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Paisagem e Natureza na arte contemporânea portuguesa

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Academic year: 2021

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Deambulações pela Natureza, Paisagem e Arte

1. Foi Max Weber (1904-1905) quem popularizou a expressão “desencantamento do mundo” (Entzauberung der Welt), i.e. dessacralização, perda de uma visão mágica do mundo que se foi operando no ocidente sobretudo desde o Iluminismo uma racionalidade destranscendentalizada. Ao desencantamento do mundo abrupta transformação e transitoriedade, e, falidas as grandes narrativas que animaram a modernidade e pretendiam dar sentido à vida, des-muro-nadas as ideologias, perdidas as crenças e as ilusões, o que resta ao desamparado homem contemporâneo em estado de inesperada orfandade?

Como procurei argumentar noutra ocasião (Bernardo, 2013), o desencanto com

enfeiamento que nada pode iludir. Por outro lado, constata-se a dureza da vida na

sociedade moderna, as disfunções psicológicas e sociais, o desconforto perante as condições de vida urbana, e a descrença nos conceitos de bem-estar, felicidade e cepticismo sobre as concepções de progresso e as virtudes da tecnologia e a A perda ou risco de perda tende a gerar uma resposta de reapreciação, valorizando

festa, da permanente novidade e das cintilações tecnológicas não ilude. Este felicidade. A cultura dominante de que o homem deve dominar a natureza e utilizá-la em benefício próprio vai assim cedendo lugar a uma concepção com muito de do grandioso, de força primordial, perenidade e autenticidade, associada às ideias de reaproximação, reapreciação , ressacralização.

a evidenciar a enorme complexidade da organização dos sistemas vivos, e dos ecológicos em particular, fruto de delicados mecanismos homeostáticos que tendem a manter-lhes a estrutura e o funcionamento,

E a divulgação pelos meios de comunicação tem propagado uma visão quase moral do funcionamento da ecosfera, animada por ideias de adaptação, equilíbrio, The landscape is simply beautiful. It is probably the best thing there is. Gerhard Richter, 1970

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05 mecanismos naturais e da lógica de funcionamento da natureza repercute-se numa

ao modo, que se diria perfeito, como todos os seus elementos interactuam e se

valoriza o que de extraordinário existe na (auto)organização do vivo.

designadamente entre os que à partida menos apreciam a arte contemporânea.

perante a arte actual de que genericamente lamentam a “ininteligibilidade” e criam uma ligação com a obra. E abrem a possibilidade dessa ligação se traduzir em prazer - talvez um prazer ambíguo, não se diferenciando o prazer da fruição da paisagem da fruição da pintura que a mimetiza/recria.

contemplação, comunhão.

subconscientemente procuram com os outros seres vivos, e na base da qual estariam as necessidades biológicas.

de viver em zonas próximas da natureza, trabalhar num espaço com vista para um animal de companhia, seriam expressões dessa atracção pelo mundo natural. Identicamente, Anne Whiston Spirn valoriza a ligação ancestral com a paisagem:

ter palavras para descrever tudo o que fez. As paisagens são os primeiros textos A ligação com a natureza e a paisagem seria produto de uma inscrição ancestral determinada por uma história evolutiva, uma herança inapagável que cada um trás em si. Essa herança vai de alguma forma determinar o nosso olhar sobre a envolvente.

resumo, um espaço processado intelectual, cultural e esteticamente.

imenso e de deslumbrante beleza avistado no cume do monte.

Petrarca, que muito deve ter agradado aos românticos, associa assim à paisagem,

5. Curiosamente, a pintura de paisagem não terá surgido como resultado pretendiam impressionar ou iluminar os iletrados frequentadores e as cenas comunicacional e credibilidade às imagens. Nas pinturas de temática religiosa dos por vezes misturando elementos contemporâneos; assim, penhascos totalmente fantasiosos misturavam-se com ruas, e edifícios locais, contemporâneos do pintor.

pintura de paisagem levaria a autonomizar a problemática paisagística

menor (apesar de Altdorfer, Bruegel, Claude Lorrain, Ruisdael, Poussin) porque não comportava um elogio de virtudes, ao contrário da pintura religiosa (cenas bíblicas, mitológicas, alegóricas) e histórica.

próxima. Independentemente da lógica que presidiu e preside à produção das obras, incluindo eventuais preocupações mais conceptuais, a popularidade do tema reside em grande medida no fetichismo que lhe está associado - a pintura

fazia com que a superfície pictórica parecesse um fragmento do mundo que se estenderia para lá dos limites do quadro.

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07 7. Sustentava Kenneth Clark (1949) que a história da paisagem na arte ocidental

pintura de paisagem o que para Clark teria a ver com a impossibilidade de manter de ordem natural.

em diante, a natureza e a paisagem assumiriam um lugar de enorme importância na produção artística. Em ruptura com as práticas artísticas anteriores, a natureza deixados pela presença do artista.

interesse pela natureza e pela paisagem como tema. A pluralidade das abordagens

e a possibilidade da sua expressão, sobre a integração de narrativas pessoais e de memórias, sobre a relação de integração ou de separação, sobre a parte e o todo, sobre o micro e o macro, o íntimo e o grandioso, harmonia ou destruição, contemporâneos são contempladores, simbiontes e demiurgos.

como abstracto.

paisagem, por oposição a um disposto verticalmente (retrato), gerando mesmo esta oposição (porque intuitiva devido à natureza do nosso campo visual e da envolvente percepcionada) a designação comum da orientação das páginas na gíria

Só referindo pintores que integram esta exposição, diversas telas abstractas de João Jacinto ou Pedro Calapez remetem, pelo formato/orientação e/ou pela organização do espaço pictórico, para a paisagem. Calapez sublinha mesmo

suceder com a escultura, como com a peça de Rui Sanches que integra esta exposição e que se refere mais à frente.

relembremos Lourdes Castro e Manuel Zimbro em À Distância, Linha de Horizonte

nosso

observadores sedentos de encontrar só nisso um sinal do mundo.

questão central na organização do espaço pictórico da paisagem - elevada, fecha sobre

Remarks on Rural Scenery), a terra e água ocupam o

as 4 intersecções dessas linhas os pontos chave do quadro, onde se deveria localizar o centro de interesse. Este modelo, que data da renascença, e que se articula com o rectângulo de ouro, foi naturalmente combatido pelos artistas modernos, na oposição

dá sempre certo).

só um magma indiferenciado onde os olhos tateiam e se interrogam se haverá terra está reduzido a uma pequena mancha suave e parece existir para cumprir determinadas funções plásticas, em Ataíde as montanhas erguem-se contra o vazio (que como se convencional no quadro da pintura de paisagem mas, como veremos, esse cumprimento

Viagem por uma exposição

Uma viagem (viagem, evidentemente) pela exposição pode iniciar-se numa escultura em que a paisagem irrompe e se manifesta - Sem título de Rui Sanches.

e arquitetónica mínima. Numa das faces, uma fenda de posicionamento rigoroso

que no seu interior, resguardado, se descobre - as formas naturais de uma paisagem ou do que entendemos ser uma paisagem.

colocar no lado oposto. Como num templo, uma luz coada revela as modelações da Contrariamente à tradicional leitura “exterior” da escultura, esta não vive tanto do que a sua superfície exterior nos oferece mas sobretudo do seu “interior”, ou do confronto

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09 A orgânica sobreposição de placas de contraplacado que organizam a escultura de

Rui Sanches trazem em si a marca da paisagem, o que nalgumas peças se expressa de forma mais evidente. Em Sem título, esta paisagem(-gruta) delicadamente

universo criado a partir de utilitárias placas de madeira cortadas com serra

Field I de Michael

tradição da pintura de paisagem oriental. Não são representações de paisagens

conferem uma densidade inicial, as mais leves e diluídas manchas de cor para nelas romântico, uma paisagem interior ou estado de alma

contemplativa e metafísica, remetendo para o plano do transcendente e para as

e a história da paisagem, de Ruisdael aos impressionistas revela-o claramente.

Conferem à paisagem muito do seu carácter e preenchem no espaço pictórico o Pedro Calapez sempre abordou a paisagem e a ligação entre o natural e o construído. As 12 aguarelas - Lentas Nuvens

construídas pelo homem. Nas Lentas Nuvens, o título marca o tempo e

adivinha-papel, como nos mestres orientais, largando a tinta e uma tranquila contemplação sobre a ordem do mundo e a sua permanente transformação.

(natural) e o interior (construído, arquitectónico), e a presença dos elementos

Blacklight Dahlias ou Flower Ornam

processos, recordam o Grand Herbier d’Ombres e as Sombras em Volta de um Centro de trabalho artístico.

Nas pinturas Arvoredo, em que se evidencia a economia de meios e a elegância

hipnóticos, vistos entre as copas de árvores (botanicamente realistas, sendo as melhor, que dá o tom no sentido musical - um tom menor, nostálgico e meditativo,

straight.

abordar o tema da paisagem/natureza?

suas convenções, a relação com a ilustração e as possibilidades de constituir

Em Sem título,

uma paisagem de um bosque entre a sombra e luz, árvores e clareira, onde se um cinemascope

onde pequenas manchas de cor, discretas e não comprometendo a dominante

do espaço.

Embora as paisagens de Maria Capelo apresentem os sinais da intervenção humana, contemplação prazerosa, e embora a pintora trabalhe frequentemente sobre espaços usualmente associadas ao deleite, à tranquilidade e à contemplação - o amável, convidando a fruir prazeres e delícias.

A pintura Sem título coloca-nos perante uma paisagem verosímil que permite

estáticos na densidade sombria da pintura, e neste espaço algo inquietante irrompe de um tronco uma luz de prata. Maria Capelo constrói um mundo próprio, denso, à procura de uma dimensão essencial, à espera de uma revelação, onde vemos

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11 A pintura de Fátima Pinto

certa convencionalidade no quadro da pintura de paisagem, mas desde logo as desmentem-no. As paisagens de Fátima Pinto parecem querer ludibriar-nos com a ilusão de um mundo perfeito que emana de um quadro perfeito, i.e. construído, Estas paisagens são espaços ocupados, com casas que imediatamente associamos

mostrando os ocupantes tranquilamente entregues às suas actividades quotidianas ou olhando a paisagem. As amplas superfícies vidradas ligam visualmente interior no mundo perfeito proposto pela arquitectura do modernismo.

- fruindo a tranquilidade da natureza, no meio dos pinheiros frente ao mar. ela protagonista. Em muitas pinturas, esta natureza apresenta-se-nos numa aparente serenidade mas algo de inquietante nos diz que a tranquila ordem do contribui para marcar a irrealidade deste universo e conferir-lhe por vezes um pintura possa parecer naive. A presença exclusiva de crianças, donas de um espaço

Rame Rame), contribui para criar um efeito adicional

personagens de Hooper, melancolicamente presas numa pausa que antecede algo. escolheu para acompanhar as obras neste catálogo, a pintora marca precisamente uma dimensão pessoal, quase secreta.

Para Fátima Pinto, a pintura constitui algo próximo de um diário pessoal (por processo que se pode estender por longos meses, e onde progressivamente se vai interrogações só a pintora pode responder.

A pequena tela Arquitectura, de longe condensa nas suas dimensões miniaturais a

natureza e o humano. A presença humana está reduzida aos seus sinais mínimos dividem o espaço : um espaço privado, apropriado, onde se encontra uma natureza modelada pela vontade humana, uma natureza-construída, e o que está para fora do muro - a natureza entregue às suas regras próprias, a natureza-natural.

forças geradoras do seu trabalho.

Laurissilva

observador a partilhá-la, a mergulhar nela.

As monocromias retiram aos desenhos caracter ilustrativo e realismo e conferem-convidado a penetrar, sugerindo água, frescura e vegetação luxuriante e realçando o caracter sensorial da pintura.

Nestas duas pinturas, a de maiores dimensões, que por esse facto poderia conter

que evidencia a capacidade de um certo grau de abstractização transmitir o lado

Calco 37 Teucrium abutiloides de Nuno

mítico) a que se refere toda a obra.

o relevo, tipicamente de pedra, de uma peça e reproduzi-lo, produzindo uma reprodução invertida. A tradição da estatuária monumental envolve materiais

monumento de Nuno Henrique tem a

fragilidade dos calcos, embora estes carreguem em si a memória das pedras

a tradição propõe frágeis papeis, transmitindo uma ideia de delicadeza e fragilidade que evoca a vulnerabilidade do património natural que os suscitou e que pretendem

No trabalho de Cristina Ataíde há uma dimensão ritual e iniciática na relação com o

As montanhas de Cristina Ataíde são as montanhas sagradas (onde se manifestam as forças do cosmos, a energia e a permanente renovação do universo) das tradições

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13 todas as religiões e culturas. São as montanhas de Petrarca, lugares de iniciação,

descoberta e revelação.

Montanha #74, constroem um locus onde

o olhar se prende, magnetizado pela escala e pelas texturas do traço vermelho. e da pureza, cor da vida e do sangue, da sorte, da energia e do sol, da plenitude. A artista refere que no desenho das montanhas, encontrado o gesto certo que permite que a mão vá trabalhando as texturas por si e libertando a mente, a execução liberta-se do carácter monótono e cansativo, o que seria expectável dadas as grandes dimensões, e transforma-se num exercício sereno, próximo de

sempre tão presentes no trabalho desta artista. Estas montanhas são a Terra Pura. retirando-lhe o habitual carácter de peças de parede, remete para os scrolls da pintura oriental e associa-se a um processo de ocultação-desocultação em que uma extensa lista de montanhas, como um inventário, e destas estão assinaladas face à vastidão do mundo.

As pequenas esculturas Mountain House são peças paradoxais que procedem à

homens, visitável pelo nosso olhar que a atravessa de porta em porta. Mountain House #7

delicada e serenamente, resgatada do peso da pedra na pureza absoluta do branco. aqui a enquadram, ela tem a dimensão íntima que nos cabe nas mãos.

prima rica, dada a diversidade de portes, texturas, formas, cores, que a natureza vegetal contem, oferecendo vastas possibilidades para o exercício da pintura.

desenhos Sem título

decorrem do modo como os elementos se organizam no espaço do desenho. simplesmente realçam o que de arbitrário existe na organização do espaço do muito bem entender.

o pintor cruza com pequenos textos (e sub-textos) indiciando a possibilidade de, sob as poses vegetais, se vislumbrar um registo críptico em que qualquer iniciativa de decifração global do observador está fatalmente condenada ao fracasso.

Sem título, são relativos a

João Jacinto foi apenas conhecido pela obra pictórica em que a materialidade superfície da tela ou escorrem e expandem para fora dos limites físicos desta

(pintura em ). Mas o pintor sempre desenhou e os desenhos

representam uma componente igualmente importante do seu trabalho. Primeiro

Enquanto que nas telas, o artista trabalha sobre a materialidade da pintura, questionando as suas possibilidades e os limites do espaço convencional da tela, os

que surgem nos desenhos não revelam um especial interesse pela paisagem e Jacinto pelas mais variadas razões e que por isso alimentam o trabalho criativo do pintor na produção de outras imagens e na construção deste universo fortemente idiossincrático.

do artista tenha havido intencionalidade nesse sentido. Enquanto que numa das peças, o desenho mais puro restitui no traço rápido de um esboço uma árvore imediatamente reconhecível como tal (um pinheiro), nos restantes o processo de trabalho do pintor evidencia-se na acumulação das massas pictóricas, tornando o não se trata de uma árvore mas da árvore) e mais abstracta e próxima dos óleos desenho, quase apagando os sinais do mundo que o suscitaram.

outro elemento a liga às anteriores. Entre outras questões, esta obra tem vindo a

“natureza construída”.

notas de rodapé (araucaria)

ao livro de artista Duas Praças e um Jardim, (Praça Afonso de Albuquerque, Praça se perpetua a memória dos descobrimentos e do passado colonial). Reporta-

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15 simbolicamente as trocas e as relações de poder associadas ao passado colonial

contrariamente à visão que temos de uma árvore como entidade una. A obra

neutros

mecânicos de produção de imagens) que dá a ver. As secções apresentam barras de cor que pretendem sintetizá-las e que resultaram de um processo de análise feita à imagens que a artista explicita no texto incluído neste catálogo.

no fundo o estado do mundo

Em Resiliência

cinzenta (revestimento de construção ou industrial) e o tronco prolonga-se numa bengala que a ampare e sustenha.

Em Sem título (ninho),

respectivo estado de conservação (o homem a conservar a natureza recorrendo humana para mimetizar a natureza (o homem a disfarçar-se de natureza para não ser detectado por outro homem). Mas quem oculta e procura proteger de quem? Elementos formais da natureza , são utilizados por artistas como Rui Chafes para dar corpo ao irrepresentável. Com efeito, em diversas peças, o escultor recorre a elementos naturais - troncos, ramos, aves, asas, casulos, ninfas, crisálidas, pupas, crustáceos, carapaças, armaduras bocais, elementos orgânicos diversos - para sofrimento, ferida, queda, morte, que percorrem toda a obra do escultor Rui revelações e de forte valor simbólico. Perdidas na densidade dos bosques, nas esculturas se revelam e adquirem a plenitude dos seus sentidos. Mas a natureza não constitui um mero cenário capaz de potenciar as esculturas. A natureza intensa que se inscreve no ideário romântico, pertence ao universo do escultor e os títulos de muitas esculturas são reveladores da sua importância na ligação (ou mesmo não distinção) entre mundo exterior e mundo interior num contexto de

coloca frente ao (se insurge contra o) mundo e o lugar da natureza: «Existe uma

tristeza, uma melancolia e a nostalgia de um mundo perdido (um mundo ainda

da cultura (regulando tudo por baixo, pela quantidade e não pela qualidade), a comunicação absolutamente falsa, cínica, manipuladora e comercializada. Essa perda faz-me pensar que, mais do que com últimos sentimentos, lidamos com obras prende-se com essa permanente perda, esse naufrágio. São imagens tristes e violentas porque são imagens de um mundo desaparecido. Próteses melancólicas escombros dos últimos dias, mas ainda não sabemos que direcção tomar. Cada vez do velho mundo? Que últimos sentimentos ainda de um mundo que tendia para a perfeição de um Palácio?» (Chafes, 2012, p. 45)

Palácio ou Paraíso) de que se reclama a perda, origem da tristeza que invade e

marca toda a obra.

A Noite I tem a forma de um pequeno e negro tronco com espinhos, elemento que

envolve todo o trabalho do escultor. Como refere Bernardo Pinto de Almeida, de uma obscuridade (...) mas como sentimento do mundo e das coisas. É noite o que as percorre como vertigem de um sentimento de perda de uma totalidade, como saudade de um lugar onde tudo ainda se via como construído e como parte Queda, perda, ferida, noite. Face à noite do mundo, insanável, como ferida que não fecha, só a arte salva.

João Manuel Bernardo

Referências

. On

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Sem título | 2010 Sem título | 2010

Sem título

A terra é suave sobre os meus olhos, não a toco, pressinto-a, não há mais nada do que a linha do horizonte e os olhos. Todas as plantas agarram-me, prendem-me a um sítio, e observo, atractiva. O espectador posiciona-se e atira a primeira? Não, a segunda pedra e esgueira-se atrás do precipicio. Daí segue. SALVETE !

Lisboa, 2007; “Hide and Seek”, Galeria Pedro Cera, Lisboa, 2003; “Natureza Morta”,

Exposições colectivas (selecção) | ”Abecedário - 40 Anos do Arco”. Museu do Chiado, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Elvas, 2012; “Paisagem na Colecção do CAM”.

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cristina ataíde

Montanha #74 Mountain House #7 Montanha #74 natureza / paisagem desenho ação tempo tempo de fazer ver / ver com atenção

emoção rasto / sombra vestígio mistério montanha / ascensão casa / envolvimento energia entrar caverna / negro vazio percurso experimentação / curiosidade vermelho repetir o gesto meditação suspender a respiração

Cristina Ataíde, Novembro 2013

Equipamento da ESBAL, Lisboa.

2012; “Frames e Mares”, SESC, Curador: Carlos Melo, Caruaru, 2011; “Suspender

Gal. Gomes Alves, Guimarães, 2009; “Manual de Instruções”, Gal. Carlos Carvalho,

Exposições colectivas (selecção) | “Fio Condutor”, Gal. Graphos, Rio de Janeiro, 2012;

Latin America” com a Gal. Magada Bellotti, London, 2011; “Memoria Percibida”, Museu

Artistas”, Culturgest, Lisboa, 2003.

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fátima pinto

Arquitectura, de longe Rame Rame

Ao quebrar o silêncio a linguagem realiza o que o silêncio pretendia e não conseguiu obter.

e aloja no próprio interior do universo silencioso das coisa e objetos - aqui tudo é uma questão de olhar, de tocar, de espaço, de formas, de cores e de luz. Neste sentido, a pintura constitui mesmo uma aproximação silenciosa ao Mundo...

(textos seleccionados por Fátima Pinto)

nasceu em Lisboa, onde vive e trabalha.

Galeria Gomes Alves, Guimarães, 2011; “Margens”, Casa da Cerca – Centro de Arte sombra do Sabugueiro”, Galeria Palmira Suso, Lisboa, 2005; “Leva-me a bom porto”, Galeria Palmira Suso, Lisboa, 2003; “Mundo cão”, Galeria Palmira Suso, Lisboa, 2001;

Exposições colectivas (selecção) | “Linhas e Memórias”, Museu de Arqueologia e

2009; Arte Lisboa 2004, Galeria Palmira Suso, Lisboa, 2004; Arte Lisboa 2003 Galeria Palmira Suso, Lisboa, 2003; “Foro Sur” 2003, Galeria Palmira Suso, Palacio Luisa de Arte 2002, Galeria Palmira Suso, Sevilha, 2002; Arte Lisboa 2001, Galeria Palmira Suso,

Galeria Palmira Suso, Madrid, 2000.

Colecções | Colecção Museu Casa da Cerca, Fundação PMLJ - Sociedade de Advogados, Banco de Portugal, Administração do Porto de Lisboa, Caixa Geral

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gabriela albergaria

notas de rodapé (araucaria)

A peça faz parte de um conjunto que integrou a exposição

“Counting Seeds” de 2012 mostrada no espaço Travessa da Ermida em Lisboa.

É uma foto/desenho com a imagem de uma árvore (araucária) que se encontra no espaço das duas praças e jardim em Belém (Praça Afonso de Albuquerque, Jardim Vasco da Gama e Praça do Império). É uma peça onde ao escolher desenhar determinada parte altero a dimensão uns 20%, numa tentativa de criar correspondência com o acto de “olhar atentamente” um pormenor.

Esta imagem de árvore é ladeada de barras de cor diferentes de imagem para imagem e correspondem a uma espécie de soma total de cores apreendidas na imagem. Cada imagem que compõe a árvore adquire como que um pantone da cor dominante. Cada cor é feita com as cores primárias do guache ao qual acrescento branco ou azul prússia. É um exercício de cor que ao mesmo tempo anima a superfície, obrigando o olhar a saltar entre o fora e dentro da imagem.

Gabriela Albergaria, Novembro 2013

Nova Iorque.

Museu de Arte Moderna da Bahía, São Salvador da Bahía, 2007; “Araucaria angustifolia”,

Lisboa, 2004/2005; “Grosses Werder, Werden Wollen”, Galeria Graça Brandão, Porto,

2005; “BlueHall – Market Place Europe at kunsthalle Arnstadt”, Alemanha, 2005;

HQ, Berlin, 2002; “Expect the World/Moi Non Plus”, Künstlerhaus Bethanien, Berlin, Museu do Chiado, Lisboa, 2002.

Colecções (selecção) | CAM, Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Círculo de Artes Plásticas de Coimbra; Colecção PLMJ, Lisboa, Museu de Arte Moderna da Bahía, Salvador, Brasil, Lars Pahlman, Finland.

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Os desenhos feitos «assim»

Os desenhos não têm nenhum «assim» de serem feitos. Quem poderá acreditar que há um «assim» de os fazer?

Não é a esta ausência de um «assim» que devemos a ansiedade que envolve o acto de desenhar?

Mas há um «assim» que se gosta de pensar ter sido o seu. Mas será que o foi? Em quantas, de tantas as vezes, a palavra diverge do pincel?

O primeiro gesto divide-se entre esboçar no ar o súbito impulso rumo à abstracção da forma, e pegar no papel.

Pegue-se no papel.

Preferem-se os papéis de algodão. São mais porosos, com uma superfície a um primeiro toque áspera, mas de uma aspereza semelhante à de muitas peles: uma aspereza permeável. Uma aspereza de superfície que desfaz o traço do carvão num seu desperdício de pó negro, se venham a derramar sobre si, mas que os absorve e instantaneamente os faz parte de si: circulação interna a fazer do desenho «superfície», em vez de «na superfície».

E o súbito impulso que leva à marca, à primeira marca, o que o faz? A dianteira da mão? Esse desequilíbrio manual?

provisória porque toda ela é só procura de encontro, nada do que de «visível» a fez mover quedar-se antes, sempre um pouco antes do que na verdade era «ter sido». É esse o «quase» de que se fazem os desenhos.

O papel foi colocado no chão, ou agrafado na parede. Muitas vezes mudará de lugar. Há marcas que exigem a verticalidade da superfície, há outras que implicam outras orientações. «acentuar», ditam diferentes colocações da página. Por outro lado, é o próprio facto de o papel se encontrar caído no chão, ou agrafado na parede, que acaba por reclamar de modo diferente, e levar a uma diversidade no marcar. Cada lugar traz o seu enxurro, e é desses aluviões que são feitas as qualidades destes desenhos.

Agora, com que marcar? Com que instrumento, com que material?

De entre todos os materiais prefere-se o carvão vegetal, o pastel seco, a cinza e a tinta de óleo.

No carvão gosta-se do seu lado volúvel, o modo como denota no seu comportamento aquilo com que se articula. Gosta-se do modo como se consome ao traçar, como se desperdiça em outras a maximizar-lhe a força. A possibilidade da aplicação de camada sobre camada, próxima da pintura, dá-lhe uma «demora» que o torna apetecível.

O pastel seco só se usa de cor preta. Só preto, e por causa do carvão. O pastel seco tem uma É por causa dessa oposição que é usado. E é também porque, quando inscrito sobre papel húmido, o seu traço se aproxima da pincelada da pintura. Isso permite ainda jogar com a surpresa que é desenhar primeiro só com água, quase invisível, e só depois friccionar o pastel sobre a página, para que nas zonas humedecidas o traço se transforme em pincelada negra. No óleo gosta-se de tudo: do cheiro, da viscosidade, do brilho, e de como o óleo se entranha nas unhas e na pele.

Depois há a demora, indissociável do óleo. A demora da sua dissolução, a da sua secagem, e a demora em que subjuga o olhar. Nunca o óleo nos dá a cor no «instantâneo». Mas nenhuma cor é «instantânea», a cor é uma progressiva sedimentação e uma insinuante impregnação. E o óleo oferece esse tempo. O óleo é o «tempo» da cor, a pintura.

Mas também há que o subverter, fazê-lo incorporar as migalhas de pão da improvisada borracha com que sistematicamente se corrigiu a muita incerteza do traçar, e assim, fazê-lo uma coisa moldada por dentro – porque o miofazê-lo de pão endurece mais vefazê-lozmente por

em húmido granulado, fazer o colorir assemelhar-se a varrer um chão e maliciosamente deixar que a «sujidade» se deposite nos sulcos da superfície.

Foi «assim» que estes desenhos foram feitos, ou pelo menos é «assim» que se diz.

Apesar de se desenhar sempre o «Mesmo», cada desenho é sempre um novo modo de actuar. Com cada marca realizada, e com cada modo de o fazer, tenta-se aumentar o que nunca é. A cada traço que se faz só há mais universo.

João Jacinto, Novembro 2013

1992 no Ar.co em Lisboa. Professor desde 2001 na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Exposições individuais (selecção)

Fundação Carmona e Costa, Lisboa, 2010/11; “Pele Atrasada”, Galeria Fernando

Exposições colectivas (selecção)

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Arvoredo

Arvoredo

O foco conceptual do meu trabalho recai sobre o espaço, sempre arquitectónico, como uma interface entre o interior e o exterior. Mas esse espaço apenas existe a partir da sua relação que o espaço estabelece com o seu utilizador, seja passageiro, seja permanente.

Na verdade, interesso-me pela narrativa da transmutação do espaço, gerada pela arquitectura, a se materializar em efeitos de luz vistos ou sobre os elementos arquitectónicos ou através das instalações directas, como as esculturas.

Nesse sentido, a natureza tem um especial relevo no meu trabalho, no entendimento de como a arquitetura e seus efeitos geometrizam a natureza, não apenas através da própria arquitectura, mas também das artes decorativas em toda a história da arte.

investigação artística para LPE, Le Petit Escalere em França, 2012. Exposições individuais |

Galeria Presença, Porto, 2013; The house translated into Landscape, Spring Cage,

Grotto, CAAA, Guimarães, 2013; Behind the green door, instalação, Casa Independente, Lisboa, 2013; Blind Fence, Round the Corner, Lisboa, 2012; ,

Hábitos, Porto, 2011; , sculptoric

Rapture, Fragments of love songs,

Spike Island, Bristol, 2009; Nocturne, Shadow stream series, Winter landscape e Breached

projection

Autumn House, Cooperativa de Arte

Retiro O Navio

Tragaluz,

Tired of living for the city, Bomba Suicída, Lisboa, 2005.

Exposições colectivas |

Colecções | PCR - Pedro Cabrita Reis, Fundação PLMJ, Madeira Corporate Serviçes, CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito, BESart, Fundación Centenera Jaraba, Colecção Haim Chanin.

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maria capelo

Sem título

Esta pintura, sem título como todos os meus trabalhos, é a primeira de uma série de pinturas vê: um caminho aberto por entre azinheiras e sobreiros com troncos roxos e negros de vinha. A parte que resta da casca de um deles é prateada.

Começo sempre por um bocado de terra e de céu, duas ou três árvores – sobreiros, oliveiras, às vezes um pinheiro. Estas coisas, que existem num lugar real, são então reorganizadas num novo espaço, na tela, numa paisagem da qual o homem está ausente, mas em que por todo o

Orlando Ribeiro, no seu livro , esclarece:

“A paisagem é aquilo que se vê e pode reproduzir-se. Porém, a paisagem é como um rosto próprias, há um complexo mundo de forças em jogo que nela vêm inscrever o resultado das suas acções.”

Maria Capelo, Novembro 2013

em Lisboa em1970 onde vive e trabalha. Curso de Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, 1992.

Giefarte, Lisboa, 2013; “Para onde quer que se olhe há uma alegria enterrada” – Museu deuses pelos caminhos” – Galeria Graça Brandão, Porto, 2009; Biblioteca Municipal de

Anos de Cumplicidade na Arte” 1993-2009 - Centro de Arte e Cultura de Ponte de Sor,

Salzburg, 2005; Arte Lisboa (Módulo), 2005; Arte Lisboa (Módulo), 2004; Arte Lisboa

de Arte, Porto, 2001; Arte Lisboa (Módulo), 2001; Art Brussels (Módulo / Christian Berlin (Módulo), 2000; Art Cologne (Módulo), 2000; Art Brussels (Módulo / Christian

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michael biberstein

Field I

em Solothurn

Jaeger Bucher, Paris 2009; “More statements in the spirit of militant agnosticism”,

Lisboa, 2004; Compresores/Aceleradores, Museo Extremeño e Iberoamericano de

Colecção da Fundação Luso-Americana”, Culturgest, Lisboa, 2005; “Unaussprechlich Collection”, Centre Pasquart, Biel, 2003; “Comment Rester Zen”, Centre Culturel Suisse, Paris, 2003; Gallerie Staffelbach, Lenzburg, 2003; Arte e artistas suíços em Portugal, Museu da Água, Lisboa, 2003; “Na paisagem”, Fundação Serralves,

“Paisagens no Singular”, Museu Malhoa, Caldas da Rainha, 1999.

Ministère de la Culture (França); Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Kunstmuseum

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nuno henrique

Calco 37 Teucrium abutiloides

A série Quarenta Calcos, da qual a obra faz parte, foi

Através de uma selecção de quarenta espécies botânicas propus-me criar um “monumento” arqueologia, e com base em dados taxonómicos e outros relativos às espécies, concebi como que um sistema para desenhar cada obra e assim representar cada espécie.

Um dos aspectos que se tornaram relevantes no desenvolvimento de Quarenta Calcos foi a de papeis, considerando as respectivas cores e qualidades plásticas. Cada tipo de papel foi associado a uma espécie botânica, não de maneira naturalista mas no contexto de uma paleta pessoal, que desde então tenho vindo a desenvolver na minha obra.

Nuno Henrique, Novembro 2013

da Madeira.

Licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Porta 33. Bolseiro do Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2011; Fundacion Botin para frequentar o “Lothar Baumgarten Workshop”, Santander, 2012; Fundação Calouste

Exposições (selecção) | “Linha de Partida”, comissariada por Alexandre Melo, no Centro de Artes Casa das Mudas, Calheta, 2009; “Quarenta Calcos” Galeria Módulo,

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pedro calapez

Lentas Nuvens

Nuvens Lentas

Não conhecia o poema de Pessoa mas posso agora dizer que estas minhas nuvens não me dão sono. Na senda das associações melhor será convocar a aguarela de Dürer, em que várias manchas cinzentas recordam-lhe um sonho agitado de chuvas torrenciais provenientes de poderosas nuvens. Refere Dürer que caiam dos altos céus com grande intensidade e ruído. No meu caso a líquida aguarela escorre no largo pincel japonês para intensamente marcar um papel de formato horizontal, quase panorâmico. Exprime uma outra intensidade só eventualmente comparável com o cair da chuva, pois a tinta cai igualmente sobre o papel. Experimentei diferentes cores mas foi a sucessão de movimentos de tipo curvo ou circular que prevaleceram nos meus gestos. É a intensidade destes pequenos gestos, destes rápidos mas controlados movimentos que transmitem representações imaginárias que associamos a Neste conjunto de 28 trabalhos, incluem-se alguns desenhos de estruturas, linhas que se se passa no que lhes está por baixo, a terra, o solo que pisamos. São os espaços esquecidos que no quase cego exercício de dialogar com o que nos rodeia tentamos recordar a todo custo.

Pedro Calapez, Novembro 2013

Estudou na Escola de Belas Artes de Lisboa.

Arte Contemporáneo, Santiago de Compostela, Lugares de pintura, CAB-Centro

Arts, Paris e Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1991.

del arte en Portugal”, Fundación Marcelino Botín, Santander, 2005; “Argumentos Bonn, 1999; Ecos de la materia, Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte

Colecções (selecção) | Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Caixa Geral de

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pedro valdez cardoso

Resiliência Sem título (ninho)

Sem título (ninho), 2005

feito com pedaços de tecido rasgado o que confere um aspecto acentuadamente orgânico à peça.

A peça joga com a dualidade entre um objecto que é construído pelo Homem para a propagação de uma espécie animal e a necessidade de esse “habitáculo” se tornar invisível

Escultura que reproduz uma árvore jovem. Porém o tronco da árvore é uma bengala, da qual brotam alguns galhos com folhas. A leitura da peça torna-se bastante evidente ao conciliar é ainda acentuada pelo material que reveste a peça: borracha líquida cinzenta cuja aparência é a do cimento, tal como o balde usado em trabalhos de construção de onde “nasce” a árvore.

em Lisboa em 1974, cidade onde vive e trabalha.

Cinema, Amadora, 2003.

Arte Contemporânea do Funchal, Madeira, Curadoria - João Miguel Fernandes Jorge

– colección de la Fundación Coca-Cola, Salamanca, Espanha, Curadoria - Javier Contemporáneo de Gas Natural Fenosa, Gas Natural Fenosa, Barcelona, Espanha,

Puerto de Las Artes, Huelva, Espanha, Curadoria - Fernando Serrano Pascual, 2009,

Seoane, Coruña, Espanha, Curadoria: Cecília Pereira, Paulo Reis e Fátima Lambert, Salzburg, Barcelona, Amarante, Curadoria - Fátima Lambert, 2005.

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pedro vaz

Laurissilva

Laurissilva

Subir a montanha, representa uma aproximação à Natureza com um sentido muito próprio. Representa uma nova pesquisa, até então impraticada, movida apenas pelo impulso da descoberta e pelo diálogo directo com o lugar.

A relação com a natureza concretiza-se nesse percurso onde o espaço e o tempo se tornam fundamentais para a percepção da paisagem e das suas características.

primitivo, que resistiu a cinco séculos de humanização, mas também a sua inacessibilidade que, preservando-a, a faz perdurar no tempo.

Os trabalhos apresentados surgem desta relação da pintura com a Natureza que, neste caso e pela pecularidade da experiência, originaram novos processos de trabalho.

Botânico, MUHNAC, Lisboa, 2013; “Laurissilva”, Galeria 111, Porto, Lisboa, 2013;

Exposições Colectivas (selecção) | CAMB | Aquisições Recentes - Centro de Arte

Reservatório da Patriarcal, Lisboa, 2009; “Coleccionar II”, Módulo, Lisboa, 2009;

Pintura, Pintura”, Módulo, Porto, 2005.

Carmona e Costa; Casa da Cerca, Almada; Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sôr; F.B.A.U.L. Colecção, Lisboa.

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A Noite

Amo o Inverno, quando os dias são curtos e a larga noite nos acolhe, docemente, a meio o nosso caminho, o nosso espaço, a nossa indefesa estadia no mundo. Não gosto dos dias longos de Verão, acredito que o sol é venenoso. Deveria ser sempre Inverno, todo o ano, toda a nossa vida. Na penumbra, iríamos ser capazes de reconhecer as verdadeiras luzes, por mais trémulas que fossem: iria ser possível amar a luminosidade que nos salvaria do vazio. “A noite dissolve os corpos, o dia dissolve as almas”, disse-me um amigo, há muitos anos, numa noite envolta em cristal. Desde esse momento, percebi que todas as minhas esculturas são sombras, acontecimentos no espaço, pedaços de penumbra, negativos do mundo que pensamos conhecer.

Rui Chafes, Novembro 2013

rui chafes

A Noite I

Licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa,

Exposições (selecção) | “La Sombra de Giorgio de Chirico”, Galeria Juana de Aizpuru,

ferida do sim, faca do não”, Galeria Filomena Soares, Lisboa, 2013; “MU”, com Pedro

Gravina, Matera, Itália, 2011; “Khora”, com Alberto Carneiro, Fundação Carmona e Costa, Lisboa, 2010; “Contramundo”, Galería SCQ, Santiago de Compostela, Rio de Janeiro, Brasil, 2007; “Eu sou os outros”, Galeria Graça Brandão, Lisboa,

Galerie Karin Sachs, Munique, Alemanha, 2005; “Fora!” (com Pedro Costa), Museu de

“Não quando os outros olham”, Galeria Alda Cortez, Lisboa, 1997; “No aquí”, Galeria Fúcares, Madrid, Espanha, 1997; “Cristal”, Galeria Juana de Aizpuru, Sevilha, Espanha,

Museum Würth, Alemanha; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Museu de

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rui sanches

Sem título

Uma série de placas de contraplacado, com 10 mm de espessura, sobrepostas umas às abertura permite a entrada do olhar do espectador para o interior do volume. Um espaço, iluminado por uma abertura na superfície superior do quase-cubo, revela-se ao espectador. e a escala deixa de ser a escala real das placas de contraplacado coladas umas sobre as outras e passa a ser a de um espaço “à medida do espectador”, que nos convoca memórias de paisagem.

Há o processo, pragmático, de construção de um volume por acumulação de placas de madeira. As placas, que vão sendo recortadas utilizando sempre a anterior como ponto de

material se esbate e a imaginação pode criar uma experiência de paisagem. Os dois tipos de experiência não se excluem um ao outro e podem mesmo ser simultâneos.

Rui Sanches, Novembro 2013

RUI SANCHES nasceu Lisboa, em 1954, cidade onde vive e trabalha.

Exposições individuais (selecção)

Retrospectiva”, CAM, FCG, Lisboa (2001); Galeria Fúcares, Madrid, Espanha (2005); “Relações formais”, Casa da Cerca, Almada (2007); “Museum”, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Exposições colectivas (selecção) | Representação portuguesa à 19ª Bienal de S. Paulo,

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