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Educação Pré-Escolar: O Impacto das Relações Sociais no Pré-Escolar

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UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE CABO VERDE

BALTASAR LOPES DA SILVA

LICENCIATURA EM SERVIÇO SOCIAL

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

SILVINO FERREIRA DELGADO SOUSA

Nº 20090104

ORIENTADOR: MESTRE MISAEL FONSECA

(2)

UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE CABO VERDE

BALTASAR LOPES DA SILVA

SERVIÇO SOCIAL

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

TEMA: O IMPACTO DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO

PRÉ-ESCOLAR

Relatório de Estágio Supervisionado

apresentado à Universidade Lusófona de

Cabo Verde como requisito para obtenção

do grau de Licenciatura em Serviço Social

Orientador: Mestre Misael Fonseca

Mindelo Outubro de 2013

(3)

“[...] educadores e assistentes sociais são profissionais que

compartilham desafios semelhantes, ambos têm na escola seu ponto de

encontro. Dentro desses possíveis espaços de atuação profissional

apresenta-se como ponto fundamental no contexto da profissão a

dimensão educativa, procurando direcionar o processo de trabalho do

assistente social através de ações interdisciplinares de orientação e

informação, incentivando gestões participativas e contribuindo para a

construção de novos sujeitos sociais.”

(4)

Dedicatória

Aos meus falecidos pais Silvestre Sousa e Fernanda Delgado, que sempre estão presentes na minha vida não fisicamente, mas no meu coração. Obrigado por eu existir.

À minha avó Maria Inês pois sem ela, eu não estaria aqui, desfrutando deste momento verdadeiramente importante.

(5)

Agradecimentos

Sempre que alcançamos um objectivo ou determinado patamar, contamos com ajuda de muitos actores sociais. Por trás de nós, muitos se fazem presentes. Desse modo, agradeço em especial a Deus pelo dom da vida, pela minha existência, pelas pessoas que cruzaram o meu caminho e por me permitir a conquista deste sonho.

Foram muitas as pessoas e instituições que amavelmente colaboraram e cooperaram, directa e indirectamente, na minha formação profissional. Neste sentido, não posso deixar de expressar a minha enorme gratidão pelo empenho demonstrado, em diferentes níveis. A todos os que incondicionalmente colaboraram emprestando o seu apoio inequívoco: Sónia Aleixo, António Delgado, Joseanne Carvalho, Benvinda Delgado, Marisa Conceição, Paulo Aleixo, Gilda Sancha, Família Fonseca, FICASE…Os meu sinceros agradecimentos.

Com honra agradeço a minha família, em especial à minha avó Maria Inês, por todo amor, carinho, afecto e pelo apoio e esforço empreendido desde o falecimento dos meus pais, até culminar nesses quatro anos de licenciatura. Obrigado a meu irmão António Delgado pelas palavras de encorajamento e pela força dada.

À Fundação Cabo-Verdiana de Solidariedade, que nos acolheu no estágio. Ao meu Orientador pedagógico, Mestre Misael Fonseca Reyes que se mostrou um profissional comprometido com o fazer e saber profissional, contribuindo de uma forma determinante para a realização do meu trabalho.

À Orientadora de campo, Senhora Alícia Mendes Machado pelo interesse e disponibilidade demonstrado ao longo da elaboração desse relatório de estágio.

Ao Pessoal docente do Jardim Amílcar Cabral pelas informações prestadas e ao apoio demonstrado durante a fase de recolha de dados.

Às crianças do jardim pelos momentos inesquecíveis que passamos juntos que ficarão guardados na minha memória.

Não deixaria de demonstrar a minha gratidão, respeito e consideração à Universidade Lusófona de Cabo Verde pela oportunidade de frequentar e terminar o curso em Serviço Social à procura de novos saberes, como também os funcionários, pela amizade e pelo respeito mútuo que tivemos durante esses quatro anos de convivência.

(6)

Gostaria de agradecer a todos os docentes do curso de serviço social, em especial às professoras Maria da Luz, Jailza Ramos, Risolinda Mendes e o professor João Henrique que me apoiaram sempre quando solicitei ajuda, mostrando sempre disponíveis em ajudar na correcção e estruturação do trabalho.

Aos meus colegas de estágio Juvenilson Almeida e Christian Morais pela troca de experiência e espírito de solidariedade.

Ao meu amigo Derciliano que me ajudaram na formatação do trabalho.

Aos meus amigos e amigas conquistados nesses quatro anos, em especial a todos os meus colegas da turma, pelos momentos de desespero com as provas, pelos trabalhos de grupo, pelas apresentações, mas também pelos momentos inesquecíveis de alegria e descontracção.

(7)

Resumo

O presente relatório tem como principal objectivo descrever o estágio realizado no Jardim Infantil Amílcar Cabral, da Fundação Cabo-Verdiana de Solidariedade, instituição que atende, aproximadamente cento e oitenta e cinco crianças, com idades compreendidas entre um ano e seis meses a seis anos de idade.

Este relatório, tem como requisito a obtenção do grau de Licenciatura em Serviço Social, e tem com finalidade colocar em prática os conhecimentos teóricos e metodológicos adquiridos durante a formação, bem como, referir a importância da interacção social no pré-escolar para o desenvolvimento e aprendizagem da criança.

Com o trabalho pretende-se abordar o tema Serviço Social na área da educação, que, actualmente constitui uma lacuna na educação pré-escolar. Refere igualmente aos principais conceitos, história e objectivos do mesmo. Ainda o mesmo aborda o tema educação e o seu conceito segundo alguns autores.

Durante o estágio, foi realizado uma análise institucional ao JAC, onde se relata a história, trajectória e o trabalho exercido pela instituição. Faz parte deste trabalho ainda, um projecto de intervenção.

Palavras-Chave: Jardim/Família, Educação, Interacção Social, Serviço Social

(8)

Lista de Abreviatura

FCS - Fundação Cabo-Verdiana de Solidariedade

ICS - Instituto Cabo-Verdiano de Solidariedade

FICASE - Fundação Cabo-Verdiana de Acção Escolar

OMCV - Organização da Mulher Cabo-Verdiana

ONG`S- Organizações Não-Governamentais

ICM - Instituto Cabo-Verdiano de Menores

LBSE - Lei de Base do Sistema Educativo

IP - Instituto Pedagógico

ISE - Instituto Superior de Educação

JAC - Jardim Amílcar Cabral

EBI - Ensino Básico Integrado

INPS - Instituto Nacional de Previdência Social

CV - Cabo Verde

UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

ULCV- Universidade Lusófona de Cabo Verde.

SS - Serviço Social

MED - Ministério de Educação e Desporto

ULCV - Universidade Lusófona de Cabo Verde

(9)

Índice

Introdução ... 13

Capítulo I - Enquadramento Teórico ... 16

1. Serviço Social: Conceito ... 16

1.1. Breve História do Serviço Social ... 16

1.2. Objectivos do Serviço Social... 17

1.3.Serviço Social na Educação... 18

14. Educação – Conceito ... 25

2. Sistema Educativo Cabo-Verdiano... 28

2.1. Os objectivos Gerais do Sistema Educativo em Cabo Verde ... 30

2.2. A Educação Pré-Escolar ... 31

2.3. História da Educação Pré-escolar em Cabo Verde ... 32

2.4. Organização da rede da Educação Pré-escolar ... 33

3. A Organização do Espaço no Pré-Escolar ... 34

3.1. As Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar ... 35

3.2. Socialização – Características ... 37

3.3. Agentes de Socialização ... 38

3.4. Tipos de Socialização ... 39

4. Função do Jardim de Infância... 39

4.1. Funções do(a) Educador(a)... 40

4.2. Relação entre a Família e o Jardim... 41

4.3. O Impacto das Interacções Sociais no desenvolvimento das crianças ... 42

Capítulo II - Análise Institucional... 45

1. Apresentação ... 45 1.1 Vinculação Administrativa ... 46 1.2. Histórico da Instituição... 46 1.3. Visão ... 49 1.4. Caracterização Física ... 50 2. Recursos Humanos ... 51

(10)

2.1. Recursos materiais e didácticos ... 51

2.2. Recursos financeiros ... 51

2.3. Contexto Actual ... 51

2.4. Objectivos Institucionais ... 52

3. Objectivos Implícitos na Percepção do Estagiário ... 52

3.1. Proposta de Actuação ao Usuário ... 53

3.2. Tipos de Atendimento Geral ... 53

3.3. Resultados das Actividades ... 54

Relação Usuária (o) – Instituição ... 54

Relação Instituição com Usuário ... 54

Relação entre os Actores Institucionais (equipe) ... 54

3.4. Aspectos Subjectivos (Implícitos) ... 55

Sintonia/contradição entre objectivos e operacionalização ... 55

Participação do Usuário ... 55

Articulação Institucional (rede interna/externa)... 56

4. Serviço social na Instituição ... 56

4.1. Outros aspectos a ser considerados ... 57

Capítulo III - Descrição e Avaliação das Actividades Realizadas no Estágio ... 64

Capitulo IV - Um Breve Olhar Sobre o Projecto de Intervenção ... 70

CAPÍTULO V - PROJECTO DE INTERVENÇÃO ... 72

1. Apresentação do projecto ... 72

2. Natureza do Projecto/ Prioridade de Intervenção ... 73

3. Justificativa ... 73 4. Definição do Problema ... 75 6. Beneficiários do Projecto ... 75 Directo: ... 75 Indirectos: ... 75 7. Recursos Necessários ... 75 Recursos Humanos: ... 75

(11)

Recursos Materiais ... 75

8. Instituições Financiadoras e Parceiros... 76

9. Objectivos ... 76

Gerais. ... 76

Específicos. ... 76

10. Metodologia ... 76

11. Cronograma de Execução ... 77

12. Avaliação e Viabilidade do Projecto ... 77

13. Orçamento ... 78

14. Resultados Esperados ... 78

15. Possíveis Desajustamentos ... 79

16. Descrição das Actividades desenvolvidas na Implementação do Projecto ... 79

Reflexões Finais ... 82

Referências Bibliográficas... 86

APÊNDICE ... 90

Apêndice nº 1: Plano de estágio ... 90

Apêndice nº2: Estampagem/Impressão ... 96

Apêndice nº3: Construção de certificado para celebrar o dia do pai ... 96

Apêndice nº4: Aulas de capoeira ... 96

Apêndice nº5: Participação na Sessão de Workshop "A Ciência é divertida" ... 97

Apêndice nº6:Visita de estudo no Madeiral ... 97

Apêndice nº7: Participação no desfile de carnaval ... 97

Apêndice nº8: Visita ao parque infantil da Cidade do Mindelo ( Nhô Roque) ... 98

Apêndice nº9: Construção de um baloiço... 98

Apêndice nº10: Campanha de limpeza no parque infantil ... 98

Apêndice nº11: Recolha de pneus ... 99

Apêndice nº12: Preparação e pintura dos equipamentos ... 99

Apêndice nº13: Plantação de árvore ... 99

(12)

ANEXOS ... 101

Anexo nº1 - Horário e Rotina Diária do JAC ... 101

Anexo nº2: Questionário aplicado ao corpo docente do Jardim Amílcar Cabral ... 102

Anexo nº3: Análise SWOT Interno e Externo... 104

Anexo nº4: Grelha de Hierarquia de Prioridades ... 105

Anexo nº5: Carta Pedido de Apoio para festividade do carnaval... 106

Anexo nº6: Carta Pedido de Apoio para o Pprojecto Intervenção ... 107

Anexo nº7: Carta de Apresentação do Estudante ... 108

Anexo nº8: Termo de Autorização do Estudante ... 109

Anexo nº9: Fixa de Identificação do Estudante e do Estágio ... 110

Anexo nº10: Fixa de controlo do estágio... 111

Anexo nº11: Fixa de acompanhamento do estagiário no local ... 115

Anexo nº12: Ficha de acompanhamento do estagiário na entidade local de trabalho118

Índice de Quadros

1 Distribuição dos inquiridos por sexo ...58

2 Distribuição da amostra por idade ...58

3 Habilitações Literárias ...59

4 Distribuição dos inquiridos por anos de serviço ...59

5 Habilitações Profissionais ...60

6 Tipo de Planificação ...60

7 Formação como Monitora e Educadora ...61

8 Tempo estabelecido no pré-escolar ...61

9 Guia Curricular ...62

10 Guia Curricular ...62

11 Intervenção educativa com/de Qualidade ...63

12 Guia Curricular / Pré-escolar ...63

(13)

Introdução

Este trabalho responde a uma exigência normativa para a obtenção do grau de Licenciatura no Curso de Serviço Social na Universidade Lusófona de Cabo Verde.

Durante o estágio no Jardim Infantil Amílcar Cabral, que fica situado na Rua Henrique Sena (Frente do Clube Castilho) na ilha de São Vicente, foram recolhidas informações necessárias e úteis que permitiram a realização deste trabalho.

Este jardim que faz parte dos três jardins da referida Fundação que é uma instituição vocacionada à prestação de serviço público na vertente pré-escolar.

O estágio, decorreu no período de 10 de Dezembro de 2012 a 31 de Maio de 2013, com um total de (496) horas e constitui um momento fundamental, pois é o momento onde o discente coloca em prática os conhecimentos adquiridos durante o curso.

No decorrer do estágio, foram feitas observações e levantadas algumas preocupações no que toca a desvalorização do parque infantil existente na instituição, motivos pelos quais, motivaram-nos a fazer um projecto de intervenção que aponta para a remodelação, valorização e conservação do mesmo.

O presente trabalho desenvolve no sentido de alcançar os seguintes objectivos.

Objectivos Gerais:

• Adquirir capacidades, competências e experiências práticas profissionais para actuar no campo da realidade social com eficiência participativa na área de educação Pré-escolar.

• Saber o objectivo, missão e o modo de funcionamento da Instituição.

Objectivos Específicos:

• Ler e analisar os documentos da instituição; • Fazer visitas domiciliares;

• Participar nas actividades dentro e fora do Jardim;

(14)

Metodologia

O trabalho situa-se dentro do paradigma qualitativo e quantitativo da investigação educacional.

Para a realização do trabalho, recorremos a pesquisas bibliográficas, Internet e análises de documentos pertinentes que nos foram facultados na instituição.

Para a materialização deste trabalho, tivemos que recorrer à alguns instrumentos, como observação participante e não participante, o diário de campo, fotografias como técnicas de recolha de dados e o inquérito por questionário.

Marconi e Lakatos (2007:223)1 defendem que, “o questionário é um instrumento de recolha de dados, construído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”.

A observação participante foi um instrumento muito importante na medida em que permitiu-nos o conhecimento directo dos factos e também dos dados adquiridos durante o estágio.

O diário de campo foi um instrumento muito útil, pois foi utilizado ao longo do período à que se refere este relatório na medida em que permitiu-nos anotar as ideias que iam surgindo nas diferentes situações. Permitiu-nos fazer registos e breves descrições acerca dos intervenientes e de todos os acontecimentos/contextos, dos resultados, da análise, das expectativas, das reflexões, que decorreram durante o estágio, sem esquecer no entanto, das dificuldades encontradas.

No diário anotámos, ainda acontecimentos mais significativos, como, conversas com a coordenadora, educadora, monitora, criança, pais e encarregados de educação.

Ao longo deste trabalho, fomos registando com alguma regularidade as observações, fazendo parte da nossa rotina diária, usavamos com alguma frequência a máquina fotográfica na sala de actividade, bem como nas actividades realizadas fora do jardim.

Observações essas que constituem uma técnica de excelência na investigação-acção, na medida em que se converte em prova das actividades realizadas e também por ser um instrumento muito confiável do ponto de vista da credibilidade.

1

MARCONI, Maria de Andrade e LAKATOS, Eva Maria (2007), Fundamentos de metodologia

científica. São Paulo: Editora Atlas S.A.

(15)

Roteiro do trabalho

O trabalho encontra-se estruturado em cinco capítulos com títulos de

referências de cada conteúdo essencial. No primeiro apresenta o enquadramento teórico, intitulado, o serviço social e o seu conceito, o conceito de educação, a educação pré-escolar e o serviço social na educação.

No segundo capítulo, apresenta uma análise institucional do local de estágio. No terceiro capítulo será apresentado a descrição e avaliação das actividades realizadas no estágio.

No quarto capítulo segue-se um breve olhar sobre o projecto de intervenção. Por último segue-se o quinto capítulo, intitulado o projecto de intervenção.

Ao final do trabalho, apresenta-se a conclusão obtida ao longo da realização deste trabalho, seguidas de sugestões, bibliografias consultadas, os respectivos apêndices e anexos.

(16)

Capítulo I - Enquadramento Teórico

O papel do Serviço Social é indiscutível em qualquer área de actuação, seja no meio educativo como também em outros sectores. O Serviço Social, devido à multiplicidade de dimensão, abrange o todo. Logo se vê as vantagens dessa área.

1. Serviço Social: Conceito

Segundo Ivete Rocha2, o Serviço Social é uma profissão multidisciplinar com mais de cem anos, que actua no campo social com vista a produzir mudanças, quer a nível individual, quer ao nível da sociedade em geral. A sua intervenção consiste na promoção dos direitos humanos, agindo como mediador, com o objectivo de capacitar o indivíduo para a acção no que respeita ao seu próprio percurso de vida. A intervenção do Serviço Social é baseada em conhecimentos teórico-científicos, métodos e técnicas próprias para a acção que desenvolve3.

Para Rocha (2001) citado por Falcão (1997:2)4, o Serviço Social está inserido no campo das ciências humanas como disciplina profissional destinada a intervir na realidade humano-social e produzir transformações nessa realidade.

Ainda para o mesmo autor, citado por Gouveia (1982:2), enquanto disciplina profissional de natureza prática, o Serviço Social tenta através da intervenção social produzir estas transformações. Esta intervenção caracteriza-se por um conjunto de procedimentos metódicos, baseado num processo de ajuda psicossocial, desenvolvendo diálogo, a partir do qual ocorrem transformações inerentes à experiência humana.

1.1. Breve História do Serviço Social

O serviço social surge como profissão atrelada a ideologia dominante à doutrina social da Igreja Católica5 como resposta ao acirramento das contradições capitalistas

2

Técnica Psicossocial no CAT da Amadora/Licenciada em Serviço Social 3

ROCHA, Ivete. (2001), A Intervenção do Serviço Social na Toxicodependência. Disponível em http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Ss-e-Toxicodependencia/115579.html

Acesso em 26/06/2013. 4

FALCÃO, Mª do Carmo (1997), Serviço Social - Uma Nova Visão Teórica, 3º ed., S. Paulo: Cortez

5

http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Breve-Historia-Do-Servi%C3%A7o-Social/92677.html. Acesso em 26/06/2013.

(17)

em sua fase monopolista para o controle da classe trabalhadora e a legitimação dos sectores dominantes e do Estado.

O nascimento da profissão está enraizada na questão social, deu-se início na década de 30, na emergência da questão social, como especialização do trabalho do Assistente Social, sob a influência da igreja católica europeia de duplo sentido, manter sua actuação caritativa ao próximo e também garantir e ampliar espaço na organização do Estado.

Segundo Iamamoto (2001), citado por Santos (2010:10)6, o SS surgiu como uma das formas de controlar a força de trabalho e as lutas de clases. A profissão possuía um carácter de filantrópico, virada para a caridade e sem carácter profissional.

Hoje o SS deixa de sofrer interferências da Igreja e passa a fazer interlocuções com as ciências Sociais, assumindo então referências teóricas críticos.

Para Ferreira (2011:168)7, na actualidade o Serviço Social inscreve-se num contexto económico e politico de grandes mudanças marcadas por um contexto neoliberal ao nível de política económica, associado a políticas de privatização e terciarização com profundas consequências na vida dos cidadãos, nas relações de trabalho e emprego e na gestão social da vida quotidiana.

Realçando o autor, presentemente ganha importância o paradigma do partenariado, a dimensão das Redes no processo de intervenção social de forma geral e em particular no Serviço Social. Para o autor, estamos perante um novo desafio sobre a construção do objecto de intervenção do Serviço Social, havendo necessidade de ser repensado ao nível do emprego, da responsabilidade social, da família, da comunidade e das novas políticas sociais.

1.2. Objectivos do Serviço Social

Segundo o Código Deontológico Português dos Assistentes Sociais, citado por Ferreira (2011:37)8, o serviço social tem como objectivos promover o bem-estar, auto-conhecimento e a valorização dos indivíduos, grupos ou comunidades, no contexto de aplicação de conhecimentos científicos, com vista à detecção das necessidades humanas e sociais decorrentes da interacção indivíduo-sociedade, procurando o

6

SANTOS, Leila Lima (2010), Textos em Serviço Social, São Paulo, Cortez Editora 7

FERREIRA, Jorge M.L. (2011) Serviço Social e Modelos de Bem-Estar para a Infância - Modus Operandi do Assistente Social na Promocção à Criança e à Família. Ed. Sociedade Editora Ld.ª Lisboa. 8

FERREIRA, Jorge M.L (2011), Serviço Social e Modelos de Bem-Estar para a Infância - Modus Operandi do Assistente Social na Promocção à Criança e à Família. Ed. Sociedade Editora Ld.ª Lisboa.

(18)

desenvolvimento de recursos que satisfaçam as necessidades e aspirações individuais, colectivas nacionais e internacionais na protecção da justiça social.

Para o mesmo autor, (2011:37), o servico social é cada vez mais solicitado pela esfera esfera pública (Estado) e pela esfera privada (Sociedade Civil) a promover mudanças sociais e principalmente na melhoria da qualidade de vida das pessoas e na resoluçao de problemas de natureza da relaçao e interacção humana com vista a melhorar o bem-estar social individual e colectivo.

1.3.Serviço Social na Educação

Segundo Silva (2001:14)9 a globalização transformou o mundo, grandes transformações políticas, económicas, cultural e social, desencadeando enormes transformações tecnológicas e consequentemente um elevado nível de competitividade e capacitação profissional. A marginalização da mão-de-obra, o desemprego, a miséria são consequências causadas por esse fenómeno.

Para minimizar e resolver os problemas sociais consequente da globalização, tem que haver a presença do Assistente Social em qualquer campo de actuação de intervenção, seja no campo dos direitos do cidadão, da família, do trabalho, do desemprego, saúde, educação, idosos, da criança, entre outras formas de violação de direitos.

Essa presença é fundamental, pois o assistente social tem uma forma peculiar de ver as pessoas e por isso a profissão é muito abrangente, pois vê as pessoas na sua totalidade.

A escola é uma instituição de poder onde as questões sociais apresentam diariamente, conflitos entre todos os segmentos envolvidos, sendo professores, alunos, famílias, comunidade, estado. Como espaço social de mobilização e de construção do saber, da educação de crianças, jovens e adultos. Portanto, ao perceber a escola como um espaço de trabalho que possui, também, suas limitações e múltiplas demandas, saberes e relações e a área da educação abastada de conhecimentos, teorias, valores, significados, é que se compreende a necessária contribuição do Assistente Social nesta quotidianidade, como mediador, directo e indirecto na formação do indivíduo.

Apesar que ainda é pouco reconhecido o trabalho do Assistente Social na educação, mas a sua presença é indiscutível, pois cada dia o seu trabalho vem sendo gradativamente conquistado.

9

SILVA, Vanja Regina (2001), O Assistente Social como Agente de Melhorias Contínua na Politica de

Treinamento na Empresa, Belém, Editora do Brasil.

(19)

Segundo Godinho (2009)10, o profissional de Serviço Social por possuir preparação técnica-metodológica diante das situações da questão social, reforça a importância deste serviço dentro das escolas actuando em uma equipe interdisciplinar, trabalhará não somente com base na política educacional do binómio educando e família. Como também no ramo dos direitos sociais, construção de um projecto político-pedagógico voltado para a ampliação e garantia de direitos. Além de ser um elo na mediação entre os programas de transferência de renda e complementares.

Ainda, realça o autor que dentro desta realidade a necessidade de implementar o Serviço Social dentro das instituições de ensino público é tida como uma resposta para minimizar as tensões sociais, como uma importante intervenção junto aos alunos com acções sócio-educativas, palestras quanto aos seus direitos sociais, alternativas de êxito frente aos programas e projectos sociais oferecidos a crianças e adolescentes com perfil para tal. Além da decodificação e encaminhamentos a rede social das diversas demandas sociais, que actualmente é desconhecida da equipe escolar.

Para Godinho (2009), a escola hoje, principalmente as públicas, contam com um público fragilizado, vivendo em péssimas condições de vida, sendo fruto da estrutura social vigente, dentro de um mundo globalizado e desigual reflectido nas escolas públicas. Diante disso, é preciso estruturar a política educacional de forma ampla e holística frente às transformações sociais desafiadoras. Dentre essas necessidades de trabalho profissional, encontra-se a luta pela inserção do assistente social na esfera educacional de acordo com os Projectos de Lei (PL) nº 3.688 e nº 837 de 05 de Julho de 2005.

De acordo com Godinho (2009), citando Almeida (2000), a presença dos assistentes sociais nas escolas expressa uma tendência de compreensão da própria educação em uma dimensão mais integral, envolvendo " os processos

sócio-institucionais e as relações sociais, familiares e comunitárias que fundam uma educação cidadã, articuladora de diferentes dimensões da vida social como constitutivas de novas formas de sociabilidade humana, nas quais o acesso aos direitos sociais é crucial".

Na área da educação o Assistente social através de seu olhar diferenciado, apresenta-se como um aliado dentre os diversos actores institucionais na área educacional na busca por uma educação de qualidade e que possibilite o acesso

10

GODINHO, Santiane (2009), O Serviço Social na Educação. Disponível em:

http://www.santiane.com.br/blog/o-servico-social-na-educacao/. Acesso em 01 de Julho de 2013.

(20)

democrático a ela como também que permita a esse aluno a sua permanência na escola.

Cabe ao assistente social não só diagnosticar, mas propor alternativas para as problemáticas sociais vividas por muitas crianças. Dentre essas problemáticas destacam a evasão escolar que se caracteriza hoje como um grande nó a ser desfeito pelos profissionais que actuam na escola.

O Serviço Social na educação ainda encontra um desafio que é o de construir uma prática de qualidade no meio educacional em favor da igualdade e da justiça social. A escola por sua vez encontra o desafio de contornar a grande demanda por vagas que nem sempre são proporcionais aos números disponíveis na rede pública.

A educação, tida como um direito garantido por lei11, nem sempre é acessível a todas as camadas da sociedade de forma igualitária. Verificam-se contradições e distorções a cerca do acesso e permanência da população no banco escolar, principalmente quando falamos de população carente.

No que tange ao Serviço Social, segundo Schneider12 et al. (2012:21) citado por Santos (2005) aborda que este é uma profissão que trabalha no sentido educativo, e que também pode contribuir proporcionando espaços que resultem em novas discussões, em tomada de consciência, de atitude, trabalhando as relações interpessoais e grupais.

Ainda em consonância com o exposto, segundo Schneider et al. (2012:22) citado por Souza (2005:39) nos diz:

[...] Educação e Serviço Social são áreas afins, cada qual com sua especificidade, que se complementam na busca por objectivos comuns e projectos político-pedagógicos pautados sob a lógica da igualdade e da comunicação entre escola, família, comunidade e sociedade.

Ao abordar esta relação entre Educação e Serviço Social, segundo Schneider et al. citado por Santos (2005:41) pontua:

Acredita-se que uma das maiores contribuições que o Serviço Social pode fazer na área educacional é a aproximação da família no contexto escolar.

11

Almada, David Hoffer (2010), Cabo Verde A Revisão Constitucional e o Advento da Nova Republica, Praia, pag.138 Artigo 78º Direito à Educação.

12 SCHNEIDER, Glaucia Martins et al. HERNANDORENA Maria do Carmo (2012), Serviço Social na

Educação: Perspectivas e Possibilidades-Porto Alegre: CMC. Disponível em: http://socialmarista.org.br/arq/arquivo/2012/4/servico-social-e-educacao.pdf. Acesso em 01 Julho de 2013.

(21)

É intervindo na família, através do trabalho de grupo com os pais, que se mostra a importância da relação escola-aluno-família.

O assistente social poderá diagnosticar os factores sociais, culturais e económicos que determinam a problemática social no campo educacional e, consequentemente, trabalhar com um método preventivo destes, no intuito de evitar que o ciclo se repita novamente.

Segundo Almeida (2000:4:5)13, "a escola pública e, mesmo, a particular, na esfera do ensino fundamental, se vê atravessada, hoje, por uma série de fenómenos que, mesmo não sendo novos ou estranhos ao universo da educação escolarizada, hoje se manifestam de forma muito mais intensa e complexa: a juventude e seus processos de afirmação e reconhecimento enquanto categoria social, exacerbadamente, mediado pelo consumo; a ampliação das modalidades e a precoce utilização das drogas pelos alunos; a invasão da cultura e da força do narcotráfico; a pulverização das estratégias de sobrevivência das famílias nos programas sociais; a perda de atractivo social da escola como possibilidade de ascensão social e económica; (...) a gravidez na adolescência tomando o formato de problema de saúde pública e a precarização das condições de trabalho docentes são algumas das muitas expressões da questão social".

Por isso o Assistente Social na educação é essencial pois ajuda a escola na resolução dos problemas, nomeadamente na questão da violência, na questão económico, na saúde, na higiene das crianças. Isto repercutirá positivamente no desenvolvimento social, intelectual e emocional da criança.

A sua presença sempre é uma mais-valia, porque o professor mesmo querendo ajudar não consegue dar respostas as necessidades dos alunos pois ele não tem a mesma preparação profissional que o Assistente Social e também as vezes há um número elevado de alunos para trabalhar.

Realçando Almeida (2000:5), a inserção dos assistentes sociais nos estabelecimentos educacionais, em particular nas escolas do ensino fundamental, tem representado, na actualidade, não apenas o desejo dessa categoria profissional e o resultado de sua actuação política e profissional na defesa dos direitos sociais e

13

ALMEIDA, Ney Luiz Teixeira (2000), O Serviço Social e a Política Pública de Educação. Disponível em:

http://docentes.ismt.pt/~eduardo/supervisao_estagio/documents/13_ServicoSocialnaEducacao.pdf. Acesso em 01 de Julho de 2013.

(22)

humanos, mas uma necessidade sócio-institucional cada vez mais reconhecida no âmbito do poder legislativo de diferentes estados e municípios.

A presença dos assistentes sociais, sobretudo, nas escolas, tem sido tomada como a presença de um profissional que possa contribuir com a ampliação do processo educacional em sentido amplo, ou seja, contribuindo para o acesso e a permanência das crianças e jovens na educação escolarizada, assim como para a extensão dessa convivência para outros membros da família, que por razões sociais diversas não concluíram ou experimentaram plenamente esta oportunidade.

Nota-se então que a inexistência desse profisional é uma lacuna que deveriam ser preenchida nas escola, visto que o único compromisso desse profissional é com a pessoa, organização, comunidade a que está ajudando.

Não é uma tarefa fácil, mas ao intervir neste cenário o profissional tem um papel fundamental no processo de integração estudante/escola/comunidade/redes socio-assistenciais. O assistente social trabalha tanto no atendimento de questões subjectivas (estudante) e de sua família, como da rede social em que está inserido, da qual a comunidade escolar faz parte, mas que muitas vezes necessita de um mediador para a promoção de sua integração e funcionalidade.

Portanto a escola actual tem que criar formas e estratégias para minimizar estas transformações ocorridas na sociedade. Diante disso, encontra-se um profissional até então muito desconhecido na referida área. Neste momento faz-se necessário apresentar algumas considerações sobre as atribuições e competências do Assistente Social para com a realidade escolar contemporânea.

Para Martins (1999:70)14, esse profissional tem a atribuição de: • Melhorar as condições de vida e sobrevivência das famílias e alunos;

• Favorecer a abertura de canais de interferência dos sujeitos nos processos decisórios da escola (os conselhos de classe);

• Ampliar o acervo de informações e conhecimentos, acerca do social na comunidade escolar;

• Estimular a vivência e o aprendizado do processo democrático no interior da escola e com a comunidade;

• Fortalecer as acções colectivas e efectivar pesquisas que possam contribuir com a análise da realidade social dos alunos e de suas famílias;

14

MARTINS, Eliana Bolorino Canteiro (1999), O Serviço Social na área da Educação. In: Revista

Serviço Social & Realidade, Franca, V. 8 N. 1.

(23)

Sendo assim, compreende-se que a actuação do Assistente Social no contexto escolar tem por objectivo a possibilidade da contribuição para a resolução das problemáticas sociais perpassadas em âmbito educacional, as quais possam desdobrar-se em atendimentos sociais aos alunos, suas famílias ou comunidade geral, na realização de encaminhamento a outros serviços que muitas vezes são necessárias as crianças oriundas de famílias com parcos recursos financeiras de forma a garantir a efectivação do seu direito a educação que é um direito de todos. (Artigo 78º (Direito à Educação).15

Para além disso, ainda esse profissional inserido no contexto escolar faz orientações, elaboram e implantam projectos de tipo educativo, entre outros.

Em conformidade ao exposto, Martins (2007:135)16 aborda a dimensão educativa que envolve a actuação do Assistente Social:

Portanto, o papel educativo do assistente social é no sentido de elucidar, desvelar a realidade social em todos os seus meandros, socializando informações que possibilitem a população ter uma visão crítica que contribua com a sua mobilização social visando à conquista dos seus direitos.

Dessa maneira, é impossível não associar a contribuição do Assistente Social para o fortalecimento da Gestão Escolar. Na medida em que esse profissional trabalha em prol da socialização das informações, colaborando para a efectivação da autonomia e emancipação da comunidade escolar, tendo como resultado o sucesso da Gestão Escolar bem como na melhoria de vida das condições das crianças e das famílias.

Segundo Ferreira (2011:191)17, os Serviços Sociais constituem um serviço público para prevenir e intervir nos Problemas Sociais emergentes na comunidade local e para facilitar a integração social, mediante recursos socias (Centros, equipas técnicas, etc.) de gestão públia e privada.

É essencial repensar o papel do assistente social nos sistemas institucionais ou organizacionais, sendo público ou privado visto que de uma certa forma contribuem

15

ALMADA, David Hoffer (2010), Cabo Verde A Revisão Constitucional e o Advento da Nova

Republica, Praia, pag.138º Artigo 78º Direito à Educação.

16

MARTINS, Eliana Bolorino Canteirol (2007), Educação e Serviço Social: Elo para a construção da Cidadania. Tese (Doutorado em Serviço Social) - Pontifícia Universidade Católica

de São Paulo.

Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4117. Acesso em 11 de Julho de 2013.

17 FERREIRA, Jorge M.L (2011), Serviço Social e Modelos de Bem-Estar para a Infância - Modus

Operandi do Assistente Social na Promocção à Criança e à Família. Ed. Sociedade Editora Ld.ª Lisboa.

(24)

para o desenvolvimento institucional e ajudam na resolução dos problemas sociais que poderão surgir.

A presença do Assistente social na educação, é fundamental, pois a profissão adquire no mundo actual uma amplitude técnica, impondo aos membros da profissão maiores encargos e responsabilidade, para dar mais resposta aos problemas que surge nas escolas.

Para isso é fundamental que em todas as escolas tenham um gabinete de atendimento social, articulando com outros profissionas, trabalhando com a interdisciplinaridade, pois isto traz uma mais-valia para a instituição, para os docentes e discentes bem como para as famílias.

Aliado a esse contexto, o Assistente Social na educação é o profissional propulsor para que haja uma educação transformadora, contribuindo deste modo para a efectivação de uma Gestão Escolar, que seja de facto plena e atenda o aluno na sua integralidade.

Para Ferreira (2011:237), o assistente social no trabalho em rede deve ter uma competência social ao nível da comunicaçao, do trabalho em equipe, gestao, e resolução de conflítos. mediação e auto-reflexão.

Para o autor, o trabalho em rede permite uma intervenção partilhada ao nível de uma capacidade de resposta ao cidadão ou ao problema através dos grupos de auto-ajuda.

Segundo Lopes18 et al. (2007:4)19, "a contribuição do assistente social na educação consiste em identificar factores sociais, culturais e económicos que determinam os processos relacionados ao campo educacional, tais como: evasão escolar, baixo rendimento escolar, atitudes e comportamentos agressivos, etc. Estas atitudes constituem questões de expressiva complexidade e que precisam necessariamente de intervenção conjunta por diferentes profissionais (educadores, assistentes sociais, psicólogos de entre outros) com a ajuda da família, da sociedade civil e dirigentes governamentais, possibilitando uma acção efectiva objectivando o cumprimento da missão da educação de oferecer qualidade de ensino para a formação de cidadania.

18

Graduada de Serviço Social - Universidade Federal do Pará. 19 LOPES, Caldas Aline

, et. al. (2007), Serviço Social na Área da Educação. Disponível em: http://www.servicosocialnaeducacao.info/wp-content/uploads/2012/06/Servi%C3%A7o-Social-na-%C3%A1rea-da-educa%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em 01 de Julho de 2013.

(25)

É importante realçar que o Assistente Social no âmbito da educação não se insere neste espaço para substituir outro (s) profissional (s) ali existente, mas sim tem como objectivo trabalhar na interdisciplinaridade para dar respostas as demandas emergentes ao contexto educacional.

A presença do assistente social no âmbito escolar facilita, sobretudo aos filhos de famílias mais carentes, e mesmo a estas, ao acesso aos serviços sociais e assistenciais, através de programas, informações e encaminhamentos realizados a partir da própria instituição que frequentam quotidianamente.

O trabalho do profissional de SS no campo da Educação Escolar é uma possibilidade de este ampliar seus referenciais teóricos, metodológicos, políticos, culturais, educacionais, sociais bem como centrar-se em mais uma luta pela melhoria da qualidade de vida, pela garantia dos direitos humanos, pela valorização do homem enquanto ser pensante, participativo e construtivo.20

14. Educação – Conceito

Para Gonçalves, (2003:15)21 "a educação é considerada a "pedra" chave de competitividade de um país, pelo que os governos dos países desenvolvidos investem progressivamente na Educação e na formação, privilegiando a formação dos recursos humanos e evitando assim exclusão social, contribuindo desta forma para o exercício da cidadania de forma a proporcionar um desenvolvimento sustentado".

Segundo Nunes, (2004:30)22, educar é “passar da consciência de ser indivíduo, membro da espécie humana, à consciência de ser pessoa, com tudo o que isso implica de empenho na formação permanente, na estruturação da personalidade e no amadurecimento humano. É um processo de elevação, de aperfeiçoamento do ser humano, que conta com a capacidade de transformação de cada um, ao mesmo tempo adaptativa e projectiva, e com a acção estimuladora externa, marcada por uma intencionalidade”.

No século XXI, o investimento no capital humano e absolutamente necessário e constitui um factor de estabilidade do individuo n mercado de trabalho e na

20

O Trabalho do Assistente Social na Educação Escolar Disponível em:

http://www.docstoc.com/docs/24824294/O-TRABALHO-DO-ASSISTENTE-SOCIAL-NA-EDUCA%C3%87%C3%83O-ESCOLAR. Acesso em 01 de Julho de 2013.

21

GONÇALVES, M. (2003), A formação Contínua Universitária - Contributo para o Desenvolvimento

da Aprendizagem Organizacional na Universidade. Dissertação de Doutoramento em Ciências da

Educação. Lisboa: FCT/UNL. 22

NUNES, Tomaz Pedro Barbosa Silva (2004), Colaboração Escola-Família Para uma escola

culturalmente heterogénea. Lisboa: ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas).

(26)

formação dos recursos humanos. Os recursos humanos são os principais factores capazes de tornar a organização permanente competitiva, pois somente os recursos humanos devidamente qualificados poderão produzir ou prestar serviços com qualidade.

A UNESCO define a educação como «a instrução organizada e sustentado, concebida para comunicar uma combinação de conhecimentos, competências e compreensão com valores para todas as actividades da vida.»

Savater, (1997:20)23 define:

«Educação é acreditar na perfectibilidade humano, na capacidade inata de aprender e no desejo do saber que anima; acreditar que existem coisas (símbolos, técnicas, valores, memórias, factos (...) que podem ser sabidas e que merecem sê-lo, que nós, homem, podemos melhorar-mos uns aos outros através do conhecimento».

Na óptica do autor, a «educação é valiosa e valido, mas também um acto de

coragem, um passo em frente da valentia humana». Concordamos com o autor, pois,

educar não é tarefa fácil, mas sabemos que é a condição da alma, categoria humana. A educação provém do latim educar e educere. Educar significa nutrir, criar, alimentar e educere significa levar, conduzir de dentro para fora, desabrochar. Deste modo, a educação é um processo abrangente que visa tanto o desenvolvimento intelectual e moral como físico.

A educação é um processo humano de Interacção em que as atitudes e as relações interpessoais constituem um elemento fundamental. A Educação é um processo de transmissão de conhecimento, cultura e valores. A educação “transmite

porque quer conservar e quer conservar porque valora positivamente certos conhecimentos, certos comportamentos, certas habilidades e certos ideais. Nunca é neutral; escolhe, verifica, pressupõe, convence, elogia e afasta. Tenta favorecer um tipo de homem face a outros, um modelo de cidadania, de sistema laboral, de maturação psicológica e até de saúde, porque não é o único possível, mas que considera preferível a outros.24

Plachard, (1982:28)25 admite que “a educação consiste numa actividade

sistemática, exercida pelos adultos nas crianças e nos adolescentes, principalmente, em vista a prepará-los para a vida que terão e poderão viver num determinado meio”.

23

SAVATER, Fernando (1997), O valor de Educar, Editorial Presença. Lisboa. 24 (ibidem, p:106).

25

PLANCHARD, Émile (1982) ,A Pedagogia Contemporânea; 8ª Edição, Editora, Coimbra.

(27)

Este autor faz ainda a distinção entre os conceitos instrução e educação, entendendo pelo primeiro a soma de conhecimentos escolares que um indivíduo possui; pelo segundo, uma disposição geral para pensar ou agir, resultante da aprendizagem. Na sua opinião “o homem verdadeiramente instruído é educado, pelo menos

intelectualmente, mas a instrução só por si não educa completamente o homem [...].26

Na mesma linha de ideias encontramos o sociólogo Durkheim em Pedagogia e

Sociologia refere que:

“O homem que a educação deve plasmar dentro de nós não é o homem tal como a Natureza o criou, mas sim tal como a sociedade quer que ele seja (…) Portanto, dado que a escala de valores muda forçosamente com as sociedades, a hierarquia não permaneceu sempre igual em dois momentos diferentes da história. Ontem era a valentia que tinha a primazia, com todas as faculdades que implicam as virtudes militares, hoje em dia é o pensamento e a reflexão, porventura amanhã será o refinamento do gosto e a sensibilidade, até mesmo as coisas de arte. Assim o nosso ideal

pedagógico é, até nos seus mais pequenos detalhes, obra da sociedade”.27

Antunes, (2008:45)28 afirma que:

“Educar não significa o legado cultural às novas gerações, mas também ajudar o aluno a aprender a aprender despertar vocações, proporcionar e, finalmente, permitir que cada um conheça as suas finalidades e tenha competências para mobilizar meios para concretiza-las (...) ”.

Aprender a aprender é um dos pilares essenciais propostos pela UNESCO e meritoriamente sintetizado por Jacques Delors, na obra “Educação - um tesouro a descobrir” como o propósito de promover uma educação sustentável capazes de promover uma cultura da paz, da igualdade e da solidariedade no mundo.

Segundo Giles (1937:27)29, o processo educativo implica o cruzamento, o conflito, ou exige colaboração entre factores relacionados com as diversas dimensões da pessoa humana: afectiva, ética, intelectual, corpórea, e avaliativa. O processo

26

[(ibidem,p:32)] 27

[Durkheim citado por Savater, 1997:103] 28

ANTUNES, Celso (2008) , Professores e professauros. Editora vozes 29

GUILES, Thomas Ransom (1937), Filosofia da Educação, São Paulo: EPU, 1983, Editora: Pedagogia e Universidade Ltda.

(28)

educativo visa à totalidade do homem, ao seu desenvolvimento e aos resultados desse desenvolvimento, aceitando-se a palavra "desenvolvimento" no sentido mais amplo.

Ainda para o autor "educar é alcançar a pessoa naquilo que lhe é mais

específico, no seu ser-humano, isto é, na sua intelectualidade, na sua afectividade, nos

seus hábitos, para levá-la à realização de um ideal.

Uma vez que o processo educativo se inicia desde os primeiros momentos da existência, à família incube inicialmente essa tarefa.

Para o autor cabe à escola o primeiro complemento da função educativa da família. É ela que, em sentido mais abrangente, deve levar avante esse processo visando à integração da pessoa numa realidade diante da qual deve desenvolver a capacidade de avaliar e fazer opções vitais.

Esse objectivo, por sua vez, supõe a possibilidade de participar activamente no ambiente social, contribuindo para modificar situações não condizentes com o ideal do ser humano. Essa tarefa da escola já amplia o conceito de educar e faz que ele ultrapasse a simples função de transmitir conhecimentos, pois assume outra feição: a de capacitar a pessoa para que possa assumir um papel activo e responsável dentro da colectividade.

Neste sentido, a escola prolonga e aprofunda o papel educativo da família. A escola vai do além da função educativa da família, pois é ela que formaliza o papel educativo da própria colectividade, a fonte mais ampla de onde procede a imagem-ideal que se imprime no processo educativo.

Ainda para o mesmo autor, educar é um processo de construção que concretiza e, ao mesmo tempo, impulsiona uma imagem-ideal ou projecto do homem. Esse processo não pode limitar-se a simplesmente constatar uma realidade (o eu, o outro eu,

o mundo), mas deve levar à compreensão e à disposição, no caso, de transformar essa

mesma realidade graças à liberdade criativa por ele activada.

Porque se trata de uma tarefa nunca plenamente realizada, educar é um processo contínuo. Sendo a educação uma realidade dinâmica em dependência do

outro “eu” e do mundo, o “eu” se constrói constantemente. É nesse processo que o

“eu” se torna capaz de agir, de participar na edificação do ideal comum.

(29)

Segundo a Lei de Base do Sistema Educativo30, o sistema educativo compreende os subsistemas da educação pré-escolar, da educação escolar, da educação extra-escolar complementados com as actividades de animação cultural e desporto escolar numa perspectiva de integração.

A educação pré-escolar é definida como a primeira etapa da educação básica31 no processo de educação, devendo favorecer a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança. Destina-se segundo a Lei de Bases, a crianças com idade compreendida entre quatro a cinco anos e é ministrada em estabelecimentos da Educação Pré-escolar, públicas ou privadas visa uma formação complementar ou supletiva das responsabilidades educativas da família, sendo a rede deste subsistema essencialmente da iniciativa das autarquias, de instituições oficiais e de entidades de direito privado, cabendo ao Estado fomentar e apoiar tais iniciativas de acordo com as possibilidades existentes.

A educação escolar abrange o ensino básico, secundário, médio, superior e modalidades especiais de ensino.

O ensino básico com um total de seis anos de escolaridade é organizado em três fases, cada uma das quais com dois anos de duração. A primeira fase abrange actividades com finalidade propedêutica e de iniciação, a segunda fase é de formação geral, visando a terceira fase o alargamento e o aprofundamento dos conteúdos em ordem a elevar o nível de instrução.

O ensino secundário destina-se a possibilitar a aquisição das bases científico tecnológicas e culturais necessárias ao prosseguimento de estudos e ao ingresso na vida activa e, em particular, permite pelas vias técnicas e artísticas a aquisição de qualificações profissionais para a inserção no mercado de trabalho. Este nível de ensino tem a duração de seis anos, organizando-se em 3 ciclos de 2 anos cada: um 1°ciclo ou Tronco Comum; um 2° ciclo com uma via geral e uma via técnica; um 3º ciclo de especialização, quer para a via geral, quer para a via técnica.

O ensino médio tem natureza profissionalizante, visando a formação de quadros médios em domínios específicos do conhecimento.

O ensino superior compreende o ensino universitário e o ensino politécnico visando assegurar uma preparação científica, cultural e técnica, de nível superior que habilite para o exercício de actividades profissionais e culturais e fomente o desenvolvimento das capacidades de concepção, de inovação e de análise crítica.

30

Lei nº 103/III/90, de 29 de Dezembro, na redacção dada pela Lei nº113/V/99, de 18 de Outubro. 31

Análise da Situação da Criança e adolescente em Cabo Verde - 2001. p.71

(30)

Segundo a actual Lei de Base do sistema educativo (Lei nº 2/2010 de 7 de Maio), o sistema que foi revista, no essencial introduziu normativas referentes á regulação do ensino superior em Cabo Verde. E tem representado um quadro regulador importante do sistema do ensino educativo em Cabo Verde, contribuindo para dessa forma para a democratização do seu acesso e alargada frequência, e ponto assente que, hoje, o crescimento extraordinário e actual das demandas exige que se adeqúe a regulação do sector em vista do reforço da capacidade a qualidade de respostas do sistema educativo face aos desafios do desenvolvimento do país e das perspectivas de futuro num quadro estrutural mais vasto da estratégica de transformação de Cabo Verde em que a qualificação do capital humano constitui um recurso fundamental.

Segundo o artigo nº732 o Sistema educativo e as suas estruturas devem favorecer a realização do projecto nacional de desenvolvimento cultural, económica e social, mediante uma articulação estreita com as instituições, e os agentes interventivos ao nível das colectividades as autarquias locais e dos diversos sectores da vida profissional.

O processo educativo integra a formação teórica contribuindo em geral para o desenvolvimento global da economia, do bem-estar das populações e para a realização pessoal do cidadão.

2.1. Os objectivos Gerais do Sistema Educativo em Cabo Verde

33

1. A educação visa a formação integral do indivíduo.

2. A formação obtida por meio da educação deve ligar-se estreitamente ao trabalho, de molde a proporcionar a aquisição de conhecimentos, qualificações, valores e comportamentos que possibilitem ao cidadão integrar-se na comunidade contribuindo para o seu progresso.

3. No quadro da acção educativa, a eliminação do analfabetismo é tarefa fundamental.

4. A educação deve contribuir para salvaguardar a identidade cultural, como suporte da consciência e dignidade nacionais e factor estimulante do desenvolvimento harmonioso da sociedade.

32

Lei de Base do Sistema Educativo (Lei nº 2/2010 de 7 de Maio) 33

Decreto Legislativo nº2/2010, Capítulo II, Objectivos e Princípios Gerais do Sistema Educativo, Artigo 5º Objectivos e princípios gerais.

(31)

Depois de fazer esta pequena abordagem à volta de algumas teorias sobre a finalidade da educação, passaremos a temática deste trabalho que é a Educação Pré-escolar, objecto do nosso texto seguinte.

2.2. A Educação Pré-Escolar

Segundo Zabalza (2001:83)34, "a educação infantil pode ser encarada como um período de formação plena e não exclui a instrução, embora não se reduza a ela. A educação infantil estaria, do ponto de vista psicodidáctico, mais substantivamente ligada a processos de desenvolvimento global e globalizado das crianças do que os processos de desenvolvimento sectorial".

Para o referido autor, (20001:83), a escola infantil é o marco institucional que garante um espaço estimulante, higiénico e intencional organizado com o objectivo de que esse processo se produza em óptimas condições. Esta escola garante ao/à aluno/a toda uma ampla e polivalente gama de oportunidades formativas, de maneira a que cada criança se aproxime do seu tecto teórico potencial, definido pela psicologia com “máximo desenvolvimento das aptidões pessoais de cada sujeito”.

A escola infantil exerce então um papel importante face à criança. A sua grande tarefa é potenciar o desenvolvimento das condições pessoais de todo o tipo que tornem possível uma boa progressão rumo ao ensino regular.

O Ministério da Educação e valorização dos recursos humanos de Cabo Verde, (MEVRH:8)35 considera que Educação Pré-escolar é constituída por um conjunto de factores e agentes que intervêm coordenadamente a partir da instituição escolar para conseguir certos objectivos educativos em crianças de uma determinada idade.

A educação pré-escolar é de frequência facultativa e destina-se às crianças com idades compreendidas entre os 3 anos e 6 anos de idade de ingresso no ensino básico. Segundo a Lei de Bases (Lei nº113/V99 de 18 de Outubro de 2010, artigo 13º a 15º, a educação pré-escolar enquadra-se nos objectivos de protecção da infância e consubstancia-se num conjunto de acções articuladas com a família visando, por um lado o desenvolvimento da criança e, por outro, a sua preparação para o ingresso no sistema escolar.

34

ZABALZA, M. A. (2001), Didáctica da educação infantil, 3ª edição, ASA editores II, S.A. 35

Guia Curricular do pré-escolar -Ministério da Educação e Valorização dos Recursos Humanos.

(32)

A educação pré-escolar é um dos componentes bases da formação complementar das responsabilidades educativas da família36 no processo educativo da socialização primária que a família proporciona as crianças. Surge com a principal função de complementar e não substituir as funções da família.

A rede é constituída por jardim-de-infância da iniciativa das Câmaras Municipais (55% dos jardins), sendo que a OMCV (Organização das Mulheres de Cabo Verde) detém cerca de 16% dos jardins, as Organizações Religiosas 11%, os privados cerca de 7,5% e as Organizações Não Governamentais, como o Instituto Cabo-verdiano da Solidariedade, actual Fundação Cabo-verdiana de Solidariedade e a Cruz Vermelho, 10,5%37.

De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo, (Lei nº103/III/90 de 29

de Dezembro), constituem objectivos da educação pré-escolar:

a) Apoiar o desenvolvimento equilibrado das potencialidades da criança; b) Possibilitar à criança a observação e a compreensão do meio que a cerca; c) Contribuir para a sua estabilidade e segurança afectiva;

d) Facilitar o processo de socialização da criança;

e) Favorecer a organização de características específicas da criança e garantir uma eficiente orientação das suas capacidades.

2.3. História da Educação Pré-escolar em Cabo Verde

Segundo as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, (2000:1-2 ) a experiência de atendimento a criança em idade pré-escolar remonta à década de 1960 e surgiu para responder às necessidades do país, sobretudo de meios sociais mais desfavoráveis.

As primeiras escolas localizavam-se nos centros urbanos, destacando-se entre os seus objectivos: familiarizar as crianças com a língua portuguesa e prepará-las para a entrada no ensino primário. A designação dada a este nível de ensino era Ensino Pré-Primário e os seus promotores eram instituições religiosas e privadas.

De 1968 a 1975 o designado Ensino Pré-Primário estava integrado no sistema educacional, em todos os concelhos do país, e dava cobertura a cerca de 6.606 crianças (1968) a 16.576 em 1974-1975. As crianças eram atendidas pelos monitores de

36

Decreto Legislativo nº2/2010, CAPÍTULO III, Organização do Sistema Educativo Secção I, Estrutura, obrigatoriedade e definição curricular, Artigo 12º Estrutura.

37

Plano Estratégico para a Educação 2002.

(33)

infância, educadores habilitados com 4ª classe do ensino primário e a quem era dada uma preparação pedagógica de curta duração.

A partir de 1975, o governo decidiu excluir o Ensino Pré-Primário doe ensino oficial, por falta de recursos humanos e materiais.

De 1976 a 1990 o ensino pré-escolar ficou a cargo do Instituto Cabo-Verdiano de Solidariedade (ICS), organizações não-governamentais (Cruz Vermelha e Organização da Mulher Verdiana - OMCV), Igreja Católica, Instituição Cabo-Verdiana de Menores (ICM) e as instituições comunitárias e privadas.

Assim, essas instituições visavam como antes a assistência às famílias dos meios sociais desfavorecidos, dando assistência a criança que ficavam sozinhas em casa porque as mães tinham que trabalhar fora de casa. Prestando cuidados mínimos às crianças no domínio da alimentação e saúde, proporcionando alguma ocupação e preparação para a sua entrada no ensino primário.

Entre 1975 a 1990 assiste-se a um aumento da procura do jardim infantil devido a vários factores ligados ao desenvolvimento económico e social (aumento do numero de mulheres no mercado de trabalho, dificuldades económicas, etc.), traduzindo na dificuldade de atender os mais pequenos. A procura exerceu influência decisiva no aumento da oferta pelo sector público, privado e pelas ONG´s.

O Instituto Cabo-Verdiana de Solidariedade, actual FCS, de modo a salvaguardar e promover o bem-estar, realizou acções de formação de educadores para este nível, designados por monitores de infância. A formação teve a duração de 1-2 anos, tendo sido ministrada a formados habilitados com 2º ano do Ciclo Preparatório.

2.4. Organização da rede da Educação Pré-escolar

38

a) A rede de educação pré-escolar é essencialmente da iniciativa das autarquias locais e de instituições oficiais, bem como de entidades de direito privado constituídas sob forma comercial ou cooperativa, cabendo ao Estado fomentar e apoiar tais iniciativas, de acordo com as possibilidades existentes, podendo assumir o funcionamento de jardins em zonas onde a iniciativa privada não se verifica.

b) A educação pré-escolar faz-se em jardim-de-infância ou em instituições análogas oficialmente reconhecidas.

38

Decreto Legislativo nº2/2010, Capítulo III, Organização do sistema educativo, Secção II Educação Pré-escolar Artigo nº 18 Organização.

(34)

c) Cabe ao Governo definir em diploma próprio as normas gerais da educação pré-escolar, nomeadamente nos seus aspectos pedagógicos e técnicos, apoiar e fiscalizar o seu cumprimento e aplicação.

3. A Organização do Espaço no Pré-Escolar

O jardim-de-infância é o espaço de transição entre a família e a escola, e é o local privilegiado para a realização da educação pré-escolar. Por isso, é um espaço educativo que deve ser pensado e organizado em função da criança e adequado às actividades que nele se desenvolvem.

Segundo o Guia curricular MEVRH (8), a Educação Pré-escolar é o primeiro mecanismo socializador fora do círculo familiar da criança, tornando-se a base de aprendizagem se oferecer todas as condições necessárias para que ela se sinta segura e protegida. Assim, para que a criança tenha um desenvolvimento saudável e adequado, dentro desse ambiente e, consequentemente, na sociedade, é necessário que haja no estabelecimento uma de relação interpessoal positiva com aceitação e apoio, possibilitando assim o sucesso do processo educativo.

A frequência de um jardim-de-infância é sem dúvida, um contributo importante para o sucesso escolar pois, quando a criança chega a escola traz consigo muitas experiências adquiridas no jardim, nomeadamente o respeito e a amizade pelo outro.

Tudo isso, irá ajudar numa melhor compressão do mundo que a rodeia e facilitar a aprendizagens formais da escola, sendo assim um caminho para o sucesso escolar e mais amplamente, para o sucesso na vida.

De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo39, os grupos devem ter no máximo de 30 crianças cada, devendo a organização desses obedecer a diferentes critérios, como sendo: a faixa etária, espaço físico e o número total das crianças. Pode funcionar ainda em regime de período único ou continuado, de dois períodos ou ainda num dos períodos do dia.

Tendo em conta o número de crianças exigida pela LBSE, achamos que é elevado, pois nem todas as Educadoras conseguem supervisionar todas as crianças, desenvolvendo assim canseira psicológica, stress, e consequentemente diminuirá a produtividade, visto que, cada criança apresenta as suas próprias características, comportamentos diferenciados uns dos outros, em função disso, sugerimos que o número de crianças para cada educadora fosse em quantidade menor.

39 Lei nº103/III/90.

(35)

3.1. As Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar

As Orientações Curriculares para a educação pré-escolar40 constituem um quadro de referência comum para todos (as) os (as) educadores (as) (cf. Lei 103/III/90, art.º1, ponto 3) visando promover uma melhoria da qualidade desse sub-sistema. Integram um conjunto de princípios para apoiar os (as) educadores (as) nas decisões sobre sua prática e, consequentemente, na condução do processo educativo a desenvolver com as crianças.

Segundo as Orientações Curriculares a concretização prática dos objectivos da educação pré-escolar faz-se pelo desenvolvimento de experiências/actividades com as crianças nos jardins-de-infância.

Essas actividades organizam-se em áreas de conteúdo de forma a evidenciar dimensões da aprendizagem e facilitar a acção integrada dos (as) educadores (as). Com efeito, os blocos assim constituídos não pretendem funcionar como compartimentos estanques, antes são concebidos de forma articulada, para que se cumpra um dos maiores desígnios da educação da infância que é o desenvolvimento integral da criança. A abordagem dos domínios incluídos em cada uma das áreas faz-se de forma integrada.

Assim, distinguem-se três áreas de conteúdo que integram vários domínios do saber, saber fazer e saber ser:

1. Área do Desenvolvimento Pessoal e Social 2. Área da Comunicação e Expressão.

3. Área do Conhecimento do Mundo.

A área do Desenvolvimento Pessoal e Social é uma área integradora e transversal às demais áreas, sendo muito importante na vida e ao longo do processo de aprendizagem e aquisição do saber. Compreende as aprendizagens relacionadas com os aspectos evolutivos da identidade da criança (imagem positiva de si mesmo e os sentimentos de eficácia, segurança e auto-estima), sublinha as finalidades formativas da socialização, numa perspectiva de educação para os valores.

A inclusão destes conteúdos na intervenção educativa implica que se promovam:

40

Guia de Actividades Curriculares Para a Educação Pré-Escolar, Praia: s.d, pag.9 a11.

(36)

a) Vivências positivas de interacção social que levem as crianças a construírem referências, para a compreensão dos direitos e deveres inerentes à vida em sociedade;

b) Atitudes e valores que lhes permitam tornarem-se cidadãos conscientes, autónomos, responsáveis e livres, capazes de resolverem problemas; c) O crescimento pessoal, a nível físico e psíquico respeitando as diferenças

sociais, étnicas e de género.

Área da Comunicação e Expressão – engloba as aprendizagens relacionadas com o desenvolvimento psicomotor, simbólico e da imaginação criadora, que determinam a compreensão e progressivo domínio das diferentes formas de linguagem para comunicar e representar pensamentos, sentimentos e vivências.

Compreende três domínios intimamente relacionados: o das expressões - motora, dramática, plástica e musical; o da linguagem oral e abordagem da escrita e matemática. Todos estes domínios contribuem para a aprendizagem de códigos, que são meios de relação com os outros, de recolha de informação e de sensibilização estética, indispensáveis para a criança representar o seu mundo e o mundo que a rodeia.

Área do Conhecimento do Mundo – integra os domínios das ciências do meio físico e social, procurando responder à curiosidade natural das crianças e ao seu desejo de saber e compreender o ambiente que as cerca e que está ao alcance da sua percepção e experiência. A intervenção educativa deverá desenvolver um processo de ensino e aprendizagem que as capacite para:

a) Observar e identificar os elementos da paisagem natural e humana; b) Estabelecer algumas relações entre as características do meio físico com

as formas de vida; valorizar a importância do meio natural e a sua qualidade para a vida;

c) Conhecer algumas das formas mais usuais de organização da vida humana, valorizando a sua utilidade;

d) Conhecer hábitos e normas de comportamento social, os costumes e aspectos tradicionais da comunidade.

Referências

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