al., 2005); a Calliandra

calothyrsus, espécie africana relevante em termos de fertilidade do solo e utilizada

frequentemente em apicultura e na alimentação animal, na procura de um tratamento adequado que permita produzir plantas em número suficiente de forma a ser possível um adequado fornecimento a nível local (Tchigio e Duguma, 1998); a Robinia

pseudoacacia e a Grewia optiva, importantes no desenvolvimento agro-florestal

(Swamy et al., 2002) e pelas suas folhas altamente nutritivas ricas em proteínas e nutrientes minerais com o objectivo de produzir massalmente plantas geneticamente

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Figura 42 – Resultados obtidos no ensaio preliminar com a espécie C. albidus
Tabela 2 – Resultados obtidos com a espécie Cistus albidus no ensaio principal
Figura 47 - Resultados obtidos no ensaio principal com a espécie C. albidus
Tabela 3 – Resultados obtidos com a espécie Cistus psilosepalus no ensaio principal
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Referências

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