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11 a 14 de dezembro de 2012 Campus de Palmas

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11 a 14 de dezembro de 2012 – Campus de Palmas

MAPEAMENTO DO USO DO SOLO E ESTIMATIVA DOS REMANSESCENTES FLORESTAIS NA AMAZÔNIA TOCANTINENSE

Dieyson Rodrigues de Moura1, Renato Torres Pinheiro2

1Aluno do Curso de Engenharia Ambiental – PIBIC/CNPq; Campus de Palmas; e-mail: [email protected] 2Professor Adjunto UFT – ECOAVES/UFT; Campus de Palmas; e-mail: [email protected]

RESUMO

O bioma Amazônia vem sofrendo mudanças rápidas e significativas na cobertura e uso do solo. Desta forma, este trabalho avalia as mudanças na cobertura e uso do solo da porção do Bioma Amazônia inserida no estado do Tocantins nas ultimas duas décadas. Os mapas de uso e cobertura do solo da região foram obtidos através do processamento digital de cenas do satélite Landsat-5, sensor TM (Thematic Mapper) de 1991, 2001 e 2011, pelo método de classificação supervisionada sucedida pelo método de interpretação visual, para correção de distorções ou imprecisão obtidas na etapa de classificação supervisionada. Em termos relativos os resultados obtidos indicam que no período de 1991/2001 e 2001/2011 a taxa de desmatamento na região foi de aproximadamente 29,69% e 12,79% respectivamente. Embora a taxa de desmatamento da região tenha caído na última década, os valores mais recentes ainda são elevados e representam um fator de risco à biodiversidade da Amazônia tocantinense.

Palavras-chaves: Bioma Amazônia; Expansão da agricultura; Desmatamento. INTRODUÇÃO

De acordo com o Mapa de Biomas e Vegetação do Brasil, o estado do Tocantins tem cerca de 9% de seu território ocupado pelo Bioma Amazônia, estando este localizado na porção norte e noroeste do estado (IBGE, 2004). Apresenta ainda uma rica biodiversidade faunística, com características peculiares, sendo uma área de extremo interesse em termos de biodiversidade e conservação, devido ao potencial de ocorrência de níveis especialmente altos de riqueza de espécies (OLMOS et al., 2004; DORNAS e PINHEIRO, 2011).

A falta de informações relacionadas à fragmentação florestal da Amazônia tocantinense coloca em risco a biodiversidade da região. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo mensurar a perda de coberta vegetal nativa da Amazônia tocantinense nos últimos 20 anos, entre os períodos de 1991/2001 e 2001/2011, visto que entender os padrões de paisagem e como estes estão sendo formados, são fundamentais para o planejamento e recomposição da paisagem e para a implantação de ações visando à conservação da biodiversidade regional.

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MATERIAIS E MÉTODOS

A área de estudo compreende a Amazônia tocantinense com aproximadamente 24.795 Km2, abrange 35 municípios e cerca de 9% do Estado do Tocantins (IBGE, 2004). Localizada na região norte e noroeste do Estado, está delimitada ao norte e a sul, respectivamente, pelas coordenadas 5°09’50” e 9°15’40” de latitude sul, ao oeste seguindo o Rio Araguaia, tendo como limite o meridiano 49°23’51”, e a leste pela coordenada 47°51’18” de longitude oeste.

Para mapeamento da cobertura e uso do solo foram utilizadas seis cenas do Satélite Landsat 5 (Sensor Thematic Mapper – TM, resolução espacial de 30m) para cada ano analisado (1991, 2001 e 2011), obtidas na estação seca compreendida entre os meses de junho a setembro. Por meio do software livre SPRING versão 5.1.8, as imagens foram processadas e classificadas empregando os métodos de classificação supervisionada (DUARTE, 2003) e de interpretação visual (ITO, 2005) na composição colorida 4R5G3B e escala de 1:80.000 .

Os dados do mapeamento obtidos em laboratório foram checados em campo, objetivando identificar a confiabilidade das classes de cobertura vegetal e uso do solo gerado na classificação preliminar, executando-se as correções necessárias. Os dados finais da classificação das imagens foram exportados para planilha do software Excel 2010, sendo comparado o tamanho dos fragmentos de cada classe de cobertura e uso do solo, sendo estimado o tamanho da área desmatada e as alterações provocadas pela supressão da vegetação nativa entre os anos de 1991 e 2011.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nos três anos analisados (1991, 2001 e 2011), foram mapeadas e identificadas 11 classes de cobertura e uso do solo (Tabela 1). A atividade agropecuária ocupava menos de 43,0% da região analisada em 1991, aumentando consideravelmente entre os anos seguintes chegando a ocupar 59,0% em 2011. A perda de cobertura vegetal nativa foi mais intensa nas formações Florestais Ombrófilas Abertas, sofrendo uma redução de 12,74% em 1991 para 7,34% em 2011, uma perda de 1.338,22 Km2 e Florestas Ombrófilas Densas, de 10,66% em 1991 a 6,35% em 2011, correspondendo a 1.070,74 Km2. Em 1991 a Amazônia tocantinense contava com 38,16% de áreas de vegetação remanescente (florestas ombrófila aberta e densa, floresta estacional semidecidual, cerrado sentido restrito, cerradão e mata de galeria/mata ciliar), atualmente esse valor não passa 23,91% uma perda em números absolutos de 3.535,71 Km2 de cobertura vegetal.

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Tabela 1- Área e percentual de cada classe de cobertura e uso do solo da Amazônia tocantinense.

Ano (1991) Ano (2001) Ano (2011)

Classes Área (Km²) % Área (Km²) % Área (Km²) %

Agropecuária 10554,93 42,57 13590,2 54,81 14630,59 59,01

Capoeira 4273,81 17,24 3951,52 15,94 3709,39 14,96

Área Urbanizada 28,66 0,12 41,72 0,17 52,58 0,21

Floresta Estacional Semidecidual 49,33 0,20 38,95 0,16 35,97 0,15

Floresta Ombrófila Aberta 3159,39 12,74 2042,97 8,24 1821,17 7,34

Floresta Ombrófila Densa 2644,36 10,66 1655,81 6,68 1573,42 6,35

Cerrado Sentido Restrito 1754,4 7,08 1492,88 6,02 1146,92 4,63

Mata de Galeria/ Mata Ciliar 320,94 1,29 342,63 1,38 324,16 1,31

Cerradão 1534,48 6,19 1197,49 4,83 1028,77 4,15

Corpos D'Água 446,24 1,80 432,34 1,74 443,27 1,79

Nuvem 28,75 0,12 8,75 0,04 29,03 0,12

TOTAL 24795,27 100,00 24795,27 100,00 24795,27 100,00

Em termos relativos e absolutos significa que no período de 1991/2001e 2001/2011 a taxa de desmatamento na região foi de aproximadamente 29,69% e 12,79% respectivamente, correspondendo a uma média anual de 271,39 Km² e 82,18 Km² de área desmatada. A taxa de desmatamento acumulada correspondeu a 38,68%, com uma média anual de 176,78 Km² de área desmatada (Tabela 2), sendo mais intensa nas áreas de Floresta Ombrófila Aberta.

Tabela 2- Área desmatada e taxa de desmatamento da Amazônia tocantinense.

Período (1991 - 2001) Período (2001 - 2011) Período (1991 -2011)

Classes Área (Km²) % Área (Km²) % Área (Km²) %

Floresta Estacional Semidecidual 10,38 21,04 2,98 7,65 13,36 27,08

Floresta Ombrófila Aberta 1116,42 35,34 221,8 10,86 1338,22 42,36

Floresta Ombrófila Densa 988,55 37,38 82,39 4,98 1070,94 40,50

Cerrado Sentido Restrito 261,52 14,91 345,96 23,17 607,48 34,63

Cerradão 336,99 21,96 168,72 14,09 505,71 32,96

TOTAL 2713,86 29,69 821,85 12,79 3535,71 38,68

Segundo Olmos et al. (2004), os assentamentos do INCRA constituem uma das maiores ameaças à biodiversidade da região Amazônica tocantinense, dados corroborados por esse estudo para a porção amazônica inserida nessa região. Contudo, outros fatores podem estar associados às taxas de desmatamento, como a valorização das terras da região ocasionadas pela abertura de rodovias (BR-010, Rodovia Belém-Brasília e BR-153, Transbrasiliana), expansão de centros urbanos ocasionados pela criação do estado do Tocantins (TOCANTINS, 2009) e projetos agrossilvopastoris que têm exercido forte pressão na região norte do Estado.

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Os resultados demonstram que, embora o desmatamento na região tenha diminuído na última década, os valores mais recentes ainda são elevados e representam um fator de risco à biodiversidade da Amazônia tocantinense. A perda de cobertura vegetal nativa transforma profundamente os padrões naturais da paisagem afetando negativamente a biodiversidade em função da perda de habitat e a conectividade entre os remanescentes (LOWE et al., 2005; OLIVEIRA FILHO e METZGER, 2006), fatores estes suficientes para causar a extinção local de espécies ou a erosão da matriz genética, reduzindo sua capacidade de repovoar habitats disponíveis e de se adaptar a mudança ambientais (LOWE et al., 2005).

Estudos indicam que em uma parcela de 1 Km² de floresta amazônica é possível encontrar de 160 a 248 espécies de aves ou 1.658 a 1.910 indivíduos (TERBORGH, et al., 1990; THIOLLAY, 1994) e que em 1 ha é possível encontrar cerca de 400 a 750 árvores (TER STEEGE, 2003). Por outro lado, estudos demonstram que uma redução em 50% dos habitats de determinada área pode acarretar uma perda de 10% a 20% da riqueza original de espécies alçando percentuais de extinção de até 50% quando suprimidos 80% da dos habitats (PRIMACK e RODRIGUES, 2001). Deste modo, infelizmente, é possível presumir que parcela significativa da biodiversidade da Amazônia tocantinense pode ter sido extinta sem se quer ter sido inventariada ou estudada com maiores detalhes.

Além disso, cabe destacar que a região da Amazônia tocantinense estabelece uma importante zona de transição entre os Biomas Amazônia e Cerrado, sendo considerada uma área de importância extremamente alta para conservação da biodiversidade (MMA, 2007). Em contrapartida, a região não conta com nenhuma unidade de conservação de proteção integral (BORGES et al., 2007), embora já tenha sido proposta a implantação de um parque estadual entre o encontro das águas dos Rios Araguaia-Tocantins (OLMOS et al., 2004), mas que não foi efetivado.

AGRADECIMENTOS

O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – Brasil, Fundação Universidade Federal do Tocantins – UFT e o Programa de Pesquisa da Biodiversidade – PPBio Amazônia Oriental.

REFERÊNCIAS

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DUARTE, V.; SHIMABUKURO, I. E.; SANTOS, J. R.; MELLO, E. M. K.; MOREIRA, J. C.; MOREIRA, M. A.; SOUZA, R. C. M.; SHIMABUKURO, R, M. K.; FREITAS, U. M.

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TOCANTINS. Plano de ação para preservação e controle de desmatamento e queimadas do

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