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Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.15 número1

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Academic year: 2018

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13 Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 15 (1): 13-16, jan. / mar., 2015 EDITORIAL / EDITORIAL

O ano 2015 e a saúde da criança

Embora com o escopo multi-abrangente de saúde materno-infantil, a edição de um número inteiramente consti-tuído de artigos relacionados apenas à saúde da criança, deixa claro, para a revista, a importância do tema no contexto sócio-epidemiológico e médico atual. De fato, a crescente atenção à vida e ao bem-estar infantil tem sido constante (embora, não ainda, o ideal) levando-se em consideração a necessidade de serem alcançadas as denominadas Metas do Milênio, propostas pela Organização das Nações Unidas no ano 2000. Essas metas es-tão consubstanciadas na “Declaração do Milênio”1,2que foi assinada por 191 países membros daquela

organi-zação que assumiram o compromisso de atingir até 2015 “Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”. No tocante à criança e as suas circunstâncias vitais e sociais pelo menos quatro dos oito objetivos são fun-damentais:

- Erradicar a fome e a pobreza extrema; - Atingir o ensino básico universal; - Reduzir a mortalidade infantil; - Melhorar a saúde materna.

Portanto o ano de 2015 é um momento crítico no sentido de se tentar identificar até onde e em que grau aquelas metas estão sendo alcançadas. Sabemos que, não ainda completamente, mas um bom caminho já foi percorrido.

Mas é também preciso notar que, mesmo quando forem alcançadas, essas metas não serão a solução defini-tiva dos problemas visto que embutem nas próprias definições, aspectos ainda limitados representados por ter-mos como reduzir e melhorar.

Por isso mesmo o conhecimento do crescimento da criança durante o seu desenvolvimento intrauterino é do maior interesse clínico e biológico para que possam receber os cuidados necessários para uma vida saudável.

Certamente estudos neste campo virão dar suporte para a obtenção das Metas do Milênio e são, por demais, oportunos. É o caso da extensa investigação sobre o crescimento e o desenvolvimento infantil intitulada “INTERGROWTH – 21st” que correspondeu a um grande programa de pesquisa e se compõe de vários estudos

publicados em setembro de 2014, em jornais do grupo Lancet.3,4Os estudos objetivaram monitorar o

cresci-mento das crianças desde a fase fetal até nascicresci-mento, e apresentam novas curvas que vem complementar as já clássicas curvas de referência de crescimento antropométrico do National Centers for Health Statistics(NCHS) (1977), Centers for Disease Control and Prevention(CDC) (2000) e Organização Mundial da Saúde (OMS)

(2006-2007). Trata-se de uma pesquisa multicêntrica e internacional que inclui uma população multietnica com 20.486 recém-natos de oito países (Brasil, China, Itália, Índia, Quênia, Oman, Reino Unido e Estados Unidos)3,4que assim fornecerão novos subsídios para a compreensão do crescimento infantil adequado.

Outras iniciativas como o Grand Challanges5da Fundação Bill & Melinda Gates, apoiada no Brasil pelo

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), são notáveis exemplos dessa busca na qual a prioridade é a saúde e a qualidade de vida infantil, com ênfase em estudos referentes aos chamados primeiros 1000 dias que vão do início da gestação até o final do segundo ano de vida. Não é preciso salientar – dado o conhecimento que se tem hoje - que esse suporte à melhor saúde infantil, representa um dos maiores in-vestimentos para o desenvolvimento da sociedade, supondo o apoio do Estado para isso.

Por estas razões o interesse em publicar o presente número de nossa Revista, versando sobre o tema em pauta. Assuntos como o consumo alimentar, o neurodesenvolvimento cognitivo de crianças pré-termo, a atenção ao pré-termo, o parto de mulheres atendidas nos Sistemas Públicos de Saúde, a influência da exposição a agentes organoclorados sobre o desenvolvimento são alguns estudos aqui publicados que testemunham o in-teresse na investigação dos elementos capazes de prejudicar ou favorecer crianças e por outro lado trazer infor-mações úteis para subsidiar os meios para lhes dar uma existência mais saudável.

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JE Cabral Filho

14 Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 15 (1): 13-16, jan. / mar., 2015

Desnecessário realçar o que significam estes artigos para a Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil no seu objetivo de divulgar as pesquisas nessa área. A nossa Revista tem várias almas – saúde da mulher, saúde da mãe, aspectos biológicos, médicos e sociais. Nenhuma delas é mais importante do que outra, mas a atenção es-pecífica à criança no presente número, o primeiro número de 2015, ano que tornou-se o marco para a saúde da criança, nos deixa esperançosos e, esperamos aos nossos leitores, particularmente felizes.

Referências

1. Lopes A, Cassab F, Basaglia A, Sampaio L, Muller F, Colameo AJ. Amamentação, alimentação infantil ótima e sua relação com os objetivos de desenvolvimento do milênio. [acesso em 4 mar 2015]. Disponível em: http://www.redeblh.fiocruz.br/media/ amaeodm.pdf

2. Faria C. Metas do Milênio. [acesso em 4 mar 2015]. Disponível em: HTTP://infoescola.com/geografia/metas-do-milenio. 3. Villar J, Ismail LC, Victora CG, Ohuma EO, Bertino E, Altman DG, Lambert A, Papageorghiou AT, Carvalho M, Jaffer YA,

Gravett MG, Purwar M, Frederick IO, Noble AJ, Barros FC, Chumlea C, Bhutta ZA, Kennedy SH, International Fetal and New-born Growth Consortium for the 21st century (INTERGROWTH-21st). International standards for newNew-born weight, length and head circumference by gestational age and sex: the newborn cross-sectional study of the INTERGROWTH-21st project. Lancet. 2014; 384: 857-68.

4. Papageorghiou AT, Ohuma EO, Altman DG, Todros T, Ismail LC, Lambert A, Jaffer YA, Bertino E, Gravett MG, Purwar M, Noble JA, Pang R, Victora CG, Barros FC, Carvalho M, Salomon LJ, Bhutta ZA, Kennedy S, Villar J, International Fetal and Newborn Growth Consortium for the 21st century (INTERGROWTH-21st). International standards for fetal growth based on serial ultra-sound measurements: the fetal growth longitudinal study of the INTERGROWTH-21st project. Lancet. 2014; 384: 869-79. 5. Grand challenges Bill & Melinda Gates Foundation. http://www.gatesfoundation.org.

José Eulálio Cabral Filho 1

Referências

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