Embargos de Divergência
Fonte: Didier e Leonardo CunhaÉ o recurso cabível para eliminar a divergência dentro do âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF). A divergência é intra
muros, dentro do Tribunal respectivo, cumprindo o dever de uniformização da jurisprudência previsto no Art. 926, Caput, CPC.
De acordo com Luiz Guilherme Marinonni: “A função dos embargos de divergência numa Corte preocupada em atribuir sentido ao direito e dar-lhe desenvolvimento, é viabilizar oportunidade para a discussão das teses divergentes e para a definição daquela que deve prevalecer, identificando-se o sentido do direito que deve imperar na Corte, orientar a sociedade e guiar os Tribunais inferiores”.
Cabimento: inicialmente cumpre salientar que os embargos de divergência são cabíveis apenas nos Tribunais superiores, assim como pode ser interposto em face de julgamento de turma e órgão fracionário. O julgamento pode ter sido proferido em sede de Recurso Especial (RESP) ou Extraordinário (RE).
A divergência pode ser de mérito ou admissibilidade. Vejamos o que dispõe o Art. 1.043, CPC:
Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: I - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito;
III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia;
Importante: De acordo com o §1º e 2º, do mesmo artigo, poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas em julgamentos de recursos e de ações de competência originária; assim como a divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar-se na aplicação do direito material ou do direito processual.
Vale ressaltar que os embargos de divergência somente são cabíveis em face de acórdãos, não sendo possível sua interposição em face de decisão unipessoal. No entanto, se houver decisão unipessoal e posteriormente decisão de agravo interno por acórdão, será cabível a interposição dos embargos de divergência. Neste sentido dispõe o enunciado 230, FPPC:
“Cabem embargos de divergência contra acórdão que, em agravo interno ou agravo em recurso especial ou extraordinário, decide recurso especial ou extraordinário”.
Importante: De acordo com o parágrafo terceiro, do Art. 1.043: “Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros”.
A divergência exigida para a interposição dos embargos de divergência deve ser atual. Neste sentido, súmulas 168, STJ e 247, STF. Vejamos:
Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado.
O relator não admitirá os embargos da Lei 623, de 19.2.1949, nem deles conhecerá o Supremo Tribunal Federal, quando houver jurisprudência firme do Plenário no mesmo sentido da decisão embargada.
Para ser admitido, é preciso, ainda que exista cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, não sendo suficientes a mera transcrição de ementa. Vejamos o que dispõe o §4º, do Art. 1.043: “O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados”.
Importante: De acordo com o STJ (AgRg nos EREsp nº 1.248.642-RS, Corte Especial), “é possível a dispensa do cotejo analítico para comprovar o dissídio quando a divergência entre os órgãos fracionários do Tribunal for notória”.
Procedimentos: Os embargos de divergência devem ser interpostos no prazo de 15 dias, sendo o prazo de resposta de também 15 dias. Vale lembrar que a Fazenda Pública possui prazo em dobro para embargar e responder aos embargos; bem como os prazos são em dias úteis.
Conforme disposto no Art. 1.044, CPC, os procedimentos dos embargos de divergência devem estar previstos no regimento interno de cada Tribunal superior. Interposto o embargo, será sorteado relator para o mesmo e em caso de inadmissibilidade, será cabível agravo interno (Art. 1.021, CPC).
Se os embargos forem admitidos, será intimado o embargado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias e se for o caso, o Ministério Público terá vista dos autos. Vale ressaltar também que NÃO É CABÍVEL a interposição de embargos de divergência na forma adesiva.
É cabível, no entanto, a realização de sustentação oral. Tanto no STJ como no STF, para interposição dos embargos em estudo será necessário a realização de preparo. De acordo com Didier e Leonardo, também é possível falar, nos embargos de divergência, em efeito translativo, podendo o Tribunal conhecer de questões que podem ser examinadas de ofício.
Importante: De acordo com o Art. 1.044, §1º e 2º, a interposição de embargos de divergência no Superior Tribunal de Justiça INTERROMPE o prazo para interposição de recurso extraordinário (RE) por qualquer das partes; assim como se os embargos de divergência forem desprovidos ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso extraordinário interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de divergência será processado e julgado independentemente de ratificação.
Por fim, vale ressaltar que é possível o recurso de embargos de divergência repetitivo, o que já foi, inclusive, adotado pelo STJ (REsp 1.403.532-SC).
Seção IV
Dos Embargos de Divergência
Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: I - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito;
III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia;
§ 1o Poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas em
julgamentos de recursos e de ações de competência originária. § 2 o A divergência que autoriza a interposição de embargos de
divergência pode verificar-se na aplicação do direito material ou do direito processual.
§ 3o Cabem embargos de divergência quando o acórdão
paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros.
§ 4 o O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou
citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, indicando a respectiva fonte, e
mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados.
Art. 1.044. No recurso de embargos de divergência, será observado o procedimento estabelecido no regimento interno do respectivo tribunal superior.
§ 1 o A interposição de embargos de divergência no Superior
Tribunal de Justiça interrompe o prazo para interposição de recurso extraordinário por qualquer das partes.
§ 2 o Se os embargos de divergência forem desprovidos ou não
alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso extraordinário interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de divergência será processado e julgado independentemente de ratificação.
Questões de concurso sobre o tema:
1) Advogado - Petrobrás - 2018: Durante o julgamento de RESP perante a 1ª turma do STJ, aparece importante questão de direito, que terá grande repercussão social, sobre a qual é oportuna a prevenção de divergência entre turmas do tribunal. Após ser provocado por uma das partes, o relator propõe que o recurso seja remetido para seção especializada, indicada pelo regimento, no intuito de estabelecer entendimento acerca do tema. O acórdão a ser proferido será dotado de efeito vinculante perante juízes e órgãos fracionários. Qual é, nesse caso, o instituto processual utilizado?
Embargos de divergência. Falso! No caso em tela não seria os embargos de divergência, tendo em vista o caráter preventivo, seria o caso do Incidente de assunção de competência. Vejamos:
Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. § 4 o Aplica-se o disposto neste artigo
quando ocorrer relevante questão de direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de divergência entre câmaras ou turmas do tribunal.
2) E-PARANÁ COMUNICAÇÃO - ADVOGADO - 2017: A interposição de embargos de divergência no Superior Tribunal de Justiça suspende o prazo para interposição de recurso extraordinário por qualquer das partes. Falso! O certo seria interrompe, conforme disposto no Art. 1.044, §1º, CPC.
3) TJSC - JUIZ - FCC - 2017: Nos embargos de divergência, entre outras hipóteses,
é embargável o acórdão de órgão fracionário que em recurso extraordinário ou em
recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal,
sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora
tenha apreciado a controvérsia. Correto! Vejamos o Artigo que fundamenta o item:
III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal,
sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido