HAROLDO
EVANGELISTA
VARGAS
RELATO
DE
EXPERIÊNCIA
DO
RARTO
DOMICILIAR
ELETIVO
EM
FLORIANOPOLIS-
SC
Trabalho
apresentado
à UniversidadeFederal
d
eS
ana
tGta'
a rma, paraconclusão do Curso
de
Graduação
em
Medicina.
|=|.oR|ANÓPo|.|s
-
SANTA
cATAR|NA
HAROLDO
EVANGELISTA
VARGAS
RELATO
DE
EXPERIÊNCIA
DO
PARTO
DOMICILIAR
'
ELETIVO
EM
FLORIANOPOLIS-
sc
Trabalho
apresentado
à UniversidadeFederal
de Santa
Catarina, para aconclusão
do
Curso de Graduação
em
Medicina.Coordenador do Curso: Prof. Dr. Edson José Cardoso
Orientador: Prof. Emil Kupek, Ph.D.
FLORIANÓPOLIS
-
SANTA
CATARINA
AGRADECIMENTOS
Quero
começar
agradecendo aoGrande
Espírito pela oportunidadede
estarvivo e ter
um
propósitona
vida.Se
fosse para definirem
palavrasmeu
propósito é tudoo que
esta relacionadocom
o
autêntico e constante crescimentocomo
serhumano,
coisaque
também
esteve presentena
minha
atitude ao realizar este labor.A
oportunidade de fazer este trabalho científicoem
conjuntocom
muitas pessoasque
dealguma ou
outra maneira apoiaram, significou muitasdescobertas para
mim.
Não
só descobertas sobre o assuntodo
mesmo,
mas
sobreum
pouquinho mais
acercada
ciência e sua relaçãocom
a própria mecanicidadeda
complexidade
aque
chamamos
vida. 'Agradeço
pelaminha
amada
esposa Iliana pelo seu apoio incondicional e imprescindívelem
cada passoque damos,
e aomeu
filho
Rodrigo pelainspiração
que
me
dá
para querer serum
exemplo.A
meus
pais e irmãos sangüíneos pela união e energia desde sempre.Ao
Dr.ErnilKupek,
meu
orientador,
do
qualmuito
agradeço por serum
dos grandes responsáveis aque
este trabalho pudesse ser feito
em
tãopouco
tempo.Ao
Dr.Marcos
Leite pela sua disponibilidade e seriedade nos ensinamentos sobreo
assunto.À
Monica
Ozelame
pela ajuda entusiastacom
o inglês.Às mães
que
abriramo
seu coraçãoe suas casas para as entrevistas, e ao Dr. Pedro Luiz
Schmidt
por ser este grandecompanheiro de
caminhada
eexemplo
de entrega aum
idealcom
detenninaçãoe autenticidade.
Também
aosmeus
colegas de turma,em
especial osque
foram
companheiros de
intemato eme
motivaram
para realizar este trabalho: JulianoCastilho, Juilano Grock,
Ana
Claudia, Laura, Cassiana e Sandro.Agradeço
reestabelece a saúde total, que integra
o
corpo, asemoçoes,
amente
e o espírito.~
À
todasminhas
relaçoes,~ 1.
INTRODUÇAO
... .. 4.RESULTADOS
... .. ~ 5.DISCUSSAO
... .. ~ 6.CONCLUSAO
... ._ 7.REFERÊNCIAS
... ..ÍNDICE
2.OBJETIVO
... .. 3.MÉTODO
... .. n n n ‹ u . . . z z z | . - ¢ ¢ « « z | . . . - z z .- ‹ n n ¢ ¢ u ¢ ¢ . z . - » zz ú - . . z Q - ~ - - « ¢ . zuNORMAS
ADOTADAS
... ..RESUMO
... _.APÊNDICE
... ..SUMMARY
... .. ‹ ¢ » z . z o › ¢ ¢ z z - nz z . - - Q - o z . - z z z .o . z Q . « . ~ ¢ . z « . .zaAtualmente, a prevalência de parto domiciliar (PD)
na
população, assiwcomo
os motivos detenninantesda
mesma, têm
sidomuito
variados.Na
Austrália, osPD
de1985
a1990
estiveram relacionados auma
alta taxade
mortalidade, secomparados
com
outros tipos de parto ecom
os partosdomiciliares
em
outros países.Porém,
a esse excesso de mortes, cont_ribuíraMtfatores
não
tão observadosem
outros países, taiscomo:
a baixa estimativa dosriscos associados
com
pós-datismos, gravidez gemelar, apresentação pélvica e afalta de providência nos sofrimentos fetais 1.
Menos
de1%
das mulheresda
Inglaterrafazem PD,
proporção estadecorrente
da queda
das taxas ocorrida nas últimas décadas”.A
prevalência sobre oPD
em
Khayelitshana
Áfricado
Sul, entre 1991 e1994
foi estimadaem
8%
4. ~Já
na
Holanda,um
dos lugaresdo
mundo
demaior
prevalênciade
PD,
as gestantes de baixo riscopodem
escolher tanto entre ter o partoem
casa, quantono
hospital, sob os cuidadosdo
sistema prirnário de saúde,com
enfenneirasobstetras
ou
com
médicos
generalistas. Muitas dessas mulheres preferem tero
parto
em
casa,mas
nas últimas décadasvem
aumentando 0
número
de gestantesde baixo risco,
que não escolhem o
PD
5.Em
1965, dois terçosde
todos os partos realizadosna Holanda
ocorreramem
casa.
Nos
últimos25
anos, esta situação inverteu-se,com
mais
de 2/3 dos partosocorridos
em
hospital emenos
de
1/3em
casa.Mesmo
assim éum
número
significante e considerável. Vários fatores
têm
influenciado nestamudança,
incluindo a curta estadia hospitalar por ocasião
do
parto (tendência esta, paralelaà
do
PD)
e as facilidadesdo
mesmo
para as parteiras,o aumento
nas taxasde
2
encaminhamento
dos cuidados primários aos secundários, oavanço da
tecnologia
médica
emudanças
demográficasó.A
extensãoda queda na
taxa dePD
parece ter desestabilizado o sistemade
cuidadosda
maternidadena
Holanda, eo
papel das enfenneiras obstetras dentrodela. Esta instituição
depende
muito dos colaboradores, parteiras e médicos, os quais são os responsáveis pelos cuidados das gestantes de baixo risco e dosobstetras
que
provêm
os cuidados das gestantes de alto risco.A
preservação dainstituição requer
um
alto nível de cooperação entre os diferentes colaboradorese
uma
seleçãono
sistema funcional, a fim de garantirque
todas as mulheresrecebam
os cuidados ideais. Para preservar aopção
domiciliarno
sistema de necessidadesda
maternidade holandesa é necessária amanutenção
deuma
eficiente
fonnação
profissional,com
um
padrão de pós-graduação para parteiras,além da
contínua provisão nos cuidadosda
maternidade. Isto ajudarána
possibilidade de
opção
às mulheres,com
a confiança necessária nelasmesmas
eno
sistema paraque
se sintam seguras ao escolherem oPD
6.Já os
PD
planejados cresceramde
0,04%
em
1973 para2%
em
1993na
Nova
Zelândia e são cada vezmais
populares 7.Também
a diferença é marcantequando
secompara
zonas ruraiscom
urbanas.
Por
exemplo/sínuma
área ruraldo Kenia
, achou-seque 52
%
dos partosocorreram
em
casaou
com
o atendimento de parto tradicional, sóque o maior
motivo da
escolha de partoem
casa foi feita pela distânciada
casa até amaternidade, e
não
poralgum
motivo
associado aos outros benefíciosdo
PD
eletivo 8.
No
Brasil,segundo
DATASUS/MS,
a prevalência dePD em
1994
foide
0.93%,
em
1995 de1.95%
e1996
de 2.44%.Porém
como
um
exemplo
que
ajuda a interpretarmelhor
estas taxasno
Brasil,em
Londrina -PR,
dos partosconsiderados oficialmente domiciliares
em
1994 somente
36,8%
realmenteforam
feitosem
casa,ou
seja, a taxa real dePD
lá foi entre0.13%
e0.3%
deO //JL ptodos os partos, e as razões para tal escolha foram: “não havia transporte para
W
97 1 ' as ‹a~"
h
levar a gestante ate
o
hospital enao
houve
tempo
suficiente para c egar até oW
hospital”.Não
foimencionado nada
a respeito dePD
eletivo 9.Na
cidade de Florianópolis,segundo
SINASC/DATASUS/MS,
a prevalênciade
PD
em
1995 foi de0,4%
( 18PD)
,em
1996
de0,2%
(10 PD),em
1997
de0.1%
(3 PD),em
1998
de0.1%
(3PD)
eem
1999 de
0.1%
(4 PD);dandou
total de 38
PD
nos últimos 5 anos, dos quais30 foram
PD
eletivos feitos peloDr.
Pedro
LuizSchmidt
que
foi entrevistado para este trabalho.Em
alguns países então, a taxa dePD
veio diminuindo, apesarda
falta deevidências dos benefícios
da
hospitalização 3.Considerando
que
potencialmente oPD
tem
muitos benefícios para as parturientes, familiares e parao
sistema de saúde,comcustos
inferiores aos dehospitais e clínicas,
bem
como
o
fato deque
em
alguns países a prevalência é significanteou
está crescendo eque
nos últimos anos,em
Florianópolis e Brasila prevalência ainda é
pequena
secomparada
com
alguns países; se realizará estetrabalho sobre
PD
eletivo para conhecermais
qualitativamente este tipode
prática, pela possíveqlotenélência
de
sertambém
uma
opção
viável e significativade parto
no
Brasil 7'10'“'12'13.4
2-OBJETIVO
Relatar experiência sobre
o
PD
eletivo, deum
médico
generalista ede
trêsmães
que
fizeram oPD
com
omesmo
médico.Objetivos específicos
a) Identificar alguns motivos principais de escolha
em
gestantes para oPD
ef'Florianópolis -
SC;
bem
como
suas atitudes, opiniões e a satisfação quanto aoresultado de suas vivências
no
PD
;b) Descrever a conduta e resultados dos
PD
do médico
entrevistado,bem
como
3-MÉTODO
O
presente estudo utilizaum
método
qualitativo de pesquisa.A
coleta de dados foi feitacom
estudo observacional e entrevistas semi-estruturadas(conforme Apêndice), e as respostas audiogravadas.
Os
conteúdos dasentrevistas
foram
desenvolvidos visando conhecer principalmente a motivação,a opinião e a satisfação das
mães que
vivenciaramo
PD,
assimcomo
ascondutas, opiniões, fatores
de
risco, benefícios e resultadossegundo
omédico
que realizou os
PD.
A
técnica de análise utilizada foi a análise de conteúdo.O
período de realizaçãoda
pesquisa foi de fevereiro amaio
de 2000.3.1. Sujeitos
a) Três pacientes entrevistadas
do
sexo femininoem
idade reprodutiva(41a, 35a, 24a), brancas,
sendo mães que
realizaramPD
com
Dr. Pedro LuizSchmidt
previamente.Foram
mães
escolhidas aleatoriamente dentre o grupo de237
que
realizaramPD
com
estemesmo
médico, sendomoradoras
deFlorianópolis
com
telefone. Ligou-se antes explicando sobre a entrevista emarcando
mn
horário posterior para realizá-la pessoalmente.b) Dr. Pedro Luiz Schmidt,
médico
generalistaque
trabalhano
Centro deSaúde
da
Lagoa da Conceição
em
Florianópolis-SC,
com
20
anos deexperiência
em
PD
eletivos. -3.2.
Ambiente
As
entrevistas sedesenvolveram no
próprio domicílio dos entrevistados,todos entrevistados
demonstraram
muita cooperaçãopara
a realizaçãoda
4-
RESULTADOS
A-
Entrevistascom
trêsmães
que
realizaramPD
com
Dr. Pedro L.Schmidt
*×
3
1
IVC,
35 anos, feminino, branca, casada, natural de Caxiasdo
Sul -RS,
procedente
do Canto
daLagoa
em
Florianópolis-SC,
psicólogaque
realiza,trabalho
com
gestantes,sem nenhuma
intemação
anterior.A
informação sobreo
PD
chegou
através deamigas que passaram
pelaI
rl n u ~, 1
experiência e pela sua partrcrpaçao
como
acompanhante
deuma
amiga
parturiente
em
doisPD
feitos pelo Dr.Pedro
Shmidt.Quanto
aos principaismotivos
de escolha parao
PD,
foi primeiroporque
já tinha visto e considerouuma
boa
experiênciacom
esse tipo de parto, esegundo
pela idéia de estar
no
aconchego da
casa e denão
terque
ir parao
hospital,que
segundo
ela éum
ambiente frioonde não
teria a importânciade
um
eventoespecial e único.
Quando
soubeda
gravidez, imediatamente decidiu fazerPD
em
conjuntocom
o m_an`doque
é pediatra.O
restante da famílianão
interferiu.A
primeira consulta informativacom
Dr.Pedro
só veio confinnar aquiloque
ela jápensava,
de
que o
PD
era positivo e seguro.7
Teve
todos seus três filhos porPD.
Fez
pré-'nataisem
todas gestações. Se//flnenhuma
doença
ou
problema
anteriorou
durante ã gestação e estava dentroda
classificação
como
partode
baixo risco.A
freqüência de consultas era mensal, eno
final das gestações a freqüência era quinzenal e semanal.Pensava no
partodurante a gravidez
mas
não
com
preocupação, pois para ela era algo diferente,5
...ø
s
. Durante as três vezes
que
entrouem
trabalho de parto, elacaminhava
muito,porque
isso facilitaria o parto, equando
vinham
as contrações, ficavade
cócoras.O
fato de estarem
casa a deixavamuito mais\a
vontade e estavampresentes todas as pessoas
que
quis, fato considerado pelamesma
como
muitoimportante.
O
ambienteda
casana
horado
parto erasempre muito
tranqüilo eo
atendimentodo médico sempre
foicom
alto astral, muito atenção, diverção e duranteo
parto sentiuque
ele passou muita segurança.1
Após
os nascimentoso
médico
a visitou duas vezes.~ *
O
que mais
gostou
em
relaçao aoPD,
foi realmenteo
fato de estarna
própriacasa,
com
intimidade,num
lugar conhecidoonde
tinha liberdade de fazer oque
tinha vontade, e
não
se sentir inibida, situaçãoque
ocorreria se houvesse pessoasestranhas.
O
que
menos
gostou, foino
terceiro parto o excesso demovimento
econversa sobre outros assuntos entre os
homens
presentes,que
pareciamnão
estar
na
mesma
vibraçãoque
a parturiente.O
resultado final dos partos,em
comparação
com
a expectativa inicial foibem
congruentecom
aquiloque
esperava vivenciar,ou
seja,um
parto tranqüiloem
um
ambiente aconchegante.Se
fosse para ter mais outro parto fariaPD
porém
em
água.Recomendaria
para todas as mulheres
que
quisessem2”-LKR,
4lanos, feminino, branca, casada, natural deNova
Jersey - EstadosUnidos, procedente de
Belo
Horizonte-
MG,
professorade
Aikido emassage
de Rolfing,
sem
nenhuma
intemação anterior.A
primeira vezque
teve contatocom
a infonnação sobrePD,
foi nosEstados
Unidos
quando
tinha doze anos a suamãe
deu
a luz a todos seusirmãos
em
casa.O
motivo
principal para fazerPD
foi desempre
gostar de coisas maisnaturais, e
o
fato de estarem
casa a deixaria mais relaxada eachava
que
sentiriatensão
em
um
ambiente hospitalar,que segundo
ela éum
localmuito
tristeque
foi criado para
momentos
em
que
o corponão
está funcionandomuito bem,
e destamaneira
não
é tão compatível ebom
paraum
começo
da
vidaonde não
tem
ligaçãocom
patologias.Ficou grávida
com
quarenta anos, e sabendoque
é consideradoum
parto dealto risco, queria ter
o PD,
mas
com
oacompanhamento
deum
outro obstetraque
fizesseo
partoem
uma
clínicaem
caso dealguma
complicação. Primeiro conversoucom
Dr.Pedro
Schimidtque
lhe passou segurança e depois de conhecero
seu outromédico que
seria seu obstetra paralelo para caso de complicações e possível translado à clínica, .Dr.Marcos
Leite; éque
decidiumesmo
terPD.
Esta decisão foiem
conjuntocom
o
marido.Não
tevenenhum
problema
importante de saúde antes e durante a gestação.A
preparação para o parto foicom
muita conversa,em
consultasque
demoraram
até duas horas,onde
muita confiança e consciência sobreo
processode
nascimento foi passada,num
totalde
maisde
nove
consultas pré nataiscom
cada
médico.Relatou
que o
trabalhode
parto foiuma
das experiênciasmais
especiais epoderosas
de
sua vida, a pesar deque
foimuito
cansativo pois ficou duasnoites
sem
donnir.Gostou do
atendimentodo
Dr.Pedro
pelo fatode poder
fazero
partono
próprio ritmo,sem
se sentir pressionada.Com
ademora
do
trabalhode
parto e por estarmuito
cansada, optou-seem
conjuntocom
os doismédicos
atransferência para a clínica.
Na
horado
parto,na
clínica,estavam
os doismédicos, e
o marido que
segurou a criançaque
nasceu via vaginal. Disseque
se esqueceu
do
sofrimento pois a experiênciacomo
um
todo foimuito
linda.Teve
duas visitasdo
médico
pós partoem
vinte e quatro e quarenta e oito'10 z(
O
que mais
gostoudo
PD
foi se sentir livre estandona
própria casaque
considera ser
um
ambiente aconcheganteem
contatocom
a natureza.O
que
não
gostou foi amanutenção da
limpeza, porque necessitou muito trabalho deseus familiares.
Quanto
ao resultado finalachou que cumpriu
totalmente as expectativasque
tinha e
espontaneamente
comentou
que não mudaria
nada
com
respeito a experiência poisachou
perfeita,mesmo
tendo sido transferida para a clínica.Disse
que
recomendaria oPD
para todas,menos
as de alto risco.33-MMM,
24
anos, feminino, branca, casada, naturaldo Rio
de Janeiro- RJ,procedente
do
Campeche
em
Florianópolis- SC, estudantede
história,com uma
~
internaçao anterior. `
Soube do
PD
em
um
trabalhoda
faculdadecom uma
parteiraque
comentou
que
haviaum
médico que
os fazia, eque
era o Dr. Pedro L. Schimidt.Sobre a
motivaçao
para fazero
parto, tinha o ideal deum
partoonde
ninguém
amandaria
em
como
fazer as coisas, perdendo desta maneirao
H ,
dominio
do
seu corpo eemoções.
Queria liberdade de expressão.Também
peloaconchego
do
lar, junto dos seus familiares enão
queriaum
lugarparao
nascimento
do
seubebê
com
tudo branco, impessoal e diferenteda
sua casa.O
que
sim queriaalguém que
tivesse maisconhecimento
e experiênciapara
acompanha-la
e então teruma
opção onde
sem
risco para ela e parao
bebê
tivesse o parto
em
um
ambiente e situação mais tranqüilos.Quando
soube que
estava grávida foi se informar ao respeitodo
parto domiciliarcom
o
Dr.Pedro
e sentiu-sebem
atendida,porque
omédico não
ficou
em uma
posiçãode
distânciacom
a paciente. Neste primeiro contato co4/14o médico
gostoumuito
pelo seu respeito, distinção e importância àmulher
e àparte
humana
do
nascimento deum
novo
ser.Na
ocasião desta primeiraconversa informativa sobre
o
parto, teve a certezade
realizar oPD,
poiso
E
médico
lhe passou a segurança deque
se tivesseum
sinalde
risco, a levariapara o hospital.
O
marido
e a família apoiaram.De
história pregressa teve arnigdalitequando
criança ze antes e durantegravidez
sem
queixasou
problemas nos diversos aparelhos e sistemas.A
gravidez foi
boa
mas
um
pouco
conturbadaemocionalmente
ao princípio, pois estava estudandotambém.
O
pré-natal foi feitocom
muito
apoio,o
que
a ajudoua estabelecer a gestação
como
prioridade e passou a estar tranqüila ecom
um
sentido mais profundo sobre a gravides. Realizou
uma
consulta de pré-natal por mês, e gostou bastante.Durante o ,trabalho de parto
o
médico
a avaliava periodicamente e lhe inspirava muita segurança e tranqüilidadesem mandar
no que
deveria fazer.A
experiência de ter o
marido
junto foi muitoboa
.O
partoem
si foi longo,o
que
adeixou cansada, e foi
o que
finalmente determinou a sua ida para o hospital. Esta decisão foi recebida pela parturientecomo
sensata, e aindaque não
erao
planooriginal, foi
bem
aceita.Teve
parto vaginal e seu própriomédico
éque
tenninoude
realizar seu partono
hospital, fato importante para ela, poisnao
queria seratendida nesta hora por
um
médico que nunca
viu antes.Estava feliz ao concluir, pois sentiu
que
era ela eo
neném
que
fizeramo
esforço, apenas apoiada pelos demais.
~
O
médico
fezuma
visita pós partodoze
horas depois, enao
fez mais pois'esteve por dois dias
na
responsabilidadedo
hospitalonde
ficouem
recuperação.O
que
mais gostoudo
PD
foi ficarna
sua própria casa.Não
farianenhuma
mudança
no
esquema
do PD,
poiso médico
a assistiu e a respeitouna forma
como
quis fazer, se sentindobem
libre. -Achou
que
valeu apena
a experiência nas horas
de
trabalho de partoem
suacasa, devido o ambiente especial
que
foi gerado.Se
fosse fazerum
próximo
parto seriaem
casa erecomenda
a outras/ I' 9 z P.
O
12B-
Entrevistacom
o
médico que
realizaPD.
Dr. Pedro Luiz
Schmidt
émédico
graduadona
Universidade Federalde
Santa Catarina,que
trabalhacomo
generalistado programa
de saúdeda
famíliano
Centro deSaúde da
Lagoa
da Conceição
em
Florianópolis-SC,
eque
paralelamente assistePD
eletivoshá
20
anos.Seu
primeiro partoem
domicilio foiem
1980,no
nascimento de sua filha.Naquele
tempo
a reação dos colegasmédicos
de Florianópolis ao saberque
ele fazia oPD
era de resistência e contrariedade.Porém
segundo
as informaçõesque
ele tinha sobreo
contextomundial do
PD
era deuma
certa tendência emuitos estados americanos,
como
na
Califórnia e Carolinado
Sul etambém
em
alguns países
da
Europa
como
Holanda, Noruega, Inglaterra eAlemanha.
Esta infonnação era obtidanão
só pela leitura de revistas científicas,mas também
pelo relato
de
estrangeirosque
tinham passado pela experiênciado
PD
evinham
para Florianópolis. '
No
começo
marcava o
número
de partosem
um
estetoscópiocom
entalhede
um
canivete, eum
tempo
depoisem uma
agenda.Tem
registrados237
partos, dos quais 17 (7.l%) forarn cesáreas e 18(7.5%) partos concluíram
como
parto vaginal
em
clínicaou
hospital devido retenção de placenta, suspeitade
hemorragia,um
casocom
hemorragia, e a maioriacom
não
evoluçãodo
trabalhode
parto.Acha
que o
perfil básico das pacientes é de classemédia
emédia
alta,de
qualquer idade, e
sendo
em
geral casaissem
problemas conjugaiscom
gravidez planejada.Também
observouque
maisou
menos
metade
dos seus pacientes sãoestrangeiros,
ou
brasileirosque
moraram
no
exterior.O
contato inicialcom
a gestante acontececom
um
pedido inicial deinfonnação e
em
geralo
casal vinha junto.Quando
a pessoa vinhacom
o
grande parte
da
população, pois já tinhaum
preparo emocionalque
é essencialpara
o PD.
Se
eles diziamque estavam
confiantes de realizaro
PD,
tinhamuma
grande chance de fazer o partoem
casa,normal
esem
complicações.Nessa
conversa inicial falava dos riscos e a possibilidade de terminar o partona
maternidade.
Sua
condutatambém
era a de perguntar motivos de escolher oPD.
Se
a resposta erasem
muita consistência,não
o realizava.Em
geral, dentre osmotivo
de fazer oPD,
estava omedo
de estarno
hospital e ter
que
realizaruma
cesariana, jáque no
Brasil se fazproporcionalmente muitas cesarianas.
Também
por acharque o
ambientehospitalar é hostil,
onde
têm
muita gente, sendoo bebê
muitomanipulado
nas~ ~
primeiras horas, e as 'relaçoes sao impessoais
sem
vínculonenhum
com
ninguém,
eo que
elas precisam é de confiança parao
momento,
enão
confia
na
estrutura hospitalar.E
outromotivo
éda
liberdade de estar à vontadeno
aconchego da
casacom
as pessoasque
desejam. Elasqueriam que
ao nascer oneném, nascessem
em
um
contexto profundo.A
conduta pré-natal era a clássica, acrescida deuma
profundidadena
conversa para criarum
vínculo.Dava
noções de valores importantes parao
atoque
é gerar e dar à luz aum
novo
ser.Recomendava
quatorze consultas,sendo
uma
consulta pormês
atéo
sexto mês, edo
sétimo ao oitavomês
de quinze equinze dias; e finalmente
no
últimomês
uma
vez por semana.Para o parto
não
esperava chegar a quarenta e duas semanas. Neste casoencaminhava
para a gestação de risco das maternidade.Não
realizava partode
risco,
nem
gestação de risco.Ao
fazer o pré-natal, se evoluíssecom
alguma
condição
de
risco,encaminhava
paraum
colega obstetraque
fizesse gestaçãode
risco .O
partoem
casa é aqueleque
teoricamentenão
tem
risco, avaliadona
históriada
paciente ena
dinâmicado
pré-natal.O
riscoque
existiria éo
habitualnormal
e inevitável se feitoem
qualquer outro lugar. Referiuque
avisava às gestantesque
aomenor
sinalou
qualquer possibilidade de risco, aindaque
14
abstrata
ou
intuitiva, seria levada àuma
matemidade,
para concluiro
parto.Quanto
ao aviso, a pessoachamava
quando
começavam
as contrações, e jáentrava
em
plantãona
trigésimanona
semana,porém
a partir da trigésima quartasemana
já podia fazero
parto; e se nascesse antes disto a conduta seria de ir aohospital. Fazia
no
mínimo
uma
consultana
casado
paciente, de preferência nasúltimas
semanas
e selecionavao
localdo
parto juntocom
o
casal.No
diado
partodependendo
das circunstância se definiam todos osdetalhes.
Em
geral faziao
partoLeboyer
de cócoras,mas
já fezem
posiçãodeitado, ajoelhada , de quatro e
submersa
em
água
moma.
A
decisão dequem
iria participardo
parto era feita principalmente pelamulher.
O
problema
eraquando
tinhaalguém
com
medo
pois contagiava epodia deixar insegura a
mulher.Quando
em
geralhaviam
irmãosdo
bebê,estesajudavam
dealguma maneira na
evoluçãodo
parto.Se
tudo estivesse saindobem
e omarido ou
amãe
da parturiente quisessem,poderiam
recebero neném.
O
que
sim,o médico ficava
bem
próximo
pois erafeito quase
no
escuro, às vezescom
luz indiretacomo
velaou
abajur eo
quartobem
aquecido.A
decisão de ir à maternidade, caso precisasse, era reservada aomédico
poisalgumas
parturientesnão
quiseram ser transferidas aindacom
a indicaçãomédica, e este por sua
vez usava
critérios técnicos para saber se era necessário,ou
seja,nao
esperavaque
a paciente estivesse mal, cansada, desidratadaehipoglicemiada.
Quanto
a evoluçãodo
trabalho de partonão
estabeleciauprazo de
tempo
fixo,mas
sim
se estivesse tranqüila, hidratada, alimentada e oparto evoluindo
bem.
Em
partos mais lentos ofereciaágua
emel
para evitarque
se desidratasse e acumulasse ácido láctico,
o que
a deixariamais
tensa,contraída, dolorida, e cansada. Dentre os fatores
que impediram
de fazer algu partoem
casaestavam
a faltade
condições emocionaisda
parturiente, a apresentação fetal inadequada e habitação inadequada .Nunca
teve pacientecom
doenças infecciosas,com
HIV
e com?malformações.
Cuidava
com
a possibilidade de hemorragia pós-parto e por istosempre
ficava cinco horas depois
do
parto pois justamente nesse períodoque há
omaior
perigo de ter hemorragia.
Outro
dos sinaisque o
fazia decidir a ida para amatemidade
era a freqüência cardíaca fetal abaixo de 100.Nunca
tevenenhum
problemas
com
o
recém
nascido enunca
necessitou aspirá-loou
reanimá-lo.Dentro
de sua condutaePD
preferianão
induzir as contraçõescom
medicação.Se
tinha indicação formalde
indução preferiaencaminhar
ao hospital.Em
quanto a analgesiatambém
preferianão
usar. Referiuque o
melhor
analgésico é o carinho e beijo
do marido
e o afetoda
família.Não
fazia tricotomia,lavagem
intestinal e episiotomia de rotina.Quanto
aos materiaisque
levava estava o material para sutura, anestesia, tesoura para cortaro
cordão,aparelho para aspiração,
ambu,
estetoscópio, sonar, fita métrica, balança,agulhas de acupuntura, balança e régua antropométrica.
Outro cuidado
que
tinha erao
de fazer o partoem
uma
casaque
estivesse amenos
de40
minutos para chegar ao hospital, pois dentro dessetempo
eliminavaa possibilidade de
algum
risco adicional para oPD.
Em
relação aoque
consideroucomo
vantagens e beneficio de fazero
PD
éque
amulher
eo
casal estãona
plenitudeda
sua capacidadede
ganharo
neném,
sem nenhum
fatorextemo
de stress eno
próprio ritmo de partoque
é diferentepara cada partturiente .Se ela
começasse
a fazero
partoem
casa e terrninassetendo
que
fazer cesárea,segundo
ele seria certezade que
se elacomeçasse o
parto
no
hospital, iria fazer cesárea de qualquer jeito.Outro
beneficio, éque
amulher não
passava pelo stress de chegarna
matemidade
e terque
voltar senão
estivesse
no
momento
exato de tero neném, porque o
ir e vir para a16
PD
há muito
menor número
de cesáreasem
comparaçao
com
estatísticahospitalar. Outra
vantagem
é ado
custo,que
émuito
mais baixodo que
e hospital e clínica.Nascer
em
casa émais
lindo eachou
quenão há maior
riscode fazer parto
em
casado que
em
um
hospital, principalmente por toda suaconduta
com
um
intenso trabalhono
pré-natal,conhecendo
a dinâmicado
casale
da
família; ena
horado
parto passava todos os minutos ao ladoda
parturiente,tendo os equipamentos necessários e precaução de ir para o hospital ao
menor
sinal de
algum
problema.Achou
que
essa tendênciado
PD
não
aconteceno
Brasil por falta deinvestimento
do
govemo
eempresas
de saúde,mas
acreditaque
isso seráu
assunto para o futuro,
que
será realizado e indicadoquando houver mais
interesse
na
saúde.Também
achaque não
serãomédicos
osque
farão osPD,
esim
enfermeiras obstétricas, devido a falta de paciência, o ímpeto de ser intervencionista e a falta detempo
para dedicar muitas horas parauma
só pessoa.Segundo
eleo
parto éum
fenômeno
natural, eo
técnico pela suaformação tem
a necessidade de intervir.O
ideal para o futuro, seriaque
existisseuma
unidademóvel
hospitalarna
frenteda
casaem
que
estivesse sendo realizado o parto, para as possíveisintervenções .
Sua
visão éde
que
os parto feitosem
casaacontecem
deuma
maneira
tãolinda e tão marcante,
o que
não
sucedeno
hospital pois lá a parturiente éuma
paciente
que
é controlada e perde sua própria concentraçãono
parto e sualiberdade de expressão.
Dessa
maneira,no PD,
tanto as parturientes quanto o médico,vivem
intensamenteo
parto: a família ri, chora, se abraça, e fica`a~`
C
-2
~
5.DISCUSSAO
Em
relação aos determinantesda
escolha de parto hospitalarou
em
casaexiste
um
modelo
deequação
estruturalque
indicouque
os fatores sociais,especialmente a corrfiança sobre outras crenças e
modos
de pensar sobre oPD
e expectativas dos cuidados hospitalares duranteo
parto,foram
de longe os fatoresmais
fortes de escolha. Fatores pessoaismedidos
como
status de saúde antes e durante a gravidez, a existênciade
sintomasmenores
eo
medo
da dorou
complicações duranteo
partoforam
encontradoscomo
insignificantes e co influência indireta. Estas informações indicamque
enfatizando osbons
resultados e a excelente qualidade nos cuidados
em
casado
partoapoiam
efortificam a aceitação geral dos partos
em
casa SJ4.Nas
entrevistas feitas, asmães
referiram basicamente omesmo
motivo
de escolhado PD, que
também
foi relatado pelo médico,que
é a necessidade de terum
parto maishumano,
especial e natural, associadocom
a corrfiança deuma
prática segura para as parturientes e
recém
nascidos.Em
geralhá
uma
discrepância entre o interesse expressadoda
população eidade reprodutiva
em
fazer partos alternativos e osque
realmente são realizadospela
mesma,
sendobem
menor
o
número
dePD
realizadosque o
número
deinteressados pelo
mesmo.M[Á
maioria das pesquisas masculinas e femininasmostraram maior
interesse pela escolha de partos hospitalares convencionais 15.As
preferências porPD
foram
associadascom
as mulheres multíparasenquanto
que
as mulheresque
nunca
tiveram filhosficaram
indecisas, e istoéum
sinalde
que
amulher
quer opçõesno
tipo de parto 115. Já nos três casos dasentrevistadas neste trabalho, constatou-se
que
todas fizeram a escolha dePD
".`
,. ݢ
18
z
médico
entrevistado acreditaque
o perfil se relacionemais
com
casaissem
problemas
conjugais, e casaiscom
algum
tipo de contato anteriorcom
outros paísesonde
se realizavamais
oPD
que no
Brasil eque
obtiveramuma
O
~ ~ ~
informaçao
mais
detalhada sobreo
mesmo
paratomar
a decisaocom
convicçao.Muitas mulheres acreditam
que
fazero
partono
hospital é mais seguroque
em
casa; outrastêm
pouco conhecimento
das vantagens e desvantagensde
fazero
partoem
casa eno
hospital,embora
tenha havidouma
demanda
substancialpara informação adicional, e
somente
uma
minoria estámelhor
informadaque
as demais. Outra minoria expressouâespontaneamente hostilidade por todos os
tipos de confinarnentos
em
casa 3.Em
paísesonde
as mulherespodem
requererPD,
das que assimo
fazedurante a gestação, até 2/3 das mulheres
não recebem opções
sobre 0 lugardo
parto, outras tantas são referidas para o hospital antes
de
entraremem
trabalhode
parto ealgumas
maisvão
para o hospital duranteo
trabalho de parto, o queindica
que
em
tais lugares a prevalênciade
PD
poderia ser maior se existissemais opção de
se realizaro
PD16. Para muitas famílias requerer oPD,
é devido auma
importante valorização desta prática, fatoobservado
deuma
forma
marcante para todas as entrevistadas.Só que
é raro osmédicos
gerais apoiarem,possivelmente pela falta de entendimento das suas responsabilidades e das
enfermeiras obstétricasló. Esta informação
pode
explicar o comentáriodo
~
médico
entrevistado deque
seus colegasmédicos
nao
aceitavam a possibilidadede PD.
Dentre as enfermeiras obstétricas, as
que
sãomais
positivas sobre osPD
enão
consideramque
este tipode
parto envolva riscos,acabam
realizandou
maior
número
dePD.
A
opinião das enfermeiras sobre a necessidade esegurança deste trabalho
tem
um
efeito positivona porcentagem
de realizaçãodo
mesmo.
Aqueles que
tentam ser contrao aumento da
prática dePD
devede que
semais
mulheres tivessem a informação correta sobrePD comum
esclarecimentomédico
imparcial e a oportunidade de realizaçãodo
mesmo,
quiçá seriamaior
a prevalência dePD
no
Brasil eno
mundo.
Quando
secompara
mulheresque
escolhemPD
e parto hospitalarantecipadamente e
acompanhadas
desde a primeira consulta pré-natal até trêsmeses
depoisdo
parto se constataque
durante o parto,o
grupode
PD
necessita~ ~
significantemente
menos
medicaçao
emenor
intervençao médica, enquantoque
nenhuma
diferença se encontra na duraçãodo
trabalhode
parto ena
hemorragiamaterna.
Morte
pré-natal chega a tero
mesmo
número
paraambos
os grupos.~
Em
geralnao há
diferença quantoao
peso de nascimento, idade gestacionalou
condição clínica.A
taxade Apgar pode
ser ligeiramente maiorno
PD. Sendo
assim,
mulheres
saudáveiscom
gravidez de baixo risco, quedesejem
ter partoem
casa,não aumenta
o risco para elasnem
para os bebêsem
relação ao partohospitalarlo.
Não
existe relação entre o lugardo
parto eo
resultado perinatal e/11.1~
mulheres primíparas
com
antecedentes favoráveisou nao
(antecedentes sociais,médicos
e obstétricos)em
mulheres,com
gravidezde
baixo risco. Já nas mulheres multíparas, o resultado perinatalpode
ser significantementemelhor
para
PD
que
para partos hospitalares eletivos,com
ou
sem
controle das variáveisde seus antescedentes.
Quando
se falaem
considerar melhores resultadosperinatais, são aqueles baseados
na
proposta de melhores resultadoscom
menores
intervenções.Os
partos domiciliares sãono
mínimo
tãobons
quanto ospartos hospitalares nos casos de gravidez de baixo risco U.
A
definição do
que é gravidezde
baixo risco variaum
pouco
para cada país,mas
no
Brasil,segundo
TEDESCO/MS(l999),
os fatores de riscona
gravidez~
estao dentro das características a seguir.
20
z
- Idade
menor
que
15 emaior
que35
anos-
Ocupação:
esforço físico, carga horária, rotatividadede
horário, exposição aagentes físicos, químicos e biológicos, estresse.
- Situação conjugal instável -
Renda
familiar baixa-
Condições
ambientais desfavoráveis - Pesomenor
que
45
emaior que
75kg
-Dependência
de drogas lícitas e ilícitas~
-
Condiçoes
psicológicas alteradas2.H1sTÓR1A
REPRODUTIVA
ANTERIOR
-
Morte
perinatal explicada e inexplicada-
Recém-nascido
com
crescimento retardado, pré-termoou
malfonnação
-Abortamento
habitual- Esterilidade e multiparidade -
Síndrome
hemorrágica' hipertensa - Cirurgia uterina anterior3.DOENÇAS
OB
STÊTRICAS
NA
GRAVIDEZ
ATUAL:
-
Desvio
quantoao
crescimento uterino,número
de fetos evolume
de líquidoarnniótico
- Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada -
Ganho
ponderalinadequado
- Pré-Eclâmpsia
-
Amniorrexe
prematura -Hemorragias
da
gestaçãoIsoimunizaçao
4.rNTERcoRRÊNc1As
CLÍNICAS
- Cardiopatias -Pneumopatias
- Nefropatias - Endocrinopatias -Hemopatias
- Hipertensão Arterial - Epilepsia -Doenças
Infecciosas - Ginecopatias - Etc.O
risco perinatal associado aPD
na
Inglaterra nas poucas mulheresque
fizeram estaopção
é baixo ena maior
parte inevitável se fosse feitoehospital.
No
entanto autoridades de saúde nos cuidadosmatemos
acrescentamque
há
muito mais risco associadocom
partonão
planejado forado
hospitalms.
Istopode
seruma
hipótesede que algumas
mulheres emédicos
não são a favordo PD,
poispoderiam
confundirum PD
eletivocom
um
parto feitoem
casa sesuporte
de
um
médico ou de
uma
enfenneira obstétrica.Trabalhos
que
examinaram
a segurançado
PD
planejado inclusive cosuporte
de
um
moderno
hospital e o parto planejadono
hospitalchegaram
àconclusão
que
não há
diferença significativana
mortalidadedo
perinatal entreos dois grupos.
A
principal diferença nos resultado são amenor
freqüência de baixoAPGAR
ede
severas lacerações perineaisem
PD,bem como
se relatamenor
intervençãomédica
em
PD
de gestantes seletivascomo
indução, episiotomia,manobras do
parto vaginal e cesariana 18.Em Florianópolis,segundo
dadosSINASC/MS,
a taxa de cesáreasem
1997 foi de42%.
Í. Ê
22
O
médico
entrevistado relatouque
fazum
partocom
todos os cuidadosobstétricos necessários,
porém
preferenão
fazernenhum
tipo de intervençãocirúrgica e medicamentosa.
Seus
resultados se refletiramem
237PD
com
apenas 17 (7.l%) cesáreas(bem
menor
em
comparação
com
as taxas de cesáreas dospartos hosspitalares
em
Florianópolis), 18 (7.5%) partosque não
concluíramem
casa esem
nenhuma
morte
fetal e materna;o
que
é muitobom.
Istoprovavelmente é conseqüência
do
queo
própriomédico
comentou que
além deque
amulher
em
casa estána
plenitudeda
sua capacidadede
parir,também
estáapoiada
de
um
manejo
correto e seguroque
inicianuma
boa
entrevista, e segue\\ .
com
um bom
pré-natal filtrando para o partonapenas gestações de baixo risco.Desta forma,
quando
a informação passa a serdada
melhor
e corretamente, e a realizaçãodo
PD
dentrode
conduta adequada, passa a ser constatadocomo
um
método
seguro e alternativa viável,como
ocorrena
Nova
Zelândia,onde
oPD
écada vez
mais
popular 7.O
PD
pennanece
raroquando
feito pormédicos
epouco
se sabe das preferências das mulheresem
idade reprodutiva 3.Na
opiniãodo médico
entrevistado, este fato se
deve
ao longotempo que
demanda
o
atendimento deum
PD
e a falta de paciênciaque pode
terquem
possuiuma
formação
técnicaintervencionista,
como
é o caso de muitos médicos.Com
tudo isto acha queno
futuro esta atividade será
mais
realizada por enfermeiras obstétricas.A
taxa de mortalidade perinatalem
casosde
gravidezcom
pós-data,gemelares e apresentação pélvica nos resultados
em
PD
quando
atendidos porenfermeira obstétrica é
maior
e estatisticamente significantedo que
os atendidospor médicos. Essas diferenças desapareceram
quando
se analisauma
gravidezque não
envolve este tipode
ocorrência na amostra.Os
achadostambé
levantam questionamentos sobre a segurança dosPD
de
alto risco 1930.Um
doscasos das
mães
entrevistadas foi o deuma
parturienteque
estavaacima
dosnormal
de
seleção paraPD.
Porém
sua gestação e parto tiveramum
acompanhamento
adicionalcom
outro obstetra,bem
como
um
esquema
preparado
de
translado àuma
clínicana
horado
partoem
casode
necessidade.Finalmente
o
parto concluiu na clínicasem nenhuma
complicação.Resultados
sugerem
que pelomenos
5%
das mulherescom
gravidezadequada
paraPD
requerem
a transferênciano
trabalho de parto emostram
também
que
para osPD
se deve ter habilidadeem
ressuscitaro
recém
nascido e os materiais necessários para a ressuscitação e entubaçãoquando
sefizer
necessário.
A
associação britânicade
pediatria sugeriu quesomente
0,2 porcento dos partosde
baixo risco necessitam de ressuscitação,porém
há
trabalhosque
sugerem que
a necessidade émaior
21.Com
omédico
entrevistadoo
material deressucitação
sempre
esteve presente, ainda quenunca
foi utilizado,porém
a taxade
transferência paraem
maternidade foiem
total de 15.6%,0 que pode
serum
fatorque demonstra
prudênciana
condutado médico
entrevistado.Dentre as razões
mais
comuns
de
PD
que necessitam de transferência parao
hospital está a falha
no
progressodo
trabalho de parto, eque
apesarda
resistência das pacientes
com
a intervenção médica, ela é feitaem
até63%
daspacientes transferidas, seja
com
distração por vácuo, fórcepsou
cesárea 22.Nos
casos de
PD
realizados pelo entrevistado,também
omaior
motivode
transferência para o hospital foi a falha
na
evoluçãodo
trabalhode
parto seguido por casosde
hemorragia.Não
foi referido de que forrna concluíram os 18 (7.5%)partos
normais que
tenninararnna
matemidade
de
um
hospitalou
clínica,ou
seja , se necessitaram
algum
tipode
medicação, fórcepsou alguma
outramanobra
obstétrica.A
mortalidade intraparto duranteo
atendimentodo
PD
é concentradšew
gestantes
com
evidência depassagem
meconial.Melhores
resultadosdependew
também
de
uma
simples,mas
consistente seleção para partos hospitalares11
Z
./ ( c/ -$ '24comunicação
e transporte paraPD
a hospitaisquando
necessário,com
orientação de rápido cuidados de emergência 23.
O
médico
entrevistadotambém
mencionou
que o ideal paraum PD
é a presençana
frenteda
casada
parturientede
uma
unidade hospitalar móvel.Como
aindanão
dispõe desta ferramenta,o
que
faz é realizaro
parto amenos
de quarenta minutos de distânciado
hospital.E
para a seleção das interessadasem
PD,
consideramuito
importantetambém
saber
da
motivação das gestantes para omesmo
e informações dos seus aspectos emocionais.As
mulheresda
Holanda
com
gravidez de baixo risco são livres paraescolher
onde
fazero
parto, seem
casaou
no
hospital, e se atendidas poruma
parteira independente
ou
porum
médico
geral.Se
amulher
tiver planejadoo
PD
e tiveralgum problema
durante o trabalho de parto, ela terá de sertransferida para o hospital. Destas mulheres, as
que
gostariamde
dar a luzem
casa,mas
foram transferidas para o hospital por necessidade mostraram-sepositivas sobre o parto,
bem
como
puerpério precoce e o atendimento da parteiraque
as atendeucomo
sefossem
gestantesque
optaram pelo parto hospitalar.Uma
transferêncianão
planejada deum
PD
planejado parao
hospitaltem pouca
influencia
na
experiênciado
nascimento 1446. -As
duasmaes
pesquisadasque nao terminaram
o trabalhode
partoem
casa,sendo
uma
levada à maternidadede
um
hospital e outra àuma
clínica particular,comentaram
espontaneamenteque
valorizarammuito
ter estadoem
casa duranteuma
parte do trabalho de parto.E
as trêsmencionaram
que
ficaram
muito
satisfeitas
com
oPD,
eque
realizaram as expectativas de acordo às motivaçõesiniciais, inclusive todas
recomendaram
oPD
para as q/uêmães
que
queiram.Outro
dado
importante sobreo
PD
dentrode
uma
visãomacro
do que
é a situação geral dos partosemum
país, éque
as decisões sobre o partonão
deveriam
sertomadas
sem
as informações sobre os custos, taxas de sucesso ez\ 4/ ilz ¡. 1 r L 1 ~
e centros de nascimento.
A
média
de partos normaissem
complicaçao custa68
%
menos
em
casado que
no
hospital,sem
contarcom
que
os partos iniciados~
em
casa oferecemuma
taxacombinada
mais baixa de complicaçoes e cesáreas;o
que
abaixaria ainda mais as taxas de custosdo
PD13.Com
estas entrevistas, se observou a importânciado
aspectoemocional
deum
parto mais humanizado,como
é o casodo
PD
eletivo; eque
para gravidez de baixo riscoquando
feitopor
um
profissional preparado e dentrodos
padrõescorretos de conduta obstétrica, é viável e
não
possuimaior
riscoque
o
parto hospitalar.A
informação adicional e personalizada é necessária paraque
asmulheres
possam
fazeruma
livre e consciente escolha sobre o localdo
partofomecendo
as informações importantes deuma
forma acessível, paraque
sepossa
oferecerconhecimento
às pessoas interessadas, incluindo todos os aspectos concernentes aoPD,
como
os riscos e benefíciosdo
mesmo
23. Destamaneira
e de acordotambém
com
a opiniãodo médico
entrevistado,com
todosos benefícios citados e por citar, o
PD
poderá seruma
tendência eopção
regular entre os tipos de partosno
sistema de saúde brasileiro,quando
se investir maisem
saúdeno
Brasil. / V z /- _»/. r26
~
6-CONCLUSAO
Dentre os motivos principais
de
escolha das gestantes para oPD
observados nas entrevistadas, está ode
quererum
parto maishumanizado,
em
um
ambiente especial, familiar, tranqüilo e livre, diferente do hospital e seucaráter impessoal
com
tendência intervencionista.Todas
relataram satisfação e expectativas realizadas. Inclusive asque
terminaramo
partoem
clínicaou
hospital,
comentaram
espontaneamenteque
ficaram
satisfeitas pelas horasque
passaram
em
suas casas durante o trabalho de parto.Complementaria
à entrevista dasmães
foi ado
médico
quecom
o
relato desua conduta e resultados, observou-se a importância
do
aspectoemocional
deum
partomais humanizado,
como
éo
casodo
PD,
e quetem
um
grandepotencial
de
benefícios e a possibilidadede
não havernenhum
risco adicionalpara gestantes de baixo risco
em
relação aos partos hospitalares se utilizado aconduta e ferramentas
adequadas
com
critérios técnico-científicos.Desta
maneira
é possívelque
se a população tivesse a informação adicionalnecessária
que
incluísse todos os aspectos concernentes aos tiposde
parto, epudessem
fazeruma
livre e consciente escolha sobreo
local de parto deuma
forma
acessível e regular, poderia sermaior
a prevalência dePD
no
Brasilcom
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