1.
Glossário,3
David Pereira Neves
2.
Relaçáo Parasito-Hospedeiro,2
David Pereira Neves
3.
Epidemiologia: Introduçáo e Conceitos,15
Mariângela Carneiro
Carlos Maurício de Figueiredo Antunes
4.
CIassificaçáo dos Seres Vivos,27
David Pereira Neves
5.
Protozoa,33
Ricardo Wagner de Almeida Vitor
6.
Subfilo Mastigophora,32
Ari Moura Siqueira
1.
Gênero LeisLmania,41
Marilene Suzan Marques Michalick
8 .
Leishmaniose Tegumentar Americana,47
Oduir Genaro
(in memoriam)
Alexandre Barbosa Reis9.
Leishmaniose Tegumentar do Velho Mundo,65
Odair Genaro
(in memoriam)
Alexandre Barbosa Reis10. ~eishmaniose viscera1 Americana,
61
Marilene Suzan Marques Michalick Odair Genaro (in memoriarn)
1 1 . Xypanosorna cruzi e Doença de Chagas,
85 Marta de Lana
,Washington Luiz Tafuri
1 2 . Xypanosorna (Herpetosorna) rangeli,
109 Edmundo Carlos Grisard
Mário Steindel
13.
Trchornonas,115
Geraldo Attílio De Carli Eana Tasca
1 4 . Giardia,
121
Maria Inês Terra Leme Sogayar Semíramis Guimarães
15.
Amebíase: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar,Edward Félix Silva
Maria Aparecida Gomes
1 6 . Amebas de Vida Livre,
139 David Pereira Neves
11. ~Iasmodiurn
-
Malária,143 Érika Martins Braga Cor Jesus Fernandes Fontes
1 8 . Toxoplasma gondii,
163 Urara Kawazoe
1 9 . Sarcocystis, Isospora e ~ryptosporidium,
113 José Divino Lima
20.
BaIantidium coIi,181 David Pereira Neves
2 1 . Helmintos,
185
Hélio Martins de Araújo Costa (in memoriarn)
2 2 . Schistosoma mansoni e a Doença,
193 Alan Lane de Me10
Paulo Marcos Zech Coelho
23. MoIuscos Transmissores do ScListosoma mansoni,
213
Femando Schemelzer de Moraes Bezerra
24.
Fasciola Lepatica, .223
Marcos Pezzi Guimarães
25.
Teníase e Cisticercose,222
Amália Verônica Mendes da Silva
26.
Echinococcus granulosus-
Hidatidose,239
Maria Elisabeth Aires Berne
22.
Hymenolepis nana,242
David Pereira Neves
28.
Outros Cestoda,251
David Pereira Neves
29.
Ascaris lumbricaides,253
Amália Verônica Mendes da Silva Cristiano Lara Massara
30.
Ancylostomidae,261
Antônio César Rios Leite
31. Larva migrans,
221
Walter dos Santos Lima
32.
Strongyloides stercoralis,215
Julia Maria Costa-Cruz
33.
Enterobius vermicularis,285
David Pereira Neves
34. TicLuris trickiura e Outros Trichuridas,
289
Deborah Aparecida Negrão-Corrêa
35. WucLereria bancrofti
-
Filariose Linfática,299
Gilberto Fontes
Eliana Maria Maurício da Rocha
36.
OncLocerca uo\vulus e Outros Filarídeos Humanos,309
Gilberto Fontes
Eliana Maria Maurício da Rocha
31. Filo Adhropoda, 3 1 9 David Pereira Neves
38. Classe Insecta, 323 David Pereira Neves
3 9 . Hemiptera, 3 2 1 Liléia Diotaiuti
Marcos Horácio Pereira Hélio Nogueira Espinola
4 0 . Cimicidae, 3 4 1 David Pereira Neves
4 1.
Diptera, 343 David Pereira Neves
4 2 . ~ s ~ c h o d i d a e , 3 4 5 Paul Williarns
Edelberto Santos Dias
4 3 .
Culicidae,355 Álvaro Eduardo Eiras
4 4 . Simuliidae, 3 6 9 David Pereira Neves
Herbert Tadeu de Alrneida Andrade
4 5 .
Cerat~po~onidae,313 Carlos Brisola Marcondes
4 6 . Tabanomorpha, 3 1 1 David Pereira Neves
41. Muscomorpha, 3 1 9 David Pereira Neves
4 8 . Miíases, 3 8 2
Arício Xavier Linhares
49. Siphonaptera, 392 Pedro Marcos Linardi 5 0 . Anoplura, 402
Pedro Marcos Linardi
51.
Classe Amchnida,413
José Oswaldo Costa José Ramiro Botelho
52.
Subordem Sarcoptiformes,423
José Ramiro Botelho
53.
Controle de Insetos,429
David Pereira Neves
54.
Parasitoses Emergentes,431
Ornar dos Santos Carvalho Cristiane Lufeta G E de Mendonça Henrique Leonel Lenzi
David Pereira Neves
Dulcinéia M. Barbosa Campos José Divino Lima
Urara Kawazoe
Ricardo Wagner de Almeida Vitor
55.
Exame Parasitológico de Sangue,453
David Pereira Neves
56.
Examep ara si to lógico
de Fezes,455
Míriam Oliveira e Rocha
Colaborador: Rômulo Teixeira de Mel10
51.
Meios de Cultura,465
David Pereira Neves
58.
Exame de Vetores,469
David Pereira Neves
Índice Remissivo,
415
Conceitos Gerais
H*-
Glossário
David Pereira Neves
Agente Etiológico. É o agente causador ou responsável pela origem da doença. Pode ser um vírus, bactéria, fungo, protozoário, helminto.
Agente Infeccioso. Parasito, sobretudo, microparasitos (bactérias, fungos, protozoários, vírus etc.), inclusive hel- mintos, capazes de produzir infecção ou doença infecciosa (OMS, 1973).
Anfixenose. Doença que circula indiferentemente entre humanos e animais, isto é, tanto os humanos quanto os ani- mais funcionam como hospedeiros do agente. Exemplo:
doença de Chagas, na qual o Trypanosoma cruzi pode cir- cular nos seguintes tipos de ciclo:
ciclo silvestre: gambá-triatomíneo-gambá;
ciclo peridoméstico: ratos, cão-triatomíneo-ratos, cão;
ciclo doméstico: humano-triatomíneo-humano; cão, gato-triatomíneo-cão, gato.
Antroponose. Doença exclusivamente humana. Por exem- plo, a filariose bancrofiiana, a necatorose, a gripe etc.
Antropozoonose. Doença primária de animais, que pode ser transmitida aos humanos. Exemplo: brucelose, na qual o homem é um hospedeiro acidental.
Cepa. Grupo ou linhagem de um agente infeccioso, de ascendência conhecida, compreendida dentro de uma es- pécie e que se caracteriza por alguma propriedade bioló- gica e/ou fisiológica. Ex.: a cepa "Laredo" da E. his- tolytica se cultiva bem a temperatura ambiente, com mé- dia patogenicidade.
Contaminação. É a presença de um agente infeccioso na superficie do corpo, roupas, brinquedos, água, leite, alimen- tos etc.
Doença Metaxênica. Quando parte do ciclo vital de um parasito se realiza no vetor; isto é, o vetor não só transporta o agente, mas é um elemento obrigatório para maturação e/
ou multiplicação do agente. Ex.: malária, esquistossomose.
Enzoose. Doença exclusivamente de animais. Por exem- plo, a peste suína, o Dioctophime renale, parasitando rim de cão e lobo etc.
Endemia. É a prevalência usual de determinada doença com relação a área. Normalmente, considera-se como en-
dêmica a doença cuja incidência permanece constante por vários anos, dando uma idéia de equilíbrio entre a doença e a população, ou seja, é o número esperado de casos de um evento em determinada época. Exemplo: no início do inver- no espera-se que, de cada 100 habitantes, 25 estejam gripados.
Epidemia ou Surto Epidêmico. É a ocorrência, numa co- letividade ou região, de casos que ultrapassam nitidamente a incidência normalmente esperada de uma doença e derivada de uma fonte comum de infecção ou propagação. Quando do aparecimento de um único caso em área indene de uma doença transmissível
(p.ex.: esquistossomose em Curitiba), podemos considerar como uma epidemia em potencial, da mesma forma que o aparecimento de um único caso onde havia muito tempo determinada doença não se registrava
(p.ex.: varíola, em Belo Horizonte).
Epidemiologia. É o estudo da distribuição e dos fatores determinantes da frequência de uma doença (ou outro even- to). Isto é, a epidemiologia trata de dois aspectos fun- damentais: a distribuição (idade, sexo, raça, geografia etc.) e os fatores determinantes da freqüência (tipo de patógeno, meios de transmissão etc.) de uma doença. Exemplo: na epi- demiologia da esquistossomose mansoni, no Brasil, devem ser estudados: idade, sexo, raça, distribuição geográfica, criadouros peridomiciliares, suscetibilidade do molusco, há- bitos da população etc. (Ver Capitulo 3 Epidemiologia).
Espécies Alopátricas. São espécies ou subespécies do mesmo gênero, que vivem em ambientes diferentes, devido a existência de barreiras que
assepararam.
Espécies Simpátricas. São espécies ou subespécies do mesmo gênero, que vivem num mesmo ambiente.
Espécie Euritopa. É a que possui ampla dislribuiqão geográ- fica, com ampla valência ecológica, e até com hábitats variados.
Espécie Estenótopa. É a que apresenta distribuição geo- gráfica restrita com hábitats restritos.
Estádio. É a fase intermedihia ou intervalo entre duas mudas da larva de um &pode ou helrninto. Ex.: larva de 1"
estádio, larva de 3* estádio, estádio adulto (em entomologia, estádio adulto
ésinônimo de instar).
Capitulo 1
3
Estágio. É a forma de transição (imaturos) de um artrópode ou heirninto para completar o ciclo biológico. Ex.:
estágio de ovo, larva ou pupa (portanto, o estágio larva pode passar por dois ou três estádios).
Fase Aguda. É aquele período após a infecção em que os sintomas clínicos são mais marcantes (febre alta etc.). É um período de definição: o indivíduo se cura, entra na fase crô- nica ou morre.
Fase Crônica. É a que se segue a fase aguda; caracteri- za-se pela diminuição da sintomatologia clínica e existe um equilíbrio relativo entre o hospedeiro e o agente infecc,ioso.
O número do parasitos mantém uma certa constância. E im- portante dizer que este equilíbrio pode ser rompido em fa- vor de ambos os lados.
Fômite. É representado por utensílios que podem veicu- lar o parasito entre hospedeiros. Por exemplo: roupas, serin- gas, espéculos etc.
Fonte de Infecção. "É a pessoa, coisa ou substância da qual um agente infeccioso passa diretamente a um hos- pedeiro. ~ s i a fonte de infecção pode estar situada em qual- quer ponto da cadeia de transmissão. Exemplos: água con- taminada (febre tifóide), mosquito infectante (malária), car- ne com cisticercos (teníase)." OMS, 1973.
Hábitat. É o ecossistema, local ou órgão onde determi- nada espécie ou população vive. Ex.: o Ascaris lumbricoides tem por hábitat o intestino delgado humano.
Heteroxeno. Ver Parasito heteroxênico.
Hospedeiro. É um organismo que alberga o parasito.
Exemplo: o hospedeiro do Ascaris lumbricoides
éo ser hu- mano.
Hospedeiro Definitivo. É o que apresenta o parasito em fase de maturidade ou em fase de atividade sexual.
Hospedeiro Intermediário. É aquele que apresenta o pa- rasito em fase larvária ou assexuada.
Hospedeiro Paratênico ou de Ti-ansporte. É o hospedeiro intermediário no qual o parasito não sofre desenvolvimen- to, mas permanece encistado até que o hospedeiro definiti- vo o ingira. Exemplo: Hymenolepis nana em coleópteros.
Incidência. É a freqüência com que uma doença ou fato ocorre num período de tempo definido e com relação
àpopulação (casos novos, apenas). Exemplo: a incidên- cia de piolho (Pediculus humanus) no Grupo Escolar X, em Belo Horizonte, no mês de dezembro, foi de 10%. (Dos 100 alunos com piolho, 10 adquiriram o parasito no mês de dezembro.)
Infecção. Penetração e desenvolvimento, ou multiplicação, de um agente infeccioso dentro do organismo de humanos ou animais (inclusive vírus, bactérias, protozoários e helmintos).
Infecção Inaparente. Presença de infecção num hos- pedeiro, sem o aparecimento de sinais ou sintomas clínicos.
(Nesse caso, pode estar em curso uma patogenia discreta, mas sem sintomatologia; quando há sintomatologia a infec- ção passa a ser uma doença infecciosa.)
Infestação. É o alojamento, desenvolvimento e reprodu- ção de artrópodes na superficie do corpo ou vestes. (Pode- se dizer também que uma área ou local está infestado de artrópodes.)
Letalidade. Expressa o número de óbitos com relação a determinada doença ou fato e com relação a população. Por
ex.: 100% das pessoas não-vacinadas, quando atingidas pelo vírus rábico, morrem. A letalidade na gripe
émuito baixa.
Morbidade. Expressa o número de pessoas doentes com relação a população. Exemplo: na época do inverno, a mor- bidade da gripe
éalta [isto
é,o número de pessoas doentes (incidência)
égrande].
Mortalidade. Determina o número geral de óbitos em de- terminado período de tempo e com relação a população.
Exemplo: em Belo Horizonte morreram 1 .O32 pessoas no mês de outubro de 2004 (acidentes, doenças etc.).
Parasitemia. Reflete a carga parasitária no sangue do hospedeiro. Exemplo: camundongos X apresentam 2.000 tripanossomas por cm3 de sangue.
Parasitismo. É a associação entre seres vivos, em que existe unilateralidade de benefícios, sendo um dos as- sociados prejudicados pela associação. Desse modo, o pa- rasito
éo agressor, o hospedeiro
éo que alberga o parasi- to. Podemos ter vários tipos de parasitos:
Endoparasito. O que vive dentro do corpo do hos- pedeiro. Exemplo: Ancylostoma duodenale. Ectoparasito. O que vive externamente ao corpo do hospedeiro. Exemplo:
Pediculus humanus (piolho).
Hiperparasito. O que parasita outro parasito. Exemplo:
E. histolytica sendo parasitado por fungos (Sphoerita en- dogena) ou mesmo por cocobacilos.
Parasito Acidental. É o que parasita outro hospedeiro que não o seu normal. Exemplo: Dipylidium caninum, parasitando criança.
Parasito Errático. É o que vive fora do seu hábitat normal.
Parasito Estenoxênico. É o que parasita espécies de ver- tebrados muito próximas. Exemplo: algumas espécies de Plasmodium só parasitam primatas; outras, só aves etc.
Parasito Eurixeno. É o que parasita espécies de verte- brados muito diferentes. Exemplo: o Toxoplasma gondii, que pode parasitar todos os mamíferos e até aves.
Parasito Facultativo. É o que pode viver parasitando, ou não, um hospedeiro (nesse último caso, isto
é,quando não está parasitando,
échamado vida livre). Exemplo: larvas de moscas Sarcophagidae, que podem desenvolver-se em fe- ridas necrosadas ou em matéria orgânica (esterco) em de- composição.
Parasito Heterogenético.
Éo que apresenta altemância de gerações. Exemplo: Plasmodium, com ciclo assexuado no mamífero e sexuado no mosquito.
Parasito Heteroxênico. É o que possui hospedeiro de- finitivo e intermediário. Exemplos: Trypanosoma cruzi, S.
mansoni.
Parasito Monoxênico.
Éo que possui apenas o hos- pedeiro definitivo. Exemplos: Enterobius vermicularis, A.
lumbricoides.
Parasito Monogenético. É o que não apresenta alternân- cia de gerações (isto
é,possui um só tipo de reprodução sexuada ou assexuada). Exemplos: Ascaris lumbricoides, Ancylostomatidae, Entamoeba histolytica.
Parasito Obrigatório. É aquele incapaz de viver fora do hospedeiro. Exemplo: Toxoplasma gondii, Plasmodium, S.
mansoni etc.
Capitulo 1
Parasito Periódico.
Éo que frequenta o hospedeiro intervaladamente. Exemplo: os mosquitos que se alimentam sobre o hospedeiro a cada três dias.
Parasitóide. É a forma imatura (larva) de um inseto (em geral da ordem Hymenoptera) que ataca outros invertebra- dos, quase sempre levando-os a morte (parasitóide
=para- sito proteleano). Ex.: os micromenópteros Telenomous fariai e Spalangia endius desenvolvendo-se, respectivamente, em ovos de triatomíneos e pupas de moscas.
Partenogênese. Desenvolvimento de um ovo sem inter- ferência de espermatozóide (parthenos
=virgem, mais genesis
=geração). Ex.: Strongvloides stercoralis.
Patogenia ou Patogênese. É o mecanismo com que um agente infeccioso provoca lesões no hospedeiro. Ex.: o S.
mansoni provoca lesões no organismo através de ovos, formando granulomas.
Patogenicidade. É a habilidade de um agente infec- cioso provocar lesões. Ex.: Leishmania braziliensi tem urna patogenicidade alta; Taenia saginata tem patogeni- cidade baixa.
Patognomônico. Sinal ou sintoma característico de uma doença. Ex.: sinal de Romana, típico da doença de Chagas.
Pedogênese. É a reprodução ou multiplicação de uma forma larvária (pedos =jovem, mais genesis
=geração). Ex.:
a formação de esporocistos secundários e rédias a partir do esporocisto primário.
Período de Incubação.
Éo período decorrente entre o tempo de infecção e o aparecimento dos primeiros sinto- mas clínicos. Ex.: esquistossomose mansoni-penetração de cercária até o aparecimento da dermatite cercariana (24 horas).
Periodo Pré-Patente. É o período que decorre entre a in- fecção e o aparecimento das primeiras formas detectáveis do agente infeccioso. Ex.: esquistossomose mansoni-período entre a penetração da cercária até o aparecimento de ovos nas fezes (formas detectáveis), aproximadamente, 43 dias.
Poluição. É a presença de substâncias nocivas (produ- tos químicos, por exemplo) mas não-infectantes, no ambiente (ar, água, leite, alimentos etc.).
Portador. Hospedeiro infectado que alberga o agente infeccioso, sem manifestar sintomas, mas capaz de trans- miti-lo a outrem. Nesse caso,
étambém conhecido como
"portador assintomático"; quando ocorre doença e o por- tador pode contaminar outras pessoas em diferentes fases,
ftemos o "portador em incubação", "portador convalescen- te", "portador temporário", "portador crônico".
Premunição ou Imunidade Concomitante. É um tipo es- pecial do estado imunitário ligado a necessidade da presen- ça do agente infeccioso em níveis assintomáticos no hos- pedeiro. Normalmente, a premunição
éencarada como sen- do um estado de imunidade que impede reinfecções pelo
agente infeccioso específico. Ex.: na malária, em algumas re- giões endêmicas, o paciente apresenta-se em estado crôni- co constante, não havendo reagudização da doença. Existe um equilíbrio perfeito entre o hospedeiro o hóspede.
Prevalência. Termo geral utilizado para caracterizar o número total de casos de uma doença ou qualquer outra ocorrência numa população e tempo definidos (casos anti- gos somados aos casos novos). Ex.: no Brasil (população definida), a prevalência da esquistossomose foi de 8 milhões de pessoas em 1992.
Profdaxia. É o conjunto de medidas que visam a preven- ção, erradicação ou controle de doenças ou fatos prejudici- ais aos seres vivos. Essas medidas são baseadas na epide- rniologia de cada doença. (Prefiro usar os termos "profilaxia", quando uso medidas contra uma doença já estabelecida e
"prevenção", quando uso medidas para evitar o estabeleci- mento de uma doença.)
Reservatório. São o homem, os animais, as plantas, o solo e qualquer matéria orgânica inanimada onde vive e se multiplica um agente infecioso, sendo vital para este a pre- sença de tais reservatórios e sendo possível a transmissão para outros hospedeiros (OMS). O conceito de reservatório vivo, de alguns autores,
érelacionado com a capacidade de manter a infecção, sendo esta pouco patogênica para o re- servatório.
Sinantropia. É a habilidade de certos animais silvestres (mamíferos, aves, insetos) frequentar habitações humanas;
isto
é,pela alteração do meio ambiente natural houve uma adaptação do animal que passou a ser capaz de conviver com o homem. Ex.: moscas, ratos e morcegos silvestres frequentando ou morando em residências humanas.
Vetor. É um artrópode, molusco ou outro veículo que transmite o parasito entre dois hospedeiros.
Vetor Biológico.
Équando o parasito se multiplica ou se desenvolve no vetor. Exemplos: o T cruzi, no T infestam;
o S. mansoni, no Biomphalaria glabrata.
Vetor Mecânico. É quanto o parasito não se multiplica nem se desenvolve no vetor, este simplesmente serve de transporte. Ex.: Tunga penetram veiculando mecanicamen-
te esporos de fungo.
iVirulência. É a severidade e rapidez com que um agen- te infeccioso provoca lesões no hospedeiro. Ex.: a E. his- tolytica pode provocar lesões severas, rapidamente.
Zooantroponose. Doença primária dos humanos, que pode ser transmitida aos animais. Ex.: a esquistossomose hansoni no Brasil. O humano
éo principal hospedeiro.
Zoonose. Doenças e infecções que são naturalmente transmitidas entre animais vertebrados e os humanos. Atual- mente, são conhecidas cerca de 100 zoonoses. Ex.: doença de Chagas, toxoplasmose, raiva, brucelose (ver Anfixenose, Antroponose e Antropozoonose).
Capitulo 1
David Pereira Neves
Ao observamos os seres vivos
-animais e vegetais
-vemos que o seu inter-relacionamento
éenorme e funda- mental para a manutenção da "vida". Podemos, mesmo, afir- mar que nenhum ser vivo
écapaz de sobreviver e reprodu- zir-se independentemente de outro. Entretanto, esse rela- cionamento varia muito entre os diversos reinos, filos, or- dens, gêneros e espécies. A ecologia
éa ciência que es- tuda a interdependência funcional entre bactérias, proto- zoários, vegetais, animais e meio ambiente, ou seja,
"éo estudo da estrutura e função da Natureza". Convém sali- entar que as relações entre os seres vivos não são estáti- cas, ou seja, na natureza a característica maior
éa interde- pendência dinâmica de seus componentes. Há uma adap- tação de cada um, tendendo ao equilíbrio, cuja estabilida- de jamais
éalcançada, salvo como etapas sucessivas em demandas de novos e contínuos equilíbrios:
éa "evolu- ção". Dessa forma, meio ambiente e seres vivos estão em permanente e contínuo processo de adaptação mútua, isto 6 , estão "evoluindo" sempre. Entretanto, para que essa evolução ocorra, o agente ou força que provocou o dese- quilíbrio ambiental agiu de maneira constante, progressiva e lenta. Porém, se o desequilíbrio for brusco, rápido ou muito abrangente, não haverá eyolução, mas, sim, destrui- ção das espécies envolvidas. E o que tem ocorrido nas áreas em que os humanos têm feito sentir toda a força modificadora de sua tecnologia sobre (ou mesmo contra) a Natureza. Por isso
éfundamental que para um desenvol- vimento harmônico de uma região ou de um país, antes de toda e qualquer ação humana, há necessidade de se fazer o estudo do impacto ambiental da mesma. Daí a idéia vi- gente de que para se fazer uma "ação na Natureza" ela sempre deve priorizar o "desenvolvimento sustentável".
Em verdade, "se os humanos não conhecerem e não pre- servarem os recursos naturais do Planeta, verão que os caminhos que levam ao progresso são os mesmos que nos levam ao caos" (Silva, D.B., 2002). Portanto, esse desen- volvimento sustentável só será possível quando formos capazes de entender que nossa espécie
éuma engrenagem na "Roda da Vida", conforme mostramos na Fig. 2.1. Aí está mostrado a interação permanente que ocorre entre todos os
elementos da natureza, incluindo a nossa espécie. É de fundamental importância que os especialistas em Saúde Pú- blica (inclusive os parasitologistas) se dêem conta dessa
"Roda da Vida", pois
"éassim que caminha a humanidade" ...
Em nosso país existe um fenômeno civilizatório muito tí- pico, também acometendo os demais países de língua his- pânica: a influência dominadora, declarada ou sutil, da igreja católica e das classes coldnizadoras de Portugal e Espanha.
Essa dominação e o obscurantismo não permitiram que ibé- ricos ou outros povos aqui viessem para permanecer e for- mar uma sociedade produtiva e culta.
"Em verdade isso completa os quinhentos anos de ex- ploração e dominação econômica, religiosa, política, militar e cultural da 'dinastia' do poder. Essa dinastia trabalha com muita ciência e esperteza. Estão conscientes do que fazem e estão empenhados em divulgar o negativismo e o derrotismo: trabalham para a manutenção da dominação.
Agora, com dois ano de governo do Lula (que está traba- lhando equilibradamente na direção certa), essa mesma di- nastia divulga notícias desanimadoras e hipócritas: 'veio para mudar, mas está igual ao anterior', ou tumultuam as're- formas. Nesse aspecto, os radicais entravam as negociações e incitam greves, os inocentes úteis corporativistas aderem e os reacionários se aproveitam, se unem e buscam tomar o poder novamente ..." (Parasitologia Básica, pág. 5).
Como um país vivo, os fatores que regem a relação en- tre as espécies e o meio ambiente também comandam a re- lação entre as pessoas e as nações. Assim, além da pressão e da espoliação externa que padecemos, internamente vivenciamos um aviltamento da relação humana. A falência das políticas públicas programadas pelos governos anterio- res, acrescida de um salário mínimo irrisório e da concentra- ção de renda em cerca de 10% da população, prejudica toda a sociedade. Felizmente, vejo que mais de 60% da popula- ção está tomando consciência disso e buscando novos ca- minhos. E, conforme já foi feito em outros países organiza- dos e desenvolvidos, a "receita" foi esta: implementar o en- sino público, fortalecer os serviços e as políticas públicas, estimular a distribuição de riquezas através de mais trabalho e melhor remuneração, aumentar as oportunidades e a auto- estima pessoal e nacional!
Capitulo 2
Fig. 2.1 A Roda da Vida: interação entre o meio ambiente e os humanos. As ações e reações são recíprocas entre a natureza, o indivíduo, a comunidade, a saúde, o trabalho, o lazer e a espiritualidade, pois cada elemento sofre e exerce influência sobre os demais. (Desenho original de D. F! Neves e Anamaria R. A. Neves: Parasitologia Básica, Coopmed Editora, 2003)
Nosso momento histórico
éagora e não podemos ter medo de mudar e reformar o que
énecessário. Precisamos ousar na reorganização do social e na recuperação do am- biental. Daí o fascínio de vivermos agora! Pessoas compe- tentes e sensíveis para isso, nós temos; precisamos cora- gem, determinação e largueza de espírito para avançarmos na direção da justiça e do equilíbrio!
E o que isso tudo tem a ver com a parasitologia e com as doenças parasitárias? Tem tudo, pois
éna esteira da po- breza, da falta de educação e de saneamento básico que as doenças parasitárias encontram um campo fértil ... (Parasito- logia Dinâmica, capítulo 1). Além disso, a dinâmica popula- cional tem sido muito intensa em nosso país, com acentua- do êxodo rural e formacão de favelas na ~ e n f e n a das cida- des. Para se ter uma idéia, em 1940 tínhamos uma população total de 41 milhões de habitantes, com 30% (13 milhões) vi- vendo em ambiente urbano e 70% (28 milhões) vivendo na zona rural; hoje somos 170 milhões, com 80% (138 milhões) vivendo nas cidades e 20% (32 milhões) vivendo na zona rural. Em decorrência desse êxodo acelerado, associado a falta de higiene, de moradia adequada e serviços sanitários amplos, as doenças que eram chamadas de "endemias ru- rais" devem ser hoje estudadas como "endemias urbanas", com perfil epidemiológico diferenciado Fig. 2.2).
O relacionamento entre os seres vivos visa dois aspectos fundamentais: a) obtenção de alimento; b) elou proteção.
A obtenção de alimentos, quando enfocada sob o pris- ma celular, isto
é,a obtenção de nutrientes para produção de energia ao nível da célula,
éum dos capítulos mais apaixonantes da ciência moderna. A bioquímica celular es- tá hoje num grau muito elevado, mostrando a "uniformida- de" dos seres vivos quanto ao método de produzir energia, sejam animais uni ou pluricelulares. A descrição da bioquí- mica e da fisiologia celular foge ao escopo deste livro, mas pensamos que será útil aos interessados reportarem-se a li- vros especializados, para melhor conhecimento da matéria.
ORIGEM DO PARASITISMO E TIPOS DE ADAPTACOES
Como foi dito, os seres vivos na natureza apresentam grande inter-relacionamento, e como será mostrado, varia desde a colaboração mútua (simbiose) até o predatismo e canibalismo. O parasitismo, seguramente ocorreu quando na evolução de uma destas associações um organismo menor se sentiu beneficiado, quer pela proteção, quer pela obten- ção de alimento.
Como conseqüência dessa associação e com o decorrer de milhares de anos houve uma evolução para o melhor re- lacionamento com o hospedeiro. Essa evolução, feita a cus- ta de adaptações, tomou o invasor (parasito) mais e mais
8 Capitulo 2
BAIXA PRODUÇÃO
I
MAIS DOENÇA Inversões reduzidas
I
em saúde e medicina preventiva
I
Salários apenas suficientes para subsistir
J
ENERGIA HUMANA
DEFICIENTE
\
Nutrição deficiente1
\
Grandes inversões Educação insuficienteem tratamentos médicos Vivenda inadequada
Flg. 2.2 Ciclo doença x pobreza, segundo a OMS.
dependente do outro ser vivo. Essas adaptações foram de tal forma acentuadas que podemos afirmar que "a adaptação
éa marca do parasitismo". As adaptações são principalmen- te morfológicas, fisiológicas e biológicas e, muitas vezes, com modificações de tal monta que não nos
épossível reco- nhecer os ancestrais dos parasitos atuais.
As principais modificações ou adaptações são as se- guintes:
a) degenerações: representadas por perdas ou atrofia de brgãos locomotores, aparelho digestivo etc. Assim, por exemplo, vemos as pulgas, os percevejos, algumas moscas parasitas de carneiro (Mellophogus ovinus) que perderam as asas; os Cestoda que não apresentam tudo digestivo etc.
b) hipertrofia: encontradas principalmente nos órgãos de fixação, resistência ou proteção e reprodução. Assim, al- guns helmintos possuem órgãos de fixação muito fortes, como lábios, ventosas, acúleos, bolsa copuladora. Alta ca- pacidade de reprodução, com aumento acentuado de ová- nos, de útero para armazenar ovos, de testículos. Aumento de estruturas alimentares de alguns insetos hematófagos p m mais facilmente perfurarem a pele e armazenarem o san- gue ingerido.
a) capacidade reprodutiva: para suplantar as dificuldades de atingir novo hospedeiro e escaparem da predação exter- na, os parasitos são capazes de produzirem grandes quan-
tidades de ovos, cistos ou outras formas infectantes; assim fazendo, algumas formas conseguirão vencer as barreiras e poderão perpetuar a espécie.
b) tipos diversos de reprodução: o hermafroditismo, a partenogênese, a poliembrionia (reprodução de formas jo- vens), a esquizogonia etc. representam mecanismos de re- produção que permitem ou uma mais fácil fecundação (en- contro de machos e fêmeas) ou mais segura reprodução da espécie.
c) capacidade de resistência
àagressão do hospedeiro:
presença de antiquinase, que
éuma enzima que neutraliza a ação dos sucos digestivos sobre numerosos helmintos; ca- pacidade de resistir
àação de anticorpos ou de macrófagos, capacidade de induzir uma imunossupressão etc.
d) tropismos: os diversos tipos de tropismos são capa- zes de facilitar a propagação, reprodução ou sobrevivência de determinada espécie de parasito. Os tropismos mais im- portante são: geotropismo (abrigar-se na terra
-diz-se nes- te caso que
épositivo, e abrigar-se acima da superficie da terra
-diz-se neste caso que
égeotropismo negativo), termotropismo, quimiotropismo, heliotropismo etc.
TIPOS DE A S S O C I ~ O E S ENTRE OS ANIMAIS
Os animais, individualmente, nascem, crescem, reprodu-
zem-se, envelhecem e morrem, porém a espécie, normalmen-
te, se adapta, evolui e permanece como uma população ou
grupo. São diversos os fatores que regulam esses fenôme-
nos individuais e populacionais, que procuram, em última
análise, permitir a cada indivíduo a melhor forma de obten-
ção de alimento e abrigo. Para tal fim muitas espécies pas- sam a conviver num mesmo ambiente, gerando associações ou interações que podem não interferir entre si. Essas as- sociações podem ser:
harmônicas ou positivas, quando há beneficio mútuo ou ausência de prejuízo mútuo;
desarmônica ou negativa, quando há prejuízo para al- gum dos participantes.
Assim, considera-se como harmônicas o comensalismo, o mutualismo, a simbiose e, como desarmônicas, a compe- tição, o canibalismo, o predatismo e o parasitismo. Em se- guida, procuraremos conceituar os tipos de associações mais frequentes:
É uma associação desarmônica na qual exemplares da mesma espécie (competição intra-especifica) ou de es- pécies diferentes (competição interespecífica) lutam pelo mesmo abrigo ou alimento, e, em geral, as menos prepara- das perdem. A competição é um importante fator de regu- lação do nível ou número populacional de certas espécies, como, por exemplo, moscas Calliphoridae e Sarcophagidae, cujas larvas se desenvolvem em cadáveres (isto
é,o ali- mento sendo suficiente apenas para determinado número de exemplares permitirá o desenvolvimento só das que chegarem primeiro ou das mais vorazes; as demais perece- rão ou, se chegarem a moscas adultas, estas serão meno- res e inférteis).
Ocorre quando duas espécies ou populações não inte- ragem ou afetam uma a outra. Pode-se dizer que o neutralis- mo
éinexistente, pois sabe-se hoje que todas as espécies são interdependentes.
É o ato de um animal se alimentar de outro da mesma es- pécie ou da mesma família. Esse relacionamento
édo tipo desarmônico e que quase sempre ocom devido
àsuperpopu- lação e deficiência alimentar no criadouro, e as formas mais ati- vas ou mais fortes devoram as menores ou mais fracas. Exem- plos: larvas do mosquito Culex (Lutzia) bogoti se alimentam de larvas de outros Culicini e Anophelini; peixes adultos do gê- nero Lebistes se alimentam de filhotes etc.
É
quando uma espécie animal se alimenta de outra es- pécie. Isto
é,a sobrevivência de uma espécie depende da morte de outra espécie (cadeia alimentar). Exemplo: onça alimentando-se de pacas; gavião alimentando-se de peque- nas aves ou roedores; hemípteros entomófagos alimentan- do-se de insetos etc.
É a associação entre seres vivos, na qual existe unilate- ralidade de beneficios, ou seja, o hospedeiro
éespoliado pelo parasito, pois fomece alimento e abrigo para este. De
modo geral, essa associação tende para o equilíbrio, pois a morte do hospedeiro
éprejudicial para o parasito. Assim, nas espécies em que essa associação vem sendo mantida há mi- lhares de anos, raramente o parasito leva o hospedeiro a morte. Há uma espoliação constante, mas insuficiente para lesar gravemente o hospedeiro. Dessa forma, vemos o tatu, que
éo hospedeiro natural do Trypanosoma cruzi, raramen- te morrer devido a esse parasitismo. Já o homem, o cão ou o gato frequentemente morrem quando adquirem a doença de Chagas. Em zona endêmica de malária, o número de mor- tes (letalidade) na população autóctone
émuito baixo; en- tretanto, quando pessoas de fora entram nessa zona, adqui- rem a doença na sua forma mais patogênica. Essas situações nos permitem entender por que apesar de, no parasitismo, de modo geral, haver um equilíbrio entre parasito e hos- pedeiro, frequentemente tem havido casos graves ou epide- mias de parasitoses. É que, pela alteração do meio ambien- te, concentração populacional e baixas condições higiêni- cas e alimentares, passam a existir condições propícias para a multiplicação do parasito ou do vetor junto a uma popu- lação suscetível. Exemplo típico disso
éa esquistossomose mansoni que dissemina-se e adquire seus aspectos mais gra- ves quando o homem modifica o ambiente para plantar hor- tas, construir valas de irrigações de canaviais e arrozais ou fazer loteamentos sem construir redes de esgoto ou dis- tribuição de água tratada previamente.
Portanto, para existir doença parasitária, há necessidade de alguns fatores:
a) inerentes ao parasito: número de exemplares, tamanho, localização, virulência, metabolismo etc.
b) inerentes ao hospedeiro: idade, nutrição, nível de res- posta imune, intercorrência de outras doenças, hábitos, uso de medicamentos etc.
Da combinação desses fatores poderemos ter "doente", portador assintomático", "nãoparasitado".
É a associação harmônica entre duas espécies, na qual uma obtém vantagens (o hóspede) sem prejuízos para o ou- tro (o hospedeiro). Exemplo: Entamoeba cozi vivendo no intestino grosso humano.
Essas vantagens podem ser: proteção (habitação), trans- porte (meio de locomoção) e nutrição (o hóspede se apro- veita dos restos alimentares). O comensalismo pode ser di- vidido em:
Forésia: é quando na associação uma espécie fomece suporte, abrigo ou transporte a outra espécie. Exemplo: o, peixe-piolho Echneis remora que, com auxílio de uma ven- tosa, se adere ao tubarão acompanhando-o nas suas caça- das e, frequentemente, alimentando-se das sobras. Alguns autores denominam a forésia "comensalismo epizóico".
Inquilinismo:
équando uma espécie vive no interior de outra, sem se nutrir
àcusta desta, mas utilizando o abrigo e parte do alimento que a outra capturou. Exemplo: o peixe Fierasfer, que se abriga no interior de holotiinas e se alimen- ta de pequenos crustáceos.
Sinfilismo ou protocooperação: ocorre quando duas es- pécies se associam para beneficio mútuo, mas sem obriga- toriedade, isto
é,a associação não é necessária para a so- brevivência de ambas. Exemplo clássico está entre as formi-
Capitulo 2
gas (gênero
Camponotus)que sugam as secreções de pul- gões (afídeos) ou cigarrinhas (membracídeos), protegendo- os contra inimigos naturais.
É quando duas,espécies se associam para viver, e ambas são beneficiadas. E uma associação obrigatória, sendo, por muitos autores, considerada como uma simbiose. O exemplo clássico
éa associação que ocorre no intestino de cupins com os protozoários do gênero
Hypermastiginia.É a associação entre seres vivos, na qual há unia troca de vantagens a nível tal que esses seres são incapazes de viver isoladamente. Nesse tipo de associação, as espécies realizam funções complementares, indispensáveis a vida de cada uma. De modo geral, são conhecidos como
simbiontes,os indivíduos que vivem em simbiose. Por exemplo: algumas bactérias que vivem no interior de protozoários de vida li- we. Os protozoários fornecem abrigo e fontes alimentares para as bactérias que, por sua vez, sintetizam substâncias (complexo B etc.) necessárias ao protozoário. A associação de protozoários, que digerem celulose no nímen do bovino
éoutro exemplo típico, pois, enquanto o ruminante fornece uma série de fatores alimentares e proteção aos protozoá- rios (e bactérias), esses possuem as enzimas capazes de di- gerir a celulose ingerida pelo bovino.
ECOLOGIA PARASITÁRIA
Pelo que foi exposto até agora, procuramos salientar a importância da ecologia no estudo dos parasitos. O relacio- namento das espécies que nos interessam (parasitos huma- nos) com os outros seres, com o ambiente e com o hos- pedeiro (humanos)
éque vai determinar, em última análise, a existência dos parasitos e o conseqüente parasitismo.
Dessa forma, achamos oportuno apresentar uma série de conceitos ecológicos, que facilitarão o entendimento pos- terior & epiderniologia e profilaxia sugeridas em cada capítulo.
Tendo sido definido anteriormente o que
éecologia, ve- mos que
éuma ciência-síntese e, como tal, exige de seus es- pecialistas conhecimentos diversificados e amplos.
Os conceitos ecológicos mais modernos foram desen- volvidos nos Últimos 30 anos. Muitos deles ainda são mo- tivos de acaloradas discussões. Foi o naturalista alemão Emest Haeckel, em 1866, quem criou a palavra (do grego
oikos =casa +
logos =estudo), afirmando: "Ecologia compreende a relação entre o animal e o seu meio orgânico e inorgânico, particularmente as relações amigáveis ou hos- tis com aqueles animais ou plantas com os quais está em contato." Ou seja, o estudo das relações dos seres vivos entre si e o meio ambiente.
Outro termo bastante usado
é etologia(do grego
ethos=
costumes +
logos =estudo). Significa o estudo do com- portamento de uma espécie.
É a unidade funcional de base em ecologia, representan- do uma comunidade ecológica ou um ambiente natural, on-
de há um estreito relacionamento entre as várias espécies de animais, vegetais e minerais. O termo
biogeocenose,dos autores soviéticos,
éseu sinônimo.
Os ecossistemas são a conseqüência dos longos processos de adaptação entre os seres vivos e o meio sen- do dotados de auto-regulação e capazes de resistir, dentro de certos limites, a modificações ambientais e as bruscas variações de densidade das populações. Bons exemplos de ecossistemas são: grandes lagos, o mar, florestas, desertos e campos. Para conhecer e entender bem um ecossistema, há necessidade de estudar sua anatomia e sua fisiologia.
Assim, em todo ecossistema encontramos os seguintes ele- mentos componentes:
Heterotróficos
São os seres que utilizam das substâncias orgânicas produzidas pelos seres autotróficos. São os
elementos con- sumidores.Exemplo: herbívoros e carnívoros.
Decompositores (ou Saprófitas)
São os seres heterotróficos capazes de decompor os ele- mentos autototróficos e heterotróficos que morreram, transformando-os em substâncias mais simples e reutilizá- veis pelos autotróficos. Exemplo: bactérias.
Abióticos
São os componentes físicos e químicos do meio.
Autotróficos
São os seres capazes de fixar energia luminosa (solar) e sintetizar alimentos a partir de elementos inorgânicos. São as plantas e algas verdes, que são os
elementos produto- res.Na realidade, para sintetizarem proteínas e hidratos de carbono, as plantas e algas necessitam, muitas vezes, de bactérias que fixam o nitrogênio do ar em suas raízes, ou produzem o CO, necessário, não sendo, portanto, elemen- tos produtores primários. Todavia, dentro de uma concei- tuação mais ampla, as plantas e algas podem ser considera- das elementos produtores.
Esses elementos, portanto, são os componentes da ca- deia alimentar de um ecossistema. Exemplificando: num pas- to, as gramíneas são os elementos produtores, o boi o con- sumidor de primeira ordem, e o homem (que se alimenta do boi) o consumidor da segunda ordem. Muitos tipos de parasitismo ocorrem devido ao comportamento dos elos (animais) componentes da cadeia alimentar. Podemos dedu- zir, facilmente, que nenhum ecossistema
épermanente. Nor- malmente, há uma sucessão de comunidades e de fatos, até que se apresente estável, ou seja, o
clímax.Nessa situação, uma ou várias espécies apresentam o seu desenvolvimen- to máximo, em perfeito equilíbrio com o resto do ambiente.
O termo
biomaapresenta significado semelhante ao ter- mo ecossistema; entretanto,
éaplicado quando se quer de- signar grandes comunidades, ou seja, florestas de coníferas, pradarias etc.
Num ecossistema ou bioma já estabelecido notamos que há um equilíbrio. Esse equilíbrio
éregulado pelo
potencialCapitulo 2
11
biótico (capacidade reprodutiva) de cada espécie e pela ação dos elementos abióticos, autotróficos, heterotróficos e decompositores. É interessante salientar que outros fato- res intervêm na manutenção desse equilíbrio, pois, de outra forma, determinada espécie poderia expandir-se demasiada- mente, eliminando as outras. Esses fatores são as barreiras, que podem ser: a)$sicas: presença de montanhas, rios ou mesmo terra para as espécies aquáticas, e vice-versa; b) cli- máticas: temperatura e umidade variando durante o ano (es- tações), regulando o potencial biótico; c) biológicas: ausên- cia de hospedeiros, de alimento, presença de inimigos natu- rais e a própria densidade populacional (crowding), em que a "superpopulação" inibe a reprodução.
Alguns outros conceitos importantes em ecologia:
É o ecossistema, local ou órgão, onde determinada es- pécie ou população vive. Exemplo: o Ascaris lumbricoides tem por hábitat o intestino delgado humano. O canguru tem por hábitat as planícies australianas etc. Nesses locais, es- ses animais têm abrigo e alimento.
Nicho Ecológico
É a atividade dessa espécie ou população dentro do hábitat. Exemplo: o A. lumbricoides dentro do seu hábitat realiza suas funções reprodutivas e alimentares (absorve fósforo, cálcio, carboidratos, açúcares, proteínas etc.), es- poliando o hospedeiro; outro verme que tem hábitat seme- lhante
-o Ancylostoma duodenale
-tem nicho ecológi- co diferente, pois consome sangue e ferro do hospedeiro.
É o abrigo fisico do animal. Assim, dentro de uma flores- ta tropical, o Haemagogus leucocelaenus vive na copa das árvores. Dentro da cafüa, os triatomíneos ("barbeiros") vi- vem nas frestas do barro.
E c ó t o n o
É uma região de transição entre dois ecossistemas ou biomas estabelecidos. A margem de uma lagoa, a região próxima entre a floresta e o campo são bons exemplos deste termo.
É o local onde as condições para a sobrevivência de uma ou várias espécies são uniformes e mantêm-se cons- tantes em diferentes áreas ou regiões. Assim, o biótopo do tatu
ésemelhante nas várias regiões onde ele habita. Quan- do quisermos criar em cativeiro alguma espécie animal silvestre, ou mesmo uma planta, esse biótopo doméstico deve ser semelhante ao seu biótopo silvestre. Segundo Peres, 196 1, biótopo
é"uma área geográfica, de superficie e volume variáveis, submetida a condições cujas dominan- tes são homogêneas". Alguns autores usam o termo biótopo como sinônimo de ecótopo. Em tais casos, os ter- mos significam apenas o lugar fisico que o animal (ou vege- tal) utiliza.
É a associação de vários organismos habitando o mes- mo biótopo. Apesar da semelhança do significado deste termo com ecossistema, neste último temos que conside- rar os elementos vivos e não-vivos como uma unidade, ao passo que biocenose representa a associação dos seres vivos num biótopo. Exemplo de biocenose: a associação do Trypanosoma cruzi, triatomíneo, homem e o biótopo que
éa cafüa.
Com esse nesses conceitos apresentados, podemos ex- plicar por que os parasitos não se distribuem ao acaso nas várias regiões do globo, por que existe a especificidade pa- rasitária e por que, mesmo dentro do hospedeiro, o parasi- to possui o órgão de eleição.
Assim, para que uma determinada parasitose se instale numa região e se propague, há a necessidade de existência de condições indispensáveis exigidas pela espécie parasita.
Essas condições necessárias e fundamentais
éque com- põem o foco natural da doença, o qual
érepresentado pelo biótopo (local) e pela biocenosa (hospedeiros vertebrados, os vetores etc.).
Portanto, no foco natural de uma parasitose há um inter-relacionamento de relevo, solo, clima, água, flora e fauna, de tal como que haja:
coincidência de hábitats dos hospedeiros e vetores;
número suficiente de hospedeiros e vetores para que o parasito possa circular entre eles;
o parasito em número suficiente para atingir o hos- pedeiro e o vetor;
condições propícias para a transmissão (clima úmido, temperatura e altitude adequadas etc.).
Com esses conceitos expostos, podemos entender a im- portância do estudo da Parasitologia pelos alunos que, de um modo ou de outro, serão os profissionais da saúde (aqui incluídos médicos, veterinários, farmacêuticos, odontólogos, enfermeiros, naturalistas, engenheiros sanitaristas e civis). Como veremos no decorrer do livro, a maioria dos parasitos
éao mesmo tempo causa e conse- qüência do subdesenvolvimento. Não podemos nunca dis- sociar a doença da subalimentação, da pobreza, e vice-ver- sa. A doença não
écausada única e exclusivamente pelo agente etiológico; este talvez seja o fator desencadeante de um desequilíbrio social. Numa população subnutrida, viven- do em precárias condições higiênicas, dormindo mal, moran- do em casa que pouco ou nada protege das intempéries, a presença do parasito
éconstante e a doença
éendêmica. Se esse mesmo parasito atingir uma população bem nutrida, morando em condições saudáveis e com repouso normal, provavelmente irá provocar um ou outro doente e, talvez, desapareça. Portanto, a importância de um agente biológi- co como causador de doença está intimamente ligada ao
"status social" do ambiente em que vive; e, para que perma- neça estável numa população, há necessidade de que a mes- ma seja subdesenvolvida.
AÇÃO DOS PARASITOS SOBRE O HOSPEDEIRO
Nem sempre a presença de um parasito em um hos- pedeiro indica que está havendo ação patogênica do
Capítulo 2
mesmo. Entretanto, essa ausência de patogenicidade (se- na comensal e não um parasito)
érara, de curta duração e, muitas vezes, depende da fase evolutiva do parasito.
Em geral, os distúrbios que ocorrem são de pequena monta, pois há uma tendência de haver um equilíbrio en- tre a ação do parasito e a capacidade de resistência do hospedeiro. "A doença parasitária
éum acidente que ocorre em conseqüência de um desequilíbrio entre hos- pedeiro e o parasito." "O grau de intensidade da doença parasitária depende de vários fatores, dentre os quais salientam: o número de formas infectantes presentes, a virulência da cepa, a idade e o estado nutrikional do hos- pedeiro, os órgãos atingidos, a associação de um parasi- to com outras espécies e o grau da resposta imune ou in- flamatória desencadeada." Em verdade, a morte do hospe- deiro representa também a morte do parasito, o que, para este, não
ébom ... Dessa forma, vê-se que a ação pato- gênica dos parasitos
émuito variável, podendo ser assim apresentada:
AçÁo E
SPOLIATIVAQuando o parasito absorve nutrientes ou mesmo sangue do hospedeiro. É o caso dos Ancylostomatidae, que inge- rem sangue da mucosa intestinal (utilizam esse sangue para obtenção de Fe e O, e não para se nutrirem dele diretamen- te) e deixam pontos hemorrágicos na mucosa, quando aban- donam o local da sucção. Outro exemplo é o hematofagismo dos triatomíneos ou de mosquitos.
AçÁo
TÓXICAAlgumas espécies produzem enzimas ou metabólitos que podem lesar o hospedeiro. Exemplos: as reações alérgicas provocadas pelos metabólitos do A. lumbricoides, as reações teciduais (intestino, figado, pulmões) produzidas pelas secre- ções no miracídio dentro do ovo do S. mansoni etc.
A ç Á o MECÂNICA
Algumas espécies podem impedir o fluxo de alimento, bile ou absorção alimentar. Assim, o enovelamento de A.
lumbricoides dentro de uma alça intestinal, obstruindo-a; a G. lamblia, "atapetando" o duodeno etc.
A ç Á o TRAUMÁTICA
É provocada, principalmente, por formas larvárias de hel- mintos, embora vermes adultos e protozoários também se- jam capazes de fazê-lo. Assim, a migração cutânea e pulmo- nar pelas larvas de Ancylostomatidae; as lesões hepáticas pela migração da E hepatica jovem; as úlceras intestinais provocadas pelos Ancylostomatidae e 7: trichiura; o rom- pimento das hemácias pelos Plasmodium etc.
Deve-se a presença constante do parasito que, sem pro- duzir lesões traumáticas, irrita o local parasitado. Como exem- plo, temos a ação das ventosas dos Cestoda ou dos lábios dos A. lumbricoides na mucosa intestinal.
A ç Á o ENZIMÁTICA
É o que ocorre na penetração da pele por cercárias de S. rnan- soni; a ação da E. histolytica ou dos Ancylostomatidae para lesar o epitélio intesthal e, assim, obter alimentos assirniláveis
etc.Qualquer parasito que consuma o O, da hemoglobina, ou produ~a anemia,
écapaz de provocar uma anóxia gene- ralizada. E o que acontece com os Plasmodium ou, em infec- ções maciças, pelos Ancylostomatidae.
Capitulo 2
~ n t r o d u ~ ã o e Conceitos 4
Manângela Carneiro
Carlos Maurício de Figueiredo Antunes
CONCEITO E OBJETIVOS
Epidemiologia
éa ciência que estuda a distribuição de doenças ou enfermidades, assim como a de seus determinan- tes na população humana. Estes determinantes são co- nhecidos em epidemiologia como fatores de risco. Além de enfermidades, as caractensticas fisiológicas (hipertensão ar- terial, nível sanguíneo de glicose, por exemplo) e as doen- ças sociais (a violência urbana, os acidentes de trânsito, por exemplo) são consideradas como objeto de estudo da epi- demiologia.
O objetivo principal da epidemiologia
éa promoção da saúde através da prevenção de doenças, em grupos popu- lacionais. Estes grupos populacionais podem ser os habitan- tes de uma área geográfica definida (município, estado, país), os indivíduos de uma determinada faixa etária, os trabalhadores de uma determinada profissão, ou seja, as pessoas que foram ou estão expostas a um ou mais fatores de risco específicos. Diferentemente da clínica, que tem como objeto de atenção o individuo doente, a epidemiolo- gia estuda o estado de saúde de uma população. As dife- renças de abordagem entre a medicina clínica e a epidemio- logia são apresentadas na Tabela 3.1.
As principais perguntas que a epidemiologia procura responder com relação a distribuição de doenças em uma população são: Por que certas pessoas adoecem e outras não? Por que algumas doenças só ocorrem em determinadas
áreas geográficas? Por que a ocorrência de determinada doença varia com o tempo? Ao responder a estas pergun- tas, está implícito que a premissa básica e fundamental em epidemiologia
éa de que as doenças não se distribuem ao acaso ou de uma forma aleatória na população, mas existem fatores de risco que determinam esta distribuição. A dis- tribuição da malária no Brasil fornece um bom exemplo: es- ta doença
éfrequente na Região Norte, ocorre principalmen- te entre operários empregados na construção de estradas, entre garimpeiros, entre migrantes e pessoas que ocasional- mente ali vão pescar ou caçar. Os prováveis fatores de ris- co associados a maior freqüência da malária nesta região es- tão relacionados, entre outros, com a maior facilidade para o contato entre o indivíduo suscetível e o aprofelino infec- tado e a maior suscetibilidade de algumas pessoas a infec- ção (migrantes sem contato prévio com o parasita).
Para entender e explicar as diferenças observadas no aparecimento e na manutenção de uma enfermidade na po- pulação humana, o raciocínio epidemiológico se direciona primeiramente a descrever e a comparar a distribuição das doenças com relação apessoa, ao lugar e ao tempo.
Com relação a pessoa, a pergunta a ser formulada
é:Quem adoece e por que adoece? O objetivo
éidentificar quais, como e por que as características das pessoas enfer- mas diferem das pessoas não-enfermas. As características pessoais estudadas são as demográ$cas (sexo, idade, gru- po étnico etc.), as biológicas (níveis de anticorpos, hormô-
Epidemiologia Medicina Clínica
Objeto de estudo Diagnbstico de saúde Objetivo do diagnóstico AvaliaçBo
Açáo
Populaçáo
Levantamento de saúde Prevenção de doenças
Avaliaçáo das ações e programas de saúde Planejamento de saúde
lndividuo
Diagnóstico individual Tratamento
Avaliação de cura Atenção ao indivíduo
Capitulo 3
15
nios, pressão sanguínea etc.), as sociais e econ6micas (ní- vel socioecon6mico, escolaridade, ocupação etc.), as pes-
soais (dieta, exercícios físicos, uso de álcool, uso de fumo
' ' .etc.) e'as genéticas (grupos sanguíneos, fator RH, tipo de hemoglobina etc.).
No que se refere ao lugar, a pergunta a ser respondida
é:Onde a doença ocorre, e por que ocorre naquele lugar? O objetivo
édeterminar por que, em um área geográfica, uma enfermidade ou um gmpo de enfermidades ocorre com maior freqüência quando comparada com outras &as geográficas.
Com relação ao tempo, pergunta-se: Quando a doença ocorre e por que apresenta variações em sua ocorrência?
Com relação ao tempo, o interesse maior
édeterminar se ocorreram mudanças (aumento ou decréscimo) na freqüên- cia de determinada doença através do tempo, bem como compreender os mecanismos desta variação.
As informações obtidas em estudos epidemiológicos são utilizadas, juntamente com as informações obtidas de outras áreas do conhecimento, como medicina, biologia, ge- nética, sociologia, demografia e bioestatística, com os se- guintes objetivos:
IdentiJicar a etiologia ou a causa das enfermidades.
Procurar compreender e explicar a patogênese das doenças, incluindo sua forma de transmissão. A identificação dos fa- tores de risco ou causais de uma doença permite o desen- volvimento de programas de prevenção.
Estudar a história natural das enfermidades. Entender o curso ou seqüência das diversas etapas do desenvolvi- mento de uma doença através do tempo.
Descrever o estado de saúde das populações. Inves- tigar a extensão das doenças nas populações através de medidas de morbidade e mortalidade. Estas medidas po- dem ser expressas em números absolutos, em proporções ou taxas.
Avaliar as intervenções ou programas de saúde. Inves- tigar se ocorreram mudanças nos indicadores de saúde da população em decorrência do emprego de intervenções ou programas.
TRÍADE EPIDEMIOLÓGICA DE DOENÇAS
A transmissão e a manutenção de uma doença na popu- lação humana são resultantes do processo interativo entre o agente, o meio ambiente e o hospedeiro humano. As doenças têm sido classicamente descritas como resultan- tes da tríade epidemiológica conforme mostrado na Fig.
3.1. O agente
éo fator cuja presença
éessencial para ocor- rência da doença; o hospedeiro
éo organismo capaz de ser infectado por um agente, e o meio ambiente
éo conjunto de fatores que interagem com o agente e o meio ambiente.
Os vetores de doenças, como os mosquitos, os carrapatos, entre outros, são frequentemente envolvidos neste proces- so. A classificação dos agentes de doenças
éapresentada na Tabela 3.2.
Para que a interação aconteça
énecessário que o hos- pedeiro seja suscetível. Fatores de suscetibilidade humana são determinados por uma variedade de fatores, incluindo os biológicos, genéticos, nutricionais e imunológicos. Os fatores do hospedeiro que podem ser associados ao aumen-
Agentes Exemplos
Agentes biológicos Protozoários, metazoários, bactérias, fungos Elementos nutritivos Excesso: colesterol; deficiência: vitaminas,
proteínas
Agentes químicos Veneno, alérgenos, medicamentos Agentes físicos Traumas, radiaçlo, fogo
to de risco para o aparecimento de doenças são apresenta- dos na Tabela 3.3.
O meio ambiente, conjunto de fatores que mantêm rela- ções interativas entre o homem e o agente etiológico, pode ser classificado em biológico, social e físico:
Meio ambiente biológico: inclui reservatórios de infec- ção, vetores que transmitem as doenças (moscas, mosqui- tos, triatomíneos), plantas e animais.
Meio ambiente social:
édefinido em termos da organi- zação política e econômica e da inserção do indivíduo den- tro da sociedade.
Meio ambientefisico: inclui situação geográfica, recur- sos hídricos, poluentes químicos, agentes físicos e ambientais, que são os seus componentes. Temperatura, umidade e pluviosidade são variáveis climáticas que mais de perto se relacionam com as doenças.
As interações observadas para doenças infecciosas tam- bém são observadas para as doenças não-infecciosas. Em- bora algumas doença sejam de origem genética, o apareci- mento destas doenças
étambém resultante da interação ge- nética e dos fatores ambientais.
CONCEITOS EPIDEMIOLÓGICOS DE DOENÇAS
As doenças infecciosas são classificadas de acordo com o agente etiológico em protozoários, vírus, bactérias etc. Es- ta classificação, baseada em características biológicas do agente,
éadequada sob vários aspectos, incluindo a pre- venção. Entretanto,
étambém possível classificar as doen- ças por suas características epidemiológicas e, muitas vezes, esta classificação apresenta algumas vantagens na identifi-
Fig. 3.1 - A triade epidemiológica de doenças.