HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE AMBIENTE
António Gonçalves Henriques
1968
Conferência Intergovernamental sobre o Uso e a Conservação da Biosfera
UNESCO
– Discussão inicial sobre o conceito de
sustentabilidade.
1968
Missão da Apolo 8
1969
Criação da ONG "Friends of the Earth“
– Objectivos: Proteger o planeta da degradação
ambiental; conservação da diversidade biológica,
cultural e étnica; dar voz aos cidadãos para a
protecção do ambiente.
1969
National Environment Policy Act EUA
– Estabelece a política nacional de ambiente.
1970
Primeiro Dia da Terra EUA
– 20 milhões de pessoas participam em
manifestações pacíficas em defesa do ambiente.
1971
Criação da ONG "Greenpeace“
Canada
– Lançamento de uma agenda para a protecção do
ambiente, através de acções não-violentas da sociedade civil.
Princípio do poluidor-pagador OCDE
– Introdução de instrumentos económicos nas políticas
ambientais.
1972
Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano
Estocolmo
– Primeira grande Conferência Inter-Governamental de Ambiente, presidida por Maurice Strong,
centrada nos problemas da poluição regional e, em particular, das chuvas ácidas.
– Adoptada a Declaração de Estocolmo, o Plano de Acção com 109 Recomendações e uma Resolução.
– Criado o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), com sede em Nairobi.
– Instituido o Dia Mundial do Ambiente, 5 de Junho.
Declaração de Estocolmo
Princípio 1:
O homem tem o direito fundamental à liberdade, igualdade e condições adequadas de vida, num ambiente de qualidade tal que permita uma vida de dignidade e bem-estar, e tem a responsabilidade solene de proteger e melhorar o ambiente para as gerações presentes e futuras. As políticas que promovem ou perpetuam o apartheid, segregação racial, a discriminação, formas coloniais e outras formas de opressão e de dominação estrangeira são condenadas e devem ser eliminadas.
Princípio 2:
Os recursos naturais da terra, incluindo o ar, a água, os solos, a flora e a fauna e especialmente as amostras representativas dos ecossistemas naturais, devem ser preservados em benefício das gerações presentes e futuras, mediante um cuidadoso planeamento e gestão.
Princípio 3
A capacidade da terra para produzir recursos vitais renováveis deve ser mantida e, sempre que possível, restaurada ou melhorada.
Declaração de Estocolmo
Princípio 4:
O homem tem uma responsabilidade especial de preservar e administrar
judiciosamente o património da fauna e seu habitat, que estão em grave perigo por uma combinação de factores adversos. A conservação da natureza, incluindo a fauna, deve, portanto, ser alvo de especial importância no planeamento do desenvolvimento económico.
Princípio 5:
Os recursos não renováveis da terra devem ser usados de forma a evitar o seu esgotamento e assegurar que os benefícios de tal uso sejam compartilhados por toda a humanidade.
Princípio 6:
A descarga de substâncias tóxicas ou de outras substâncias, e a libertação de calor, em quantidades ou concentrações tais que excedem a capacidade do ambiente para os tornar inócuos, deve ser evitada, a fim de assegurar que não sejam causados danos graves ou irreversíveis aos ecossistemas. A justa luta dos povos dos países afectados pela poluição deve ser apoiada.
Declaração de Estocolmo
Princípio 7:
Os Estados devem tomar todas as medidas possíveis para evitar a poluição dos mares por substâncias susceptíveis de criar riscos para a saúde humana, prejudicar os recursos biológicos e a vida marinha ou interferir com outras utilizações legítimas do mar.
Princípio 8:
O desenvolvimento económico e social é essencial para garantir a vida e o ambiente de trabalho favorável para o homem e para a manutenção das condições necessárias para a melhoria da qualidade de vida.
Princípio 9:
As condições ambientais degradadas pelas situações de subdesenvolvimento e pelos desastres naturais colocam graves problemas e podem ser compensadas pelo
desenvolvimento acelerado mediante a transferência atempada e oportuna de recursos financeiros e tecnológicos como complemento dos esforços internos dos países em desenvolvimento.
Declaração de Estocolmo
Princípio 10:
Para os países em desenvolvimento, a estabilidade dos preços e os rendimentos adequados dos produtos primários e das matérias-primas são essenciais para a gestão ambiental, devendo ser devidamente considerados os factores económicos, bem como processos ecológicos associados.
Princípio 11:
As políticas ambientais de todos os Estados devem ser melhoradas e não devem afectar adversamente o potencial de desenvolvimento presente ou futuro dos países em desenvolvimento, nem devem prejudicar a realização de melhores condições de vida para todos. Devem ser adoptadas medidas adequadas pelos Estados e pelas organizações internacionais com vista a chegar a acordo sobre as consequências económicas resultantes da aplicação de medidas ambientais.
Princípio 12:
Devem ser disponibilizados recursos para preservar e melhorar o ambiente, tendo em conta as circunstâncias e necessidades particulares dos países em desenvolvimento e quaisquer custos que possam resultar da aplicação de medidas de protecção ambiental devem ser considerados no planeamento de desenvolvimento bem como as
necessidades de assistência internacional técnica e financeira para esse fim.
Declaração de Estocolmo
Princípio 13:
A fim de alcançar uma gestão mais racional dos recursos e para melhorar o ambiente, os Estados devem adoptar uma abordagem integrada e coordenada do planeamento do desenvolvimento, de modo a garantir que o desenvolvimento seja compatível com a necessidade de proteger e melhorar o ambiente para o benefício das sua população.
Princípio 14:
O planeamento racional constitui um instrumento essencial para conciliar qualquer conflito entre as necessidades de desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o ambiente.
Princípio 15
O planeamento deve ser aplicada ao povoamento e à urbanização de forma a evitar os efeitos adversos sobre o ambiente e obter o máximo de benefícios sociais, económicos e ambientais para todos. Devem ser abandonados os modelos de povoamento e de urbanização concebidos de acordo com a dominação colonialista e racista.
Declaração de Estocolmo
Princípio 16:
As políticas demográficas que, sem prejudicarem os direitos humanos básicos e que sejam consideradas adequadas por parte dos governos legítimos, deverão ser aplicados nas regiões onde a taxa de crescimento da população ou a concentração populacional excessiva sejam susceptíveis de ter efeitos adversos sobre o ambiente e impedir o desenvolvimento humano.
Princípio 17:
Deve ser confiada às instituições nacionais apropriadas a tarefa de planear, gerir ou controlar os recursos ambientais dos Estados com vista a melhorar a qualidade ambiental.
Princípio 18:
A ciência e a tecnologia devem contribuir para o desenvolvimento económico e social, devem ser aplicadas para a identificação, prevenção e controle de riscos ambientais e para a solução dos problemas ambientais e para o bem comum da humanidade.
Declaração de Estocolmo
Princípio 16:
As políticas demográficas que, sem prejudicarem os direitos humanos básicos e que sejam consideradas adequadas por parte dos governos legítimos, deverão ser aplicados nas regiões onde a taxa de crescimento da população ou a concentração populacional excessiva sejam susceptíveis de ter efeitos adversos sobre o ambiente e impedir o desenvolvimento humano.
Princípio 17:
Deve ser confiada às instituições nacionais apropriadas a tarefa de planear, gerir ou controlar os recursos ambientais dos Estados com vista a melhorar a qualidade ambiental.
Princípio 18:
A ciência e a tecnologia devem contribuir para o desenvolvimento económico e social, devem ser aplicadas para a identificação, prevenção e controle de riscos ambientais e para a solução dos problemas ambientais e para o bem comum da humanidade.
Declaração de Estocolmo
Princípio 19:
A educação ambiental, para a geração mais jovem, bem como para os adultos, dando a devida atenção aos mais desfavorecidos, é essencial para ampliar a base de uma opinião esclarecida e uma conduta responsável pelos indivíduos, as empresas e as comunidades para proteger e melhorar o ambiente na sua dimensão humana completa.
É também essencial que os meios de comunicação e divulgação evitem contribuir para a deterioração do ambiente, mas, pelo contrário, divulguem informações de carácter educativo sobre a necessidade de projetar e melhorar o ambiente.
Princípio 20
A investigação científica e o desenvolvimento dos problemas ambientais, tanto
nacionais e multinacionais, deve ser promovida em todos os países, especialmente nos países em desenvolvimento. Neste contexto, o livre fluxo de informação científica actualizada e a transferência de experiências deve ser apoiada, para facilitar a solução dos problemas ambientais. As tecnologias ambientais devem ser disponibilizados aos países em desenvolvimento em termos que permitam encorajar a sua ampla divulgação sem constituir um ónus económico para os países em desenvolvimento.
Declaração de Estocolmo
Princípio 21:
Os Estados, de acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional, têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos segundo suas políticas ambientais, e a responsabilidade de assegurar que actividades sob sua jurisdição ou controle não causem danos ao ambiente de outros Estados ou de áreas para além dos limites da jurisdição nacional.
Princípio 22:
Os Estados devem cooperar para desenvolver o direito internacional relativo à responsabilidade e indemnização das vítimas de poluição e outros danos ambientais causados por actividades dentro da jurisdição ou controle desses Estados que atinjam áreas fora de sua jurisdição.
Princípio 23:
Sem prejuízo dos critérios que venham a ser acordados pela comunidade internacional, ou das normas que sejam definidos nacionalmente, será essencial em todos os casos, considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e a extensão da aplicabilidade de normas que, sendo válidas para os países mais avançados, podem ser inadequadas e ter custos sociais inaceitáveis para os países em desenvolvimento.
Declaração de Estocolmo
Princípio 24:
As questões internacionais relativas à protecção e melhoria do ambiente deve ser tratadas numa base de cooperação por todos os países, grandes e pequenos, em pé de igualdade. A cooperação através de acordos multilaterais ou bilaterais ou outros meios adequados é essencial para controlar eficazmente, prevenir, reduzir e eliminar os efeitos ambientais negativos decorrentes das acividades realizadas em todas as esferas, tendo em devida conta a soberania e os interesses de todos os Estados.
Princípio 25:
Os Estados devem assegurar que as organizações internacionais desempenham um papel coordenado, eficiente e dinâmico para a protecção e melhoria do meio ambiente.
Princípio 26:
Homem e o ambiente devem ser poupados dos efeitos das armas nucleares e todos os outros meios de destruição maciça. Os estados devem esforçar-se para chegar a um acordo imediato, nos órgãos internacionais pertinentes, sobre a eliminação e a destruição completa de tais armas.
Plano de Acção de Estocolmo
O Plano de Acção de Estocolmo é constituído pelas seguintes linhas:
(a) O programa de avaliação ambiental global (Earthwatch);
(b) Actividades de gestão ambiental;
(c) Medidas internacionais para apoiar as acções nacionais e internacionais de avaliação e gestão.
As recomendações são agrupadas nas seguintes áreas:
(a) Recomendações para a acção a nível internacional (b) Identificação e controlo da poluição de Importância
Internacional
(b.1) poluição em geral (b.2) poluição marinha
(c) Aspectos educacionais, informativos, sociais e culturais das
questões ambientais
Programa das Nações Unidas para o Ambiente
O Programa das Nações Unidas para o Ambiente, PNUA, (em inglês: United Nations Environment Programme, UNEP) é uma agência para o ambiente do sistema das Nações Unidas.
O PNUA tem como objectivo coordenar as acções internacionais de protecção do ambiente e de promoção do desenvolvimento sustentável. Para isso, trabalha com grande número de parceiros, incluindo outras entidades das ONU, organizações internacionais, organizações ligadas aos governos nacionais e organizações não governamentais.
Dia Mundial do Ambiente
O Dia Mundial do Ambiente é celebrado a 5 de junho, foi criado
pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII)
de 15 de dezembro de 1972. Foi o dia em que foi aberta a
Conferência de Estocolmo.
1972
Publicação de "Limites do Crescimento“
Clube de Roma
– Lança alerta para os limites de recursos naturais, que não comportam o ritmo de crescimento da população.
1973
Crise de petróleo OPEP
– Debate sobre os limites dos combustíveis.
Repercussões na indústria automóvel e aeronáutica e nas políticas de transportes.
Arábia Saudita (1960) Irão (1960) Iraque (1960) Kuwait (1960) Venezuela (1960) Quatar (1961) Líbia (1962)
Indonésia (1962 a 2009) Emirados Árabes Unidos (1967) Argélia (1969)
Nigéria (1971)
Equador (1973 até 1992, e a partir de 2007) Gabão (1975 a 1994) Angola (2007)
1974
Alerta para o perigo da degradação da Camada de Ozono Estratosférico
Revista “Nature”
– Artigo de Rowland e Molina alerta para a degradação da camada de ozono provocada pelo uso de CFCs.
1974
Modelo Mundial sobre os Recursos Naturais Fundacion Bariloche
– Resposta do 3º Mundo a “Limites do Crescimento",
reclama o crescimento e equidade para o 3º Mundo.
1975
Convenção CITES Washington
– regula o comércio internacional de espécies de flora e fauna em perigo de extinção (assinada em 1973).
1977
Conferência das Nações Unidas sobre
Desertificação
1978
Acidente do “Amoco Cadiz”
Costa da Bretanha, França
– Derrame de petróleo.
1979
Convenção sobre poluição atmosférica transfronteirça de longa distância
CEE/ONU Genebra
– Estabelece princípios gerais de cooperação
internacional para a redução da poluição do ar e estabelece um quadro institucional ligando a Ciência e a Tecnologia, desenvolvendo políticas e medidas para o controlo da poluição
fundamentadas cientificamente.
1979
Acidente de “Three Mile Island”
Pensilvania, EUA – Acidente com central nuclear.
1980
Estratégia Mundial para a Conservação UICN
– No capítulo sobre "desenvolvimento sustentável" são identificados os principais agentes de destruição dos habitats, incluindo a pobreza, a pressão demográfica, a inequidade social e o comércio. Apela a uma nova estratégia internacional de desenvolvimento para alcançar uma economia mundial mais estável e dinâmica, combatendo os impactes da pobreza.
“Desenvolvimento Sustentável – manutenção dos processos ecológicos essenciais e dos sistemas de suporte da vida, a
preservação da diversidade genética e a utilização sustentável das espécies e dos ecossistemas” (IUCN, 1980, Estratégia Mundial de Conservação).
1980 Global 2000
EUA
– Relatório promovido pelo Presidente Jimmy Carter, reconhece que a biodiversidade é uma questão crítica para o adequado funcionamento do ecossistema
planetário. A extinção das espécies enfraquece a robustez dos ecossistemas.
1982
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar
ONU
– Estabele regras sobre o estabelecimento de
normas ambientais, bem como a aplicação de
medidas para a poluição do ambiente marinho.
1982
Carta Mundial da Natureza ONU
– Adopta o princípio de que qualquer forma de vida é única e deve ser respeitada,
independentemente do seu valor para a humanidade.
– Apela para um melhor conhecimento da dependência da humanidade dos recursos naturais e para a necessidade de controlar a exploração desses recursos.
1984
Acidente de Bhopal Bhopal, Índia
Emissão de 30 ton de gases
tóxicos letais (compostos de
cianeto) da fábrica da Union
Carbide provoca a morte
imediata de 3 787 pessoas e
afecta a saúde de cerca de
300 000 pessoas.
1984
Conferência Internacional sobre Ambiente e Economia
OCDE
– Conclui que a economia e o ambiente se reforçam mutuamente. Lança as bases para o relatório "O Nosso Futuro Comum“ da Comissão sobre Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas.
1985
“Responsible Care”
Canadá
– Estabelece um código de conduta da indústria química canadiana. É actualmente aplicado em muitos países.
1985
Alterações Climáticas Áustria
– Reunião do PNUA, da Sociedade Meteorológica Mundial e do
Conselho das Uniões Científicas Internacionais analisa o aumento da concentração de CO2 e de outros gases com efeito de estufa na atmosfera. Prevê o aquecimento global.
1985
Buraco da Camada de Ozono na Antártida
– Descoberto por cientistas ingleses e americanos.
Convenção de Viena para a Protecção da Camada de Ozono
Nações Unidas
– Os Estados signatários acordaram tomar as medidas apropriadas para proteger a saúde humana e o ambiente contra os efeitos adversos resultantes ou que
provavelmente resultem das actividades humanas que
modificam a Camada de Ozono.
1986
Acidente de Chernobyl Ucrânia (União Soviética)
– Acidente com central nuclear, provoca uma explosão radiactiva maciça.
1986
Acto Único Europeu
Comunidade Económica Europeia
– O ambiente é uma acção comunitária.
– São introduzidos no Tratado da Comunidade
Económica Europeia três artigos sobre o
ambiente.
1987
Relatório Brundtland "O Nosso Futuro Comum“
Nações Unidas
– Relatório da Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, analisa conjuntamente as questões sociais, económicas, culturais e ambientais a nível mundial e formula soluções globais.
“ Desenvolvimento Sustentável – desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades das gerações actuais sem
comprometer as gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades ” (Comissão Mundial sobre Ambiente e
Desenvolvimento, Nações Unidas 1987, Relatório Brundtland).
“Desenvolvimento Sustentável – manutenção dos processos ecológicos essenciais e dos sistemas de suporte da vida, a preservação da diversidade genética e a utilização sustentável das espécies e dos ecossistemas ” (IUCN, 1980, Estratégia Mundial de Conservação ).
“ Desenvolvimento Sustentável – desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades das
gerações actuais sem comprometer as gerações futuras de satisfazer as suas próprias
necessidades ” (Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, Nações Unidas 1987,
Relatório Brundtland).
1987
Protocolo de Montreal sobre as
Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozono
Nações Unidas
– O Protocolo estabelece as medidas para aplicar a Convenção de Viena de 1985, mas inclui clausulas de derrogação que permite que os países em desenvolvimento possam, em determinadas circunstâncias, não aplicar essas medidas.
1988
Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas
Nações Unidas
– Painel constituído para avaliar o estado da
investigação científica, técnica e sócio-económica
das alterações climáticas.
1989
Acidente do Exxon Valdez Alasca
– O petroleiro Exxon Valdez encalha e derrama 38800 ton de crude na costa do Alasca.
1990
Cimeira Mundial da Criança UNICEF
– Reconhecimento da importância do impacte sobre
o ambiente para as gerações futuras.
1991
Colapso dos bancos de pesca do bacalhau da costa leste do Canadá
– Existem apenas 2700 ton de biomassa é regenerada, após um esforço de pesca de 190 000 ton
1991
Incêndio de poços de petróleo do Kuwait
– Incêndio incontrolado em centenas
de poços de petróleo durante meses,
no Kuwait, após a Guerra do Golfo
Pérsico.
CONVENÇÃO ENMOD
Convenção sobre a proibição do uso de técnicas de alteração ambiental para fins militares ou quaisquer outras finalidades hostis ou Convenção ENMOD é um tratado internacional para proibir o uso de técnicas de alteração ambiental para fins militares ou hostis. Entrou em vigor em Outubro de 1978: 74 países são partes ou signatários.
PROTOCOLO 1 À CONVENÇÃO DE GENEBRA DE 1949 (1977) Artigo 55º
1. Devem ser adoptadas providencias na guerra para proteger o
ambiente natural contra danos generalizados e graves, a longo prazo.
Esta protecção inclui a proibição de utilização de métodos e meios de guerra que se destinam ou que possam causar danos ao ambiente natural e, desta forma, prejudicar a saúde ou a sobrevivência da população.
2. São proibidos os ataques contra o ambiente natural por represálias.
1991
Convenção sobre
Avaliação do Impacte Ambiental num Contexto Transfronteiriço
CEE/ONU, Espoo
– Estabelece a obrigação das Partes de avaliar o impacte ambiental de determinados projectos na fase inicial de concepção.
– Estabelece a obrigação das Partes de notificação
e consulta mútua sobre todos os projectos que
possam ter um impacte significativo sobre o
ambiente de outro Estado.
1992
Cimeira da Terra Rio de Janeiro
“Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento”
– presidida por Maurice Strong. Foram adoptados:
• Declaração de Princípios do Rio,
• Agenda 21,
• Convenção sobre Diversidade Biológica,
• Convenção Quadro sobre Alterações Climáticas, e
• Declaração de Princípios sobre Florestas.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 1:
Os seres humanos são o centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável.
Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza.
Princípio 2:
Os Estados, de acordo com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do direito internacional, têm o direito soberano de explorar os seus recursos próprios de acordo com as suas próprias políticas de ambiente e desenvolvimento, e a responsabilidade de assegurar que as actividades exercidas dentro da sua jurisdição ou controlo não prejudiquem o ambiente de outros Estados ou de áreas para além dos limites da jurisdição nacional.
Princípio 3:
O direito ao desenvolvimento deverá ser exercido por forma a atender equitativamente às necessidades, de desenvolvimento e ambientais, das gerações presentes e futuras.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 4:
Para se alcançar um desenvolvimento sustentável, a protecção do ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada separadamente.
Princípio 5:
Todos os Estados e todos os povos deverão cooperar na tarefa fundamental de erradicação da pobreza como condição indispensável ao desenvolvimento sustentável, de forma a reduzir as disparidades nos níveis de vida e melhor satisfazer as
necessidades da maioria dos povos do mundo.
Princípio 6:
Deverá ser dada especial prioridade à situação e necessidades específicas dos países em desenvolvimento, especialmente dos menos desenvolvidos e dos mais vulneráveis em termos ambientais.
As acções internacionais no domínio do ambiente e desenvolvimento deverão também dar resposta aos interesses e necessidades de todos os países.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 7:
Os Estados deverão cooperar num espírito de parceria global para conservar, proteger e recuperar a integridade do ecossistema da Terra.
Tendo em conta os diferentes contributos para a degradação ambiental global, os Estados têm responsabilidades comuns mas diferenciadas.
Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na procura, a nível internacional, do desenvolvimento sustentável, considerando as pressões exercidas pelas suas sociedades sobre o ambiente global e as tecnologias e os recursos financeiros de que dispõem.
Princípio 8:
Para se alcançar um desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida mais elevada para todos os povos, os Estados deverão reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e de consumo e promover políticas demográficas apropriadas.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 9:
Os Estados deverão cooperar para reforçar as capacidades próprias endógenas para o desenvolvimento sustentável, melhorando os conhecimentos científicos através do intercâmbio de informações científicas e técnicas, e aumentando o desenvolvimento, a adaptação, a difusão e a transferência de tecnologias, incluindo tecnologias novas e inovadoras.
Princípio 10:
As questões ambientais são melhor tratadas com a participação de todos os cidadãos interessados, ao nível apropriado.
Ao nível nacional, cada pessoa deverá ter acesso adequado à informação relativa ao ambiente detidas pelas autoridades, incluindo informação sobre materiais e actividades perigosas nas suas comunidades, e a oportunidade de participar nos processos de tomada de decisão.
Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e participação do público, disponibilizando amplamente as informações.
O acesso efectivo aos processos judiciais e administrativos, incluindo os de recuperação e de reparação, deverá ser garantido.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 11:
Os Estados deverão promulgar legislação ambiental eficaz.
Os padrões ambientais, os objectivos e as prioridades de gestão deverão reflectir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam.
Os padrões aplicados por alguns países podem ser inapropriados e ter um custo económico e social injustificado para outros países, em particular para os países em desenvolvimento.
Princípio 12:
Os Estados deverão cooperar na promoção de um sistema económico internacional aberto e sustentado que deverá conduzir ao crescimento económico e ao
desenvolvimento sustentável em todos os países, de forma a melhor tratar os problemas de degradação ambiental.
As medidas de política comercial motivadas por razões ambientais não deverão constituir um instrumento de discriminação arbitrária ou injustificada ou uma restrição disfarçada ao comércio internacional.
As acções unilaterais para tratar dos desafios ambientais fora da área de jurisdição do pais importador deverão ser evitadas.
As medidas ambientais para tratar de problemas ambientais transfronteiriços ou globais deverão, tanto quanto possível, ser baseadas num consenso internacional.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 13:
Os Estados deverão elaborar legislação nacional relativa à responsabilidade civil e à compensação das vítimas da poluição e de outros prejuízos ambientais.
Os Estados deverão também cooperar de um modo expedito e mais determinado na elaboração de legislação internacional relativa à responsabilidade civil e compensação por efeitos adversos causadores por danos ambientais em áreas fora da sua área de jurisdição, e causados por actividades realizadas dentro da área da sua jurisdição ou controlo.
Princípio 14:
Os Estados deverão cooperar para reforçar as capacidades próprias endógenas para o desenvolvimento sustentável, melhorando os conhecimentos científicos através do intercâmbio de informações científicas e técnicas, e aumentando o desenvolvimento, a adaptação, a difusão e a transferência de tecnologias, incluindo tecnologias novas e inovadoras.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 15:
Para que o ambiente seja protegido, uma abordagem precaucionária deverá ser aplicada pelos Estados, de acordo com as suas capacidades.
Quando existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis não deverá ser utilizada a incerteza científica como razão para adiar as medidas com uma boa relação custo/eficácia para prevenir a degradação ambiental.
Princípio 16:
As autoridades nacionais deverão esforçar-se por promover a internalização dos custos ambientais e a utilização de instrumentos económicos, tendo em conta a abordagem de que o poluidor deverá, em principio, suportar o custo da poluição, com o devido respeito pelo interesse público e sem distorcer o comércio e investimento
internacionais.
Princípio 17:
A avaliação do impacte ambiental deverá ser realizada, enquanto instrumento nacional, para certas actividades susceptíveis de terem um impacte significativo adverso no ambiente e que estejam sujeitas a uma decisão por parte de uma autoridade nacional competente.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 18:
Os Estados deverão notificar imediatamente os outros Estados de quaisquer desastres naturais ou outras emergências que possam produzir efeitos súbitos nocivos no
ambiente desses Estados.
Deverão ser envidados todos os esforços pela comunidade internacional para ajudar os Estados afectados por tais efeitos.
Princípio 19:
Os Estados deverão notificar, prévia e atempadamente, os Estados potencialmente afectados, e fornecer-lhes todas as informações pertinentes sobre as actividades que possam ter um efeito transfronteiriço adverso significativo sobre o ambiente, e deverão consultar atempadamente e de boa fé esses Estados.
Princípio 20:
As mulheres desempenham um papel vital na gestão e desenvolvimento do ambiente.
A sua participação plena é portanto essencial para alcançar um desenvolvimento sustentável.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 21:
A criatividade, os ideais e a coragem da juventude de todo o mundo deverão ser mobilizados para criar uma parceria global com o fim de se alcançar um
desenvolvimento sustentável e assegurar um futuro melhor para todos.
Princípio 22:
Os povos indígenas e suas comunidades e outras comunidades locais desempenham um papel vital na gestão e desenvolvimento do ambiente devido aos seus
conhecimentos e práticas tradicionais.
Os Estados deverão reconhecer e apoiar devidamente a sua identidade, cultura e interesses e tornar possível a sua participação efectiva na concretização de um desenvolvimento sustentável.
Princípio 23:
O ambiente e os recursos naturais dos povos oprimidos, dominados e sujeitos a ocupação deverão ser protegidos.
Declaração de Princípios do Rio
Princípio 24:
A guerra é intrinsecamente destruidora do desenvolvimento sustentável.
Os Estados deverão portanto respeitar a lei internacional que protege o ambiente, em tempo de conflito armado, e cooperar no seu desenvolvimento, conforme for
necessário.
Princípio 25:
A paz, o desenvolvimento e a protecção ambiental são interdependentes e inseparáveis.
Princípio 26:
Os Estados deverão resolver todas as suas disputas ambientais pacificamente e por meios apropriados de acordo com a Carta das Nações Unidas.
Princípio 27:
Os Estados e os povos deverão cooperar de boa fé e com espírito de parceria no cumprimento dos princípios consagrados nesta Declaração no maior desenvolvimento do direito internacional em matéria de desenvolvimento sustentável.
Agenda 21
Agenda 21
A Agenda 21 é um plano de acção não vinculativo e implementado voluntariamente pelos Estados, pelas regiões, pelos poderes locais e pelas organizações internacionais, visando o desenvolvimento sustentável.
O "21" na Agenda 21 refere-se ao século 21.
A Agenda 21 tem cerca de 350 páginas, agrupadas em 40 capítulos, que por sua vez estão agrupados em quatro secções principais:
Secção I: Dimensões Sociais e Económicas.
Esta seção é orientada para o combate à pobreza, especialmente para países em desenvolvimento, mudando padrões de consumo, promovendo saúde, alcançando uma população mais sustentável e a tomada de decisões sustentáveis.
Secção II: Conservação e Gestão de Recursos para o Desenvolvimento.
Inclui a protecção atmosférica, combate ao desmatamento, protecção dos ambientes frágeis, conservação da diversidade biológica (biodiversidade), controle da poluição e gestão da biotecnologia e dos resíduos radioactivos.
Secção III: Fortalecimento do papel dos principais grupos.
Inclui os papéis das crianças e jovens, mulheres, ONGs, autoridades locais, empresários e trabalhadores e reforço do papel dos povos indígenas, suas comunidades e agricultores.
Secção IV: Meios de Implementação.
Inclui a ciência, a transferência de tecnologia, educação, instituições internacionais e mecanismos financeiros.
Agenda 21
Preâmbulo
Secção I. Dimensões sociais e económicas
1. Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento das políticas internas conexas
2. Luta contra a pobreza
3. Evolução das modalidades de consumo 4. Dinâmica demográfica e sustentabilidade 5. Protecção e fomento da saúde humana
6. Fomento do desenvolvimento sustentável dos recursos humanos 7. Integração do ambiente e o desenvolvimento na tomada de decisões
Agenda 21
Secção II. Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento
8. Protecção da atmosfera.
9. Planeamento o ordenamento dos recursos dos solos.
10. Luta contra o desmatamento.
11. Ordenamento dos ecossistemas frágeis: luta contra a desertificação e a seca.
12. Ordenamento dos ecossistemas frágeis: desenvolvimento sustentável das zonas montanhosas.
13. Fomento da agricultura e do desenvolvimento rural sustentável.
14. Conservação da diversidade biológica.
Agenda 21
Secção II. Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento (continuação)
15. Gestão ecologicamente racional da biotecnologia.
16. Protecção dos oceanos e dos mares de todo tipo, incluídos os mares fechados e semi-fechados e as zonas costeiras, e o uso racional e o desenvolvimento de seus recursos vivos.
17. Protecção da qualidade dos recursos de água doce: aplicação de critérios
integrados para o aproveitamento, ordenamento e uso dos recursos de água doce.
18. Gestão ecologicamente racional dos produtos químicos tóxicos, incluindo a prevenção do tráfico internacional ilícito de produtos tóxicos e perigosos.
19. Gestão ecologicamente racional dos resíduos perigosos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de resíduos perigosos
20. Gestão ecologicamente racional dos resíduos sólidos e questões relacionadas com as matérias fecais
21. Gestão inócua e ecologicamente racional dos resíduos radioativos.
Agenda 21
Secção III. Fortalecimento do papel dos grupos principais
22. Preâmbulo
23. Medidas mundiais em favor da mulher para atingir um desenvolvimento sustentável e equitativo.
24. A infância e a juventude no desenvolvimento sustentável.
25. Reconhecimento e fortalecimento do papel das populações indígenas e suas comunidades.
26. Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais associadas na busca de um desenvolvimento sustentável.
27. Iniciativas das autoridades locais em apoio ao Programa 21.
28. Fortalecimento do papel dos trabalhadores e seus sindicatos.
29. Fortalecimento do papel do comércio e da indústria.
30. A comunidade científica e tecnológica.
31. Fortalecimento do papel dos agricultores.
Agenda 21
Secção IV. Meios de execução
32. Recursos e mecanismos de financiamento.
33. Transferência de tecnologia ecologicamente racional, cooperação e aumento da capacidade.
34. A ciência para o desenvolvimento sustentável.
35. Fomento da educação, capacitação e consciencialização.
36. Mecanismos nacionais e cooperação internacional para aumentar a capacidade nacional nos países em desenvolvimento.
37. Acordos institucionais internacionais.
38. Instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais.
39. Informação para a adopção de decisões 40. ligados à eco 92