DIFAL e a mudança do cálculo para o estado de São Paulo

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DIFAL e a mudança do cálculo para o estado de São Paulo

O que é partilha de ICMS por estado?

O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) é um tributo que incide sobre qualquer operação que resulte em circulação de mercadorias, seja compra, venda ou prestação de serviços de transporte ou de comunicação. Esse imposto é aplicado sempre que houver algum tipo de comércio entre uma empresa de um estado e um cliente de outro, por exemplo.

Acontece que cada estado é livre para estipular a sua própria alíquota de ICMS. Esse percentual, em geral, gira em torno de 17% e 20%. Pode parecer pouca coisa, mas essas diferenças de percentual são importantíssimas para uma empresa definir de onde vai comprar um produto – e para onde vai vendê-lo.

Por exemplo, comprar uma determinada mercadoria em um estado onde o ICMS seja 3% mais baixo, pode representar uma economia significativa em grandes pedidos.

Ciente dessa disparidade entre os percentuais, o governo criou um mecanismo para tornar a concorrência entre os estados menos desigual: o DIFAL - Diferencial de Alíquota do ICMS.

E como funciona o Diferencial de Alíquotas?

O DIFAL (Diferencial de Alíquota do ICMS) nada mais é do que uma forma de recolhimento utilizada em operações de vendas interestaduais, onde é calculado a diferença entre a alíquota ICMS interestadual da operação e a alíquota interna de ICMS do Estado.

Tecnicamente, podemos dizer que, desde 2015, nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final (contribuinte ou não do imposto) localizado em outro Estado, é utilizada os cálculos do DIFAL, ou seja, aqueles que compram produtos de outros estados para uso, consumo ou ativo imobilizado (bem tangível, palpável).

O objetivo da cobrança do DIFAL é tornar a arrecadação de impostos mais “equilibrada” entre os estados, motivados, principalmente, pelo aumento de compras via internet, contribuindo para uma divisão tributária mais coerente.

Quando se cita “equilíbrio de arrecadação de ICMS entre estados“ cabe lembrar que o ICMS é um imposto não cumulativo, ou seja, o tributo recolhido na operação posterior deve ser compensado com o ICMS na operação seguinte. No caso do “DIFAL”, é necessário este recolhimento, uma vez que a cadeia de impostos se extingue pela ação de venda a consumo final.

O DIFAL para contribuintes do ICMS está previsto na Lei Complementar LC87/96- Art. 4 º, e o DIFAL para não contribuintes está previsto na Emenda Constitucional EC 87/2015 – Art. 1 º.

Cabe ao estado do destinatário o imposto correspondente à diferença entre sua alíquota interna e a interestadual, sendo a responsabilidade pelo recolhimento atribuída (Incluído pela LC190/2022):

a) Ao destinatário (comprador), quando este for contribuinte do imposto ICMS;

b) Ao remetente (vendedor), quando o destinatário não for contribuinte do imposto ICMS.

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Quando não aplicar DIFAL?

- Quando a alíquota interna do estado de destino for idêntica à alíquota interestadual do estado de origem.

- Quando os estados, mediante acordo, celebram a obrigatoriedade do remetente (fornecedor) pagar este diferencial no lugar do destinatário (comprador), ou seja, ocorre uma substituição tributária do DIFAL.

Então, para falarmos de DIFAL, precisamos entender melhor sobre o ICMS.

ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

Conforme colocamos acima, cada estado é livre para estipular sua própria alíquota de ICMS. O tipo de operação, regime de tributação e produtos também influenciam no seu cálculo, ou seja, não existe uma padronização, com exceção das empresas Optantes do Simples Nacional.

Essas empresas seguem a Lei Complementar 123/2006, que já garantem a inclusão do ICMS no DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Assim, indústrias e comércios que têm produtos tributados pelo ICMS, mas são optantes do Simples Nacional, são enquadradas

no Anexo 1 ou no Anexo 2 dessa tributação, e pagam as alíquotas - de acordo com sua faixa de receita bruta.

Já empresas que não fazem parte desse regime tributário podem chegar ao valor de recolhimento com a ajuda desta tabela de ICMS:

• Encontre o estado origem da operação comercial;

• Em seguida, encontre o estado de destino;

• A junção da linha de origem com a de destino indica a alíquota a ser aplicada;

• A mesma regra vale para operações dentro do mesmo estado;

• Para determinar a alíquota interna do ICMS, basta conferir a linha transversal colorida de cada estado.

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Modificações no Diferencial de Alíquota do ICMS

O DIFAL não é uma ferramenta nova. No entanto, em 2015, passou a chamar a atenção dos empreendedores graças a modificação que sofreu, especialmente devido ao aumento crescente das vendas on-line (isso porque a arrecadação do ICMS, no caso de compras feitas por pessoas físicas, acabava ficando apenas para o estado que estava vendendo a mercadoria). Como boa parte dos e-commerce e marketplace possuem sede no Rio de Janeiro e em São Paulo, os outros estados estavam sendo prejudicados.

A fim de ajustar o recolhimento desse imposto, foi instituída a nova versão do Diferencial de Alíquota do ICMS, por meio da Emenda Constitucional 87/2015 e do Convênio ICMS 93/2015.

Após essa determinação, o estado no qual o comprador do produto ou serviço reside passou a receber parte do ICMS da transação.

Para fazer esse ajuste de maneira gradual, foi determinado um período de transição entre 2016 e 2018, que abrangeu todos os Estados do Brasil e o Distrito Federal.

O processo de instituição do DIFAL aconteceu da seguinte maneira:

Ano Estado de origem Estado de destino

2016 60% 40%

2017 40% 60%

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2018 20% 80%

a partir de 2019 100%

É fundamental entender que essa tabela era válida para transações nas quais o comprador não era contribuinte do ICMS.

Para sua melhor compreensão, veja como era aplicado o Diferencial de Alíquota do ICMS antes e depois do Convênio 93/2015.

DIFAL antes do Convênio 93/2015

**Apenas para operações interestaduais nas quais o consumidor final também era contribuinte do ICMS.

Exemplo: uma empresa da Bahia adquire um maquinário de uma empresa de São Paulo.

Para uma, o ICMS desse produto é de 12% (BA-SP), e para outra de 7% (SP-BA).

No caso, o comprador pagava apenas a diferença de 5% ao contabilizar o novo bem na sua empresa.

DIFAL depois do Convênio 93/2015

**Aplicável a todas as operações interestaduais, incluindo as operações nas quais o comprador não é contribuinte do ICMS.

No caso, o DIFAL incide no momento da emissão da nota fiscal.

A partir dessa modificação, o recolhimento do Diferencial de Alíquota do ICMS passou a ser de responsabilidade do vendedor quando a venda for a não contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

Já nas transações entre contribuintes, o DIFAL é de responsabilidade da empresa que está adquirindo o produto ou serviço, ou seja, do estado de destino.

DIFAL 2022

Em 24/02/2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a cobrança do DIFAL com destino a não contribuintes de ICMS inconstitucional. Dessa forma, houve modulação em seus efeitos, permitindo a cobrança de DIFAL até 31/12/2021.

Em 05/01/2022, foi sancionada a Lei complementar nº 190/2022, tendo como objetivo regularizar a cobrança do DIFAL, porém, havendo a necessidade de respeitar dois princípios legais:

- O princípio da noventena (Art. 150, III, "C", Da Constituição Federal) e;

- O princípio da anterioridade anual (Art. 150, III, "B", Da Constituição Federal), onde um imposto novo ou aumento de sua cobrança é válido após o prazo de 90 dias e no próximo período

financeiro, respectivamente. Ou seja, o DIFAL deveria ser cobrado somente a partir de 2023.

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É do entendimento jurídico que o DIFAL introduzido pela emenda constitucional 87/2015 foi extinto em 2021, sendo então, o DIFAL cobrado em 2022 um novo imposto.

Com estas interpretações, o cenário sofreu algumas mudanças:

- O DIFAL entre janeiro e março de 2022, respeitando o princípio de noventena, não deverá ser recolhido em vendas destinadas à consumidor final não contribuinte de ICMS. Porém, esse posicionamento é estadual, ou seja, cada estado tem o poder de divulgar a maneira de atuar.

- O DIFAL após março de 2022:

Para não fazer recolhimento de DIFAL nesse período, será necessária medida judicial (mandado de segurança) no estado de destino da mercadoria e recolhimento do imposto em juízo, uma vez que os estados entendem não haver um imposto novo, mas apenas sua

regulamentação. As empresas mais conservadoras deverão entrar com a medida antes para garantia de seus direitos.

Abaixo uma posição em 07/03/2022 sobre as discussões:

Estado Posicionamento Base Legal

Acre Cobrança a partir de

01/03/2022 Comunicado Sefaz-AC (15.02.22) Alagoas Cobrança a partir de

01/04/2022

Notícia Sefaz-AL (14.01.22) - ADI 7070 Alexandre de Moraes

Amapá Cobrança a partir de 05/04/2022

Informação prestada ao Jota pelo secretário da Fazenda, José Amarísio Freitas de Souza Amazonas Cobrança a partir de

05/04/2022 Nota Sefaz-AM (07.01.22)

Bahia Cobrança a partir de 01/04/2022

Lei nº 14.415/21 – art. 2º c/c orientação da PGE à Secretaria da Fazenda

Ceará Cobrança a partir de

01/04/2022 Comunicado Sefaz-CE (06.01.22) Distrito

Federal Sem posicionamento Espírito

Santo

Cobrança a partir de 01/03/2022

Informação prestada ao Jota pela assessoria de imprensa da Sefaz-ES

Goiás Cobrança a partir de 01/04/2022

Nota do art. 4, §1º, II, “b” do RTCE, por força da decisão do Supremo na Ação

Declaratória de Inconstitucionalidade nº 5469.

Maranhão Cobrança a partir de

05/01/2022 Validade da Lei nº 10.326/15 Mato Grosso Sem posicionamento

Mato Grosso

do Sul Sem posicionamento

Minas Gerais Cobrança a partir de

05/04/2022 Comunicado Sutri nr. 01 de 08/02/2022

Pará Sem posicionamento

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Paraíba Sem previsão específica Lei nº 12.190/2022 Paraná Cobrança a partir de

01/04/2022 Lei nº 20.949/21 – art. 9º Pernambuco Cobrança a partir de

05/04/2022 Lei nº 17.625/21 – art. 2º Piauí Cobrança a partir de

01/01/2022 Lei nº 7.706/21 – art. 4º Rio de

Janeiro

Cobrança a partir de

01/03/2022 Resposta de Consuta "Fale Conosco"

Rio Grande do Norte

Cobrança a partir de

01/03/2022 Comunicado 1 (05.01/22)

Rio Grande do Sul

Cobrança a partir de

01/04/2022 Nota de esclarecimento Sefaz-RS (11.01.22) Rondônia Sem posicionamento

Roraima Cobrança a partir de

30/03/2022 Lei nº 1.608/21 – art. 2º Santa

Catarina Cobrança a partir de 01/03/22 Medida Provisória nº 250/22 – art. 8º São Paulo Cobrança a partir de

01/04/2022 Lei nº 17.470/21 – art. 4º e CAT 02/2022 Sergipe Cobrança a partir de

30/03/2022 Lei nº 8.944/21 – art. 2º Tocantins Cobrança a partir de

30/03/2022 Medida Provisória nº 29/21 – art. 2º

CÁLCULO DO DIFAL EM 2022

Calcular o Diferencial de Alíquota do ICMS consiste em encontrar o valor de diferença entre a alíquota interestadual e a interna desse imposto.

No caso, as alíquotas interestaduais funcionam da seguinte forma:

- 7% para o Espírito Santo, estados da região norte, nordeste e centro-oeste;

- 12% para os estados da região sul e sudeste (exceto o Espírito Santo).

Com esse percentual em mãos, é preciso conhecer também os valores praticados internamente por cada estado. Para isso, é preciso consultar a tabela utilizada por cada região.

No entanto, é necessário considerar também que nesse cálculo pode incidir o valor pertencente ao Fundo de Combate à Pobreza (FCP).

Fundo de Combate à Pobreza

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Trata-se de um acréscimo o que varia de 1% a 4% ao ICMS de alguns produtos.

O objetivo é que o valor arrecadado para esse fundo seja utilizado pelo estado recebedor em ações e programas públicos voltados para o combate da desnutrição, melhora das condições habitacionais, de saúde e de educação.

No Fundo de Combate à Pobreza também estão incluídas campanhas que visam proporcionar mais qualidade de vida a crianças e adolescentes.

Porém, a tabela de quais produtos sofrem essa adição no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços difere de estado para estado.

Por isso, antes de calcular o Diferencial de Alíquota do ICMS e emitir sua nota fiscal, é fundamental consultar o Estado de destino.

Formas de Cálculo do DIFAL

Podemos dizer que, de forma geral, existem duas maneiras de se calcular o diferencial de alíquota para as empresas contribuintes do ICMS, sendo:

- Cálculo por dentro ou base dupla;

- Cálculo por fora ou base única.

TIPO DE DESTINATÁRIO TIPO DE CÁLCULO

Não Contribuinte do ICMS Por fora (base única)

Contribuinte do ICMS Por fora (base única) e por dentro (base dupla)

Cálculo DIFAL por fora ou base única

O cálculo DIFAL por fora, também chamado de cálculo DIFAL com base única, é a forma mais simples de calcular.

Ela se aplica a operações para não contribuintes e contribuinte do ICMS.

Entre os estados que adotam o DIFAL por fora, estão: AC, AP, AM, CE, DF, ES, MA, MT, RJ, RN, RO e RR.

Para encontrarmos o DIFAL, deveremos encontrar a base de cálculo do ICMS para, em seguida, calcularmos o seu valor final.

Para iniciar a demonstração do cálculo, vamos supor uma operação de venda para consumidor final em que o estado do remetente é do Mato Grosso, e o consumidor final é Minas Gerais. Os dados da operação são estes:

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• MT para MG

Valor da operação (produto+despesas+IPI-descontos) = R$ 1.000,00

Alíquota ICMS Interestadual de MT = 12%

Alíquota ICMS Interna MG = 18%

**No exemplo de cálculo abaixo, não será levada em consideração a cobrança de Fundo de Combate à Pobreza.

Para descobrir o valor, faremos a seguinte operação:

DIFAL = Valor da Operação x (Alíquota interna destino – Alíquota interestadual) DIFAL = R$ 1.000,00 x (18% - 12%)

DIFAL = R$ 1.000,00 x (0,18 – 0,12) DIFAL = R$ 1.000,00 x 0,06

DIFAL = R$ 60,00

Cálculo DIFAL por dentro ou base dupla

Já o cálculo DIFAL por dentro, também chamado de cálculo DIFAL com base dupla, demanda mais etapas para que seja encontrado o valor final.

Nesta forma de cálculo, são utilizadas duas bases de cálculo para encontrar o valor final de

diferencial de alíquotas, sendo que, em uma delas, é realizada a exclusão do ICMS Interestadual da base de cálculo, e em outra, é feita a inclusão do ICMS Interno (ICMS por dentro).

Essa modalidade de cálculo é aplicada somente em operações de venda para contribuintes do ICMS.

Entre os estados que adotam o DIFAL por dentro, estão: AL, BA, GO, MG, MS, PA, PB, PE, PI, PR, RS, SC, SE, SP e TO.

Na simulação do cálculo DIFAL por dentro, iremos levar em consideração os mesmos dados do exemplo anterior.

Operação de venda para consumidor final em que o estado do remetente é do Mato Grosso e o consumidor final é Minas Gerais. Os dados da operação são estes:

• MT para MG

Valor da operação (produto+despesas+IPI-descontos) = R$ 1.000,00

Alíquota ICMS Interestadual de MT = 12%

Alíquota ICMS Interna MG = 18%

A) Passo 1: Identificar o ICMS Interestadual que foi recolhido pelo remetente da mercadoria.

Este valor vem destacado na nota, mas o cálculo funciona da seguinte forma:

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ICMS interestadual = Valor da Operação x alíquota interestadual ICMS interestadual = R$ 1.000,00 x 12%

ICMS interestadual = R$ 1.000,00 x 0,12 ICMS interestadual = R$ 120,00

A) Passo 2: Calcular a base de cálculo 1. O objetivo dessa etapa é fazer a exclusão do ICMS Interestadual que está embutido no valor da operação.

Base de cálculo 1 = Valor da Operação – ICMS interestadual Base de cálculo 1 = R$ 1.000,00 – R$ 120,00

Base de cálculo 1 = R$ 880,00

B) Passo 3: Calcular a base de cálculo 2. Nesta etapa, iremos encontrar a base de cálculo que será usada para definirmos o valor do ICMS Interno no passo 3. Nela, haverá a inclusão do ICMS Interno na base de cálculo.

Base de cálculo 2 = Base de cálculo1 / (1 – Alíquota Interna) Base de cálculo 2 = R$ 880,00 / (1 – 18%)

Base de cálculo 2 = R$ 880,00 / (1 – 0,18) Base de cálculo 2 = R$ 880,00 / 0,82 Base de cálculo 2 = R$ 1.073,17

C) Passo 4: Calcular ICMS Interno.

ICMS Interno = Base de cálculo 2 x Alíquota Interna ICMS Interno = R$ 1.073,17 x 18%

ICMS Interno = R$ 1.073,17 x 0,18 ICMS Interno = R$ 193,17

D) Passo 5: Calcular o valor DIFAL. Na última etapa do cálculo, é preciso realizar a diferença entre os valores de ICMS Interno e ICMS Interestadual (que veio destacado na nota), para que seja encontrado o valor final de DIFAL.

DIFAL = ICMS Interno – ICMS Interestadual DIFAL = R$ 193,17 – R$ 120,00

DIFAL = R$ 73,17

Pode-se observar que, além de possuir mais passos no cálculo, o DIFAL por dentro também possui o valor final mais oneroso.

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Estados como SE, AL, GO, PE e PB utilizam o cálculo DIFAL base dupla, porém, com variações e exceções. Caso você esteja em algum desses estados, consulte o RICMS para avaliar como proceder com o cálculo.

Observe que o Estado de SP adotará o cálculo do DIFAL BASE DUPLA, a partir de 01/04/2022- LEI 17.470, DE 13-12-2021 (abaixo) e CAT 02/2022

Nota:

1) Em relação à LC nº 190/2022, vale destacar a eficácia das legislações estaduais que adotaram, a partir de 2015, a denominada base dupla do ICMS/DIFAL nas operações e prestações realizadas com consumidor final contribuinte do imposto.

2) A lei complementar 190/2022 incluiu o inciso IX e o § 6º ao art. 13 da LC nº 87/96, estabelecendo que o imposto, devido hipóteses dos incisos XIII e XV do art. 12, deverá ser calculado

considerando o valor da operação ou prestação no respectivo estado. Dessa forma, essas

operações teriam duas bases de cálculo distintas. Para o cálculo do imposto devido ao estado de origem, o valor da operação será obtido a partir da alíquota interestadual. Já para o cálculo do DIFAL, o valor da operação será obtido a partir da alíquota interna do estado de destino.

3) Para os estados que vierem a adotar essa sistemática, existem sólidos argumentos para defender judicialmente a aplicação da anterioridade anual

Como Emitir o DIFAL

Ainda que o ICMS incida no valor final da nota fiscal, a emissão do DIFAL é feita à parte desse documento fiscal, visto não haver campo para sua discriminação. Normalmente é informado em Dados Adicionais apenas o seu valor para conferência.

De modo geral, é utilizada a GNRE (Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais) emitida a cada nota fiscal gerada.

**A GNRE foi substituída em SP em 09/02/2022 pela DARE – Documento de Arrecadação de Receitas Especiais.

Nesse caso, essa logística é mais indicada para empresas que têm baixo volume de emissão desse documento fiscal, ou para aquelas nas quais as remessas interestaduais são feitas esporadicamente.

Já para as que trabalham com grande volume de transações entre estados, o mais indicado é fazer a emissão por apuração, na qual a GNRE/DARE é feita mensalmente.

Esse recurso é válido para empresas que têm inscrição estadual também no estado de destino da mercadoria ou serviço. (Inscrição de Substituto Tributário)

Como a ideia é facilitar a emissão do Diferencial de Alíquota do ICMS, muitos estados já estão criando inscrições estaduais especiais para esse fim, com abertura menos burocrática e mais ágil.

Como Recolher o DIFAL

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Feita a emissão da GNRE, ou de guia similar, é possível realizar o pagamento do DIFAL na maioria das instituições bancárias. É fundamental não se esquecer de acrescentar o Fundo de Combate à Pobreza, caso haja incidência.

Além disso, para emissões nota a nota, o recolhimento do Diferencial de Alíquota do ICMS deve ser feito antes que o produto seja despachado.

No caso, uma cópia da GNRE deve ser anexada ao Danfe (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), a fim de evitar qualquer transtorno durante o transporte.

Funcionamento do DIFAL no Simples Nacional

Até 2016, as empresas optantes pelo Simples Nacional precisavam fazer o recolhimento do DIFAL. No entanto, a Liminar 5464 (ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade), determinou a exclusão do Diferencial de Alíquota do ICMS nesse regime tributário.

No novo texto sobre DIFAL, o principal impacto da aprovação da Lei complementar nº 190/2022 é sobre as empresas optantes do Simples Nacional, que serão obrigadas a fazer o recolhimento do imposto, porém, está tramitando a PLP (Projeto de Lei Complementar) 33/2021, que excluirá o Simples Nacional da obrigatoriedade do recolhimento do DIFAL. Dessa forma, estamos

aguardando mais novidades.

Resumo do Funcionamento do DIFAL SP, a partir de 01/04/2022

- Teremos bases de cálculos distintas:

1) DIFAL de entrada ou DIFAL Compras para contribuinte ICMS = Base por Dentro ou Base Dupla;

2) DIFAL de saída ou DIFAL Vendas para contribuinte ICMS = Base por Fora ou Base única;

3) DIFAL de saída ou DIFAL Vendas para não contribuinte de ICMS = Base por Fora ou Base única.

ICMS/SP: Novo cálculo do diferencial de alíquotas para contribuinte em São Paulo, dado pela Lei 17.470/2021

Em razão de diversos questionamentos sobre a mudança do diferencial de alíquotas devido ao estado de São Paulo, a partir de 2022, dado pela publicação da Lei 17.470/2021 (Em vigor a partir de 14/03/2022) que altera a Lei nº 6.374, de 1º de março de 1989, que dispõe sobre a instituição do ICMS em São Paulo, trouxemos um resumo das principais alterações com o comparativo das redações atuais e as que entrarão em vigor neste ano:

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1) Altera a redação dos incisos VI e XIV do art.2 da Lei 6.374/89, que trata do fato gerador do diferencial de alíquotas devido nas operações com mercadoria destinada a consumidor final contribuinte em SP. Não há nenhuma mudança relevante.

2) Altera os incisos VI e X do art. 24, que trata da base de cálculo, entende-se que base passará a ser "por dentro", ou seja, será excluído o ICMS da operação própria e será incluída a alíquota interna de SP.

Nova redação:

"VI - quanto à entradas aludidas no inciso VI, o valor sujeito ao imposto neste Estado;" (NR)

"X - quanto à utilização de serviço aludida no inciso XIV, o valor sujeito ao imposto neste Estado;" (NR)

Redação atual:

VI - quanto às entradas aludidas no inciso VI, o valor sujeito ao imposto no Distrito Federal ou no Estado de origem;

X - quanto à utilização de serviço aludida no inciso XIV, o valor sujeito ao imposto no Distrito Federal ou no Estado de origem.

3) Altera a redação do art. 33, indicado que o montante do imposto integra a BC para o diferencial:

Nova Redação:

"Art. 33 - O montante do imposto, inclusive nas hipóteses dos incisos IV, VI, XIV, XVII e XVIII do artigo 2º, integra sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle." (NR)

Redação Atual:

Art. 33. O montante do imposto, inclusive na hipótese do inciso IV, do artigo 2º, integra sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (Redação dada ao artigo pela

Lei nº 11.001, de 21.12.2001, DOE SP de 22.12.2001)

4) Acrescenta o §8° do art. 24, que trata da base de cálculo a seguinte reação:

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Nova Redação:

"§ 8º Na hipótese dos incisos VI, X, XI e XII deste artigo, o imposto devido será o valor correspondente à diferença entre a alíquota interna

do Estado de destino ou do Distrito Federal e a interestadual, utilizando-se, para efeitos:

1 - dos incisos VI e X:

a) a alíquota prevista para a operação ou prestação interestadual, para estabelecer a base de cálculo da operação ou da prestação no Estado de origem ou

b) no Distrito Federal;

b) a alíquota prevista para a operação ou prestação interna, para estabelecer a base de cálculo da operação ou prestação neste Estado;

Visto isso, temos que sendo o diferencial apurado pela diferença do ICMS apurado pela alíquota interna sobre a BC prevista interna em São Paulo (alínea “b”) e o ICMS apurado sobre BC da operação de origem (alínea “a”) temos que o diferencial de alíquotas para contribuinte passará a ser “por dentro”.

LEI 17.470, DE 13-12-2021

(DO-SP DE 14-12-2021 – produzindo efeitos a partir de 14/03/2022) O Governador do Estado de São Paulo:

Faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

Art. 1º Passam a vigorar, com a redação que segue, os dispositivos adiante indicados da Lei nº 6.374 , de 1º de março de 1989:

I - os incisos VI e XIV do artigo 2º:

"VI - na entrada no território deste Estado de bem ou mercadoria oriundo de outro Estado ou do Distrito Federal, adquirido por contribuinte do imposto, e destinados ao seu uso, consumo ou à integração ao seu ativo

imobilizado;"(NR)

"XIV - na utilização, por contribuinte, de serviço de transporte cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado ou no Distrito Federal e não esteja vinculada a operação ou prestação subsequente;" (NR)

II - os incisos VI e X do artigo 24:

"VI - quanto às entradas aludidas no inciso VI, o valor sujeito ao imposto neste Estado;" (NR)

"X - quanto à utilização de serviço aludida no inciso XIV, o valor sujeito ao imposto neste Estado;" (NR) III - o artigo 33:

"Art. 33 - O montante do imposto, inclusive nas hipóteses dos incisos IV, VI, XIV, XVII e XVIII do artigo 2º, integra sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle." (NR)

Art. 2º Ficam acrescentados, com a redação que segue, os dispositivos adiante indicados à Lei nº 6.374 , de 1º de março de 1989:

I - os incisos XVII e XVIII ao artigo 2º:

"XVII - no início da prestação de serviço de transporte interestadual de qualquer natureza, nas prestações não vinculadas a operação ou prestação subsequente cujo tomador não seja contribuinte do imposto domiciliado ou estabelecido no Estado de destino ou no Distrito Federal;

XVIII - na saída de bem ou mercadoria de estabelecimento de contribuinte, destinado a consumidor final não contribuinte do imposto, domiciliado ou estabelecido em outro Estado ou no Distrito Federal." (NR)

II - o § 2º ao artigo 7º, passando o atual parágrafo único a denominar-se § 1º:

"§ 2º É ainda contribuinte do imposto nas operações ou prestações que destinem mercadorias, bens e serviços a consumidor final domiciliado ou estabelecido em outro Estado ou no Distrito Federal, em relação à diferença entre a alíquota interna do Estado de destino ou do Distrito Federal e a alíquota interestadual:

1 - o destinatário da mercadoria, bem ou serviço, na hipótese de ser contribuinte do imposto;

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2 - o remetente da mercadoria ou bem ou o prestador de serviço, na hipótese de o destinatário não ser contribuinte do imposto." (NR)

III - ao artigo 23:

a) o inciso VI:

"VI - tratando-se de operações ou prestações interestaduais destinadas a consumidor final, em relação à diferença entre a alíquota interna do Estado de destino ou do Distrito Federal e a alíquota interestadual:

a) o do estabelecimento do destinatário, quando o destinatário ou tomador for contribuinte do imposto;

b) o do estabelecimento do remetente ou onde tiver início a prestação, quando o destinatário ou tomador não for contribuinte do imposto." (NR)

b) o § 5º:

"§ 5º Na hipótese da alínea "b" do inciso VI deste artigo, quando o destino final da mercadoria, bem ou do serviço se der em Estado diferente daquele em que estiver domiciliado ou estabelecido o adquirente ou o tomador, o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual será devido ao Estado no qual efetivamente ocorrer a entrada física da mercadoria ou bem ou o fim da prestação do serviço." (NR)

IV - ao artigo 24:

a) os incisos XI e XII:

"XI - quanto ao serviço aludido no inciso XVII, o valor sujeito ao imposto no Estado de origem;" (NR)

"XII - quanto à saída aludida no inciso XVIII, o valor sujeito ao imposto no Estado de origem." (NR) b) o § 8º:

"§ 8º Na hipótese dos incisos VI, X, XI e XII deste artigo, o imposto devido será o valor correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado de destino ou do Distrito Federal e a interestadual, utilizando-se, para efeitos:

1 - dos incisos VI e X:

a) a alíquota prevista para a operação ou prestação interestadual, para estabelecer a base de cálculo da operação ou da prestação no Estado de origem ou no Distrito Federal;

b) a alíquota prevista para a operação ou prestação interna, para estabelecer a base de cálculo da operação ou prestação neste Estado;

2 - dos incisos XI e XII, a alíquota prevista para a operação ou prestação interna no Estado de destino ou no Distrito Federal para estabelecer a base de cálculo da operação ou da prestação." (NR)

V - o § 7º ao artigo 38:

"§ 7º Nas hipóteses dos incisos XVII e XVIII do artigo 2º, o crédito relativo às operações e prestações anteriores deve ser deduzido apenas do débito correspondente ao imposto devido a este Estado." (NR)

Art. 3º Ficam revogados os dispositivos adiante indicados da Lei nº 6.374 , de 1º de março de 1989:

I - o inciso XVI e o § 7º do artigo 2º;

II - a alínea "c" do inciso II do artigo 23.

Art. 4º Esta lei entra em vigor em 90 (noventa) dias a contar da data de sua publicação, observado o disposto no art.

150, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal.

JOÃO DORIA

Henrique de Campos Meirelles

Secretário da Fazenda e Planejamento Cauê Macris

Secretário-Chefe da Casa Civil

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