• Nenhum resultado encontrado

Funchal. 2 de Fevereiro de 2014

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Funchal. 2 de Fevereiro de 2014"

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

1 Funchal

2 de Fevereiro de 2014

Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo da Diocese do Funchal D. António José Cavaco Carrilho,

Senhores Bispos Eméritos,

Ex.mo Senhor Representante da República na Região Autónoma da Madeira Juiz Conselheiro Ireneu Barreto

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira Dr. Miguel Mendonça

Ex.mo Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira Dr. Alberto João Jardim

E demais autoridades civis e militares aqui presentes

Rev.da Superiora Geral das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias Irmã Ilda Tomas,

Irmãs Vitorianas e outros membros dos Institutos de Vida Consagrada. Senhores Cónegos, Senhores Padres e Seminaristas

Queridos irmãos e irmãs,

Sejam estas minhas primeiras palavras portadoras de uma saudação cordial do Santo Padre Francisco a todos os presentes e a quantos nos acompanham através da rádio. Tenho muito gosto em vos felicitar, sinto-me muito honrado e desejo expressar sentimentos de gratidão pelo convite que me foi formulado pelo vosso Pastor para presidir à celebração da Eucaristia de hoje.

Celebramos a Festa da Apresentação do Senhor, em que os pais de Jesus vão ao templo apresenta-lo ao Senhor. Na primeira leitura, o profeta

(2)

2

Malaquias anuncia a chegada do Senhor ao Templo; no Evangelho, São Lucas com a alegria do velho Simeão no Templo ao tomar o Menino Jesus nas suas mãos, reconhece que Ele é o Messias prometido, é o Soberano, a Luz dos povos, e proclama: “Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que puseste ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo”. A Virgem Maria levou ao colo a Luz verdadeira e comunicou-a ao velho Simeão e à profetiza Ana, e comunica também essa mesma luz a todos e a cada um de nós.

Contemplemos, hoje de maneira especial, essa luz na Venerável Irmã Wilson. Convido-vos a me acompanharem numa breve reflexão sobre a Boa Mãe, como era conhecida, que deixa a cada um de nós, lições de grande valor.

A sua vida pode dividir-se em quatro períodos fundamentais, muito interessantes para cada um de nós. O primeiro, de 1840-1873, data do nascimento, num fulguroso ambiente anglicano, até ao ingresso oficial na Igreja Católica, com a idade de 33 anos. O segundo, de 1873-1881, marcado por uma adesão entusiasta e apaixonada à Igreja Católica e de uma incessante procura da vontade de Deus a seu respeito. O terceiro, de 1881-1910, compreende trinta anos, e marca já a sua vida nesta bela ilha da Madeira, com expressões de uma caridade teologal, manifestada no seu fervor religioso. É a etapa do grande florescimento das obras de caridade e de apostolado e da Fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. O quarto momento da vida da Boa Mãe, de 1910-1916, inclui os treze meses de “exilio” em Londres e cinco anos na Madeira, onde pouco a pouco foi recolhendo as Irmãs dispersas por causa da revolução republicana, procurando consolidar a Congregação.

Com a revolução republicana, do dia 5 de outubro de 1910, todos os institutos religiosos foram postos à prova pela legislação anticlerical dos novos governantes. Até que, no dia 08 de Outubro foi publicado um decreto do governo que manda fechar todos os institutos religiosos.

(3)

3

Neste periodo, a Venerável Mary Wilson animava as irmãs a não desanimarem e a confiarem sempre da Divina Providência, dizendo-lhes que sofrer pelo Senhor é um sinal dos eleitos de que estas provas são sinal que Ele nos quer dar uma recompensa maior. Chegado ao momento de expulsão para a Inglaterra, depois de estar presa alguns dias, obrigaram-na a tirar o hábito, como tinham feito com todas as outras irmãs nas mesmas condições. Ela cheia de coragem respondeu: “Já que não me deixam

permanecer em Portugal, eu não sou Portuguesa, por isso não tenho a obrigação de observar a lei do dia 8 de outubro e por isso retiro-me com o meu hábito”. Recomendou às irmãs para terem sempre muita fé e muito

amor a Deus, que nunca se descuidassem dos deveres religiosos, para viverem unidas a Cristo como Ele viveu unido a seu Pai Celestial. Não obstante a sua ausência, a Venerável Mary Wilson continuava intimamente unida às irmãs e seguia a cada uma como se estivesse presente. O seu maior desejo era regressar à Madeira para reunir as irmãs dispersas e dar continuidade à obra que o Senhor lhe tinha inspirado.

No dia 21 de abril de 1911, enviou uma carta ao Cônsul inglês no Funchal, solicitando a licença para se estabelecer na Madeira como simples cidadã britânica. No dia 1 de Novembro de 1911, com 71 anos de idade e com dificuldades de saúde, veio sem hábito para poder entrar em Portugal. Aqui viveu com simplicidade e como que no escondimento, os últimos anos da sua vida, dedicando-se à oração, à leitura e a auscultar as irmãs e outras pessoas que se lhe dirigiam frequentemente. A presença materna junto das irmãs, por meio de encontros, visitas, cartas e conselhos, foi decisiva para a consolidação da pequena Congregação que se estava organizando lentamente. Conseguiu reunir todas as irmãs que se tinham mantido fieis e todas juntas renovaram os votos sob a presidência do diretor espiritual, o Cónego Manuel Joaquim Paiva, na Paróquia de São Pedro. A Boa Mãe, Venerável Mary Wilson, acolhia todas as irmãs, a quem tratava como filhas, animava-as, corrigindo e esclarecendo os assuntos conforme as necessidades, manifestando assim uma caridade profundamente cristã e sem limites.

(4)

4

A Venerável Mary Wilson soube fazer frutificar os notáveis dons naturais recebidos com a ajuda da Graça de Deus. Desde o momento da sua conversão viveu um progressivo e extraordinário caminho de virtudes teologais e morais. Nunca ficava pelas meias medidas. Controlava as suas ações e fazia a sua escolha sempre guiada pela vontade de Deus, que era a luz do seu caminho. O seu exemplo de caridade é sempre atual e necessário para todos nós, tanto ontem como hoje, quando muitas vezes somos postos à prova num mundo secularizado e frio.

Na reorganização da Congregação e de outras obras de apostolado, encontrou hostilidades politicas, indecisões de algumas irmãs em permanecerem fiéis, enfermidades de outras, e impossibilidades de agir livremente segundo o verdadeiro carisma. Na sua vida, agora reconhecida nas suas virtudes heroicas, um dos momentos que mais nos ilumina, é aquele que foi cuidar dos doentes com varíola, no Lazareto, cuidando de todos eles, amando-os como uma mãe. Ali entregou a sua vida como Jesus Cristo, sem ter medo de morrer. Uma atitude de caridade excelente pela qual começou a extinguir essa peste aqui na Madeira.

Contudo, realizava todas as suas atividades com dificuldade, mas com muita fortaleza, apesar da sua idade avançada, mas também por problemas cardíacos, dores atrozes nos joelhos e paralisia intestinal. Não obstante todas as dificuldades, conseguir preparar e obter a aprovação das Constituições da Congregação, aprovadas pelo Bispo D. António Manuel Pereira Ribeiro. A Venerável Mary Wilson alegrou-se muito com este acontecimento e disse: “Agora morro em paz, porque já vi o que

desejava!”. Esta aprovação aconteceu no dia 8 de Maio de 1916, cinco

meses antes da sua passagem à eternidade. No dia 16 e 17 de outubro entrou em estado de coma causado por congestão cerebral. Na manhã do dia 17 recebeu a Unção dos Enfermos e pouco depois da meia-noite, aos 76 anos de idade, deixou este mundo. No dia 19 o Senhor Bispo presidiu ao funeral e o corpo da Venerável Mary Wilson foi sepultado no cemitério de Câmara de Lobos.

(5)

5

Os conterrâneos recordam a fé que iluminava as suas obras, a esperança confiante no Senhor, o espirito de sacrifício e a dedicação à missão que lhe era confiada. Recordemos sempre as suas palavras que são para nós um desafio: “Façamos todo o bem que nos é possível, rezando muito para que

Deus seja em tudo glorificado e adorado”.

E concluo: “Fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho, para o anunciar com a palavra e com a vida, dando testemunho do amor de Deus através do nosso amor, com a nossa caridade para com todos – disse o Santo Padre Francisco. – São exemplos e ensinamentos luminosos, que nos oferecem os santos…, mas que também nos suscitam perguntas na nossa vida cristã: Como sou fiel a Cristo? Sou capaz de “fazer ver” a minha fé com respeito, mas também com coragem?” (12 de Maio de 2013).

Imploremos a mediação da Venerável Mary Wilson, e por intercessão de Nossa Senhora das Vitórias, que o Senhor faça transbordar a nossa vida como júbilo do seu amor. Assim seja!

Referências

Documentos relacionados

Na busca de uma resposta ao problema, que teve como questão norteadora desta pesquisa, levantamento dos gastos e despesas nos atendimentos realizados e identificar qual o custo que

5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..

One of the main strengths in this library is that the system designer has a great flexibility to specify the controller architecture that best fits the design goals, ranging from

Os alunos que concluam com aproveitamento este curso, ficam habilitados com o 9.º ano de escolaridade e certificação profissional, podem prosseguir estudos em cursos vocacionais

O presente trabalho teve os seguintes objetivos: (1) determinar as alterações na composição químico-bromatológica e nas frações protéicas e de carboidratos, determinar as taxas

Sendo assim, ainda que se entenda que a bibliografia de seu trabalho também goza da proteção como direito autoral - o que, em si, já é discutível - ela não pode

Ao longo do processo a instituição museológica teve sua denominação modificada e seus espaços físicos mudados de endereço, fatos que não impediram, mesmo

Os principais resultados obtidos pelo modelo numérico foram que a implementação da metodologia baseada no risco (Cenário C) resultou numa descida média por disjuntor, de 38% no