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4. O Ponto de Inflexão: a bidirecionalidade no processo de formalização das comunidades brasileiras no exterior numa lógica organizadora global

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4.

O Ponto de Inflexão: a bidirecionalidade no processo de formalização das comunidades brasileiras no exterior numa lógica organizadora global

Neste capítulo, exploramos a segunda fase das relações do Brasil com a emigração brasileira, o ponto de inflexão iniciado na era FHC e consolidado na era Lula. O objetivo deste capítulo é compreender o processo de formalização que culminou na construção do brasileiro residente no exterior como um sujeito político. Exploramos as mudanças ocorridas dentro do Estado brasileiro neste processo e relacionamos tais mudanças à literatura sobre política, para paralelos ou divergências entre tal política externa e o tratamento da questão das comunidades brasileiras no exterior.

Num primeiro momento, as principais correntes de pensamento diplomático brasileiro são delineadas para relacioná-las a segunda seção do capítulo, onde abordamos o material empírico sobre a relação do Estado brasileiro com a imigração brasileira. Destaque é dado às dinâmicas desnacionalizantes que ocorrem na formalização das redes e comunidades brasileiras no exterior, que anteriormente atuavam no âmbito informal. Conforme dito anteriormente, a própria eleição de Lula se deu a uma visão global do Brasil, contando com a articulação entre grupos sindicais de trabalhadores brasileiros em Boston, e de núcleos do PT no exterior (FUTEMA, 2002)1. Suas reivindicações foram parcialmente atendidas na medida em que foram formalizadas, e através dessa

1 “PT conta com votos de brasileiros no exterior” disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u39192.shtml

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interação bidirecional dos fluxos globais, é possível perceber um movimento de desnacionalização parcial do Estado e da cidadania.

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4.1. A relação entre a política externa brasileira e as redes informais de ativismo de emigrantes e o processo de formalização das comunidades brasileiras no exterior

Nesta seção, pretendemos fazer um resumo das linhas gerais da política externa brasileira (PEB), ressaltando a busca do Brasil por uma maior participação no cenário mundial nos governos FHC e Lula. Em seguida, a política do Itamaraty com os emigrantes brasileiros é analisada para apoiar o argumento de que a crescente aproximação do Itamaraty com os brasileiros no exterior faz parte da estratégia da PEB pós Guerra Fria, de se firmar um Brasil democrático, defensor dos direitos humanos e aliado com os outros países do Sul.

A moderna política externa brasileira, que se pauta numa tradição que remonta “quase que unicamente à ação do Barão do Rio Branco”, preza uma forma pragmática de diplomacia, pautada na negociação e arbitragem (CERVO &

BUENO, 1992, p.164).

O Brasil é visto como um caso peculiar na região da América do Sul pela maneira em que seu território foi demarcado — em geral por arbitragem e negociações internacionais. Essa visão é legitimada por um discurso diplomático que preza um modelo de Estado autônomo, no qual a política externa é considerada uma questão de Estado (não de governos) separada e acima da política interna. Tal desvinculação permitiu uma continuidade nas políticas, apesar de três momentos de ruptura: o Golpe de 1964, Geisel e seu ‘pragmatismo responsável’, e as medidas de liberalização do Collor. Uma forte crença no país é que o Brasil tem como destino um papel importante no cenário mundial, o que se torna a razão de ser da PEB. Suas políticas multilaterais e sua participação na ONU e na Liga das Nações refletem este desejo por reconhecimento internacional (LIMA, 2005).

A mediação entre ‘fortes e fracos’ e a defesa por uma ordem internacional menos desigual são as principais características de sua diplomacia nacional multilateral, que adotou dois diferentes modelos para os mesmos fins: o modelo da ‘relação especial’ com os EUA e o de autonomia multilateral, no pós-Golpe de 1964 e no governo Geisel. Ambos os modelos são marcados pela tradicional desconfiança dos vizinhos (por acreditar nas diferenças políticas, culturais e econômicas), no vínculo com a Europa desde a época da colonização e na relação

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com os EUA. No entanto, após a Guerra Fria surge um ‘novo regionalismo’ com as medidas liberalizantes adotadas pela América do Sul. Três eventos marcaram de forma intensa a PEB: o processo de redemocratização e a ratificação de tratados internacionais de segurança e direitos humanos, a criação do NAFTA e a fundação do MERCOSUL. A percepção do México perante o Brasil e a América do Sul se alterou ao tornar-se aliado dos EUA, com a criação do NAFTA. O MERCOSUL visou à integração política e econômica na região (LIMA, 2005).

O papel do Brasil como protagonista é consenso para os formadores da política externa, porém há divergências entre governos em relação às estratégias de inserção. Comparando a PE de FHC e Lula, observa-se que o primeiro utilizou uma estratégia de credibilidade internacional, com participação em instituições e regimes internacionais, e o segundo priorizou a valorização da liberdade política e superação de problemas internos. Desse modo,

A alternância de poder criou oportunidades para diferentes estratégias de inserção internacional que refletem compromissos políticos [...]. Mas a antiga aspiração de um papel significativo na cena internacional permanece atravessando diferentes visões da ordem internacional (LIMA, 2005, p. 21).

A PEB também pode vista sob dois paradigmas diplomáticos: o americanismo, pensamento pragmático e ideológico que busca maior aproximação com os EUA, que guiou a PEB nos períodos de 1900 até por volta de 1955 e de 1964 a 1974; e o globalismo, a visão plural, crítica à primeira, presente nos anos 1961-1964 e de 1974-1990, que defende mais diversidade nas relações exteriores brasileiras, com intuito de aumentar o poder de barganha mundialmente, refletindo o pensamento realista das Relações Internacionais. Dessa maneira, o discurso dominante entre diplomatas de que a cooperação internacional implica promover o bem coletivo é objeto de crítica quando se defende que os fins da cooperação não são necessariamente atrelados ao bem para todos. Com o fim da Guerra Fria e as transformações subsequentes na ordem mundial, o discurso cepalino, que serviu como base para o globalismo, se esgotou e a coalizão Sul-Sul se fragmentou (PINHEIRO, 2000).

No entanto, apesar da mudança de paradigmas, não houve mudança significativa nos principais objetivos da PEB, a autonomia (entendida como independência) e o desenvolvimento através de maior participação em instituições internacionais, componentes nos outros dois paradigmas. Apesar da PEB pós- 1990 não apresentar uma nova matriz teórica, é possível detectar características

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como os princípios de anarquia e autoajuda da escola realista, porém naquele momento, a abordagem mais adequada para defini-lo seria o ‘institucionalismo neoliberal’. Desse modo, o Brasil defende os princípios de justiça no cenário internacional através de uma maior participação em instituições internacionais, ainda que esta participação esteja baseada em interesses.

Assim sendo, a diplomacia brasileira afirma-se internacional e regionalmente com base no discurso da cooperação, fundamento do liberalismo, mas se utiliza de mecanismos de escape que se traduzem em baixa institucionalidade e relativa durabilidade de alguns arranjos institucionais, desviando-se e, no limite, adiando a questão da justiça no plano regional onde o equilíbrio da balança de poder tem preponderância (PINHEIRO, 2000, p. 325).

Existe um consenso da PEB de que o ‘destino natural’ do Brasil como

‘protagonista’ no cenário mundial mantém a sua continuidade na PEB (HIRST &

LIMA, 2009). Nessa visão, o país acumulou ‘soft power’ devido a sua forma não- bélica de demarcação de território e buscou sempre independência em conferencias internacionais, através de agendas multilaterais e parceria com países de Terceiro Mundo. O governo de Lula é visto como inovador na inclusão da agenda social na PEB em seu governo. O modelo de economia sempre afetou a agenda política do Brasil, com dois momentos de ruptura: a partir da década de 1930, quando implantaram o modelo de industrialização baseado na substituição de importações e a partir da década de 1990, com o esgotamento desse modelo e a introdução de medidas liberalizantes, que visaram à integração ao mercado competitivo global. O Itamaraty sempre gozou de uma legitimidade doméstica por desempenhar um papel desenvolvimentista e adquirir uma ‘memória institucional’

(HIRST & LIMA, 2009).

A PEB sofreu mudanças na redemocratização, manifestando um ‘desejo de autonomia’ em relação ao regime militar, apresentando dois modelos que representam meios para atingir a tão desejada influência internacional: de busca de credibilidade e de autonomia através da maior projeção internacional e flexibilidade para incluir um projeto que pretende resolver problemas sociais domésticos. O multilateralismo, uma bandeira histórica da PEB, que ficou em segundo plano durante a Guerra Fria, envolveu o país de forma ativa nas instituições internacionais como a Liga das Nações e ONU e negociações comerciais através do GATT e OMC. Durante a Guerra Fria, o Brasil se envolveu

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com países do Sul global, o G77, ao defender o desenvolvimento e cooperação entre o Norte e Sul. Em 2003, o país foi líder do na criação da coalizão terceiro mundista G20, desempenhando seu papel de mediador através de missões de paz da ONU. Além disso, ratificou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, defendeu a reforma da ONU e do Conselho de Segurança. A participação em assuntos globais é um reflexo da redemocratização, e sua aproximação com a ONU tem três aspectos principais: restabelecimento de fronteira entre peacekeeping e peace enforcement, a reforma da estrutura tomadora de decisão e o fortalecimento e reformulação de princípios multilaterais (HIRST & LIMA, 2009).

Desde a década de 1990, o Brasil busca maior interação com os vizinhos, e a criação do Mercosul reflete esta postura. Estudiosos apontam que o governo Lula foi guiado por três premissas ao atuar na América do Sul: de que uma presença mais ativa na região dependeria de maior aproximação com a Argentina, que a sua presidência teria impacto na democracia brasileira ao difundir a estabilidade política e que as aspirações globais do Brasil serão fortalecidas com uma presença bem sucedida. Assim, Lula procurou expandir as relações econômicas da região com a participação de iniciativas públicas e privadas. A relação com os EUA passou por fases diferentes. Tal país sempre esteve sob a observação permanente do Brasil, e a PEB toma decisões com base no cálculo de custos e benefícios de uma convergência ou divergência. Apesar do Brasil não representar a mesma importância para os norte-americanos, segundo alguns autores, um Brasil fortalecido, que une a América do Sul, ameaça a influência dos EUA tanto na região, quanto na arena internacional (HIRST & LIMA, 2009).

Durante a presidência de Lula, o Itamaraty foi capaz de firmar parcerias com países do Terceiro Mundo, formando organizações como o IBAS e se aproximou de países árabes e da África. De acordo com alguns estudiosos, essas relações estão atreladas à sua ambição por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU e apoio dos outros países. A relação Sul-Sul, no entanto, se encarregou da dificuldade em manter a coerência em fóruns, como o G20, para conciliar os interesses diversos, a rejeição pública e o impacto da mudança de coalizões do governo sobre a PEB (HIRST & LIMA, 2009).

Uma abordagem construtivista da PE do governo Lula ressalta que comparado com a atuação de FHC, ambas PEs não representam uma divergência

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abrupta com paradigmas históricos da PEB, de desenvolvimento e desejo de autonomia, porém há diferenças importantes entre as crenças, atuação e resultados na PE dos dois governos. As mudanças da PE são vistas como inseridas em um continuum, cujos ‘graus de mudança’ são agrupados nos fatores: líderes, burocratas, reestruturação doméstica e choques externos (VINGEVANI &

CEPALUNI, 2007, p. 277). Segundo essa visão, Lula deu prosseguimento com a política de FHC, porém implantou mudanças de programas e ajustes. A atuação da política externa brasileira no governo Lula é definida como ‘autonomia pela diversificação’, por esta aderir aos princípios e normas internacionais através de alianças Sul-Sul, aumentando a projeção internacional do país como protagonista, visando maior equilíbrio com o Norte, e se contrapondo à estratégia de

‘autonomia pela distância’ adotada pelo governo Sarney. Diretrizes como maior participação na Comunidade Sul-Americana de Nações, defesa de interesses nos fóruns de Doha e da OMC, aproximação com países emergentes (BRICs), boas relações com países ricos, defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU e a incorporação de uma agenda social doméstica fazem parte da PEB do governo Lula (VINGEVANI & CEPALUNI, 2007, p. 294).

A crescente priorização da agenda Sul-Sul assinala o contexto de redemocatização no Brasil e a globalização na formulação dessas políticas. Desse modo, Lula formou o G20, que buscou o fim de subsídios agrícolas em países do Norte, e a quebra de patente e diminuição dos preços de remédios para AIDS através da formação do IBAS, fortalecendo a posição negociadora através de alianças Sul-Sul. Assim, a política externa de Lula apresenta uma ‘mudança dentro da continuidade’ quando comparada à de FHC, pois segundo alguns estudiosos, não houve grandes mudanças de objetivos e paradigmas, mas ajustes e mudanças em alguns programas (HIRST, 2009).

Ainda na comparação a atuação de FHC e Lula, uma abordagem realista mostra que, apesar de ainda enfrentar a proeminência dos EUA, a PEB tem se mostrado mais ambiciosa ao almejar uma maior participação em assuntos regionais, instituições e regimes multilaterais e negociações econômicas globais através de uma ativa diplomacia presidencial (HIRST, 2009). Através dessas medidas, o Brasil promove valores e instituições democráticas e amplia a responsabilidade em manter a estabilização regional. Segundo os analistas de PE, no governo FHC, a PEB se baseou na estabilização econômica e fortalecimento da

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democracia ao ratificar tratados internacionais e participar de missões de paz da ONU. No governo Lula, por sua vez, houve mais proeminência em sua postura em relação a assuntos de política, economia, e segurança internacional, além do incentivo ao multilateralismo para a resolução de crises, refletido pelo aumento de participação brasileira na ONU e reivindicação por reformas no Conselho de Segurança.

Desde o governo FHC e principalmente no de Lula, a PEB é motivada pela democratização da globalização. Durante a era Lula, a programação e formulação da PEB se torna política de Estado, aprofundando “a estratégia logística de inserção de Brasil no cenário internacional” (CERVO, 2010, p. 32). Tal modo

‘logístico’ consiste em dois fatores, entre outros, que contribuem para a sua consolidação: o alto grau de organização da sociedade, que facilita o trabalho de coordenação dos dirigentes; e a estabilidade política e econômica, que liga a lógica interna do governo à lógica de governança global. O Estado logístico surge a partir da combinação desses fatores postos em serviço do desenvolvimento, e sua conduta difere da conduta do Estado neoliberal, principalmente na recuperação da autonomia política e no reforço da economia nacional. Duas características desse modo de globalismo ‘industrialista’ adotado pela PEB no século XXI podem ser notadas; o ‘multilateralismo recíproco’ e internacionalização econômica (CERVO, 2010).

O multilateralismo recíproco, não restrito somente ao âmbito do comércio exterior, mas em todas as áreas da ‘ordem internacional’, é garantido quando as regras na ordem multilateral beneficiam todas as nações, não somente os mais países mais ‘fortes’. Desde 2003, a PEB encontra maior poder para demandar a reciprocidade nas relações internacionais, no âmbito da economia, comércio exterior, segurança internacional, questões ambientais e na área da saúde e direitos humanos. Conforme mencionamos anteriormente, a relação com os emigrantes tem sido tratada no âmbito dos direitos humanos. A internacionalização econômica seria a estratégia inédita para a política externa brasileira de expansão das empresas brasileiras no exterior para fortalecer suas corporações e garantir maior competitividade, em consonância com as tendências da globalização (CERVO, 2010, pp. 15, 21).

Dessa forma, é possível perceber grandes mudanças na PEB nos últimos anos apesar da manutenção do ‘desejo de autonomia’ e ‘destino à grandeza’.

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Como veremos a seguir, a política do Brasil em relação aos emigrantes, de acordo com essa visão, se torna uma forma de política externa.

A maneira de compreender e lidar com as migrações internacionais tem relação direta com o objetivo de defender e assegurar o protagonismo do país em fóruns regionais e multilaterais, dentro de um contexto internacional em que o tema é cada vez mais importante e controverso (REIS, 2011, p. 3).

A abordagem da questão emigratória é vista como estratégica nas relações internacionais atualmente. A partir de meados da década de noventa, é possível perceber uma mudança gradual na postura do Estado em relação aos emigrantes, o que chamamos de período de construção de capacidades. É também possível perceber uma relação bidirecional entre o ativismo dos emigrantes e o Estado, este orientado para o projeto internacional do governo Lula, no qual

o tratamento dado à questão migratória pelo Estado brasileiro está relacionado não apenas ao importante ativismo de migrantes e seus aliados (...) mas também a um objetivo mais amplo no plano internacional, sobretudo ao longo do governo Lula (...) podemos caracterizar a política em relação aos emigrantes, e também aquelas de cunho regional, como formas de política externa (REIS, 2011).

O ativismo dos emigrantes foi um grande catalisador de mudanças, pois traduziu “na criação de canais institucionais de comunicação entre o Estado e os emigrantes, na melhora do atendimento consular e em medidas para facilitar o envio de remessas, entre outras.” Os emigrantes contribuíram financeiramente, participaram politicamente e repercutiram casos de discriminação de brasileiros no exterior, o que sem dúvida tornou o Estado sensível às suas demandas. O outro fator que provocou mudanças foi “a percepção das migrações internacionais como um tema estratégico nas relações internacionais no século XXI” (REIS, 2011).

O direito de reter a sua nacionalidade original é um direito básico que se estende a emigrantes (GAMLEN, 2008, p. 847). Nesse caso, a cidadania original é garantida em caso de naturalização, permitindo a dupla cidadania ou nacionalidade. No Brasil, esse direito foi garantido no Artigo 12 da constituição de 1988, ano em que a emigração estava em todo vapor. Esta mudança afetou a decisão de muitos emigrantes a se naturalizarem nos Estados Unidos, visto que isto não implicaria mais em abrir mão da nacionalidade brasileira (SALES, 1999).

Além disso, os brasileiros que teriam direito a cidadania de algum país com base no jus sanguinis, como descendentes de imigrantes também não precisariam

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renunciar à sua nacionalidade originária, o que pode ter contribuído para a saída de muitos brasileiros para a Europa2.

Conforme abordado no último capítulo, embora a imprensa e academia tenham chamado atenção para a emigração brasileira desde seus primórdios, até meados da década de noventa, o Estado brasileiro ainda mal reconhecia a presença de brasileiros residentes no exterior, o que pode ser ilustrada pelo caso dos

“Brasileirinhos Apátridas”. Neste caso, devido a um erro cometido pelo Congresso, na revisão da Constituição, em 1994, retirou-se o artigo que garantia a condição de nacionalidade brasileira para os filhos de pai e mãe brasileiros que nasceram no exterior. Em seu lugar, foi inserida uma emenda que obrigava filhos de brasileiros nascidos no exterior a viver no Brasil, antes de completar 18 anos e

‘optar’ para obter a nacionalidade brasileira. Tal emenda revogou o direito de dupla nacionalidade garantido em 1988, além de retirar o direito de nacionalidade brasileira automática em países praticantes do jus sanguinis, deixando os filhos de pais brasileiros nascidos em diversos países europeus em situação de apátrida. O MRE adotou medidas provisórias, como a emissão de passaportes temporários, porém tais medidas se tornaram permanentes na medida em que o tempo passou e a questão foi ‘esquecida’ pelos legisladores e retomado mais de 10 anos depois, provocando a primeira grande mobilização de organizações de emigrantes brasileiros em torno de uma campanha, dos “Brasileirinhos Apátridas”, que pleiteou a emenda constitucional PEC 272.00, sendo bem sucedida em relação à mudança de lei, finalmente promulgada em setembro de 2007 (Martins, 2000) 3.

Art. 12. São brasileiros:

I - natos:

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente, ou venham a residir na República Federativa do Brasil antes da maioridade e, alcançada esta, optem, em qualquer tempo,

pela nacionalidade brasileira;

2 De acordo com Elspeth Guild, este caso não constitui uma imigração, já que o ‘imigrante’ já entra em um país com status legal, sendo este um cidadão.

3 Agência Estado, 28/03/00 “Apátridas por distração” por Rui Martins. Disponível em:

http://www.brasileirinhosapatridas.org/histoire.htm

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c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;(Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, de 2007) (Constituição, 1988)

De forma paralela a este movimento, a primeira medida de importância no plano institucional para os brasileiros no exterior se deu governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, quando o então ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia implementou o Programa de Apoio aos Brasileiros no Exterior, que consistia basicamente na criação dos chamados “consulados itinerantes” para atender a regiões nas quais a presença brasileira vinha crescendo” (REIS, 2011, p. 4). O marco inicial do processo de organização política das comunidades brasileiras no exterior, portanto, foi o I Simpósio Internacional sobre Emigração Brasileira em 1997. Tal encontro foi realizado e organizado pela Casa do Brasil em Lisboa, uma das organizações brasileiros do exterior mais ativas e antigas. O simpósio contou com a participação de representantes dos poderes executivos e legislativos do Brasil e de Portugal;

pesquisadores e especialistas brasileiros em migrações; jornais e associações de imigrantes; tal como emigrantes isolados pertencentes a outros grupos do Japão e Estados Unidos. No encontro discutiu-se a ausência de políticas que tratam de problemas de cidadãos residentes no exterior (MILESI e FANTAZINI, 2008).

Embora tenha tido pouca repercussão política naquele momento, a mobilização de organizações de brasileiros no exterior, através do simpósio, preparou-se as bases, construindo capacidades para os encontros organizados na década seguinte (NETO & SPRANDEL, 2008, pp. 31-32).

Na virada do milênio foram executadas grandes mudanças institucionais a respeito da relação com os brasileiros no exterior, devido ao aumento de casos de tráfico de pessoas e graves violações dos direitos humanos de brasileiros no exterior divulgados pela mídia. É neste momento que acontece o I Encontro Ibérico de Comunidades de Brasileiros no Exterior, ocorrido de 09 a 11 de maio de 2002, em Lisboa. Neste encontro, discutiu-se as ‘possibilidades de melhoria na atuação dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo brasileiros e sobre medidas protetivas e de fomento no atendimento aos cidadãos e cidadãs brasileiras

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no exterior’ (MILESI & FANTAZINI, 2008). Promovido pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão de Brasília, com o apoio da Casa do Brasil em Lisboa, Cáritas, Pastoral dos Migrantes da CNBB e Instituto Migrações e Direitos Humanos, também contando com a presença de diversas autoridades e órgãos públicos dos dois países, além de associações de brasileiros, igrejas e universidades, o encontro teve resultado no Documento de Lisboa, que tem como principal reivindicação a garantia dos direitos de cidadania pelo Estado brasileiro aos emigrantes brasileiros, através de políticas públicas voltadas para sua defesa (NETO & SPRANDEL, 2008, p. 312).

Em 2002, o então candidato à Presidência da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva problematiza a situação dos emigrantes brasileiros quando faz campanha em Governador Valladares, em Minas Gerais, cidade que mais envia emigrantes brasileiros para os Estados Unidos, identificando os emigrantes como ‘trabalhadores’ e prometendo desenvolvimento local para ‘evitar’ a necessidade de emigrar. A “Carta aos brasileiros que vivem longe de casa”, com propostas políticas para seu eventual governo foi entregue para associações de brasileiros pelo prefeito da cidade na época, João Domingos Fassarella (MILIKEN, 2002) 4. As propostas da carta eram: ‘a criação de organismos de representação de emigrantes junto a Consulados e Embaixadas, a organização de instituições junto ao Ministério das Relações Exteriores e da Justiça para coordenar o atendimento e o apoio aos emigrantes brasileiros, além de tratar sobre a redução de taxas nas remessas financeiras.’ A percepção dos emigrantes como eleitores foi um fator significativo para a eleição de Lula.

A percepção de que a manutenção dos laços dos emigrantes com o país é importante não apenas para os indivíduos envolvidos no processo, mas para o próprio país, parece estar na base desse movimento (...) o número de votantes cadastrados no exterior tem crescido a cada eleição. Entre a eleição de 2006 e a atual, esse número cresceu 132%, saltando de 86.255 em 2006 para 200.392. Se pensarmos em relação a 1989, o primeiro ano de eleições diretas para presidente no Brasil depois do regime militar, o crescimento é de quase 1.000% (REIS, 2011, p. 5).

Em 2003, em resposta à carta, um grupo de brasileiros residentes em Boston, entre esses ativistas políticos do Partido dos Trabalhadores, foi recebido pela delegação do Lula já presidente em sua visita a Nova York. A partir desse encontro, firmou-se o compromisso por parte da embaixada brasileira em

4 Em http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2002/09/12/ult27u25955.jhtm

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Washington com esta comissão para discutir propostas e sugestões para melhorar o atendimento consular aos brasileiros residentes nos Estados Unidos. Tal reunião foi realizada em dezembro de 2003 (MILESI & FANTAZINI, 2008).

O mesmo grupo, composto por trinta ativistas e líderes comunitários se reúnem em Danbury em 2004, onde organizaram um grande encontro nacional em outubro de 2005, em Boston, o I Brazilian Summit. Neste encontro, 300 pessoas estavam presentes, entre acadêmicos, diplomatas brasileiros e autoridades norte- americanas, parlamentares brasileiros da CPMI da Emigração Ilegal, Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, com o objetivo de “apurar os crimes e outros delitos penais e civis praticados com a emigração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos e outros países, e assegurar os direitos de cidadania aos brasileiros que vivem no exterior”. Ao longo de três dias, o debate girou em torno da vida dos imigrantes brasileiros nos EUA, resultando na Carta de Boston. As propostas eram: ‘a criação de organismos de representação de emigrantes junto a Consulados e Embaixadas, a organização de instituições junto ao Ministério das Relações Exteriores e da Justiça para coordenar o atendimento e o apoio aos emigrantes brasileiros, além de tratar sobre a redução de taxas nas remessas financeiras’ (MILESI & FANTAZINI, 2008).

A crescente sensibilidade da opinião pública doméstica funcionou a favor da atuação das organizações de apoio aos emigrantes, principalmente o tema da discriminação de brasileiros no exterior. Entre 2005 e 2006, foi instaurada uma CPI que adotou muitas recomendações presentes nas propostas do Documento de Lisboa e da Carta de Boston, como a ‘criação de uma instância governamental de alto nível’, resultando na criação do Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior (SGEB), através do Decreto 5.979/06 em 2007. Composta pelo Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior (DCB)5, do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos, da Ouvidoria Consular e da Coordenação-Geral de Planejamento e Integração Consular (CGPC), a SGEB tem

“atribuições de cuidar dos temas relativos aos brasileiros no exterior e aos estrangeiros que desejam ingressar no Brasil, incluindo-se a cooperação judiciária internacional” (AMORIM, 2009 apud REIS, 2011).

5 Composta por três unidades, a Divisão de Assistência Consular (DAC), Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior (DBR) e Divisão de Documentos de Viagem (DDV)

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A Divisão das Comunidades Brasileiras (DBR), ligada ao Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, tem como principais atribuições:

compilação e processamento de dados sobre as comunidades brasileiras no exterior; estabelecimento de canais de comunicação entre elas e o Itamaraty;

auxílio na sua organização; acompanhamento e negociação em acordos internacionais; coordenação com os demais órgãos do governo brasileiro, ações e políticas apoio. A DBR tem como responsabilidade principal na SGEB implantar o sistema de conferências ‘Brasileiros no Mundo’, um canal entre o governo do Brasil e os brasileiros no exterior (NETO & SPRANDEL, 2008, p. 311).

Em 2007, ocorre o II Encontro de Brasileiras e Brasileiros no Exterior em Bruxelas, que teve a participação de 70 pessoas, representantes de instituições de 11 países europeus (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Itália, Portugal e Suíça) e do Brasil, além de representantes do Ministério do Trabalho e da Justiça brasileiro, do legislativo Federal, de acadêmicos e pesquisadores voltados a esta temática. Neste evento criou-se uma Rede de Organizações que trabalham com brasileiros na Europa. O documento final, intitulado Documento de Bruxelas, incorpora o Documento de Lisboa de forma integral e reivindica,

(...) entre outros pleitos, encontros periódicos com o Ministério de Relações Exteriores, redução de custos e simplificação da burocracia para obtenção de documentos, política permanente do Estado brasileiro em defesa dos direitos fundamentais dos seus cidadãos, e o reconhecimento da Rede de Brasileiros e Brasileiros na Europa como fórum

permanente da sociedade civil organizada para o trato das questões de interesse da comunidade (NETO E SPRANDEL, 2008, p. 312).

No início de 2008, numa campanha de promoção do “trabalho decente” de brasileiros no exterior, o Conselho Nacional de Imigração (CNIg), órgão abrigado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, lançou a cartilha Brasileiras e brasileiros no exterior − informações úteis, um instrumento importante para a conscientização, informação e alerta para os emigrantes brasileiros, a ser distribuído gratuitamente nos postos de emissão de passaporte no Brasil e nos Consulados Brasileiros no Exterior, com edição on-line. No mesmo ano, foi realizada a primeira edição da Conferência Brasileiros no Mundo, no Rio de Janeiro, com o objetivo de permitir debate amplo sobre a emigração brasileira e políticas públicas voltadas para os brasileiros no exterior, com a presença de representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, do Trabalho e Emprego, da Previdência Social e da Educação, de acadêmicos, líderes comunitários e

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membros de associações que apoiam brasileiros no exterior. Assim como encontros anteriores e que continuam ocorrendo com os emigrantes, a Conferência teve um papel importante no processo de mobilização das organizações de brasileiros no exterior (REIS, 2011, p. 313). Além disso, ao longo de 2008, o MTE e CNIg desenvolveram o projeto Casa do Trabalhador Brasileiro no exterior, locais onde trabalhadores brasileiros possam buscar informações a respeito de trabalho, deveres e direitos que têm como migrantes nos países receptores. As primeiras ‘casas’ foram na fronteira com o Paraguai e no Japão.

Em 2009, em virtude da crise nos países ricos, a CNIg cria o Grupo de Acompanhamento do Cenário Internacional e a Necessidade de Novas Políticas Migratórias. Este grupo constatou que muitos brasileiros no exterior se encontravam em situação de dificuldade, constituindo um substancial fluxo de volta ao Brasil. O grupo apresentou medidas que deveriam ser adotadas pelo governo, destinadas aos trabalhadores brasileiros no exterior e aos que estariam regressando. Tais medidas foram: a criação de uma comissão bilateral entre Brasil e Japão para tratar do tema “emprego”; cursos de qualificação especialmente destinados aos brasileiros/as que tenham regressado ao Brasil; pontos focais nas Superintendências e Gerências do MTE nos estados e cidades que receberam o maior fluxo de retornados, para que as demandas dessas pessoas possam ser atendidas; a regulamentação da atuação de agências privadas de recrutamento e envio de trabalhadores brasileiros ao exterior, visando maior proteção e segurança neste processo; a autorização para o saque do FGTS pelos brasileiros no exterior com contas inativas no Brasil; e a criação de canais de comunicação através da Internet e telefone com os brasileiros/as no Japão. As últimas demandas foram atendidas através do Portal Consular, o Portal das Comunidades e uma Ouvidoria Consular foram lançados em 2009 (NETO & SPRANDEL, 2008, p. 313).

No mesmo ano de 2009, houve a II Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior. Neste encontro, redigiu-se o Documento de Bruxelas, de Barcelona e de Berlim, que contêm necessidades a serem atendidas pelo Estado brasileiro, incorporando o Documento de Lisboa. Estes documentos pleiteiam em geral: o fortalecimento e qualificação da ação dos consulados; a redução de taxas para remessas; a extensão da rede bancária do Banco do Brasil ou da Caixa Economica Federal; o reconhecimento e apoio a grupos que promovem a diversidade cultural brasileira; a simplificação de exigências para reconhecimento

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e homologação de diplomas; a disponibilização de informações consulares para o público; o apoio às organizações não-governamentais que representam as comunidades; acordos bi-laterais ou multi-laterais que facilitam a regularização migratória de brasileiros e a regulamentação dos direitos de educação, trabalho e previdência, para assegurar a proteção aos direitos humanos de brasileiros no exterior, com atenção especial aos casos de detenção, prisão, deportação e repatriamento; representração política de cidadãos brasileiros no exterior;

ampliação de orçamentos para assistência aos cidadãos brasileiros no exterior; a implantação de políticas permanentes de defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros no exterior, principalmente em situação irregular; repressão de atividades criminosas relacionadas à imigração; e elaborar e aprovar, urgentemente, uma lei de imigração no Brasil baseada nos direitos humanos para substituir o vigente Estatuto do Estrangeiro, completamente defasado (MRE).

Nesta segunda conferência, também foi sugerida a criação do Conselho de representantes Brasileiros no Exterior (CRBE). A sugestão foi incorporada ao Decreto Presidencial 7.214, que estabeleceu as diretrizes da política governamental para os brasileiros no exterior, determinando o período anual para a Conferência Brasileiros no Mundo e formulou a Ata Consolidada de Demanda das Comunidades a partir das reivindicações das duas primeiras conferências, como “roteiro para os órgãos públicos prestarem contas a respeito de suas ações que beneficiam os brasileiros no exterior’ (REIS, 2011, pp.7-8). O Conselho Representativo dos Brasileiros no Exterior (CRBE) conta com quatro representantes por região do mundo, com direito a mais quatro suplentes. A posse dos eleitos, compostos por líderes comunitários, foi na III Conferência de Comunidades Brasileiras no Exterior no mesmo ano, que serviu como uma prestação de contas em relação às propostas apresentadas pela “carta aos brasileiros que vivem longe de casa” do então presidente Lula em seu último ano do segundo mandato (MRE, 2010)6.

Nesse contexto, podemos perceber um claro movimento de aproximação com os emigrantes através da concessão de direitos associado à cidadania e às mudanças institucionais que ocorreram com este movimento no governo Lula, tal como uma preocupação em prover ‘assistência’ e ‘proteção’ aos emigrantes como

6 Disponível em:

http://www.brasileirosnomundo.mre.gov.br/ptbr/2010_iii_conferencia_brasileiros_no_mundo.xml

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cidadãos, principalmente com o aumento da migração de retorno. Atualmente, a administração das políticas para os emigrantes é responsabilidade dividida entre o MRE, e outros ministérios envolvidos, como o Ministério da Justiça, o do Trabalho e do Emprego e o da Previdência Social, assim como o Conselho Nacional de Imigração (CNIg), envolvido no debate sobre a imigração para o Brasil e emigração. No momento, um projeto de lei que transforma o CNIg em Conselho Nacional de Migração tramita no Congresso, o que aumentaria as suas atribuições formais em relação aos emigrantes (REIS, 2011, p. 9).

Dessa forma, a situação irregular de muitos brasileiros foi problematizada, enquanto na lógica organizadora nacional era consenso que o emigrante estava fora do alcance do Estado, pensado em termos de soberania e territorialidade.

Entretanto, os emigrantes começaram a ter maior visibilidade mundialmente através de denúncias de violações de direitos humanos de migrantes nos fóruns globais e uma preocupação pela falta de um ‘regime de migração’(KALM, 2010).

O tratamento da questão migratório é visto como “... uma das grandes questões políticas do nosso tempo”. O Brasil trata a questão como plataforma para criticar os países do Norte em termos de direitos humanos. Nesse contexto, as escolhas do Brasil em termos de migração se tornam proeminente.

Em um contexto em que a atuação externa do Brasil em termos de direitos humanos sofre críticas em fóruns domésticos e internacionais, a gestão da questão migratória ofereceu ao governo brasileiro, ao longo dos últimos anos, uma plataforma única para criticar o posicionamento dos países ricos (REIS, 2011, p. 6).

Lula abordou a questão no Conselho de Direitos Humanos na ONU em junho de 2009, onde ressaltou os efeitos negativos da crise econômica sobre os migrantes e criticou o crescimento de manifestações xenófobas diante da crise, salientando que: “No Brasil, nós acabamos de legalizar centenas de milhares de imigrantes que viviam ilegalmente no país. Para dar uma resposta, um sinal aos preconceituosos, aqueles que imediatamente querem encontrar os responsáveis pela sua própria desgraça, o seu desemprego” (LULA, 2009a apud REIS, 2011, pp. 16-17). Um mês depois, anuncia a mais recente anistia aos imigrantes não- documentados no Brasil e envia o projeto de reforma da lei dos estrangeiros ao Congresso Nacional, solicitando publicamente ao Ministro da Justiça que o tema fosse levado à reunião do G8 para, “mostrar aos líderes dessas grandes economias a contrariedade do Brasil com a política dos ricos com os imigrantes”. Ainda no

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mesmo evento, afirma que: “trabalho e dignidade para o imigrante é a resposta que o Brasil dá à intolerância dos países ricos”(LULA, 2009b apud REIS, 2011, pp. 16-17).

Ao trazer a questão dos direitos humanos dos imigrantes em específico e o tema das migrações em geral para os fóruns internacionais, as diretrizes mais amplas da política externa brasileira pós Guerra Fria, como o desejo de se firmar como potência protetora de direitos humanos, foram reforçadas.

Nos últimos oito anos, essas diretrizes têm buscado o questionamento da hierarquia internacional dentro de organismos multilaterais, o fortalecimento da cooperação Sul-Sul e a denúncia recíproca relacionada aos temas de direitos humanos e desenvolvimento. Diante da crescente securitização da matéria nas políticas da União Europeia e dos Estados Unidos, o Brasil tem buscado “(...) marcar a sua posição denunciando a discrepância entre o discurso de direitos humanos desses blocos e países, e o tratamento que tem sido oferecido por eles aos imigrantes” (REIS, 2011). Ou seja, o Brasil tem reivindicado uma posição unificada a respeito do assunto por parte dos países do Sul, desempenhando “um papel de vanguarda na defesa dos direitos humanos dos imigrantes” (REIS, 2011).

De acordo com essa estratégia, o governo brasileiro se uniu a outros governos sul-americanos ao condenar veementemente a diretiva de retorno aprovada pela União Europeia em junho de 2008, classificado pelo Lula, em discurso não publicado para chefes de Estado do Mercosul em 2008, como “uma odiosa perseguição aos latino-americanos”. Seguindo a mesma linha, na abertura do Terceiro Fórum Mundial da Aliança das Civilizações, promovido pela ONU no Rio de Janeiro em maio de 2010, Lula novamente utilizou o enrijecimento das políticas relacionadas à imigração em países ricos como argumento para criticar a ordem mundial:

Incapazes de assumir seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas que oneram bens e serviços exportados para países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, se mostram lenientes com os paraísos fiscais e responsabilizam imigrantes pela crise social (LULA, 2010).

Em 2009, o CNIg aprovou a recomendação para a promoção da assinatura do Brasil a Convenção Internacional sobre os Direitos dos Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Famílias. Em dezembro de 2010, o governo

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mandou o pedido de ratificação da Convenção para o Congresso. Na carta ao presidente, o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, justificou a necessidade de ratificação do Brasil:

Em contexto de restrição cada vez maior da entrada, permanência e garantia dos direitos dos migrantes, a ratificação da Convenção pelo Brasil representaria fortalecimento de sua posição favorável à defesa da proteção dos direitos humanos, daria maior legitimidade a seu papel em foros internacionais sobre direitos dos migrantes e poderia ser estímulo ao processo de universalização da ratificação deste importante instrumento de direitos humanos (AMORIM, 2010 apud REIS, 2011).

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4.2

Dinâmicas da globalização no tratamento da questão migratória no Brasil

Conforme visto anteriormente, na década de 1980, os fluxos financeiros aumentaram, assim como a demanda por mão de obra altamente especializada, ao mesmo tempo em que os Estados restringem a entrada de mão de obra não- especializada para manter a maior parte do contingente de mão de obra ‘local’.

Desse modo, surge uma grande quantidade de imigrantes em status irregular nesta infra-estrutura informacional (CASTELLS, 1999). É esse o período no qual iniciam os fluxos de emigração brasileira, o que corresponde ao periodo de consolidação de uma mudança estrutural em função da mudança na lógica de acumulação capitalista após a crise do fordismo para um sistema pós-fordista de acumulação flexível, na qual novos instrumentos internacionais e mercados financeiros permitiram a flexibilidade geográfica e temporal necessárias para a acumulação capitalista. O emigrante brasileiro está num mercado de trabalho

‘flexível’ da produção pós-fordista enquanto trabalhador do mercado informal, como a maioria dos brasileiros residentes nos Estados Unidos, ou até quando é regularizado, como no Japão, já que trabalham sob regimes de contrato de trabalho temporário em funções vistas como não qualificadas, como o trabalho em fábricas (HARVEY, 2011, p. 219).

Ou seja, neste sistema mundial em transição, a estratégia do Estado brasileiro para as comunidades brasileiras no exterior pode ser vista como parte de uma resistência ‘contra-hegemônica’ de subalternos às desigualdades resultantes de interesses hegemônicos que submeteram países endividados às medidas liberalizantes adotadas após o Consenso de Washington. As práticas sociais e culturais das comunidades transcorrem as práticas dos grupos interestatais e capitalistas globais, e podem ser vistas como uma resistência aos localismos norte-americanos globalizados, impostos na América Latina na década de oitenta por meio do Consenso de Washington. Nesta globalização ‘de cima para baixo’ de localismos, o globalismo localizado, o impacto dos localismos globalizados sobre as condições dos demais locais no Brasil teve o efeito inicial de devastação econômica, social e política, num período conhecido como a ‘década perdida’ dos anos 1980s. As práticas das organizações dos emigrantes, anteriormente ignoradas

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devido a sua informalidade podem ser vistas como parte dessa dinâmica, e foram incorporadas ao Estado brasileiro (SOUSA SANTOS, 2002).

As comunidades brasileiras no exterior vistas como exemplos de força contra hegemônica exercem uma forma de cosmopolitismo. Ao serem formalizadas pelo Estado pautado na defesa de direitos humanos de imigrantes e aproximação com o Sul global, formaram uma ‘organização transnacional’ da resistência de Estados-nação, regiões, classes, ou grupos sociais vitimizados pelas trocas desiguais de que se alimentam os localismos globalizados e os globalismos localizados. A união das resistências de vários grupos sociais da emigração conectou o Estado brasileiro com as organizações da sociedade civil, no Brasil e no exterior, articulando globalmente um conjunto de práticas que podem ser classificadas como cosmopolitismo, pois incluem movimentos e organizações das periferias do sistema mundial além de ‘redes de solidariedade transnacional’.

Essas práticas de resistência utilizaram em seu favor a infra-estrutura informacional, a facilidade de novas tecnologias comunicação e transmissão de informações na globalização (SOUSA SANTOS, 2002).

As organizações sindicais de brasileiros no exterior, assim como dos imigrantes brasileiros em Boston, tal como os núcleos do PT no exterior podem ser vistas como exemplos de organizações cosmopolitas, uma luta que não se restringe aos proletários, mas inclui as lutas de outros grupos tradicionalmente excluídos como as mulheres, os negros, homossexuais, índios, etc. As comunidades brasileiras no exterior englobam essas duas lutas, do trabalhador e do imigrante excluído. Desse modo, tal cosmopolitismo mostra o movimento bidirecional da globalização, que permite o surgimento de novas resistências (SOUSA SANTOS, 2002).

Neste contexto de globalização, é possível observar um processo de deslocamento da identidade nacional. No nosso caso, observamos que as identidades nacionais, embora deslocadas do território da ‘Nação’, ainda têm sua força, principalmente no que diz respeito à cidadania. O Estado brasileiro e as comunidades brasileiras no exterior estabeleceram um canal de articulação através da mobilização da identidade nacional, ligado aos direitos de cidadania brasileira (HALL, 2003, p. 73). Por outro lado, um efeito inesperado da globalização observado é uma forte tendência de resgate de identidades ‘puras’, para constituir

‘coesão’, exemplificadas pelo nacionalismo crescente na Europa e o

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fundamentalismo religioso (HALL, 2003, p. 92). Ou seja, os deslocamentos causados pela globalização têm tido um efeito contraditório sobre as identidades, uma oposição entre o ‘global e ‘local’, que para alguns estudiosos, faz parte do processo de descentralização do Ocidente (HALL, 2003).

A globalização, através da atuação do Estado, abriu fronteiras para o fluxo de capitais, profissionais altamente qualificados, informação, mercadorias e terceirização. A ação do Estado também criou novas fronteiras em relação aos de imigrantes não-qualificados e refugiados, abrindo espaço para a emergência de classes globais (SASSEN, 2010, p. 142). As fronteiras criadas pela globalização parecem ser mais impenetráveis do que as fronteiras físicas7. Segundo alguns teóricos, a autonomia do Estado em relação às migrações é uma característica fundamental do direito internacional. De acordo com esse paradigma, o indivíduo é um não sujeito, isto é, não existe (REIS, 2004).

As migrações internacionais se diferem de outros tipos de migração por implicar uma mudança do indivíduo entre duas entidades, dois sistemas políticos diferentes. Nesse sentido, pode-se afirmar que as migrações internacionais são não apenas um fenômeno social, mas também inerentemente político, “que advém da organização o mundo num conjunto de Estados soberanos mutuamente exclusivos, comumente chamado de sistema vestfaliano” (ZOLBERG, 1999, p. 81 apud REIS, 2004, p. 2). O reconhecimento da importância do Estado nas migrações internacionais, no entanto, não significa que ele seja o fator mais relevante na formação e na manutenção dos fluxos (REIS, 2004, p. 2).

A ação do estado brasileiro com os emigrantes reflete um novo discurso sobre direitos humanos, inserido na estratégia de política externa brasileira do multilateralismo recíproco. Através da institucionalização do regime de direitos humanos, o sentido da cidadania é pluralizado, e seu status legal expandido formalmente. Isto está contribuindo hoje para uma maior exploração de fronteiras desses status legais, como o fortalecimento da constitucionalização de direitos civis, que permitem reivindicações aos estados, aumentando a distância entre o aparato estatal e a instituição da cidadania e a garantia de direitos para atores estrangeiros como atores econômicos, que pode ser o início de um rompimento multilocalizado da arquitetura formal existente (SASSEN, 2010, p. 88). É um

7 Da entrevista com Sassen, disponível em http://shiftmag.co.uk/?p=382

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processo que envolve dimensões de território, autoridade e direitos fora dos quadros normativos do Estado-nação, assim remanejando seus alinhamentos constitucionais (SASSEN, 2008, p. 62).

Tais desenvolvimentos sinalizam a emergência de novos tipos de ordenamentos que coexistem com ordenamentos mais antigos, como os do Estado-nação e sistema interestatal. Essas consequências podem ser estratégicas para questões normativas maiores, pois são tanto estratégicas quanto particulares, tornando-se ilegíveis, requerendo diversos modos de decodificação (SASSEN, 2008, p. 63). Este trabalho, uma tentativa de decodificação das consequências estratégicas da relação entre o estado brasileiro e os imigrantes, mostra que a relação do Estado com os emigrantes envolveram expansões legais do conceito e alcance da cidadania.

De acordo com este pensamento, o Estado como detentor do monopólio da mobilidade é também detentor do controle sobre a identidade do indivíduo, de sua nacionalidade. A imigração subverte a relação povo/Estado/território e obriga o Estado a formalizar, através de políticas de imigração e cidadania, regras para o acesso ao território e nacionalidade (REIS, 2004, p. 6). Assim, é através da nacionalidade que se garante acesso aos direitos de cidadania.

As políticas de nacionalidade e imigração estão intimamente ligadas. Antes de qualquer coisa, para se definir quem é o imigrante, é preciso se definir quem é o ‘nacional’ (...) Diferentes concepções de nação favorecem diferentes políticas de nacionalidade/cidadania, e também de imigração. (...) Há em curso uma mudança nas relações entre nacionalidade/cidadania e soberania/imigração, e o fortalecimento de um regime internacional de direitos humanos obrigam os Estados a redefinirem suas fronteiras, tanto a interna como a externa, em função da universalidade dos direitos individuais (REIS, 2004, pp. 7-9).

Sob a ótica da desnacionalização, as práticas informais dos imigrantes brasileiros podem ser vistas como ao mesmo tempo resultado e agente da desestabilização de agrupamentos de hierarquias legítimas de poder e aliança, como a nacionalidade e a cidadania, trazendo à tona as dinâmicas atuais da globalização e a variedade de práticas políticas que envolvem grupos e organizações silenciadas (SASSEN, 2003b, p. 19).

A extensão em que as transformações são formalizadas e institucionalizadas variam. Se tomarmos como pressupostos a desestabilização da ligação direta entre cidadania e nacionalidade, é possível pensar em novas

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aberturas para que um novo tipo de sujeito político e novas espacialidades para a política emirjam, assim como os imigrantes não documentados, sujeitos não autorizados que têm a possibilidade de desenvolver estratégias informais, extraestatais e redes que os ligam com comunidades dos países de origem, exercendo uma espécie cidadania informal, como no caso brasileiro. A relação do Estado com os emigrantes brasileiros pode ser visto como um processo onde há escalas de luta direcionada a localidade com informações e parcerias com múltiplas localidades (SASSEN, 2003a, p. 11). O subnacional assim se torna um lugar para a globalização (SASSEN, 2003a, pp. 3-4), na medida em que as estruturações específicas do global habitam o que fora construído historicamente como território nacional e, assim sendo, negociações são feitas, tal como se mostram presentes os instrumentos internacionais na decisão do Estado. Podemos descrever então as práticas dos imigrantes e do Estado como ‘microinstâncias de desnacionalização incipientes e parciais’ (SASSEN, 2003a, p. 4).

Conforme adiantamos no primeiro capítulo, as práticas dos imigrantes das comunidades, tal como redes de ativismo, a atuação do Estado, instrumentos internacionais em cortes nacionais são exemplos de redes de transferências que ligam processos e atores locais e nacionais numa recorrência de dinâmicas em um crescente número de países (SASSEN, 2003a, pp. 1-2). Muitos imigrantes se tornaram atores políticos, ativistas para reivindicar direitos tanto dos países onde residem quanto no Brasil. O Estado brasileiro respondeu a essas reivindicações se pautando em instrumentos internacionais como tratados de direitos humanos, formando políticas públicas que tornou o imigrante brasileiro em sujeito político.

Estamos diante, portanto, de uma aparente reconceituação do local na medida em que o Estado procura a atender as necessidades de sua população que reside fora do país, reconceituando os emigrantes em cidadãos, sujeitos políticos.

É importante observar que embora os ativistas imigrantes tenham utilizado o legislativo para avançar as suas reivindicações, como no movimento Brasileirinhos Apátridas8, quase toda a articulação do Estado brasileiro com os imigrantes foi conduzida através do executivo, refletindo na atual conjuntura global de reorientação do poder estatal. Desse modo, há uma formação incipiente

8 Mais informações em http://www.brasileirinhosapatridas.org/

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de um tipo de autoridade e prática do Estado que implica na desnacionalização parcial da cidadania, construída como pertencente à esfera do nacional, porém não originária dela (SASSEN, 2010)9.

Assim, é possível pensar nas comunidades brasileiras no exterior como forças subalternas ou informais que foram legitimadas e formalizadas e o Estado brasileiro, parcialmente desnacionalizado. Em busca de maior espaço no cenário mundial para seus cidadãos e empresas, o Estado brasileiro faz uso da relação bidirecional com a comunidade, na medida em que as redes de imigração, criadas e amadurecidas a partir da emigração em massa de brasileiros na década de oitenta, são tão agentes de transformação do Estado quanto o Estado fora agente em sua legitimação.

9 Da entrevista com Sassen, disponível em http://shiftmag.co.uk/?p=382

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