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Desafios da docência a partir da análise do filme “A Caça”

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Academic year: 2021

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DESAFIOS DA DOCÊNCIA A PARTIR DA ANÁLISE DO FILME “A CAÇA” Verônica Pacheco Oliveira Azeredo *

Maria Luciana Brandão Silva **

Resumo: O presente artigo tem como objetivo avaliar os desafios da docência, a violência

oculta e desvelada no contexto escolar e seu reflexo na coletividade por meio da análise do filme “A caça” (2012) do cineasta Vinterberg, e do viés teórico das obras dos autores Francois Dubet, “Sociologia da Experiência” e Danilo Martuccelli, “Gramáticas do Indivíduo”. Observou-se que, no âmbito das relações sociais, a violência física ou psíquica nem sempre é reconhecida pelo agressor como um ato injusto e de selvageria. Entretanto, é identificada pelo agredido como brutalidade irracional e fora da norma social. Além disso, a violência pode excluir o indivíduo da convivência social e levá-lo à estranheza da referência de seu papel social. Consequentemente passa a necessitar da compreensão de sua experiência social, dos vários suportes sociais e estratégias para romper o isolamento, recuperar os seus papeis sociais e se reintegrar socialmente.

Palavras-chave: Violência. Suporte. Papel social. Professor.

TEACHING CHALLENGES FROM THE ANALYSIS OF THE MOVIE “JAGTEN”

Abstract: The present article aims to evaluate the challenges of teaching, hidden and

unmasked violence in the school context and its reflection on the collective through the analysis of the film “The Hunt” (2012) by the filmmaker Vinterberg, and the theoretical bias of the authors' works Francois Dubet, "Sociology of Experience" and Danilo Martuccelli, "Grammars of the Individual". It was observed that, in the context of social relations, physical or psychic violence is not always recognized by the aggressor as an unjust and savage act. However, it is identified by the victim as irrational brutality and outside the social norm. In addition, violence can exclude the individual from social coexistence and lead him to the strangeness of the reference of his social role. Consequently, he needs to understand his social experience, the various social supports and strategies to break the isolation, to recover his social roles and to reintegrate socially.

Keywords: Violence. Support. Social role. Teacher.

Introdução

A violência, presente no cotidiano e nas relações sociais, pode se manifestar de inúmeras maneiras, revestindo-se de formas explícitas ou sutis, no entanto, independente da forma como se apresenta, a vida de uma pessoa que é atingida, pode ser brutalmente modificada e deixar marcas profundas. Tomando como referência o tema em questão, o presente artigo pretende discutir os desafios da docência, a partir da violência que nasce no espaço escolar, suas nuances, seu reflexo na coletividade e o surgimento dos conflitos dos papeis sociais. A análise será realizada por meio do filme “Jagten” ou “A caça”, dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterbergo com o viés teórico das obras dos autores Francois Dubet, “Sociologia da Experiência” e Danilo Martuccelli, “Gramáticas do Indivíduo”.

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Por sua riqueza e sensibilidade no trato com a questão, o filme “A caça” recebeu 10 prêmios sendo indicado ainda a outros oito prêmios1. A película nos apresenta Lucas, o protagonista (Mads Mikkelsen), professor, que trabalha em uma escola infantil, numa pequena cidade da Dinamarca. Lucas é reconhecido pelo grupo de educadores, pela comunidade e pelas crianças como um profissional comprometido, generoso e afetuoso. Entretanto, tem a vida devastada por uma falsa denúncia de pedofilia. Na narrativa, a violência é abordada com sensibilidade e profundidade, demonstrando como a vida de uma pessoa pode ser brutalmente modificada quando o Estado Democrático de Direito nega, na prática, a presunção da inocência.

Por meio da obra de Francois Dubet, “Sociologia da Experiência” e da obra de Danilo Martuccelli, "Gramáticas do Indivíduo" o objetivo é compreender os desafios da docência e como a violência no espaço escolar, muitas vezes oculta, ultrapassa também os muros da escola e reflete na experiência social dos docentes. A análise busca apontar que a violência desestabiliza e exclui o indivíduo da sua experiência social e que ele necessitará de suportes sociais e estratégias para romper o isolamento, recuperar os seus papeis sociais e se reintegrar socialmente.

1 A face oculta da violência

Na película, a violência é exposta e a face oculta do humano se revela por meio das ações cotidianas. Ações que paradoxalmente, em muitas situações, nos deixam a impressão de se tratar de justiça. Observam-se comportamentos agressivos que se opõem à ética, que é a busca pelo aprimoramento da ação, na tentativa de promover o uso dos padrões de excelência moral por meio da via racional, da liberdade e da autonomia em benefício do bem comum. A esse respeito, Dubet (1994) aborda afirma que a experiência social é ambígua, pois

[...] a experiência é uma maneira de sentir, de ser invadido por um estado emocional suficientemente forte para que o ator deixe de ser livre descobrindo ao mesmo tempo uma subjetividade pessoal. [...] Por outro lado, a experiência pode ser concebida como a recoberta da consciência individual pela sociedade, como esse ‘transe’ original do social de que Durkheim e Weber falavam, no qual o indivíduo esquece o seu Ego para fundir numa emoção comum. (DUBET, 1994, p. 94).

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Como bem aponta o autor, a experiência é uma atuação cognitiva que visa a construção do real e a experimentação, mas não desprovida do caráter subjetivo. Nesse sentido, a polaridade entre razão e sensibilidade se funde para que no filme, o ator possa se inserir no mundo, reconhecer sua subjetividade e a presença do outro.

Portanto, a experiência social se constitui nas relações não havendo desse modo, uma subjetividade absoluta do ator ou objetividade plena sobre a realidade que o cerca. Assim como na vida social, na película, o ator, como o indivíduo humano se apropria de máscaras para vivenciar seus papeis, que age socialmente e vivencia relações de conflitos, de interesses convergentes, divergentes, de subordinação e domínio.

Lucas, o protagonista do filme, não correspondeu ao “amor” da aluna Klara2

de cinco anos, uma criança carente e inventiva, que se sente rejeitada pelo professor e filha de seu melhor amigo Théo e de sua esposa Agnes. Na narrativa, a diretora da escola, Greth, em um momento a sós e mais demorado com a menina, durante uma conversa amena, escuta da criança que ela não gostava do professor,

que, “o detestava, que ele era um idiota e que tinha um pênis levantado como um

bastão”. Suas palavras poderiam ser fruto de sua mente imaginativa ou talvez vingativa pela rejeição do amor não correspondido pelo professor. Diante dessa afirmativa, sem demonstrar medo, inquietação ou insegurança, a menina desvia completamente a conversa e comenta sobre a chegada do Papai Noel.

Como era sua função, Greth, passa a investigar a informação da garota, comunicando ao professor que uma criança afirmara ter visto suas partes íntimas sem, no entanto, identificá-la. Embora inicialmente, ela o tranquilize, o julgamento antecipado se evidencia e a fala informal da criança vai se tornando uma acusação, assumindo grandes proporções, com manifestações de violência que vão se revelando no decorrer da trama entre os pares e na comunidade.

Lucas, o professor, descobre que o boato se iniciou por meio de Klara, a filha do melhor amigo, Théo. Sem saber o teor da acusação decide procurá-lo. Como seu melhor amigo, Théo o reconhece pelo olhar e, em cenas do filme, sabe quando está mentindo. Ele chora em sua presença. É o amigo Théo, que se vê em conflito com o pai e o esposo. Qual o papel social irá imperar? Théo o recebe, mas é importante

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observar que entre os muitos silêncios intraduzíveis, ele experiencia mais de um papel, como mencionado por Martuccelli.

El indivíduo no es, de esse modo, absolutamente inseparable del fondo, es decir el segundo plano, que explica su conducta. Ésta se estabelece dentro de los equilíbrios de tensiones, em dedio de conexiones más o menos visbles, cuyos efectos son, no obstante, siempre reales. Dicho de outro modo, los individuos son percebidos como el fruto de um entrecruzamento de fuerzas que actúan em función de la estructura de relaciones sociales en acción. (MARTUCCELLI, 2007, p. 13).

Em situação análoga à película em análise, há aproximadamente 20 anos, ocorreu em São Paulo um fato semelhante envolvendo crianças, uma escola de Educação Infantil, seus proprietários, pais e a comunidade. Os donos da “Escola Infantil de Base”, como era chamada, foram acusados por um delegado, pelo crime de pedofilia. Junto a acusação havia também a suspeita da utilização de um estúdio fotográfico nas proximidades da escola onde algumas crianças teriam sido retiradas do estabelecimento e fotografadas.

Diante do apressado julgamento sem bases bem fundamentadas, os acusados tiveram sua reputação destruída pela imprensa e pela justiça, contando ainda com o apoio popular. Sem a apuração plena e conscienciosa, a suspeita transformada em certeza foi divulgada pelo delegado que apurava o caso, transformada num espetáculo midiático explorado cotidianamente em manchetes que causavam no público pavor e revolta.

Somente muitos anos depois, a inocência dos donos foi comprovada, mas a escola já não mais existia, a vida dos envolvidos já havia sido destruída em todos os aspectos, material e emocional, marcada pela difamação e pelo rápido veredito popular. Sonhos e carreiras profissionais foram destruídos. Os estigmas, as dores emocionais e os danos morais não foram dissipados. As indenizações pagas pelos dois veículos de comunicação condenados (Rede Globo e Folha de São Paulo) não impediram que a falsa história fosse arrastada no tempo e aniquilasse os projetos dos proprietários e profissionais da escola.

Assim como na vida real, toda trama que se desenvolve na película a partir do entendimento e constatação prévia de que o professor era realmente culpado, deixa pistas importantes de que aí também prevaleceu a injustiça no processo

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investigativo. A narrativa, se desenvolve com a atuação de uma nova personagem, um profissional que ao entrevistar a criança, parte da premissa de que crianças não mentem sustentada também pela diretora da escola, e que, portanto, o abuso verdadeiramente aconteceu. Em todo o diálogo as perguntas são direcionadas para que as respostas confirmassem a premissa do crime sexual pela aluna, que acaba por afirmar aquilo que o entrevistador pressupunha como real. No desenrolar da trama não apenas a diretora, mas a comunidade escolar e os agentes do poder público dão como certo o crime.

Embora não houvesse indícios do ocorrido, mas apenas a fala da aluna que não apresentava evidências físicas que levassem à confirmação do abuso, se apresentam as seguintes questões: Por que a direção da escola, sem provas concretas e tendo consciência de que a criança tinha uma imaginação fértil, acreditou na aluna? Por que a presunção da inocência não foi considerada pelos agentes da justiça? Que sentimentos e emoções fundamentam a violência oculta, alimentada por falsas premissas presentes tanto no filme, como na vida real, a imagem da justa aplicação da justiça? Diante de uma injustiça referenciada em bases morais tão graves, que recursos poderiam estabelecer novamente a reintegração social e emocional do professor, verdadeira vítima em questão?

Com o objetivo de melhor compreender as diferentes formas de manifestação da violência e seus significados emaranhados, Chauí (1999) ressalta que, a

[...] violência é um ato de brutalidade, sevícia e abuso físico e/ou psíquico contra alguém e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela opressão e intimidação, pelo medo e o terror. A violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e de liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis, mudos e inertes ou passivos. (CHAUÍ, 1999, p. 2).

Como nos lembra a autora, a violência não se limita a apenas atos de crueldade e maus tratos físicos, mas também ao abuso psíquico, manifestado de diferentes formas nas relações intersubjetivas e sociais, que reforçam a intimidação pelo medo. Diante de algumas pistas tentamos entender as representações sociais que se revelaram no filme e contribuíram para as tomadas de decisões das personagens que colaboraram para o comportamento violento pelos membros da comunidade.

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Lucas, no imaginário da direção da escola, rompe com a expectativa do papel social do educador, modelo, conduta irrepreensível, que segura na mão do aprendiz e o conduz ao conhecimento. Posteriormente, as colegas de trabalho, os alunos, os pais e a própria população da cidadezinha dinamarquesa onde se desenvolve a trama, também se apropriam do entendimento de que o professor se distancia e rompe com seu papel social e por isso, passam a recriminá-lo com manifestações de violência, como agressões físicas e psíquicas. Tais agressões não se limitam a ele, mas também a seu animal de estimação, um cachorro. Lucas sofre intimidação de membros da escola, pais de alunos, dos ex-amigos, membros da comunidade e do comércio. Além da opressão sofrida pela comunidade e colegas de trabalho, também seu filho é oprimido por antigos amigos e outros membros da comunidade.

Aqui é interessante ressaltar que Martuccelli aponta que o indivíduo aprende a desempenhar seu papel a partir da estrutura da sociedade em que está inserido. Embora não haja impedimento na expressão de sua autonomia, ele pode se liberar da tradição e ser capaz de expressar outros juízos de valor. Na película, podemos destacar o papel social atribuído à diretora da escola e como ela o representa. Ela é a autoridade, aquela que detém o poder de decisão, a que administra leis e normas, cuida da dinâmica escolar, participa da cena educacional e faz o elo entre os professores, os alunos, os pais e a comunidade. Assim, Grethe é reconhecida e respeitada pela equipe educacional, pelos alunos, pelos pais e pela própria comunidade em que vive.

Portanto, a diretora, se reconhece no papel social que representa e se sente integrada ao sistema social. Sua autoridade possui legitimidade do grupo, pois ela age diante da expectativa própria e a expectativa do grupo. A ação social, segundo Dubet (1994), é definida pela natureza das relações.

O que é próprio das relações sociais reside naquilo a que Weber chama de ‘potência’, porque a acção é social por visar sempre, mais ou menos diretamente, outrem. O poder não é unicamente um atributo, é uma relação que pode alicerçar-se em posições sociais é tão só o equilíbrio dos poderes em presença. Por esta razão, as relações sociais são definidas segundo Weber em termos de legitimidade [...] (DUBET, 1994, p.110).

A ordem social ocorre, essencialmente, pelo reconhecimento da legitimidade da ação. Isto é, o ator social executa seu papel de forma integrada ao modo como é

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esperado e reconhecido pelo grupo. O papel da autoridade da diretora no filme, não intercorre aleatoriamente. A decisão de denunciar o professor e requisitar a investigação da polícia, de comunicar os pais, orientá-los sobre a suspeita e pedir-lhes para observarem os filhos, são ações respaldadas e legitimadas pela função que ela ocupa e que ela acredita ser a correta.

2 O suporte e o papel social na constituição do indivíduo

Martuccelli (2007), em sua obra “Gramáticas do Indivíduo”, afirma que o indivíduo é uma invenção da modernidade e que é um ator pertencente a um todo social dotado de intenções:

No obstante, el individuo nos es unicamente um actor social. Representa también, aunque la sociologia tiene a veces demasiada tendência a olvidarlo dentro de sus sistemas metodológicos, uma definición normativa que informa em profundid el carácter de las práticas sociales. Por lo tanto, el individuo es a la vez um actor empírico, próprio de toda colectividad humana, y es igualmente, y de manera indisoluble, em la modernidade, um sujeto que se apoya em uma representación histórica y normativa particular. (MARTUCELLI, 2007, p. 11).

Por conseguinte, o indivíduo está intimamente interligado aos espaços sociais, se compõe por meio de suas relações sociais que são estabelecidas mediante forças que modelam suas condutas. Martuccelli afirma ainda que, na modernidade, o primeiro desafio ao qual o indivíduo se confronta, antes mesmo daquele que se refere ao respeito às regras, é conseguir se manter a partir de si mesmo em um mundo que já não mais o sustenta tão firmemente tal como o fazia

antes. O indivíduo conceituado como “senhor de si”, com plena autonomia e

assegurado por si mesmo não é mais possível diante da complexidade de papeis que passou a exercer, da multiplicidade de contextos e das expectativas a eles relacionados.

Essa representação, embora tenha se amparado por um longo período histórico, na atualidade, não se sustenta mais. A complexidade do mundo ampliou e o indivíduo moderno é impelido a encontrar nos objetos, nos suportes externos, nas relações sociais, a solidez que não sente mais em si mesmo. Consequentemente, a autonomia do sujeito está intimamente relacionada com a quantidade de suportes

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que ele possui. O discurso da autonomia está oculto no suporte que o ator possui. Martuccelli (2007) afirma que a autonomia é alimentada pelos suportes econômico, afetivo, social, familiar, espiritual.

Para o autor, os sustentáculos se entrelaçam a uma dinâmica social, algumas características do indivíduo identificadas se relacionam às exigências do mercado econômico e da representação política que demandam autonomia; à capacidade de fixar a si mesmo as orientações de sua ação; à passagem da comunidade para a sociedade com a imagem da independência, baseada na expansão do processo de racionalização, como um ser dotado de forte capacidade e autocontrole pessoal e, por fim, à expressiva capacidade de manifestar-se para fora de si, por seus atos, aquilo que ele é intimamente.

A relevância do papel social é o que faz o vínculo entre as estruturas sociais e seus atores. Os indivíduos, na maior parte de suas vidas, interpretam papeis e na contemporaneidade, a diversidade de papeis bem como as cobranças são maiores. Por conseguinte, é exigido desses atores a possibilidade de interpretar vários papeis que se entrelaçam e que em muitas situações podem propiciar momentos de confrontos entre eles. No filme o exemplo pode ser observado a partir Théo (melhor amigo de Lucas e pai de Klara), que em muitos momentos vivenciou conflitos entre o papel de pai, amigo, chefe de família.

Como amigo, Théo recebe Lucas; como pai, tem o dever de proteger a filha e

supõe que a filha não mentiria; como marido e “pai de família” tem a

responsabilidade de resguardar o grupo familiar com firmeza. Como homem que cumpre seu papel, Lucas o interroga se há duvida de sua inocência e pede que ele converse com a filha, pois nem ele sabia do que era acusado. Neste momento, o protagonista espera que o papel social de amigo leal o reconheça, mas Théo exprime incerteza e quando sua esposa entra na sala, ordena que o professor vá embora e não retorne mais. Theo é impelido a exercer seu papel de “chefe de família” e ameaça matá-lo, caso seja comprovada a violência sofrida pela filha.

Ao final, Klara conversa com a mãe e afirma que ele não havia feito nada, que ela, apenas, disse algumas bobagens e agora todas as crianças também passaram a dizer a mesma coisa. É preciso saber quais os sentidos subjacentes estão na fala de Klara e o posicionamento da mãe. Depois de ser orientada pela escola que a

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criança após sofrer algum abuso, tendia a negar o ocorrido, a mãe potencializou o entendimento de que a filha estava apenas negando o abuso.

O cerne da questão está na compreensão de que a escola é uma instituição reconhecida no imaginário coletivo como o local de excelência, uma vez que é o espaço do cuidado, do conhecimento, da formação intelectual e moral. Por conseguinte, esse espaço se configura como detentor da verdade. Boas famílias não negligenciam a educação e oportunizam aos filhos a escola para se apropriarem do conhecimento e de sua formação.

Em “Jagten”, o professor fica desprovido economicamente, seu direito de ver o filho e de frequentar locais públicos lhe é negado. Além disso, outros tipos d e violências são praticadas, como olhares de repreensão, afastamento dos antigos companheiros, hostilização e, às vezes, impedimento de fazer compras, além de agressão física e de ter a casa apedrejada. Todas essas manifestações não são repreendidas pela sociedade.

Ao contrário, são comportamentos reconhecidos pela comunidade como “dentro da norma” e “justos”, “estão de acordo com a lei” como pode ser visto no filme. Percebe-se existir um entendimento e um veredito preestabelecido, mesmo sem o término das investigações e sem que o outro lado fosse ouvido ou permitido a ele, a sua defesa. Ao contrário, há o consenso de que o protagonista teria traído a própria comunidade e seu papel social de professor, de amigo e de cidadão. Visivelmente deprimido, Lucas aguarda as investigações da polícia, se recolhe em casa, não revida às agressões e não procura se impor ou se defender.

Tomando como exemplo esse momento específico da película, Martuccelli (2007) afirma que a posição do ator se define pela forma que ele vê, interpreta e experimenta o mundo. Assevera, ao mesmo tempo, que o indivíduo só existe na medida em que é sustentado por um conjunto de suportes que são elementos constitutivos da autonomia. Para ele, o dinheiro, por exemplo, amplia a autonomia, promove a liberdade e, ao mesmo tempo, pode criar dependência. Contudo, não se pode negar que ele é suporte para a relação de classe.

O professor, no filme, fica desempregado, desamparado dos vínculos sociais e relacionamentos afetivos. Como ator de sua própria história, está desprovido de seu papel de profissional, amigo, pai e até mesmo de cidadão. Encontra-se

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desamparado afetiva, social e economicamente, sem suportes valiosos para que o sentido da existência seja restabelecido. Sua dignidade é brutalmente afetada.

Marcus, o filho, no encontro com o pai, no período das festividades natalinas, toma conhecimento do que estava acontecendo. O filho chora, revolta-se e acredita na inocência do pai, além de se irritar com o comportamento da comunidade. O amigo Bruun, que é padrinho de seu filho, apoia Lucas e contrata um advogado, no entanto, o repreende e questiona por sua falta de posicionamento, de enfrentamento diante da grave questão em que ele é envolvido. Repreensão esta legitimada pelo papel social de amigo e padrinho.

Lucas se sente mais amparado após a chegada do filho e do amigo Bruun. Amigo que afirma ser loucura o que estava acontecendo e diz que os “adultos se enganam quando pensam que crianças não mentem. Mentem e muito.” Importante lembrar que o professor tem sua autoestima fortalecida, ao contar com o apoio do amigo e compadre, do filho, além do suporte jurídico.

Outros aspectos também nos fornecem pistas importantes para analisarmos os impactos do espaço escolar que ultrapassam a sala de aula. A imagem idealizada do professor é fraturada. A comunidade passa a ser agressiva com Lucas. O dono do mercado comunica ao filho de Lucas que ele e o pai não deveriam voltar mais em seu estabelecimento, pois os outros fregueses não os queriam lá. Marcus, ao retornar, presencia a prisão do pai e encontra a casa trancada. As portas estão fechadas, da casa também.

Então procura Théo, em busca da outra chave da casa. O pai, em outro momento havia lhe contado que ela estava com uma pessoa. O filho entende que apenas um amigo verdadeiro poderia ter esta chave. Théo o acolhe exercendo o papel fraternal, mas o grupo de amigos e familiares o repreende com o olhar, exigem dele a atuação de guardião da família e inimigo de Lucas. Marcus discute com Klara e com as pessoas que estavam lá, com o sentimento de injustiça se rebela, grita e afirma que eles estavam errados. É agredido fisicamente por alguns pais das outras crianças que estavam ali, o antigo amigo o protege e manda-o embora. Novamente o conflito dos papeis exercidos por Théo se afloram: ele é pai, esposo e possui outros amigos que esperam que exerça seu papel. Intimamente, se pune, pois gosta de Marcus e Lucas e está inseguro quanto à veracidade dos fatos.

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Bruun acolhe o afilhado em sua casa, Marcus conta com este suporte. O padrinho exerceu seu papel social com toda a propriedade: acolhe, protege e o reconhece como alguém digno de compartilhar de sua intimidade. Atua, ao mesmo tempo, como padrinho, amigo e chefe de família. Martuccelli afirma que o ator se define pela forma que ele vê, interpreta e experimenta o mundo. Bruun estava plenamente seguro de sua atuação, consequentemente agiu sem conflitos. Finalmente Lucas é inocentado e retorna para casa, no entanto, a violência não interrompe o estigma de pedófilo ainda permanece e,

Cuanto más frágeis es la situación de um individuo, más obligado se encuentra práctivamente éste a enterse dede el interior, sobre todo sin otra alternativa que demostrar su impossibilidade para lograrlo. La experiencia es tanto más difícil cuando la obligación de autogobernarse no se apoya más que sobre débiles o inconsistentes correlaciones materiales osimbólicas. (MARTUCCELLI, 2007, p. 73).

Embora inocentado, Lucas ainda permanece frágil, pois os suportes recebidos não foram suficientes para que ele pudesse se restabelecer integralmente. Faltavam-lhe recursos materiais e simbólicos para lhe permitir o autogoverno. Inesperadamente, sua cadela Fanny, que era sua companhia e leal companheira é morta e colocada na porta de sua casa. Mais uma violência e punição da comunidade, desdobramento que demonstra uma ferida no corpo coletivo que resiste à cicatrização.

Após inúmeras violências sofridas e silenciadas pelo protagonista, ele resolve sair de casa. Quer ser visto por todos, passa a não temer o confronto e retorna ao mercado, adentra o espaço público. Depois de insultos, de ser impedido de levar suas compras e sofrer agressões verbais e físicas, é colocado para fora, mas retorna, revida a agressão e exige as compras, posicionando-se assim, em defesa de seu direito. Machucado, sai do estabelecimento e anda pela rua com dificuldades e sangrando, caminha como que reafirmando seu papel de cidadão, de sujeito de direitos.

Na tarde de Natal, mesmo machucado, com as marcas da violência, Lucas se recompõe e vai assistir à celebração de Natal. Não quer se esconder, quer ser visto e se impor como cidadão de direito. Adentra ao local sagrado. Novamente Martuccelli aqui é lembrado ao apontar que a coragem também aparece nas

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estratégias que o indivíduo utiliza para se adaptar aos contornos do mundo exterior em busca de suportes e que ela, a coragem,

[...] en algún momento, passa por la capacidad de confessar sus debilidades, de aprender a encontrar la fuerza moral em actitudes habitualmente juzgadas como indignas, y reconhecer, entonces, um mundo sin orden último. Y es hacia esta última que deberán ir nustras preferencias. (MARTUCCELLI, 2007, p. 104).

O professor, ao romper a estratégia do silêncio e da passividade que até então utiliza, busca em si mesmo a força para resistir à própria desintegração física e moral, manifestando assim, coragem, busca do suporte em si mesmo. A comunidade mantém os olhos atentos sobre ele, inclusive o antigo amigo Théo, que não para de olhá-lo, deixando transparecer o incômodo de dividir o mesmo espaço com aquele que não mais exercia e compartilhava o papel de companheiro. Incômodo por não ter impedido a dor do antigo companheiro, e não o ampará-lo em uma situação de fragilidade e violência. Ali estavam as crianças da escola que fariam uma apresentação. Todos os atores da sua história trágica estavam ali reunidos, no local sagrado, onde se vive a comunhão e se busca a santidade.

Rumores e olhares são trocados entre os atores, inclusive entre Agnes e Théo. Olhares esses que, em determinado momento, se entrecruzaram com o de Lucas que chorando, mirava o amigo perdido. Théo, novamente vive o novo conflito entre o papel de amigo, de cidadão, de marido e de pai. Em seu íntimo, sofre por não amparar o amigo, por traí-lo, por não exercer sua identidade, por negar os laços afetivos.

Lucas sai do banco e vai até Théo chorando, apresentando sua fragilidade física e emocional, mas, ao mesmo tempo, potencializa sua coragem. Não quer se omitir, de certa forma, enfrenta a todos, não teme nem mesmo o espaço sagrado. Põe-se diante de todos, dentro da igreja, o local do respeito, do contido, não se importa mais, quer o reconhecimento, a reconquista de seu lugar social. Pergunta se ele tem algo a lhe dizer, o agride com um soco, mas o antigo companheiro não revida. Théo não reage. No fundo reconhece que falhou em seu papel social. Novamente é esbofeteado e não revida. Agnes grita e o chama de psicopata, ele diz que quer falar com o amigo perdido por um prejulgamento.

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Vale destacar que Lucas pede para ele olhar em seus olhos, para ver com profundidade e observar se havia alguma coisa escondida. É como se retornassem ao diálogo do início da película, no momento em que Théo lhe diz que quando ele mente os olhos tremem. Nesta cena, resgata-se o encontro dos atores que vivenciam os laços de amizade, da intimidade que permite um olhar atento, o

reconhecimento íntimo de si e do outro, a capacidade de “ver a verdade”. Lucas sai

da igreja e vai para a casa, pedindo que Théo e todos o deixassem em paz. No espaço de compartilhamento a comunidade religiosa vivencia um paradoxo, pois como cristãos, falharam. Não acolheram, julgaram premeditadamente, não perdoaram e usaram a violência, mesmo acreditando que estivessem fazendo justiça.

Após a celebração e a ceia, Théo coloca Klara na cama e novamente ela diz que o professor não havia feito nada. Ele chora e conta à filha o que os dois já haviam vivido quando crianças e jovens. Recolhe uma bebida e alimentos. A esposa percebe a intencionalidade de sua ação e pede para ele não ir. O papel social do amigo aflora com mais veemência, é mais latente e ele pede para que ela o deixe ir. Não desejava vivenciar o confronto entre os papeis.

No filme, não fica claro como Théo entra na casa, mas fica subentendido que ele possuía a chave, porque entra e encontra Lucas adormecido. O acorda, lhe oferece o alimento e a bebida, lhe faz companhia e pede para ficar por mais um tempo. Nesse aspecto parece ser restabelecido nesse momento, o lugar de amigos, ambos se perdoam, se acolhem e alimentam juntos, compartilham o pão, se veem novamente como companheiros.

Finalmente, após o reencontro, os suportes sociais afloram-se e Lucas resgata seu papel de pai, de amigo, de namorado, de integrante do grupo de caça, de cidadão. Após um ano do ocorrido, Marcus, seu filho, participa de um rito de passagem da comunidade. Fará sua primeira caça oficial, será membro do grupo da caça. A importância desse rito está em representar a capacidade do homem de alimentar sua família. O jovem é recebido com todas as honras e Lucas também é recepcionado com alegria. Depois dos rituais, os associados saem para a caçada, inclusive o novo sócio e abruptamente Lucas é quase atingido por um tiro que não se sabe de onde partiu. O diretor do filme deixa o suspense, a dúvida se o tiro foi

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apenas um erro, ou um aviso para que o protagonista não esquecesse de que ainda era vigiado e caçado. O estigma o acompanhava.

Considerações finais

Dubet (1994) afirma que os papeis sociais são vivenciados sem garantia plena de sua previsibilidade. Em alguns momentos, essas representações são também incertas, abertas e rígidas e no exercício da docência, os desafios não são diferentes, os conflitos entre os papeis surgem no espaço escolar, ultrapassam os muros e adentram o espaço social. Decorre daí a necessidade de se pensar os contextos nos quais os indivíduos estão inseridos e representam seus papeis como ambiente de estabilidade e de resistência.

Observamos que na película, Lucas, quase todo o tempo, se vê diante da instabilidade e do enfrentamento em suas mais diversas representações sociais. Além disso, a violência, que se desnuda nas representações dos atores, pode contribuir para a compreensão das indagações iniciais: a conduta da direção da escola diante da declaração da aluna, a premissa de que o professor havia realmente cometido o abuso, a crença de que crianças não mentem, a violência oculta disfarçada pela feição de justiça, além dos questionamentos sobre os recursos para se estabelecer novamente a integração social diante de uma injustiça.

Grethe que, premeditadamente infere que Klara havia sofrido abuso sexual e que outras crianças também poderiam sofrer, recebe o suporte de um profissional

que comungou da mesma ideia. A diretora lamenta: “Estou arrasada por não

conseguir impedir”. Em seguida diz: “Pode haver várias vítimas, prestem atenção para observarem os sintomas”. Para Dubet (1994), a experiência social não é exclusivamente individual, pois há a necessidade do reconhecimento social. “Na medida em que o que se conhece da experiência é aquilo que dela é dito pelos atores, este discurso vai colher as categorias sociais da experiência.” (DUBET, 1994, p. 109).

Interessante destacar que a fala de Grethe, a diretora, demonstra que ela sente que falhou ao exercer o seu papel social. Talvez sua ação corresponda ao sentimento de incompetência e de medo das consequências decorrentes de seus atos. Seria então um empenho para impedir um dano maior? Ao mesmo tempo, é

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possível que tenha um sentimento de revolta pelo professor, que não cumpriu a imagem idealizada de seu papel. Esse mesmo sentimento também se propagou na comunidade. A “traição” do professor precisava de punição, era necessário “se fazer justiça”.

Não é necessário que as relações entre Eles e Nós sejam explicitamente hostis para se inscreverem numa lógica de integração, basta que elas funcionem no reconhecimento de uma diferença que mantém e fortalece a identidade integradora. Com muita frequência, no entanto, o conflito reforça o sentimento de pertença dos indivíduos e, por conseguinte, a sua integração, a sua identidade. (DUBET: 1994, p. 117).

Portanto, nos parece que a diretora, com sua fala e ação legitimada pela comunidade, forneceu os elementos necessários para que seu sentimento interno de raiva pudesse se desvelar com certa “naturalidade” e fosse compartilhado e internalizado pelo grupo que se utilizou da “violência natural”. Havia um entendimento de que era necessário defender os pares, principalmente, as crianças. A ação do grupo lança as bases da compreensão de que os valores da cultura não podem ser rompidos.

Na obra, “Gramática do Indivíduo”, pressupõe-se que o suporte mantém o

indivíduo entrelaçado ao mundo e, sem ele, não é possível a individuação. O indivíduo, segundo Martuccelli (2007), está cada vez mais dependente da avaliação pública e a autonomia é constituída de suportes materiais e simbólicos. Vimos, no filme, que Lucas havia perdido sua autonomia e a mesma só se restabeleceu com o retorno dos suportes econômico, político e afetivo.

Finalmente, fica constatado, na obra, que os papeis sociais desempenhados por Lucas são abalados, inclusive o de professor que lhe fora subtraído, além de ser estigmatizado. Os desafios da docência também são permeados pelos papeis sociais e sua vivência dentro e no entorno da escola. Nesse sentido, Martuccelli afirma que o contexto no qual o indivíduo está inserido é fundamental para a atuação do sujeito e que, nem sempre, é possível exercê-lo com tranquilidade. No filme, o professor foi impedido de exercer seu papel, além dos outros confrontos que o impediam de atuar como cidadão, amigo e pai. Foi possível observar que ele necessitou distanciar-se de seus papeis para poder ter mais consciência deles e passar a representá-los com maior propriedade.

(16)

A investigação sobre as experiências sociais, o suporte e os papeis sociais são necessários para compreendermos as práticas sociais, as dimensões desses papeis, sua legitimação e a responsabilidade que nem sempre é evidenciada. Não obstante, pode produzir prejuízos incalculáveis para o indivíduo e a comunidade.

Uma instituição como a escola, que representa o “local da verdade” e do

conhecimento, configura-se como um bem precioso para a sociedade. Logo, necessita que seus atores não exerçam seus papeis destituídos da clareza de que suas ações são políticas e penetram profundamente no espaço social.

Decorre daí o entendimento de que não é possível pensarmos o indivíduo com autonomia plena na contemporaneidade e que o sujeito não está desvinculado da coletividade. Tampouco é possível investigá-lo isoladamente, afastado de seu contexto social, pois o mundo tem se tornado cada vez mais complexo e as exigências dos papeis sociais também se tornaram multifacetadas.

Notas

* Verônica Pacheco Oliveira Azeredo é professora de Filosofia e Filosofia da

Educação do Centro Universitário de Minas Gerais – UNILESTE/MG. Mestre em

Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP e doutoranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: [email protected]

** Maria Luciana Brandão Silva é mestre e doutora em educação pela Faculdade de

Educação da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. E-mail:

[email protected]

1 Dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterbergo, o filme foi vencedor da Palma de

Ouro em Cannes, concorreu a melhor filme estrangeiro no Oscar 2012, passando ainda por outros 18 festivais, como os de KarlovyVary, Toronto, Zurich, Londres, São Paulo, entre outros. Nesta trajetória, Jagten (A caça) recebeu 10 prêmios e foi indicado para outros oito.

2 No filme, Klara é a personagem vivida por Annika Wesserkorpp, tendo como pai Théo (Thomas Bo Larsen) e sua esposa Agnes (Anne Louise Hassing). Na narrativa, a diretora Grethe (Sussewold), tem também papel de fundamental importância no desdobramento da trama.

Referências

CHAUÍ, Marilena. Uma ideologia perversa. Disponível em:

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DUBET, Francois. Sociologia da experiência. Lisboa: Instituto Piaget, 1994.

GONÇALVES, Luiz Alberto Oliveira; TOSTA, Sandra Pereira (Org.). A síndrome do medo contemporâneo e a violência na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. JAGTEN. Direção: Thomas Vinterberg. Produção: Morten Kaufmann, Sisse Graum Jørgensen e Thomas Vinterberg. Interpretes: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Lasse Fogelstrom e Annika Wedderkopp e outros. Roteiro: Tobias Lindholm e Thomas Vinterberg. Dinamarca: Zentropa, 2012, 106 min, color.

MARTUCCELLI, Danilo. Gramáticas del individuo. Trad. José Federico Delos. Buenos Aires: Losada, 2007.

Recebido em: setembro de 2018. Aprovado em: janeiro de 2019.

Referências

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