A S M E D I D A S F I S C A I S N A P R O P O S T A D E P R O G R A M A D E G O V E R N O P S ( V )

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TAX & BUSINESS

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A S M E D I D A S F I S C A I S N A P R O P O S T A D E

P R O G R A M A D E G O V E R N O P S ( V )

Pretende-se, com esta — a quinta — Informação, apresentar uma síntese das principais medidas fiscais constantes da Proposta de Programa de Governo para a XIII Legislatura, para as legislativas de 2015, apresentadas pela Comissão Nacional do Partido Socialista (PS)1, na

sequência do entendimento obtido com o Bloco de Esquerda (BE), com o Partido Comunista Português (PCP) e, bem assim, com o Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV).

A presente Informação não inclui a análise das medidas constantes nas Posições Conjuntas sobre solução política assumidas pelo PS com o PCP, o BE e com o PEV.

Recorde-se que, nas informações anteriores, foram divulgadas e comentadas as principais medidas fiscais apresentadas pelos diversos partidos e

1http://www.ps.pt/images/imprensa/comuni

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coligações (I – PS2; II– PCP3; III – BE4; IV –

Coligação PSD/CDS-PP5).

I. I.I.

I. AAAAS PROPOSTAS FISCAIS DO S PROPOSTAS FISCAIS S PROPOSTAS FISCAIS S PROPOSTAS FISCAIS DO DO DO PSPSPSPS

A Comissão Nacional do PS divulgou, recentemente, a sua proposta de programa de Governo para a XIII legislatura, propondo, a título principal, as seguintes medidas fiscais:

1. Aumentar a progressividade do IRS, nomeadamente através do aumento do número de escalões; 2. Extinguir a sobretaxa de IRS, entre

2016 e 2017; 2http://www.rffadvogados.com/xms/files/KN OW_HOW/Newsletters/2015/7_-_Julho/As_propostas_fiscais_nas_legislativas_ 2015_-I-__PS.pdf 3http://www.rffadvogados.com/xms/files/KN OW_HOW/Newsletters/2015/8_-_Agosto/As_propostas_fiscais_nas_legislativa s_2015__II_PCP.pdf 4http://www.rffadvogados.com/xms/files/KN OW_HOW/Newsletters/2015/9_-_Setembro/As_propostas_fiscais_nas_legislati vas_2015_BE.pdf 5http://www.rffadvogados.com/xms/files/KN OW_HOW/Newsletters/2015/9_-_Setembro/As_propostas_fiscais_nas_legislati vas_-IV-_PSD_CDS.pdf

3. Tornar elegíveis para crédito fiscal automático, de 25%, no âmbito do Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI), investimentos até 10 milhões de euros (o valor actual é de 5 milhões de euros); 4. Lançar o “Programa Semente”,

com benefícios fiscais para quem queira investir em pequenas empresas, em fase de start-up ou nos primeiros anos de arranque; 5. Melhorar as deduções à colecta

para os baixos e médios rendimentos;

6. Criar um imposto sobre heranças de elevado valor, contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva, atendendo ao elevado nível de tributação sobre o rendimento do trabalho, à elevada desigualdade de rendimentos e de património e ao facto de a actual ausência de tributação das sucessões levar a que as mais-valias não realizadas em vida do titular escapem totalmente à tributação (este imposto deverá ter em conta a necessidade de evitar fenómenos de múltipla tributação internacional de sucessões);

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7. Eliminar o quociente familiar, substituindo-o por uma dedução por filho, com neutralidade fiscal; 8. Rever a tributação municipal do

património, ponderando a introdução da progressividade no IMI;

9. Introduzir uma cláusula de salvaguarda que limite a 75 euros/ano os aumentos de IMI decorrentes da reavaliação do valor patrimonial tributário do imóvel que seja para habitação própria e permanente de baixo valor;

10.Converter os benefícios fiscais contratuais, em sede de IRC, em benefícios fiscais de funcionamento automático;

11. Alargar o sistema de estímulos fiscais às Pequenas e Médias Empresas, em sede de IRC;

12. Criar um sistema de incentivos à instalação de empresas e ao aumento da produção nos territórios fronteiriços, designadamente através de um benefício fiscal, em IRC, modulado pela distribuição regional do emprego;

13.Reverter, no que toca à recente reforma do IRC, a participation exemption, regressando ao mínimo de 10% de participação social, e alterar o prazo para o reporte de prejuízos fiscais, reduzindo-o de 12, para 5 anos;

14.Criar um quadro de estabilidade na legislação fiscal, nomeadamente garantindo que as alterações aos aspectos fundamentais dos regimes fiscais são feitas, apenas, uma vez na legislatura;

15. Permitir que quem tenha um crédito fiscal perante o Estado ou outras entidades públicas possa compensá-lo com créditos que a Administração tributária e a Segurança Social tenham para com essa pessoa/empresa, desde que se trate de pessoas singulares ou micro, pequena ou média empresa com rendimentos ou receitas inferiores a um determinado valor; 16.Proibir a execução fiscal sobre a

casa de morada de família, relativamente a dívidas de valor inferior ao valor do bem executado, com suspensão da penhora da casa de morada de família nos restantes casos;

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17. Eliminar a exigência de envio de documentos duplicados, ou excessivos, e de obrigações declarativas desnecessárias;

18.Rever coimas excessivas e o valor dos juros por incumprimento de obrigações tributárias;

19.Limitar a realização excessiva de inspecções tributárias sucessivas e permanentes a pessoas singulares e a pequenas e médias empresas; 20.Privilegiar a arbitragem e outros

meios alternativos e expeditos de resolução de litígios, designadamente diminuindo a taxa de arbitragem na ausência de prévia reclamação graciosa e recurso hierárquico e promovendo novas possibilidades de migração de processos dos Tribunais do Estado para a arbitragem;

21. Reduzir os custos associados à arbitragem tributária, para que os contribuintes com menores recursos, ou com questões tributárias de valor reduzido, possam, também, beneficiar desta forma rápida, ágil e eficaz de resolução de conflitos em matéria fiscal;

22.Agilizar as situações e condições em que pode ser negociado e aceite um plano de pagamentos por dívidas tributárias e à Segurança Social.

I. I.I.

I. BBBBREVES REVES REVES REVES CCCCOMENTÁRIOSOMENTÁRIOSOMENTÁRIOSOMENTÁRIOS

A medida que prevê o aumento da progressividade do IRS, através de um aumento do número de escalões, pode vir a ser favorável para contribuintes de menores rendimentos, desfavorecendo, certamente, os contribuintes de mais altos rendimentos, que verão aumentadas as suas taxas de tributação, provavelmente em valor bem superior ao da eliminação da sobretaxa. O PS quererá com esta medida, certamente, no mínimo, um impacto fiscal neutro, isto é, que não implique perda de receita fiscal, uma vez que o aumento da taxa aplicável aos contribuintes com rendimentos mais elevados acabará por compensar a diminuição da taxa aplicável aos rendimentos dos escalões de base. Contudo, na prática, poder-se-á vir a observar uma tendência para a evasão ao âmbito de incidência deste imposto, prejudicando os objectivos da medida proposta e, bem assim, gerando sentimento de instabilidade fiscal, que deve ser evitada.

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A eliminação da sobretaxa de IRS é de elementar bom senso e justifica-se pela natureza (aberrante) que apresenta a sua configuração, atento o carácter extraordinário que, desde o início, assumiu. Contudo, ainda que a medida seja desejável e recomendável, dever-se-á verificar a sua possibilidade em termos orçamentais, e não a sua substituição por novos escalões e taxas, no IRS, mais elevados, como é provável que aconteça. As medidas que criam um regime privilegiado de tributação ao investimento são, à partida, benéficas para a economia portuguesa, podendo ter impacto “importante” na recuperação e criação de empresas. A receita não obtida, em virtude dos benefícios, numa primeira fase, poderá ser recuperada, em virtude de receita posterior, fruto da dinamização da economia, mas há que ponderar uma análise dos custos-benefícios desta medida.

A melhoria das deduções à colecta para os baixos e médios rendimentos visará o alívio da carga fiscal para os contribuintes com menores rendimentos, em linha com a eventual redução das taxas de IRS, nos escalões correspondentes, não se explicitando, contudo, onde o Estado irá recolher a receita que, deste modo, certamente, perderá.

A recuperação do imposto sobre as sucessões, ainda que a proposta inclua, apenas, as heranças de elevado valor, prejudica a desejável estabilidade e competitividade fiscais. A proposta apresentada peca, ainda, por falta de concretização, já que nela não se define o conceito de “heranças de elevado valor”. O anterior imposto sobre as sucessões tinha sido abolido pela sua complexidade e baixa performance em termos de receita, o que, de resto, não se prevê que possa necessariamente suceder, com esta nova formulação, atenta a derrogação do sigilo fiscal, neste momento.

O quociente familiar tem sido utilizado, em França, há cerca de 40 anos e peca por gerar uma enorme complexidade. Contudo, em Portugal, acabou de ser concretizado, estando em vigor, apenas, desde 1 de Janeiro deste ano. Eliminá-lo agora provocará nova incerteza quanto ao rumo da tributação, gerando nova instabilidade fiscal que não será benéfica em termos de competitividade e de projecção internacional.

A medida que passa pela revisão da tributação do património, por seu turno, ponderando a introdução da progressividade no IMI, acabará, certamente, por significar um novo aumento deste imposto nos imóveis que

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não sejam para habitação própria e permanente, o que acabará por prejudicar os contribuintes com maior património imobiliário, desincentivando, na mesma medida, o surto de investimento imobiliário estrangeiro a que se está a assistir em Portugal. Ademais, ao contrário do IRS, este imposto deve ser, pela sua natureza, proporcional, devendo ser baixo, por ser pago com rendimento (e não por entrega de património).

A conversão de benefícios fiscais contratuais em automáticos, em sede de IRC, não é medida inovadora e implicará, até, menor controlo da despesa fiscal associada. De facto, já existem benefícios fiscais automáticos para investimentos até cinco milhões de euros, ao abrigo do RFAI, pelo que o âmbito desta medida será o alargamento da elegibilidade para investimentos de valor superior.

As medidas de apoio às PME e de incentivo à instalação de empresas em zonas geográficas com menor investimento são benéficas para a competitividade da economia portuguesa. As PME têm sido o motor da nossa economia e as zonas com menor densidade demográfica necessitam de estímulos para o seu desenvolvimento e, principalmente, para a fixação de

população mais jovem, pelo que a medida poderá justificar-se.

O regime actual da participation exemption é um dos mais atractivos na Europa e, em conjunto com o de patent-box, pode posicionar Portugal como plataforma preferencial de investimentos com destino ou origem na Europa e para África. A sua reversão, através da medida proposta, além de gerar nova instabilidade fiscal — incompreensível após tão recente alteração fiscal estruturante — tem efeitos regressivos da atractividade fiscal do nosso país, tanto em termos de investimento interno, como de investimento externo, o que, na conjuntura actual, tem forte sinal negativo.

As propostas que permitem criar um quadro de estabilidade na legislação fiscal são bem sensatas e visam dar confiança aos investidores. É, no entanto, medida que todos ambicionam, mas bem difícil de alcançar. Veja-se, a propósito, a (contraditória) vontade de se acabar com o quociente familiar, ou de alterar a tributação em sede de IRC, plasmada nestas medidas, que incidem sobre reformas estruturais adoptadas e implementadas recentemente.

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A medida que cria a possibilidade de compensar créditos perante o Estado ou outras entidades públicas com créditos fiscais ou da Segurança Social, a ser aprofundada, revela-se positiva. É, contudo, ambiciosa e de difícil concretização, uma vez que exige comunicação bem estreita entre várias entidades e severa fiscalização.

A proibição de execuções fiscais sobre a casa de morada de família é medida já concretizada noutros países e, parece-nos, garante de direitos fundamentais dos contribuintes.

A eliminação das exigências do envio de documentos duplicados ou excessivos, assim como a eliminação de obrigações declarativas desnecessárias, foi preconizada pela Comissão de Reforma do IRC e visa eliminar burocracias e custos de contexto, procurando, também, atrair investimento. É medida eficaz, mas não inovadora, tendo vindo a ser concretizada nas legislaturas anteriores.

As medidas que visam a revisão de coimas excessivas e de juros por incumprimento de obrigações tributárias, assim como a medida que ambiciona limitar a realização (excessiva) de inspecções tributárias sucessivas e permanentes, são de louvar, pecando, apenas, por serem ainda

demasiado vagas e carecerem, por isso, de concretização

Quanto às propostas que visam privilegiar a arbitragem como meio de resolução de litígios, promovendo, deste modo, a migração de processos dos Tribunais do Estado para a arbitragem, pecam por poderem não dar resposta efectiva ao problema, uma vez que, ao “vulgarizarem” a arbitragem tributária, esta caminhará para deixar de ser meio “alternativo”, tornando-a, pelo maior volume de decisões, menos célere. Por outro lado, diminuir a taxa de arbitragem, na ausência de prévia reclamação graciosa e recurso hierárquico, é medida que desincentiva o recurso a estes meios administrativos de defesa, onde não se localiza o problema da demora na emissão de decisões.

A medida que almeja agilizar as condições para a obtenção de um plano de pagamentos por dívidas fiscais ou à Segurança Social visa desburocratizar a obtenção daquele por parte do sujeito passivo, mas é vaga e de difícil percepção. Em suma, as medidas constantes da proposta do PS para programa de Governo da XIII Legislatura, muito embora algumas sejam positivas, induzem também instabilidade fiscal e pecam, ainda, por platitude e falta de

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concretização, sendo medidas de sinal negativo no que diz respeito ao investimento externo em Portugal.

Lisboa, 18 de Novembro de 2015 Rogério M. Fernandes Ferreira Mónica Respício Gonçalves Marta Machado de Almeida Álvaro Silveira de Meneses

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Referências

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