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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA

COLEGIADO DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

JAILMA SANTOS DE OLIVEIRA

AVALIAÇÃO DOS CONSUMOS ORÇADOS E REAIS DA MÃO DE OBRA DE PROCESSOS CRÍTICOS PARA UMA

OBRA DE EDIFICAÇÃO DE PEQUENO PORTE

Salvador

2009

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2

JAILMA SANTOS DE OLIVEIRA

AVALIAÇÃO DOS CONSUMOS ORÇADOS E REAIS DA MÃO DE OBRA DE PROCESSOS CRÍTICOS PARA UMA

OBRA DE EDIFICAÇÃO DE PEQUENO PORTE

Monografia apresentada ao Curso de graduação em Engenharia Civil, Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil.

Orientador: Dayana Bastos Costa

Salvador

2009

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3

Dedico este trabalho especialmente à minha mãe, que participou apoiando, acreditando e incentivando

a todo momento, ainda aos familiares e amigos que se alegraram com

mais uma conquista.

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4 AGRADECIMENTOS

A professora Dayana Bastos Costa, pela orientação desta monografia, contribuindo com minha formação acadêmica e, também com seu bom humor, confiar e acreditar no meu trabalho.

À Construtora Maco Ltda, em especial, ao engenheiro Luiz Raymundo por fornecer os dados que possibilitou a pesquisa, além de suas outras contribuições.

Ao programa BITEC (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas), pela bolsa de pesquisa que possibilitou minha dedicação no desenvolvimento dessa monografia.

À minha mãe e aos meus familiares que possibilitaram o início dessa trajetória.

Ao meu namorado que participou e apoiou as minhas escolhas.

Aos meus queridos amigos que não citarei por nome para não incorrer no erro de esquecer algum.

Aos colegas que acreditaram que daria.

E a todos, que de algum modo incentivaram e colaboraram com presente trabalho.

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5 OLIVEIRA, Jailma Santos de. Avaliação dos Consumos Orçados e Reais da Mão de Obra de Processos Críticos Para uma Obra de Edificação de Pequeno Porte. 80 f. il. 2009.

Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso) – Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.

RESUMO

Este trabalho teve como objetivo comparar o consumo de mão de obra orçado, obtido do produto da orçamentação, com o consumo da mão de obra coletado em campo, proveniente de estudos de produtividade.

Para alcançar este objetivo foi realizado um estudo de caso em uma obra residencial de alto padrão a fim de se coletar a produtividade dos serviços críticos e, portanto, representativos, para a partir daí, se iniciar a análise comparativa de consumos e custos. Para realização do estudo foi também necessário recorrer à literatura em busca de conceitos e fundamentos sobre orçamentação, indicadores, produtividade entre outros.

O principal resultado deste trabalho foi a determinação dos indicadores de produtividade global e por especialização (pedreiro, carpinteiro, servente e etc.) orçados e reais para os serviços de fôrma e de armação. Além disso, foi possível realizar uma análise comparativa entre índices encontrados na pesquisa em relação aos índices encontrados na literatura e no mercado.

Ainda, a análise do consumo da mão de obra relacionada ao processo produtivo forneceu indicadores que estimulam o desenvolvimento de novos princípios, práticas de gestão, desenvolvimento de novas técnicas e aperfeiçoamento do processo produtivo.

Não se pode esquecer que o uso de indicadores de produtividade deve ser considerado parte integrante do processo de análise do consumo, pois os mesmos fornecem meios de capturar dados que podem ser utilizados como informação necessária a tomada de decisões.

Em fim, a análise do consumo e produtividade da mão de obra são indispensáveis elementos a formulação dos custos e precisam ser estudados, monitorados, para que se possa ter um controle de gastos e ao mesmo tempo avaliar o processo produtivo.

Palavras-chave: Mão de obra, Consumo, Produtividade, Indicadores.

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6 LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Representação de Curva ABC de Insumos.

Figura 2: Definição de produtividade em um processo.

Figura 3: Produtividade da mão de obra.

Figura 4: Delineamento da pesquisa.

Gráfico 1: Representação do percentual custo da mão de obra e material em relação custo total da obra.

Gráfico 2: Representação do percentual custo da mão de obra direta por etapa da obra.

Gráfico 3: Representação do índice de Produtividade Fôrma Global Real.

Gráfico 4: Representação do índice de Produtividade de Armação Global Real.

Quadro 1: Por que, o que e como medir o desempenho dos sistemas.

Quadro 2: Classificação dos trabalhadores envolvidos na execução de uma obra de Construção Civil.

Quadro 3: Característica da obra estudada.

Quadro 4: Variáveis do Índice de produtividade.

Quadro 5: Vantagens da utilização das ferramentas de avaliação de processo.

LISTA DE TABELAS Tabela 1: Composição de Custos Unitário.

Tabela 2: Composição de Custo Unitário do Serviço de Fôrma.

Tabela 3: Composição de Custo Unitário do Serviço de Armadura.

Tabela 4: Encargos sociais e trabalhistas – horistas.

Tabela 5: Encargos sociais e trabalhistas – mensalistas.

Tabela 6: Representação da Faixa A e B da curva ABC de serviços.

Tabela 7: Composição de Custo Unitário do Serviço de Fôrma da Obra.

Tabela 8: Produtividade Global do Serviço de Fôrma.

Tabela 9: Produtividade do Carpinteiro no Serviço de Fôrma.

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7 Tabela 10: Produtividade do Ajudante Prático no Serviço de Fôrma.

Tabela 11: Produtividade do Servente no Serviço de Fôrma.

Tabela12: Consumo Orçado x Consumo Real.

Tabela 13: Composição de Custo Unitário do Serviço de Armadura da Obra.

Tabela 14: Produtividade Global do Serviço de Armação.

Tabela 15: Produtividade do Armador do Serviço de Armação.

Tabela 16: Produtividade do Servente do Serviço de Armação.

Tabela17: Consumo Orçado x Consumo Real.

Tabela 18: Valores de produtividade representativos das obras do serviço de fôrma.

Tabela 19: Composição de custo unitário serviço de fôrma.

Tabela 20: Valores de produtividade representativos das obras do serviço de armação.

Tabela 21: Composição de custo unitário serviço de armação.

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8 SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...10

1.1 O ESTUDO...10

1.2 JUSTIFICATIVA...10

1.3 QUESTÕES DE PESQUISA...13

1.4 OBJETIVOS...13

1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA...13

1.6 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA...14

2 ORÇAMENTAÇÃO ...15

2.1 CONCEITO DE ORÇAMENTAÇÃO...15

2.2 COMPOSIÇÃO DE CUSTOS...17

2.3 CUSTO DA MÃO DE OBRA...21

2.4 CUSTO INDIREITO...25

2.5 CURVA ABC...25

3 INDICADORES DE PRODUTIVIDADE...28

3.1CONCEITO DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO E INDICADORES...28

3.2 PRODUTIVIDADE...31

3.3 INDICADORES DE PRODUTIVIDADE...33

3.4 MÉTODOS PARA COLETA DE PRODUTIVIDADE...33

4 MÉTODO DE PESQUISA...38

4.1 ESTRATÉGIA DE PESQUISA...38

4.2 DELINEAMENTO DA PESQUISA...38

4.3 DESCRIÇÃO DAS ETAPAS DE PESQUISA...39

4.3.1 Revisão da literatura...39

4.3.2 Seleção da obra e da empresa...40

4.3.3 Estudo de caso...41

4.3.4 Ferramentas de coleta de dados e fonte de evidências...43

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS...44

5.1 ANÁLISE DO ORÇAMENTO...44

5.2 MEDIÇÃO DE FÔRMA NA OBRA ESTUDADA ...47

5.2.1 Método de execução do serviço de fôrma na obra...47

5.2.2 Tipo de mão de obra empregada...48

5.2.3 Consumo orçado (composição de custos unitário) ...48

5.2.4 Consumo real (dados de produtividade) ...49

(9)

9

5.2.5 Fatores que interferem na produtividade...52

5.2.6 Comparativo entre consumo real x orçado...53

5.3 MEDIÇÃO DE ARMAÇÃO NA OBRA ESTUDADA...53

5.3.1 Método de execução do serviço de armação na obra...53

5.3.2 Tipo de mão de obra empregada...54

5.3.3 Consumo orçado (composição de custo unitário) ...54

5.3.4 Consumo real (dados de produtividade) ...55

5.3.5 Fatores que interferem na produtividade...57

5.3.6 Comparativo entre consumo real x orçado...58

5.4 ANÁLISE DOS RESULTADOS...59

5.5 SUGESTÃO DE TÉCNICAS DE COLETA DA PRODUTIVIDADE...62

6 CONCLUSÃO...63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...65

ANEXOS1 -CARTÃO DE MEDIÇÃO...67

ANEXOS2 -ORÇAMENTO DA OBRA...69

ANEXOS3 -CURVA ABC SERVIÇOS...75

ANEXOS4 -CRONOGRAMA FÍSICO FINCEIRO DA OBRA...79

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10 1 INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta o tema proposto, a justificativa para a escolha do tema, os objetivos, a delimitação da pesquisa e a estrutura da monografia, com o objetivo de informar e preparar o leitor para o tema que será desenrolado.

1.1 O ESTUDO

O tema que será abordado nesse e nos próximos capítulos estão relacionados com a análise do consumo orçado e real da mão de obra da construção civil.

1.2 JUSTIFICATIVA

Nos últimos trinta anos, uma sucessão de acontecimentos vem transformando radicalmente o ambiente de negócios e a organização industrial. Desde os anos 70, a competição internacional vem se tornando cada vez mais acirrada. Para se manterem no mercado, as organizações tem sido forçadas a aumentar a diversificação e a qualidade dos seus produtos, além de reduzir seus custos de produção (Bonelli1 et al., 1994 apud MARCHESAN, 2001; Brimson2, 1996 apud MARCHESAN, 2001; Shingo3, 1996b apud MARCHESAN, 2001; Iglesias4, 1999 apud MARCHESAN, 2001).

Nesse novo contexto econômico, extremamente turbulento, competitivo e globalizado, os mercados passaram a ser regidos pela oferta. As capacidades instaladas tornaram-se superiores à demanda e, conseqüentemente, os preços de muitos produtos e serviços passaram a ser determinados pelos consumidores. Dessa forma, o incremento ou manutenção das margens de lucro passou a depender, necessariamente, da redução de custos (Kliemann Neto

& Antunes Júnior5, 1990 apud MARCHESAN, 2001; Shingo3, 1996 apud MARCHESAN, 2001; Antunes Júnior6, 1998 apud MARCHESAN, 2001).

1BONELLI, R.; FLEURY, P.F.; FRITSCH, W. Indicadores microeconômicos do desempenho competitivo. Revista de Administração, São Paulo, v. 29, n. 2, p.3-19, abr/jun 1994.

2 BRIMSON, J.A. Contabilidade por Atividades: uma abordagem de custeio baseado em atividades.

São Paulo: Atlas, 1996.

3 SHINGO, S. O sistema Toyota de produção: do ponto de vista da engenharia de produção. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

4 IGLESIAS, D. E. T. Proposta de uma sistemática de avaliação de investimentos utilizando o método ABC: activity-based costing. 1999. 104 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1999.

5 KLIEMANN NETO, F.J.; ANTUNES JÚNIOR, J.A.V. Proposta de um processo de custeio para sistemas "Just in Time" de produção. Porto Alegre: PPGA/UFRGS, 1990.

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11 Ao contrário do que ocorria até a metade do século XX, passou-se a administrar a eficiência e não mais a repassar as ineficiências ao mercado. Seja como foco da estratégia competitiva, ou como coadjuvante em outros contextos, a eficácia em custos tornou-se um fator essencial para a sobrevivência das organizações. Mais do que nunca, são necessárias, hoje, informações de custo que facilitem o planejamento e controle da produção, estimulem a produtividade e auxiliem no processo de melhoria contínua (Johnson & Kaplan, 1987 apud MARCHESAN, 2001; Brimson2, 1996 apud MARCHESAN, 2001; Shingo3, 1996 apud MARCHESAN, 2001; Antunes Júnior7, 1998 apud MARCHESAN, 2001; Kaplan & Cooper8, 1998 apud MARCHESAN, 2001).

Assim, a indústria da construção civil deve procurar adequar-se a esse mercado competitivo e, mais recentemente, globalizado, pois as características acima abordadas fazem com que seja sempre necessário o aprimoramento e melhoramento das técnicas empregadas nos empreendimentos, a fim de melhor atender o mercado consumidor que passa a ser cada vez mais exigente e seletivo. Dessa forma, faz-se necessário observar crítica e analiticamente a obra, desde as etapas de elaboração de projetos, orçamento, planejamento até a execução da mesma, no intuito de reduzir perdas, custos e definir as melhores técnicas a ser empregadas, sem detrimento da qualidade.

Além disso, a indústria da construção civil ocupa um papel de destaque na economia brasileira, respondendo por uma fração significativa do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Sabe-se que, para a execução de obras de construção civil vários recursos são necessários, destacando-se pela relevância nos custos de produção: os materiais e a mão de obra. No que se refere à mão de obra, fica bastante claro a importância desta, pois há uma grande quantidade de esforço humano envolvido na produção de obras de construção civil.

Daí a necessidade de buscar a melhoria de sua eficiência, investindo no aprimoramento de sua produtividade (SOUZA, 2006).

6 ANTUNES JÚNIOR, J.A.V. Em direção a uma teoria geral do processo na administração da produção: uma discussão sobre a possibilidade de unificação da teoria das restrições e da teoria que sustenta a construção dos sistemas de produção com estoque zero. 1998, 399 f. (Doutorado em Administração) – Escola de Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1998.

7JOHNSON, H.T.; KAPLAN, R.S. Relevance lost: the rise and fall of management accounting. Boston:

Harvard Business School, 1987. 269p.

8 KAPLAN, R.S.; COOPER, R. Custo & Desempenho: administre seus custos para ser mais competitivo.

São Paulo: Futura, 1998. 376p.

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12 Entretanto a construção vem sendo considerada, há muito tempo, uma indústria caracterizada pela baixa produtividade no uso da mão de obra. Se tal colocação já merecia atenção há algumas décadas, atualmente torna-se cada vez mais preocupante na medida em que se tem um crescente acirramento da competição no mercado e dentro do contexto de buscar-se a minimização do desperdício do esforço humano (SOUZA, 2006).

Neste contexto, é de suma importância a consideração do consumo da mão de obra, visto que ela pode representar 50% ou mais do percentual do custo total de uma obra civil variando pelo tipo da obra, grau de industrialização, tipos de contrato, localização, entre outros. Sendo assim, torna-se necessário estudar a mão de obra da construção civil, buscando aumentar sua eficiência e produtividade e, conseqüentemente, reduzir o consumo de recursos e o custo final da obra.

Vale ressaltar que a análise da produtividade relacionada ao processo produtivo contribui para desenvolvimento de novos princípios, práticas e ferramentas de gestão e produção, além de promover a quebra de paradigmas ou obstáculos amplamente aceitos.

Observando a necessidade de aprimorar a indústria da construção e minimizar custos, surge então, o desejo de analisar os consumos de mão de obra orçados e os consumos reais obtidos em campo, de modo que as informações fornecidas pelos indicadores auxiliem na melhor definição de parâmetro de consumo da mão de obra, bem como auxiliem no seu controle.

Esta problemática foi identificada claramente da empresa que a autora desta pesquisa atua, o que motivou a mesma a desenvolver um trabalho de pesquisa que contribuísse para a melhoria do processo de orçamentação da empresa. Além disso, buscou-se o apoio do Programa de Iniciação Cientifica e Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas (BITEC), promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), para desenvolver a referida pesquisa. Este programa tem a finalidade de transferir conhecimentos gerados nas instituições de ensino diretamente para o setor produtivo.

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13 1.3 QUESTÕES DE PESQUISA

Diante dos motivos expostos anteriormente, assim como a partir da análise da literatura, esse trabalho abordará as seguintes questões:

a) Quais parâmetros podem ser utilizados para comparar os consumos de mão de obra para os processos construtivos em pequenas obras de edificações, a fim de determinar os respectivos desvios encontrados, referente ao custo orçado e real;

b) Que medidas podem ser adotadas ou que correções podem ser tomadas visando o aumento da eficiência e eficácia da produtividade da mão de obra da construção civil.

1.4 OBJETIVOS

O principal objetivo deste trabalho é avaliar os consumos reais e orçados da mão de obra nos processos críticos em uma obra de edificações de pequeno porte.

Como objetivo secundário, tem-se:

a) Identificar as principais variáveis que interferem no consumo da mão de obra nos processos críticos em pequenas obras de edificações.

b) Sugerir técnicas ou indicadores que possam ser implementados com finalidade de controlar, perceber e alterar o consumo da mão de obra visando garantir orçamentos mais próximos do custo real, conferindo maior confiabilidade dos processos de gestão, planejamento e controle da obra.

1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

O estudo apresenta duas limitações que devem ser observadas. Primeiramente, os estudos empíricos, nos quais se baseou este trabalho, foram realizados em uma obra residencial de construção civil. Em segundo lugar, o sistema de orçamentação e medição de produtividade analisado neste trabalho foi o mesmo adotado por uma empresa construtora de Salvador que não faz uso de muitos indicadores. Assim o objetivo deste trabalho é analisar de maneira sucinta pelo menos um dos sub-temas da gestão de custos da construção civil, sem necessariamente fornecer um diagnóstico generalizado, haja vista que o estudo será feito em apenas uma obra, situada na região metropolitana, de uma dada empresa em um período de aproximadamente 6 meses.

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14 1.6 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA

Além do presente capítulo, no qual se apresentaram a justificativa, os objetivos e as limitações do trabalho, este trabalho de conclusão de curso está composto de 6 capítulos.

No capítulo 2, discute-se orçamentação, expressando conceitos e determinando os principais fundamentos para previsão de custos.

No capítulo 3, discute-se medição e indicadores de produtividade, expressando conceitos e definições dos principais estudiosos da área, indispensável à mensuração dos consumos reais.

No capítulo 4, apresenta-se uma visão geral sobre o método de pesquisa escolhido, seu delineamento e descrição das suas etapas.

No capítulo 5 apresentam-se os resultados encontrados.

No capitulo 6 apresentam-se as considerações finais do trabalho de conclusão de curso.

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15 2 ORÇAMENTAÇÃO

Este capítulo apresenta definições de orçamentação, preocupando-se em abordar os princípios para formulação e definição dos custos da obra, sem deixar de ressaltar as principais etapas para a elaboração do mesmo.

2.1 CONCEITO DE ORÇAMENTAÇÃO

Orçamento se distingue de orçamentação. Orçamento é o produto; enquanto orçamentação é o processo de sua determinação (MATTOS, 2006).

A estimativa dos custos – e o conseqüente estabelecimento do preço de venda – é basicamente um exercício de previsão. Muitos são os itens que influenciam e contribuem para o custo de um empreendimento (MATTOS, 2006).

Para a elaboração do preço da obra é necessário entender como é feita a composição dos preços para a venda de um serviço construtivo, onde entram não somente os materiais a serem utilizados, como também a mão de obra necessária para a execução e todas as demais despesas com a administração, fiscalização, impostos, taxas, ferramentas e, evidentemente, o lucro esperado pelo prestador dos serviços (TISAKA, 2006).

Assim a técnica orçamentária envolve a identificação, descrição, quantificação, análise e valorização de uma série de itens, requerendo, portanto, muita atenção e habilidade técnica (MATTOS, 2006). Como o orçamento é preparado antes da efetiva construção do produto, muito estudo deve ser feito para que não existam nem lacunas na composição do custo, nem considerações descabidas (MATTOS, 2006).

Ainda, segundo Tisaka (2006) o orçamento deverá ser elaborado a partir do levantamento dos quantitativos físicos do projeto e da composição dos custos unitários de cada serviço, obedecidas rigorosamente as Leis Sociais e Encargos Trabalhistas e todos os demais custos diretos, devidamente planilhados.

Segundo Mattos (2006), um trabalho bem executado, com critérios técnicos bem estabelecidos, utilização de informações confiáveis e bom julgamento do orçamentista pode gerar orçamentos precisos, embora não exatos, porque o verdadeiro custo de um empreendimento é virtualmente impossível de se fixar de antemão. O que o orçamento realmente envolve é uma estimativa de custos em função da qual o construtor irá atribuir seu preço de venda – este, sim, bem estabelecido (MATTOS, 2006).

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16 E para tal preço de venda o orçamento deverá conter, de modo fiel e transparente, todos os serviços e/ou materiais a serem aplicados na obra de acordo com o projeto básico e outros projetos complementares (TISAKA, 2006).

Em geral, um orçamento é determinado somando-se os custos diretos – mão de obra de operários, material, equipamentos – e os custos indiretos – equipes de supervisão e apoio, despesas gerais do canteiro de obras, taxas, etc. – e por fim adicionando-se impostos e lucro para se chegar ao preço de venda (MATTOS, 2006).

Em grandes organizações existem setores dedicados exclusivamente a preparar orçamentos para concorrências. Informações de obras passadas são utilizadas como subsídio para novas composições de custos, que são elaboradas com programas específicos de computador. Em empresas menores, em geral o próprio construtor faz a estimativa, muitas vezes sem grandes detalhes, baseando-se tão somente na experiência adquirida pela execução repetida de serviços similares. O que se nota claramente é que, quanto maior o conhecimento prático de quem orça, maior a probabilidade de orçamento estar apurado e menor a chance de que frustrações futuras ocorram na obra (MATTOS, 2006).

Por ser tratar de um estudo feito a priori, há sempre uma margem de incerteza embutida no orçamento. Muitas são as premissas de cálculo adotadas e a defasagem de tempo entre o momento da orçamentação e o da realização da tarefa pode ser bastante dilatado (MATTOS, 2006).

Segundo Mattos (2006), os principais atributos do orçamento são aproximação, especificidade e temporalidade:

Aproximação: por basear-se em previsões, todo orçamento é aproximado. Por mais que todas as variáveis sejam ponderadas, há sempre uma estimativa associada. Quanto mais apurada e criteriosa for à orçamentação, menor será sua margem de erro.

Especificidade: o orçamento para a construção de uma casa em uma cidade é diferente do orçamento de uma casa igual em outra cidade. Não se pode falar em orçamento padronizado ou generalizado. Por mais que um orçamentista se baseie em algum trabalho anterior, é sempre necessário adaptá-lo a obra em questão.

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17 Temporalidade: Um orçamento realizado tempo atrás pode não ser válido hoje.

Se, por exemplo, alguém orçou uma obra e ganhou uma licitação, mas a obra só vier a ser mobilizada quatro anos depois, é necessário fazer alguns ajustes.

Assim é indispensável listar as principais etapas de orçamentação, como sendo:

Leitura e interpretação do projeto e especificações técnicas;

Leitura e interpretação do edital (Quando se aplicar);

Visita técnica;

Identificação dos serviços;

Levantamento de quantitativos;

Discriminação dos custos;

Discriminação dos custos indiretos;

Cotação de preços;

Definição de encargos sociais e trabalhistas;

Definição de lucratividade;

Cálculo do bônus e despesas Indiretas (BDI);

Desbalanceamento da planilha.

A seguir serão detalhadas algumas das etapas do processo de orçamentação, a fim de uma melhor compreensão sobre a determinação de consumos e custos orçados.

2.2 COMPOSIÇÃO DE CUSTOS

Dá-se o nome de composição de custos ao processo de estabelecimento dos custos incorridos para execução de um serviço ou atividade, individualizado por insumos e de acordo com certos requisitos pré-estabelecidos (MATTOS, 2006). A composição lista todos os insumos que entram na execução do serviço, com suas respectivas quantidades, e seus custos unitários e totais (MATTOS, 2006).

Quando a composição de custo é elaborada antes do serviço, a composição é denominada de estimativa ou orçamento. Esta composição serve para que o construtor tenha uma noção do custo a ser incorrido por ele no futuro. Nessa etapa, a composição de custos é a

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18 base utilizada pelas empresas para definição de preços a serem atribuídos em licitações (MATTOS, 2006).

Na elaboração dos custos faz-se indispensável à composição de custo unitário que corresponde ao custo por unidade de serviço.

Segundo Tisaka (2006), a composição de custo unitário pode ser definida pela quantidade de material, de horas de equipamento e o número de horas de pessoal gastos para a execução de cada unidade desses serviços, multiplicados respectivamente pelo custo dos materiais, do aluguel horário dos equipamentos e pelo salário-hora dos trabalhadores, devidamente acrescidos dos encargos sociais.

Ainda, segundo Mattos (2006), a composição de custos unitários pode ser tabulada, e constituída de cinco colunas definidas abaixo:

Insumos - é cada um dos itens de material, mão de obra e equipamentos que entram na execução direta do serviço;

Unidade - é a unidade de medida do insumo. Quando se trata de material, pode ser kg, m³, m², m, unid, entre outras; para mão de obra, a unidade é sempre hora (mais precisamente, homem-hora); para equipamento, hora (de máquina);

Índice - é a incidência de cada insumo na execução de uma unidade do serviço;

Custo unitário – é o custo de aquisição ou emprego de uma unidade do insumo;

Custo total – é o custo total do insumo na composição de custos unitários. É obtido pela multiplicação do índice pelo custo unitário.

A seguir a tabela 1 exemplifica a composição de custo unitário do serviço de locação da obra, execução de gabarito.

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19 Tabela 1: Composição de Custos Unitário

Item Insumos Classif. Unidade Índice

Custo Unitário

(R$)

Custo Total

(R$)

1.1 Carpinteiro M.O. H 0,13 8,58 1,12

1.2 Servente M.O. H 0,13 5,42 0,70

1.3 Arame galvanizado (bitola: 16 BWG)

MAT. KG 0,02 7,99 0,16

1.4 Prego 18 x 27 MAT. KG 0,01 5,49 0,07

1.5 Barrote MAT. M 0,04 3,68 0,15

1.6 Tábua 23 MAT. M2 0,09 18,20 1,64

Fonte: TCPO 13, 2009

Para o cálculo dos custos unitários é necessário que se conheça a sua composição, isto é, quanto de material vai ser utilizado, número de horas de pessoal qualificado e não- qualificado e o número de horas de equipamento a ser utilizado, por unidade desses serviços (TISAKA, 2006).

No mercado pode ser encontrada alguma literatura sobre o assunto, contudo a mais conhecida é a TCPO - Tabela de Composição de Preços da PINI, onde podem ser encontrados os parâmetros de quantitativos e horas necessárias para as composições dos principais serviços utilizados na construção civil (TISAKA, 2006).

Os parâmetros que expressam os quantitativos e taxas horárias de pessoal e equipamentos na TCPO dão uma idéia bastante próxima da realidade de algumas obras de construção, entretanto é indispensável que as empresas busquem formar uma base de dados própria, adquirida de estudos de produtividade em campo, que variam de empresas para empresa, de obra para obra e de equipe de produção para equipe de produção, de modo a ter maior confiabilidade nos índices de consumo utilizados na composição de custo unitário.

As tabelas 2 e 3 representam composições de custo retiradas da TCPO 13 (2009) do serviço de fôrma e armação.

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20 Tabela 2: Composição de Custo Unitário do Serviço de Fôrma

ITEM DESCRIÇÃO CLASS UNIDADE COEF. PREÇO

(R$)

PREÇO TOTAL

(R$) 1.1 FÔRMA com

chapa compensada resinada 3x aproveitamento

SER.CG M2

1.1.1 Servente M.O. H 0,24 2,35 0,57

1.1.2 Carpinteiro M.O. H 0,98 3,71 3,62

1.1.3 Chapa compensada resinada

MAT. M2 0,42 13,09 5,45

1.1.4 Desmoldante de fôrmas para concreto

MAT. L 0,06 6,70 0,40

1.1.5 Prego 17 x 21 com cabeça

MAT. KG 0,07 5,22 0,35

1.1.6 Prego 17 x 27 com cabeça dupla

MAT. KG 0,10 6,64 0,66

1.1.7 Pontalete 3 x 3" MAT. M 1,99 10,75 21,48

1.1.8 Sarrafo 1 x 3" MAT. M 2,74 3,02 8,30

1.1.9 Tábua 1 x 6" MAT. M 0,17 3,37 0,56

PREÇO (mão-de-obra): 4,19 PREÇO (material): 37,2 PREÇO TOTAL (unit.): 41,39 LS (%): 122,00 5,12 BDI (%): 0,00 0,00 ADM (%): 0,00 0,00

TOTAL TAXA: 5,12

PREÇO TOTAL UNIT. (c/ taxa): 46,51 Fonte: TCPO 13, 2009

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21 Tabela 3: Composição de Custo Unitário do Serviço de Armadura

ITEM DESCRIÇÃO CLASS UNIDADE COEF. PREÇO (R$)

PREÇO TOTAL

(R$) 1.1 ARMADURA de

aço para estruturas em geral, CA-50, diâmetro até 10,0 mm, corte e dobra industrial, fora da obra

SER.CG KG

1.1.1 Servente M.O. H 0,06 2,35 0,14

1.1.2 Armador M.O. H 0,06 3,71 0,22

1.1.3 Espaçador circular de plástico para pilares, fundo e laterais de vigas, lajes, pisos e estacas

MAT. UN 11,40 0,09 1,03

1.1.4 Serviço de corte/dobra industrializado para aço CA 50/60

EMPRE KG 1,05 0,35 0,37

1.1.5 Barra de aço CA-50 3/8"

MAT. KG 1,05 4,01 4,21

1.16 Arame recozido MAT. KG 0,02 6,05 0,12

PREÇO (mão-de-obra): 0,36 PREÇO (material): 5,73 PREÇO TOTAL (unit.): 6,09 LS (%): 122,00 0,44 BDI (%): 0,00 0,00 ADM (%): 0,00 0,00

TOTAL TAXA: 0,44

PREÇO TOTAL UNIT. (c/ taxa): 6,53 Fonte: TCPO 13, 2009

2.3 CUSTO DA MÃO DE OBRA

O custo da mão de obra em um orçamento pode representar de 50% a 60% de seu custo total. Por este motivo, é fundamental a estimativa correta dessa categoria de custo na previsão do orçamento (MATTOS, 2006). Assim, vale relatar o que realmente entra no custo horário da mão de obra.

Durante a orçamentação de um serviço, cabe ao construtor atribuir à hora de cada insumo de mão de obra, o custo que ele realmente representa para empresa. O custo de um operário para o empregador não é o seu salário base, pois o empregador arca ainda com

(22)

22 diversos encargos sociais e trabalhistas impostos pela legislação e pelas convenções do trabalho, que se somam ao salário base ao qual o funcionário faz jus (MATTOS, 2006).

Didaticamente, será apresentado os encargos sob duas óticas (MATTOS, 2006):

Encargos em sentido estrito – são os encargos sociais, trabalhistas e indenizatórios previstos em lei e aos quais o empregador está obrigado. É esta modalidade a mais usada entre os orçamentistas;

Encargos em sentido amplo – aos encargos sociais, trabalhistas e indenizatórios somam-se outras despesas que podem ser referenciadas ao homem-hora, tais como alimentação, transporte, EPI, seguro em grupo e até horas extras habituais.

A rigor, esta ampliação do conceito de encargo existe por conveniência de quem orça.

A seguir são apresentadas as tabelas 4 e 5, a qual a primeira mostra os encargos sociais e trabalhistas dos horistas, que são os operários remunerados com base na quantidade de horas trabalhadas. São aqueles operários que tem suas horas apropriadas por apontadores em cartões de ponto e que, para fins de orçamento, integram a mão de obra que figura nas composições de custos unitários dos serviços diretos. São horistas: servente, carpinteiro, pedreiro, armador, encanador, etc. (MATTOS, 2006).

A tabela 5 mostra os encargos sociais e trabalhistas dos mensalistas, que são os funcionários remunerados numa base mensal. São aquelas pessoas que pactuam seus salários com o empregador e cuja cifra mensal é o referencial de remuneração. Normalmente, são os integrantes das equipes técnicas, administrativa e de suporte da obra, figurando prioritariamente no custo indireto da obra. São mensalistas: engenheiro, mestre, encarregado, almoxarife, apontador, topógrafo, secretária, vigia, motorista, etc. (MATTOS, 2006).

(23)

23 Tabela 4: Encargos sociais e trabalhistas – horistas.

A. ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS

A.1 INSS 20,00%

A.2 FGTS 8,00%

A.3 Salário-educação 2,50%

A.4 SESI 1,50%

A.5 SENAI 1,00%

A.6 SEBRAE 0,60%

A.7 INCRA 0,20%

A.8 Seguro contra acidente de trabalho 3,00%

TOTAL

A 36,80%

B. ENCARGOS TRABALHISTAS

B.1 Férias (+1/3) 14,86%

B.2 Repouso semanal remunerado 17,83%

B.3 Feriados 4,09%

B.4 Auxílio-enfermidade 0,98%

B.5 Acidente do trabalho 0,74%

B.6 Licença-paternidade 0,05%

B.7 Faltas justificadas 0,74%

B.8 13° salário 11,14%

TOTAL

B 50,43%

C. ENCARGOS INDENIZATÓRIOS

C.1 Aviso prévio 13,83%

C.2 Multa por rescisão do contrato de trabalho 5,72%

C.3 Indenização adicional (demissão 30 dias antes do dissídio) 0,69%

TOTAL

C 20,24%

D. INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS

D.1 Incidência de A sobre B 18,56%

D.2 Incidência de férias sobre aviso prévio 2,06%

D.3 Incidência do 13°salário sobre aviso prévio 1,54%

D.4 Incidência do FGTS sobre aviso prévio 1,11%

TOTAL

D 23,27%

SUBTOTAL A+B+C+D 130,74%

Fonte: QUALIOP – BA

(24)

24 Tabela 5: Encargos sociais e trabalhistas – mensalistas.

A. ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS

A.1 INSS 20,00%

A.2 FGTS 8,00%

A.3 Salário-educação 2,50%

A.4 SESI 1,50%

A.5 SENAI 1,00%

A.6 SEBRAE 0,60%

A.7 INCRA 0,20%

A.8 Seguro contra acidente de trabalho 3,00%

TOTAL

A 36,80%

B. ENCARGOS TRABALHISTAS

B.1 Férias (+1/3) 11,11%

B.2 Repouso semanal remunerado 8,33%

TOTAL

B 19,44%

C. ENCARGOS INDENIZATÓRIOS

C.1 Aviso prévio (valor adotado) 10,20%

C.2 Multa por rescisão do contrato de trabalho 4,54%

TOTAL

C 14,74%

D. INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS

D.1 Incidência de A sobre B 7,15%

D.2 Incidência de férias sobre aviso prévio 1,13%

D.3 Incidência do 13°salário sobre aviso prévio 0,85%

D.4 Incidência do FGTS sobre aviso prévio 0,82%

TOTAL

D 9,95%

SUBTOTAL A+B+C+D 80,93%

Fonte: QUALIOP – BA

Tendo visto que o custo da hora de um empregado não se confunde com o custo de seu salário-base, é intuitivo perceber que, para fins de orçamentação, deve-se somar à hora-base os encargos sociais e trabalhistas. A hora com encargos é a que será utilizada no orçamento.

(MATTOS, 2006).

Custo do homem-hora= hora-base x (1 +% encargos)

(25)

25 2.4 CUSTO INDIREITO

A melhor definição de custo indireto talvez seja uma definição por exclusão: custo indireto é todo custo que não apareceu como mão de obra, material ou equipamento nas composições de custos unitários do orçamento (MATTOS, 2006).

Ainda, segundo Tisaka (2006) pode ser definido por todas as despesas que não fazem parte dos insumos da obra e sua infra-estrutura no local de execução, mas que são necessárias para a sua realização.

É comum o termo despesas indiretas como sinônimo do custo indireto da obra. As despesas indiretas associam-se normalmente com manutenção do canteiro de obras, salários, despesas administrativas, taxas, emolumentos, seguros, viagens, consultorias, fatores imprevistos e todos os demais aspectos não orçados nos itens de produção (MATTOS, 2006).

Enquanto o custo direto é função direta da quantidade produzida, o mesmo não se pode dizer do custo indireto. O salário do mestre, a alimentação da equipe e o custo de vigilância do canteiro vão ser o mesmo, quer a obra produza 200m³ de concreto por mês, quer produza 30m³ (MATTOS, 2006).

O custo indireto geralmente fica na faixa de 5 a 30% do custo total da construção. O percentual oscila em função dos seguintes aspectos (MATTOS, 2006):

Localização geográfica: Uma obra em local remoto requer muita despesa com mobilização de pessoal e equipamentos, custo de viagem, aluguel de casas, etc.

Política da empresa: Quantidade de engenheiros e supervisores, faixa salarial adotada, quantidade de veículos à disposição da obra, quantidade de computadores no canteiro, padrão dos barracões de campo, etc.

Prazo: As despesas administrativas são proporcionais à duração da obra.

Complexidade: Obras com elevado grau de dificuldade tendem a exigir mais supervisão de campo e suporte externo (consultoria).

2.5 CURVA ABC

Para o orçamentista e para quem vai executar a obra, é de suma importância saber quais são os principais insumos e o total de cada insumo na obra e qual a sua representatividade.

Isso serve para priorizar as cotações de preço, definir as negociações mais criteriosas, canalizar a energia dos responsáveis por compras, etc. (MATTOS, 2006).

(26)

26 A curva ABC de insumos é exatamente uma relação de insumos, em ordem decrescente de custos, em que no topo estão os principais insumos da obra em termos de custo e à medida que a tabulação vai descendo, vão surgindo os insumos menos significativos (MATTOS, 2006).

O ABC do nome “curva ABC” de insumos representa as três faixas em que os insumos podem ser agrupados. Segundo Mattos (2006), a faixa A engloba os insumos que perfazem 50% do custo total, e isto é, todos aqueles que se encontram acima do percentual acumulado de 50%; a faixa B engloba os insumos entre os percentuais acumulados de 50% e 80% do custo total; a faixa C representa todos os insumos restantes.

O nome “curva” vem do gráfico que pode ser traçado mostrando a percentagem acumulada de cada insumo no valor acumulado total da obra, como mostra a figura 1 (MATTOS, 2006).

Percentual de custo acumulado

A

B

C

Insumos

Figura 1: Representação de Curva ABC de Insumos Fonte: Mattos, 2006

O mais comum, no entanto, é que a Curva ABC seja apresentada na forma tabular, com a descrição, unidade, quantidade, custo unitário, custo total e as percentagens unitárias e a acumulada de cada insumo (MATTOS, 2006).

Na etapa que antecede a apropriação dos índices e consumos obtidos em campo, faz-se necessário julgar os serviços mais significativos em relação ao percentual total da obra. Como vários são os serviços realizados ao longo da obra, a curva ABC de Serviços e Insumos nos ajuda a definir e apontar os serviços mais significativos e que, portanto, merecem ser estudados, para que correções e melhorias possam ser realizadas.

(27)

27 Assim, de maneira sucinta, o capítulo buscou comentar as principais etapas que deve compor um orçamento, dando uma visão geral do processo de orçamentação. Definiram-se os principais custos envolvidos na execução da obra e que são conseqüentemente os responsáveis pelos maiores consumos. Conceituo-se composição de custo unitário e definiu- se custo total, parâmetro indispensável ao entendimento do estudo. Então a partir da análise do produto da orçamentação, obtêm-se os consumos e custos orçados a fim de se poder comparar em seguida com os consumos e custos obtidos da execução da obra.

(28)

28 3 INDICADORES DE PRODUTIVIDADE

Este capítulo apresenta definições de medição e indicadores de produtividade, além de conceituar produtividade da mão de obra e métodos de coleta da produtividade como ferramentas necessárias para comparação de custos.

3.1 CONCEITO DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO E INDICADORES

Para tornar possível o comparativo entre o consumo e custo previsto e o real é necessário que se determine o desempenho e a produtividade dos processos da obra em campo, registrado informações e dados referentes a consumos obtidos na execução. Medir, então, torna-se elemento indispensável para essa análise comparativa.

A medição é o processo que envolve a decisão sobre o que medir com a posterior coleta, acompanhamento e análise dos dados (SINK; TUTTLE8, 1993 apud COSTA, 2005).

Através do processo de medição é possível identificar as capacidades da organização e os níveis de desempenho esperados, tanto dos processos quanto do sistema organizacional.

Possibilita, também, identificar as necessidades de feedback, o que pode ser melhorado, sobre o que concentrar a atenção e onde colocar os recursos (SINK; TUTTLE8, 1993 apud COSTA, 2003).

Dentre as finalidades da medição de desempenho, sua função como controle é uma das aplicações mais comuns e bem compreendidas. É utilizada para previsão, estimativa e solução de problemas. Nesse caso, a medição visa a controlar a variação do desempenho em relação aos padrões de comportamento previamente estabelecidos, identificando desvios e corrigindo a tempo as causas dos mesmos (SINK; TUTTLE8, 1993 apud COSTA, 2003).

A medição também tem o papel de orientar a melhoria, indicando sobre o que concentrar a atenção e onde os recursos devem ser disponibilizados para identificar as oportunidades de melhoria ou verificar o impacto das estratégias sobre o desempenho do processo ou da organização (COSTA, 2003).

Além das definições abordadas acima, o quadro 1 apresenta os porquês de se medir o desempenho dos sistemas, o que medir e o modo pelo qual se medir, visando melhorar a compreensão da variabilidade de papéis que a medição pode desempenhar no processo gerencial de uma obra, não se restringindo apenas ao controle.

8 SINK, D.S. E TUTTLE, T.C. Planejamento e medição para performance. Rio de Janeiro: Quality Mark, 1993.

(29)

29 Quadro 1: Por que, o que e como medir o desempenho dos sistemas

POR QUE MEDIR?

- Para se apoiar e aumentar a melhoria.

- Para fornecer a capacidade do sistema, ou seja, os níveis de desempenho que se pode esperar dos processos e sistemas.

- Para se ter um retorno dos investimentos e esforços

- Para saber onde concentrar os esforços e colocar os recursos.

O QUE MEDIR?

- O desempenho dos sistemas, organizacionais.

- Informações sobre eficiência, eficácia, qualidade, produtividade, qualidade de vida, inovação e lucratividade ou provisão

orçamentária.

- A performance total da organização.

COMO MEDIR?

- A partir da combinação adequada de um sistema de medição qualitativo e quantitativo, subjetivo e objetivo, intuitivo e explicito, físico e lógico, conhecido e desconhecido, mente humana e

ferramentas de suporte.

Fonte:SINK; TUTTLE8, 1993 apud COSTA, 2005

A medição pode também auxiliar a implantação das estratégias (COSTA, 2003). O desenvolvimento de sistemas de medição ligado às metas, objetivos e estratégias direciona aqueles que devem fazer a implantação das estratégias a refletir sobre as relações de causa e efeito e de custo-benefício e também as implicações dessas estratégias (SCHIEMANN;

LINGLE9, 1999 apud COSTA, 2003). Além disso, os indicadores podem gerar informações para avaliar o posicionamento das empresas em relação ao seu ambiente interno e externo (ZILBER; FISCHMANN10, 2002 apud COSTA, 2003).

Assim, os indicadores consistem em expressões quantitativas que representam uma informação gerada a partir da medição e avaliação de uma estrutura de produção, dos processos que a compõem e dos produtos resultantes (SOUZA et al.11, 1994 apud NAVARRO, 2005). Lima12 (2005) apud Navarro (2005) coloca que, desta forma, os indicadores constituem-se em instrumentos de apoio à tomada de decisão com relação a uma determinada estrutura, processo ou produto.

9 SCHIEMANN, W.A.; LINGLE, J.H. Bullseye!: hitting your strategic targets through high-impact measurement. New York: The Free Press, 1999.

10 ZILBER, M.A.; FISCHMANN, A.A. Competitividade e a importância de indicadores de desempenho:

utilização de um modelo de tendência. In: ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 26., 2002, Salvador. Anais... Salvador:

ANPAD, 2002. 1 CD-ROM.

11 SOUZA, R. et al. Indicadores da qualidade e produtividade. In: _____. Sistema de gestão da qualidade para empresas construtoras. São Paulo: PINI, 1994. mód.11, p.219-230.

(30)

30 Segundo Souza11 et al. (1994) apud Navarro (2005), um indicador de desempenho pode ser definido como um resultado atingido em determinado processo ou características dos produtos finais resultantes. Refere-se ao comportamento do processo ou produto em relação a determinadas variáveis, tais como, o custo de determinado processo, lucro, retrabalho, conformidade de produtos.

Segundo Neely13 et al. (1997) apud Navarro (2005) e Sink e Tuttle8 (1993) apud Navarro (2005), os indicadores de desempenho devem ser considerados parte integrante do processo de planejamento e controle, fornecendo meios de capturar dados que podem ser utilizados como informação na tomada de decisão.

Segundo Costa (2003) a diferença entre as classificações dos indicadores refere-se, essencialmente, à finalidade das informações para os usuários, na medida em que existem diferentes ângulos de visão para essas medidas.

Segundo Lantelme14 (1994) apud Costa (2003), os indicadores podem ser agregados em indicadores de desempenho específicos e indicadores de desempenho global.

Os indicadores de desempenho específicos fornecem informações para o gerenciamento da empresa e de seus processos individuais. Esses indicadores estão relacionados às estratégias e às atividades específicas da empresa. Nesse sentido, as informações fornecidas são utilizadas para o planejamento, controle e melhoria contínua das estratégias e dos processos.

Os indicadores de desempenho globais possuem um caráter mais agregado e visam a demonstrar o desempenho de uma empresa ou setor em relação ao ambiente em que se insere e, portanto, tem um caráter mais homogêneo para permitir a comparação. Esses indicadores podem ser voltados à empresa ou podem ser setoriais, para avaliar o desempenho do setor como um todo.

O presente trabalho focará em indicadores de desempenho específicos, em especial os indicadores de produtividade de serviços construtivos. Estes podem ser definidos como

12 LIMA, H. M. R. Concepção e implementação de sistema de indicadores de desempenho em empresas construtoras de empreendimentos habitacionais de baixa renda. 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil), Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

13 NEELY, A. et al. Designing performance measures: a structured approach. International Journal of Operations & Production Management. Bradford, v.17, n.11, p.1131-1152,1997.

14 LANTELME, E.M.V. Proposta de um sistema de indicadores de qualidade e produtividade para a construção civil. Porto Alegre, 1994. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

(31)

31 aqueles que indicam um tipo particular de desempenho, relativo à produtividade em um processo – por exemplo: razão unitária de produção (RUP), índice de consumo de materiais, produtividade de equipamentos.

Para que os indicadores sejam incorporados na rotina da empresas, uma das suas características deve ser a sua fácil compreensão e aplicação, gerados a custo baixo e ser calculados com dados disponíveis ou facilmente obtidos e principalmente confiáveis (PBQP, 1991).

3.2 PRODUTIVIDADE

Segundo Souza (2006), considerando que um processo envolve a transformação de entradas e saídas, produtividade seria a eficiência (e, na medida do possível, a eficácia) na transformação de tais entradas em saídas que cumpram com os objetivos previstos para tal processo, conforme figura 2.

Transformação

Entradas Saídas

Produtividade= eficiência/eficácia na transformação de entradas em saídass do processo

Figura 2: Definição de produtividade em um processo. Fonte: (SOUZA, 2006)

Estudos apurados sobre a produtividade nos processos construtivos pode contribuir para um melhor entendimento sobre as razões que podem levar a discrepância de desempenhos.

Vários fatores podem contribuir para tal desvio, entre ele estão (SOUZA, 2006):

o caráter nômade do canteiro de obras;

ter sua mão de obra caracterizada pela falta de qualificação (analfabetismo, má formação dos operários e a necessidade de atrair novos ingressantes em quantidade e qualidade adequados);

rotatividade dos trabalhos nas empresas;

baixos salários vigentes.

(32)

32 Além destes fatores, existem outras razões que podem tornar um trabalho mais ou menos produtivo, e que, portanto, devem também ser analisados antes de uma possível comparação do desempenho mensurado. Por exemplo, deve-se analisar o projeto do produto que está sendo executado; o nível de pré-fabricação e de modernização e de mecanização vigente; a qualidade da organização do trabalho; dentre outras (SOUZA, 2006).

No momento, no entanto, de se tecerem comparações de produtividade, não se pode esquecer de indicar as condições em que ela está ocorrendo. Por outro lado, sejam o projeto, os equipamentos e os materiais, existentes numa obra, mais ou menos favoráveis à boa produtividade, é preciso extrair-se o máximo das condições vigentes (SOUZA, 2006).

Com base na discussão apresentada anteriormente, pode-se concluir que a produtividade da mão de obra é influenciada pelas características próprias da indústria da construção civil (caráter nômade, mão de obra desqualificada); características do produto e do processo construtivo (projetos e métodos construtivos) e, por fim, condições de realização da obra.

Dessa forma, segundo Souza (2006), pode-se definir produtividade da mão de obra como eficiência (e, na medida do possível, a eficácia) na transformação do esforço dos trabalhadores em produtos de construção (a obra e suas partes), conforme figura 3.

Transformação Esforço dos

trabalhadores

Obras ou suas partes

Eficiência na transformação

Figura 3: Produtividade da mão de obra. Fonte: Souza (2006)

Envolver-se com o estudo da produtividade da mão de obra é extremamente necessário., devido à alta competição atual no mercado, que obriga a busca pela sua melhoria. De acordo com Souza (2006), apesar do esforço para mensuração da produtividade, os benefícios podem ser bastante compensadores, haja vista a ampla faixa de variação dos desempenhos vigentes no mercado.

Dessa forma, o estudo da produtividade da mão de obra auxilia a tomada de decisões por um gestor, pois tais informações alimentam o banco de dados da empresa que podendo ser usado não só na confecção de orçamentos como no planejamento da obra como um todo.

(33)

33 Enquanto o levantamento da produtividade diz respeito ao controle, o prognóstico da mesma se associa à programação; ambos dizem respeito ao planejamento, que se subsidia a tomada de decisões. Assim, o estudo de produtividade deve ser considerado um sistema de informações que pode subsidiar a tomada de decisões (SOUZA, 2006).

3.3 INDICADORES DE PRODUTIVIDADE

As medidas de produtividade devem ser vistas como instrumentos auxiliares na detecção de problemas e no acompanhamento dos sistemas de produção a que se referem (BORGES; NETO,1993). Para isso, faz-se necessário trabalhar em uma série de variáveis, que traz uma quantidade muito grande de dados para auxiliar no processo da tomada de decisão (BORGES; NETO,1993).

O uso de indicadores por parte de algumas empresas tem promovido o desenvolvimento de programas de melhoria da qualidade, redução de desperdícios e racionalização de processos. Quando a empresa se posiciona frente a um mercado competitivo deverá criar mecanismos para saber se está sendo realmente competitiva e para verificar se está aperfeiçoando sua forma de atuação, relativamente às necessidades dos clientes e de seus competidores. Em outras palavras, a empresa deverá medir e monitorar a produtividade dos serviços, fornecendo índices e indicadores de consumo que serão utilizados nas suas decisões para melhoria de desempenho.

3.4 MÉTODOS PARA COLETA DE PRODUTIVIDADE

Existem diversos métodos para coleta de produtividade, sendo alguns desenvolvidos por acadêmicos (OLIVEIRA et al., 1995; SOUZA, 2006), sendo outros desenvolvidos internamente pelas empresas construtoras. Cada um destes métodos levam em consideração diferentes variáveis e forma de coleta de dados.

A seguir será detalhado um método para coleta de produtividade reconhecido na literatura acadêmica e que também é utilizado como base para o desenvolvimento de composições de custos unitárias da Tabela de Composição de Preços Orçamentário (TCPO, 2009), base de dados bastante utilizada pelas empresas construtoras brasileiras.

O intuito em descrever este método é possibilitar a comparação deste com o método adotado pela empresa estudada neste trabalho.

(34)

34 3.4.1 Razão Unitária de Produção (SOUSA, 2006)

Segundo Souza (2006), a produtividade da mão de obra pode ser medida, através de um indicador, denominado razão unitária de produção (RUP). A RUP relaciona os esforços humanos, avaliado em Homens x Hora (HH), com quantidade de serviço executada (saída), e é expressa como:

RUP = homens-hora/quantidade de serviço

A partir dessa definição pode-se deduzir que um alto valor de RUP indica uma produtividade pior que um valor baixo.

De acordo com Sousa (2006), para a padronização da avaliação da RUP, é necessário uniformizar quatro aspectos:

a definição de quais homens estão inseridos na avaliação;

a quantificação das horas de trabalho a considerar;

a quantificação do serviço;

a definição do período de tempo ao qual as mensurações de entradas e saídas se referem.

Para mensuração da produtividade dos processos utilizado, a RUP, é importante que se faça a classificação dos trabalhadores envolvidos, de acordo com (SOUSA, 2006):

níveis hierárquicos;

especializações variadas;

diferentes serviços;

alocação em que se encontram uma certa etapa do fluxograma de certo processo;

diferentes organizações.

O quadro 2 mostra a classificação dos trabalhadores envolvidos na execução de uma obra de construção.

(35)

35 Quadro 2: Classificação dos trabalhadores envolvidos na execução de uma obra de

Construção Civil

Gestão Produção

responsável pela obra

mestre encarregados estagiários almoxarife apontador

nível hierárquico oficial/qualificado meio-oficial

ajudante/servente/não qualificado/

aprendiz especialização pedreiro

carpinteiro encanador azulejista etc.

serviço fôrmas

armação alvenaria

revestimento de paredes internas com argamassa

revestimento cerâmico de piso etc.

parte do fluxograma dos processos

recebimento estocagem

movimentação intermediário processamento final

organização série paralelo em grupo

relação oficial: ajudante

Fonte: SOUZA, 2006

Segundo Souza (2006), para fins do estudo da produtividade física da mão de obra de produção, em um determinado serviço, interessa detectar quem está alocado ao serviço, se está envolvido no objetivo-fim (por exemplo, assentar os tijolos compondo a parede de alvenaria) ou em atividades-meio (por exemplo, transportando os tijolos que serão usados na composição da parede).

Dentro desse contexto, pode-se mensurar a produtividade com diferentes abrangências de mão de obra de produção. De acordo com Sousa (2006), definem-se, portanto, os seguintes indicadores:

RUPof, que avalia a produtividade dos oficiais;

RUPdir, que se associa à produtividade da mão de obra direta; e RUPglob, que avalia a produtividade da mão de obra global.

(36)

36 A distinção quanto à caracterização da mão de obra considerada, para fins de levantamento da produtividade, torna a RUP obtida mais inteligível e, portanto, útil para subsidiar decisões.

No que diz respeito ao tempo de dedicação, consideram-se as horas disponíveis para o trabalho, apropriando-se o tempo total que o operário está presente no canteiro e pronto para trabalhar (SOUSA, 2006).

De acordo com Sousa (2006), podem-se existir diferentes tipos de RUP em função do período de tempo ao qual se relacionam as medidas de entrada e saída. A RUP pode ser medida com base diária (calculada a partir dos valores de homens-hora e quantidade de serviço relativo ao dia de trabalho em análise) ou cumulativa (calculada a partir dos valores de homens- hora e quantidade de serviço relativos ao período que vai do primeiro dia em que se estudou a produtividade até o dia em questão). Também a RUP cíclica (adotada quando o serviço possui ciclos bem definidos) e finalmente a RUP periódica (adotada quando é determinado um período).

Enquanto a RUP diária mostra o efeito dos fatores presentes no dia de trabalho sobre produtividade, a RUP cumulativa serve para se detectar tendências de desempenho do serviço, sendo útil para se fazer previsões (para a obra em questão ou para orçamentação de futuras obras).

Assim, matematicamente, pode-se obter a RUPpot (RUP potencial) pela mediana das RUP diárias inferiores ao valor da RUP cumulativa ao final do período em estudo.

Vale ainda ressaltar que a RUPpot poderia servir de referência de produtividade teoricamente alcançável e considerar que a diferença entre RUPcum e a RUPpot representaria um afastamento da situação real em relação à ideal. Com isso, se pode definir perda percentual de produtividade da mão de obra (perda mão de obra (%)) como:

Perda MO (%) = RUP cum - RUP pot x 100 RUPpot

Conhecer o indicador RUP de produtividade possibilita perceber a importância de definir a forma de mensurar e classificar os dados coletados em campo, afim de que os indicadores obtidos possam retratar a realidade sem distorcer fatos e fornecer subsídio para tomada de decisões.

(37)

37 O indicador RUP de produtividade demanda regras quanto à definição de quais homens estão inseridos na avaliação (H); à quantificação das horas de trabalho a considerar (h); a quantificação do serviço (QS) e a definição do período de tempo ao qual as mensurações de entrada e saída se referem.

Assim, em função do tipo da mão de obra necessária a execução do serviço, dos índices que se visa obter e do período de coleta, se escolhe o tipo da RUP que será aplicada ao estudo.

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