Metodologia da Problematização:
fundamentos e aplicações
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Universidade Estadual de Londrina
Neusi Aparecida Navas Berbel (Organizadora)
Metodologia da Problematização:
fundamentos e aplicações
2ª tiragem (agosto / 2006) 500 exemplares
Impresso no Brasil / Printed in Brazil Depósito Legal na Biblioteca Nacional 1999
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Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional Bibliotecária Responsável Ilza Almeida de Andrade CRB 9/882
M593 Metodologia da problematização : fundamentos e aplicações / organização Neusi Aparecida Navas Berbel ; prefácio Leonardo Prota. Londrina : Ed. UEL, 1999. xvi, 196p. : il.; 21 cm.
ISBN 85-7216-218-6
1. Ensino Superior Problematização. 2. Ensino Superior Metodologia. 3. Ensino Médio Problematização. I. Berbel, Neusi Aparecida Navas.
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SUMÁRIO
Prefácio ... vii Apresentação ... ix A Metodologia da Problematização e os Ensinamentos de Paulo Freire: uma relação mais que perfeita ... 1 Neusi Aparecida Navas Berbel
Aspectos Pedagógicos e Filosóficos da Metodologia da
Problematização... 29 Maura Maria Morita Vasconcellos
Como superar Dificuldades em matemática Elementar no Ensino de Física. Um Estudo através da Metodologia da
Problematização ... 61 Márcia Donegá Ferreira
Ensino de História: Concepção e Prática no Ensino Médio ... 101 Maura Maria Morita Vasconcellos
A Disciplina Sociologia no Ensino Médio e a sua Contribuição para a Formação da Cidadania ...151 Rosemary Batista de Oliveira Gombi
A Metodologia da Problematização: um novo desafio para as
licenciaturas ...193 Neusi Aparecida Navas Berbel
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Prefácio
Metodologia da Problematização: fundamentos e aplicações constitui uma alternativa adequada para o estudo, o ensino, o trabalho e a investigação, assim como vem sendo proposto pelas autoras.
São ao todo cinco artigos: dois de fundamentos teórico-filosóficos e três contendo aplicações da Metodologia da Problematização em estudos de áreas de conhecimento utilizadas em disciplinas no Ensino Médio.
A professora Neusi Berbel, organizadora da publicação e também autora do artigo inicial, introduz a proposta, apresentando suas características e os artigos e também a conclui, com uma provacação para o uso da Metodologia focalizada por alunos e professores dos cursos de licenciatura. Dessa forma, pode-se perceber a importância do livro em tela no contexto das ações de apoio à formação inicial e continuada de professores, sobretudo no que diz respeito à formação de biblioteca básica do estudante de licenciatura e difusão de materiais inovadores desenvolvidas por pesquisadores e professores.
A Metodologia da Problematização, explorada de vários ângulos e demonstrada através de exemplos de seu uso em estudos de temas relevantes de ensino de História, Sociologia e Matemática/Física no Ensino Médio, pode ser uma importante contribuição para a melhoria da qualidade dos cursos de licenciatura, pelos conteúdos desenvolvidos e também pela divulgação do potencial da própria Metodologia.
A organizadora desta obra já publicou pela Editora UEL três outros livros, em 1998, dois deles com trabalhos teóricos e práticos exclusivamente sobre e com a Metodologia da Problematização. A presente obra acrescenta aspectos novos aos já apresentados anteriormente, marcando uma linha de estudos da pesquisadora, com seus alunos do Mestrado em Educação, na Universidade Estadual de Londrina.
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Pela clareza e correção dos textos, pela inovação no tratamento das temáticas nos cinco artigos, pela contribuição que podem trazer a professores e alunos de licenciaturas e professores e alunos de outros níveis e áreas de ensino, pelo conteúdo desenvolvido e pela Metodologia esclarecida e exemplificada em sua aplicação, a Editora UEL orgulha-se em apresentar ao público esta obra, tendo certeza de assim contribuir, de maneira eficaz, para a formação inicial e continuada de professores.
Londrina, dezembro de 1999 Leonardo Prota Editor
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Apresentação
A consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente em sua inconclusão num permanente movimento de busca. Paulo Freire É gratificante para o ser humano estar em movimento, reconhecê-lo e exercê-lo construtivamente. Esse é um dos requisitos para se estar no mundo e se agir dialeticamente.
Com esta convicção, esboçamos nesta publicação um movimento que vimos realizando nos últimos anos, de forma gradativa, semelhantemente a pequenas peças que vão se acrescentando a uma obra em construção.
Iniciamos com uma rápida retrospectiva desse movimento que afirmamos estar realizando.
Nossa atuação com a Problematização, utilizando o Arco de Maguerez, teve seu ponto de partida em 1992, junto a um projeto especial de ensino na área da Saúde, na Universidade Estadual de Londrina UEL.
Concomitante à prática, a reflexão passou a ser elaborada e um primeiro texto explicativo sobre a metodologia ali vivenciada foi escrito, com a finalidade de criar um entendimento sobre ela e facilitar um plano comum para praticá-la, por nós e pelos professores e alunos envolvidos.
Já naquele momento tivemos a convicção do potencial daquilo que passamos a denominar de Metodologia da Problematização, para trabalhos com alunos do ensino superior. O texto acabou sendo publicado em 1995, em número especial da revista Semina da UEL, junto com trabalhos de nossos alunos da 1ª turma do Mestrado em Educação.
A orientação e avaliação de trabalhos com esta Metodologia, com diferentes tipos de profissionais do ensino,
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associadas a leituras e releituras de autores progressistas nos estimularam a elaborar uma nova reflexão por escrito, na qual associamos o trabalho com o conceito de práxis e a formação da consciência da práxis, tendo como principal inspiração a obra de Adolfo Sánchez Vázquez A Filosofia da Práxis.
Publicamos mais essa reflexão em número especial da revista Semina, em 1996, junto com trabalhos de nossos alunos da 2ª turma do Mestrado em Educação da UEL, oriundos de várias áreas de atuação profissional.
Seus depoimentos sobre o que experimentaram ao aplicar a Metodologia da Problematização em seus estudos foram também registrados e analisados nesse novo texto.
A paixão por esse caminho de orientação e influência construtiva para a reflexão de nossos alunos sobre problemas existentes em sua docência ou em seu ambiente de ensino acabou gerando novos trabalhos publicados em três livros, em 1998, pela Editora da UEL, sendo que para dois deles, tivemos o privilégio de contar com o prefácio do Dr. Juan Diaz Bordenave, divulgador das origens da Metodologia que aqui tratamos.
Enquanto isso, caracterizávamos a Metodologia da Problematização comparando-a com uma proposta de organização curricular através da Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) com o objetivo de distinguir as duas propostas, o que foi divulgado na revista Interface, da UNESP de Botucatu, também em 1998.
Um convite para uma palestra na Semana de Paulo Freire do Departamento de Educação da UEL trouxe-nos a oportunidade de relacionar a Metodologia da Problematização com ensinamentos desse grande educador brasileiro. Apresentamos agora para a comunidade o texto que elaboramos para a comunicação, como mais uma peça de nossa reflexão construtiva sobre o potencial dessa Metodologia e seus possíveis fundamentos, já que o autor do Esquema do Arco, Charlez Maguerez, não nos deixou isso por escrito.
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Com o convite para publicação através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) propusemos-nos a organizar este conjunto de trabalhos relacionados à Metodologia da Problematização, como uma possível contribuição para a formação da biblioteca básica do estudante de licenciatura. Nesse sentido, além de dois artigos que apresentam fundamentos teórico-filosóficos da Metodologia, selecionamos três estudos que foram realizados sob nossa orientação, durante o curso de Didática no Mestrado em Educação da UEL e que tomaram como foco o Ensino Médio e seus problemas, em três áreas de conhecimento e ensino: Física/Matemática, História e Sociologia.
Tais estudos trazem um retorno importante para a formação de professores nas licenciaturas, através dos pontos que abordam, além de demonstrarem a possibilidade do próprio estudo e de outros tantos, por esse caminho metodológico que vimos explorando.
A leitura dos trabalhos permite constatar quão inovadora é a Metodologia da Problematização face ao tipo de ensino ainda vigente em nossas escolas de Ensino Fundamental e Médio, mesmo que já a tenhamos como possibilidade há décadas ou mesmo há séculos na literatura, em princípios elaborados por pensadores e educadores famosos, como Sócrates, Dewey, Marx, por exemplo, e reelaborados pelos brasileiros Paulo Freire, Dermeval Saviani, Jaime Paviani e outros.
Alguns aspectos essenciais podem servir de estímulo para a leitura dos textos que seguem.
O primeiro artigo, de nossa autoria, intitulado A Metodologia da Problematização e os ensinamentos de Paulo Freire: uma relação mais que perfeita, consiste na explicitação da análise das relações que podemos estabelecer entre as lições político-pedagógicas que nos legou Paulo Freire e as características da Metodologia da Problematização, ao mesmo tempo em que prestamos um tributo a esse grande Mestre da Educação.
Tomamos trechos de mensagens dele próprio em vídeo recente, antes de sua passagem, e trechos de outros conferencistas
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que nos precederam com suas falas, na Semana Paulo Freire, promovida pelo Departamento de Educação da UEL, para relacioná-los com o significado educacional da Metodologia da Problematização. Além disso, traçamos um paralelo com o que consideramos possuir laços mais que perfeitos com outras lições extraídas de dois de seus livros.
Dessa maneira, acreditamos oferecer aos leitores e àqueles que venham a experimentar a Metodologia da Problematização, subsídios teóricos que fundamentam essa metodologia, numa perspectiva de Educação Humanizadora e Problematizadora.
O segundo artigo, de Maura Maria Morita Vasconcellos, intitulado Aspectos pedagógicos e filosóficos da Metodologia da Problematização, traz nova investigação no sentido de ampliar esse movimento de busca e construção da temática.
Após apresentar as características pedagógicas da Metodologia da Problematização, Maura vai aos autores que explicam três importantes tendências filosóficas: a fenomenologia, o existencialismo e a dialética e estabelece as possíveis associações dessas tendências de pensamento com a Metodologia da Problematização, apoiada no que Bordenave e Pereira e depois Berbel têm descrito, explorado e enfatizado sobre essa forma de ensinar / investigar / agir, de modo a transformar o meio em que vivemos.
Temos então, dois textos que preparam o leitor para compreender os três exemplos de aplicação da Metodologia da Problematização apresentados a seguir, com estudos voltados para a formação de jovens no Ensino Médio, de que resulta, como conseqüência, entre outras tantas, também a formação de seus professores nos cursos de Licenciaturas.
Assim é que Márcia Donegá Ferreira, como professora de Física no Ensino Médio, deparou-se com dificuldades de aprendizagens de seus alunos nessa disciplina, que identificou como sendo causadas por um profundo desconhecimento de Matemática Elementar. Realizou então um estudo / investigação em busca de respostas e as descreveu no artigo Como superar
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dificuldades de Matemática Elementar no ensino de Física: um estudo através da Metodologia da Problematização.
Márcia apresenta um interessante histórico da Matemática e das razões de seu ensino, princípios metodológicos específicos e adequados para orientar a aprendizagem da Matemática e a relação entre ensinar e avaliar, quando se deseja realmente levar a compreender a matemática em constante construção e como importante facilitador das interações do homem com o mundo. Trata-se de um estudo estimulante para a reflexão do papel das instituições formadoras do professor de Matemática para atuação no Ensino Médio e Fundamental, pela importância desse conhecimento em si e como subsidiário de outras aprendizagens relacionadas à matemática.
Maura Maria Morita Vasconcellos, em seu artigo Ensino de História: concepção e prática no Ensino Médio, procura investigar até que ponto os professores de História do Ensino Médio de sua realidade próxima estão praticando um ensino comprometido com uma nova proposta de História e Educação. Enquanto isso analisa diferentes enfoques do ensino de História e oferece aos leitores várias possibilidades para pensar e realizar esse ensino. Seu trabalho, ao mesmo tempo que oferece a professores e alunos de História esse conjunto de reflexões e alternativas metodológicas, presta-se como material essencial para a formação de professores no Ensino Superior na licenciatura de História não só pela discussão do tema como pelos depoimentos de professores que atuam no Ensino Médio e que apresentam uma espécie de feedback à sua escola formadora.
Rosemary Batista de Oliveira Gombi, no artigo A disciplina Sociologia no Ensino Médio e a sua contribuição para a formação da cidadania, investiga a disciplina Sociologia sob vários ângulos e busca respostas para a necessidade de propiciar aos jovens em formação, através de seus conteúdos no Ensino Médio, a passagem do conceito de cidadania política para uma prática concreta de cidadania.
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Para isso, faz um resgate da evolução histórica do conceito de cidadania no Brasil, relaciona a cidadania com a educação e com os conteúdos da Sociologia. Busca a percepção que alunos de Sociologia do Ensino Médio têm sobre cidadania e além disso, apresenta exemplos de desenvolvimento de vários conteúdos, tal como o faz ao lecionar a Disciplina, visando exatamente a promoção da cidadania.
Rosemary conclui seu trabalho com propostas que podem ser estimulantes para professores de Sociologia do Ensino Médio e também do Ensino Superior, seus formadores.
Estas aplicações da Metodologia da Problematização caracterizam-se como estudos/investigações de problemas de ensino e não podem ser tomadas como as únicas possibilidades educativas da Metodologia. Compreendendo seus fundamentos, suas características e suas etapas, o professor pode desenvolvê-la no ensino de seus conteúdos com seus alunos, como já o fizeram muitos professores de Pedagogia, Enfermagem, Biblioteconomia etc., sem falar do projeto especial de ensino da área da saúde da UEL, que tem trabalhado com mais de 90% dos alunos do primeiro ano dos cinco cursos envolvidos. Esses trabalhos têm sido divulgados de várias formas.
Enfim, o mesmo caminho dos estudos aqui expostos pode ser utilizado pelo professor com seus alunos, e os resultados se multiplicam na mesma medida em que se amplia o número de participantes, pela riqueza de seu potencial provocador de transformações.
O professor / educador, consciente de seu papel mediador entre o mundo e o ser humano, buscando o seu desenvolvimento, certamente encontra na Metodologia da Problematização um importante auxílio para concretizar seu permanente movimento nessa busca.
Londrina, setembro de 1999. Neusi Aparecida Navas Berbel