• Nenhum resultado encontrado

Rev. Bras. Reumatol. vol.51 número6

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Bras. Reumatol. vol.51 número6"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

CARTA AOS EDITORES

673 Rev Bras Reumatol 2011;51(6):672-673

Aos Editores da Revista Brasileira de Reumatologia

O efeito das medicações da prática reumatológica no me-tabolismo de lipoproteínas, inclusive dos antimaláricos, é um tema atual que merece interesse por parte dos pesquisadores. Contempla esse tópico o trabalho de Rossoni et al.,1publicado na edição de julho-agosto de 2011 da Revista Brasileira de Reumatologia, que avalia o efeito da cloroquina sobre o coles-terol total e HDL de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e, após ajuste de uso de estatina e corticosteroides por análise multivariada, constata que esses níveis séricos são semelhantes nos pacientes com e sem antimaláricos.

A avaliação completa do perfi l lipídico, independentemente da terapêutica utilizada, deve ser realmente uma rotina no seguimento desses pacientes. Importante saber que menores níveis séricos da HDL são detectados no LES, e estes são inversamente relacionados com o processo infl amatório.2 De fato, os níveis de lipoproteínas variam durante o curso da do-ença, como recentemente demonstrado no estudo prospectivo do grupo de Toronto,3 que envolveu a avaliação de colesterol de 1.260 pacientes com LES, em um total de 26.267 dosagens ao longo de 9,3 ± 8,5 anos. A conclusão relevante desse estudo é que quase dois terços daqueles pacientes (64,7%) apresen-tam aumento do colesterol total ao longo do tempo, e que a variação dos seus níveis estava diretamente relacionada com idade, atividade da doença e uso de corticosteroides, além da utilização ou não de hipolipemiantes. O outro dado igualmente importante desse grande estudo longitudinal foi identifi car que o uso de antimaláricos correlacionou-se negativamente aos níveis de colesterol total (P < 0,0001).3

Além desse trabalho, revisão recente de literatura4 identi-fi cou outros sete estudos (de coorte e prospectivos) que con-cluem que a terapia com antimaláricos no LES determina uma redução signifi cativa dos níveis de lipídios, incluindo colesterol total e LDL, quando comparada a outras sem essas medicações. Dos sete estudos, três tinham como objetivo verifi car o efeito dos antimaláricos em pacientes com LES sob corticoterapia, e também identifi caram redução de LDL e colesterol total, além de aumento dos níveis de HDL, quando comparados aos dos pacientes em uso exclusivo de corticosteroides.4 Por outro lado,

Colesterol e cloroquina

© 2011 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

apenas dois outros estudos (chinês e iraniano) não detectaram alterações signifi cativas do perfi l lipídico com o uso de clo-roquina no LES,4 conforme informado no presente trabalho.3 O mecanismo do efeito dos antimaláricos sobre o meta-bolismo de lipoproteínas5 foi o objeto de estudo de um dos trabalhos do nosso grupo sobre esse tema. A avaliação in vivo

do metabolismo de LDL em pacientes com LES, em uso ou não de cloroquina, comparando com controles saudáveis, foi feita com a utilização de uma nanoemulsão de LDE (LDL marcada com radioisótopo). Essa metodologia permitiu identifi car que os antimaláricos realmente interferem na função do receptor de LDL, aumentando a remoção plasmática dessa lipoproteína e levando a uma redução dos níveis séricos e, consequentemente, do colesterol total.5

De fato, estudos complementares que comprovem esse mecanismo de ação sobre o metabolismo de lipoproteínas são necessários para demonstrar mais esse efeito benéfi co dos antimaláricos no LES.

Eduardo Ferreira Borba

Professor-Associado da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP

REFERENCES

REFERÊNCIAS

1. Rossoni C, Bisi MC, Keiserman MW, Staub HL. Antimaláricos e perfi l lipídico em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. Rev Bras Reumatol 2011; 51(4):385–7.

2. Borba EF, Bonfá E. Dyslipoproteinemias in systemic lupus erythematosus: infl uence of disease, activity, and anticardiolipin antibodies. Lupus 1997; 6(6):533–9.

3. Nikpour M, Gladman DD, Ibanez D, Harvey PJ, Urowitz MB. Variability over time and correlates of cholesterol and blood pressure in systemic lupus erythematosus: a longitudinal cohort study. Arthritis Res Ther 2010; 12(3):R125.

4. Ruiz-Irastorza G, Ramos-Casals M, Brito-Zeron P, Khamashta MA. Clinical effi cacy and side effects of antimalarials in systemic lupus erythematosus: a systematic review. Ann Rheum Dis 2010; 69(1):20–8.

Referências

Documentos relacionados

Data were collected from the electronic medical records of the SARAH network. Patients with RA and OA undergoing hip or knee arthroplasties were selected through automatic

Among seven elements related to meteorological condi- tions, atmospheric pressure was mentioned as the most frequent infl uence in OA pain, and precipitation presented the least

The smallest detectable difference and sensitivity to change of magnetic resonance imaging and radiographic scoring of structural joint damage in rheumatoid arthritis inger,

The interest in the reported case is due to the diagnostic approach to tuberculosis – a highly prevalent pathology among us – in a female patient with SLE, a disease that predisposes

Therefore, patients pre- senting clinical signs and symptoms resulting from infi ltrative processes of soft tissues, joints, periarticular tissues, and bones should be submitted to

The clinical fi ndings and thrombotic vasculopathy found on the histopathological study, in association with the high anticardiolipin titers and the presence of lupus

Dos que responderam a essa questão, 34% optaram pelo item que defi nia um biossimilar como um biológico que demonstra bioequivalência e que possui todos os ensaios pré-clínicos

Most interviewees (19%) pointed out that the limitation of bioequivalence tests is the major problem; 18% pointed out the safety matter; 16% indicated the establishment of