Desporto, lazer e ocupação do tempo livre em idade escolar no Município de Mogadouro

Texto

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DESPORTO LAZER E OCUPAÇÃO DO TEMPO LIVRE

EM

IDADE

ESCOLAR

NO

MUNICÍPIO

DE

MOGADOURO

Dissertação

Mestrado (2º ciclo) em Ciências do Desporto Especialização em Desporto de Aventura Natureza e Lazer

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL - 2011

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DESPORTO LAZER E OCUPAÇÃO DO TEMPO LIVRE EM IDADE ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE MOGADOURO

Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Mestrado (2º ciclo) em Ciências do Desporto Especialização em Desporto de Aventura Natureza e Lazer, realizada sob a orientação científica do Professor Doutor Luís Felgueiras e Sousa Quaresma

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL - 2011

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III

“...o Desporto não é só a preparação para a vida,

é vida, vontade e prazer de viver.”

(Bento, s/d, p.127).

À minha mulher e à minha filha Inês, Aos meus pais, Ao meu irmão!..

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III

AGRADECIMENTOS

A realização dum trabalho desta natureza, apesar do seu trabalho individual, só será possível se conseguirmos juntar a nossa volta, não só por um a conjunto de entidades que possam abrir caminho para a sua realização, mas também fundamentalmente, um conjunto de amigos que nos estimulem, motivem e colaborem. O caminho percorrido não foi fácil, até porque a vida é feita de altos e baixos; no entanto, o calor humano que senti à minha volta e a solidariedade que muitos assumiram para comigo são coisas que jamais esquecerei.

Ao meu Orientador, Professor Doutor Luís Felgueiras e Sousa Quaresma, por toda a sua dedicação, preocupação, compreensão, ajuda e amizade sempre revelados durante a elaboração do trabalho.

À Câmara Municipal de Mogadouro, em especial ao senhor Presidente Dr. António Machado e vice-presidente Dr. João Henriques, pela sua disponibilidade, incentivo e amizade durante a realização do trabalho.

Ao Agrupamento Vertical de Escolas de Mogadouro, e ao Director, José Maria Preto, pela disponibilidade na recolha de dados para a execução deste trabalho.

A todos os professores de Educação Física, que me proporcionaram a realização deste trabalho.

À minha mulher, e à minha filha Inês, por toda ajuda, paciência amor e dedicação!...

Aos meus pais, por tudo aquilo que representam para mim e por desde sempre estarem ao meu lado!..

Ao meu grande irmão, por toda ajuda e conselhos dados ao longo de mais uma árdua caminhada, e por ser ele o meu Amigo para toda a vida!..

A todos os meus colegas do Gabinete Municipal de Desporto, por toda a ajuda compreensão e amizade.

Aos meus avós e a toda a minha família, por toda a força e apoio manifestado ao longo desta etapa.

E por fim, À memória do tio Francisco Familiar, por todos os conselhos, correcções e demostrações de amizade, seriedade e honestidade que me deu ao longo da vida, que muito contribuíram, para ser o Homem que sou!..

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IV

Resumo

A actividade física e os desportos de recreação e lazer, são essenciais para a nossa saúde e bem-estar. Actividade física adequada e desporto para todos constituem um dos pilares para um estilo de vida saudável, a par de uma alimentação saudável, vida sem tabaco e o evitar de outras substâncias prejudiciais à saúde.

O exercício físico regular, fornece aos jovens inúmeros benefícios (físicos, mentais e sociais) para a saúde.

Os estudos mostram que, nos adolescentes, quanto mais participarem em actividades físicas, menor será a probabilidade de virem adoptar estilos de vida menos saudáveis, como fumar, e outros; Nas crianças e jovens, que são mais activas fisicamente verifica-se uma maior performance académica; os jogos de equipa, promovem de forma positiva a integração social e facilita o desenvolvimento das capacidades sociais dos adolescentes.

Estudos relacionados ao comportamento, quanto à prática de actividades físicas, vêm despertando um interesse cada vez maior nos investigadores. No entanto, especialmente sobre os adolescentes, verifica-se, grande carência de investigações nesse sentido, é por isso fundamental valorizar o papel cultural de desporto, do tempo livre e do lazer. O objectivo principal deste trabalho, foi o de suprimir essa carência e realizar um trabalho, tendo como indivíduos da amostra, crianças e adolescentes do Município de Mogadouro, com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos de idade.

Palavras-chave: Crianças, jovens, Lazer, Ocupação dos Tempos Livres, Actividade Física e Desportiva.

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V

ABSTRACT

Physical activity and sports recreation and leisure, are essential to our health and well-being. Adequate physical activity and sport for all is one of the pillars of a healthy lifestyle, along with a healthy diet, avoid life without tobacco and other substances harmful to health.

Regular exercise provides many benefits to young people (physical, mental and social) health.

Studies show that, in adolescents, much less participate in physical activity, the lower the likelihood of their adopting unhealthy lifestyles such as smoking, and others in children and adolescents who are more physically active there is a higher performance academic, team games, positively promote social integration and facilitates the development of social skills of adolescents.

Studies related to behavior, as to physical activities, have attracted a growing interest in research. However, particularly on adolescents, there is, a lack of investigations in this direction, is so fundamental to value the cultural role of sport, leisure time and leisure. The main objective of this work was to abolish this deficiency, and undertake, with the individuals in the sample, children and adolescents in the city of Mogadouro, aged between 10 and 18 years old.

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VI

Résumé

L'activité physique et des loisirs sportifs et de loisirs, sont essentiels à notre santé et notre bien-être. Adéquat d'activité physique et du sport pour tous est l'un des piliers d'un mode de vie sain, avec une alimentation saine, d'éviter une vie sans tabac et autres substances nocives pour la santé.

L'exercice régulier offre de nombreux avantages pour les jeunes (physique, mental et social) de la santé.

Des études montrent que, chez les adolescents, et encore moins de participer à l'activité physique, plus la probabilité de leur adoption modes de vie malsains comme le tabagisme, et d'autres enfants et adolescents qui sont physiquement plus actifs, il ya une meilleure performance académiques, des jeux d'équipe, de façon positive à promouvoir l'intégration sociale et facilite le développement des compétences sociales des adolescents. Les études liées au comportement, à des activités physiques, ont suscité un intérêt croissant dans la recherche. Toutefois, en particulier sur les adolescents, il ya un manque d'enquêtes dans ce sens, est si fondamentale à la valeur du rôle culturel du sport, de loisir et de loisirs. L'objectif principal de ce travail a été d'abolir cette lacune, et d'entreprendre, avec les individus de l'échantillon, les enfants et les adolescents dans la ville de Mogadouro, âgés entre 10 et 18 ans.

Mots-clés: enfants, jeunes, loisirs, temps de loisirs, activité physique et le sport.

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ÍNDICE

Agradecimentos____________________________________________ III Resumo___________________________________________________ IV Abstract___________________________________________________ V Résumé___________________________________________________ VI Índice ____________________________________________________ 1 Índice das Figuras __________________________________________ 3 Índice de Quadros__________________________________________ 3 CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

1- Introdução___________________________________________ 5

2- O Problema, Objectivo Hipóteses________________________ 6

2.1 Justificação ____________________________________________ 6 2.2 Objectivos _____________________________________________ 7 2.3 Objectivo Geral _________________________________________ 7 2.4 Objectivos específicos ____________________________________ 7 3 – Objecto de estudo________________________________________ 8 3.1 Problema_______________________________________________ 8 3.2 – Hipótese______________________________________________ 9 CAPÍTULO II - REVISÃO DE LITERATURA

1.1 Actividade Físico-Desportiva e a Saúde ______________________ 10 1.2 A Criança e o adolescente na Actividade Físico-Desportiva_______ 13 1.3 Participação Desportiva___________________________________ 17 2-Conceitos básicos de lazer e tempos livres_____________________ 19 2.1 Tempo livre, lazer e desporto no contexto escolar ______________ 20 2.2 A importância da relação de tempo livre e do lazer com a escola, a autarquia e o desporto _______________________________________ 23 2.3 Motivos para a prática ou não prática de actividades físicas desportivas________________________________________________ 25 2.4 Factores que influenciam ou não a prática desportiva ___________ 29 CAPÍTULO III – METODOLOGIA

1 – Introdução _____________________________________________ 33 2 – Amostra _______________________________________________ 33 2.1 Delimitação da amostra ___________________________________ 33

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2 3 - Instrumentos a utilizar _____________________________________ 33 3- Modelo de estudo _____________________________________ 35 4.1 Variáveis Dependentes ______________________________ 35 4.2 Variáveis Independentes_____________________________ 35 5- Métodos________________________________________________ 36 6- Procedimentos__________________________________________ 36 6.1 Determinação do design da pesquisa ___________________ 37 6.2 Desenho do questionário ____________________________ 38 7- Análise estatística ________________________________________

8- Dificuldades _____________________________________________

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CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

1- Introdução ___________________________________________ 41 CAPÍTULO V – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

1- Introdução___________________________________________ 62 2- Discussão dos resultados _______________________________ 62 CAPÍTULO VI- CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE INVESTIGAÇÃO

1 -Conclusões _____________________________________________ 66 2 – Propostas de investigação _________________________________ 67

CAPÍTULO VII- BIBLIOGRAFIA

1- Referências Bibliográficas_______________________________ 69

ANEXOS

Anexos I - Pedido de autorização ao director do agrupamento de escolas __________________________________________________ 81 Anexos II - Autorização do director do agrupamento de escolas_____ 82 Anexos III - Autorização dos pais ______________________________ Anexos IV - Questionário ____________________________________

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Índice das Figuras

Figura I- Sexo______________________________________________ 46 Figura II – Tipo de actividade física/desportiva que se pode praticar na área de residência____________________________________________ 50 Figura III – Razões para não praticar desporto______________________ 51 Figura IV -Número de vezes por semana que as actividades são praticadas

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Figura V – Razão da prática da actividade desportiva_________________ 53 Figura VI- Modalidades desportivas que gostariam de praticar__________ 55 Figura VII- Razão porque não pratica a actividade física preferida_______ 56 Figura VIII - Relação dos clubes na área desportiva com a câmara Municipal, Junta de freguesia e escola_____________________________ 57 Figura IX - Relação dos clubes com a autarquia a nível do desporto _____ 58 Figura X - Relação dos clubes com a escola________________________ 59 Figura XI – Importância dada pelos clubes à prática desportiva_________ 60 Figura XII – Tipo de actividades realizadas pelos clubes para a ocupação dos tempos livres_____________________________________________ 62 Figura XIV – Quantificação da relação dos clubes com a autarquia______ 63 Figura XV – Quantificação da relação dos clubes com a escola_________ 64

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Índice de Quadros

Quadro I- Caracterização da amostra_________________________ 45 Quadro II - Sexo_______________________________________ 45 Quadro III - Profissão/ escolaridade dos pais___________________ 46 Quadro IV - Profissão/ escolaridade das mães__________________ 48 Quadro V - Gosto pela prática desportiva _____________________ 49 Quadro VI - Prática de actividade física/desportiva fora do horário escolar _________________________________________________ 50 Quadro VII - Modalidade preferida___________________________ 54 Quadro VIII - Estratégia de ocupação dos tempos livres pelos clubes___________________________________________________ 60 Quadro IX - Frequência com que se realizam as estratégias de ocupação dos tempos livres pelos clubes ______________________ 61 Quadro X - Colaboração do clube com a autarquia no âmbito da realização de actividades de lazer e ocupação dos tempos livres ___ 63

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CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

1- Introdução

A elaboração deste estudo incide sobre a temática da actividade físico-desportiva, onde se procura fazer uma revisão de literatura com o intuito de balizar com conceitos e fundamentos teóricos os temas nele tratados.

Num primeiro ponto, faz-se referência à importância que a prática de actividade física, tem para a saúde, qual a relação das crianças e adolescentes com o desporto e fazemos uma breve referência teórica ao que consiste ser a participação desportiva.

Num segundo ponto, do trabalho tratam-se os conceitos de lazer, tempos livres e desporto num contexto escolar e fora deste, e faz-se referência aos factores e aos motivos que influenciam a prática ou não prática da actividade desportiva.

As motivações da escolha da problemática a estudar, resultou de preocupações relacionadas com o decréscimo progressivo de actividades físico desportivas que se tem verificado nos adolescentes. E sabendo, a importância que a actividade física exerce na formação de adultos saudáveis, o crescente abandono ou um maior afastamento dos adolescentes da prática desportiva, associada à ocupação de tempos livres de cariz mais sedentário, fazem ver com preocupação o estado de saúde das populações no futuro.

A razão fundamental, que determinou a realização de um trabalho desta natureza, prende-se com a necessidade de compreender e interpretar como ocorre o processo de conhecimento de comportamentos de saúde e a adopção desses mesmos comportamentos na adolescência, nomeadamente na área referente a actividade físico-desportiva.

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2- O Problema, objectivo e hipóteses

2.1 - Justificação

A sociedade contemporânea, encontra-se em permanente mudança e evolução. As alterações determinadas por essas mudanças, conduziram a transformações nas atitudes e comportamentos, bem como nos valores dos indivíduos, adaptando-os a um novo contexto social e determinando novas orientações no quotidiano das pessoas. Neste contexto assistiu-se, nos últimos anos a uma crescente importância da actividade física e desportiva, através de Desportos de Lazer e Ocupação de Tempo Livre em Idade Escolar, como veículo de melhoria da qualidade de vida e da saúde das populações.

São vários os obstáculos, com que se deparam as pessoas que tentam iniciar uma prática de actividade física regular, nomeadamente problemas Infra-Estruturais, económicos, e sociais.

Afinal a prática desportiva e a actividade física, são actividades de ocupação de tempo livre e de lazer, com uma relevância de destaque quando falamos de jovens. A importância da actividade física para um desenvolvimento e crescimento equilibrado, bem como, o seu contributo no que diz respeito à aquisição de um estilo de vida saudável em que a actividade física e a prática desportiva, sejam integradas no estilo de vida, valorizando-se a sua forte relação com a saúde é frequentemente ignorada.

Existem diversos estudos já elaborados no âmbito desta temática. É de mencionar por exemplo o de Wang, Pereira e Mota (2005), que realizaram um estudo com o objectivo de conhecer e comparar níveis de actividade física habitual e a relação da aptidão física e saúde entre crianças Chinesas e Portuguesas. Pode-se também mencionar o estudo de Santos, Esculcas e Mota (2004), que realizaram um estudo sobre a relação entre as escolhas dos adolescentes das actividades físicas ou ainda Costa (1995), que efectuou um estudo sobre o sucesso pedagógico em educação física.

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2.2- Objectivos

a. Tema

Desporto, Lazer e Ocupação de Tempo Livre em Idade Escolar no Município de Mogadouro.

b. Delimitação do Tema

O tema desta Dissertação, terá como base uma investigação a realizar o âmbito da ocupação de tempo livre e de lazer com actividades de cariz desportivo por parte dos jovens em idade escolar. Compreendendo estas três áreas fundamentais, justifica-se o tema pela necessidade da promoção de uma interacção de colaboração entre eles, evidenciando, responsabilidades inerentes de cada um nessa área. O estudo está circunscrito ao Município do Mogadouro

2.3- Objectivo Geral

O objectivo geral desta tese consiste em avaliar as necessidades desportivas, de lazer e ocupação de tempo Livre, dos jovens em idade escolar no Município de Mogadouro.

2.4- Objectivos Específicos

De uma forma mais concreta pode mencionar que se pretende verificar:

1. Qual o lugar que a actividade desportiva ocupa no tempo de lazer dos jovens.

2. Identificar as principais influências e impedimentos para a prática ou não prática desportiva.

3. Perceber se a actividade praticada é a preferida e averiguar se existem diferenças entre sexos.

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3- Objecto de Estudo

3.1. Problema

A definição do problema é um ponto fulcral para a realização de uma pesquisa. Para McDaniel e Gates (2003) o problema da pesquisa é orientado pela informação. Implica determinar quais informações são necessárias, e como elas podem ser obtidas de maneira eficiente e eficaz. De acordo com Malhotra (2001) esta etapa é a mais relevante na elaboração de qualquer estudo.

Quais os motivos, perfil e satisfação, dos jovens do Município de Mogadouro, o que os leva a praticarem ou não desporto, e como preenchem os seus tempos livres e de lazer?

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3.2. Hipóteses

Com base nos objectivos inicialmente propostos, constituímos o seguinte quadro de hipóteses:

H1 – Há diferenças, estatisticamente significativas, entre os jovens do sexo masculino e feminino, praticantes de actividades desportivas, quanto aos

motivos que os levam a praticar desporto;

H2 – Há diferenças, estatisticamente significativas entre os jovens do sexo masculino e feminino, não praticantes de actividades desportivas, quanto aos motivos que os levam a não praticar desporto;

H3 – Há diferenças, estatisticamente significativas entre os jovens das faixas etárias dos 10-12 anos, 13-15 anos e 16-18 anos, praticantes de actividades desportivas, quanto aos motivos que os levam a praticarem desporto;

H4 – Há diferenças, estatisticamente significativas entre os jovens das faixas etárias dos 10-12 anos, 13-15 anos e 16-18 anos, não praticantes de actividades desportivas, quanto aos motivos que os levam a não praticarem desporto;

H5 – Existe satisfação por parte dos munícipes que praticam desportos no contexto das actividades desportivas municipais.

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CAPÍTULO II - REVISÃO DE LITERATURA

1.1 Actividade Físico-Desportiva e a Saúde

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1947) a saúde é definida como o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças e enfermidades. Deste modo, pode-se afirmar tal como (Mota, 1999) que o que caracteriza a saúde não é apenas a ausência de doenças.

Existem diversas evidências, das causas efeitos entre o aumento de actividade física habitual e os benefícios para a saúde. Pelo menos há uma série de informações suficientemente importantes para que se admita que estilos de vida activos são benéficos para a saúde (Mota, 1992).

A OMS estima que a inactividade física contribui para cerca de 2 milhões de mortes anuais no mundo. Simultaneamente calcula também que 60% da população mundial não pratica actividade física suficiente (WHO, 2006).

Mota (1991) afirma que de uma maneira geral, a influência benéfica do movimento sobre alguns aspectos da saúde, é bem aceite. São diversos os autores que a falam nestas influências. Gomes (1993) menciona que se nas idades tenras, a prática de exercício físico, não garante um adulto saudável e liberto de riscos ao nível de doenças coronárias, pode no entanto, equilibrar efeitos de dietas desregradas, introduzindo hábitos de actividade física, e promovendo uma alimentação mais equilibrada e saudável. Por seu lado o autor Mulder e Allsen (1983) afirmam que diminui o stress emocional. Corbin (1987) por seu lado afirma que existe uma diminuição de factores de risco, como por exemplo ao nível da obesidade. E Simons-Morton et al (1987) fala na influência benéfica nas alterações dos padrões de vida na idade adulta enquanto Bar-Or (1987) na sua acção profilática face a algumas patologias degenerativas, respectivamente cardiovasculares. Existem outros autores como é o caso de Cruz e Sequeira (1997) que mencionam, que os principais benefícios da actividade física, são ao nível psicológico, nomeadamente na

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redução do stress e de estado de ansiedade, possível diminuição dos níveis de depressão e efeitos emocionais benéficos ao nível de todas as idades. Bento (1998) acrescenta que pela prática desportiva, lúcida e motora se pode intervir no nosso corpo e na nossa saúde, cuidando do corpo e melhorando as suas funcionalidades.

São vários os benefícios físicos e psicológicos, para os quais subsiste bastante confirmação experimental. Nomeadamente ao nível físico e psicológico.

Físicos:

Redução do risco de ocorrência de Doenças Coronárias; Prevenção/Redução da Hipertensão; Papel importante no controlo do excesso de peso e prevenção da obesidade; Prevenção da Diabetes do tipo II; Papel importante nalguns tipos de cancro, nomeadamente do cólon; Saúde Muscular e Esquelética e redução do risco de ocorrência de Osteoporose.

Psicológicos:

Melhoria do Estado de Humor, redução da tensão, depressão, raiva e confusão, acréscimo da vitalidade, vigor e clareza; Técnica de Redução de Stress; Oportunidade de experimentar o prazer; Reforço das Auto-Percepções (auto-estima e autoconceito); Benefícios Psicoterapêuticos, nomeadamente no tratamento da depressão e ansiedade. (WHO, 2006; Berger et al., 2006).

No entanto, sabe-se que os estados opressivos e conturbados, são bastante comuns na adolescência. Para além de que a obesidade infantil, é uma das grandes causas de baixa condição física das crianças, que também afecta a sua auto estima (Bar-Or, 1987). Contudo e em especial os jovens, beneficiam pela prática desportiva de diversas possibilidades para uma possível superação de estados opressivos e conturbados (Botello e Duarte, 1999). Não se pode por isso desprezar, por diversos motivos, o papel das actividades físicas no contexto escolar, nas actividades de lazer e também de tempos livres (Mota, 1992).

Segundo Faria, (2001) a saúde está profundamente relacionada com a alimentação e com a quantidade de actividade física praticada, uma vez que

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estes factores irão incutir de uma forma evidente a mortalidade e a longevidade do sujeito.

Para os autores Pereira e Neto (1999), quanto mais reduzidas forem as experiências desportivas na infância, menores serão as capacidades de opção por parte da criança na adolescência, já por si bastante limitadas pela reduzida oferta. É portanto importante facultar diversas experiências desportivas ainda na infância. É fundamental que se ensine e se promova a actividade física e desportiva regular desde tenra idade, de modo, a que factores externos ao processo de envelhecimento natural desempenhem um papel neutro ou positivo (Gomes, 1993)

Á luz destas ideias Bach (1993) afirma que alguns indivíduos, parecem ter iniciado uma reinterpretação das actividades desportivas, uma vez que alguns praticam, vários jogos nos parques; vão de bicicleta para o trabalho; utilizam os patins como forma de se deslocarem pelas cidades, etc.

Wang et al (2005) verificou, num estudo realizado nas escolas, que as crianças de um modo geral têm poucos conhecimentos sobre a actividade física e os seus possíveis benefícios para a saúde. Numa intervenção posterior a este estudo, verificou-se, que os conhecimentos e a atitude para com a actividade física, em si e a saúde melhoraram.

Autores como Vingilis, Wade e Seeley (2002) quando estudaram os factores que prenunciam os conceitos relativos à saúde dos adolescentes, apuraram que as ideias não são só ajustadas pelo seu estado físico, mas também por factores comportamentais, psicológicos, pessoais e sócio ambientais. Os problemas de saúde, a inconsciência, a idade, o género feminino, o salário mais baixo, o fumar e o índice de massa corporal (IMC) mais alto foram associados com a auto-avaliação de saúde mais baixa.

Uma constante inactividade corporal, está relacionada a um baixo estilo de vida saudável e a uma pobre auto-percepção do estado da sua saúde (Aarnio et al, 2002). Por sua vez um estilo de vida activo está associado a elevados níveis de prática de actividade física (Aarnio, 2003).

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Os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (2002), indicam que as principais causas de mortalidade e morbilidade em Portugal, se prendem com razões de ordem comportamental, onde se destacam as doenças do aparelho circulatório (doenças cardiovasculares).

1.2. A Criança e o adolescente na Actividade Físico-Desportiva

Nos dias de hoje, os benefícios da realização de actividade físico-desportiva são bastante importantes e cada vez mais divulgados. Faz parte do senso comum pensar que a prática de exercício físico, para o ser humano é de extrema importância no que diz respeito ao seu bem-estar.

Especialmente no que diz respeito às crianças e aos adolescentes deve-se salientar, que a actividade física promove o desenvolvimento ósseo e muscular, fomenta as qualidades funcionais e respiratórias e ainda as qualidades físicas como é o caso da força, da resistência aeróbia, da velocidade e ainda da flexibilidade conforme menciona os autores Sallis & Owen (1999).

Nos últimos anos, a realização de actividade física, em especial por parte das crianças e jovens tem padecido de enormes modificações, que são também consequência não só de mudanças ocorridas ao nível do próprio desporto, mas também na sociedade e em específico no domínio da juventude e da sua educação (Knop, 1998).

Citando, Barata (2003), Portugal é o país mais sedentário da União Europeia, quer em termos de actividade física informal quer organizada.

Ainda segundo o mesmo autor, ser sedentário não é um comportamento natural, e conduzirá o homem a um menor desenvolvimento em todos os seus domínios (mental, psicológico, cognitivo e emocional). Como comportamento contra-natura que é, vai ser factor de doença.

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Para Devis (2000), dificilmente, as pessoas poderão levar uma vida plena sem a oportunidade de algum exercício e interacção com o mundo. A actividade corporal faz parte das necessidades fundamentais do indivíduo.

Segundo Kalish (1996) torna-se possível, verificar a existência de um contra-senso relativamente à maior quantidade e ao mais fácil acesso à informação que existe nos dias que vivemos, relativamente à importância da realização de actividades físicas para o bem-estar geral. Este facto é verificado, pela menor quantidade de tempo despendido pelos jovens e crianças para a prática física e desportiva.

Os esforços preventivos, para a manutenção da actividade física durante a puberdade irão trazer benefícios para a saúde nos anos posteriores (Janz,Dawson & Mahoney, 2000).

O que transporta, o pensamento geral dos estudiosos do assunto, em causa para o problema da obesidade e o problema cada vez mais generalizado da obesidade infantil e a sua persistência na vida adulta. Assim parece provável, que uma criança obesa se torne um adulto obeso, estando sujeito às doenças que lhe podem estar associadas e inerentes (Wright et al, 2001, referido por Wang, Pereira e Mota, 2005b).

Uma investigação em larga escala, de 6903 crianças e adolescentes portugueses, dos 6, 8 e 10 anos, referida pelos mesmos autores Matos et al (2003), refere que cerca de 36,1% destas crianças eram obesas no ano de 1998. Segundo os mesmos autores e na continuidade do estudo pode-se verificar que o nível baixou no ano de 2002, contudo o valor não foi considerável (Matos et al, 2003).

A mesma investigação de (Matos et al, 2003), também mostra que no ano de 1998 cerca de 36,1% das 6903 crianças participavam em actividades físicas quatro vezes ou mais por semana e, por sua vez no ano de 2002, estes níveis de participação física, baixaram drasticamente em todos os grupos, quer em género quer em idade para o valor de 31,9% das 6903 crianças e adolescentes seleccionados ( Matos et al, 2003).

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Pode-se afirmar que a criança, na sua generalidade é muito sensível e fortemente influenciada, pelas atitudes daqueles que lhe são mais significativos, como é o caso dos familiares e, por exemplo no caso específico do desporto do treinador ou líder. Esta possibilidade de influência, deve ser muito bem aproveitada, para que a criança seja levada para o caminho correcto ao nível do desempenho desportivo. Muitas vezes, revela atitudes e aspirações que podem ser conscientes ou inconscientemente transmitidas, e são motivos de empenho nas actividades, ou se mal aproveitadas e encaminhadas de abandono da actividade física (Gomes, 1993).

O ponto fundamental, nas práticas de desporto e lazer é o sentimento positivo que o sujeito tem para com a actividade, tendo a investigação quantitativa comprovado que o comportamento dos jovens, não é apenas influenciado pelas experiências objectivas, mas também pelo entendimento e satisfação retirada dessas experiências. À luz destas ideias, pode-se afirmar que se a experiência for positiva ou divertida, se esta valorizar as percepções das crianças, haverá com mais probabilidade de se manter a actividade em causa por mais tempo (Esculcas & Mota, 2005).

Num estudo, realizado com crianças de idades compreendidas entre os 8 e os 14 anos, averiguou-se que indivíduos com indicadores de alta auto-eficiência, tinham superiores índices de auto-estima no futuro, do que as crianças com baixa auto-eficiência. (Chase, 2001)

Para Corbin (1987), facilmente se verifica a existência de indicadores que apontam para o facto de que baixos níveis de actividade física, estão associados a crianças com baixa auto-estima, baixa auto-imagem e com pouca energia. Este facto, demonstra o quão importante é a actividade física em crianças e na adolescência, até como forma de aumentar a auto estima e a positividade para a vida em geral.

Se as crianças, praticam actividades físicas de forma livre e segundo a sua própria escolha, sentir-se-ão mais motivadas e empenhadas, o que as levará seguramente a uma maior aprendizagem e à-vontade nessas actividades desportivas (Pimentel, 1995).

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Pode-se dizer, que os programas de actividade física que prescrevem actividade física para crianças, só poderão ser efectivos se essas mesmas crianças, se tornarem intrinsecamente motivadas para realizarem essas mesmas actividades (Corbin, 1987).

De acordo com Corbin (1987), não se deve dizer as crianças quais as actividades físicas e desportivas a realizar, deve-se antes ensinar a importância do exercício físico e desportivo, ensinar qual a melhor forma de avaliar as suas próprias capacidades e ainda como planear os seus próprios programas de actividade física. Um plano educativo compreensivo pode ajudar os interessados a tornarem-se bons consumidores de exercício, de uma forma independente e por isso mais motivada (Corbin, 1987).

O envolvimento desportivo, tem obrigatoriamente de se ajustar aos interesses, às capacidades e às prioridades das crianças e adolescentes. Se se instalarem conflitos de interesses e reacções emotivas em relação ao sucesso ou insucesso, ao ganhar ou perder, todo o prazer, e toda a alegria, assim como o empenhamento na actividade física e desportiva poderão ser alvo de desmotivação (Gomes, 1993a).

Actualmente, com toda a evolução tecnológica que rodeia as crianças e adolescentes dos nossos dias, os impulsos para se deixar levar e seduzir por todo este mundo de facilidades inerentes às novas tecnologias, é deveras muito grande. Esta evolução tecnológica, impulsiona e aumenta, o já grande problema da inactividade física, levando ao consequente sedentarismo (Corbin, 1987).

Na realidade é importante mencionar, que a actividade física não é mais do que um padrão de comportamento, que influência estilos de vida e modos de estar que incrementados, no quotidiano propiciam uma vida mais saudável e com mais qualidade. Por este motivo e conforme menciona o autor Biddle (1986,ref.por Corbin, 1987), manter as crianças motivadas para a actividade física e desportiva é a chave da sua continuidade na área.

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1.3 - Participação Desportiva

Procura-se criar, definições para tentar explicar o significado de actividade desportiva, no entanto, a que mais consenso reúne é a apresentada por Caspersen et al (1985, citado por Mota, 1999), que entende a actividade física como qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos que resulte em dispêndio energético.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1997), a actividade física é todo o movimento diário, incluindo o trabalho, a recreação, o exercício e as actividades desportivas.

Pode-se dizer, que as duas definições não se anulam, mas complementam-se, a primeira é de âmbito puramente biológico e a segunda de âmbito mais sociocultural, o que remete e caracteriza a complexidade que este comportamento acarreta.

Com o intuito de melhor clarificar o conceito de actividade física, revela-se útil distinguir os feitos que estão a ele associados, nomeadamente a noção de exercício físico e de desporto: a) o exercício físico é um subgrupo da actividade física, definido como o movimento planeado do corpo, estruturado e repetitivo, realizado para promover ou manter um ou mais componentes da condição física (Caspersen et al, 1985); b) o desporto por sua vez é uma forma mais específica de actividade física, estruturada, competitiva, sujeita a regras, caracterizada pela proeza, sorte e estratégia (Kaplan et al, 1993).

Segundo Yang (1996), pode-se dizer que a adesão à prática desportiva é um processo complexo que envolve o desenvolvimento, a aprendizagem e a assimilação de competências, valores, normas, auto percepções, identidades e papéis proporcionados por diferentes variáveis do envolvimento social, do enquadramento familiar, do grupo sócio demográfico, da profissão, da educação e da área de residência. Todas essas variáveis podem ser potenciais factores de influência na actividade desportiva.

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Recentes estudos, também revelaram que, a diminuição da frequência da prática de actividade física é maior para a do tipo vigoroso e para actividades não estruturadas (Sallis, 2000 ref. por Mota & Sallis, 2002).

Para estes mesmos autores, relativamente aos jovens, reconhecem que existe a necessidade de dar alternativas às tradicionais propostas de prática de actividades físicas das crianças e adolescentes, uma vez que os estudos concluem que os sujeitos com hábitos de actividade física recreativa parecem ter mais oportunidades de manutenção ao longo da vida, do que os sujeitos com envolvimento em actividades físicas competitivas.

Na população portuguesa, também se verifica este fenómeno, é o que revela um estudo realizado por Esculcas e Mota (2005) em que os dados apontam para uma prática significativamente maior de actividades recreativas. Os dados parecem demonstrar que os indivíduos com hábitos desportivos e/ou actividades físicas mais recreativas tendem, de uma forma contínua, a manterem-se mais activos do que os indivíduos que praticam actividades desportivas mais competitivas.

Para Smoll e Smith (1996), esta tendência poderá justificar-se pelo facto da escolha ser livre. Por sua vez, segundo Hoefer, Mckenzie, Sallis,(2001 ref. por Mota & Sallis, 2002), a escolha de actividades físicas estruturadas e competitivas está mais dependente da condição socioeconómica da família.

Para Mota (2003), é indispensável conceber condições e possibilidades, para que os jovens ocupem os seus tempos livres em acções activas, de forma a valorizarem um estilo de vida activo e a diminuição dos comportamentos inactivos

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2 - Conceitos básicos de lazer e tempos livres

As actividades de lazer, segundo Mcdowell (1981, citado por Esculcas, 1999), proporcionam uma combinação de descanso, desafio, jogo, construção, socialização e relaxamento, sendo escolhidas pelo próprio sujeito como algo de bom para si, permitindo assim que toda a sua auto-estima seja desenvolvida; compensando ou completando outros envolvimentos da vida, nomeadamente o trabalho e a família.

A livre escolha é fundamental para o conceito de lazer. Magnan (1964, ref. por Tojeira, 1992), menciona que o lazer é um conjunto de ocupações às quais as pessoas se entregam por livre vontade, quer seja para se divertir, quer para desenvolver a sua informação desinteressada, a sua participação social voluntária ou a sua capacidade de livre criação após o desempenho das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Referente a tempos livres, segundo Hourdin (1970) são aqueles tempos de que podemos dispor como queremos, legitimamente, legalmente e livremente.

Embora muitas vezes confundidos, o tempo livre e o lazer não são e nem representam a mesma coisa. A expressão “tempo livre” refere-se, geralmente, a um tempo concebido e definido segundo critérios de residualidade e de relação com o tempo de trabalho (Dumazedier, 1974).

Já o tempo de lazer, segundo Sharma (1994), é considerado como um tempo próprio na vida de cada sujeito, conferindo-lhe a capacidade de crescimento e desenvolvimento como um todo, ou seja, ele é determinado pelo tempo que de facto, cada indivíduo dispõe para si próprio após as solicitações e os compromissos.

Araújo (1986), salienta que é importante perceber, que o tempo livre, por si só, não proporciona a experiência de lazer, havendo assim o desejo de transformar, o tempo livre em tempo de lazer.

O importante é, que o dia deixa de ser ocupado unicamente pelo trabalho, comportando também horas de lazer. A gestão deste tempo que faz parte da

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vida de todos nós é da responsabilidade de cada um e não está sujeito às imposições de obrigatoriedade (Dumazedier, 2000). Ainda para o referido autor, o lazer, qualquer que seja a sua função é essencialmente libertação e prazer, é descanso, divertimento e desenvolvimento.

Na perspectiva de Elias e Dunning (1992), as actividades de lazer, são apenas um tipo de entre outras, no entanto, todas as actividades de lazer são actividades de tempo livre, mas nem todas as de tempo livre são de lazer

2.1 – Tempo livre, lazer e desporto no contexto escolar

Tendo em consideração, o que já foi mencionado no ponto anterior, pode-se então considerar que todas as actividades realizadas de livre vontade pelos alunos, dentro do recinto escolar, nomeadamente durante o período dos intervalos e os recreios representam o lazer do contexto escolar.

Já por tempo livre escolar, pode-se referir ser todo o tempo de permanência dos alunos no ambiente escolar, sem ser o de obrigatoriedade curricular.

Na sequência do conceito anteriormente citado, o tempo livre escolar corresponde a todos os tempos livres de permanência na escola, ou seja, os intervalos das aulas, o recreio, os “furos” nos horários escolares ou das faltas dos professores, os tempos após as aulas, os fins-de-semana, feriados e as férias escolares.

Importa também salientar que, para que os tempos livres como os fins-de-semana, os feriados e as férias escolares possam ser usufruídos pelos alunos impõe-se um esforço convergente da escola, da família e da comunidade, nomeadamente as autarquias e as associações desportivas e culturais, no que concerne à valorização dos tempos livres dos jovens. Vale a pena referenciar os programas de “férias desportivas” como um esforço actual nesse sentido. A Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), Lei nº 46/86 de 14 de Outubro estabelece o quadro geral do sistema educativo que se organiza de forma a contribuir para a realização do educando, através do pleno desenvolvimento da

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personalidade, da formação do carácter e da cidadania, preparando-o para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos e proporcionando-lhe um equilibrado desenvolvimento físico (art.º 3º,b). Deve ainda contribuir entre outras coisas para a realização pessoal e comunitária dos indivíduos, não só pela formação para o sistema de ocupações socialmente úteis, mais ainda pela prática e aprendizagem da utilização criativa dos tempos livres (art.º 3º, alínea f).

Também a LBSE refere no seu art.53º que a educação física e o desporto, devem ser promovidos na escola nos âmbitos curricular e de complemento curricular, tendo em conta as necessidades de expressão física, de educação e de prática desportiva, visando o fomento da prática do exercício físico para o aumento do interesse do aluno pelo desporto e consequentemente proporcionar o seu desenvolvimento físico e pessoal.

Se são consideradas as actividades desportivas nos currículos escolares, como uma área que promove o desenvolvimento e a formação dos jovens, o desporto escolar promovido fora do âmbito curricular deve afirmar-se como uma actividade particularmente importante, para a satisfação dos interesses e necessidades sentidos pelos jovens.

É este desporto escolar, que os jovens realizam nas suas escolas, no seu tempo livre, de forma voluntária com o apoio dos educadores a que Carvalho (1987:130) se refere nas formas que ele deve assumir, indicando a existência de uma íntima relação entre a actividade curricular e a do tempo livre, ainda que não se deva aceitar qualquer relação de causa e efeito entre ambas, nem que esta relação se estabeleça mecanicamente.

O Decreto-Lei nº286/89 de 29 de Agosto aprova os planos curriculares dos ensinos básicos e secundário, e refere expressamente no seu art.º 8º que para além das actividades curriculares, os estabelecimentos de ensino organizarão actividades de complemento curricular, de carácter facultativo e natureza eminentemente lúdica e cultural, visando a utilização criativa e formativa dos tempos livres dos educandos, onde se integra o desporto escolar.

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Gonçalves (1989 ref. por Neves, 1996), refere que o desporto tem-se tornado num componente importante da sociedade moderna. Os jovens dispõem de mais tempo livre e o desporto desempenha um papel relevante nos domínios da educação, da saúde e do “lazer”. Daí que se verifique, por parte dos jovens, uma procura crescente da ocupação dos seus tempos de lazer em actividades físicas e desportivas como objectivo de quebrar a rotina e de encontrar o equilíbrio. Assim, as actividades físicas e o desporto reúnem sem dúvida condições privilegiadas, quer para os que são intervenientes directos, quer para os que participam indirectamente.

Segundo Pires (1993), estamos a sair de um tempo de desporto único, em que todos tínhamos de fazer desporto da mesma maneira para entrarmos numa nova era, a de um tempo de lazer em práticas desportivas que vão ao encontro dos desejos de cada um, proporcionando uma multiplicidade de soluções.

Marivoet (1998,b), afirma que a escola revelou-se como a instituição onde a socialização desportiva melhor se expressa. O espaço da prática desportiva situa-se maioritariamente na escola, através da disciplina de educação física e numa pequena proporção, nos clubes e outras instituições.

Compete portanto a escola e aos seus intervenientes de ensino influenciar, socializando adolescentes no sentido de adquirirem hábitos de vida saudáveis que permaneçam ao longo da sua vida, como é, por exemplo a prática de actividades físicas e desportivas. É necessário que se verifique uma influência do professor de educação física e não só, podendo estes, serem apontados como motivo para os jovens praticarem actividades físicas de lazer através da sua função de motivação desportiva (Mota & Sallis, 2002).

O papel das escolas, como preparadoras do futuro, para além de educar os alunos para o mundo do trabalho, também tem que passar a ser o de educar para o mundo do lazer (Pires, 2002).

A disciplina de educação física, tal como nos refere (Mota, 1992 a) pode oferecer um contributo importante no que concerne à aquisição de um estilo de vida saudável, em que a actividade física e as práticas desportivas sejam

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incorporadas nos hábitos da vida e consequentemente se valorize a relação com a saúde.

2.2- A importância da relação de tempo livre e do lazer com a

escola, a autarquia e o desporto

O desenvolvimento e formação da criança, estão hoje condicionados a uma multiplicidade de influências que de uma forma mais ou menos sistematizadas, não se confinam às paredes da escola, sendo que inclusivamente esta, tem como preocupação estabelecer relações de continuidade entre as aprendizagens escolares e a vida social, realizada fora da escola, o que configura naturalmente um quadro de prática e participação desportiva na escola e fora da escola devido, fundamentalmente à pluralidade de motivações que caracterizam a procura social do desporto.

A esta multiplicidade de influências, junta-se a preocupação social no domínio da ocupação dos tempos livres, Constantino,(1991, cit. por Branco P. 1994) acrescenta ainda que, se por um lado, mesmo que a prática de desporto escolar tivesse taxas de cobertura significativas, a necessidade de uma procura de prática desportiva fora da escola não desaparecia, por outro lado, esta procura de prática desportiva cresce, em quantidade, em diversidade e em durabilidade, na razão directa da sua presença nos regimes de escolaridade, seja pela criação de hábitos desportivos, seja pela aquisição de técnicas do uso desportivo do corpo.

Nas sociedades contemporâneas, o mundo dos desportos, tem-se caracterizado pelo desenvolvimento de várias tendências, de onde sobressaem por um lado a concepção clássica do desporto de rendimento (reservado a um grupo restrito de atletas de competição que fazem o prazer de milhões de espectadores), por outro lado, um considerável segmento da população que participa em actividades desportivas e procura objectivos que nada têm a ver com estes.

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Segundo Bento (1991) as actividades desportivas são, hoje, um espaço de coabitação de uma multiplicidade de práticas, conjugando-se no plural, e nesta circunstância, ultrapassam em larga medida, a perspectiva reducionista da massa/ elite ou do lazer/ rendimento. O desporto surge hoje em simbiose, tornou-se uma oferta atraente, associada à cultura e ao tempo livre, à sua força simbólica tradicional, acrescentou outros sentidos.

Hoje os sentidos do desporto, são diferentes de pessoa para pessoa e alteram-se no decurso da vida. É por isso que Bento (1991 p.90) alteram-se refere a isso como um desporto para todos, um desporto plural, com diversidade e pluralidade de motivos, de significados, de valores, de intenções e de formas. E por isso mesmo, o desporto individual adquire sentido e relevância para a escola que deve exercer uma relação individual com cada um, tendo atenção aos problemas e os motivos da vida daquele que o pratica.

Bento (1998), afirma que um plano de ordenamento global da cidade terá que incluir o desporto numa reflexão moderada por preocupações de saúde, de qualidade de vida e de humanização. A necessidade fundamental de movimento, não deve ser depreciada, portanto as autarquias não podem deixar de integrar nas cidades espaços de exercitação lúdica e corporal.

Segundo o mesmo autor, a frequência da prática desportiva depende, entre outros factores, do tempo despendido na deslocação para uma instalação desportiva. E torna-se natural que não seja procurada quando a duração da permanência na actividade física for inferior ao tempo despendido no trajecto para a realização do mesmo.

Pereira (2002) refere que a sociedade é hoje mais urbana e as famílias, que embora beneficiam de mais tempo livre, têm uma vida muito mais agitada reflectindo-se nas rotinas diárias da criança. As crianças têm menos tempo para o jogo e para a actividade lúdica espontânea.

Para Neto (1997 a), na actualidade as actividades físicas executadas no decurso da vida quotidiana, realizadas muitas vezes de maneira espontânea são cada vez mais escassas.

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O jogo e a actividade informal, para Sarmento (2002), têm um papel fundamental para o desenvolvimento da maturação dos jovens. E com a evolução tecnológica e a migração das populações das zonas rurais, tendo esses obstáculos naturais e espaços amplos, para as áreas urbanas onde os espaços são reduzidos e o cimento predomina, o que acabou por condicionar toda a relação entre os adultos e os mais jovens.

Sendo a actividade física tão importante para o desenvolvimento e bem-estar do ser humano, os pais de crianças que vivem em zonas urbanas, passaram a ter a preocupação e a responsabilidade de procurarem locais e arranjarem disponibilidade para que os mais jovens possam viver as experiências físico-motoras, que anteriormente lhes era permitido realizar livremente e naturalmente no meio envolvente. Agora têm de ser realizadas em instalações artificiais criadas pelas autarquias para esses fins.

2.3

– Motivos para a prática ou não prática de actividades

físicas desportivas

A prática de actividade desportiva, oferece um grande leque de possibilidades para que o praticante se sinta realizado, quer seja, através da socialização, ou seja, pelo bem-estar e auto-realização que esta possibilita.

Nesse contexto, torna-se relevante primeiro procurar saber quais os motivos que levam à prática ou não prática de actividades desportivas, para posteriormente tentar compreender aquilo que o pode ter determinado (Nunes, 1995).

A pesquisa sobre a motivação, que leva o indivíduo a procurar realizar actividades físicas é sem dúvida, uma das áreas de estudo mais importantes da Psicologia Desportiva, fornecendo informações potencialmente úteis para o técnico e o atleta (Cratty, 1983).

A maioria das investigações em psicologia geral e psicologia do desporto, têm como foco o estudo da motivação. Esta tornou-se uma influência dominante no desenvolvimento da psicologia social e do desporto nos últimos anos, sendo o

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termo motivação, usado tão frequentemente em vários contextos que parece que todos sabem definir o que é motivação ( Duda, 1993).

Podem ser variadíssimos, os motivos que influenciam os praticantes de desporto, tal facto se justifica ao verificar que o mesmo atleta possa alterar a sua performance conforme a época ou o dia, uma vez que, pessoas, acontecimentos, experiências novas nas suas vidas podem influenciar os sentimentos relativos à equipa, ao técnico, aos colegas, aos dirigentes aos adeptos, que inevitavelmente influenciam o indivíduo e a sua consequente motivação para a realização da actividade desportiva.

Segundo, (Littman (1958, citado por Castuera, 2004), define que a motivação se refere ao processo ou condição que pode ser fisiológico ou psicológico, inato ou adquirido, interno ou externo ao organismo ao qual determina ou descreve o que ou respeito a que, se inicia a conduta, se mantém, se direcciona, se selecciona ou finaliza; este fenómeno também se refere ao estado pelo qual determinada conduta se adquire ou se deseja; também se refere ao facto de que um indivíduo aprenderá, recordará ou esquecerá certo material de acordo com a importância e o significado que o indivíduo dê à situação.

Por ser considerada por muitos autores, como tema chave de qualquer acção humana, a motivação tem sido muito estudada e discutida em diferentes ambientes. A sua importância em diversas áreas é inquestionável, no desporto e na actividade física, tem grande relevância, mesmo quando se questiona rendimento, quando se fala em aderência ou adesão a qualquer programa de actividade física (Moreno, Dezan, Duarte e Schwartz, 2006).

Valente (2004) ressalta que, a complexidade dos aspectos relacionados com a temática da motivação, se encontra relacionada com determinada escolha ou preferência que os indivíduos demonstram por determinada actividade. A contínua participação na actividade desportiva e a aderência com que o indivíduo coloca no desenvolvimento da mesma são sustentadas a partir da

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influência de factores situacionais, sociais, pessoais e da própria actividade em si.

Uma preocupação fundamental dos investigadores interessados em optimizar a motivação dos jovens no contexto da actividade física e no impacto de bem-estar físico na população, em geral, é a compreensão dos diversos processos motivacionais que determinam os níveis de desenvolvimento da educação física ou em qualquer outro contexto desportivo (Standage, Duda e Ntoumanis, 2003).

Bear, Connors e Paradiso (2006), declaram que a motivação pode ser pensada como a força que compele um acontecimento a acontecer. Os mesmos autores declaram ser útil considerar que a probabilidade e a direcção de um comportamento variam com o nível da motivação (“força”) que compele a executar esse comportamento. Além disso, enquanto a motivação pode ser requerida para que certo comportamento ocorra, ela não garante que o mesmo aconteça.

De acordo com Castuera (2004), a definição de Littman, expressa que os fenómenos motivacionais integram um conjunto de aspectos biológicos, emocionais, cognitivos e sociais, inter-relacionados entre si, e que são subjacentes ao resultado final que é a conduta observável. Todos esses aspectos têm influência na persistência, na intensidade e na frequência da conduta e a sua vez interactuam entre eles aumentando, mantendo ou diminuindo a conduta.

Tojeira (1992), refere que um estudo realizado sobre a juventude portuguesa em que Pais, J. M. (1989) adianta que um conjunto dos mais de 50% de jovens que não pratica regularmente nenhuma actividade desportiva, apenas30,2% destes o justificam por não gostarem, apontando sim vários motivos entre os quais como não tendo tempo 51,4%; por falta de instalações desportivas 32,9%; não tendo dinheiro 20,6%; não me traria qualquer vantagem 14%; não tenho com quem praticar 10,9%; etc. Entretanto, dos restantes jovens que praticam regularmente desporto os motivos porque o fazem são mais

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consensuais, salientam-se principalmente dois: contribui para ser saudável 69,9% e é bom para o desenvolvimento físico 58,0%.

Pode-se então concluir que quem pratica regularmente desporto tem plena consciência da influência positiva que exerce para o seu bem-estar e saúde.

Segundo Serpa (1990), os principais motivos que levam a realização de práticas desportivas coincidem globalmente em todos os indivíduos, podendo variar a ordem ou a ponderação de acordo com o sexo, a modalidade ou a experiência, mas de um modo geral, os jovens desportistas revelam motivos semelhantes no envolvimento da prática desportiva.

Segundo Domingues, Araújo e Gigante (2004), os possíveis factores que podem levar ao sedentarismo são a ausência de conhecimento sobre a forma como realizar exercício físico, bem como a sua finalidade, as limitações de alguns grupos populacionais e percepções distorcidas acerca dos benefícios.

Numa pesquisa realizada em Espanha por Moreno, Cervelló e Martínez (2007), estes tentaram comprovar os efeitos dos cinco motivos sobre o género, a idade, a forma da actividade, o tempo e os dias de prática contando com a participação de 561 adultos praticantes de actividades físicas não competitivas. Os resultados indicaram, que as pessoas de maior idade deram mais importância aos motivos relacionados com a saúde, enquanto os mais jovens deram prioridade aos motivos relacionados com a aparência. Em relação ao género, as mulheres deram menos importância aos motivos de competência do que os homens. As pessoas que praticavam por mais tempo, apresentaram motivos de diversão e saúde, e os que praticavam há menos dias apontaram motivos de saúde. Os sujeitos que praticavam em programas orientados mostraram motivos relacionados ao social, à saúde e à competência.

Outras pesquisas sobre motivação à prática de actividade física também foram conduzidas. Por exemplo, na pesquisa de Hellín, Moreno e Rodriguez (2004), esses autores contaram com a participação de 1107 praticantes de actividade física da região de Múrcia na Espanha, com idades entre 15 e 64 anos, e identificaram que os sujeitos mais jovens, tinham uma maior inclinação para as competições e uma maior preocupação com a imagem corporal e a estética,

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enquanto os sujeitos com idade mais avançada praticavam por motivos lúdicos, relaxantes e de relação. Em relação ao género, esses mesmos autores encontraram que as mulheres, apresentaram uma maior preocupação com a imagem corporal e a estética do que os homens.

Já numa pesquisa realizada com estudantes universitários americanos, por Kilpatrick, Hebert e Bartholomew (2005), esses autores identificaram que os homens apresentaram uma maior motivação acerca do desafio, competição, força, resistência e reconhecimento social, enquanto as mulheres apresentaram maior motivação na variável de controlo do peso, e ambos, homens e mulheres, reconheceram a importância da actividade física para um estado de saúde positivo. Esses mesmos autores também verificaram que existia uma maior motivação entre praticantes de exercício, para aspectos como força, resistência, aparência, controle do stress e controle do peso, enquanto os praticantes de desporto apresentaram maior motivação para aspectos como afiliação, desafio, competição e reconhecimento social.

2.4- Factores que influenciam ou não a prática desportiva

O contexto social é para a criança, uma fundamental referência quanto à criação de motivações, valores e normas de conduta na prática das suas actividades motoras e lúdicas. A criança desde tenra idade é motivada para a prática do desporto através de diversos agentes de socialização, nomeadamente, a família em primeiro lugar, as instituições desportivas oficiais ou privadas, a escola, o grupo de amigos, a televisão (essencialmente programas desportivos), etc (Neto, 1994).

Para (Bandura (1977, cit. Por Duarte e Silva, 1991),uma pessoa pode ser socializada para a prática desportiva da mesma maneira como pode ser motivada para uma orientação política ou religiosa.

Num estudo realizado por Pires (1993), pode-se concluir que os três motivos principais que influenciam as pessoas a praticar desporto são, o desejo de

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exercício físico, para o divertimento, para ocupar os tempos livres e para proporcionar bem-estar. Por sua vez, os motivos que levam as pessoas a não praticar desporto são essencialmente, a falta de tempo livre, o desinteresse pela prática desportiva, a idade, a saúde e a ausência de instalações apropriadas.

Um dos factores na perspectiva de Pereira, Neto e Smith (1997) que condicionam ou não a escolha das actividades de lazer, está relacionado directamente com o contexto social em que a pessoa se encontra inserida e também com as condições de vida que permitem uma melhor ou pior gestão do tempo escolar e familiar, o que acaba inevitavelmente por influenciar em grande parte as opções de tempos livres das crianças e jovens.

Ford (1991) sugere que diferentes variáveis do enquadramento familiar, como a profissão, a educação, a área de residência e o grupo sócio demográfico, podem ser factores potenciais para influenciar a prática de actividades físicas de crianças e adolescentes no seu tempo livre.

Pelo contrário, outros indicadores, segundo Ross e Gilbert (1989) realçam a importância que a acção dos pais podem ter nas práticas de actividade desportiva, particularmente no que se refere às práticas de actividade formal em clubes desportivos e/ou organizações comunitárias. Por exemplo, o papel dos pais para incentivar e motivar as actividades desportivas dos filhos é fundamental, onde o seu próprio exemplo é uma das melhores garantias de sucesso para a motivação positiva (Shephard, 1982).

Sallis e Owen (1999), referem que a classe social, medida pelo trabalho, que por sua vez parece associado ao grau de instrução e ao rendimento, afecta a natureza do lazer do sujeito e das suas práticas (como a actividade física), sendo os custos um importante factor que pode explicar a maior participação das famílias de classe média do que das classes mais desfavorecidas num grande número de actividades. Este factor parece ser potencialmente decisivo na facilidade de escolha e acessibilidade à prática de actividade física.

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Para Yang et al (1996), a família enquanto local de socialização desportiva pode ser vista como um factor que reflecte as influências culturais, económicas específicas de cada sociedade.

Biddle (1995), sublinha a importância do modo como as pessoas percebem as normas sociais e quanto estão dispostas a mudar na sua vida, por causa da importância que as normas sociais têm para eles. A importância da pressão dos amigos é especialmente relevante na adolescência. Se um adolescente tem um grupo de amigos que pratica actividade física, terá mais tendência ele próprio a praticar e mais facilidade em encontrar tempos de prática na sua rotina quotidiana.

A adolescência e, em seguida, a entrada no ensino superior ou no mundo do trabalho são períodos cruciais na manutenção ou no abandono da actividade física como parte do estilo de vida. Matos (1994), refere que algumas «tarefas de vida», específicas de algumas idades (p.ex. deixar a escola, arranjar emprego, casar, ter filhos…), são factores de risco para a adopção de um estilo de vida menos saudável e activo, uma vez que produzem um desequilíbrio que muitas vezes se reorganiza com outras prioridades, por constrições reais ou percebidas, a nível da ocupação do tempo, da mudança de residência, de carácter económico, etc.).

Dishman (1993) sublinha que o melhor impulsionador da prática da actividade física nos adultos, são os hábitos de actividade física na adolescência. Na passagem da infância para a idade adulta muitos factores podem influenciar as mudanças na actividade física de cada um.

Biddle (1995) refere que o facto da actividade física fazer parte do estilo de vida (saudável e activo) do jovem é uma garantia da prática da actividade física no futuro.

A importância da criação de um hábito precoce de prática de actividades físicas no quotidiano que acaba por influenciar a manutenção desse estilo de vida na idade adulta, foi também referida por Sallis e Hovell (1990) que defendem que

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as maiores associações com a prática da actividade física vêm da percepção de uma eficácia pessoal, dos conhecimentos relacionados com os benefícios da actividade física, das atitudes pessoais face à prática da actividade física e da prática da actividade física no passado.

Como vimos, Dishman (1993) defende que o melhor influenciador da actividade física nos adultos, são os hábitos de actividade física na adolescência.

Sallis e Hovell (1990) também referem esta importância de um estabelecimento precoce de hábitos de actividade física, organizados no âmbito de um estilo de vida saudável e activo, partilhado e valorizado pelos vários membros da família, como factor associado à manutenção de um estilo de vida saudável na idade adulta.

Pode-se então concluir que, um dos factores que mais influencia a prática de actividade física na vida adulta é o facto de este ser incutido o mais precocemente possível no estilo de vida dos indivíduos.

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CAPÍTULO III – METODOLOGIA

1 - Introdução

Este capítulo, pretende fazer referência a metodologia utilizada para a elaboração do presente trabalho, com a respectiva descrição da pretendida amostra, os instrumentos a utilizar, o modelo de estudo, os métodos e procedimentos utilizados a análise estatística, o cronograma e os recursos materiais e o orçamento.

2 - Amostra

2.1- Delimitação da amostra

O estudo incidirá sobre uma amostra de 223 jovens, em idade escolar, escolhidos de forma aleatória sendo o único critério de escolha pertencerem ao Município de Mogadouro.

3 Instrumentos a utilizar

Os dados desta pesquisa, serão recolhidos através do método quantitativo conforme já foi mencionado. Será utilizado um questionário auto-administrado. Neste tipo de questionário, os sujeitos sentem-se mais à vontade, dispondo do tempo que necessitam para as suas respostas (Burns e Bush, 2006)

A amostra, é um subconjunto da população (McDaniel e Gates, 2003), e implica a selecção de uma fracção da população alvo, de modo a ser possível obter conclusões passíveis de serem aplicadas ao conjunto da população alvo (Lambin, 2000).

Na presente pesquisa, vai ser utilizada, uma amostra com a dimensão de 223 jovens Indivíduos em idade escolar, que responderão a questionários auto administrados.

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