EFICÁCIA NA GESTAO DE SALA DE AULA EM BUSCA DE
QUALIDADE DE ENSINO
Cristina Ferreira Enes Universidade Federal do Acre
RESUMO
O artigo objetiva relatar a experiência de trabalhar uma formação continuada em gestão de sala de aula para os docentes da Escola de Ensino Médio Dom Henrique Ruth em Cruzeiro do Sul,Acre,embasado na teoria de Perrenoud(2000) como ensinar melhor na possibilidade dos estudantes assimilarem o conteúdo e apresentar algumas sugestões que possam melhorar a gestão de sala de aula.Na introdução será abordado o objetivo da formação continuada em gestão de sala de aula e as competências necessárias para ensinar;será realizada uma revisão bibliográfica;na metodologia foram utilizadas as leituras dos livros,discussões acerca da temática,preenchimento de tabelas baseadas no conhecimento científico e da prática cotidiana dos docentes,acrescidas de exibição de vídeos e elaboração de normas gerais para uma boa gestão de sala de aula; os resultados foram contemplados,pois os docentes saíram da formação continuada em gestão de sala de aula ,com orientações básicas de como gerir bem seu ambiente educativo e organização de algumas normas de condução da gestão de sala de aula; a formação continuada demonstrou a troca de experiências e o envolvimento de todos os docentes e coordenadores pedagógicos da Escola na melhoria das estratégias de sala de aula e proporcionou um ambiente saudável ao processo ensino-aprendizagem de qualidade.Por fim, os docentes reconheceram que a formação continuada se faz relevante para todos os que estão atuando, uma vez que o avanço dos conhecimentos, tecnologias e as novas exigências do meio social e político impõem aos mesmos, à escola e às instituições formadoras, a continuidade, o aperfeiçoamento da formação profissional. Palavra-chave:formação continuada,qualidade de ensino,gestão de sala de aula,competência.
I-INTRODUÇÃO
O objetivo do presente trabalho é relatar de forma mais concisa a experiência de trabalhar uma formação continuada com todos os docentes da Escola de Ensino Médio Dom Henrique Ruth em Cruzeiro do Sul,Acre embasado nas teorias de Perrenoud(2000) que fará um estudo em torno das Dez Competências para Ensinar e outras referências bibliográficas que sustentam a necessidade do professor possuir competências para gerir uma boa sala de aula e saber contornar os empecilhos do dia-a-dia,lidar com o inesperado e administrar a rotina para que todos aprendam.Preparando os professores para a complexidade, a diversidade e as situações profissionais que terão de enfrentar. Para realmente qualificar a formação do professor e implementar o pressuposto das competências na prática educacional, é preciso esclarecer as urgências e as incertezas da ação pedagógica, sua parcela de criatividade, de solidão, de improvisação, de desânimo, de negociação, assim como de didática e de conhecimentos racionais.
De acordo com a Normativa n.01,de 07 de março de 2013,da Secretaria de Estado,Educação e Esporte do Estado do Acre,que prevê uma das atribuições do coordenador pedagógico,no Capítulo I,Artigo XI propõe “ desenvolver estudos e pesquisas que permitam resignificar e atualizar as práticas pedagógicas, visando adequá-las às necessidades e possibilidades dos alunos”.Diante do quadro de mudanças que os docentes se deparam em sala de aula,é essencial que se tenha uma orientação na formação continuada para se tornar coerente com as renovações em andamento no sistema educativo.Serão estudadas estratégias já conhecidas e outras ainda desconhecidas ou poucas colocadas em prática.Segundo Perrenoud(2000), “[...]os professores devem dominar os saberes a serem ensinados,ser capazes de dar aula,de administrar uma turma e de avaliar”.Daí, a necessidade de uma formação continuada focada numa prática democrática e renovadora,capaz dos docentes entenderem a pedagogia da escola focada em competências de saberes,técnicas,atitudes e avaliação formativa,evitando que os distanciamentos de aprendizagem se ampliem.
Todos os bimestres,os coordenadores pedagógicos trazem para a discussão no planejamento, a realidade observada nas salas de aula. Os problemas e os questionamentos variam de acordo com a situação de cada turma. Questões como: avaliação, gestão de sala de aula, currículo,estratégias de ensino,evasão,indisciplina são apresentados pelos professores.
Daí, a equipe pedagógica prioriza o tema que será trabalhado na formação continuada naquele bimestre. Os docentes entendem, que não basta somente ter amor a profissão, mas sobretudo,uma formação pedagógica sólida que permita orientar a aprendizagem,lidar com as diversidades e desigualdades,desenvolver metodologias inovadoras.Cabe às instituições formadoras,construir formações que integrem teorias e práticas,os conhecimentos específicos e pedagógicos,o desenvolvimento da autonomia intelectual e profissional,articulados com um projeto de formação continuada que proporcione oportunidades de retorno aos docentes.
O ofício de ensinar passa por transformações e exige a necessidade de novas competências para enfrentar a crescente heterogeneidade dos efetivos escolares e evolução dos programas de ensino e combater o fracasso escolar. É necessário diversificar os percursos de formação, desenvolver trabalho em equipe docente e responsabilizar-se coletivamente pelos alunos, colocar os estudantes no centro da ação pedagógica, recorrer aos métodos ativos, aos procedimentos de projetos,por situações problemas,desenvolver as competências e a transferência de conhecimentos,educar para a cidadania.
A escolha do livro As 10 Competências para Ensinar de Perrenoud(2000),ocorreu porque o mesmo privilegia as práticas inovadoras e, portanto, as competências emergentes,aquelas que deveriam orientar as formações iniciais e continuadas,aquelas que contribuem para a luta contra o fracasso escolar e desenvolvam a cidadania,aquelas que recorrem à pesquisa e enfatizam a prática reflexiva.
II-METODOLOGIA
Para entender a educação problematizadora ou” pedagogia crítico-participativa” às diversas formas fases do ensino-aprendizagem focados no planejamento,organização das atividades e buscar também ajudar o docente a entender e resolver os problemas práticos da sua responsabilidade docente,sobretudo na gerência da sala de aula,o grupo de docentes e coordenadores pedagógicos fizeram o estudo do livro Dez Novas Competências para Ensinar,Perrenoud,Philippe(2000).Foi realizado previamente a leitura do livro por todos os docentes e no dia da culminância da formação continuada foi apresentado em powerpoint para os professores os Dez domínios de competências reconhecidas como prioritárias na formação
contínua das professoras e dos professores da rede básica. As 10 novas competências fala de um sistema base para um bom direcionamento de trabalho, projeto e principalmente competências para uma melhor aula, primeiramente de organizar e como dirigir situações de aprendizagem usando de competências da formação continua. Utilizou-se como estratégia para colocar em prática as leituras e os estudos realizados, várias sugestões de situações práticas retirados da Revista Nova Escola (2012),várias problemáticas enfrentadas com frequência pelos professores e após uma análise aprofundada por parte do grupo de docentes,os mesmos deveriam escrever um texto mostrando como se posicionariam diante da situação apresentada.Durante a discussão muitos professores explicitaram suas dificuldades em conduzir a sala de aula e os coordenadores sugeriram apresentação ao grupo de docentes a exibição de um vídeo que apresenta uma conversa do Ederson Granetto com o professor Celso dos Santos Vasconcellos sobre as estratégias para a gestão da sala de aula e a importância da relação aluno-professor para ampliar a participação dos alunos na sala que leva à construção do conhecimento.Em seguida houve uma análise do referido vídeo,ouvindo o posicionamento de todos os docentes e anotações das ideias principais focados em sugestão de prática para a gestão de sala de aula.
Após as discussões pautadas em situações práticas de sala de aula, os docentes organizaram algumas normas de condução da gestão de sala de aula .Neste contexto, os docentes foram divididos em grupos e cada grupo ficou com uma situação prática de sala de aula e a seguir, baseados nas leituras e estudos realizados a cerca da problemática, foram se posicionando como deveriam fazer na prática quando uma situação-problema dessa surgisse.Foi construída uma tabela na qual , à esquerda são mencionados aspectos da sala de aula enfrentados no dia-a-dia pelos professores e à direita é o posicionamento dos docentes frente as situações problemáticas.
Após o momento do preenchimento de como proceder diante de cada situação-problema, os professores realizaram suas apresentações enfatizando,como se posicionariam diante destas realidades e à medida,que os grupos iam se posicionando,os demais acrescentavam com suas ideias e convicções pedagógicas e baseados nas leituras realizadas.
Preocupados com a boa gerência da sala de aula, durante as discussões, os docentes organizaram algumas orientações importantes para manter a sala de aula organizada e com
ambiente propício à aprendizagem, baseadas na prática e experiência dos docentes e coordenadores pedagógicos.
III- RESULTADOS
Após a realização da experiência com a formação continuada dos professores foram obtidos os seguintes resultados:
Todos os professores se envolveram nas leituras realizadas, posicionando-se criticamente acerca das mesmas, aconteceram várias discussões em torno das situações consideradas críticas e enfrentadas no dia-a-dia da prática de sala de aula. Participaram ativamente na resolução da tabela que suponha atividades vivenciadas no dia-a-dia e os professores deveriam se posicionar pedagogicamente como agiriam na prática se se deparassem com uma situação dessas. O trabalho foi conduzido pela gestora da Escola,pela coordenadora de ensino,coordenadores pedagógicos e a participação de todos os docentes da Escola.
Após os estudos realizados em grupos, os docentes criaram um referencial completo com as 10 competências para ensinar na rede básica, observando o contexto social e as diferenças de seus estudantes.
Cada docente saiu da formação continuada em gestão de sala de aula , com orientações básicas de como gerir bem seu ambiente educativo e organização de algumas normas de condução da gestão de sala de aula para melhor conduzir seu trabalho e garantir uma eficiência na aprendizagem de seus alunos.
Os professores reconheceram na sua dimensão profissional a necessidade de um aperfeiçoamento contínuo na visão de estar sempre bem informado do que se passa na sociedade;manter-se atualizado em relação aos avanços nos campos da sociedade e da cultura, da ciência e da técnica,do meio ambiente, da saúde,da política e da filosofia de vida;saber definir a sua posição quanto a cada um destes avanços,com a consciência de que é um profissional responsável e exemplo para seus alunos;refletir sobre suas próprias experiências como participante na vida social,transformando-as em dados que sejam úteis ao exercício de sua profissão.
Os professores passaram a entender que na perspectiva das realidades enfrentadas existe a necessidade de estarem sempre atualizados e bem informados, não apenas em relação aos fatos e acontecimentos do mundo, mas, principalmente, m relação às novas tendências pedagógicas, aos conhecimentos curriculares e pedagógicos, entendendo que a Escola é o lócus de formação continuada privilegiada para melhor atender a demanda de qualidade ensino-aprendizagem.
IV - DISCUSSÃO
A formação continuada demonstrou a troca de experiências e o envolvimento de todos os docentes e coordenadores pedagógicos da Escola preocupados em melhorar as estratégias de sala de aula e proporcionar um ambiente saudável ao processo ensino-aprendizagem de qualidade.
Passaram a entender que o ofício de professor deve consagrar temas como a prática educativa, a profissionalização docente, o trabalho em equipe, projetos, autonomia e responsabilidades crescentes, pedagogias diferenciadas e propostas concretas. Tiveram a convicção de que o professor deve dominar saberes a serem ensinados, ser capaz de dar aulas, de administrar uma turma e de avaliar. O estudo ressaltou a urgência de novas competências, devido as transformações sociais existentes. As tecnologias mudam, o trabalho, a comunicação, a vida cotidiana e mesmo o pensamento. A prática docência tem que refletir sobre o mundo. Os professores são os intelectuais e mediadores, intérpretes ativos da cultura, dos valores e do saber em transformação. Se não se perceberem como depositários da tradição ou percursos do futuro, não serão capazes de desempenhar esse papel por si mesmos.
Os docentes entenderam que as competências profissionais constroem-se, em formação, mas também ao sabor da construção diária do trabalho do professor, de uma situação de trabalho à outra.Focados sobretudo na organização e direção de situações de aprendizagem;administração da progressão das aprendizagens; conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho e trabalhar em equipe;participar na administração na escola;informar e envolver os pais;utilizar novas tecnologias;enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão e administrar a sua própria formação contínua.
Os docentes reconheceram que a formação continuada não descarta a necessidade de uma boa formação inicial, mas que se faz relevante para todos os que estão atuando, uma vez que o avanço dos conhecimentos, tecnologias e as novas exigências do meio social e político impõem aos mesmos, à escola e às instituições formadoras, a continuidade, o aperfeiçoamento da formação profissional.
V - CONCLUSÃO
A partir dessas orientações é de referir que existe a necessidade de tratar o estudante como um parceiro fundamental do processo educativo, entendendo a sala de aula como comunidade de investigação fundada na partilha de experiências e saberes e desenvolvendo práticas pedagógicas que favoreçam a reflexão, a descoberta, a construção, propiciando a autonomia, o espírito crítico dos alunos, a qualidade do processo ensino-aprendizagem e da formação dos jovens.
Faz-se necessário que os educadores rompam com a postura tradicional da Educação enquanto adestramento e que assuma uma concepção que não se limita à mera transmissão e imposição (exterior) dos conhecimentos, mas que defenda e valorize as potencialidades, a autonomia e a criatividade de todos os estudantes.
O educador deve ser o orientador no processo de organização e gerência do saber dos estudantes na contínua condição de aprendiz, mantendo-se um incansável questionador que nunca toma uma opinião como única e acabada, pois necessita entender que a aprendizagem deve ser necessariamente significativa e não um acúmulo de conhecimentos e considerar que, a aprendizagem é uma representação da realidade a partir da experimentações e dos conhecimentos prévios dos alunos.
Coloca-se como condição aos professores, que adquiram um perfil de educador, gestor das aprendizagens, numa escola aberta ao meio envolvente, onde a comunidade e as famílias precisam ser mais envolventes e as equipes pedagógicas tenham condições de dar maior funcionalidade e flexibilidade as disciplinas.
ACRE, Instrução Normativa nº 01, de 7 de março de 2013. Institui normas acerca dos requisitos, atribuições, critérios de lotação, carga horária, forma de remuneração e certificação para o exercício da função de Coordenador Pedagógico das unidades escolares da rede pública estadual de educação básica. Diário Oficial Acre,v.11003 ,n.003 ,07 de março de 2013.
Disponível em:<< https://www.youtube.com/watch?v=MrGy_hnv5x8>>
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Artmed, 2000. Revista Nova Escola, edição 256, ano 2012.