Próximo ponto (3.4): Controle de constitucionalidade Texto: Merryman, Cap. 18
Perguntas:
1. Qual é a diferença entre constituições formalmente e funcionalmente rígidas?
2. O que há de peculiar no (antigo) sistema francês de controle de constitucionalidade?
Controle de constitucionalidade
Constitucionalismo global:
1. Constituições escritas rígidas
2. Controle de constitucionalidade pelo judiciário (judicial review)
Controle de constitucionalidade
Constitucionalismo global:
1. Constituições escritas rígidas
2. Controle de constitucionalidade pelo judiciário (judicial review)
Controle de constitucionalidade
1 implica 2?
Merryman diz“não” –
rigidez formal x rigidez funcional
Controle de constitucionalidade
Razões para a disseminação do judicial review: > Reação a experiências totalitárias
Exs: Alemanha 1949; Itália 1948; Japão 1947; Espanha 1978; Portugal 1982; América Latina nos anos 90.
Controle de constitucionalidade
Outras razões:
> Pressão das instituições europeias
> Na Inglaterra: transformações no regime parlamentar (Gardbaum, 2014)
Entre 1832 and 1945, 17 PMs ingleses renunciaram; desde 1945, apenas 1.
Controle de constitucionalidade
Modo de instituição do judicial review: > Previsão constitucional (mais comum) > Decisão judicial
Marbury v. Madison (1803)
Controle de constitucionalidade
Diferentes modelos de controle Modelo forte x modelo fraco
I---I
1) O Parlamento ou o legislativo provincial pode declarar expressamente através de um Ato do Parlamento ou do legislativo que um tal Ato ou disposição deve operar a despeito do disposto na seção 2 ou entre as seções 7 e 15 desta Carta de Direitos. [...]
(3) Uma declaração feita de acordo com a subseção (1) perderá seus efeitos cinco anos depois de entrar em vigor ou antes disso, de acordo com o que estiver especificado na declaração.
(4) O Parlamento ou o legislativo provincial pode tornar a decretar a declaração feita de acordo com a subseção (1).
Controle de constitucionalidade
Força do modelo (quantidade de poder concedido a juízes/legisladores)
x
Eficácia do modelo (frequência de invalidação e importância das leis invalidadas)
Resumo
> Constitucionalismo global
Constituições escritas rígidas + judicial review > Judicial review forte e fraco (e intermediário) > Força x eficácia do judicial review
Próximo ponto (3.5): Acesso à justiça e devido processo legal
Texto: Merryman, Caps. 16 e 17 Perguntas:
1. Como é que a existência do júri moldou o processo em países de common law?
2. O que significa dizer que o processo na common law é mais “adversário” do que o nosso?
Acesso à justiça e devido processo
1. Litigiosidade
2. Tamanho e influência das categorias profissionais 3. Duração do processo
Acesso à justiça e devido processo
Blankenburg (1990s)Processos civis na primeira instância (p/ ano, p/ 100 mil habitantes) Áustria 5.020 Bélgica 4.800 Alemanha Ocidental 3.561 França 1.950 Itália 1.640 Holanda 1.430
Acesso à justiça e devido processo
1. Litigiosidade
> Fatores culturais
> Fatores jurídicos e institucionais - indenizações punitivas
- ações coletivas
- alternativas à disputa judicial - número de advogados
Acesso à justiça e devido processo
2. Tamanho e influência das categorias profissionais Obstáculos à comparação: “advogado” e “juiz” são termos ambíguos
> “barrister” x “solicitor” > juiz leigo x juiz togado
Acesso à justiça e devido processo
Ainda assim, diz-se que na Europa continental a
razão juiz/advogado é maior do nos EUA, Inglaterra e Canadá.
Acesso à justiça e devido processo
3. Duração do processo
Tema caro aos estudiosos do “acesso à justiça”...
... junto com:
> procedimento simplificado para pequenas causas > ações coletivas
Acesso à justiça e devido processo
Djankov et al. 2003: despejo do inquilino x cobrança de cheque sem fundos do inquilino
França 226/181
Alemanha 331/154
Polônia 1.080/1.000 Reino Unido 115/101
Acesso à justiça e devido processo
World Justice Project 2012Acesso à justiça civil Efetividade da justiça criminal Brasil 0,55 0,49 EUA 0,65 0,65 Suécia 0,78 0,82 Índia 0,45 0,44
Acesso à justiça e devido processo
4. “Adversarialidade”
Tradicionalmente, o processo é dito mais adversarial na common law.
Isto é, lá o juiz mantém uma postura mais passiva
Acesso à justiça e devido processo
Distinções suspeitas:
Processo civil: adversarial x “inquisitorial” Processo penal: acusatório x “inquisitorial”
Argumentos pela adversarialidade Proteção contra o arbítrio judicial Liberdade para omissão de provas vexatórias Livre competição melhor maneira de atingir a verdade Réplicas Contraditório como remédio Na prática, isso é limitado pelo “discovery” As partes não têm igual poder econômico/investi-gativo
Acesso à justiça e devido processo
Thibaut e Walker, 1975: maior satisfação das partes (vencedoras ou não) com o processo adversarial.
Resumo
1. Grau de litigiosidade
2. Tamanho das categorias profissionais 3. Duração do processo
Próximo ponto (3.6): Interpretação de leis Texto: Merryman, Cap. 7
Questão:
1. Avalie a seguinte afirmação: “A ideia de que só cabe ao juiz aplicar a lei – sem interpretá-la – não é apenas um slogan dogmático. Ela ajudou a moldar várias instituições jurídicas na civil law .”
Interpretação de leis
Observações preliminares:
1. Há diferentes métodos de interpretação: gramatical, histórico, teleológico objetivo etc.
Interpretação de leis
Razões para o estudo comparado da interpretação de leis:
> faz parte do estilo judicial comparado > lembrem-se da “lição metodológica”
Interpretação de leis
Códigos modernos não costumam estabelecer regras precisas de interpretação.
Interpretação de leis
CC EspanholLas normas se interpretarán según el sentido propio de sus palabras, en relación con el contexto, los
antecedentes históricos y legislativos, y la realidad social del tiempo en que han de ser aplicadas,
atendiendo fundamentalmente al espíritu y finalidad de aquellas.
CC Italiano
Na interpretação das normas nenhum outro significado lhes pode ser atribuído além daquele que lhes é dado claramente pelo sentido efetivo das palavras, de acordo com a relação entre elas e com a vontade do legislador. Se a controvérsia não pode ser decidida por um
dispositivo preciso, devem ser considerados os
dispositivos que regulem questões análogas; se persistir a dúvida, a decisão deve ser baseada nos princípios
Interpretação de leis
Regras mais precisas (quando existem) costumam ser definidas pela doutrina e jurisprudência.
Interpretação de leis
Dois tipos de regra:
1. Sobre (in)admissibilidade de certos métodos
Ex: Pepper v Hart (1992)
2. Sobre a ordem de prioridade entre os métodos
Interpretação de leis
Já no Brasil...
Ex: REsp 35518 / SP (1993)
Induvidoso, outrossim, que ao lado dos métodos literal, histórico, comparado e lógico-sistemático, outros
métodos de exegese, mais modernos, vêm se impondo nos arraiais da hermenêutica, tais como o teleológico, o evolutivo ou axiológico e o calcado na lógica do
Índia Alemanha Austrália
Interpretação de leis
Fatores que talvez expliquem as diferenças:
> Características da constituição: vagueza, rigidez, “idade”
> Modo de seleção/treinamento dos juízes > Cultura política
Interpretação de leis
Nos EUA, o “originalismo” tem bastante influência. Por que a Suprema Corte tem fama de ativista?
> Estilo judicial é frequentemente enganoso > Houve fases ativistas (v.g. década de 50)
Resumo
> Interpretação de leis como parte do estilo judicial comparado
> Importante para a aplicação da lição metodológica > Regras de interpretação
> Interpretação constitucional > Originalismo nos EUA
Índia Ale Austrália
Próximo ponto (3.7): Liberdade de expressão Texto: artigo Dias, no site.
Pergunta:
1. Há, no argumento de Dias, uma importante contradição. Identifique-a.
Liberdade de expressão
Diferentes maneiras de interpretar e aplicar direitos fundamentais:
> Aplicação vertical x aplicação horizontal > Direito negativo x direito positivo
→ M é “idônea”, “adequada”, “racional” para promover DF?
→ M é “necessária”? Não há outra medida, M’, que cumpra DF sem interferir em DF’?
→ O cumprimento de DF é proporcional à interferência em DF’?
Liberdade de expressão, lib. de movimento dentro do país, direito ao voto, igualdade racial...
Igualdade de gênero e idade, lib. de expressão comercial...
Outros tipos de igualdade, lib, de movimento fora do país...
“Strict scrutiny” – fim do governo deve ser urgente; o meio, necessário e bem ajustado ao fim
O fim deve ser importante e o meio deve ter relação substancial com o fim
O fim deve ser legítimo e o meio, racional
Liberdade de expressão
Liberdade de expressão
Variações textuais: opinião, comunicação, fala (speech) e imprensa...
Liberdade de expressão
Nos EUA, “fala” tem sido entendida em sentido amplo (não sem controvérsia):
United States v O’Brien (1968) – queima de cartão
de alistamento militar
Liberdade de expressão
“Excepcionalismo americano” Exemplos:
1. Discurso discriminatório e intolerante (hate
speech)
Liberdade de expressão
1. Hate speech
Desde Brandenburg v. Ohio (1969) só a incitação à violência é proibida, não a manifestação de ideias intolerantes.
R.A.V. v. City of St. Paul (1992) Virginia v. Black (2003)
Liberdade de expressão
Outros países...> Canadá: R v Keegstra (1990)
> Alemanha: 90 BVerfGE 241 (1994)
> Brasil: HC 82424 (2003) (Caso Ellwanger)
A Constituição da África do Sul, mais explícita, exclui do âmbito da liberdade de expressão a
“advocacy of hatred based on race, ethnicity, gender or religion...”
Liberdade de expressão
2. Difamação
Desde New York Times Co. v Sullivan (1964) o ônus probatório do autor é pesado:
Deve provar que o réu conhecia a falsidade da alegação ou não tomou precauções para evitar informações falsas.
Revisão
> Direitos fundamentais: distinções básicas
Aplicação vertical x aplicação horizontal Direito negativo x direito positivo
Proporcionalidade x “fixed tiers of review”
> Excepcionalismo americano